História Crônicas de Heróis - Capítulo 68


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Chiyo, Dan Kato, Haku, Hanabi Hyuuga, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Ino Yamanaka, Inochi Yamanaka, Itachi Uchiha, Jiraiya, Kakashi Hatake, Konan, Kurenai Yuuhi, Madara Uchiha, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Obito Uchiha (Tobi), Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Tobirama Senju, Tsunade Senju, Yahiko
Tags As Crônicas De Gelo & Fogo, Cronicas, Dragões, Elfos, Fantasia, Guerras, Idade Média, Long-fic, Magia, Medieval, Misticismo, Naruto, Romance, Senhor Dos Anéis
Visualizações 375
Palavras 3.303
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Que pessoas fofas vocês são! O número de favoritos sextuplicou em menos de um mês! Obrigada a todos <3

Capítulo 68 - Inesperado


Itachi

 

 

 

Acordou-se com o cheiro de Karia alastrado pelo espaço que antes costumava ser preenchido apenas por aquilo que pertencia a Itachi. O quarto dele, antes apenas dele, agora passara a ser também de Karia durante a noite, após um dia cheio, quando finalmente encontravam alguma paz um no outro.

Para Itachi, aquela era uma situação tão nova quanto inesperada. Durante toda a sua vida havia visto Karia no castelo, à distância, sem nunca se aproximar minimamente, nem mesmo para trocar poucas palavras. E agora, de uma hora para a outra, haviam descoberto que eram mais próximos do que podiam imaginar.

Aquilo era bastante positivo, na verdade. Ainda que fosse inesperado, Itachi sentia como se os momentos que passava com ela fossem momentos genuínos, e algumas vezes durante seu dia flagrava-se desejando que a noite se aproximasse de uma vez, para tê-la. Mas aqueles momentos eram raros, pois em geral, estava ocupado demais buscando informações entre os inúmeros livros de sua biblioteca. Estava procurando magias que possuíam alguma relação com a cor vermelha, entretanto, nenhuma parecia possuir aquela característica específica a não ser o sharingan. 

É difícil se caminhar em uma estrada que não se conhece. Mas não deixarei de caminhar nela por isso… aliás, preciso encontrar Shisui.

Havia combinado com o primo que o encontraria logo cedo, pois Shisui demonstrava-se estranhamente empolgado com qualquer coisa que tivesse para mostrar a Itachi na cidade. Embora não compartilhasse de sua empolgação, havia feito uma promessa, e precisava cumpri-la.

Levantou-se da cama com certa preguiça, lavou o rosto com a água gélida da bacia de prata que ficava sobre o criado mudo, e vestiu uma túnica de seda vermelha com bordados em fio de prata, acompanhada por calções negros e botas de couro curtas, embora tivesse quase certeza de que se arrependeria das botas quando saísse no calor do verão. No cinto de couro com anéis de prata colocou apenas um punhal embainhado, caso precisasse de alguma proteção, mas não imaginava que pudesse ser realmente necessário.

Quando deixou o quarto, abandonando provisoriamente o perfume de Karia, Shisui já esperava por ele no corredor.

–  Finalmente! Não queria acordar você, mas achei que precisaria fazer isso. O que anda fazendo durante a noite para acordar tão tarde?!

Itachi não se sentia confortável para falar sobre Karia, nem mesmo com Shisui. Embora os momentos que passassem juntos fossem ótimos, gostava de manter aquilo apenas para ambos. Até porque Madara não gostaria nada de saber daquilo, e Itachi já tinha desavenças suficientes com o tio. Não confiava que o tio se importava com ele o suficiente para tornar-se seu inimigo explícito sem correr grandes riscos.

–  Nada demais, apenas dificuldade para pegar no sono. Mas por que diabos você está tão empolgado com isso? O que tem demais acontecendo na cidade?

–  Tenho certeza de que você entenderá muito bem assim que chegarmos lá.

Aquele suspense incomodava a Itachi, que tinha certas dificuldades em confiar nas outras pessoas. Mas Shisui, em geral, costumava ser alguém em quem ele confiava o suficiente para permitir guiá-lo.

Foram até os estábulos, onde os cavalariços já esperavam por eles com dois garranos devidamente selados. Para andar pelas ruas de pedras, íngremes e estreitas de Torreal, cavalos pequenos e fortes eram o ideal.

–  Pode ao menos me dizer qual é o local que iremos?

–  Você descobrirá assim que chegarmos, Itachi. Não demorará muito tempo, garanto. Mas devo dizer que fiquei bastante satisfeito em saber sobre seu arrependimento em ter deixado o reino nas mãos de Madara.

–  Esse arrependimento não adianta de muita coisa agora, que tudo já está feito.

–  Será que não?

Itachi tinha certeza que não. Havia assinado um documento, e não podia voltar atrás naquilo. O único que poderia ter alguma chance de reverter aquela realidade seria Sasuke, alegando nunca ter concordado com ter a condição de herdeiro retirada dele, mas Itachi sequer sabia se o irmão estava vivo, e caso ainda estivesse, certamente não retornaria para ser rei. Aquele nunca havia sido o desejo de Sasuke, ele sempre possuíra o espírito livre que Itachi estava tão distante de possuir.

–  Tenho certeza que não. Mas ao menos isso me permite ter tempo, para procurar saber algumas coisas que preciso saber.

Passaram sob as muralhas da Fortaleza Principal e logo estavam na cidade, em seu movimento constantemente pulsante, nos cheiros pútridos que se misturavam aos cheiros de pães e carnes sendo assados, em uma bagunça infinita. Atrás da Fortaleza ainda havia a região dos portos, que costumava ser pior, repleta de pessoas de todos os locais do mundo vendendo todos os tipos de produtos imagináveis.

Passaram sob as sombras da Fortaleza Secundária no alto da colina, que se estendiam imponentes sobre as vielas sujas e sobre os edifícios irregulares. Das janelas, as pessoas observavam a passagem de Itachi e Shisui, e de tantos outros que passavam por ali naquele momento. As prostitutas ofereciam-se, mostrando quase todo o corpo, e muitos adentravam a velha porta de madeira vermelha do edifício pintado com cor de salmão.

–  Onde exatamente estamos indo?  –  Itachi acabou por perguntar, quando adentraram uma viela estreita com uma descida sem fim, sem quase qualquer movimento.

–  É no final dessa viela.

–  Que lugares você tem frequentado enquanto estive fora, Shisui?!

–  Bons lugares, não tenha dúvidas. Uma vez que conheça esse lugar, tenho certeza de que desejará frequentá-lo também.

Itachi perguntou-se se Shisui estaria levando-o para um prostíbulo, embora soubesse que aquele tipo de lugar não costumava ser o que o primo frequentasse. Ainda assim, ultimamente as pessoas pareciam estar tão diferentes do que ele estava acostumado, que não conseguia duvidar da possibilidade.

E se ele estiver me atraindo para alguma armadilha de Madara? Não… Shisui jamais faria isso, é uma das poucas certezas que tenho.

A rua de terra batida era bastante íngreme, mas os cavalos não mostraram dificuldade para descê-la. Ali, os edifícios estendiam sua sombra de forma que mesmo durante o dia a rua ficava bastante escura. Quase não havia janelas ou portas nos edifícios para aquele lado, o que fazia com que, embora deserta, a rua fosse menos suja que as demais, pois a ausência de janelas para aquele lado fazia com que ninguém pudesse jogar dejetos para lá.

No final da rua profunda, uma casa pequena de pedras enegrecidas se erguia, com uma porta de madeira bastante reforçada por dobradiças de ferro. Shisui desceu do cavalo e prendeu-o em uma grossa estaca de madeira no canto da rua, e Itachi fez o mesmo. Shisui foi até a porta e deu algumas batidas que formaram um ritmo musical, e nesse instante uma pequena abertura coberta por ferro abriu-se. Itachi enxergou um olho lá dentro, à distância, observando-os. E então a porta se abriu.

O ambiente era escuro, Itachi apenas podia identificar seu formato por conta dos archotes estrategicamente dispostos em suportes nas paredes, que eram a única iluminação. Lá dentro, havia um bafo, como se um grande dragão morasse ali. Entretanto, aquilo era apenas uma metáfora. O que de fato havia ali dentro era uma pequena multidão, suficiente para tornar aquele salão arredondado um pequeno forno de verão. As pessoas não eram uma classe específica. Não eram prostitutas, também não eram assassinos. Alguns eram pessoas bem-nascidas, outros eram pobres homens da cidade, com a pele manchada pelo sol.

–  Então, Vossa Graça finalmente retornou!

Surpreso, Itachi mal conseguiu reagir ao tratamento que recebeu do homem atarracado e careca que havia aberto a porta para eles.

–  Vossa graça? Mas eu sou… o príncipe.

Percebeu que todas aquelas pessoas olhavam em sua direção, e então, aos poucos, sua ficha começou a cair, ainda que ele não quisesse acreditar nas próprias suposições.

–  O que é isso Shisui?

–  Nos reunimos há muito tempo, Itachi. Começamos logo após a partida de Madara. Eu conhecia algumas pessoas que pensavam como eu, e elas conheciam outras… e aqui estamos.

Itachi olhou em volta mais uma vez, ainda perplexo. Ele sabia muito bem qual era a posição de Shisui, mas sempre acreditara que ele era o único, ou um dos raros. Ali, havia talvez umas cinquenta pessoas, algo que Itachi nunca esperaria.

–  Eu… por que me trouxe aqui?

Ele não sabia o que dizer, nem como se portar.

–  Ele trouxe vossa graça, o legítimo rei de Austerin, porque pedimos.  –  Disse Onoki Kion, um velho baixinho que Itachi conhecia muito bem. Os Kion eram um dos vassalos mais antigos dos Uchihas, e Onoki era Senhor daquela Casa há muito tempo. Itachi não sabia ao certo, mas no mínimo há sessenta anos, e ele estava tão envelhecido que não ia mais à guerra, enviava um de seus filhos para comandar as tropas.

Se Itachi já estava surpreso antes, ficou ainda mais ao ver o velho Onoki, e alguns outros rostos conhecidos de grandes casas ou da corte, que ele nunca antes esperaria. Podia ter certeza de que todos os Lordes e todos os vassalos estavam satisfeitos com Madara e suas guerras infinitas.

–  Parece surpreso em ver-me aqui, mas não devia ficar, vossa graça. Prestei juramento quando tornou seu tio rei para não quebrar a tradição que temos, há tanto tempo, de servir os Uchihas. Mas do pouco que conhecia Madara, sempre soube que ele não traria um bom futuro para o nosso reino. Ele é feito de material muito diferente de Fugaku, e nós precisamos de alguém mais parecido com nosso bom rapaz seu pai, que infelizmente nos foi tirado tão cedo.

–  Não sou parecido com meu pai.  –  Apressou-se em falar. Seu pai certamente se apressaria em falar aquilo também, caso estivesse ali.

–  Provavelmente não. Mas precisamos de alguém como você, o filho de Fugaku que por ele foi treinado, e não de Madara Uchiha, o sanguinário.

Itachi sentiu-se estranhamente nervoso com o rumo que aquilo estava tomando. Se seu pai estivesse ali naquele momento, o que ele estaria pensando? Meu pai não quereria Madara como rei, agora tenho essa certeza. Mas quereria a mim?

–  É um pouco tarde para que possamos fazer qualquer coisa.  –  Acabou por dizer.

–  Nunca é tarde, Itachi. Você pode voltar atrás, dizer que se arrependeu. Grande parte do povo irá com você, pois você é um rei legítimo.

–  Grande parte do povo segue o bem estruturado discurso de Madara, que também é um rei legítimo agora.

–  Itachi, por que não percebe que continua evitando tudo com desculpas?  –  Shisui falou, e suas palavras atingiram Itachi como um soco.  –  Quando você chegou dessa guerra, estava diferente. Você percebeu que Madara está enlouquecido e precisa ser parado, e você deve perceber que é o único que pode fazer isso.

Itachi engoliu em seco.

–  Existe Sasuke também, e talvez a reivindicação dele seja ainda mais legítima do que a minha já que ele não assinou nada.

–  Sasuke? E onde ele está?

–  Podemos encontrá-lo…

–  Não podemos, porque ele não quer ser encontrado. Ele não quer ser rei, Itachi! Se quisesse, ele teria vindo em busca disso! Entretanto ele está há mais de cinco anos pelo mundo, sem dar importância nenhuma ao que acontece aqui! Você, ao contrário, está sempre aqui, e preocupado. Acha que eu não sei que tem passado horas na biblioteca, procurando entender melhor o que está acontecendo?

–  Um rei tão cheio de conhecimento e bondade como vossa graça é o que precisamos nesse momento conturbado. Konoha estava disposta a manter a paz com Austerin, e tudo teria ficado maravilhosamente bem caso Madara não houvesse enlouquecido, lançando tantas falsas acusações.  –  Disse outro homem, aquele Itachi não conhecia. Ele, entretanto, era mais jovem, e parecia ser da cidade.

Ele também acreditava que as acusações de Madara eram falsas. Não havia lógica em terem sido os Senju a matar o pai de Itachi, sendo que eles desejavam a paz. O que havia matado seu pai era aquela aura vermelha, e ele descobriria o que era aquilo assim que tivesse a chance. Entretanto, ainda não podia comentar sobre a aura com aquelas pessoas, ou soaria louco.

–  Eu me sinto honrado que pense assim. Honestamente, nunca imaginei que houvesse pessoas que desejassem me ver como rei após todos os meus erros.

–  Seus erros ainda podem ser consertados, vossa graça. Os de Madara são mortíferos, e por isso não podemos permitir que continuem. Você pode reescrever a forma como a história tem registrado o seu nome, e eu tenho certeza de que isso é tudo o que Fugaku desejaria, tal como a doce rainha Mikoto.

A minha doce mãe… sim. Eu tenho certeza de que ela ficaria extremamente feliz por isso.

Talvez fizesse aquilo, em nome de sua mãe, e em agradecimento a tudo o que ela já havia feito por ele durante os dez primeiros anos de sua vida. Havia perdido ela tão cedo, ela ainda teria tanto a contribuir…

–  Eu preciso de um tempo para pensar sobre isso. Será pouco tempo, juro, mas algum tempo é necessário. São coisas inesperadas para mim, preciso processá-las, estudá-las… mas farei o meu melhor para não desapontá-los. Peço três dias.

–  Vossa graça tem bastante tempo para pensar, mas quanto antes decidir, melhor para o continente de Letoria. Portanto, três dias é um ótimo prazo. As guerras que Madara está travando agora são sem precedentes, e têm o potencial de levar a humanidade à destruição.

–  Sabe disso, não sabe Itachi?  –  Shisui falou. Itachi apenas assentiu com a cabeça.

–  Tentarei ser o mais breve possível. Agora, se não se incomodam, tenho muita coisa a pesquisar. Estou investigando um certo assunto.

Ninguém levantou objeções à sua partida, mas Shisui decidiu que ficaria ali durante mais um tempo. Quando Itachi deixou o salão, parecia que o dia estava até mesmo mais fresco. Pegou seu cavalo e seguiu a trote de volta para a Fortaleza Principal, onde teria um compromisso inadiável com livros sobre magia.

Conforme o cavalo troteava por Torreal, parecia a Itachi que a cidade estava diferente de quando ele tinha voltado. Itachi começou a olhar para aquelas coisas que podiam ser mudadas e melhoradas, como ruas mais abertas para que o ar corresse melhor, uma organização da feira, para que houvesse mais espaço de circulação entre as tendas, e talvez algum sistema para enviar os dejetos para fora das ruas, em algum lugar onde o mau odor não ficasse tão intenso para as pessoas que ali viviam. Muitas coisas poderiam ser feitas uma vez que ele se tornasse rei, coisas que nunca tinha pensado antes. Coisas que Madara também não pensa, mas que acredito que as pessoas apreciariam milhões de vezes mais do que uma grande muralha.

Embora nunca antes se sentisse capaz de ser rei, naquele momento percebia-se imaginando que talvez, de fato, pudesse fazer algo bom. Talvez não fosse tão terrível.

Será que pensa assim também, pai, onde quer que esteja?

Alcançou a Fortaleza Primária, e após deixar seu cavalo nos estábulos, encaminhou-se diretamente para a biblioteca, onde passava grande parte de seu tempo nos últimos dias. Procurava evitar as outras pessoas pois, por ora, não havia muita coisa reconfortante que pudesse dizer a elas. Shisui e Karia eram os únicos aos quais ele ainda permitia uma maior proximidade, e não se arrependia daquilo, especialmente em relação à Karia. Quanto a Shisui, não tinha certeza, não depois daquele momento que haviam passado, momento este que Itachi nunca esperaria.

Agora, estava pressionado a tomar uma decisão e responder Shisui e todas aquelas pessoas, mas a decisão aparentava ser inalcançável naquele momento, em que pouca coisa sabia. Além disso, precisavam ambos serem muito cuidadosos. Itachi podia sentir em seu âmago que o tio não ficaria nada satisfeito caso descobrisse os planos de Shisui.

Na biblioteca, novamente o livro do Sharingan se destacava entre os demais. Havia sido o primeiro a chamar a atenção de Itachi, entretanto, ele decidira procurar mais, para o caso de existir algo mais intrigante. Contudo, os dias passavam, as pesquisas se intensificavam, e a única magia vermelha que continuava destacada entre todas as outras era o sharingan.

Talvez seja a hora de eu começar a dar devida atenção a você, então.

O livro era velho, porém bem conservado, e bastante bonito, escrito na caligrafia impecável de um Mestre Sábio chamado Florence. Ele introduzia o livro trazendo informações magníficas sobre a natureza da magia, coisas que Itachi nunca antes imaginara.

“A magia, entre os seres humanos, é uma intrusa. Ou, em melhores palavras, os seres humanos são intrusos na magia, buscam nela o poder que não lhes pertence. Mas a magia, como a força natural que é, em algum momento deve se voltar contra tais atos, da mesma maneira que a natureza se revolta contra ações erradas. Entretanto, é possível que haja muito a se caminhar até que isso aconteça, muitas batalhas serão travadas, muito sangue será derramado por algo que é, de maneira distorcida, visto como status e poder”

Era algo completamente novo, e também incrível, pensar naqueles termos. Para ele, de fato, a magia sempre havia significado poder, mas não era aquilo que Mestre Florence desenvolvia na introdução de seu livro. Ele dizia que a magia devia ser parte da natureza, e apenas isso, um recurso a ser utilizado quando necessário, e não da maneira acalorada como os seres humanos a utilizavam. Seu principal princípio era não ser utilizada como fonte de guerras, mas era exatamente isso que os seres humanos faziam.

“Dessa maneira, inicio minha análise sobre uma das manifestações mais intrigantes e belas da magia em seres humanos, e paradoxalmente, uma de suas formas mais perigosas, que com sua cor escarlate parece trazer ainda mais sangue à essa espécie perdida: o sharingan.”

Mestre Florence desenvolvia inicialmente as características físicas do sharingan: a cor vermelha da íris que se manifestava quando o sharingan era utilizado. Ele contava que havia se submetido ao sharingan de seu rei, Sorian Uchiha, para saber como era a sensação de estar sob a hipnose daqueles olhos.

Itachi parou a leitura por alguns segundos para tomar um copo d’água, pois ela estava muito intensa. Mal havia percebido, até aquele momento, que o sol estava se pondo.

Rapidamente, entretanto, voltou a sua leitura, que estava mais interessante que qualquer outra coisa ao redor.

“A sensação foi de um leve torpor, trazido por uma intensa luz escarlate que tomou conta de minha visão por breves segundos. Não vi os olhos de meu rei ficarem vermelhos, tampouco percebi que havia sido hipnotizado. Não teria percebido em nenhum outro momento, caso não soubesse previamente que seria impelido a limpar o quarto de meu rei, sendo que esta não era minha obrigação. E aí entrou um novo paradoxo: eu sabia que estava hipnotizado, mas a magia de meu rei era tão forte que eu demorei muito tempo para conseguir voltar a mim mesmo e parar de limpar os aposentos dele. Ele riu por horas a fio, e eu apenas fiquei encantado com aquele poder. A luz escarlate que havia iluminado meu mundo nunca saiu de minha cabeça, mas não sei dizer ao certo se isso aconteceu porque eu já sabia que seria hipnotizado, ou se todas as pessoas que são hipnotizadas por aqueles olhos escarlates enxergam o mundo ficando vermelho.”

Horrorizado, Itachi percebeu que havia parado de respirar. A descrição dada pelo Mestre era extremamente semelhante ao que havia acontecido com ele, e se as visões que a moça de cabelos rosados proporcionara a eles fossem corretas, também havia acontecido aos seus pais. Mas não pode ser… a magia entre os seres humanos praticamente desapareceu, tal como a pedra Lápis-Lazúli… se ela estivesse aqui, se estivesse com Madara, seria impossível não saber. Seria impossível não sentir sua presença!

Ou talvez não fosse assim tão impossível.

Itachi sentia sua cabeça girar, e sua mente inquieta não parava nem mesmo por um segundo, apenas borbulhava intensamente, com perguntas e mais perguntas, cada vez mais mirabolantes. E se Madara tivesse, de alguma forma, o sharingan? E se ele houvesse sido responsável por todas as desgraças até aquele momento?

Não… não pode ser… isso não faz… não faz sentido!


Notas Finais


Galerinha, espero que tenham gostado desse Itachi :D Como já estou de férias, o ritmo de escrita tem estado mais intenso. Assim que possível, dessa vez talvez daqui a duas semanas, se tudo der certo, eu retorno, com um capítulo da Konan.
Beijos :*


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...