História Crônicas de um Fracassado - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Palavras 5.033
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Voltei!! Meio tarde, mas não quis deixar para amanhã.

Obrigada aos favs e comentários!! Espero que gostem desse cap!! aaah!!

Boa leitura! Beijoooooos

Capítulo 2 - A mãe natureza é daquelas que tem preferência por filhos


DUAS SEMANAS APÓS COMEÇAR O VERÃO

 

— Acorda, Jungkook! Eu tenho novidades!

 

É, realmente não teve jeito, a locatária não voltou atrás em sua decisão de despejar Jungkook, e ele bem tentou. A incomodou até o limite de se considerar chato, e como ele naturalmente já se achava chato podemos concluir que nem foi tanto assim. No máximo umas duas ligações em dias diferentes.

Então não deu outra, na quinta-feira já estava saindo de lá, com todas as suas coisas empacotadinhas em várias malas. Não era tanto assim como parece ser enquanto digo que a bagagem era no plural. Mas quando se ia viajar de ônibus com tudo aquilo, e sozinho, se tornava um peso e tanto. Mas que ele olhasse pelo lado bom, pelo menos não tinha mobília não é mesmo? Vantagens de se morar de aluguel em apartamento já mobiliado.

E agora estava a mais de uma semana na casa dos pais. Até que não foi a coisa mais difícil do mundo chegar lá e sorrir como se nada tivesse acontecendo, e tudo não passasse de uma viagem de visita comum. Porém o senhor e a senhora Jeon não eram nada bestas e viram logo que aquele “Vim passar uns dias por aqui com vocês” na realidade era “Vim passar o resto dos meus dias aqui com vocês”.

E olha, Jungkook estava adorando. Poder dormir até tarde no seu quarto adolescente, cheio de pôsteres de animes e jogos, estantes e prateleira lotadas de mangás, era ótimo. Ter água quente no chuveiro sempre; internet; tv a cabo; comida feita; além de quatro refeições garantidas, mais os lanches que fazia por sua conta ao longo do dia. Não precisava se preocupar com contas, desemprego, despejo, responsabilidades e todas essas coisas chatas de adultos que acabam com a pele e quebram o cabelo.

E estava dormindo tão bem que até mesmo sua completa inutilidade no mundo estava conseguindo ignorar.

Porém seus pais não. E era por isso, E talvez alguns outros motivos, que havia sido acordado às duas da tarde, por seu pai que alegava ter novidades, e colocado sentado à mesa diante dos dois como se tivesse novamente doze anos e fosse tomar sermão.

Por que estava sentindo que era algo do tipo?

 

— Jungkook, meu filho — sua mãe começou com um tom ameno, tranquilo. Cara, era justamente disso que ele não gostava, essa calma toda só deixava tudo pior. Coisa boa não vinha. — quando você vai fazer alguma coisa por você mesmo?

— Há? — Jungkook soltou um riso, era de nervoso mesmo. Do que seus pais estavam falando? — Como assim?

— Quando você vai parar de somente dormir e ficar na Internet e vai procurar algo para sua vida? — Ele continuou ostentando só a sua cara de completa confusão. Ao longos dos anos havia aprendido que fazer aquela linha Kátia cega dava muito certo. Fazer a egípcia também.

— Arrumar um emprego, Jeon! É disso que estamos falando. — E lá entrou seu pai, direto como sempre.

— Mas e-

— Não precisa mentir. Nós sabemos que você perdeu o emprego na cidade e voltou para ficar. — Jungkook arregalou os olhos surpreso. Certo, uma hora teria que contar, apesar de não estar se planejando nenhum pouco para isso, ainda.  Mas cara, só tinha poucos dias que restava ali, estava tão na cara assim o quanto ele havia falhado na vida?

— Tá’ tão na cara assim? — Ambos balançaram a cabeça em concordância.

— Em anos você não vejo aqui nenhuma vez sem ser depois de muita insistência. — A senhora Jeon falava com seu tom doce, quase como uma canção de ninar. Jungkook nunca soube se aquilo aliviada o peso das coisas, ou só tornava tudo ainda mais pesado. — Soubemos de cara que só podia ser isso. — Droga, nisso que dá seus pais o conhecerem tão bem.

— Estamos preocupados com você.

— Mas, preocupados por quê? Eu estou bem. Estou ótimo. — Tinha um sorriso quase desesperado no rosto, balançava as pernas freneticamente só para segurar a imensa vontade que tinha de sair correndo enquanto ainda possuía tempo

— Filho, você só dorme e em horários nada regulares. O verão está aí, praias para todos os lados e desde que você chegou não saiu de casa bem para dizer “Oi” ao sol.

 

Primeiro, em sua defesa a insônia estava atacando e não conseguia dormir antes das 04:00. Segundo, detestava verão, só servia para deixar as pessoas suadas e te obrigar a tomar dezenas de banhos por dia. Terceiro, praias? Ficar suado e cheio de areia? Não, obrigado. E dar “Oi” para o sol? Isso era coisa de humanas, e ele era de exatas. Além de inimigo do sol, mas tudo bem de leve.

 

— Assim sua vida vai ficar estacionada e você não sair do lugar. — Jungkook não conseguiu conter a risada de deboche. Não do que sua mãe falava, mas de si mesmo.

— Como se eu tivesse para onde ir. — Então o Jungkook tranquilo que habitava ali foi dar umas voltas e se instalou aquele que ia compulsivamente pensar na sua completa inutilidade e falta de capacidade de fazer algo decente na vida, até entrar em colapso e sucumbir à depressão.

 

Tá, parecia que, pelo menos, drama Jungkook sabia fazer.

 

— Enfim, é por isso que nós não íamos aguentar ver você se acabam o assim é te arrumamos um emprego. — O pai de Jungkook disse e ele quase caiu da cadeira de tão chocado.

— O quê?! — Gritou. Que palhaçada de emprego era aquela? E sem falar consigo primeiro ainda por cima. Ele já era um adulto, tinha capacidade para decidir as coisas da sua vida por si só, principalmente quando ter um emprego e qual cargo ocupar. Não precisava dos seus pai fazendo isso por si.

— Lá na barraca dos Lee.

— O que?! — Gritou uma segunda vez, ficando logo de pé e batendo as mãos na mesa de forma dramática e barulhenta. E ainda era em algo que nada tem a ver com qualquer coisa que ele possa fazer. Barraca dos Lee? Só podiam estar brincando com a sua cara.

— Você começa amanhã.

— Mas o quê?! — Será possível que todos seus gritos de protesto iam ser ignorados?

— O que foi, Jungkook? — Finalmente!

— Eu protesto! Eu não quero trabalhar, muito menos nesse emprego aí.

— Ms você vai. — Agora parecia que a discussão era somente entre ele e seu pai. E nem o apoio da mãe tinha porque ela estava do lado dele.

— Eu sou adulto. Não podem decidir por mim. — Jungkook cruzou os braços sobre o peito; um bico enorme se formou sobre seus lábios e seu pai soltou um riso. Mas que belo adulto hein?

— Enquanto morar debaixo do meu teto, e viver às minhas custas, eu posso sim, se for para o seu melhor.

 

[...]

 

No dia seguinte, e cedo dele vale ressaltar, lá estava Jungkook indo para o primeiro dia de trabalho. Fora arrastado pelo pai, quase que à força, e preso no banco carona do jipe dele, mas o importante era que tinha ido.

A única  coisa que se passava na sua mente, e que estava bem estampada em sua face, era que não queria mesmo estar ali.

Primeiro que não gostava dos Lee. Aquele cara sempre lhe tratou estranho quando criança, a filha horrorosa dele roubou seu primeiro beijo, o deixando traumatizado por longos anos. Segundo que todos eles cheiravam a peixe. Eca, detestava peixe e não queria ficar com aquela catinga horrorosa impregnada em si por associação. Terceiro que era uma barraca na praia.

 

Resumindo:

Família que ele detesta + Cheiro de peixe que ele detesta + Praia que ele detesta + Sol que ele detesta = Jungkook querendo estar morto.

 

— Olá Jeon’s! — O patriarca da família Lee, e aparentemente novo chefe de Jungkook, vinha na direção dos dois já soltando vários trocadilhos e sorrisos simpáticos. Ah que isso ia ser pior do que ele imaginava.

— Eu quero morrer. — Resmungou enquanto revirava os olhos.

— Olhe pelo lado bom, poderia ter sido um emprego de desentupidor de bueiros. — Seu pai deu um leve rapa em suas costas e saiu caminhando na frente para se encontrar com o amigo. Enquanto isso  o Jeon mais jovem só pensava que talvez, só talvez, desentupir bueiros fosse melhor do que trabalhar para os Lee.

 

Teve de suportar minutos de uma conversa sem pé nem cabeça entre seu pai e o Lee. Já estava se perguntando se estava ali para trabalhar ou se isso era só uma desculpa para  seu pai ficar de bate papo com um amigo, porque se fosse isso qual era a necessidade de estar ali? Será que finalmente o senhor Jeon estava o castigando por todas as coisas que aprontou quando criança?

Ah só podia ser isso. Estava começando a pagar pelos pecados, agora tudo tinha explicação.

 

— Bem Jungkook, seja bem vindo ao trabalho. — O homem lhe desejou com um sorriso no rosto que não estava o convencendo nenhum pouco. Por que não ser logo desagradáveis um com o outro como realmente queriam, hein? Tão mais fácil.

— Valeu. — Respondeu com um tédio tão grande que era capaz de se espalhar pela praia toda e acabar não só com o dia, mas com as férias de todos. — O que eu vou ter que fazer? Ficar na recepção, servir mesas, limpar o chão…

— Tudo isso e um pouco mais. — Mas o que? Que tanto serviço era esse? Aquele acúmulo de funções era um absurdo! Quanto que iam estar lhe pagando para fazer tudo isso? Uma fortuna não era?

— O quê? — O queixo de Jungkook foi ao chão e seus olhos cresceram tanto que pareciam que iam pular para fora da caixinha. — Tudo isso? É um absurdo! Eu não aceito isso.

— Seu trabalho é de faz tudo. O que precisar que seja feito, você vai fazer. — E era assim que ele falava? Com essa tranquilidade tão grande? Mas é claro, não ia ser ele que teria que fazer todas essas coisas. Cadê os direito trabalhistas quando precisava deles? — Antes que comece a gritar que é um absurdo, a sua diária é  dobrada do valor normal por acúmulo de funções, e por ser trabalho de férias.

— Por onde eu começo? — Ah que Jungkook se rendia tão fácil às vezes.

 

Sua primeira função foi limpar as piscinas. Acontece que a barraca em que ele trabalhava agora, também era como um pequeno clube, com piscina para as crianças, e para os adultos e ainda acesso à praia. Pelo menos isso, porque se tivesse que ir até a praia para ficar fazendo só Deus sabe lá o que ia cometer um crime de ódio.

 

— Ei Tio. Ei Tio. Ei Tio. — Olhou de soslaio para o ser humano audacioso que ousava em o chamar de Tio com aquela vontade de matar. Até onde sabia não tinha irmão nenhum para ter sobrinhos. — Que horas vai liberar a piscina? — Revirou os olhos e respirou fundo. Já não tinha paciência para crianças. E naquele dia em especial, e depois de ser chamado de tio, aí que não tinha mesmo.

— Escuta aqui, garoto, eu não sou nada dos seus pais então não me chama de tio. — Virou as costas e continuou a calmamente tentar capturar as sujeiras, como folhas caídas sobre a água.

— Ô Tio, mas que horas você vai liberar a piscina?

— O que eu falei sobre me chamar de tio? — Deu quase um grito que fez o garoto se encolher desconfiado, levantando as mãos em sinal de rendição.

— Tá bom. Tá bom. Mas que horas você vai liberar a piscina? — Jungkook olhou para um lado e outro, pensou em toda sua vida, todo o resto do seu dia, e em como queria se livrar daquele menino metido o enchendo o saco ali. Ah que se danasse que ainda não tinha o cloro para o tratamento da água - achava que era isso que tinha que fazer - e o químico que mudava de cor quando alguém fazia xixi. Que deixasse as crianças brincarem, não era como se alguém fosse se importar mesmo.

— Ah garoto, vai! Já tá pronta! — disse totalmente desinteressado, só querendo se livrar daquilo mesmo.

 

E as crianças ficaram tão felizes com a atitude do Tio Jungkook que deram a ele de presente um caldo especial a cada pulo exagerado ao se jogarem na piscina. Ele adorou ficar todo molhado.

E o primeiro dia foi mais do que produtivo. Pensou que ia ficar na recepção da barraca, ou anotando os pedidos na hora do almoço. Mas não, claro que não. Porque o Lee claramente lhe o odiava e provavelmente tinha sido avisado por seu pai a lhe dar os piores serviços possíveis. Não era possível que realmente precisassem dele para fazer aquelas coisas, só podia ser marcação.

Marcação do destino, da vida, do seu pai, do Lee, do mundo.

Todos estavam contra a paz e felicidade de Jeon jungkook. Ah ele estava muito melhor em casa, assistindo animes, navegando na internet até tarde e dormindo até mais tarde ainda. Qual era o problema de deixá-lo assim? Será que ninguém percebia que ele não tinha condições psicológicas de aguentar um emprego daqueles? E nem físicas. Onde já se viu? Havia nascido para ser príncipe, sentar no trono e ouvir dizerem que era bonito e sensual. Aquela vida de limpar piscinas e lavar banheiros não era para si.

Mas como, inteligentemente já sabia, nada acontecia nos gostos e planos de Jungkook, então ainda naquele dia ele ajudou a servir mesas, comprar e receber os peixes para o almoço. Ah que aquilo havia sido horrível, carregar nos ombros dezenas de peixes fedorentos e pesados, e mais de uma vez! Não conseguia parar de pensar naquele fedor horroroso. E o pior de tudo foi quando foi obrigado a ajudar o cozinheiro a “tratar” os peixes. Não! Definitivamente não havia nada mais horrível que abrir um peixe, tirar suas vísceras, e depois raspar todas as escamas para deixá-lo lisinho. Ia ter pesadelos com aquilo e com todos os quase vômitos e desmaios por muito e muito tempo.

No fim daquele dia de traumas, depois de mais peixes do que ele conseguia - e queria - contar, e um fedor horrível sobre si, além de ter que usar uma farda feia porque não ia mesmo sujar sua roupa com aquela catinga, Jungkook ainda teve que esperar sentado na calçada por seu pai ir lhe buscar. Ah que a humilhação não tinha limites mesmo. Em plenos 22 anos se sentia voltando ao colégio; aos 10 anos quando era buscado nas aulas de taekwondo e ia segurando na mãozinha para não se perder.

Só que com o péssimo adicional de uma catinga de peixe cru. Eca.

E quando chegou em casa, finalmente deitou na sua cama, depois de um banho de horas e quase arrancar a pele para se livrar do cheiro de peixe - e exagero do Jeon também - Jungkook queria chorar, gritar, fazer um escândalo. Realmente incorporar a personalidade infantil com  a qual estavam o tratando, bater o pé e fazer birra. Mas por outro lado, algo dentro de si, ainda o dizia que ele precisava daquilo. Não da barraca em si, ou do emprego, mas de ter algo, de fazer algo. Ele não podia se deixar estacionar.

Quem sabe, dessa vez pelo menos, o destino estivesse preparando algo especial para si e sua vida pudesse se arrumar de vez. Afinal, ainda tinha que ter dinheiro para voltar até a capital. Sua vida estava lá, não era no interior.

 

[...]

 

TRÊS SEMANAS APÓS COMEÇAR O VERÃO

 

— Tio Jungkook! Quero picolé. — Rolou os olhos e soltou o ar dos pulmões rendido. Tinha que ir não é mesmo? Que escolha tinha?

 

Já havia passado uma semana naquele emprego, e não, ele não gostava em nada dele ainda. Até porque depois de uns três dias as coisas foram piorando e ele já não tinha mais que ficar somente dentro da barraca, agora era quase diariamente mandado para a praia, ficar com cara de bunda por lá, sem conseguir andar direito por ter areia demais entrando por seus dedos e em suas sandálias. E o pior de tudo era ter que ficar sendo chamado de Tio Jungkook o dia todo.

Esse apelido até parecia maldição, ou castigo.

Pelo que  parecia as crianças gostaram muito do jeitinho do Jeon, como ele era sério, bravinho e engraçado, além de parecer ser jovem  e disposto como eles, e não um velho chato, careta e cansado como todos os outros funcionários do local. Mesmo que ele fosse tão chato e cansado quanto, os pestinhas que ainda não haviam notado isso.

E agora, era babá de crianças, salva-vidas, guardinha enquanto eles queriam catar conchinhas na beira da praia, instrutor de nado - sendo que se dependessem das suas admiráveis técnicas aqueles pequenos nunca iam aprender sequer a prender a respiração em baixo d’água, que teoricamente é algo instintivo. É, não tinha mais que carregar e mexer nos peixes, nem limpar a piscina, ou servir mesas, lavar pratos ou limpar os banheiros. Só tinha que aguentar ser chamado de Tio Jungkook o dia todo.

Não parecia tão ruim, no fim das contas.

 

— Picolé! Eu trouxe picolé para vocês. — Lá vinha ele com o isopor onde guardava e carregava os picolés que as crianças da colônia de férias, criada especialmente para Jungkook cuidar, tinham direito durante  a parte da manhã.

— Eu quero de morango!

— Eu vou querer de leite condensado!

—Façam fila ou eu não vou entregar o de ninguém e vou ficar com todos para mim. — As crianças continuaram a não dar atenção a ele, gritando uma atrás da outra brigando pelos sabores. Mal sabiam elas que todos eram do mesmo sabor. Que bobinhas. — Ah não vão fazer? Vou embora então. — Virou as costas para todos, começando a rir embora.  

— Pronto Tio Jungkook, a fila tá feita. — e com um sorriso satisfeito nos lábios Jungkook se virou. Pelo menos com crianças aquele tipo de psicologia funcionava.

 

Ainda teve que ficar olhando as crianças brincando na beira do mar. Eles catavam conchinhas e corriam um atrás do outro. Alguns tentavam pular as ondas e ele tinha que ficar ainda mais perto para não deixar que ninguém se afogasse, ou levasse um caldo daqueles bem grossos porque aquele ponto da praia era bem agitado, tanto que muitos surfistas apareciam para praticar o surf.

E nossa, como Jungkook odiava os surfistas.

A lista de “motivos para não gostar” que o Jeon tinha com surfistas era enorme: primeiro que ele simplesmente não conseguia entender como uma pessoa poderia gostar de ficar em cima de uma prancha, se molhando inteiro, caindo dentro d’água e levantando para fazer tudo outra vez. Segundo que eles eram bonitos demais, chamavam atenção demais, e ainda ficavam com aquele cabelo clareando naturalmente por causa do sol. Ele pareciam uma espécie de pessoas mais abençoadas pela natureza, só por gostarem dela. E com isso ele já concluía que ela era daquelas mães que tem preferência pelos filhos que agradam.  Terceiro, porque eles eram quem mais pediam peixe e davam trabalho a ele. Quarto, porque Jungkook era um tremendo de um chato, que já tinha desenvolvido uma necessidade quase patológica de reclamar. Só pra variar.

 

— Tio Jungkook, — Ai que esse apelido ainda doía no fundo do seu pâncreas, mas já nem tentava mais discutir com isso. Eles não iam parar mesmo, que deixasse chamar assim então. — você surfar?

— Eu não sei nem viver, imagine surfar. — Típica resposta dos amargurados, desiludidos com a vida. Um resumo rápido de quem é Jeon Jungkook.

— Hã? — olhou para a garotinha que estava parada ao seu lado com uma perfeita expressão de confusão. Essa era uma característica do Tio Jungkook, sempre falar algo que eles com suas mentes de 6 a 10 anos ainda não entendiam.

— Eu não sei surfar.

— Mas surfar deve ser legal, né? — Ele só ia concordando com a cabeça. Mas não achava que surfar fosse legal. — Olha só como eles se divertem. Como eles parecem legais. — E a garotinha apontou para um único surfista que estava perto o suficiente deles.

 

Ele vinha saindo do mar, com sua prancha debaixo do braço, ainda presa ao pé. Por algum motivo que talvez só Deus soubesse explicar com sua onisciência, Jungkook ficou observando aquele tal cara. Ele prendia a prancha na areia para poder fazer qualquer outra coisa. Tinha uns movimentos peculiares, uma estatura também. Definitivamente aquele homem lhe lembrava alguém, com certeza parecia com algum conhecido seu, mas ainda não sabia ao certo quem era, mesmo não conhecendo tanta gente assim.

Como não conhecia ninguém na cidade, só poderia ser semelhante a algum colega, ou conhecido da capital quando ainda estava por lá. Ou até mesmo algum famoso da televisão, vai saber. Porém ainda assim queria descobrir quem era, e por isso não conseguia tirar os olhos daquele cara. As crianças falavam sozinhas, e até aquela altura alguma delas até poderia ter morrido afogada que ele não perceberia de tão focado que estava em investigar as suas memórias em busca de algo que lhe dissesse com quem aquele cara parecia.

Convenhamos que para Jungkook isso era mais interessante que qualquer outra coisa nos seus últimos dias.

E foi quando o tal surfista jogou os cabelos castanhos e molhados para trás, deixando o rosto exposto que Jeon finalmente soube quem era. Não tinha como ser outra pessoa. Não havia como outro homem no mundo ter aquele rosto, só ele era assim. E se houvesse era uma infeliz coincidência, mas como era sem sorte na vida essa possibilidade era logo descartada. Não acreditava que depois de tantos anos, o destino havia lhe colocado no mesmo lugar que Park Jimin novamente.

Seu primeiro instinto foi correr. Um nervosismo, um pânico, se apoderou de si que a única atitude que teve foi de recolher todas as crianças e levá-las de volta para a barraca. Ainda tinha que ficar cuidando delas,mas desde que estivesse longe daquela praia, longe de qualquer possibilidade de Park Jimin o ver, estaria bem, estaria seguro.

Ele só não queria ser visto por Jimin. Ele não queria ver Jimin. Ele não queria falar com Jimin. Se possível, ele sequer queria lembrar que Park Jimin exista.

O que claramente não iria acontecer, porque o destino, vida, acaso, karma dos trouxas, que chamassem do que quiser, fez questão de o colocar de novo no meio do seu caminho, e esfregar na sua cara que ele ainda está vivo, e muito bem obrigado.

Não! Nada de obrigado! Ele não ia trombar com Park Jimin e fim de história!

Votou com as crianças para a barraca, usou a desculpa de piscina e logo mais hora do almoço para arrastá-las de volta. Chegando lá, pediu pra um dos seus colegas ficar de olho nos pequeninos porque ele mesmo não tinha condições. Nem sabia como havia conseguido pensar numa desculpa daquelas bem elaborada para trocar de posição com uma das pessoas do caixa só para não ter que sair do lugar, nem ficar exposto. Estando ali no caixa, qualquer movimentação mais suspeita que acontecesse conseguiria facilmente se esconder atrás do balcão, fingir ter morrido e estaria tudo resolvido.

Mas que droga era aquela? Como assim? O que Jimin estava fazendo na cidade? Ele não havia ido embora para o Japão 5 anos antes? Pensou que tivesse ficado por lá mesmo, ou morrido carregado em algum tufão. Mas para isso o destino não servia, só para o colocar bronzeado, sarado e bonitão surfando na praia. Mas que desgraça.

Jungkook pode estar parecendo um tremendo exagerado e dramático só de pensar no outro e fazer todo esse escândalo interno. E está sendo mesmo. Mas apesar de tudo isso, uma coisa era fato: Jimin e Jungkook não eram amigos. E na cabeça do Jeon jamais seriam. E o Park era sim  a última pessoa do seu passado que ele queria ver na vida, e também a que achava que ia ver ao pôr os pés de novo naquela cidade.

Até porque ele estava trabalhando, cuidando de criancinhas em troca de não limpar peixe cru, enquanto o outro estava xarlando por aí, provavelmente de férias e em um país que ele não mora. Logo, Jimin era bem sucedido, deixando assim o papel de perdedor fracassado da história todinho pra Jungkook.

O que todos nós sabemos que ele é. Ele mesmo sabe que é. Só que Jimin não precisava saber.

E o seu Jungkook interior o repetia incessantemente que ele deveria se manter longe. Que ficando ali estaria seguro e os dois nunca se encontrariam. Que agora que ele sabia da presença de Jimin ali ficava mais fácil de conseguir se esconder, pois tinha total consciência de ter que se esconder. Nada como fingir uma virose, um tornozelo torcido, um ombro deslocado e pegar uns dias de atestado.

Mas ao mesmo tempo o seu eu interior dizia que , como se tratava da vida de Jeon Jungkook, isso não ia rolar mesmo.

 

— Jungkook, uma das crianças esqueceu as coisas na praia. — Gelou dos pés à cabeça quando chegaram perto de si dizendo isso. Mas que maldição, teria mesmo que ir lá pegar?

— Você pode ir por mim? — Com a cara mais lavada do mundo ele perguntou. Em nome de manter sua sanidade e orgulho intactos ele ia vestir sua cara de pau como nunca!

— Não Jeon, eu não posso. Já estou te fazendo o  favor de olhar as crianças aqui dentro.

— Que faça o trabalho o completo então! — Ah que ele era muito cara de pau mesmo. E abusado!

— O quê? — Só a cara que recebeu de volta da colega de trabalho foi o suficiente para ele entender que ia sobrar para si. Ah mas que droga.

 

Respirou fundo e saiu de lá. Seria rápido, já que sabia exatamente onde estava com as crianças até minutos antes. E quem sabe, se fosse fazendo orações mentais, pedindo para ser mantido longe de Park Jimin, as entidades espirituais e divinas resolvessem o abençoar pelo menos uma vez na vida com isso, assim como fizeram quando lhe deram aquela beleza injustiçada por não estar em capas de revista.

Correu como nunca antes, quase perdeu seu chapéu algumas vezes, e teve que voltar para pegar. Se aquilo sumisse teria que pagar, e sinceramente não queira saber que forma de pagamento seria; provavelmente retirar vísceras de mais peixes. Não, obrigado. Teria que lembrar de pedir à sua mãe para colocar um cordão naquilo.

Quando chegou, quem disse que ele achou a bolsa da criança? Mas que maravilha hein? Provavelmente estava lá dentro da barraca, junto de todas as outras e não procuraram direito, fazendo o otário, que só serve para fazer papel de trouxa, ir procurar, e se encher de areia no processo.

 

— Com licença. — Chamou um casal que estava sentado vizinho ao local que a bola deveria estar. — Você viram alguma bolsa infantil por aqui? — Eles negaram com a cabeça, mas eram as únicas pessoas por ali, precisava insistir. Alguém perder as coisas significava que ele ia ter que responder por isso. Hum, não estava afim. — Certeza? Feminina? De garotinha? Provavelmente de alguma boneca, desenho, pôneis coloridos, sei lá. Talvez, surfistas? — O casal negou em todas as perguntas. — Aish, do que essa menina gosta? Será que é muito nova para ter algum desses grupos de garotos famosos na bolsa?

— Desculpa, você está procurando isso? — E quando se virou e viu diante dos seus olhos a mochilinha de um desenho muito colorido e de garotinhas, que ele não fazia a menor ideia de qual era, quase se ajoelhou e agradeceu aos céus pela benção recebida.

— Ah, é meu sim! Obrigada! Você me salvou! — Quer dizer, isso até ver quem estava segurando a bolsa. — Ai merda. — Park Jimin. O tão evitado Park Jimin. Jungkook perdeu as contas de quantas vezes encarou o céu procurando por respostas divinas. Será que era um ser humano tão horrível assim e digno de tanto castigos? Não era possível.

— Imagina. Eu imaginei que fosse de alguém usando o complexo e estava indo deixar naquela barraca. — Apontou na direção justamente do trabalho do Jeon. É, parecia ser inevitável, seu destino era dar de cara com aquele homem. Mas que destino lindo, hein?

— Obrigado. — Sério e atordoado, Jungkook pegou a bolsa das mãos do Park. Queria correr dali o mais rápido possível antes que ele tivesse tempo suficiente de lhe reconhecer. Se bem que estava tão diferente, e ainda usando um chapéu, que essas chances diminuíam muito. Será que realmente ficavam menores ou estava só tentando se iludir com isso?

— Espera. Eu conheço você. — Jungkook arregalou os olhos e sorriu nervoso.

— Acho que deve estar me confundindo. Agora com licença, eu preciso voltar. — Tentou dar um passo mas sentiu seu pulso ser segurado pela mão fria de Jimin.

— Espera, eu sei que é você. Eu não confundiria esses olhos e sorriso nunca. — Ao ouvir aquilo Jungkook respirou fundo e tomou coragem para se virar. Não ia mais conseguir escapar, havia sido descoberto. Pelo menos ia tentar lidar com aquela situação como um adulto. Ia se livrar daquele cara e nunca mais precisar encontrar com ele. — Jeon Jungkook. — encarou diante de si o sorriso enorme do Park, aquele mesmo dentinho discretamente torto bem na frente e os olhinhos quase se fechando sorrindo também. O desgraçado não havia mudado nada.

— Park Jimin.

— Cara, que loucura! Nós nos encontrarmos assim depois de tanto tempo, não é mesmo? — Quando ele soltou seu braço o Jeon não viu mais um motivo sequer para continuar extendendo aquela conversa. Não queria ficar ali, não se sentia confortável. Não queria falar com Park Jimin.  O Park podia muito estar parecendo ter esquecido ou ignorar o passado todo, mas ele não. Para si aquilo não era insignificante assim. Não estava tudo bem. Eles não eram amigos.

— Jimin, eu realmente preciso voltar. A gente se vê por aí. — Não. Que aquela última frase nunca se tornasse realidade.

— Jungkook, espera. — Não sabia dizer bem o porquê, mas parou seus passos apressados e voltou-se para trás quando ele pediu isso. — Vamos sair, conversar um pouco, rir? Pelos velhos tempos. — Uma raiva tomou conta de si. Como Jimin conseguia agir assim, como se os anos da adolescência não tivessem acontecido? Se existia alguma chance de sequer pensar em ter uma imagem melhor do Park, havia acabado ao vê-lo agir assim.

— É, não. — E dessa vez deu as costas e voltou para o seu trabalho. Nem sequer olhou para trás.   

 


Notas Finais


Jimin surfa!! Juro que não foi culpa do Bon Voyage hahahaha mas ele ajudou e muitoooo

Espero que tenham gostado e estejam curiosos por mais!! Jungkook é chatão assim, mas será que ele melhora? Será que se adicionar um pouquinho de diversão e Park Jimin na vida dele melhora? hahahah Cenas dos próximos capiítulos!!

Beijoooos


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