História Cristal - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood
Tags Outlawqueen, Regina Mills, Robin Hood
Visualizações 244
Palavras 4.967
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Lembrando mais uma vez que essa história não é de minha autoria, só estou modificando os personagens para que possamos desfrutá-la com o nosso casal mais amado, vulgo OutlawQueen.

Capítulo 8 - Capítulo sete


Robin P.O.v

– Regina, sua desgraçada! Abre essa porta, porra! — Meu Deus, aquilo só podia ser brincadeira.

Fazia vinte minutos que eu esmurrava a porta que nem um louco, mas nada de aquela patricinha cínica e enganadora de homens com tesão me responder.

— Abre a porta! — gritei de novo, mas foi em vão. Podia ouvir a risada da maldita dentro do quarto. — Burro! Burro! Burro! — Bati a mão espalmada na minha cabeça.

Eu era muito idiota de ter deixado as coisas irem longe demais de novo, mas daquela vez Regina foi mais esperta. Eu achando que a noite que tinha começado mal terminaria comigo dentro dela... Acabei foi do lado de fora, pelado e com frio. Olhei para o meu companheiro de jornada entre minhas pernas e pude notar que o frio já fazia efeito: o que antes estava duro como um coco murchou. Andei pelo galpão usando as mãos para tapar meu pau enquanto procurava algo para vestir. Aquele quarto era o único que tinha fora da casa-grande, era o lugar que eu usava para descanso quando precisava ficar de plantão na fazenda.

Minha ideia era ficar lá com a Regina até o dia amanhecer, quando os primeiros empregados apareceriam. A maioria deles ficava de folga até segunda, mas alguns, como os empregados da casa, voltariam no domingo de manhã. Passei pela baia do Ventania, que, por estar em recuperação, era o único cavalo que havia ali. Ele relinchou assim que me viu.

— É, companheiro. — Acariciei a testa dele. — Noite difícil. — Seria cômico se não fosse trágico: eu estava pelado conversando com um cavalo.

Poderia montar e cavalgar até a casa do tio Gepeto, mas, apesar de tudo, não deixaria Regina sozinha do lado de fora de casa. Querendo ou não, eu era responsável por ela. Saí pelo quintal tentando encontrar o que vestir, mas a única coisa que eu achei foi um vestido no varal. Foi fácil deduzir que era da Regina, pois mais ninguém na casa teria coragem de usar um pedaço de pano mínimo como aquele. Mal dava para saber se era um vestido ou uma blusa. Eu o puxei do arame e, sem nem olhar direito, rasguei o tecido e o enrolei na cintura. Pelo menos meu amigo não ficaria envergonhado. Voltei para o galpão e coloquei a cadeira em frente à porta do quarto. Assim que Regina saísse, eu torceria seu pescoço da mesma forma que se mata um frango.

Me sentei e, minutos depois, tive uma ideia; levantei e procurei a caixa de força do galpão. Desliguei a chave, e imediatamente tudo ficou escuro. Ela não estava com medo? Quis ver o que ia fazer. Voltei rindo, me sentei na cadeira e aguardei: era uma questão de tempo até Regina se pronunciar.

— Robin! Seu filho da mãe! — ela gritou do quarto. Não disse? Quando o quesito era mulher, eu tirava de letra. — Liga a luz! — Rá! Se ela achava que eu iria dar o braço a torcer, estava muito enganada.

Regina não sabia com quem estava brincando, e, quando eu entro num jogo, não admito a derrota. Nunca sairia perdedor.

— Eu te odeio, seu caipira idiota!

— A recíproca é verdadeira, patricinha mimada! — gritei de volta.

Inclinei a cadeira para trás e apoiei minha cabeça na parede. Era só esperar o dia amanhecer. Regina ia descobrir com quantos paus se faz uma canoa. Cochilei sentado e, quando acordei, percebi os primeiros raios de sol. Levantei e caminhei até a porta do galpão. O raiar do dia no campo era lindo, e eu contemplava o céu no horizonte. Voltei para o quarto e tentei entrar, só para ter certeza de que a maldita não tinha fugido enquanto eu dormia.

— Regina, minha linda. Vem aqui para fora — chamei, provocando-a. — Seu Robin está te esperando. Vem, Cristal. Alguns segundos depois, ouvi um barulho de coisas caindo no quarto. Provavelmente ela estava quebrando tudo, tentando andar no escuro.

— Nem morta! — respondeu. — Vai embora, Robin. — Aguardei alguns segundos perto da porta; se ela abrisse uma fresta sequer, eu partiria para dentro.

Com a raiva que eu tinha acumulado nos últimos dois dias, eu colocaria Regina no meu colo e estapearia sua bunda até deixá-la ardendo.

— Some daqui, seu babaca — ela continuou me xingando.

Quando percebi que ela realmente não abriria, voltei a me sentar na cadeira. Escutei um barulho vindo de fora, e como ainda era cedo para a chegada dos funcionários fiquei em alerta. Com cuidado, cheguei até a porta para ver do que se tratava. Suspirei de alívio quando vi um cavalo trazendo meu tio.

— Sua bênção, tio — disse já do lado de fora. Gepeto desceu do cavalo e me olhou dos pés à cabeça. Imediatamente, começou a rir. Minha cara de reprovação não adiantou e ele continuou tirando sarro de mim.

— Deus te abençoe, “filha” — ele brincou, mas aquilo só me deixou com mais raiva da Regina. Quando eu colocasse minhas mãos nela... — Não sabia que agora eu tenho uma sobrinha. Você fica muito bem de dourado. — Ele apontou para o pano que me cobria e eu dei uma risada forçada.

— Ha-ha! Muito engraçado.

— Mary me contou o que aconteceu e eu vim ver se precisava de ajuda, mas pelo visto você sabe se virar. Mas cuidado, Robin, para não se virar demais, se é que você me entende. — Ele piscou, e, se não fosse meu tio, eu o teria deixado de olho roxo.

Já estava nervoso pela situação com a Regina e ainda tinha que aguentar piadinhas. Entrei novamente no galpão e meu tio me seguiu.

— Cadê a Regina? — ele perguntou, e eu apontei na direção do quarto. — Quer dizer que ela te trancou do lado de fora e sem roupa? — Gepeto levantou as sobrancelhas me questionando e eu assenti. — Garota esperta.

— Você só pode estar brincando comigo, né? — eu disse irritado. — Você trouxe a chave? — Ele me olhou confuso. — Tio, a patricinha saiu sem as malditas chaves, por isso tivemos que passar a noite aqui fora.

Toda a cena da noite anterior voltou à minha mente. Eu estava pronto para transar com ela quando a maldita armou aquela cilada e eu caí como um patinho. Ela deve ter planejado tudo desde a hora em que me pediu para ficar na fazenda. Gepeto mexeu nos bolsos e tirou um molho de chaves.

— Esta é da cozinha. Lá dentro você consegue destrancar as outras portas — disse, segurando uma chave dourada. Meu tio jogou o chaveiro em minha direção e eu o peguei no ar. — Como ela te deixou sem roupa? — perguntou curioso.

— É uma longa história... — Não dava para explicar que meu pau estava na boca da Regina e eu pretendia fodê-la antes de saber o que ela tinha armado para mim.

Meu tio era muito profissional e seguia o velho ditado “onde se ganha o pão não se come a carne”. Eu também nunca havia me envolvido com alguém do trabalho, muito menos com a filha do patrão, mas Regina mexia com cada músculo do meu corpo de uma forma que me deixava incontrolável. Era impossível resistir. Antes que Gepeto fizesse mais perguntas, escutamos o barulho da porta se abrindo. Olhamos para o corredor e vimos Regina correr em direção à outra saída. Não pensei duas vezes. Saí correndo atrás dela e, quando a alcancei, eu a peguei e joguei seu corpo em meus ombros, assim como na noite anterior.

— Me solta, Robin! — Ela batia em minhas costas, mas com a força que tinha mal fazia cócegas. — Agora!

— Bom dia, meu amor — eu disse sarcástico, e ela bufou. — Dormiu bem? Caminhei mais alguns passos e ela não cansava de me acertar com seus socos insignificantes.

— Robin, seu filho da puta, você está com meu vestido? — Ela levantou o tecido que cobria minha bunda. — Sabe quanto custou? Mais do que o seu salário, seu babaca.

Regina estava brava porque eu tinha rasgado seu vestido, e eu estava puto porque ela tinha me deixado ao relento. Nós dois tínhamos motivos para acordar de mau humor, mas acontece que, naquela batalha, eu sairia vencedor. Continuei caminhando com a Regina resmungando em meus ombros. Sabia bem o que eu faria com ela. Na verdade, eu tinha passado a madrugada maquinando minha vingança. Tudo que eu tinha pensado ainda era pouco para o que ela merecia, mas, então, me lembrei de um apelido que ela tinha me dado: tratador de porcos.

— Ai, que nojo! — Regina gritou e eu a imaginei tapando o nariz com os dedos como tinha feito quando me conheceu. Sorri, pois o cheiro era pouco para o que estava por vir. — Robin, me põe no chão e vamos conversar como pessoas civilizadas — ela pediu com um tom de voz gentil.

Pura encenação. Eu já conseguia perceber que aquilo não passava de falsidade.

— Desculpa, eu sou um idiota analfabeto, lembra? — disse me referindo ao dia em que nos conhecemos. — Civilização não é comigo — completei dando um tapa em sua bunda. — Não se preocupa, você vai aprender como resolvemos as coisas por aqui.

Mais alguns passos e eu cheguei aonde queria: o chiqueiro.

Bem que eu gostaria que fosse um chiqueiro dos antigos, onde vários porcos ocupavam o mesmo espaço na lama. Mas, como as coisas mudaram, havia um local um pouco mais limpo, mas não muito. Parei em frente a ele e abri a portinha que o delimitava.

— Robin, você não vai me deixar aí, né? — Regina perguntou desesperada. Quando eu a virei nos meus braços, pronta para jogá-la, ela começou a espernear e a gritar. — Seu boçal, eu vou mandar te demitir. Robin, isso é um... porco?! — Olhou incrédula para os animais à sua frente.

Contei até três, balançando em direção a dois porcos que estavam deitados. No três, eu a joguei, e Cristal caiu de bunda no chão, por cima dos dejetos que estavam ali.

— Isso é pra você aprender a respeitar as pessoas. Não vai pensando que pode chegar aqui e agir como se estivesse na cidade — gritei.

Regina começou a gritar, mas os porcos ficaram com mais medo dela do que ela deles. Meu tio Gepeto chegou e me olhou com reprovação. Logo notei que Mary estava bem atrás dele.

— Mano, o que você fez? — Minha prima passou por mim antes de entrar no chiqueiro para ajudar Regina a se levantar.

— Eu odeio você, Robin! — Regina gritava furiosa, tentando tirar a sujeira da roupa.

Eu a deixei com Mary e saí. Não ficaria esperando o sermão do Gepeto e muito menos o da princesinha. Podia escutar os gritos dela enquanto eu me afastava.

— Meu pai vai saber disso. Você me paga!

Mary tinha chegado à fazenda no carro do meu tio. Ela ainda não tinha um próprio, por isso havia aceitado o trabalho de babá da patricinha. Sem perguntar se eu poderia pegá-lo, entrei no carro e liguei a chave que estava na ignição. Fui direto para casa, sem nem perder tempo de passar na casa do meu tio para vestir outra roupa.

No caminho de volta eu pensava no que a Regina tinha feito, mas também pensava em seus beijos e em sua boca me chupando. Esse misto de sentimentos que Cristal despertava me assustava. Eu queria matá-la, mas também queria beijá-la. Queria torcer o seu pescoço, mas também queria fodê-la. Como essa garota me tira do sério! Quando cheguei em casa e desci do carro, escutei um assovio. Eu me virei e vi o filho da puta do Graham.

— Gostosa! — ele gritou de dentro da sua caminhonete. — Quanto é o programa, Robin? Ou seria Sheila? — Olhei para baixo e me dei conta de que estava quase nu. Mostrei o dedo do meio para o Graham, que gargalhou ainda mais. — Vem aqui, chuchu. Vamos dar uma voltinha!

Abri a porta com a chave reserva, que ficava na janela, e entrei em casa antes que partisse a cara dele. Tomei um banho e dormi. Estava morto de cansaço. Acordei com o celular tocando. Primeiro achei que estivesse tendo um pesadelo, mas depois eu abri os olhos e realmente havia alguém me perturbando.

— Alô. Peguei o celular do criado-mudo e nem olhei quem era.

— Porra, Robin! Quer abrir a porta? — David! Tinha que ser ele.

— Vai para o inferno, não tem queijo. — Desliguei o telefone e tentei dormir novamente, mas David era insistente e voltou a ligar. — Caralho! — atendi xingando.

— Robin, abre a porta. Seu tio pediu para eu vir atrás de você — David falou e eu levantei sonolento.

Mal abri a porta e David entrou. Apesar de estar irritado por ele ter me acordado, aquela seria uma boa hora para acertarmos as contas.

— Cara, se você soubesse como eu estou puto por você ter deixado as meninas beberem daquele jeito... Eu te sugiro ficar pelo menos uns três dias sem colocar a fuça na minha frente.

David estava de pé na sala e agora me olhava envergonhado.

— Eu não tive culpa, uai. Achei que elas ficariam bem. Eu fiquei fora por pouco mais de trinta minutos — ele explicou e eu tive que tirar o chapéu para Regina: ela precisou de apenas meia hora para fazer Mary perder toda a educação e a moral que eu e Gepeto levamos a vida toda para lhe ensinar.

— O que meu tio quer? — perguntei, mudando de assunto.

O estrago já tinha sido feito, e não adiantaria eu quebrar o nariz do David, pois nada apagaria o vexame que a Mary deu.

— Gepeto tentou te ligar e você não atendeu. As vacinas chegaram, e o representante já está impaciente te esperando. Você precisa ir até a fazenda recebê-las.

Droga!

Eu sabia que as vacinas chegariam a qualquer momento, mas o que eu não esperava era ter que voltar à fazenda tão cedo. Queria ficar o mais longe possível.

— E se prepare — David falou. — Regina está bufando que nem boi bravo por sua causa.

 

 

Regina P.O.V

Estava tomando o meu quarto banho. Esfreguei tanto minha pele na tentativa de tirar o cheiro dos porcos que ela estava ardendo. Ainda não acreditava na petulância daquele caipira idiota. Robin realmente não tinha amor à vida e muito menos ao emprego. Assim que saísse do banheiro, eu ligaria para o meu pai e exigiria a demissão do ogro. Confesso que deixá-lo pelado ao relento não foi muito sensível da minha parte, mas, porra, o Robin exagerou: rasgar meu vestido caríssimo, bater na minha bunda e ainda me jogar aos porcos foi demais. Era muito mais do que eu havia feito, mas tudo isso não chegaria aos pés do que eu iria fazer.

Enquanto terminava meu banho, pensei em mil maneiras de fazê-lo pagar e acabei descartando a possibilidade de pedir a sua demissão. Meu pai nunca deixava eu me meter nos assuntos da fazenda. Com certeza, eu iria dar com os burros n’água, ainda mais do jeito que todo mundo venerava o dr. Robin. E, pensando melhor, se eu o queria, tinha que mantê-lo por perto. Mataria dois coelhos com uma cajadada só: ter Robin e fazê-lo sofrer.

— Regina, mais cinco minutos debaixo da água e você vai derreter! — Mary gritou do meu quarto.

E naquele momento foi como se uma lâmpada acendesse em cima da minha cabeça: quem conhecia o Robin melhor do que a Mary?

— Estou indo! — gritei de volta.

Olhei para os meus dedos, e realmente eles já estavam enrugados. Eu me sequei e saí enrolada na toalha. Mary estava deitava na cama, jogando meu travesseiro de pena de ganso para cima. Ser folgado deveria ser de família, porque aquela ali não ficava atrás do Robin. Mas até que ela era gente boa, nada que pudesse ser comparado à Emma, mas dava para o gasto, ainda mais ali, quando eu precisava da sua ajuda. Dei um sorriso e segui até a porta do meu armário.

Tinha comprado muitas roupas e optei por uma calça jeans justa nova, uma t-shirt que eu já tinha e botas estilo montaria. Sequei o cabelo e o deixei solto.

— Agora, sim, está uma legítima nativa. Digna de pegar qualquer carinha da região — Mary me elogiou, sorrindo.

Um sorriso sincero. Mal sabia ela que eu não queria qualquer carinha, eu queria seu primo. E ele seria meu.

— Regina? — ela me chamou um pouco nervosa. Me virei e a vi sentada na cama. Seu sorriso havia desaparecido por completo. — Você vai pedir para o seu pai demitir o Robin? — Vi seu semblante triste e, realmente, fiquei com pena da garota. — É que meu pai é caseiro da Girassol há anos e não quer sair daqui. Me sentei na cama ao seu lado. Naquele momento começava a Operação Segura Peão.

— Não — respondi, e ela me olhou espantada. — Eu também passei dos limites, principalmente deixando você beber daquela forma. Eu deveria saber que mexer com a princesa do Robin me deixaria em maus lençóis. — Tentei soar o mais gentil possível.

Mary abriu um sorriso de alívio e me abraçou. Sério, ela me abraçou. Virada de lado na cama, eu fiquei sem saber o que fazer com meus braços. Estava acostumada a abraçar homens,

e aquele contexto era totalmente diferente.

— Desculpa. — Acho que ela notou o meu desconforto. — Me empolguei.

— Tudo bem — respondi ainda incomodada com aquele gesto. — Mas me conta, por que veio para a fazenda tão cedo? Do jeito que você estava ontem, achei que dormiria o domingo inteiro — continuei, mudando de assunto. Mary se mexeu desconfortável na cama e depois se levantou. Percebi que havia algum problema com ela.

— Eu queria conversar uma coisa com você — ela disse de costas para mim, como se estivesse com vergonha de falar. — Sempre fomos eu, meu pai e o Robin. Nunca tive uma amiga de verdade com quem pudesse conversar certos assuntos. — Sua voz ansiosa deixava claro sobre o que Mary queria conversar.

Era só o que me faltava. Eu, conselheira sexual. Respirei fundo, tentando me acalmar. Seria uma troca justa. Mary me ajudava com Robin e eu transmitia a ela todo o meu conhecimento sexual. E olha que eu não tinha pouco.

— Pode perguntar o que quiser, Mary. Acho que depois de um strip-tease juntas nossa relação se estreitou um pouco, né? — brinquei para fazê-la confiar em mim. — Você está com algum problema? Ela me encarava nervosa enquanto passava as mãos nas coxas.

— Regina, eu sou virgem — soltou de repente.

Sei que foi insensível da minha parte, mas não consegui segurar a risada. Virgem? Sabia que Mary era inexperiente, mas virgem? Porra! Achei que elas nem existissem mais.

— Regina, para de rir de mim — pediu, constrangida. Respirei fundo, me acalmei e pedi desculpas.

— Desculpa, Mary. É que eu vi você no quarto do David na noite da tempestade, então fiquei surpresa com a sua revelação. E eu sou meio louca, tenho ataque de risos quando estou nervosa — desconversei. — Mas me diga: o que está te incomodando?

— David — respondeu sem nem ao menos pensar. — E Robin.

— Bom, eu já imaginava também.

Era fácil perceber que, por causa do ciúme desmedido que Robin sentia, a coitada da Mary não podia nem respirar, que dirá transar.

— Mary, senta aqui. — Apontei para a cadeira da penteadeira. Ela assentiu, ainda envergonhada, e fez o que eu pedi. — Me conta do começo. — Ela respirou fundo antes de começar a falar.

— Na noite da tempestade eu fui até o quarto do David. Nós... bem... Nós começamos a fazer algumas coisas, mas, quando ele descobriu que eu era virgem, praticamente me escorraçou. Isso tudo por medo do meu irmão.

Na noite em que fui rejeitada pelo Robin, Mary sofreu a mesma coisa com o babaca do David. O cara se afastou dela como se virgindade fosse uma doença. Tadinha! Fiquei com pena. Ela tinha lágrimas nos olhos ao me contar. E a justificativa do David era ridícula. O cara estava com medo do Robin? Fala sério! Quem era esse Robin? Um deus?

— Mary, é o seguinte... — Inclinei meu corpo para a frente e a encarei. Aquela garota precisava de uma dose de amor-próprio. Eu tinha tanto que não me importava em ceder um pouco do meu para ela. — A primeira coisa que eu vou te perguntar é: você quer o David? O brilho nos seus olhos quase me cegava. Certo, cegar era exagero, mas tanta doçura já estava revirando meu estômago.

— Claro. Eu sou apaixonada pelo David desde que tinha 13 anos — Mary respondeu, e eu revirei os olhos em protesto. Ela não sabia aproveitar a vida. — O problema é que ele tem preconceito com a nossa diferença de idade. David é quase dez anos mais velho do que eu, e ainda tem o ciúme desenfreado do Robin, que faz todos os homens se afastarem de mim, inclusive o banana do David — disse com raiva.

— Então, vamos fazer o seguinte...

Comecei a explicar todo o meu plano para a Mary, que prestava atenção nos mínimos detalhes, como se estivéssemos nos preparando para a guerra. Mas, se tratando de homens sem atitude como David e Robin, não seria tão diferente. O primeiro passo seria levá-la às compras. Da outra vez, ela praticamente não tinha comprado nada, e o que comprou foi de um mau gosto terrível. Depois, eu a convenci de que deixar David com ciúme era a tática mais acertada. Se não desse certo, pensaria em algo mais radical. Em troca da minha ajuda, Mary me explicou o que agradava Robin. Minhas ações precisariam de um pouco mais de planejamento, já que esse negócio de rodeio e de dançar música country em um bar lotado não era muito a minha praia. Mas eu sou mulher, e mulher se adapta a qualquer situação.

— Operação Segura Peão? — perguntei, e Mary levantou sorrindo. Estendeu a mão esticada e eu pus a minha sobre a dela.

— Operação Segura Peão! — ela respondeu. — Mas o que você viu no meu irmão é que ainda não entendi — disse com um ar de nojo. — Você deve estar acostumada com os riquinhos da cidade. E se espera galanteios e gentilezas, cai fora. Robin é bruto, rústico e sistemático.

Mary não sabia, mas o que me atraía no Robin era justamente o fato de ele não parecer em nada os garotos que eu costumava pegar, principalmente o Daniel.

— Ah, seu irmão pode ser um ogro, mas ele tem suas qualidades — eu disse brincando. — Agora vamos, estou morrendo de fome — chamei, e Mary me seguiu quarto afora.

Chegamos à cozinha sorrindo e os empregados nos olharam com surpresa. Provavelmente tentando imaginar o que eu e Mary tanto conversávamos. Tomamos café e comemos enquanto planejávamos as próximas táticas da nossa operação. Para começar, eu teria que ligar para o meu pai. Esse negócio de depender dos meninos para nos levar a todos os lugares não daria certo. Algumas coisas Mary e eu devíamos fazer sozinhas. Peguei meu celular e liguei. Desde o dia em que ele me deixou na fazenda, ainda não havíamos nos falado.

— Alô? — Ele atendeu e eu notei o cansaço em sua voz. Meu pai trabalhava demais, sempre foi assim. Nunca tinha tempo para nada.

— Oi, pai. Sou eu — respondi naturalmente. Eu precisava dele, então usar de arrogância não seria bom para os meus planos. — O senhor está bem? — perguntei antes de fazer o meu pedido.

— Sim, estou bem. E você? Não me diga que ligou porque quer voltar para a cidade? Olha aqui, Regina... — Ele começou a alterar o tom de voz, e eu o cortei.

— Nada disso, pai. O combinado de trinta dias ainda está de pé. Mas eu preciso de um carro. Não dá para ficar dependendo dos empregados para ir à cidade ou passear pela redondeza. Eu e a Mary, a babá que o senhor me arrumou, estamos entediadas aqui na fazenda — expliquei e meu pai ficou em silêncio por um tempo. Achei que ele negaria, mas então respondeu:

— Tudo bem, se você prometer não se meter em encrenca. — Fiz um sinal de positivo para a Mary, que me encarava com os olhos arregalados. — Vou mandar entregar um carro aí na fazenda, mas lembre-se, Regina: interior também tem leis de trânsito, e basta uma transgressão sua para eu mandar tirá-lo de você. — Seu tom de voz, que antes estava levemente carinhoso, ficou autoritário. Dei de ombros, pois estava acostumada. — Estamos entendidos?

— Claro, pai. Sem pisar na bola, prometo. — Enquanto prometia uma postura impecável, minhas intenções eram outras. Regina Mills seguindo regras? Impossível.

— Amanhã o carro estará na fazenda. Preciso ir. Cuide-se e não se meta em problemas. Não estou aí para salvar sua pele. — Essa foi a maneira como ele se despediu de mim. Respondi com um simples tchau e desliguei.

— Amanhã teremos carro — disse para Mary, que estava sentada na mesa. Eu me aproximei dela e me sentei ao seu lado.

— Regina, tem certeza de que isso vai dar certo? — perguntou insegura.

— Relaxa, Mary! Tá comigo, tá com Deus — Tentei convencê-la de que estava em boas mãos.

 

 

 

Passei o resto da tarde de domingo conversando com a Mary, que me contava tudo sobre o Robin enquanto eu dava dicas de sedução para ela levar David à loucura de uma vez por todas. Nunca ri tanto na vida, as expressões que a Mary fazia a cada coisa que eu falava eram hilárias. Almoçamos uma comida simples, bem caseira. Nada do que eu estava acostumada a comer, mas tinha que dar o braço a torcer: estava uma delícia. Depois, eu e a Mary dormimos, ela no quarto de hóspedes, eu no meu. Afinal, não éramos de ferro, tínhamos praticamente virado a noite.

Um tempo depois, acordei assustada com um sonho, o que não era comum, pois eu sempre dormia como uma pedra e quase nunca sonhava. Eu me sentei na cama e passei as mãos pelo cabelo, tentando me lembrar do sonho. Quando levantei meu olhar, encarei a foto da minha mãe em cima da penteadeira. Então lembrei. Lágrimas brotaram em meus olhos imediatamente. Havia anos que eu não sonhava com ela. Se não fossem as fotos, eu nem a reconheceria mais. Levantei e peguei o porta-retratos. No sonho minha mãe estava em meio a uma plantação de girassóis. Ela usava um vestido simples e florido. Parecia mais jovem do que nas fotos, seu sorriso era diferente, como se os sorrisos que eu via nas fotografias fossem falsos. A plantação era enorme, a perder de vista. Minha mãe sorria e me chamava, mas, quando andei em sua direção, ela se afastou, como se estivesse sendo puxada por mãos invisíveis. Então, começou a entrar em pânico, mas eu não conseguia alcançá-la. Depois caiu, e alguém a ajudou a levantar. Eu não reconhecia o homem, ele estava de chapéu e fazia carinho no rosto dela. Não consegui ver quem ele era, mas vi o olhar amoroso da minha mãe em sua direção.

Mais lágrimas desciam enquanto eu me lembrava de cada detalhe do sonho. Parecia muito real: minha mãe estava desesperada antes da chegada daquele homem. Eu também não reconhecia o lugar, mas minha mãe estava linda, simples como eu nunca tinha visto, mas parecia muito feliz. Escutei um barulho de carro e me levantei rápido. Fui até a janela e vi quando Robin desceu da caminhonete e caminhou até o galpão onde eu tinha passado a noite.

Coloquei o porta-retratos no lugar, fui ao banheiro lavar o rosto e vesti a roupa que estava usando antes. Calcei as botas e saí do quarto. Não havia ninguém pela casa, a noite estava começando a cair, mas ainda não tinha escurecido. Fui até o galpão e encontrei o Robin carregando algumas caixas. Ele ainda não tinha me visto, então eu pude apreciar seu traseiro dentro da calça apertada. Nunca fui ligada em bundas, na verdade eu gostava mesmo era de um abdômen tanquinho, mas Robin tinha uma bunda tão gostosa que eu estava revendo meus conceitos. Foi então que ele me viu e tossiu seco, fazendo com que meus olhos subissem até seu rosto.

— Pelo amor de Deus — ele começou a falar levantando as mãos para o alto. — Estou trabalhando, não venha me encher o saco — disse ríspido. Quase o mandei ir tomar naquele lugar, mas me segurei.

— Calma lá, gatinho — eu disse de forma manhosa. — Vim propor uma trégua. Robin deu uma gargalhada e eu fechei a cara. O que ele tinha de lindo, tinha de irritante.

— Trégua? — perguntou, ainda sorrindo. — E o que você ganha com isso? Garota, você não dá ponto sem nó — completou, sério. Eu me aproximei um pouco mais, e Robin respirou fundo com minha proximidade. Adorava a forma como eu o afetava.

— Olha... — comecei — nós dois exageramos. Você me deixou na mão, eu fiz o mesmo. Deixei Mary beber demais, passamos dos limites. Deixei você pelado fora do quarto. Você rasgou meu vestido e me jogou no chiqueiro. — Precisei me controlar para não esbofetear a cara dele quando me lembrei dos vários banhos que tinha tomado para tirar o cheiro dos porcos.

 

Robin ainda me encarava desconfiado, provavelmente pensando nas palavras que eu tinha dito, mas não esboçava nenhuma reação. Infelizmente, e contra a minha vontade, eu sabia que tinha que dar o primeiro passo. Então, estendi minha mão em sinal de paz.

— Amigos? — perguntei, esperando uma resposta. Robin ficou olhando minha mão, e eu podia ver em seus olhos a batalha que travava internamente. Ai, meu Deus, que olhos!

— Tem certeza de que você não foi abduzida e trocaram sua mente pela de uma garota suportável? — falou em tom de brincadeira, mas eu fervi por dentro. Estava pronta para mandá-lo para o inferno quando ele pegou minha mão e sacudiu. — Vamos tentar. Não é uma promessa.

Sorri gentilmente, mas por dentro estava fazendo a dancinha da felicidade.

Operação Segura Peão!

Etapa “conquistar a confiança do inimigo”: concluída!

Eu me despedi do Robin e o deixei terminando seu trabalho. Voltei para casa e fiquei orgulhosa do meu desempenho. Olhei para trás e vi que Robin ainda me encarava da porta do galpão. Dei um sorriso e ele acenou com a mão.

Minha atuação foi digna de um Oscar.


Notas Finais


A fanfic está com capa nova graças à uma leitora lindíssima e querida que me mandou a foto, espero que tenham gostado <3


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