História Crosswords - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren
Visualizações 1.188
Palavras 5.597
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Sim, Crosswords também foi atualizada, um bolinho desses, não é? Mas é claro! Eu devoro essa mente tão sutil de Lauren, acho que é linda por inteiro, e ver que se identificam com isso me deixa feliz, pois a faço com muito carinho! Mesmo! Tenham uma boa leitura!

Capítulo 6 - Aceitação


New York, New York...

Eu devorava meus cereais olhando para a tv, toda embolada em meus moletons e cachecol até o queixo, frio era pouco para as rajadas e vento lá fora. Hoje é sábado, eu estou encarando a programação mais infame dos noticiários da CNN. Falavam sobre o tempo.

Mordiscava os cereais com leite e engoli satisfeita por sanar a fome com algo tão agradável ao meu paladar.

“As ondas de frio poderão ser devastadoras, não esqueçam de seus agasalhos ao saírem de casa.”

Hoje eu havia combinado com Ally que iria à sua casa, faria o almoço, faríamos uma tarde de filmes românticos que me deixava cética, porque eu não chorava com nenhum deles (são ilógicos, alguns), e então nós jantaríamos, ela disse que beberíamos um vinho que havia guardado por muito tempo e logo eu voltaria no final da noite, seria o dia perfeito, de programação perfeita. Ela me disse.

Proibiu aliás que eu levasse qualquer rascunho de cruzada, de acordo com suas analises pessoais, eu precisava de descanso do trabalho. Não concordava com aquilo, mas não podia ir contra suas determinações, a casa era dela afinal.

“Hoje pela tarde, um festival literário será promovida na biblioteca principal de Nova York, alguns novos autores farão sessões de autógrafos, e a biblioteca abrirá vagas para novos cadastros em seu extenso acervo que passou por novas aquisições. O evento acontecerá as 13:00pm, mas já está funcionando agora, algumas exposições e cadastros, a expectativa é que seja um sucesso.”

Arqueei a sobrancelha focando naquela notícia. Camila não havia me falado aquilo. Teria ela esquecido? Ou suas ocupações gerais eram por causa daquilo? Que genial.

Sinto com toda certeza que a Hansen mandaria alguém para aquilo! Eu precisava dar uma passada ali, precisava prestigiar algo como isso. Coloquei a tigela de cereais de lado e tropecei na manta que eu havia colocado sobre meu corpo para me ajudar a aquecer. Tentando me equilibrar, eu a dobrei com cuidado nos dedos e saí um pouco aflita demais pelo apartamento.

Camila.

Fazia bons dias que não a via, na última vez, ela me chamou de bonita. Eu não podia esquecer, não parecia uma informação que sairia da minha cabeça tão cedo.

Entrei em meu quarto pousando a manta dobrada com cuidado sobre a minha cama bem organizada. Eu tenho esse senso de organização que me faz milhões de vezes mais difícil de se gostar. Minhas roupas são organizadas em meu closet por ordem de cores e tipo. Meu quarto tem um tapete felpudo, que eu limpo ocasionalmente para o manter sempre impecável, há alguns quadros legais nas paredes com desenhos modernistas, mas no geral a decoração era creme com tonalidades de marrom escuro. Eu gosto de olhar e apreciar estes tons.

Sentei em uma das poltronas, tocando na borda de minha bota enquanto encaixava meus pés já com meias. Foram segundos para organizar bem os cadarços apertados e me erguer, olhando para o espelho. Jeans grosso, blusa de lã sobre uma blusa de algodão com as inscrições nerd herd, eu já fui fã de Chuck. Mesmo tendo que repetir alguns episódios 5 vezes para entender alguma coisa.

E nem pense que era pela falta de senso da série, não era isso, eu só me perdia muito fácil na beleza de Yvonne Strahovski. Era uma missão difícil, mas agradável.

O cachecol protegia o meu pescoço e os cabelos estavam soltos. Certo, isso.

Eu preciso ver Camila agora.

Peguei minha bolsa com meus pertences, e a coloquei sobre o ombro direito, saindo de meu quarto e caminhando até a sala. Peguei a tigela de cereal perdida e a levei a cozinha, colocando metodicamente dentro da pia.

Fique aqui, querida, daqui algumas horas eu volto para lava-la.

Daqui à biblioteca seria bons 20 minutos caminhando.

Apertei-me em minhas vestes ao acenar para Kevin pisando nos degraus de saída de meu prédio, meu olhar indo à rua movimentada. Mesmo no frio, e mesmo no sábado, Nova York nunca parava.

Cruzei os braços e caminhei contra as rajadas frias ocasionais de vento, eu amo esse tempo, mas por vezes ele até abusa um pouco desse amor.

A vantagem de caminhar era saber que ao movimentar eu estaria me esquentando, e foi esse o ponto otimista no qual me liguei. Exatamente 17 e meio depois, eu estava bufando baforada fria para fora da minha boca, meu olhar subindo pela facha da biblioteca de York, a movimentação já era maior que a ocasional, eu podia ver gente entrando e saindo a todo momento, ela deve estar lotada de coisas a fazer.

Music on* Peter and Bjorn – Young Folks

Coloquei minhas mãos em meus bolsos e dei meu veredito de entrada, e wow. Jovens conversavam animados em um canto reservado a literaturas juvenis, em outro extremo, alguns senhoras e senhoras de idade jogavam conversa fora sobre livros que seguravam entre as mãos, os fios grisalhos reluzindo, eram grupinhos para tudo e todos, e haviam estes, como eu, que ficariam no meio de tudo, indo de um lado a outro.

“Seja bem-vindo a biblioteca de Nova York, faça seu cadastramento aqui.”

Uma plaquinha com traçados escuros de impressão. O pão de mel estava ali, sorriu gentil para uma jovem que havia acabado de fazer cadastramento, eu me deixei a olhar há distância. Não queria interromper nada do que estava fazendo. Havia uma fila considerável esperando para isso.

Eu foquei durante alguns minutos nessa mesma direção, fiquei perto da porta da biblioteca, olhando pelo saguão de entrada, era aqui que tudo acontecia. Hoje ela estava tão bonita.

Usava uma blusa de lã, branca, de gola alta que ia quase até ao seu maxilar. Os cabelos estavam presos em um coque. Ela parecia radiante e deslumbrante.

Um reluzir dourado me fez, pela primeira vez, desviar o olhar de Camila, focando há distância. Hansen.

Usava sobretudo, estava só, olhando para a tela de um luxuoso smartphone. Tinha uma câmera fotográfica enlaçada em seu pescoço, parecia focada demais no telefone. Eu engoli em seco.

Minha chefe! Minha chefe mesmo havia vindo!

Relutei sobre me aproximar dela, olhando por minutos se iria ou não, se soaria muito incomodo para alguém como ela.

A voz, aquela, dizem que é a voz da loucura, isso eu tenho certeza que era, mas eram pesquisas de google e eu...

Franzi o cenho parando por segundos para tentar entender minha linha pessoal de raciocínio, estava perdida demais em pensamentos ultimamente. Que até mesmo me confundiam e...

Dei um passo à frente, determinada a me aproximar de Hansen. Contornei algumas pessoas e a olhei de perto, não precisei de muito, ela pareceu perceber ser observada de imediato.

- Oh! Lauren! Que prazer em vê-la! – Saudou com um sorriso tão amplo no rosto que eu prendi a respiração um pouco intimidada. Aproximou estendendo a mão para apertar a minha, eu cedi, apertando e sorrindo envergonhada para a maneira enérgica que ela estava me tratando.

- É impressionante te ver aqui! – Falei a olhando. Ela sorriu, colocando o telefone no bolso do sobretudo grosso. Ela é tão requintada e superior, é um pouco difícil de lidar. Eu sempre a admirei tanto, é como falar com seu ídolo de infância.

- Eu gosto demais dessa biblioteca, desde os meus tempos de editora, precisava cobrir esse evento. – Falou tocando na câmera dependurada no pescoço. Eu assenti, ainda impressionada por ela estar aqui.

Olhe bem estes cabelos, eles brilham tanto, ela parece mesmo a Beyoncé, não havia essa possibilidade de elas serem gêmeas? Hansen é tão superior que eu não duvidaria.

- Lauren?

Virei o rosto rápido, sobressaltada pela sua voz chamando a mim.

- Oi? É, huh, isso é legal, eu vim prestigiar uma amiga. – Falei repentina, dando de ombros. Ela sorriu, puxando as alças da câmera sobre o pescoço e deu um passo se aproximando de mim, reclinando a câmera para que eu desse uma olhada.

- Olhe bem, acha que está apresentável? – Era uma pergunta. Era um pouco pasmo de se acreditar. Hansen me pedindo opiniões, mostrando suas fotos. Oh meu deus.

 Nessa foto, tinha uma exposição de capa de livro de um recente autor que viria as 13:00 dar sessões de autografo, e estava lindo, mesmo, mas nem era só por isso. Ao fundo, com uma tonalidade semi desfocada, saiu Camila, olhava na direção oposta à fotografia, o que claramente só detectou seu perfil, lindo.

- Oh meu deus, eu amei. – Falei sem me conter, tocando na tela com curiosidade. Hansen sorriu, acenando para que eu seguisse as fotos em sequência.

Em cinco delas eu pude ver Camila, era cada uma melhor do que a outra.

- Dinah? – Eu ergui meu olhar e congelei, sentindo todo o sangue esvair de meu rosto ao olhar para a morena de cabelos em um rabo de cavalo, um terninho branco com decote semi exposto, uma gargantilha de brilhantes que te cegaria em um piscar de olhos e salto altos, parecia ter saído agora de uma passarela de moda e não parecia com frio além daquele terninho. Kordei.

Oh meu deus. A tonalidade de sua pele era algo fantástico, os olhos negros, os cílios longos.

- Oi, Normani... – O tom de Hansen foi tão melodioso que eu desviei o olhar sentindo que estava em um momento intimo demais. O olhar de Kordei estava em mim, ela não parecia destas sociáveis, o olhar cintilando.

- Eu não te achei, querida, onde estava? – Era a voz compenetrada de Normani para Hansen. Eu queria devolver a câmera e sair de fininho, mas Hansen não fez movimento para pegar a câmera, estava mais focada em sua namorada.

- Estava analisando algumas mensagens que recebi, chegou agora? Por que não me ligou? Não teria gasto tanto tempo me procurando... – Eu abaixei o olhar focando em outra direção, já podia sentir minhas bochechas violentamente coradas.

- Desatenção minha... Dinah. – Eu movi o olhar, focando no rosto da mulher, sua voz não parecia tão dócil, ela realmente era intimidante no sentido aterrorizante? Não sabia se Hansen havia percebido os olhares que a namorada dela estava me dando, mas eu, como um sentimento de temer pela minha própria vida, tentei mover inquieta pra devolver a câmera e me retirar.

- Oh, antes que me esqueça, querida, essa é Lauren, é a cruciverbalista do NYT. – Hansen antecipou em falar. A negra poderosa se aproximou, estendendo a mão, eu engoli em seco, tocando em sua mão, relutante, seu aperto foi firme, seu olhar me fuzilou. Ela me odiou, oh meu deus, que novidade aliás, não é? Todos me odeiam.

Dei um sorrisinho amarelo e a olhei dar um passo atrás, a mão pousando possessiva na cintura de Hansen. Um alerta veio à minha cabeça, repentino, do tipo, saia fora daí!

- Lauren? – Foi como um alivio e milagre. Virei o rosto em direção à voz, Camila me olhava surpresa. Eu a olhei aliviada, respirando fundo, abaixando meu olhar para o jeans escuro que ela usava acima das botas de salto. Oh o pão de mel me salvou.

- Oh, Camila, eu realmente queria lhe ver. – Falei baixinho, a olhando diretamente nos derretidos olhos castanhos. Estendendo a câmera a minha chefe e engoli com dificuldades, acenando sem jeito.

- Eu tenho que ir, foi legal ver vocês. – Falei dando um tchauzinho com a mão. Hansen retribuiu com delicadeza, enquanto a sua namorada apenas me olhou aproximar sem jeito de Camila e acenar para afastarmos logo. Ela parecia confusa.

- Tudo bem, o que foi isso? – Perguntou quando nos afastamos a ponto de estarmos quase perto da porta de saída. Eu a olhei, ainda agitada pelo momento.

- Hansen é minha chefe, acho que a namorada dela não gostou de mim, ficou me olhando com cara feia. – Falei franzindo o cenho.

- Oh, que pena por ela. – A voz foi docinha. Eu olhei para ela, no mesmo momento que se inclinou para dar um beijinho em meu rosto. O seu perfume me fazendo zonza por segundos.

Wow.

Se afastou, adorável, me olhando com um sorriso tão sincero na boca. Ela é tão boa comigo, eu realmente não entendo.

É como magia...

Ela está tão bonita, brilhava, é natural, nada que fosse exagerado aos olhos.

O padrão delicado de suas vestes e seu olhar gentil em mim...

- E então?

Eu franzi o cenho a olhando confusa, mesmo com seu sorriso ainda em sua boca.

- O que?

Ela sorriu mais.

- Você disse que queria me ver, do que precisa? Livros? Hoje eu estou aqui mas eu posso falar para a... – Eu ergui a mão, a interrompendo.

- Não, não são livros, eu queria lhe ver. Bem, certo, huh... – Pausei, com dificuldades de tudo aquilo sair. Bom, se organize Lauren Jauregui, calma. Respirei fundo e tomei folego para recomeçar.

- Certo, eu vi no jornal, e achei que seria uma boa ideia vir prestigiar o tempo que posso. – Falei dando de ombros. Ela sorriu.

- É muito doce de sua parte, Lauren, obrigada. – Falou cruzando os braços e acenando, um piscar e um sorriso torto. Aquilo me aqueceu, fez até com que eu esquecesse do fato da namorada da minha chefe estar me odiando à primeira vista.

- Eu estou ali, fazendo alguns cadastros, tomei esse tempo para uma refeição, e te vi pelo caminho, não quer vir comigo? – Perguntou entrelaçando as mãos frente ao corpo. Eu não poderia recusar essa oferta, talvez eu não conseguisse recusar nenhuma de suas ofertas, há algo nela que me passa uma mensagem positiva sobre algumas coisas.

E eu queria isso.

- Claro... Se não for incomodar. – Acenei. Ela sorriu.

- É claro que não vai, venha comigo.

Ela se moveu a frente, liderando caminho entre as pessoas que estavam conversando animadas, entramos na biblioteca que estava fechada, as estantes de livros extensas e intactas eram reflexo bem oposto ao pátio movimentado lá fora.

- Abrirão mais tarde para que peguem livros? – Perguntei a ela olhando sobre meus ombros as estantes de livros.

- Oh sim, só está sem funcionar por causa dos horários de funcionamento. – Acenou para andarmos mais a frente, ela empurrou a pequena portinha que eu sempre a avistava entrar, tocou na lateral, o interruptor de luz e eu pisquei melhorando a visão, eram caixas e mais caixas empilhadas, mas diferentes de um cômodo lotado de poeira e livro surrados, era todo organizado, com duas poltronas em tom caramelo e estampa antiga, um exemplar de o fantasma da ópera estava sobre a mesinha lateral, com um marcador vermelho, parecia veludo.

- Esse é o meu canto... – Ela se virou, fazendo as aspas no ar, me olhando com atenção. Eu sorri, admirada pela organização.

- É aconchegante. – Falei me perdendo nos detalhes, livros e mais livros empilhados dentro das caixas.

- Sente aqui, eu já venho. – Falou, pegando o livro da mesinha e o levando consigo para um pequeno corredor entrando em outro cômodo a distância, pelo espelho fixo na portinha de madeira eu pude ver ela pegar um bule com desenhos florais, o rosto focado. Ela é realmente tanta coisa... Apoiei o rosto em minha mão esquerda. Eu quero saber mais dela, saber muito.

Saber tudo?

- Lauren?

Engoli em seco erguendo meu olhar, ela aproximou com uma xicara para mim, oferecendo com educação.

- É chá, não faço cafés como minha mãe. Mas prometo que na próxima estaremos lá para prestigiar isso dela. – Falou colocando a xicara em minha mão. Eu acenei agradecida. Aquece-me perceber que ela sempre pensa em próximas vezes.

- Obrigada. – Agradeci, levando a xicara aos lábios, sorvendo com cuidado do liquido, Camomila.

- Bom? – Perguntou parando próxima do batente da porta. Eu sorri.

- Sim, muito bom. – Ela sorriu, me olhando por alguns segundos que pareceram eternos até se mover desaparecendo de minha vista novamente.

Pude ver sua lentidão de movimentos lá dentro pelo espelho, o olhar baixo, pensativa consigo mesma. O que se passava em sua cabeça?

Recostei na poltrona sorvendo mais do chá, perdendo-me em seu reflexo novamente. Parecia fazer algo metódico, a expressão estava lívida.

- Você gosta de biscoitos? Cookies? Bolos? Do que gosta? Apareça aqui. – Sua voz ressonou pelo ambiente.

Eu olhei ao reflexo, ela ainda não percebeu que eu podia a ver daqui pelo espelho. Coloquei a xicara sobre a mesinha e me ergui da poltrona, parando no batente da porta. Olhando surpresa para dentro do pequeno cômodo, era uma pequena cozinha, uma mesinha de dois lugares no canto, um jarro com flores, rosas vermelhas e brancas.

Uma geladeira destas retro, com porta vermelha, a pia da cozinha era onde ela estava, colocando alguns biscoitos amanteigados em um prato porcelana.

- São de mel. Gosta? – Eu não contive minha mente em ir alucinante aos pensamentos. Mel como ela.

- Adoraria. Aqui é aconchegante e tão bem organizado... – Elogiei ainda admirada por descobrir esse lugar dentro de uma biblioteca tão ampla.

- Obrigada, mas é minha obrigação cuidar, é onde passo todos os meus dias... – Falou aproximando de mim, no prato tinha biscoitos, cookies, pedaços de bolos e algumas tortinhas secas. Eu olhei do prato à ela, a especificamente seus olhos tão delicados.

- Vá, vamos sentar. – Falou acenando em direção à fora. Eu dei espaço para que ela passasse e a segui para fora, ainda cheia de fascínios dominando minha cabeça.

Ela pousou o prato na mesinha, ao lado do bule, sentando na poltrona direita, enquanto eu fiz meu caminho para a esquerda, a olhando com curiosidade e admiração, desenhos diferenciados.

- Bom ter você aqui. – Falou, pegando a xicara de chá, eu sorri, aceitando os biscoitos que me oferecia. Derreteu em minha boca no primeiro mordiscar.

- Eu estou comendo por gula, há pouco estava devorando uma tigela de cereais. – Confessei, sorrindo. Ela revirou os olhos, a mão direita indo no apoio da poltrona.

- Eu acho que não fará diferença, você pode abusar disso. – Aquele seu comentário trazia a tantos pontos que podia pensar que eu estanquei com o biscoito amanteigado há poucos centímetros da boca. Foi um elogio a minha forma física?

- Acho que, obrigada? – Falei duvidosa, arqueando a sobrancelha. Ela sorriu, negando e bebendo do chá.

- O que fará pela tarde? – Perguntou focada no biscoitinho entre os dedos. Eu dei de ombros. Ainda estou lembrando de Ally, não posso a esquecer.

- Eu tenho uma tarde bem interessante com uma amiga, filmes, conversas, vinhos, essas coisas banais que ainda valem a pena.

- Ainda valem a pena? Você tem um jeito tão interessante de ver o mundo e as coisas, Lauren... – Aquilo sim era um elogio intrigante, eu? Interessante? Na mesma frase?

- Você é normal? – Perguntei franzindo o cenho. Ela sorriu, parecia achar graça de quase todas as coisas que fazia.

 - Não creio que seja, mas nunca fui até o final para entender algo como isso. Pela minha concepção, não, eu não sou normal, mas diga-me você, acha que eu sou normal? O que acha mesmo de mim? – Foi tão rápida a mudança de caminho e onde ela entrou que eu parecia sentir caindo em queda livre embarcada em uma montanha russa.

- Eu tenho dificuldades sobre falar das pessoas. – Eu falei desviando o olhar envergonhada. É verdade, sentimento genuíno nenhum até hoje conseguiu me dar essa capacidade de abrir os lábios e simplesmente falar sobre quem eu amo com naturalidade. Seja pelas dificuldades em me expressar verbalmente sem soar idiota, ou seja pela facilidade que uma borboleta de, com o mover de suas asas, me tirar a atenção de tudo e qualquer coisa.

- Eu, pelo contrário, acho que você não encontrou o motivo certo para começar a dizer tudo o que tem a dizer, ainda...  – Seu apontamento me fez a olhar com atenção. Perdendo-me ali, como milhares e óbvias vezes. Camila Cabello...

Eu pouco a conheço, e não digo que isso é metáfora destas bestas. Eu realmente pouco sei dela, ainda, eu quero saber, ela desperta essa estranha necessidade de a conhecer, como se olhasse alguém por aí, interessante demais para deixar ir sem causar algum efeito em sua vida. Ela é uma meia estranha fascinante, tem uma beleza que é muito característica, dela, dessa coisa de psicológico e não de só físico.

A hippie chique bibliotecária vegetariana que adora café doce. O pãozinho de mel, o husky siberiano. Achava que não havia alguém assim por aí. Esses pensamentos soarão tão estranhos se ditos em voz alta... Pisquei repetidas vezes, pegando seu olhar curioso em meu rosto.

- Pensando? – E foi uma maneira tão doce, tão delicada de perguntar, que eu suspirei, suspirei porque até aquela pergunta me deixava sem folego.

Ela não me dava olhadelas acusatórias quando me perdia, parecia que gostava quando o fazia. Gostava que eu me perdesse. Eu queria que ela ouvisse meus pensamentos, queria que lesse cada um deles como se fosse uma história muito boa e me entendesse da maneira que eu queria que entendesse, queria me apresentar desde o início como eu, falar de mim, falar como um todo, mas eu não consigo.

- Você é diferente da maioria das pessoas, não sei bem se isso é da sua personalidade ou se é só o seu modo de agir comigo... – Falei sem pensar, sem filtros que me impedissem de dizer. Ela pareceu surpresa com o ato repentino.

- Não te trato diferente, então se acha que isso é algo relacionado à algum tipo de... – Ela pausou, colocando a xicara nos lábios, bebericou por segundos e seus castanhos e lindos olhos relutantes pousaram em mim.

- Dó, ou receio... – Arrastou a fala umedecendo os lábios com a língua, não parecia relutante em dizer aquilo, eu abri a boca para revidar, mas ela ergueu o indicador pedindo um tempo. Eu me mantive silenciosa.

- Eu posso dizer algo que vejo em você? – Perguntou. Eu franzi o cenho.

- Não me conhece o suficiente para dizer alguma coisa com sentido sobre mim... – Arrastei. Ela sorriu, parecia para si mesma, brincou com a alça da xicara.

- Eu gosto de analisar cada pessoa, de conhecer antes mesmo que necessariamente a conheça, sentir antes de realmente entrar na profundidade de um contato, eu gosto de acertar sobre as pessoas só as analisando. – Eu não conseguia tirar meus olhos de seu sorriso.

Não consegui responder um sim, ela apenas viu aquilo em meu rosto e deu segmento ao que estava falando.

- Você se enxerga de maneira tão além daquilo que realmente é, de verdade, eu realmente não sei sobre você, mesmo que já tenha insistido para que fale, eu entendo suas limitações, entendo que tem dificuldades nisso, e isso lhe torna melhor, você me faz sentir como se tivesse coisas demais para saber sobre você, e isso me faz querer ficar aqui, a tarde toda, esperando que encontre uma maneira de falar algo, mesmo que banal sobre si mesma. Deveria entender que mesmo não te conhecendo, eu sinto que pode ser alguém incrível, e olhe, elogiam tanto o meu sexto sentido por citarem que eu nunca erro...Você é leve, então sei, de verdade, que não deve se sabotar para se colocar para baixo, mas olhe bem para si mesma e não se surpreenda quando alguém como eu querer sentar aqui e te ouvir abrir as portas de si mesma para falar algo. Eu amo histórias, eu adoro ler livros, e eu adoraria ler sobre você, se é que entende minhas metáforas, perdoe-as, nunca fui tão boa nisso. – E sorriu. Como várias vezes hoje, genuinamente. Eu fiquei paralisada sobre o torrencial de honestidade sem controle, até aquilo era novidade.

- Oh... – Foi tudo o que meus lábios conseguiram mover para proferir em revide.

- Não precisa responder, o que eu quero que entenda é que você é legal, e você é alguém que eu quero conhecer. – Deu uma piscadinha e bebeu mais do chá.

- Eu também quero. – Lá estava a língua sem controle, despejando coisas demais sobre a mesa enquanto eu nem tinha noção.

- Quero dizer.. huh. – Eu pausei, levando os dedos a testa, eu sou tão idiota, essa minha confusão vai me matar algum dia.

- Eu entendi que foi algo genuíno sem intenções cruzadas, Lauren, está tudo bem... – Ela falou, me fazendo parar. Ela é tão gentil, eu não sei mesmo o que acontece.

- As pessoas não costumam serem assim comigo, quando eu... Perco, perco o raciocínio, elas me olham feio, ignoram-me. – Ela não sorriu dessa vez, pousou a xicara sobre a mesinha e cruzou as pernas em seu diz escuro, me olhando com atenção.

- Você se sente diferente? – Repentino, como se estivesse injetando uma dose de algo louco em mim.

- O que?

Ela se ajeitou na poltrona.

- Sente algo de diferente em si mesma, ou a maneira que leva a sua vida lhe satisfaz e é tudo o que queria?

Não era um tipo de pergunta que qualquer pessoa me faria.

Talvez Ally, e só Ally.

- Eu não me sinto uma mulher triste, você me vê assim? Eu não me sinto... Mas eu sou realista, é o que eu vejo, as pessoas não fingem a insatisfação com as minha limitações, limitações estas que nunca reneguei a mim mesma tentar lutar, mudar, melhorar, mas eu simplesmente não consigo, não consigo sequer com remédios calmantes para todo o frenesi que existe aqui dentro. Mas eu sei que devo me amar, do jeito que eu sou, porque se não amar a mim, não há mais ninguém que o fará... Nós somos seres humanos e vivemos à mercê de nossos próprios propósitos egoístas. Tenho meus pais e Ally... E acho que eu me contento bem com essa felicidade. – Era essa a minha pequena honestidade, a que eu conseguia colocar para fora.

- Não acha que é pouco demais para alguém como você? – Perguntou arqueando a sobrancelha.

- Não há um “alguém como eu”, é o que eu tenho, é o que me contento. – Dei de ombros. Ela apertou os lábios era um visível ato de contenção como se estivesse se segurando para não falar nada demais. O que ela estaria pensando?

Por vezes eu tinha aquilo na cabeça, imaginava o que se passava na mente de alguém são como ela, ela deve ter coisas tão intrigantes, devaneios e segredos. Um arrepio me percorreu a espinha e eu tremi, saindo de meu transe, minha pele se eriçando. Era frio. Frio, isso.

- Pegue a tortinha. – Ofereceu apontando ao prato. Nós e essa nossa estranha mania de mudar tão rápido, quanto respirar, de assunto. Não me incomoda, mas é engraçado.

- É de nozes com chocolate, da cafeteria da minha mãe. – Falou enquanto eu pegava na tortinha como se fosse quebrável.

- Posso? Certeza? – Perguntei. Ela riu.

- Claro, siga em frente, dê a primeira mordida.

Eu segui seus conselhos, mordendo com cuidado, o chocolate derreteu na minha boca na primeira mordida, divino, sim, o sabor...

- Oh... – Ela sorriu.

- Viu só? É maravilhoso, não é? Eu sempre reajo como você ao comer isso. Todas as vezes. – Afirmou me olhando mordeu outro pedaço.

- Pegue mais, eu estou bem. – Apontou para o prato.

Só mais um, isso foi algo novo para o meu paladar, precisava provar só mais um para garantir se era real.

- Sabe qual o nome que minha mãe deu a esta? – Perguntou tocando em seu coque bem feito. Eu neguei, mordendo em outra tortinha deliciosa.

- Camila... – Falou enquanto eu parei o que estava fazendo para pensar.

Ela sorriu mais.

- Irônico, não é? – Eu abaixei a mão sobre o colo.

- Então quer me dizer que a receita certa para fazer você é chocolate, nozes e amor? – Perguntei.

- Acabou de descobrir o meu maior segredo, eu sou uma torta de nozes, me desculpe. – Colocou a mão direita sobre o peito e se recostou, por deus.

Foquei no resto da torta em meus dedos e o levei a boca, mastigando com mais apreço agora. Era algo especial dela e da mãe. Ao olhar para ela, ela ergueu o pulso, olhando um relógio de pulso delicado. Tempo, oh...

- Oh, eu não quero atrapalhar. – Me antecipei em dizer.

- Coma mais, nós temos alguns minutos. – Falou apontando par ao prato. Eu neguei, já havia comido demais hoje.

- Eu não quero mesmo tomar seu tempo, podemos sair... – Apontei para a porta. Sem antes deixar de uma olhada geral em volta. Eu gostei daqui, gostei de entrar nesse canto, é como desvendar uma mina de tesouros.

- Espere. – Chamou, repentina, me tirando a atenção. Eu olhei para ela, confusa. Ela se aproximou, muito, tão perto que eu me assustei temendo o que faria. Ergueu um guardanapo entre os dedos e pressionou no canto direito da minha boca, com cuidado, a pressão exata. Seus olhos em minha boca, eu tive que engolir em seco, temerosa.

- Um pouquinho de chocolate, não podia a deixar sair daqui assim... – Falou baixinho. Eu podia sentir aquele formigar intenso na bochecha, esse é um corar diferente. Eu não sei definir. Ela é linda assim de tão perto.

Sem imperfeição alguma na pele, os olhos ternos, os cílios negros e longos.

- Obrigada. – Respondi sem folego, a olhando soltar o guardanapo de lado e ficar me encarando por alguns segundos que pareceram eternos. Quanto mais olhava, mais tremula eu ficava.

Seria essa a visão que se tem quando se entra no Jardim do Éden?

Ou eu estou delirando como muitas das vezes?

Ela já parou para se olhar? Ela já se viu no espelho? Ela com frequência se ama? Sua própria imagem? Eu duvidava em todos os aspectos.

- Lauren? – Foi o chamamento mais sedutor e rouco que eu já ouvi em meus anos vividos na terra.

Sedutor? Droga, eu nunca usava com tamanha frequência palavras como: linda, sedutor, paraíso e sorriso.

- Lauren? – Essa repetição me fez fechar os olhos com força, esperando vir um ataque cegante de beleza ao me focar nela tão perto.

- Hey, abra os olhos... – Pediu, e foi bem como um tom de pedido brando.

Eu abri.

Nunca vi nada tão castanho.

- Está tudo bem? – Perguntou de cenho franzido.

Bem? Caramba...

- Oh, eu estou, eu... eu estou sim. – Respondi olhando para seus olhos novamente. São muito bonitos, mas deveriam parecer banais! São só olhos castanhos! Isso é mais do que 90% da população mundial tem, olhos castanhos! O que de raro há nisso?

O que de raro há em olhos castanhos?

Por que os seus olhos castanhos têm que parecer tão únicos, como se só existissem eles nessa tonalidade? Como se eles não fossem castanhos nada e tivessem reinventado sua própria cor.

- Lauren?

Eu queria me xingar por me perder tão fácil, me debater, estapear por perder tanto e ganhar tanto me perdendo, ao mesmo tempo.

- Eu preciso ir, minha cabeça vai explodir. – Falei rápido. Olhando em volta e me despedindo com os olhos do local. Saí a frente, sentindo o quanto tremia incessantemente.

- Foi bom te ver, Lauren, bom tomar um chá com você. – Eu me virei, quase perto da porta da biblioteca que nos separava do resto do pessoal animado lá fora.

Olhei em seu rosto e respirei fundo.

- Eu digo o mesmo, repetir é algo a se pensar... – El sorriu, assentindo.

- Quero te convidar para ir a cafeteria comigo amanhã. Nós podemos? – Perguntou. Eu engoli em seco. Eu quero.

- Eu devo?

Ela fez uma careta.

- Deve. Vamos?

Eu assenti, era algum passo invisível para um abismo.

- Eu vou. – Respondi mais firme das minhas decisões. Ela sorriu, aproximou de mim o suficiente e com um ato repentino, suas mãos me envolveram a cintura, me apertando casualmente em um abraço. Eu pude sentir o mesmo perfume que senti na mulher do esbarrão com Troy, em que Bud latiu como louco, como se deixasse quem quisesse, para atrás, hipnotizado.

Oh...

Minha mão direita moveu sem controle para pousar em suas costas, na base de sua cintura, mantendo o abraço por mais segundos. Ela não fez menção de se mover e eu não queria soltar. Seu coração martelava, ou era o meu? Tão insano, gritando para sair do meu peito.

Não sabia o que era aquele tipo de sensação, mas se fosse para tê-la todos os dias eu não reclamaria...

- Bom, vamos.... – Arrastou, me soltando, como se esse espaço vazio fosse errado eu a deixei ir com pesar, me ajeitando o máximo que minha incerteza deixava e a segui para fora, avistando novamente os aglomerados comunicativos e animados.

- Eu te vejo amanhã, obrigada, mesmo por ter vindo. – Sussurrou, apertou minha mão, os dedos gentis e se afastou, graciosa sobre os saltos da bota, acenando para a fila e a jovem que se ergueu voltando a ceder às funções a ela.

O toque ainda formigava em minha palma. Engoli em seco. Era isso. Era tudo isso.

Abaixei meu olhar para os meus pés e me pus a caminhar para a saída. Minha intenção foi apenas vê-la aqui, missão cumprida, hora de ir. Ally me esperava.

Ao pisar na divisória de cimento que dava seguimento para sair, eu dei uma olhada para trás, ela estava totalmente compenetrada no papel em que escrevia, mas algo a fez mover o rosto e me ver a olhando, eu senti meu rosto queimar, mas logo esqueci quando ela ergueu a mão e acenou, sorrindo genuinamente logo em seguida.

Saí da biblioteca, cruzando os braços e me abraçando enquanto andava para o prédio de Ally. O frio tornava o caminhar mais prazeroso, não era desgastando a ponto de suar. Minha cabeça estava em Camila, na biblioteca. Era uma pergunta séria que eu precisava fazer a mim mesma.

Por que Camila me tratava daquela maneira?


Notas Finais


É manas, como estamos? Como já deixei claro no twitter, as coisas vão mudar muito nas histórias que escrevo a partir de agora. Espero vocês no próximo.
Twitter: @kcestrabao


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