História Crônicas dos Descendentes: A Herdeira - Capítulo 20


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Romance e Novela, Saga
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 20 - Capítulo 20


Acordo na manhã seguinte disposta a me redimir com os rapazes. Visto a primeira camisa que encontro e penduro minha espada e a adaga que Derek me deu.

Assim que saio da cabine, encontro-os conversando em volta da fogueira apagada. Caminho até eles. Quando me aproximo, respiro fundo e começo:

_ Eu queria me desculpar pelo modo que me comportei nesses últimos dias. Não fui justa em descontar toda minha raiva em vocês.

Eles me encaram e assentem:

_ Desde que você não se esqueça disso cedo, te perdoamos Senhorita. – fala Chris com um sorriso paternal.

_ Pode ficar aqui se quiser. – diz Jim com um sorriso. – Estamos jogando cartas. Sabe jogar?

_ Sei algumas coisas. – digo rindo. – Vocês fazem apostas?

_ Podemos tentar. – diz Derek quando levanta a cabeça. – O que quer apostar querida?

_ Infelizmente não tenho nada de interessante para apostar.

_Um beijo. – diz ele com malicia.

_ E por qual motivo eu apostaria um beijo? – uma das minhas sobrancelhas provavelmente deve estar levantada.

_ Deixo você comandar o navio por uma semana.

_ Uma semana? Não aceito nada menos que dois meses.

_ Fechado.

Abro um sorriso e me sento na frente dele. Depois de pelo menos meia hora de jogo, eu saio vencedora:

_ Você me enganou. Disse que não sabia jogar. – diz ele bravo, jogando as cartas que faltavam no chão.

Dou um sorriso vendo sua frustração, e fico em pé:

_ Eu nunca falei que não sabia jogar. Eu disse que sabia algumas coisas... Então, começo a te dar ordens agora?

Ele se levanta bravo, pronto para me lançar mais algumas pragas, mas de repente, todos nós somos jogados para frente, como se tivessemos sidos puxados. Caio em cima de Derek, em um bolo de braços e pernas:

_ O que aconteceu?

Levantamos e olho para o que vem na nossa frente. A correnteza nos leva direto para uma cachoeira:

_ O que é isso?- Derek surge ao meu lado, e pelo tom de sua voz está tão surpreso quanto eu.

_ Esse é o último teste. – digo sentindo minha cabeça girar.

_ Emoções, sonhos e desejos... E agora, esse teste é sobre?

_ Força. – respondo.

 _E como vamos atravessar?

Observo o horizonte, e vejo a Ilha com pedras pontiagudas e ondas se quebrando contra elas. Ela não pode ser tão longe. Corro até a popa do navio:

_ Jade?

Giro o corpo, mas não paro de andar:

_ Mande todos se segurarem, e assuma o timão. Teremos uma longa e turbulenta viagem.

Assim que chego ao fim do navio, onde consigo ver o mar, respiro fundo e fecho meus olhos por alguns segundos, quando os abro novamente, sinto o poder correr junto ao meu sangue. Abro os braços e trago comigo toda água que consigo. Derek não tenta lutar contra a correnteza, no entanto, quando mais nos aproximamos, mas os homens atrás de mim se inquietam.

Dez metros, cinco metros, e por fim sinto o peso do navio na água que carrego. A água que está comigo vai para frente com o movimento das minhas mãos. Estamos no vazio. Sei que se para agora, iremos cair para a morte.

Minhas mãos fazem um movimento de vai e vem constante, e meus olhos não se desviam da Ilha. Deligo meus sentidos do resto. Concentro-me na água, e na distância que ainda temos que percorrer. O som do mar, misturado com meus batimentos cardíacos são as únicas coisas que percebo.

O som já passou do meio do céu, e ainda não chegamos à Ilha. Ela não aumenta nem diminui, e isso é um péssimo sinal. Sinto meu coração acelerar e minha respiração começar a se tornar mais pesada. O suor escorre em meu pescoço, e um líquido espeço passa pela minha boca. Sinto o gosto do sangue. Meu nariz voltou a sangrar.

Meu corpo dá ainda mais sinais de fatiga, conforme os minutos se arrastam. Será que o teste é ver quanto eu aguento até desmaiar de exaustão? Meus tendões doem e meus músculos parecem queimar. Sinto ondas de náuseas e parece haver milhões de pessoas batendo dentro da minha cabeça.

Quando acho que não irei mais aguentar, um lago de água aparece, e a ilha está a alguns metros. Solto a água e sinto meus joelhos falharem:

_ Jade? – Derek me segura por trás e vejo a preocupação em seu rosto- Você está exausta. – ele tira o cabelo dos meus olhos. – Por que não disse que estava tão cansada assim? Você parece que vai desmaiar.

_ Estou bem. – digo, tentando me levantar sozinha, mas quase caio novamente.

Escuto-o praguejar alguma coisa sobre minha teimosia e ele me pega no colo:

_ Chegamos à Ilha, agora você precisa descansar.

_ Eu não posso dormir, não agora.

_ Você vai dormir.

Estou tão desnorteada que mal percebo quando ele me coloca na cama. Seguro sua mão antes dele ir:

_ Promete me acordar?

Ele abre um sorriso, um dos mais bonitos que ele já deu:

_ Sempre. – ele beija minha testa. – Boa noite querida.

Assim que fecho os olhos, todo o cansaço da travessia me invade. 

 

Esperava que o sono fosse livre de sonhos, mas minhas esperanças acabam quando me vejo em uma aldeia à beira mar. A noite é iluminada por uma linda lua cheia, brilhante e tão próxima da terra que poderia tocá-la. Vejo duas silhuetas no mar, e elas parecem estar dançando. Corro até elas e percebo que a dança em questão é mortal e ao som de aços.

Duas mulheres lutam ferozmente, uma delas tem o cabelo loiro igual ao meu, enquanto a outro tem o cabelo negro como a noite que nos rodeia. De alguma maneira, sei que são as duas que Yara me mostrou antes.

Elas lutam ferozmente, mesmo tendo-me como espectadora:

_ Como você pode fazer isso? – grita a loira entre um golpe e outro, com a voz repleta de raiva. –O que foi tão importante para você vender sua alma?

A outra solta uma gargalhada:

_ Sabe muito bem o que foi. Ou melhor, quem foi.

 Ela lança um golpe que por pouco não acerta o ombro da loira. Mas isso é o suficiente para fazer com que a mulher perca o equilíbrio e caia na água. A morena avança e aponta a arma contra a garganta da oponente:

_ Adeus queridinha...

Ela sobe a arma para dar mais força, mas detrás dela, surgindo das águas aparece um homem que segura à arma sem se preocupar com o sangue que escorre da sua mão:

_ Isso não irá acontecer.

A morena se vira espantada e dá dois passos para trás:

_ O que você está fazendo aqui?

_ Protegendo minha esposa.

A morena pareceu vacilar, e quando pisquei novamente, ela estava de joelhos na água:

_ Eu te amei Sean, e foi assim que retribuiu meu amor? – seu semblante se fecha e ela se levanta. – Pois eu juro perante a Mãe Lua que você pagará por isso, nem que seja a última coisa que eu faça.

Ela então é rodeada por um redemoinho de fumaça negra. Quando a fumaça baixa, ela não está mais lá. O homem caminha até a mulher que continua na água:

_ Tudo bem?

Ela recusa a ajuda:

_ Achei que você era diferente. – diz ela tentando conter o choro.

Ela então se vira e corre em minha direção. Tento desviar, mas ela simplesmente passa direto pelo meu corpo e todo o cenário se desfaz. 

***

Abro os olhos com alguém me chacoalhando. Quando minha visão se ajusta ao crepúsculo, vejo Derek em cima de mim:

_ Hora de acordar Bela Adormecida. Você tem que comer alguma coisa.

_ Dormi por quanto tempo?

_ Algumas horas, não se desespere. É hoje não é?

Assinto com a cabeça e ele murmura um palavrão. Olho em volta e demoro um pouco para perceber que estou na cabine dele. Jogo-me para fora da cama, e procuro minhas armas com os olhos:

_ Ali no pé da cama. – responde ele antes que eu abrisse a boca.

Agradeço e coloco as armas no lugar:

_ Tenho uma coisa para você. – diz Derek assim que levanto a cabeça.

Ele abre o baú aos pés da cama e de lá tira uma armadura de metal. Ele a coloca na minha mão. Ela não é pesada, nem estática como eu achei que fose a principio. Ela parece um tecido prateado, mas que sei que fará uma grande diferença. Visto-a. A armadura se ajusta perfeitamente em meu corpo, protegendo meu peito e parando na metade das minhas coxas. Percebo alegremente que ela não prende meus movimentos. Abro um sorriso ao encará-lo. Ele também veste uma parecida:

_Obrigada.

_ Vamos matar umas imortais loucas. – diz ele sorrindo e já andando até a porta.

Assim que saímos, sou recebida por uma brisa fria. A lua brilha gloriosa num céu sem estrelas. De alguma maneira, sei que a grade batalha está próxima. Vejo os rapazes sentados aproveitando o calor do fogo. Todos eles estão armados e com as cotas de malha em cima das roupas.

Eles se aproximam de mim:

_ Pronta para isso?

Abro a boca para responder que sim, mas assim que vejo suas armas e percebo o que realmente pode acontecer essa noite, o aviso da Senhora das Profundezas vem em minha mente:

_ Nenhum de vocês irá comigo. - digo firme, olhando nos olhos de todos. – Essa luta é minha, e eu não sei o que me aguarda lá. Já arrisquei a vida de vocês muitas vezes, mas dessa vez é algo que eu tenho que fazer sozinha.

_ Ela tem razão. - diz Derek, olho para ele surpresa. – Dante, Jim e Fred ficam para cuidar do navio e isso é uma ordem. Chris eu te nomeio Capitão.

Eles tentam protestar, mas com um gesto Derek os cala. Bufo. Como pode passar pela minha cabeça que Derek iria apoiar ficar de fora?

_ Não escutou o que eu disse? Todo esse discurso que eu fiz também vale para você.

_ É claro que escutei. Mas lembra o que eu te disse quando você falou perdeu o contato com o mar?- senti minhas bochechas corarem com a lembrança. Mas levanto uma sobrancelha, esperando ele terminar. - Eu vou com você não importa aonde for. E é isso que eu vou fazer. Irei com você até aquela ilha estando por minha conta e risco.

_ Não. Você não vai. Eu não vou deixar você arriscar sua vida dessa maneira.

_ Sabe que podemos ficar brigando a noite toda não é? – diz ele calmamente.

_ Que droga Derek, você não entende. Essa ilha clama por sangue.

_ Por isso eu estarei lá. Ela clama pelo seu sangue. Como naquela ilha do Goog. Lembra como você ficou louca depois?

_Essa é uma questão totalmente diferente. – digo brava.

_ Minha decisão está tomada Jade. Então, quer ficar aqui discutindo ou acabar logo com essa profecia?

Xingo-o e ele ri, o que aumenta ainda mais minha raiva. Eu não conseguirei fazê-lo mudar de ideia. Já o conheço o suficiente para saber que ele é tão teimoso quanto eu, e assim como eu, quando coloca alguma ideia estúpida na cabeça, nenhuma força do universo é capaz de fazê-lo voltar à razão:

_ Não faça nada estúpido.

_ Eu nunca faço. – seu sorriso aumenta ainda mais quando ele repete palavras que eu usei.

_ Prometa-me que não vai correr nenhum risco desnecessário.

Ele revira os olhos:

_ Derek me prometa. – repito.

_ Tudo bem. Eu prometo.

O bote desce comigo e com Derek a bordo. A lua está tão brilhante que o caminho não é difícil de acertar. Controlar as águas até a praia é fácil, o problema é encontrar passagens seguras entre as pedras cobertas por lodo e os corais mortíferos. Durante todo o caminho, vemos que existem diveros pedaços de navios nas pedras e boiando na água.

Assim que desembarcamos na ilha, percebo que existem algumas estruturas de construções destruídas há muito tempo. Minhas botas esmagam milhares de conchas todas as vezes que piso na areia. Lembro-me da caverna escondida pela cachoeira e do baú que repousa lá dentro.

Estamos com as espadas desembanhadas. A vegetação luta contra as pedras para crescer, e todo o resto da terra se vê escondida atrás de uma parede de pedras. Ela deve ter no mínimo uns dois metros de altura, mas as pedras estão mal colocadas, então será fácil de escalar:

_ Para onde? – pergunta o moreno olhando para a muralha.

_ Para cima.

Guardo minha espada e começo a escalar. 



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