História CROSSFIRE - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Supernatural
Personagens Adam Milligan, Anna Milton, Castiel, Charlene "Charlie" Bradbury, Claire Novak, Dean Winchester, John Winchester, Mary Winchester, Sam Winchester
Tags Bottom!cass, Bottom!castiel, Casdean, Castiel, Deancass, Destiel, Supernatural, Tops!dean, Yaoi
Visualizações 263
Palavras 7.830
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Fluffy, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


We are the champions, my friends.
NÃO ACREDITO QUE EU TÔ AQUI DE NOVO DEPOIS DE MAIS DE CINCO MESES ( OU BEM MAIS) SEM POSTAR.
EU TÔ MUITO FELIZZZZZZ <3
Eu só quero agradecer á vocês pela paciência comigo. Sei como é chato ficar esperando uma fanfic atualizar e ela não atualiza.
Massssssss, agora voltamos com nosso AMADO, DESEJADO E GOSTOSO Cross.
O capítulo tá grandinho, vocês merecem.

Ah, quando estiver '' Stanton'' Estou me referindo ao Crowley, okay!?
Comentem e favoritem. ISSO É IMPORTANTE.
Agora sem mais delongas.

Boa leitura.

Capítulo 5 - Capítulo 5


— Então — Adam começou, — recebemos uma solicitação de proposta da vodca Kingsman, e eles mencionaram meu nome. É a primeira vez que isso acontece.

— Meus parabéns!

 — Obrigado, mas vamos deixar essa parte pra quando eu conseguir a conta. Vamos ter que mostrar serviço, se passarmos desse estágio. Eles querem fazer uma reunião comigo amanhã no fim do dia.

 — Uau. Essas coisas caminham rápido assim mesmo?

— Não. Geralmente eles esperam a gente resolver a questão da solicitação de proposta antes de pedir uma reunião, mas as Indústrias Cross acabaram de comprar a Kingsman, e a I.C. tem dezenas de subsidiárias. Se a gente conseguir a conta, vai ser um ótimo negócio. Eles sabem disso, então estão nos testando. Essa reunião é o primeiro teste.

 — Normalmente haveria mais gente, né?

— Sim, nós nos apresentaríamos como um grupo. Mas eles já sabem como as coisas funcionam. Sabem que a apresentação vai ser feita por um executivo sênior, mas que no fim vão trabalhar mesmo com um júnior como eu. Então, já me chamaram logo de uma vez e agora querem me avaliar. É quase o mesmo que pedir um currículo, então não posso acusá-los de estarem sendo exigentes demais. Meticulosos, talvez. Quando se lida com as Indústrias Cross, as coisas são assim mesmo.

Ele passou a mão pelos cabelos ondulados, deixando entrever que estava se sentindo pressionado.

— O que você acha da vodca Kingsman?

— Hã... bom... Sendo bem sincero, nunca ouvi falar.

 Adam se recostou na cadeira e soltou uma risada.

— Ainda bem. Pensei que eu fosse o único. Certo, o lado bom é que a gente não vai precisar superar nenhuma resistência. Ser desconhecido pode ser bom.

— O que eu posso fazer pra ajudar? Além de pesquisar sobre marcas de vodca e ficar aqui até mais tarde?

Seus lábios se contraíram um pouco enquanto pensava.

— Anote pra mim...

Trabalhamos sem parar, invadindo a hora do almoço e até bem depois de o escritório esvaziar, analisando os dados iniciais levantados pelos estrategistas de mercado. Passava um pouco das sete quando o celular de Adam tocou. A interrupção abrupta do silêncio me assustou.

Adam acionou o viva voz e continuou trabalhando: — Oi, amor.

 — Você deu alguma coisa pro pobre do menino comer? —  perguntou uma voz masculina do outro lado da linha. Olhando pra mim através da divisória de vidro do escritório, Adam respondeu: — Ah... esqueci.

Desviei os olhos rapidamente, mordendo o lábio inferior para esconder o riso. Ouvi uma bufada do outro lado da linha.

 — Só dois dias de emprego e você já está escravizando e matando o pobre moço de fome. Ele vai acabar pedindo demissão.

 — Droga. Você tem razão. Miguel, querido...

— Não me venha com essa de ‘'Miguel, querido'’. Ele gosta de comida chinesa?

Fiz sinal de positivo para Adam. Ele sorriu.

— Gosta, sim.

— Muito bem. Chego aí em vinte minutos. Deixe o segurança avisado.

Mais ou menos vinte minutos depois abri a porta da recepção para Miguel Purdy. Era um sujeito enorme, vestido com jeans escuro, botas de operário surradas e uma camisa de botão muito bem alinhada. Com seus cabelos negros e olhos azuis risonhos, era tão bonito quanto seu companheiro, mas de uma beleza bem diferente. Nós nos sentamos em torno da mesa de Adam, servimos o frango kung pão e a carne com brócolis em pratos de papel, acrescentamos arroz branco e mandamos ver com os palitinhos.

Descobri que Miguel era um empreiteiro e que namorava Adam desde a época da faculdade. Ao ver os dois interagindo, senti um misto de admiração e inveja. O relacionamento dos dois dava tão certo que era uma alegria passar um tempo com eles.

— Santo Deus, meu filho — Miguel disse depois de soltar um assovio quando me servi pela terceira vez. — Isso é que é disposição. Para onde vai tudo isso?

Encolhi os ombros.

— Acho que fica tudo lá na academia. Isso justifica?

— Não ligue pra ele — interrompeu Adam, sorrindo. — Miguel está com inveja. Ele precisa se cuidar para não virar uma matrona.

— Minha nossa — Miguel fuzilou seu companheiro com um olhar de censura. — Eu poderia levar você pra almoçar com o pessoal da obra. Dava pra ganhar um bom dinheiro apostando quanto você consegue comer.

Eu sorri.

 — Ia ser divertido.

— Rá. Sabia que você era do tipo saidinho. Seu sorriso diz tudo.

Olhando somente para minha comida, eu me recusei a deixar minha mente divagar pelas lembranças de como tinha sido muito mais do que saidinho na minha fase mais rebelde e autodestrutivo.

 Foi Adam quem me salvou.

— Pare de assediar meu assistente. E o que você sabe sobre homens saidinhos, aliás?

 — Conheço alguns que curtem sair com gays. Eles gostam da forma como a gente encara a coisa. — Ele abriu um sorriso. — E sei algumas outras coisinhas também... Ei, não precisam ficar tão chocados, vocês dois. Eu só queria saber se o sexo com homens héteros era tudo isso que dizem.

Obviamente, isso era novidade para Adam, mas, pela maneira como ele sorriu, deu para ver que tinha confiança suficiente em seu relacionamento para achar aquela conversa toda engraçada.

— Ah, é?

 — E o que você achou? — arrisquei-me a perguntar.

Miguel encolheu os ombros.

— Não diria que é algo superestimado, eles são muito brutos e só ligam para o próprio prazer, e também porque não sou a pessoa certa pra julgar e tive uma experiência bem limitada, mas consigo viver sem.

 Achei muito atencioso da parte de Miguel relatar sua experiência a partir de uma perspectiva que fazia sentido para Adam. Eles costumavam conversar também sobre suas carreiras e sabiam ouvir um ao outro a esse respeito, apesar de atuarem em campos muito diferentes.

— Considerando o tipo de vida que você leva hoje — Adam disse a ele, pegando um pedaço de brócolis com seus palitinhos — eu diria que é sorte sua que seja assim.

Quando terminamos de comer, já eram oito horas, e a equipe de limpeza já havia chegado. Adam fez questão de chamar um táxi para mim.

— Quer que eu chegue mais cedo amanhã? — perguntei.

Miguel bateu no ombro de Adam com o seu.

— Você deve ter feito alguma coisa de bom em uma vida passada para ganhar um assistente como esse.

— Acho que aturar você nesta vida foi o suficiente —  rebateu Adam, irônico.

— Ei — protestou Miguel — eu sou educadíssimo. Abaixo a tampa do vaso direitinho.

Adam me lançou um olhar fingindo irritação, mas repleto de carinho por seu companheiro.

— E o que isso tem a ver?

.

.

.

 

 Adam e eu trabalhamos duro na quinta-feira inteira, a fim de nos preparar para a reunião das quatro da tarde com o pessoal da Kingsman. Tivemos um almoço muito produtivo com dois funcionários da área de criação, que iam participar da campanha caso conseguíssemos a conta; mais tarde analisamos os dados sobre o posicionamento da empresa na internet e sua penetração nas mídias sociais.

Fiquei meio tenso quando vi que eram três horas, porque sabia que o trânsito poderia estar complicado, mas Adam continuou trabalhando normalmente mesmo depois de eu dizer que horas eram. Faltavam vinte para as quatro quando ele saiu da sua sala com um sorriso no rosto, ainda terminando de vestir o paletó.

— Vamos lá, Castiel.

 Lancei um olhar de surpresa para ele da minha mesa.

 — Sério?

— Ei, você deu um duro danado me ajudando a preparar tudo. Não quer ver como as coisas funcionam?

— Claro que sim. — Fiquei de pé em um pulo. Sabendo que minha aparência contaria pontos para meu chefe, alisei a calça preta com a mão e ajeitei as mangas longas da minha camiseta de seda. Por um acaso do destino, a blusa era vermelha, combinando perfeitamente com a gravata de Adam. — Obrigado.

Entramos no elevador e levei um pequeno susto quando senti que ele subia ao invés de descer. Ao chegarmos ao último andar, vi que o hall de entrada era consideravelmente maior e mais luxuoso que o do vigésimo. Vasos suspensos de samambaias e lírios preenchiam o ar com uma fragrância suave, e em uma porta de vidro opaco lia-se INDÚSTRIAS CROSS em letras grossas e masculinas.

A porta foi aberta para nós, e pediram que aguardássemos um momento. Ambos recusamos a água e o cafezinho e, menos de cinco minutos depois, fomos conduzidos até uma sala de reunião com a porta fechada. Adam olhou para mim com um brilho nos olhos quando a recepcionista pôs a mão na maçaneta da porta.

 — Está pronto?

Eu sorri.

— Estou.

A porta se abriu, e eu fui o primeiro a ser conduzido para dentro. Fiz questão de abrir um enorme sorriso ao entrar... um sorriso que se congelou no meu rosto ao ver o homem que estava diante de mim logo na entrada da sala.

Minha parada repentina bloqueou a passagem, e Adam acabou trombando nas minhas costas, arremessando-me para a frente aos tropeções. O Loiro Perigoso me apanhou pela cintura, tirando meus pés do chão e me obrigando a me amparar em seu peito. O ar foi arrancado de dentro de mim com o impacto, assim como o restante de bom senso que eu ainda possuía. Mesmo com as diversas camadas de tecido que havia entre nós, pude sentir que seus bíceps endureceram como pedra sob o contato das minhas mãos, e que sua barriga contra a minha era uma massa compacta de músculos. Quando ele respirou perto de mim, meus mamilos endureceram, estimulados pela expansão do peito dele.

 Ah, não. Eu só poderia estar sob uma maldição. Uma rápida sequência de imagens passou pela minha mente, mostrando as mil e uma maneiras como eu poderia tropeçar, cair, escorregar ou me esborrachar na frente daquele deus do sexo ao longo dos próximos dias, semanas ou até meses.

 — Olá de novo — ele murmurou, e a vibração de sua voz fez meu corpo todo se enrijecer. — É sempre um prazer topar com você, Castiel.

Fiquei vermelho de vergonha e de desejo, incapaz de tomar a atitude de me afastar, apesar da presença de outras duas pessoas na sala. O fato de a atenção dele estar toda voltada para mim também não ajudava — seu corpo firme irradiava uma impressão irresistível de um desejo poderoso.

— Senhor Cross — disse Adam atrás de mim. — Desculpe a entrada meio abrupta.

 — Não precisa se desculpar. Foi uma entrada memorável.

Cambaleei sobre os sapatos quando Cross me pôs de volta no chão, com os joelhos trêmulos em virtude do intenso contato corporal. Ele estava mais uma vez de preto, com uma camisa e uma gravata em um tom claro de cinza. Como sempre, estava lindo de morrer.

Como deve ser ter essa aparência? Com certeza, em todo lugar por onde passava ele causava uma comoção.

Chegando até mim, Adam me amparou e me ajudou a retomar o equilíbrio com toda a gentileza.

O olhar de Cross se concentrou na mão de Adam no meu cotovelo até que ele me soltasse.

— Muito bem. Vamos lá, então. — Adam retomou sua postura. — Esta é meu assistente, Castiel Novak.

— Nós já nos conhecemos. — Cross puxou uma cadeira ali perto. — Castiel.

 Olhei para Adam em busca de orientação, ainda tentando me recuperar dos momentos em que havia ficado a milímetros daquele supercondutor sexual escondido sob um terno Fioravanti.

 Cross se aproximou em silêncio e ordenou: — Sente-se, Castiel.

Adam acenou com a cabeça, mas eu já estava me soltando sobre a cadeira ao comando de Cross. Meu corpo obedeceu instintivamente antes que minha mente compreendesse a situação e fizesse alguma objeção.

 Fiz de tudo para passar despercebido a hora seguinte, durante a qual Adam foi duramente questionado por Cross e as diretoras da Kingsman, duas morenas bonitas, vestidas com terninhos elegantes. A de lilás fazia questão de chamar a atenção de Cross o tempo todo, enquanto a de terninho creme se concentrava no meu chefe. Todos pareciam bastante impressionados com a capacidade de Adam de explicar como o trabalho da agência — e seu modo de trabalhar com o cliente — agregaria valor à marca.

O fato de Adam permanecer tão tranqüilo sob pressão me deixou admirado — ainda mais sob uma pressão exercida por Cross, que comandava o andamento da reunião sem fazer o menor esforço.

— Muito bom, senhor Milligan — Cross elogiou casualmente quando as conversas se encerraram. — Estou ansioso para ver sua resposta à solicitação de proposta quando for a hora. O que levaria você a se sentir tentado a experimentar a Kingsman, Castiel?

Com o susto, comecei a piscar sem parar.

— Como?

 A intensidade de seus olhos era avassaladora. Senti que toda a sua atenção estava voltada para mim, o que só me fez admirar ainda mais a tranqüilidade de Adam, que foi obrigado a argumentar sob o peso daquele olhar por uma hora.

A cadeira de Cross estava voltada para mim, fazendo com que ele me olhasse bem de frente. Seu braço direito repousava sobre a superfície lisa da mesa, com seus longos e elegantes dedos tamborilando sobre o tampo do móvel. Dei uma olhada furtiva em seu pulso por baixo do paletó e, por alguma estranha razão, a visão daquela pequena parcela de pele dourada coberta de pelos escuros fez meu membro implorar por atenção. Ele era tão... másculo.

Ele refez a pergunta:

— Qual dos conceitos sugeridos por Adam você prefere?

 — Acho que são todos brilhantes.

Seu lindo rosto permaneceu impassível enquanto ele dizia:

— Posso mandar todo mundo sair da sala para ter uma opinião sincera, se é isso que você quer.

 Meus dedos se enrodilhavam pelas extremidades dos apoios de braço da minha cadeira.

— Acabei de dar uma opinião sincera, senhor Cross, mas, se faz questão de saber, acho que luxúria lasciva a um preço acessível terá mais apelo entre o público em geral. Mas não sei se...

— Eu concordo. — Cross se levantou e abotoou o paletó. — Aí está seu ponto de partida, senhor Milligan. Retomamos o assunto na semana que vem.

 Fiquei ali sentado por um momento, aturdido com o rumo que as coisas haviam tomado. Então olhei para Adam, que parecia oscilar entre o espanto e o encantamento.

 Eu me levantei e fui o primeiro a tomar o caminho da porta. Minha atenção estava toda voltada para Cross, posicionado atrás de mim. A maneira como ele se movia, com uma elegância natural e uma economia de gestos absurda, era um atrativo excepcional. Eu não conseguia imaginá-lo na cama como outra coisa além de dominante e agressivo, deixando qualquer homem e mulher loucos de desejo de fazer tudo o que ele mandasse.

Cross não saiu de perto de mim até chegarmos aos elevadores. Ele e Adam conversaram brevemente sobre os últimos eventos esportivos, mas, ao que parece, eu estava concentrado demais no efeito que ele causava sobre mim para me preocupar com conversas sem importância. Quando o elevador chegou, soltei um suspiro de alívio ao embarcar sozinho com Adam.

— Só um momento, Castiel. — Cross disse suavemente, puxando-me de volta pelo cotovelo. — Daqui a pouco ele desce, ele informou para Adam quando a porta do elevador se fechou diante de seu rosto atônito.

Cross não disse nada enquanto o elevador ainda estava por perto; depois acionou novamente o botão e em seguida perguntou:

— Você está dormindo com alguém?

 A pergunta foi feita de maneira tão casual que eu demorei um pouco para registrar o que ele havia dito.

Inspirei profundamente.

— Por que está me perguntando isso?

Vi no seu olhar a mesma coisa que havia notado da primeira vez em que nos encontramos — uma energia absurda e um controle absoluto sobre mim. O que me fez dar um passo para trás involuntariamente. De novo. Pelo menos dessa vez eu não caí; já era alguma coisa.

 — Porque eu quero comer você, Castiel. Então preciso saber se existe alguém atrapalhando meus planos.

 A compressão súbita que senti entre minhas coxas me obrigou a procurar apoio na parede para manter o equilíbrio. Ele chegou mais perto e me escorou, mas eu o mantive à distância com uma das mãos.

— Talvez eu não esteja interessado, senhor Cross.

Um esboço de sorriso transpareceu em seus lábios e fez o que parecia impossível: deixou-o ainda mais bonito. Minha nossa...

 A campainha assinalando a aproximação do elevador me causou um sobressalto, de tão tenso que eu estava. Eu nunca tinha me sentido tão excitado na minha vida. Nunca tinha me sentido tão implacavelmente atraído por outro ser humano. Nunca tinha me sentido tão ofendido por alguém que me atraía.

 Entrei no elevador e me virei para ele. Cross sorriu.

— Até a próxima, Castiel.

As portas se fecharam e eu desmoronei sobre o corrimão de bronze, tentando me recompor. Mal havia me endireitado novamente quando a porta se abriu e eu vi Adam andando de um lado para o outro no hall de entrada do nosso andar.

 — Meu Deus, Castiel. — Adam murmurou, interrompendo-se de repente. — O que foi aquilo?

— Não faço a menor idéia — fui logo dizendo, louco para compartilhar a conversa confusa e ultrajante que havia tido com Cross, mas sabendo que meu chefe não era a pessoa mais indicada para isso. — Mas que diferença faz? Você já sabe que a conta é nossa.

Ele abriu um sorriso.

— Acho que é mesmo.

— Como diz minha amiga, você devia comemorar. Quer que eu faça uma reserva em um restaurante para você e Miguel?

 — Por que não? No Pure Food and Wine às sete, se conseguir. Se não der certo, nos surpreenda.

Mal havíamos voltado ao escritório de Adam quando ele foi interceptado pelos executivos — Michael Waters, CEO e presidente, além de Christine Field e Walter Leaman, a diretora-executiva e o vice-presidente do conselho, respectivamente.

Passei pelos quatro com a maior discrição possível e me recolhi à minha mesa.

Liguei para o Pure Food and Wine e implorei por uma mesa para dois. Depois de infinitas súplicas, a hostess enfim cedeu.

Deixei uma mensagem no correio de voz de Adam:

— Hoje é mesmo seu dia de sorte. Seu jantar está confirmado para as sete. Divirta-se!

Depois disso fui embora, ansioso para chegar logo em casa.

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— Ele disse o quê? — Claire estava sentada no canto oposto do sofá modulado branco, balançando a cabeça negativamente.

— Pois é! — Dei mais um gole no meu vinho. Era um sauvigon blanc gelado no ponto certo, que eu havia comprado a caminho de casa. — Minha reação também foi essa. Até agora não sei se essa conversa não foi uma alucinação causada por excesso de feromônios.

— E então?

Apoiei as pernas sobre o sofá e me recostei no canto.

 — E então o quê?

— Você sabe o quê, Castiel. — Apanhando seu netbook de cima da mesa de centro, Claire o posicionou sobre suas pernas cruzadas. — Vai deixar essa passar?

— Eu nem conheço o cara. Não sei nem o nome dele, e ele já me vem com uma proposta dessas.

 — Ele sabe o seu. — Claire começou a digitar no teclado. — E essa história da vodca? De pedir uma reunião com seu chefe?

A mão que eu estava passando pelos cabelos ficou paralisada.

— Adam é muito talentoso. Se Cross tiver algum bom senso para os negócios, vai saber aproveitar e explorar isso muito bem.

 — Da capacidade dele para os negócios eu não duvido. — Claire virou seu netbook e mostrou o site das Indústrias Cross, que ostentava uma belíssima foto do Crossfire. — Esse prédio é dele, Castiel. Dean Cross Winchester é o dono do Crossfire.

Droga. Meus olhos se fecharam. Dean Cross. O nome combinava com ele. Era sexy, elegante e másculo como seu dono.

— Ele tem um departamento só para cuidar do marketing das subsidiárias. Um departamento com dezenas de pessoas, talvez.

— Pare com isso, Claire.

— Ele é bonito, rico e quer ir pra cama com você. Qual é o problema?

Olhei bem para ele.

— Vai ser muito esquisito esbarrar com ele o tempo todo. Quero ficar um bom tempo nesse emprego. Gosto muito do trabalho. Gosto muito de Adam. Ele me deixou fazer parte do processo, estou aprendendo muito com ele.

— Lembra o que o doutor Travis falou sobre riscos calculados? Quando seu analista diz pra você correr riscos, você ganha esse direito. Quer dizer que você pode lidar com isso. Você e Cross são duas pessoas adultas. —  Ele voltou a atenção novamente para a busca que fazia na internet. — Uau. Sabia que ainda faltam dois anos para ele fazer trinta? Imagine só a disposição...

— Imagine só a grosseria. Fiquei ofendido com o jeito como ele falou comigo. Detesto me sentir como um pênis ambulante.

Claire parou e se virou para mim, seus olhos exalando compaixão.

— Desculpe, gato. Você é tão forte, tão mais forte do que eu. Duvido que cairia nas ciladas em que caio.

 — Não acho que eu seja tão forte assim, pelo menos não o tempo todo. — Desviei o olhar, porque não queria falar sobre tudo o que enfrentamos no passado. — Não que eu queira namorar ou coisa do tipo. Mas existem outras maneiras de dizer que você quer ir pra cama com um homem.

— Você tem razão. Ele é bem arrogante e pretensioso. Que fique morrendo de tesão por você até subir pelas paredes. Vai ser um castigo merecido.

Isso me fez rir. Claire sempre conseguia me fazer rir.

— Duvido que alguma vez ele tenha subido pelas paredes por causa de alguém, mas é uma fantasia divertida.

Ela fechou o netbook em uma atitude resoluta.

— O que vamos fazer hoje à noite?

 — Pensei em ir ver a aula de krav maga daquele sujeito do Brooklyn. — Eu tinha feito uma pesquisa durante a semana, depois de conhecer Ruby Smith no treino na academia, e a ideia de dispor de uma válvula de escape tão enérgica e brutal para o estresse me parecia cada vez mais interessante.

Eu sabia que não seria o mesmo que trepar loucamente com Dean Cross, mas achava que seria bem menos perigoso para minha saúde.

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— Sua mãe e Crowley não vão deixar você vir até aqui tantas noites por semana — comentou Claire, encolhendo-se dentro de sua estilosa jaqueta de brim, apesar de o tempo não estar muito frio.

O antigo galpão que Ruby Smith usava como local de trabalho era uma construção com fachada de tijolos aparentes em uma antiga área industrial do Brooklyn que naquele momento lutava para se revitalizar. O espaço era bem amplo, e as enormes portas de metal, antes usadas para embarque e desembarque de carga, tornavam impossível adivinhar o que estava acontecendo lá dentro. Claire e eu nos sentamos nas arquibancadas, observando meia dúzia de lutadores treinando no tatame ali abaixo.

— Ai. — Até eu me encolhi ao ver um deles levar um chute na região da virilha. Mesmo usando equipamento de proteção, aquilo parecia doloroso. — Como é que o Crowley vai descobrir, Claire?

 — Você vai acabar no hospital! — Ela olhou bem para mim. — Falando sério. Krav maga é muito violento. Eles estão só treinando, e é a maior pancadaria. Seu padrasto vai descobrir mesmo que você consiga esconder os hematomas. Ele sempre descobre.

 — Por causa da minha mãe! Ela conta tudo pra ele. Mas eu não vou dizer nada pra ela sobre isto aqui.

— Por que não?

— Ela não entenderia. Ia achar que eu quero me proteger por causa do que aconteceu, e vai se sentir culpada, fazer um dramalhão. Ela não ia acreditar que só quero me exercitar pra aliviar o estresse.

Apoiei o queixo na palma da mão e vi Ruby ir até o centro do tatame com outra mulher. Ela era uma boa instrutora. Paciente e atenciosa, explicava tudo de uma maneira fácil de entender. Parker dava aula em uma região bem barra-pesada, mas onde tudo aquilo que era ensinado fazia sentido. Nada é capaz de reproduzir melhor a sensação de insegurança do que um enorme galpão vazio.

— Essa Parker é uma gata. — murmurou Claire.

— E usa aliança.

— Percebi. Os bons partidos são sempre os primeiros a sair do mercado.

Parker veio falar conosco depois da aula, com seus olhos pretos brilhantes e seu sorriso ainda mais reluzente.

— O que você achou, Castiel?

— Onde eu me matriculo?

Seu sorriso sexy fez Claire apertar minha mão até quase interromper a circulação sanguínea.

— Logo ali.    

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A sexta-feira começou muito bem. Adam me explicou o processo de coleta de informações para preencher uma solicitação de proposta e me contou um pouco mais sobre as Indústrias Cross e sobre Dean Cross, fazendo questão de assinalar que eles dois tinham a mesma idade.

— Tenho que ficar me lembrando disso o tempo todo —  disse Adam. — É bem fácil esquecer que Dean é assim jovem quando se está diante dele.

— Verdade — concordei, sem querer admitir que estava triste por saber que não veria Cross por dois dias. Por mais que dissesse a mim mesmo que isso não faria nenhuma diferença, eu estava desapontado. Só me dei conta de que estava animado com a possibilidade de nos encontrarmos quando ela deixou de existir. Ficar perto de Dean era excitante demais. Além disso, olhar para ele era uma experiência e tanto. Eu não tinha nada nem ao menos parecido para fazer no fim de semana.

Estava tomando algumas notas no escritório de Adam quando ouvi o telefone tocar. Pedi licença e fui correndo atender.

— Escritório de Adam Milligan.

— Castiel, querido. Como vai?

Afundei na cadeira ao ouvir a voz do meu padrasto. Stanton soava como um aristocrata para mim — culto, poderoso e arrogante.

— Crowley. Está tudo bem? Tudo certo com a mamãe?

— Sim. Está tudo bem. Sua mãe está ótima, como sempre.

Seu tom de voz se atenuava quando ele falava da mulher, e eu ficava grato por isso. Era grato a meu padrasto por vários motivos, na verdade, mas às vezes era difícil admitir isso sem me sentir desleal. Eu sabia que meu pai se sentia incomodado com a enorme diferença entre as contas bancárias dos dois.

 — Que bom — eu disse aliviado.

— Fico feliz.

— Vocês receberam meu bilhete agradecendo o vestido de Claire e o meu smoking ?

— Sim, foi muita consideração da sua parte, mas você sabe que não precisa nem agradecer. Só um momento. — Ele falou com alguém, provavelmente a secretária. — Castiel, querido. Eu gostaria de almoçar com você hoje. Vou mandar Clancy ir buscar você.

— Hoje? Mas a gente vai se ver amanhã à noite. Não dá pra esperar até lá?

 — Não, precisa ser hoje.

 — Mas eu só tenho uma hora de almoço.

 Um tapinha no meu ombro me alertou para a presença de Adam na minha baia.

— Pode tirar duas horas. — ele sussurrou. — Você merece.

Soltei um suspiro e agradeci silenciosamente.

— Pode ser ao meio-dia, Crowley?

— Perfeito. Estou ansioso para ver você.

Eu não tinha nenhuma razão para aguardar ansiosamente um encontro com Stanton, mas ainda assim saí pouco antes do meio-dia e encontrei um carro parado no meio-fio esperando por mim. Clancy, motorista e guarda-costas de Stanton, abriu a porta quando o cumprimentei. Ele assumiu seu lugar ao volante e tomou o caminho do centro. Vinte minutos depois, eu estava sentado em uma sala de reunião anexa ao escritório do meu padrasto, diante de uma refeição lindamente servida para duas pessoas.

Stanton entrou na sala logo depois de mim, com sua aparência distinta e impecável. Seus cabelos eram totalmente negros, e seu rosto era bem delineado e ainda muito bonito. Seus olhos tinham uma cor de brim lavado, e brilhavam, inteligentes. Ele era magro e atlético, sempre conseguia arrumar um tempinho em seus dias ocupados para se exercitar, mesmo antes de se casar com a esposa modelo — minha mãe.

 Eu me levantei, e ele me deu um beijo na bochecha.

— Você está lindo, Castiel.

 — Obrigado. — Eu era muito parecido com minha mãe, que também era loira. Mas os olhos azuis eram do meu pai.

Sentando-se em uma cadeira na ponta da mesa, Stanton tinha consciência da paisagem que se descortinava atrás dele, com os prédios de Nova York, e sabia tirar vantagem da impressão que causava.

— Coma. — ele disse com a voz de comando tão facilmente entoada pelos homens poderosos. Homens como Dean Cross.

Será que Stanton era tão determinado quanto Cross quando tinha sua idade? Apanhei o garfo e ataquei a salada de frango, nozes, queijo feta e frutas vermelhas. Estava uma delícia, e eu tinha fome. Fiquei feliz por Stanton não ter começado a falar imediatamente, pois assim podia apreciar a refeição, mas o silêncio não durou muito.

 — Castiel, querido, eu gostaria de conversar sobre esse seu interesse por krav maga.

Fiquei paralisado.

— Como é?

Crowley tomou um gole de água gelada e se recostou, com o maxilar contraído de uma forma que avisava que eu não ia gostar do que ele estava prestes a dizer.

— Sua mãe ficou preocupadíssima ontem à noite quando você foi àquele lugar no Brooklyn. Demorou um tempo para ela se acalmar e se convencer de que eu poderia tomar providências para que você faça isso de maneira segura. Ela não quer...

— Espere. — Eu larguei meu garfo cuidadosamente, já sem o menor apetite. — Como é que ela sabe aonde eu fui?

— Ela rastreou seu celular.

— Não acredito! — Eu respirei fundo, desabando na cadeira. A tranqüilidade com que ele deu essa resposta, como se fosse a coisa mais natural do mundo, me deixou enojado. Senti algo no estômago, que subitamente parecia mais interessado em rejeitar o conteúdo do almoço do que em digeri-lo. — Foi por isso que ela insistiu que eu usasse um telefone da empresa. Não tinha nada a ver com economia.

— Claro que um dos motivos era esse. Mas assim ela também podia ter paz de espírito.

— Paz de espírito? Espionando o próprio filho, um homem adulto? Isso não é saudável, Crowley. Você precisa entender. Ela ainda faz terapia com o doutor Petersen?

Stanton pareceu incomodado.

— Sim, é claro.

— Ela conta pra ele o que anda fazendo?

 — Não sei. — ele respondeu, seco. — Isso é assunto dela. Eu não interfiro.

 É claro que ele interferia. Stanton a pajeava o tempo todo, fazia tudo para agradá-la e mimá-la. Ele permitia que a obsessão dela pela minha segurança alcançasse proporções descomunais.

— Ela precisa pôr uma pedra sobre tudo o que aconteceu. Eu já fiz isso.

— Você era um menino inocente, Castiel. Ela se sente culpada por não ter conseguido proteger você. Precisamos ter um pouquinho de tolerância.

— Tolerância? Ela invadiu minha privacidade! — Minha cabeça estava a mil. Como minha mãe tinha coragem de desrespeitar minha individualidade daquela forma? E por que fazia aquilo? Ela estava ficando maluca e me enlouquecendo junto. — Isso precisa acabar.

 — Não tem problema nenhum. Já conversei com Clancy. Ele vai levar você quando precisar ir ao Brooklyn. Está tudo combinado. Vai ser muito melhor para você.

— Não tente fingir que o maior beneficiado sou eu. — Meus olhos estavam ardendo e minha garganta queimava com o choro e a frustração contidos. Detestei a maneira como ele se referiu ao Brooklyn, como se fosse um país subdesenvolvido. — Sou um homem adulto. Posso tomar minhas próprias decisões. Existe uma lei que diz isso!

— Não precisa elevar o tom de voz comigo, Castiel. Estou apenas fazendo o melhor para sua mãe. E para você.

Eu me afastei da mesa.

 — Você está incentivando esse comportamento. Está mantendo ela doente, e me deixando doente também.

— Sente-se. Você precisa comer. Naomi está preocupada, acha que você não está se alimentando direito.

 — Ela se preocupa com tudo, Crowley. Esse é o problema. — Larguei meu guardanapo sobre a mesa. — Preciso voltar ao trabalho.

Dei as costas, tomando imediatamente o caminho da porta para sair dali o quanto antes. Peguei minha mochila com a secretária e deixei meu celular em cima da mesa dela. Clancy, que estava me esperando na recepção, veio atrás de mim, e eu sabia que não adiantava tentar dispensá-lo. Ele seguia as ordens de Stanton e de mais ninguém.

 Clancy me levou de volta enquanto eu fumegava no banco de trás. Eu poderia reclamar o quanto quisesse, mas no fim não era muito diferente do meu padrasto, porque no fim acabaria cedendo. Eu ia deixar minha vontade de lado e fazer o que minha mãe queria, porque a ideia de fazê-la sofrer ainda mais era de cortar o coração. Ela era emotiva e sensível demais, e me amava a ponto de enlouquecer por causa disso.

Eu estava de péssimo humor ao chegar ao Crossfire. Quando Clancy me deixou no meio-fio, olhei para os dois lados na calçada lotada à procura de um mercadinho para comprar chocolate ou de uma loja para arrumar um celular novo.

Acabei dando uma volta no quarteirão e comprando meia dúzia de chocolates na farmácia da esquina antes de entrar no prédio. Só fazia uma hora que eu tinha saído, mas eu não estava a fim de usar a hora a mais que Adam havia me concedido. Precisava trabalhar para esquecer minha família perturbada.

 Ao entrar sozinho no elevador, rasguei a embalagem de uma barra de chocolate e a mordi furiosamente. Estava disposto a consumir toda a minha cota de chocolate antes de chegar ao vigésimo andar, mas o elevador parou no quarto. Gostei da ideia de ter um tempo extra para deixar o chocolate e o caramelo derreterem na minha língua.

 A porta abriu, revelando a figura de Dean Cross, que conversava com dois outros homens.

 Como sempre, fiquei sem ar diante dele, o que só reacendeu minha raiva, que já estava começando a diminuir. Por que ele tinha aquele efeito sobre mim? Quando eu conseguiria ficar imune a ele?

Ele olhou para dentro. Ao me ver, seus lábios se curvaram em um sorriso de tirar o fôlego.

Que ótimo. Que sorte a minha. Eu agora era uma espécie de desafio para ele. O sorriso de Cross se desfez em uma expressão séria.

— Falamos sobre isso mais tarde. — ele murmurou para seus companheiros sem tirar os olhos de mim.

Cross entrou no elevador e os dispensou com um gesto de mão. Eles pareceram surpresos. Olharam para mim, para Cross, e depois para mim de novo.

Fiz menção de sair, ciente de que seria melhor para minha saúde mental pegar outro elevador.

— Por que a pressa, Castiel? — Ele me agarrou pelo cotovelo e me puxou de volta. A porta fechou e o elevador se pôs suavemente em movimento.

— O que você está fazendo? — protestei. Depois de ter que lidar com Stanton, a última coisa de que eu precisava era de outro macho dominante me dando ordens.

 Cross agarrou meus braços e forçou o contato visual. Seus olhos verdes eram intensos.

— Tem alguma coisa incomodando você. O que é?

Aquele aperto afetou ainda mais meu mau humor, e a eletricidade que eu sabia existir entre nós enfim se manifestou.

— Você.

— Eu? — Seus dedos aliviaram a pressão sobre meus ombros. Depois de me soltar, ele tirou uma chave solitária do bolso e a enfiou no painel. Todos os botões se apagaram, a não ser o do último andar.

 Ele estava vestido de preto de novo, com riscas de giz em cinza. Vê-lo de costas foi uma revelação. Seus ombros eram largos sem serem ostensivos, realçando sua cintura bem delineada e suas pernas compridas. Os cabelos sedosos roçando o colarinho me despertaram o desejo de agarrá-los e puxá-los. Com força. Eu o desejava com toda a minha raiva. Estava disposto a uma boa briga.

 — Não estou nem um pouco a fim desse tipo de conversa, senhor Cross.

Ele observava o mostrador em estilo antigo acima da porta passar pelos números dos andares que deixávamos para trás.

— Posso deixar você a fim.

— Não estou interessado.

Cross olhou para mim por cima do ombro. Sua camisa e sua gravata tinham o mesmo tom esverdeado de sua íris. O efeito do conjunto era devastador.

— Não minta pra mim, Castiel. Nunca.

— Não é mentira. E daí que eu me sinto atraído por você? A maioria dos homens e mulheres deve se sentir. —  Embrulhei o pedaço de chocolate que havia restado e joguei de volta na sacola, que enfiei dentro da bolsa. Quando estava com Dean Cross, eu não precisava de chocolate. — Mas não estou interessado em levar isso adiante.

 Então ele se virou para mim, lentamente, com um esboço de sorriso percorrendo sua boca tentadora. Sua tranqüilidade e impassibilidade me deixaram ainda mais descontrolado.

— Atração é uma palavra civilizada demais para... — ele percorreu com a mão o espaço entre nós — isto.

— Pode me chamar de maluco, mas eu preciso gostar de um cara antes de tirar a roupa na frente dele.

— Eu não diria maluco. Mas não tenho tempo nem disposição pra namoros.

 — Pois então somos dois. Ainda bem que tiramos isso a limpo.

Ele chegou mais perto, erguendo a mão na direção do meu rosto. Eu me obriguei a não lhe dar a satisfação de me esquivar ou parecer intimidado. Ele esfregou o polegar na minha boca, levou-o até a dele, chupou a ponta do dedo e sussurrou:

 — Chocolate e você. Que delícia.

Senti um tremor pelo corpo todo, seguido por uma compressão entre minhas pernas ao me imaginar lambendo aquele corpo absurdamente sexy regado com chocolate.

Seu olhar se tornou mais intenso e sua voz baixou para um tom de intimidade.

— Romance não é meu forte, Castiel. Mas conheço mil maneiras de fazer gozar. Basta você querer.

O elevador parou subitamente. Ele tirou a chave do painel e a porta abriu. Eu me encolhi em um canto e fiz um sinal com a mão para que ele se afastasse.

— Realmente não estou interessado.

— Veremos.

 Cross me pegou pelo cotovelo e, de maneira gentil mas insistente, me pôs para fora.

Fui junto com ele porque gostava da emoção de estar a seu lado, e também porque estava curioso para saber o que Cross diria se interagíssemos por mais de cinco minutos, para variar.

A porta abriu tão rapidamente que não foi preciso nem diminuir o passo. A bonita ruiva da recepção se levantou depressa, ansiosa para transmitir alguma informação enquanto ele balançava a cabeça demonstrando impaciência. Ela se calou e ficou me encarando enquanto passávamos a passos largos.

Felizmente, o corredor que levava à sala dele era curto. Seu secretário se levantou diante da aproximação do chefe, mas ficou em silêncio ao perceber que ele não estava sozinho.

 — Não passe nenhuma ligação, Jace. — disse Cross, conduzindo-me a seu escritório através da porta dupla de vidro.

Apesar da irritação, não pude deixar de me impressionar com a espaçosa sala de comando de Dean Cross. Janelas panorâmicas exibiam a cidade de ambos os lados, como uma parede de vidro envolvendo o escritório. A única parede não transparente, bem na frente de sua enorme mesa, era coberta de monitores exibindo notícias em tempo real de canais de notícias do mundo inteiro. Havia três ambientes distintos, todos maiores que o escritório inteiro de Adam, e um bar com decanters de cristal, que proporcionavam os únicos pontos coloridos em uma decoração em que predominavam o preto, o branco e o cinza.

 Cross apertou um botão na mesa e a porta se fechou. Logo em seguida a parede de vidro ficou opaca, protegendo-nos dos olhos dos funcionários. Com os filmes instalados nas janelas, nossa privacidade estava garantida. Ele tirou o paletó e o pendurou em um cabide cromado. Depois voltou para onde eu estava desde o momento em que entramos.

— Quer beber alguma coisa, Castiel?

 — Não, obrigado. — Droga. Ele estava ainda mais gostoso só de colete. Dava para ver melhor como seu corpo era bonito. Como seus ombros eram fortes. Como seus bíceps se flexionavam lindamente quando ele se mexia.

 Cross apontou para um sofá de couro preto.

— Pode sentar.

— Preciso voltar ao trabalho.

 — E eu tenho uma reunião às duas. Quanto mais cedo resolvermos isso, mais depressa podemos voltar ao trabalho. Agora pode sentar.

— O que exatamente nós temos que resolver?

Soltando um suspiro, ele me pegou pelo braço, conduziu-me até o sofá e se sentou ao meu lado.

— Suas objeções. Está na hora de discutir o que pode fazer você querer dar pra mim.

 — Um milagre. — Eu me afastei, ampliando o espaço entre nós. Puxei para baixo a barra do meu paletó verde-esmeralda, arrependido de não ter vestido uma camiseta de seda naquele dia.— Sua abordagem é grosseira e ofensiva. — E me deixou louco de tesão, mas isso eu nunca ia admitir.

Ele me observou estreitando os olhos.

— Posso não ser muito sutil, mas sou sincero. Você não me parece o tipo de homem que prefere ouvir mentiras e galanteios em vez da verdade pura e simples.

— Prefiro ser tratado como alguém que tem mais a oferecer do que um boneco inflável.

Cross ergueu as sobrancelhas.

 — Muito bem, então.

— Estamos conversados? — perguntei já me levantando. Envolvendo meu pulso com os dedos, Cross me fez sentar de novo.

— De jeito nenhum. Só esclarecemos alguns pontos: sentimos uma enorme atração sexual um pelo outro e nenhum dos dois quer namorar. Então você quer o que exatamente, Castiel? Sedução? Você quer ser seduzido?

Aquela conversa era ao mesmo tempo fascinante e ultrajante. E, é claro, tentadora. Dificilmente não seria, com um macho maravilhoso e viril daquele olhando para mim, determinado a me levar para a cama. Ainda assim, o lado negativo daquilo tudo falou mais alto.

 — Falar de sexo como quem fala de negócios é broxante demais pra mim.

— Estabelecer parâmetros logo de início evita que as expectativas sejam exageradas, o que poderia levar a uma decepção desnecessária.

 — Você está falando sério? — perguntei com desdém. — Ouça o que está dizendo. Por que perder tempo falando em sexo? Por que não dizer logo ‘’uma emissão seminal em um orifício pré-aprovado’’?

Ele jogou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada. Fiquei ainda mais irritado. O som gutural de sua risada desabou sobre mim como um jato de água morna. Meu desejo por ele cresceu a um nível próximo do sofrimento físico. Seu divertimento mundano o fez parecer menos com um deus do sexo e mais com um ser humano. De carne e osso. Gente de verdade.

Eu me levantei e me afastei dele.

— Sexo casual não precisa começar com flores e vinho, mas, pelo amor de Deus, sexo é uma coisa pessoal. Íntima. Que exige um mínimo de respeito mútuo.

A disposição para o humor pareceu sumir dos olhos dele.

 — Não existe espaço para ambigüidade nas minhas relações pessoais. Você está querendo misturar as coisas. E eu não vejo nenhum motivo pra isso.

— Não quero que você faça nada além de me deixar voltar ao trabalho. — Tomei o caminho da porta e acionei a maçaneta, xingando baixinho ao ver que ela não funcionava.

— Me deixe sair, Cross.

 Senti que ele se aproximava de mim. As palmas de suas mãos, pressionadas contra o vidro, me aprisionaram entre seus braços. Eu não conseguia mais pensar em me preservar sentindo sua presença assim tão próxima.

A força e a determinação de seu desejo formavam uma espécie de campo de força quase palpável. Ele deu um passo à frente e me envolveu com seu corpo. Tudo o que havia fora dessa bolha deixou de existir, enquanto dentro dela meu corpo inteiro ansiava pelo dele. Cross exercia um efeito tão profundo e visceral sobre mim, mesmo sendo tão irritante, que minha cabeça começou a girar. Como eu podia sentir tanto tesão por alguém cujas palavras deveriam me deixar broxado?

 — Vire para mim, Castiel.

Seu tom de voz autoritário me deixou tão excitado que meus olhos até se fecharam. Meu Deus, o cheiro dele era maravilhoso. Seu corpo poderoso irradiava desejo e calor, instigando a vontade enlouquecida que eu tinha dele. Essa reação incontrolável foi intensificada pela minha frustração com Stanton e pela discussão com o próprio Cross.

Eu queria Cross. Muito. Mas ele era demais para mim. Sinceramente, eu não precisava de ninguém para arruinar minha vida, não precisava de ajuda nesse quesito.

 Minha testa quente tocou o vidro resfriado pelo ar-condicionado.

— Me deixe sair, Cross.

— Vou deixar. Você tem cheiro de encrenca. — Seus lábios roçavam de leve minha orelha. Uma de suas mãos apertava minha barriga, seus dedos me puxavam para que eu encostasse nele. Ele estava tão excitado quanto eu: senti seu pau duro e grosso contra a base da minha coluna. — Agora vire para mim e se despeça.

Decepcionado e arrependido, recusei seu toque, encolhendo-me contra a porta gelada em comparação às minhas costas quentes. Ele estava curvado sobre mim, com os cabelos luxuriosos emoldurando seu lindo rosto e o antebraço apoiado na porta para ficar ainda mais perto. Quase não havia espaço entre nós. A mão que estava na minha cintura havia passado para a curvatura do meu quadril, apertando-me cada vez mais e me deixando maluco. Ele me encarou com seu olhar intenso e perturbador.

— Me dê um beijo. — ele pediu, sussurrando. — Pelo menos isso.

Ligeiramente ofegante, passei a língua pelos lábios ressecados. Ele inclinou a cabeça e encostou sua boca na minha. Fiquei impressionado com a firmeza e a maciez de seus lábios, e com a pressão suave que eles exerciam. Suspirei, e sua língua entrou na minha boca, sentindo meu gosto em longas e deliciosas lambidas. Era um beijo confiante e habilidoso, com a quantidade ideal de agressividade para me deixar morrendo de tesão.

Mal registrei quando minha mochila caiu no chão; minhas mãos foram logo para os cabelos dele. Puxei as mechas sedosas, usando-as para direcionar sua boca para a minha. Ele gemeu, tornando o beijo ainda mais profundo, atacando minha língua com movimentos lascivos. Senti seus batimentos descontrolados contra meu peito, uma prova de que ele não era tão desesperadamente perfeito como na minha imaginação febril.

Cross se afastou da porta. Agarrando minha nuca e minha bunda, ele me levantou do chão.

 — Quero você, Castiel. Cheirando a encrenca ou não, não consigo evitar.

Estava inteiramente grudado nele, sentindo cada pedacinho do seu corpo gostoso. Eu o beijava como se fosse comê-lo vivo. Minha pele estava úmida e hipersensível, meus mamilos pareciam mais pesados e receptivos ao toque. Meu pênis implorava por atenção, pulsando ao ritmo da minha respiração acelerada.

Sem que eu me desse conta, já estava deitado no sofá. Cross estava inclinado sobre mim, com um dos joelhos apoiado no estofamento e o outro pé no chão. O peso da parte superior de seu corpo estava apoiado sobre seu braço esquerdo, enquanto ele agarrava a parte de trás do meu joelho com a mão direita, subindo para a minha coxa em uma carícia firme e possessiva.

Cross expirou com força quando chegou ao ponto em que minha calça estava, visivelmente, marcada e exibindo o volume que meu membro estava. Ele desviou o olhar de mim e o direcionou para baixo, puxando minha calça para tirá-la.

— Minha nossa, Castiel. — Um gemido grave reverberou em seu peito, uma emissão sonora primitiva que fez minha pele inteira se arrepiar. — Sorte do seu chefe que ele é comprometido.

De relance, vi a parte inferior do corpo de Cross contra o meu, minhas pernas abertas para acolher a amplitude de seus quadris. Meus músculos queimavam de vontade de me encostar todo nele, de apressar o contato que eu desejava desde a primeira vez que o vi. Baixando um pouco a cabeça, ele atacou minha boca de novo, ferindo um pouco os meus lábios com sua impetuosidade levemente violenta.

 Mas, de um momento para o outro, ele se afastou de mim, ficando em pé imediatamente. Eu permaneci lá, ofegante e molhado, pronto e desejoso. Foi quando percebi por que Cross havia reagido de maneira tão abrupta.

Havia alguém atrás dele.


Notas Finais




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