História Crise existencial - Relatos Suicida - Pensamentos... - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Exibições 30
Palavras 732
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Poesias, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Isso tudo é tão lento. Tão pesado. Tão triste.


"Só mais um corte e eu paro". Jurei para mim mesma, pela décima oitava vez em apenas um mês.

De meus pulsos se viam aberturas, agora cobertas com sangue, quase seco, quase preto, quase necessário.

Aquilo era, de alguma forma, motivo de alívio. Sentir o sangue escorrer pelos meus pulsos era quase como assistir a um suicídio. Desesperador, intenso, desconcertante e até... estranho.

Nunca faça o seu primeiro corte. Ele não será o último. Você vai se cortar de novo. É inevitável. É um vício. Você entra em uma espécie de abstinência quando se sente perdido, e tem que fazer aquele alívio aparecer de novo. E então vem o segundo corte. Terceiro, quarto, quinto... até que chega um momento que você se cansa de contar.

Até que chegará o momento que essa dor física não será mais suficiente para te aliviar.

Acho que posso chamar isso de introdução, um prólogo, um episódio piloto. É. Então; Sejam bem vindos aos meus textos sobre suicídio.

Dramático? Você não viu nada. Eu vivo imersa em dramas.

Existem coisas sobre mim que eu prefiro que ninguém nunca saiba, mas, como em algumas semanas não estarei mais aqui, contarei tudo. Sobre todos os motivos, não importa o quanto toscos forem. Desde palavras a gestos.

Eu irei lhe contar a minha vida, telespectador!

Tudo começa na escola, com um simples "Olha a esquisitona", "depressiva", "louca", vindo de pessoas que nem menos me conhecem, que não passam pelo o mesmo que eu. Pessoas que não sabem o tamanho do meu sofrimento.

Sabe quando você está em uma sala cheia de gente mas continua se sentindo sozinho? Lá estava eu, sentada na última carteira, encarando o relógio, cética demais para acreditar em um milagre, como, por exemplo, a escola explodir. O resto da turma me olhava cochichava como se eu não estivesse ali. Eu fingia que estava muito concentrada no relógio que se encontrava em cima do quadro, fingia que aqueles comentários maldosos não eram para mim. Mas eu estava apenas tentando controlar minha dor psicológica, que não era nada leve. Minha consciência pesava, mas não mais que as palavras que eram direcionadas a mim. Suicida. Maluca. Antisocial. Arrogante. Bipolar. Anoréxica. Paranóica. Ridícula. Piranha. E eu nem sabia o motivo dos xingamentos.

E naquele dia, comprei minha lâmina da piedade. Se ela não me ajudasse, ninguém mais poderia. E ajudou. Ela estava ali sempre que eu precisava.

Despida, em uma ducha de água fria. Um arrepio percorre meu corpo e eu passo a lâmina em meu pulso. Era reconfortante ver o sangue misturar-se com a água. E então eu fiz mais um. Minha respiração estava pesada, mas minha alma estava leve. Uma leveza que eu nunca tinha sentido antes. Lágrimas escorriam pelo meu rosto. Gotas de sangue escorriam pelo meus pulsos, e eu logo as molhava na água, e elas iam embora pelo ralo, junto com a minha esperança.

Os cortes já não doem mais. É tão horrível saber que você chegou ao ponto de começar a se mutilar. Eu sinto cada peso do sofrimento se esvaindo pelos cortes, como areia entre os dedos. Mas a dor logo volta. Tanto a mental quanto a física. Dizem que é doença, mas eu realmente não ligo. É algo que me alivia. Como tomar sorvete em um dia quente. Beber chocolate quente no inverno. Uma sensação boa.

É como tirar um peso das costas. Deitar após dias de caminhada. Achar um oásis no deserto. Aquilo me aliviava de uma maneira inexplicável. As feridas sempre cicatrizavam por fora, mas nunca por dentro. Todos os cortes continuam sangrando dentro de mim.

Tristeza e lâmina é uma péssima combinação, mas alivia toda a dor que machuca seu coração. Te faz olhar diferente para todos. Sorrindo, como se fosse a pessoa mais feliz do mundo. Mas olhando para as pessoas como se estivesse pedindo socorro... Sorrindo, mas morrendo por dentro.

Já perdi a conta de quantas vezes fingi estava tudo bem. De quantas vezes escondi minhas lágrimas com sorrisos forçados... fingir que está tudo bem se tornou um hábito, uma rotina.

Costumava dizer para mim mesma que carrego nos pulsos todas as vezes em que desejei morrer... ou melhor, matar a dor. Geralmente as pessoas não entendem. O suicídio é uma válvula de escape. Não queremos mais a dor, mas convivemos com ela.

Tudo isso é tão lento. Tão pesado. Tão triste. E no final, acabamos nos tornando os monstros que vivem em baixo das camas...



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