História Crônicas de Heróis - Capítulo 87


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Chiyo, Dan Kato, Haku, Hanabi Hyuuga, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Ino Yamanaka, Inochi Yamanaka, Itachi Uchiha, Jiraiya, Kakashi Hatake, Konan, Kurenai Yuuhi, Madara Uchiha, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Obito Uchiha (Tobi), Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Tobirama Senju, Tsunade Senju, Yahiko
Tags As Crônicas De Gelo & Fogo, Cronicas, Dragões, Elfos, Fantasia, Guerras, Idade Média, Long-fic, Magia, Medieval, Misticismo, Naruto, Romance, Senhor Dos Anéis
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Palavras 5.067
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


OLÁ

Capítulo 87 - Conclusões e Dúvidas


Itachi

 

 

 

Quando vieram até ele dizendo que seus irmãos estavam na cidade, Itachi sentiu uma explosão de alegria e ansiedade como não sentia há muito tempo, mas logo a conteve: não tinha certeza de que aquilo era verdade.

–  Tem certeza que são eles?  –  Perguntara ao guarda, tentando manter cautela em relação às próprias emoções.

–  Não posso ter certeza, vossa alteza, nunca os conheci, mas eles alegam ser Naruto Uzumaki e Sasuke Uchiha… o rapaz Uzumaki se parece um pouco com Lorde Minato, se me permite inferir, mas isso pode não significar muita coisa…

Naruto deve se parecer bastante com Minato Namikaze nos dias de hoje.

–  Vamos logo lá, precisarei ver com meus próprios olhos para ter certeza.

E então, naquele momento, Itachi seguiu até a entrada da cidade, o que pareceu para ele um caminho longo como nunca antes havia sido. Não podia ter certeza se era devido à delimitação da futura muralha que tinha aquela impressão ou se era devido a sua ansiedade incontrolável, que fazia seu estômago fervilhar.

Finalmente, após toda aquela eternidade, alcançou o portão. E ali estava, parado diante de tantos guardas e de todas aquelas pessoas que procuravam um espaço na parte de dentro da muralha sendo erguida pelos escravos do rei.

–  Onde estão os que dizem ser meus irmãos?  –  Itachi perguntou.

–  Estão ali, vossa alteza.

O grupo estava meio escondido entre uma pequena multidão que tentava entrar na muralha e alguns guardas, ainda no lado de fora da cidade, mas Itachi reconheceria Naruto à distância sempre. Não teve qualquer dúvida de que aquele era realmente ele. Estava acompanhado por uma moça de cabelos longos e azulados, e conversava com outra pessoa, provavelmente Sasuke, mas Itachi não conseguia enxergar o irmão mais novo.

Seu coração bateu forte em um solavanco, e não evitou sorrir.

–  São eles, não tenho dúvidas!

–  Vamos levá-lo até eles, vossa alteza, para que tenha certeza.

Os guardas abriram espaço entre a multidão para que Itachi passasse, e conforme as pessoas saíam da frente, ele foi enxergando Sasuke. Seu irmão mais novo, que há tanto tempo não via, tinha crescido um bocado, agora não era mais apenas um menino, mas um homem. Ainda assim, seu rosto parecia cada vez mais semelhante ao adorável rosto de Mikoto, sua mãe. Itachi pôde sentir as lágrimas chegarem aos seus olhos, entretanto, procurou evitá-las, pois ainda não sabia como Sasuke estava se sentindo em relação a ele naquele momento.

Naruto e Sasuke vestiam roupas simples, que jamais revelariam quem eles de fato eram. Além da simplicidade, havia também a sujeira que os acompanhava, denunciando que vinham de longa viagem.

Naruto, ao lado de Sasuke, Itachi pôde ver mais claramente, tinha mudado pouco também, mas tornara-se um homem bastante parecido com o pai, Minato Namikaze. E o pai dele está aqui. Dessa vez, acho que o encontro será inevitável. Minato e os responsáveis por Naruto no Latíbulo da Fênix sempre tinham tido artimanhas para driblar um encontro entre ambos, mas naquela vez, tudo estava correndo de maneira bastante inesperada.

–  Então são vocês mesmos… eu pensei que nunca retornariam, Naruto, Sasuke.

Itachi tentou ser o menos emocional possível em suas palavras, pois notou que Sasuke ainda estava bastante retesado em relação a ele, e não desejava causar desconforto na chegada de seu irmão. Naruto, entretanto, retribuiu toda sua emoção quando o viu, da forma como sempre havia sido. Ele sempre tinha sido pelo menos duas vezes mais caloroso que Sasuke, embora, devido às circunstâncias de vida de ambos, fizesse mais sentido se fosse ao contrário. Mas o mundo não procura fazer sentido.

–  Itachi!  –  Disse Naruto, e correu para abraçá-lo. Há tanto tempo Itachi não era abraçado por Naruto… Na última vez, ele ainda era muito pequeno para alcançar seus ombros. Agora, embora ainda fosse mais baixo que ele, já podia alcançá-lo sem que Itachi precisasse se abaixar.

–  Então, vocês retornaram?  –  Itachi perguntou, segurando Naruto pelos ombros.

–  Estamos de passagem, e isso é tudo.  –  Sasuke respondeu antes de Naruto. Itachi foi até ele, para abraçá-lo, afinal, sentia tanta falta do abraço de seu irmão mais novo. Entretanto, não houve qualquer calor na retribuição de Sasuke. Antes que eu renunciasse, eu era uma das únicas pessoas que você abraçava com calor, Sasuke. Eu hoje posso reconhecer que errei, e gostaria que o tempo tivesse servido para você me perdoar também… mas parece que o tempo não foi suficiente.

–  Já é algo, ao menos. Sasuke… você está muito parecido com nossa mãe. Inevitável não lembrar dela quando olho em sua direção.  –  Retrucou. Imaginou que, diante da reação de seu irmão, era o melhor a se fazer. E ao menos daquela vez, foi capaz de acertar, a julgar pelo sorriso que brotou no rosto de Sasuke, tão parecido com o de Mikoto.

–  E você, Naruto, continua a mesma coisa… senti falta de vocês durante todos esses anos, e mal posso conter a felicidade em tê-los de volta. Onde está o cavaleiro que vos acompanhava?

Itachi procurou o cavaleiro ao redor e, para sua surpresa, encontrou tudo aquilo que jamais esperaria encontrar novamente em qualquer lugar que não sua memória ou seus sonhos. Você…

Era claramente ela, Itachi não tinha qualquer dúvida, afinal, jamais esqueceria daquele rosto, e daqueles cabelos. Era a garota mágica dos cabelos cor-de-rosa. Como foi que… por que você está aqui? Não deixou de pensar que talvez ela tivesse uma nova mensagem para ele. Talvez pudesse esclarecer alguma coisa sobre o sharingan. Isto é, se ela sabe de algo. Afinal, ainda não sei o que ela é… só tenho quase certeza de que não é humana.

–  Essas são Sakura e Hin… Ino. Nossas companheiras de viagem. Elas entrarão conosco para a cidade.  –  Disse Naruto.

Então, seu nome é Sakura… combina com você. E você está com eles? Isso tudo deve ser planejado… mas por quê?

–  Está bem… é um prazer conhecê-las, senhoritas.

Itachi prestou, educadamente uma breve reverência, e tentou agir o mais normalmente possível diante daquela situação. Mas estava com dificuldades em conter sua curiosidade.

–  Igualmente, vossa alteza.  –  Respondeu a garota chamada Ino.

–  E está é Kirin, nossa outra fiel acompanhante. –  Naruto apresentou então uma cadela, de tamanho médio e pelo comprido e alaranjado, lembrando muito a criatura antiga e extinta que originara seu nome. Sorrindo, Itachi afagou a cabeça de Kirin, que balançou o rabo e lambeu seus dedos.

–  Venham, entrem.  –  Convidou, e os guardas não ofereceram qualquer resistência a entrada do grupo.

–  Vocês terão algumas surpresas desagradáveis na cidade.  –  Avisou, quando começaram a cavalgada para dentro de Torreal até o Latíbulo.  –  Madara capturou pessoas em Konoha, e fez delas escravos para construírem uma muralha ao redor da cidade, a fim de fortificar ainda mais as defesas da capital. As pessoas capturadas estão em condições bastante tristes.

–  Por que Madara quer construir uma muralha ao redor da cidade?  –  Naruto perguntou. Infelizmente, Itachi não tinha a resposta.

–  Não consigo desvendar a mente de Madara.

–  Então por que permitiu que ele ocupasse esse lugar?  –  Sasuke inquiriu.

Até que não chegou a demorar para o primeiro confronto.

–  Eu era novo demais, e não entendia certas coisas. Mas se convém confessar, irmão, arrependo-me. Madara assassinou Shisui.

Lembrar daquilo ainda era doloroso e, além disso, angustiante. Sentia, a todo o momento, que podia ter feito algo para salvar Shisui, mas permanecera omisso, e agora arcava com as consequências daquilo.

–  Assassinou?!  –  Sasuke questionou, alarmado.

–  A palavra mais adequada seria executou… por traição. Shisui estava planejando algo para retirar o trono de Madara.

–  E você não fez nada?

Novamente, Sasuke estava desapontado com ele. Não havia uma motivação muito intensa para sua reação, uma vez que Sasuke não costumava ter tanta proximidade com Shisui quanto Itachi tinha. Mas para Sasuke, qualquer pequena coisa serviria para reforçar a concepção que ele havia criado sobre Itachi como alguém fraco e incapaz. E eu não posso falar para ele sobre o que estamos fazendo para realizar o desejo de Shisui e para acabar com as loucuras de Madara… então o que resta, é aceitar a concepção não tão errônea que meu irmão mais novo tem de mim.

–  Tentei argumentar com Madara, mas ele foi intransigente. Ele tem sido bastante difícil em muitos aspectos.

Sasuke apenas ficou em silêncio, mas Itachi sabia o significado daquela resposta. Significa que ele me culpa.

–  É nesse lugar que Madara mantém seus… escravos.  –  Mostrou para o grupo, a pequena cobertura com um insuportável cheiro de dejetos humanos vindo das latrinas ao fundo. Sempre que ele olhava para aquele lugar, sentia que devia se apressar em seus planos o máximo possível. Mas então, quando voltava para sua sanidade, percebia que a pressa podia estragar tudo.

“Madara é muito astuto, ele tem alguma forma especial para encontrar as coisas, já que conseguiu encontrar Shisui e os outros na reunião… não podemos ser imprudentes. Precisamos fazer tudo com muito cuidado, Itachi, e especialmente, você precisa estar preparado, pois chegará o momento em que precisará matar Madara com suas próprias mãos”, dissera Onoki, e Itachi jamais esqueceria daquelas palavras. Há um tempo, ele era o rapaz acuado que jamais cogitaria matar o próprio tio. Agora, entretanto, ele havia finalmente compreendido, que se não fosse capaz de fazer aquilo, o continente inteiro pagaria por seu medo, novamente.

Quando entraram na fortaleza, muitos dos servos mais antigos ficaram surpresos e encantados com o retorno de Sasuke e de Naruto. Eles receberam carinho de muitas pessoas, e pareceram gostar daquilo. Enquanto observava-os, entretanto, Itachi não conseguia tirar os olhos de Sakura, a garota dos cabelos cor-de-rosa. Havia algo de natural na forma como ela conseguia fingir que não se importava com a presença dele, mas Itachi sabia que ela se importava. E mal podia conter sua curiosidade em saber o motivo que trazia ela até ele. Vê-la e tocá-la foi o principal ponto de mudança em minha vida. Mas o que foi aquilo? Por que aconteceu daquela forma? E especialmente, o que foi aquilo que me mostrou?

Após saudarem as pessoas que conheciam, eles entregaram os cavalos nos estábulos para o cavalariço, e seguiram andando até o castelo, o local onde haviam crescido juntos. Talvez, ao ver o castelo, Naruto e Sasuke decidissem voltar para casa. De alguma forma, Itachi ainda nutria aquela esperança.

–  Esse lugar parece tão menor do que eu me lembrava!  –  Naruto exclamou, quando passaram sob o portão e os baluartes e alcançaram o gramado verde e os caminhos de pedras e pedriscos do pátio de castelo.

–  Isso porque éramos pequenos quando partimos. Para mim não mudou absolutamente nada.  –  Sasuke resmungou, e embora se esforçasse para permanecer neutro, Itachi percebia que ele não podia evitar um sorriso pequeno de canto.

–  Então, foi aqui que vocês dois cresceram?  –  Sakura questionou, com uma genuína empolgação.  –  Eu nunca havia entrado nas muralhas de um castelo! É tão lindo aqui dentro! Esses jardins…

–  Minha mãe era quem coordenava o cultivo.  –  Itachi comentou.  –  Ela criou uma nova cultura de cultivo que perdurou entre os jardineiros mesmo após sua morte.

–  Esse lugar sempre me lembrará dela.  –  Sasuke falou, e Itachi pôde ouvir um suspiro, enquanto ele observava os jardins.

–  É o lugar dela, sempre nos trazia até aqui. Lembra, Sasuke?

Itachi pôde enxergar Sasuke e Naruto, pequenos, com seus cinco anos, correndo e soltando deleitosas gargalhadas enquanto Mikoto corria atrás deles para fazer cócegas em suas barrigas. Depois, faziam um lanche sobre o gramado macio, e Itachi sempre participava daquele momento, ainda que se sentindo culpado por saber que devia estar cumprindo algum dever de herdeiro. Talvez se eu tivesse cumprido todos os meus deveres de herdeiro como meu pai sempre queria, não estivéssemos hoje nessa situação.

–  Lembro.

Quando chegaram no castelo, alguns membros do conselho estavam próximos à entrada, e receberam Sasuke e Naruto com alegria. Todas as pessoas capazes de reconhecê-los pareciam extremamente alegres por vê-los novamente após tanto tempo. E então, Madara chegou, com Karia ao seu lado. Toda vez que via ela, Itachi tinha um misto de raiva e vontade de abraçá-la novamente, mas procurava sempre ignorá-la, ainda que pudesse notar que aquilo a machucava e se sentisse profundamente atingido por isso. Mas você sabia… e você não fez nada.

–  Ora, ora… aqui está algo que pensei que não fosse acontecer tão cedo!  –  Exclamou Madara. Embora ele parecesse extremamente alegre, Itachi sabia muito bem que ele estava fingindo. Na verdade, seu desejo era que Naruto e Sasuke estivessem mortos, especialmente Sasuke.

Entre gargalhadas, Madara abraçou os dois, e olhou bem em seus rostos.

–  Veja só como cresceram. Saíram daqui dois garotinhos e voltaram dois homens! Até mesmo com barba! Lembra-se deles, Karia?

–  É claro que lembro.

Por algum motivo qualquer, Itachi olhou de relance para Sakura, e percebeu seu olhar estranho em direção a Karia. Não tinha ideia do que aquilo podia significar, mas novamente ficou extremamente curioso sobre os objetivos da garota de cabelos cor-de-rosa.

–  Deixe-os viver, eu falei, lembra-se, Itachi? Uma jornada como essa sem dúvidas deve ter servido para aprender muita coisa…  –  Você também falou que eles retornariam com o rabo entre as pernas em busca de proteção, e eles nunca voltaram.  –  Mas o que traz vocês de volta? E com companhias…?

As companhias não pareceram agradar Madara quando ele pôs os olhos sobre elas, o que aumentou a desconfiança de Itachi sobre o tio e sobre Sakura também. Poderiam eles conhecer um ao outro?

–  Essas são Sakura e Ino, elas estão conosco há um tempo, especialmente Sakura, que está conosco há anos. Encontramos ela e Kirin, nossa cachorrinha, ambas abandonadas em um vilarejo próximo a Vila D’Ouro.  –  Sasuke explicou. Se ela está com vocês há tanto tempo, então vocês estavam em Hyunin durante o ataque?

–  E Ino está comigo.  –  Naruto falou, segurando a mão da garota. Somente naquele instante Itachi foi capaz de perceber que eles eram um casal, e ficou sem saber como reagir. Era algo que, embora devesse ser esperado, não era para ele.

–  Oh, claro. Vocês agora são homens, afinal. Ino… engraçado que este nome deve estar me perseguindo, pois há algumas semanas enviei um decreto de legitimação para a bastarda de Inoichi Yamanaka com o mesmo nome… Mas esta Ino aqui, parece-me muito com uma nortenha de Konoha, das terras Hyuuga.

Itachi pôde sentir o desprezo empregado nas palavras do tio, e apenas por isso, teve vergonha. Sentiu-se extremamente mal pela garota, que talvez não fosse acostumada a estar frente a frente com um rei e não soubesse o que dizer naquele instante, ou o que fazer. Entretanto, contrariando mais uma vez suas expectativas, a garota prestou uma reverência, e não falou qualquer coisa. Todos sabiam que não se falava diante de um rei como Madara Uchiha sem ser solicitado.

–  Ela é de Hyunin, tio… digo, vossa graça. Encontramo-nos há três anos, em uma das passagens que fizemos por lá.

Madara sorriu de canto.

–  Pude ver de longe. E quanto ao por mim tão estimado Sor Kakashi?

–  Tivemos problemas com Kakashi no caminho. Um dos mercenários que vossa graça contratou decepou sua mão, pois ele tentou defender uma moça de estupro, moça que por acaso era a própria filha dele.

Madara teve a decência de parecer chocado.

–  Isso é absurdo! Diga-me quem foi esse mercenário e farei com que pague!

–  Ninguém menos que o líder da companhia, Tryon Volteen.

–  Farei com que minhas ordens cheguem até o Lorde que comanda aquela área. Agora, meus queridos, sei que devem estar cansados. Os servos providenciaram espaço de descanso, e comida, e mais tarde, durante a noite, prepararemos um banquete para recebê-los! Sei que não têm as melhores roupas para um banquete, mas isso também será providenciado!

–  Sasuke e Naruto poderão ficar nos quartos que antigamente pertenciam a eles.  –  Itachi acabou falando.

–  Oh, é claro! São quartos grandes, Naruto pode dividir com Ino, e a outra moça…  –  Madara parou para pensar, mas antes que ele dissesse algo, Sasuke falou:

–  Ela e Kirin ficarão no meu quarto, há espaço suficiente para nós três lá.

Madara sorriu de canto e assentiu, enquanto Itachi ficou perplexo. Será possível que vocês dois também são um casal? A julgar pela forma como Sakura havia corado e parecido espantada com aquele comentário, talvez não fossem, mas Itachi já havia desistido de tentar prever qualquer coisa.

Acompanhou os irmãos e as acompanhantes até os respectivos quartos, que pouco haviam sido mudados desde que eles tinham deixado a cidade.

–  Vocês se sentirão em casa, afinal quase tudo continua do mesmo jeito. Lembram-se do horário da ceia, correto?

–  Três quartos de hora após a noite cair.  –  Sasuke respondeu rapidamente. Itachi sorriu, pensando que talvez ele estivesse cogitando voltar.

–  Agora deixarei que descansem, então. Para banhos e vestimentas, vocês lembram como solicitar os servos?

–  Tenho quase certeza que as campainhas também não foram trocadas de lugar.  –  Naruto respondeu.

–  Não, tudo na mesma. Até mais, então!

Em alguns momentos, Itachi sentia como se em breve fosse acordar de um sonho. Por muitos dias havia pensado sobre um retorno dos irmãos, e aquilo sempre parecera para ele muito improvável, especialmente depois das batalhas em Konoha, quando mesmo andando por muitos quilômetros no continente de Letoria ele não tivera a sorte de cruzar com os irmãos uma única vez. Mas agora eles estão aqui, e eu preciso pensar sobre o que posso fazer de bom para que permaneçam.

Quando chegou em seu quarto, o rapaz chamado Yamato estava lá. Como após a execução de Obito e de mais dois aliados os encontros com os articuladores de sua retomada do trono havia se tornado algo mais raro, Kisame e Onoki tinham encontrado um mensageiro de dentro do castelo, um servo que dificilmente seria notado. Era um rapaz talvez um ano ou dois mais novo que Itachi, com a pele queimada do sol e cabelos castanhos, uma presença extremamente discreta, quase como se seus movimentos não fizessem som algum.

–  Olá, Yamato. Traz alguma mensagem?

–  Sim, senhor.  –  Yamato tomava o cuidado de não o chamar de vossa graça dentro do castelo, onde as paredes poderiam estar a escuta. Além disso, utilizava codinomes sempre que precisava citar alguém. –  O Pedregulho ficou sabendo que seu irmão retornou, juntamente com o protegido do rei. Ele deduziu que talvez o senhor desejasse comentar algo com ele a respeito de nossa empreitada, mas aconselha que não faça isso, afinal eles passaram tanto tempo longe que não podemos saber que tipo de pessoa se tornaram.

“Pedregulho” ele utilizava para se referir a Onoki, mas Itachi não tinha ideia do porquê. Ainda assim, a informação que ele trazia era importante. Itachi podia desejar ao máximo comentar com Sasuke sobre o que estava fazendo em prol de consertar seus erros, mas tinha perfeita consciência de que era algo arriscado.

–  Eu já havia olhado as coisas por esse ângulo, Yamato, mas obrigada por trazer a mensagem. Há algo mais?

– Sim, senhor. Tem corrido entre algumas pessoas uma notícia um tanto quanto estranha… parece que os magos estão se movimentando de sua Ilha, e estão vindo para Torreal. O porquê ninguém sabe ao certo.

–  Os magos?

Aquilo era, no mínimo, curioso. Com tudo o que Itachi vinha lendo sobre magia ultimamente, era quase uma coincidência bastante improvável.

–  Sim, senhor.

–  Isso é estranho…

Perguntou-se se devia comentar com Onoki e Kisame sobre as suposições que tinha de Madara estar com a pedra, mesmo que fosse soar louco. Mas não comentei com Shisui em tempo, e hoje me arrependo…

De qualquer forma, ainda teria tempo para decidir aquilo. No momento, precisava focar em seus irmãos. É uma pena não poder comentar com eles o que estou fazendo. Caso pudesse, talvez essa fosse a chave para que ficassem.

Yamato passou notícias de dentro da organização para ele, coisas sem grande importância, apenas para que Itachi pudesse estar ciente de tudo como se passasse os dias inteiros lá. Aquilo acontecia pelo menos uma vez por semana, mas além das decisões tomadas nas reuniões, nada do que acontecia lá era muito diferente do esperado. Novas pessoas juntavam-se a eles diariamente e, vez ou outra, alguém saía, mas era mais raro.

Quando Yamato terminou de falar, já estava anoitecendo. Itachi solicitou aos servos água quente para um banho, e ficou em sua tina por um bom tempo após estar pronta, descansando. Acabou pegando no sono por alguns minutos e, quando acordou, seus dedos estavam completamente enrugados. Saiu da tina e secou o corpo, enquanto um dos servos secava cuidadosamente seus cabelos que já batiam na metade das costas. Vestiu um gibão de seda vermelha e calções brancos, com botas de couro negro. Seu manto era negro cosido com fio de ouro. Deixou os cabelos ainda úmidos soltos, e desceu para o salão onde o banquete para seus irmãos era oferecido.

Eles já estavam lá quando chegou, mas não estavam no tablado. Aparentemente não havia espaço para as duas meninas ali, de forma que eles tinham decidido ficar na parte mais baixa. Itachi achou que talvez fosse uma boa ideia permanecer ao lado deles, mas havia um lugar apenas ao lado de Naruto, na ponta da mesa. Ocupou aquele lugar mesmo assim, enquanto muitas pessoas da corte, entre elas pessoas da Fortaleza Secundária e Terciária, além de pessoas de Casas vassalas com terras próximas o suficiente da capital, vinham o tempo todo falar com Naruto e Sasuke, afinal eles eram a atração da noite. Naquele momento, Itachi percebeu os inúmeros vassalos de Lorde Namikaze presentes, e seu coração sofreu um baque. Lorde Namikaze não compareceu ao banquete, aparentemente… talvez ele tenha dado um jeito de não encontrar com o filho mais uma vez. Supôs que dentro de um dia ou dois, ele pediria para ir até a fronteira, a fim de evitar encontrar Naruto. Como será que é para Naruto saber disso?

Naruto e Sasuke estavam vestidos em roupas dignas de um príncipe e de um filho de Lorde, totalmente diferente dos trapos com que tinham chegado até ali. Ino e Sakura também vestiam roupas que provavelmente nunca tinham vestido em suas vidas: seda fina, cores belas e diferenciadas. Ino vestia uma seda lilás que contrastava com o tom prateado de seus olhos de uma maneira bela, e Sakura vestia um azul turquesa com fios de prata, parecendo extremamente deslocada naquelas vestes.

Olhou para seu irmão de criação, que parecia bastante descontraído e alegre por estar ali, sem notar os problemas que Itachi acabava notando mesmo sem querer. Sentiu-se aliviado, mas ao mesmo tempo, sabia que gostaria de poder evitar aquele tipo de sofrimento para alguém tão amável como Naruto.

–  Vocês ficaram cinco anos fora. Quando começarão a me contar sobre o que viveram durante todo esse tempo?  –  Itachi questionou. Sentiu os olhos de Sakura sobre ele, e recordou-se, até com certo sobressalto, que precisava confrontá-la ainda naquela noite.

–  Tem tanta coisa, Itachi! Algumas você nem mesmo acreditaria…  –  Naruto respondeu, rindo.  –  Acho que a primeira coisa mais louca que aconteceu em nossa jornada foi a coincidência de termos encontrado Kakashi quando estávamos saindo da cidade… nossos planos eram de seguir sozinhos, mas tivemos a grande sorte de termos sido encontrados por ele e de ele ter colocado fé em nós. Sem ele acredito que não teríamos sobrevivido muito tempo, e Sasuke que o diga.

Naruto deu uma gargalhada, e Sasuke sorriu.

–  Então, diferente do que eu sempre imaginei, Sasuke foi o primeiro a trazer problemas?

–  Não entendo por que você teria imaginado algo diferente disso.  –  Naruto falou, com uma sobrancelha arqueada.  –  É óbvio que foi ele! Todo prepotente, se achando o independente, acabou mexendo com uns mercenários e teria saído morto se o Kakashi não tivesse chegado a tempo!

–  Não foi tanto assim…  –  Sasuke tentou se defender.

–  É claro que foi, Sasuke! Pode confessar!

–  Eu até confesso, mas você deve confessar que fez um bocado de merda também. Começando por aquele dia em que se perdeu, e terminando no dia em que sugeriu que fôssemos à Vila da Lua, fazendo com que parássemos no meio do ataque!

No meio do ataque? Vila da Lua… foi a segunda grande cidade que Madara atacou em território Hyuuga. Eu não participava mais dos ataques nessa época... mas e quanto a Hyunin?

–  O ataque não foi nada ruim, nem vem! Foi lá onde conhecemos…  –  Ino interrompeu Naruto.

–  Vocês dois são o problema, essa é a única conclusão possível.

Por que você interrompeu ele agora?

De alguma forma, Itachi começou a sentir que havia algo de errado ali.

–  Hinata, não acredito que você não vai ficar no meu lado!

Houve um breve silêncio na mesa que dividiam após Naruto utilizar aquele nome para se referir à garota que inicialmente ele havia chamado de Ino.

–  Você acabou de me chamar de Hinata? Por acaso anda me traindo com alguém que tem esse nome?!

Ela tentou demonstrar irritação, Itachi viu claramente. Mas não teve certeza de que sua irritação era genuinamente por Naruto supostamente ter errado seu nome. Há algo de errado aqui. Eles voltam, depois de tanto tempo, com essas duas garotas… uma dela estava em Hyunin no dia do ataque, tenho certeza. Não em Vila da Lua, em Hyunin! Seria possível que eles estivessem nos dois, mas por que estariam? E por que estão aqui agora?

As desconfianças de Itachi não tinham caráter negativo, mas ele estava extremamente curioso.

–  Desculpa, Ino… eu não sei por que te chamei disso, eu…

Antes que Naruto continuasse, o salão inteiro silenciou-se para o príncipe Obito Uchiha e alguns de seus capangas. A pose de superioridade com a qual ele andava sempre havia sido irritante, mas tornara-se umas quantas vezes pior após ele ser designado como comandante entre os escravos de Konoha.

–  Esse é Obito Uchiha, filho de Madara.  –  Sussurrou para Naruto.

O príncipe parou diante deles e lançou seu olhar mais desdenhoso possível.

–  Então, esses são os visitantes?  –  Perguntou.

–  Sim, são. Naruto, Sakura, Sasuke e Ino.

Quando os olhos de Obito chegaram em Ino, eles se estreitaram.

–  Você me parece estranhamente familiar.

O rosto de Ino ficou completamente vermelho. Ela pareceu, de fato, não saber o que responder.

–  É praticamente impossível que vossa alteza conheça ela. É uma moça de origem simples, e de Konoha.

Obito torceu o nariz àquela informação.

–  Acabei de lembrar o porquê de ser familiar. Lembra-me da garota Hyuuga, que tem esses mesmos olhos do Norte.

Itachi percebeu a forma como Ino congelou naquele momento, segurando todo o seu corpo para não fazer qualquer movimento. Era provável que ela nem mesmo estivesse respirando. Talvez Obito também tivesse notado aquilo, mas não podia ter certeza de que ele tinha chegado à mesma conclusão que Itachi. Você é Hinata Hyuuga!

Não era uma conclusão tão óbvia, mas Itachi tinha certeza de que eles escondiam alguma coisa. E após Naruto falhar com o nome da garota, as coisas começaram a ficar mais claras. Talvez ela estivesse ali para resgatar a irmã. E eu não serei um entrave em seu caminho. Se depender de mim, posso até facilitar. De qualquer forma, ele nem mesmo imaginava onde a garota Hyuuga mais nova poderia estar em meio a todas aquelas pessoas.

Em mais uma das claras demonstrações de toda a sua arrogância, após falar aquilo para Hinata Hyuuga, Obito deu as costas, sem nem mesmo saudar Naruto e Sasuke.

–  Pelo visto ele é um filho da puta.  –  Naruto disse, revirando os olhos.

–  É melhor você falar isso baixo o suficiente para que suas palavras não saiam além dessa mesa.

Os primeiros pratos do banquete chegaram, e eles fizeram as primeiras refeições. Itachi estava inquieto que se via incapaz de comer muito. A todo o momento tentava fazer com que Sakura, a garota de cabelos cor-de-rosa, entendesse que ele precisava conversar. Em algum momento, ele conseguiu tocar na pele de sua mão novamente, mas daquela vez nada ocorreu. Talvez por o toque ter sido muito rápido, ou talvez porque ela não desejasse que nada acontecesse.

Mas, de qualquer forma, aquele toque suave foi bastante efetivo. Sakura pareceu finalmente dar atenção às inúmeras tentativas de Itachi de estabelecer um contato.

–  Eu já volto.  –  Ela disse.

–  Eu te acompanho.  –  Sasuke imediatamente falou, levantando-se.

– Sasuke, não é necessário.  –  Sakura falou qualquer coisa próxima do ouvido dele, e ele aquiesceu. A cadelinha Kirin foi imediatamente atrás de Sakura, mas ela não seria nenhum empecilho.

Itachi aproveitou o momento de distração de todos em relação a ele, e seguiu Sakura, para onde quer que ela estivesse indo.

Ela saiu do salão, pelos corredores pouco iluminados por archotes esporádicos. Parou apenas quando encontrou uma porta, que dava para o pátio do castelo. Itachi olhou ao redor para confirmar que não havia ninguém antes de segurá-la pelo braço, como havia feito no dia da batalha. Mas, novamente, nada aconteceu.

–  Por que nada está acontecendo? Você está evitando?

Sakura suspirou.

–  Eu não sei, príncipe. Eu não faço ideia do que foi aquilo que aconteceu, não sei por que, não sei como…

Itachi sentiu-se ainda mais confuso.

–  Foi a única vez em que ocorreu?

–  Não. Havia acontecido uma outra vez, mas eu continuei sem entender… E com você foi a última vez. Eu sinto muito, mas realmente não sei do que se trata. Você deveria esquecer aquilo, e agir naturalmente, como também estou tentando fazer.

–  Vocês não estão tendo muito êxito em agir naturalmente. Aquela é Hinata Hyuuga, não é?

A expressão no rosto de Sakura foi de pura perplexidade.

–  Do que você está falando?  –  Ela acabou dizendo.

–  Por que vocês estão aqui, Sakura? Você pode me falar, eu nunca iria contra meus irmãos.

–  Eu… eu sei. Mas não há o que eu deva falar para você. Há segredos que não são meus, príncipe Itachi, portanto não tenho direito sobre eles. Então, tudo o que peço agora, é que pare de tentar causar novamente o que quer que tenha sido aquilo que ocorreu naquele dia, e finja que nunca me viu. Eu não posso esclarecer nada, e garanto que as coisas serão mais fáceis se apenas deixarmos elas correrem naturalmente.

–  O que seria correr naturalmente? Para mim, nada corre naturalmente, e cada vez mais tenho curiosidade e pressa…

–  Então tente descobrir as coisas por sua conta, mas por favor, não me envolva. Eu já tenho tantos problemas…

Com aquelas palavras, Sakura deu as costas para Itachi, e partiu, com Kirin sempre ao seu lado. Ele desejava segurá-la novamente, e fazer com que explicasse tudo o que estava acontecendo, mas sabia que não era certo. Sabia que, caso fosse ele em seu lugar, desejaria apenas ser deixado em paz.

Então eu deixarei as coisas correrem naturalmente, o que quer que isso signifique. Mas continuarei buscando minhas respostas, queiram me ajudar com isso ou não.


Notas Finais


E aí? Espero que tenham gostado!
Próximo capítulo será da Ino (:


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