História Crônicas Sem Fim - INTERATIVA - Capítulo 1


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Tags Interativa
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Terminada Não
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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Ficha


A noite estava muito fria, mais do que habitual. No céu não havia estrelas e nem luar, como se toda beleza do céu estivesse escondida, talvez por vergonha ou simplesmente não se importava o bastante para dar o ar de suas graças. O vento assombrava fortemente, fazendo os galhos se balançarem com bastante fúria.

Um trovão quebrou o silêncio em mil pedaços, avisando que uma tempestade estava por vir e fazendo a luz da vela se tremer mais ainda. Se encolheu debaixo do cobertor. A janela estava trancada, mas sabia que do lado de fora nada se mexia, nada vivia.

Meramente fazia uma prece em silêncio, pedindo que seu amigo e salvador, voltasse bem da cidade. Verdade que nunca foi uma pessoa religiosa, no entanto sempre acreditou que as pessoas não estavam sozinhas na terra, que a vida não era um acidente ou simplesmente um acaso do destino. Havia um ser ou uma força maior do que a própria existência humana. 

Viu uma pequena mancha de sangue na coberta, dando conta que precisava trocar os curativos de sua perna, o que seria um martírio visto que havia tanta pouca luz no ambiente.

Se sentou com dificuldade, soltando um gemido ao mesmo tempo que a mola do colchão rangia. Jogou a coberta no chão, revelando suas pernas nuas e sua calcinha cor esverdeada. Começou a tirar a faixa suja de sua perna direita com muito sacrifício. Ao terminar, cravou o olhar no corte costurado, se lembrando que a dor da agulha entrando e saindo de sua carne sem nenhum tipo de anestesia foi maior do que a dor que sentia agora. Decidiu que não iria mais choramingar e que aquela ferida — que provavelmente se transformaria em uma cicatriz — seria um eterno lembrete que o mundo não era o mesmo, que as pessoas não são mais as mesmas.

Pegou os curativos que estavam em cima do criado-mudo e começou a enfaixar a perna, mordendo os lábios para não gemer. Sempre fora muito forte e nenhum corte — por mais profundo que ele seja — não a derrubaria tão fácil.

Ao terminar o processo sentiu seu estômago reclamar de fome. Sabia que na cozinha havia uma lata de milho pela metade e uma garrafa de leite morno, porém se recusava comer antes que ele voltasse de sua "missão". 

Durante o tempo que imaginava bebendo uma garrafa de leite, escutou alguém mexer na porta da sala. De imediato abriu a gaveta do criado-mudo e pegou uma pistola glock cromada e a destravou. Esperou o invasor com o dedo no gatilho e apontando para porta.

Quando a maçaneta girou, sua visão já estava meio turva e seu coração parecia que iria sair pela boca. Felizmente, na ocasião em que a porta se abriu, ela se deparou com um rosto bastante familiar.

— Por favor, queira abaixar essa arma? — pediu ele com o rosto pálido. Não importava quantas vezes teria uma arma apontada para si, nunca se acostumaria com aquilo.

— Eu pensei que fosse algum invasor. — explicou guardando a arma. — Por que não avisou que era você?

— Pensei que estava dormindo...

— Como eu poderia dormir com você lá fora com aquele monte de errantes?

Ele pode ver a preocupação no rosto da garota, e isso deixou uma queimação no estômago e uma ansiedade no peito. Entretanto, tratou de tirar qualquer esperança, em razão de, mesmo achando ela muito bonita, era apenas sua amiga e qualquer outro sentimento, seria resultado da carência e solidão visto que os dois perderam pessoas muito próximas.

— Eu trouxe sua insulina e seringas. Também encontrei comida.

Ela se sentou na cama, colocando os pés descalço no chão frio e ele se sentou ao seu lado. Ela continuava somente de calcinha e uma blusa de moletom marrom, porém não sentia nenhum tipo de acanhamento por estar assim, dado que não era a primeira vez que ele a via somente de roupa íntima. Já o garoto, tentava a todo custo não olhar para pernas dela, em razão de não querer parecer um pervertido, e acaba levando um soco na cara. 

Ele começou a tirar as coisas da mochila. No total tinha conseguido dois frascos de insulina, uma dúzia de seringas, seis latas de feijão em conserva, três latas de picles, uma lata de salsichinhas e cinco barras de cereais, mas o melhor era que ele trouxe um Bolo.

— Como você conseguiu? — perguntou com os olhos brilhantes.

— Eu entrei naquela fabrica que encontramos. Se lembra?

— Sim, mas... você se arriscou muito. É tudo isso porque eu disse que estava com saudades de comer Bolo?

— Bem... daqui uma semana é seu aniversário e eu pensei "por que não?" — explicou ele meio envergonhado.

Sob a luz da vela, ela observou seu amigo e constatou que quase não existia vestígios daquele garoto desajeitado, protegido pela mãe, que sentia somente seguro atrás de uma conta fake na internet. Agora ele estava mais confiante, mesmo que ainda tímido.

— Obrigada. De verdade — disse e em seguida envolvendo seus braços em volta do pescoço dele.



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