História Crônicas dos Descendentes: A Herdeira - Capítulo 17


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Romance e Novela, Saga
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 17 - Capítulo 17


Uma semana se passou sem nenhum acidente com inimigos, o tempo melhorou, mas o clima entre eu e Derek ficou ruim. Estamos nos evitando desde aquela noite. E quando temos que nos falar, só dizemos o essencial.

Tenho certeza que isso é minha culpa. Eu estraguei tudo novamente. Tenho vontade de me bater toda vez que vejo a mágoa em seus olhos azuis, eu tenho vontade de pedir desculpas e dizer o que realmente sinto por ele, mas simplesmente não o faço. Terei que lutar contra uma das Ilusionistas mais poderosas do mundo, e nenhuma distração é bem vinda agora.

Estou treinando como nunca. A água se tornou minha principal arma, crio espadas, lanças e flechas, assim como escudos e chicotes que servem como extensão do meu braço.

Volto para o quarto pingando suor, e quando vejo meu reflexo no espelho, meu me espanto. Eu não pareço em nada àquela menina que saiu de casa para ir a uma estúpida festa com o pai e depois foi levada como refém. Eu estou mais velha, posso ver isso em meus olhos, minha pele agora está mais escura, e meu cabelo está maior e com menos cuidado, caindo de um jeito desarrumado pelas minhas costas. A única joia que uso é a chave da prisão de Layla. Ganhei músculos e novas cicatrizes. Pego a adaga que Derek me deu e com a mão livre, seguro meu cabelo em um rabo. Fecho os olhos quanto passo a faca. Os fios se desprendem e eu os deixo cair em meus pés. Agora meu cabelo loiro está na altura do queixo.

Já que não me pareço nem sou mais com aquela menina, não faz sentido continuar com o mesmo corte de cabelo:

_ Você cresceu, criança.

Viro-me, com a espada na mão, mas encontro apenas Yara sentada na cama. Ela está com um vestido sem mangas, azul escuro. Sua cintura é marcada por um cinto de pérolas, e seus braços mostram braceletes de cores tão vibrantes como às de um coral, seu cabelo está preso em um coque, e uma coroa prateada está decorando sua cabeça:

_ O que veio fazer aqui? – ela abaixa os olhos por alguns segundos.

Abaixo minha espada, enquanto o silêncio torna-se cada vez mais desconfortável.  Por fim, ela levanta o olhar e me fita:

_ Você perguntou qual nossa ligação com Layla.  Estou aqui para responder essa pergunta.

Ela aponta para o local vago ao seu lado. Sento-me ali e ela pega minha mão:

_ Feche os olhos Jade.

Obedeço. No mesmo instante sou preenchida por lembranças: 

Duas meninas, dançando pelo mar de mãos dadas.  Escuto seu riso e sua canção, suas vozes não são completamente afinadas, mas as duas juntas se tornam uma melodia agradável de ouvir. Uma delas tem o cabelo loiro, enquanto a outra tem o cabelo tão escuro quanto uma noite sem lua.

As imagens mudam. Dessa vez, são duas adolescentes, enquanto a de cabelos loiros está de mãos dadas com um rapaz com cabelos cor de areia. A morena estava atrás de algumas árvores, e pelo seu semblante, estava irritada.

Um turbilhão de imagens vem e vai ser que eu consiga prestar atenção em nenhuma. Vejo apenas borrões e expressões faciais.

Quando volto a minha realidade, Yara já tinha desaparecido há muito tempo, deixando apenas o perfume do oceano para trás. Saio da cabine a procura de ar fresco, tentando em vão entender o que todas aquelas imagens queriam dizer.

Precisava de silêncio e calma, então, sem me dar conta vou para o local que Derek me mostrou.

Ali é muito mais tranquilo que o resto do navio. As imagens continuam dançando na frente dos meus olhos, como se zombassem de mim por não entender o que aquilo significava. O céu está em um tom estranho de azul, apoio-me no balcão de madeira e observo todo o caminho que já percorremos. Estou tão imersa em meus pensamentos, que quando Jim fala atrás de mim, meu primeiro instinto é tirar a espada da bainha:

_ Você está ai. Estamos te procurando em todo o lugar.

_ Por quê?

_ Diversão. Vamos fazer um torneio.

Ergo uma sobrancelha, sem deixar que minha curiosidade transpareça em meu rosto:

_ Um torneio? Que tipo de torneio?

_ Lutas. Quem ganhar terá direito sobre primeira garrafa. Vai participar?

Abro um sorriso:

_ É sempre uma honra humilhar vocês.

 É a vez de ele revirar os olhos enquanto andamos até o convés. Dante e Fred estão conversando enquanto Chris está sentado em cima de um barril, gargalhando alto:

_ Finalmente vossa graça nos dá ar de sua graça.  Vai participar Montnegro?

_ Acha que eu vou negar te dar uma surra?

_ Cuidado com suas palavras Montnegro, pois não aguentará a vergonha depois.

_ Todas as vezes que nós lutamos você perdeu.

_ Vocês dois parecem duas crianças. – fala Dante por cima de nossas vozes. – Calem a boca. Podemos começar?

Fred vira o rosto para ele, e os dois começam uma longa discussão, que eu me recuso a escutar:

_ Começar o que? – Derek chega ao meio da roda.

_ Vamos jogar para matar o tempo. Lutas. Quer participar capitão?

_ Eu começo?

Todos dão os ombros:

_ Escolha um oponente se for começar. – digo.

Ele me olha como se me visse pela primeira vez, e retira a espada da roupa:

_ O que me diz Montnegro?

Faço o mesmo, e caminho até o centro da roda.  Mal Chris dá o sinal que ele já me atinge com o primeiro golpe.

Um soco na boca do estômago que me faz perder o ar. Desvio do segundo soco e acerto minha perna em sua barriga, ele arqueia, mas mal tenho tempo de bloquear sua investida. Dois socos passam raspando minha cabeça, e eu o acerto com dois cruzados. Ele cambaleia para trás, mas parece voltar com ainda mais força.

Bloqueio com as mãos um chute que era destinado ao meu peito e desvio do segundo golpe. Acerto-o um soco no pomo de Adão, mas erro o chute que daria em suas costas, e isso me faz cair de barriga no chão. Estou arquejando e pingando suor, mas rolo para o lado quando vejo a sombra de seu pé sobre minha cabeça. O golpe por pouco erra minha orelha direita. Fico em pé e aproveito que ele está desequilibrado para lhe dar um chute no abdômen.

Ele cai no chão, com a barriga para cima. Agacho-me em cima dele, com o punho cerrado em cima da minha cabeça. Assim que vejo seu rosto, percebo que nossa luta foi longe demais. Seu lábio está cortado, seu nariz sangra descontroladamente e seu olho esquerdo está com um hematoma roxo.  Eu me levanto:

_ Perdeu a coragem Montnegro? – grita ele ficando de pé.

Estou de costas para ele:

_ Eu não vou te colocar em coma, mesmo que pareça que quer isso.

_Agora entendi o motivo de o Campbell ter traído seus pais. Se eles eram tão covardes quanto você, ele fez a coisa certa.

Paro de andar. Abro e fecho os punhos, e viro o corpo para ele. Seu rosto está completamente vermelho, mas o meu também deve estar. Mal vejo o caminho até ele. Jogo-o no chão, e lhe dou dois socos antes que Fred me tire de cima dele:

_Nunca mais fale dos meus pais, Evans. Ou eu juro que você vai ter o mesmo destino do Byrnes.

Ele limpa o sangue que escorre pelo lábio aberto e sai pelo caminho veio. Chris me lança um olhar irritado e corre atrás dele, gritando seu nome. Fred me solta e os rapazes me encaram com olhos arregalados:

_ Eu me descontrolei. – digo. – Antes que vocês comecem a me dar um sermão, isso não vai acontecer de novo.

   _ É melhor você ir descansar pequenina.

Reviro os olhos:

_ Boa noite.

 Escuto as vozes dos rapazes se elevarem, eles voltaram a brigar, e dessa vez, escuto também os gritos de Jim. Caminho até meu quarto, e assim que chego, bato a porta com mais força do que necessário. Quero socar alguma coisa. Eu preciso liberar todas essas emoções dentro de mim. Derek me deixou brava, muito, muito brava. Pego o travesseiro e o embolo em um montinho, e com força, acerto meus punhos fechados ali:

_ Bater só irá te deixar cansada. – giro o corpo e encontro a Senhor dos Mares encostado contra porta fechada.

Ele está usando calças e uma camisa folgada, seu cabelo está longo, e suas mãos estão nos bolsos de maneira casual:

_ O que faz aqui?

Ele se mexe, se aproximando de mim:

_ Vim para te alertar, mas parece que cheguei um pouco tarde.

_ Não estou com paciência para mais joguinhos. Já basta eu ser um pião da Yara. O que quer falar?

 _ Bem, quando nos encontramos, eu te disse que haveria sinais que te mostrariam que está chegando o momento. Essa raiva que todos vocês estão sentindo, é uma delas.

_ O que? – aquilo me deixa confusa.

_ Vocês agora passarão por quatro testes, cada um foi criado por um dos senhores.

_ Testes? Eu terei que lutar contra uma louca que eu não conheço e ainda terei que passar por testes? – solto uma risada amarga. – Vocês devem estar rindo em seus tronos dessa idiota correndo para a morte.

_ Testes sim Jade. Demorou séculos para que você nascesse. E nesse tempo, muitas pessoas tentaram encontrar a prisão de Layla. É impressionante o que as pessoas fazem por uma promessa de realização de desejos.

Sento-me na cama. Toda a raiva que sentia a pouco parece desaparecer. Ele se senta ao meu lado, e pega minhas mãos nas dele:

_ Sei que tudo isso é muito mais do que você deveria se preocupar, e sinto muito por isso. Mas você é forte, Jade. Você é filha do mar. – ele segura uma das minhas mechas curtas. – Você tem a fúria das tempestades e a calma das lagoas aí. – ele aponta meu peito. - Você, assim como a água tem a capacidade de ser má, exatamente como Layla, mas tem algo que ela jamais terá: você é capaz de salvar e dar vida. É por esse motivo que eu sei quem ganhará a luta. 

Abro um sorriso fraco:

_ Obrigada. 

Ele beija minha testa de maneira singela:

_ E antes que eu me esqueça, vá consertar sua ligação com seus amigos. Você é mais forte com eles.

Fico em pé e caminho para a porta, mas antes de eu chegar à porta, uma dúvida surge na minha cabeça:

_ E quando esses testes... – o resto das palavras se perde, pois percebo que estou novamente sozinha. – Típico.  

Saio do quarto revirando os olhos.

Fred e Jim estão sentados nos bancos, cada um com uma garrafa de rum. Dante está sentado no chão, perto deles com outra garrafa. Todos eles estão com hematomas nos rostos e os nós dos dedos cortados. Quando Jim me vê, abaixa a cabeça:

_ Melhor você nem perguntar o que aconteceu.

_ Isso é culpa dos Senhores.

_ O que? – perguntam os três em um coro estranho.

_ É uma das últimas etapas para chegarmos até Layla.

_ O que é uma etapa?

Giro o corpo e encontro Derek e Chris se aproximando. Derek olha diretamente para o chão, e seu rosto está inchado, com vários tons de hematoma. Sinto uma pontada de culpa.

Eles se sentam junto com os outros:

_ Cada Senhor criou um teste que teremos que transpor se quisermos chegar até Layla.

_ E o que são esses testes Montnegro? – pergunta Derek.

            Ele levanta a cabeça, e percebo o estrago que fiz. Seu olho esquerdo mal está abrindo, enquanto sua bochecha tem um hematoma roxo escuro. Seu lábio inferior tem um corte:

_ Eu não sei exatamente. – respondo dando os ombros. – Mas eles são usados desde que Alexandra aprisionou Layla lá.  

_ Ótimo. – diz ele. – Mais perigos que podem nós matar. – ele toma um longo gole da garrafa e se levanta.

Quando devolve a garrafa para Jim, só tem dois dedos de álcool. Derek se afasta, voltando para sua cabine. Chris dá dois passos para acompanhá-lo, mas eu seguro seu ombro:

_ Eu converso com ele.

 Encontro-o no atrás de sua cabine, apoiado na bancada de costas para mim:

_ Se veio me dar outro sermão tio, perdeu a viagem.

_ Na verdade, eu vim aqui tentar fazer as pazes. – digo.

Ele se vira e me encara com uma careta:

_ Acho que você também perdeu a viagem.

Cruzo os braços na frente do peito e caminho até ele:

_Não vou ficar muito. Só vim me desculpar por ter me descontrolado ontem. Você claramente perdeu o pouco de juízo que tem e eu deixei que isso me atingisse. Era isso que eu queria dizer.

Viro de costas para ir embora, mas ele segura meu braço:

_ Jade...

Eu me viro, e encaro seus olhos azuis:

_ O que?

_ Por que você ainda finge que não sente nada?

A pergunta me pega tão desprevenida que eu o encaro pelo menos uns cinco minutos. Pisco os olhos e abro e fecho a boca umas três vezes antes de lembrar como se pronuncia qualquer palavra:

_ Derek... Eu...

Ele vira o rosto, visivelmente magoado. Merda, essa não era minha intensão:

_ Esquece. Não precisa responder. – ele solta meu braço e volta a me encarar. – Gostei do seu cabelo assim.

Toco as mechas curtas e respondo, mordendo o lábio inferior:

_ Obrigada. –Dou dois passos para sair dali, mas paro no terceiro e me viro. - Não queria que fosse assim.

_ Mas infelizmente é Jade. E você não fez nada para mudar isso.

 Ele sai antes de mim. Indo ao encontro dos rapazes. Sinto as lágrimas escorrendo antes que eu chegue a pensar em contê-las. Isso não é normal. Todo esse turbilhão de emoções não é algo que eu estou acostumada.

Sento-me no chão e puxo os joelhos contra o peito. 

***

Não sei quanto tempo se passou quando saio dali, mas um grito me desperta. A noite está escura, mas depois de tanto tempo naquele lugar as tábuas já me são conhecidas.

Encontro todos os rapazes em pé, no convés. Eles estão amontoados perto de uma fogueira. Jim é o primeiro que me vê. Seus olhos estão arregalados, e ele parece com medo.

Assim que me aproximo, vejo Fred e Dante com as mesmas expressões, assim como Chris:

_ O que está acontecendo? – percebo com espanto que minhas palavras saem entrecortadas. Minhas mãos tremem.

Quando alguém toca meu braço, eu dou um pulo para trás, com minha espada caindo no chão:

_ Que merda é essa? – grita Derek. – Você está tremendo. – ele olha para os outros. – Que merda está acontecendo com vocês?

_ Não grita comigo. – Fred levanta e empurra o capitão.

_ Sou seu capitão e faço o que eu quiser. – diz o moreno empurrando o outro.

Os empurrões logo se tornam socos. Um grito escapa da minha boca e eu corro para o lado oposto. Assim que consigo me esconder, levo minha mão diante dos meus olhos: Eu estou tremendo.

Isso não está certo. Eu nunca tive medo de brigas. Principalmente de dois idiotas como aqueles brigando. O que deu em mim para eu fugir dessa maneira?

Esforço-me para levantar e forço meu corpo a voltar até o convés. Todos os alarmes de perigo da minha mente estão disparados, meu primeiro instinto é correr para longe.

Assim que chego ao convés, percebo que está uma desordem. A troca de socos evoluiu para uma luta de espadas, enquanto Jim e Dante lutam em outro canto com espadas. Chris está tão próximo da borda do navio, que se uma onda mais forte nos encontrar, ele será jogado para fora.

Tenho vontade de dar meia volta, mas simplesmente ignoro isso. Fecho os olhos e respiro fundo. O som do aço batendo contra o aço parece fazer com que eu me acalme. Sinto o balanço do navio em baixo dos meus pés, e o cheiro salgado. Assim que os abro novamente, minhas emoções estão sob controle.  

Pego minha espada que está no chão e forço meu caminho entre os dois lutadores. Eles não prestam a mínima atenção em mim, gritam palavrões e insultos. Dante e Jim se aproximam com as armas nas mãos. Praguejo.

Acerto alguns golpes em cada um deles, mas eles não prestam a mínima atenção. Empurro-os e grito alto para eles pararem:

_ Não entendem? Isso é um dos testes. Nossas emoções estão completamente descontroladas. A raiva está fazendo vocês se matarem e o medo logo matará Chris. – o homem levanta a cabeça, e seus olhos estão arregalados. Os quatro rapazes o encaram também.

Derek solta sua espada e caminha até Chris, e o trás para perto de nós. Solto o ar que estava prendendo, e termino com uma voz mais calma:

_Controlem suas emoções se quiserem viver.

Os rapazes me olham espantados, mas se reúnem ao meu redor, com as armas abaixadas:

_ E como sugere que façamos isso, senhorita?

Olho para Chris:

_ Sentem e vamos conversar até essa maré passar. Chris, conte a coisa mais engraçada que já aconteceu com você.

_ Bem... - ele solta um riso. - Teve uma vez que...



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