História Crush On You - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bottom!hoseok, Hoseok Gordinho, Hoseok Nenem, Hoseok!bottom, Menção!hopekook, Seoktae, Taehope, Taehyung Babaca Da Porra, Taemin, Taeseok, Top!taehyung, Vhope, Vmin, Vseok
Visualizações 839
Palavras 4.441
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eu devia estar atualizando as fics em andamento? É claro que devia, mas segue o baile e vamo só curtir esse Jung Hoseok todo gordinho amorzinho, vamos.

Capítulo 1 - A+ em Química F em comunicação humana


Eu não sei muito bem quando foi que eu comecei a desenvolver aquele sentimento, muito menos em qual momento exato daquele ano que eu passei a me dedicar tanto a aquela paixonite. Quer dizer, era bastante saudável e normal ter interesse nas pessoas, mas para mim não era tão saudável assim quando eu começava a escrever meu nome junto ao seu na barra da folha do meu caderno. Taehyung e eu dividimos o mesmo grupo de amigos mas ainda assim não éramos próximos a ponto de nos considerarmos amigos. Desde que entrei para o ensino médio lá estava ele na nossa mesa do refeitório nos dias letivos ou de um restaurante num sábado a noite. Ele era uma figura presente ao meu redor, eu o encontrava todos os dias sem exceção, e nós sempre nos demos bem; não nos falávamos muito mas era um relacionamento comum entre colegas de grupo. Quero dizer que por esse fato, não fazia sentido que agora, eu estivesse tão perdido e mergulhado naquela paixão. Eu não entendia porque eu queria tanto que ele falasse comigo na hora do intervalo, ou porque de repente eu me oferecia para fazer todos os trabalhos de casa dele. Era um pouco frustrante notar que eu gostava tanto dele a ponto de buscar incansavelmente uma forma de trazer um sorriso para o seu rosto.


Eu não queria estar apaixonado por ele, mas acredito que foi inevitável. Ele era tão bonito, com aquele corpo esguio e magro, os cabelos castanhos tão longos e escorridos que ele costumava prender no topo da cabeça, as sobrancelhas grossas e densas, acompanhando os olhos felinos na maioria das vezes numa seriedade admirável e bonita. Ah, o estilo despojado, ele era tão bacana mesmo usando o uniforme escolar; o pulso com algumas pulseiras, tudo lhe caía tão bem. Ele era bonito sim, incrivelmente bonito. E eu havia notado tal beleza desde o momento em que o vi pela primeira vez, mas nunca cheguei a admitir que era tudo aquilo que tanto falavam. E eu me pergunto porque eu havia me deixado levar por uma paixão que nunca seria correspondida.


Eu estava acima do peso, era um fato, as gordurinhas me acompanhavam dos pés a cabeça e eu tinha bochechas tão rechonchudinhas que chegava até mesmo a ser patético. Mas estava tudo bem, sempre esteve tudo bem, só que eu sabia que ele nunca ligaria para alguém como eu, com quilinhos a mais e uma barriga proeminente. Ah… Eu fui tão tolo em permitir que essa paixão me tomasse que, me entreguei a ela sem ligar para esse pessimismo que meu lado realista e cético havia criado. Eu só gostava dele, e não importava se ele me corresponderia ou não.


Mas apesar de não me importar com a reciprocidade que todo ser humano almeja, eu me tornava falho nisso quando fazia de tudo um pouquinho para que ele notasse que eu estava a fim, ou para que ele deixasse que eu me aproximasse só um pouco de si. Eu queria que fossemos amigos de verdade, que conversássemos mais até mesmo por mensagens, queria que ele me chamasse para assistir seu jogo de basquete assim como chamava SeokJin ou Namjoon após a aula, eu queria que ele me perguntasse porque eu fazia os seus trabalhos de casa ao invés de aceitar a desculpa de que eu fazia só por ser um nerd viciado em estudos e deveres. Desejar essas coisas era o que me deixava mais triste, porque mesmo que fosse pouco, mesmo que não fosse a mesma coisa que desejar que ele me amasse ou gostasse de mim tanto quanto gosto dele, parecia ser impossível também. Porque Taehyung nunca demonstrou interesse algum em ter uma aproximação maior, e admito que não o julgo por isso, ou sinto raiva dele. Pessoas não querem ser tão íntimas de que está acima do peso afinal.



Eu também não tinha raiva de Taehyung por ele ser tão fascinado em Park Jimin, o astro do time de futebol. Quem não seria? Ele era magro, forte, bonito - incrivelmente bonito -, ficava bem em qualquer roupa, até mesmo no uniforme verde musgo do time de futebol escolar. Ele ficou bonito até quando fez o papel de uma árvore em uma peça no primeiro ano. Ele era bonito de costas; naquela festa chata em meio aos amigos bêbados; embaixo d’água; ao acordar com aqueles cabelos negros esvoaçantes e os olhos inchados assim como ele postava as fotos nas redes sociais. Ele tinha ombros e braços incríveis, a sua barriguinha era tão lisa, invejável. O sorriso dele era esplêndido, me faltavam palavras para descrever tamanha beleza esboça naquela boca polposa repuxada num sorriso que mostrava todos os dentinhos dele; eles eram tortos, mas são meros seres humanos como eu que precisam de aparelho de correção dentária. Park Jimin tinha o sorriso excepcional por causa dos seus dentinhos tortos. Quem não se apaixonaria? Taehyung falava tanto dos motivos para estar a fim de Park Jimin que eu só conseguia concordar com todos eles quando o via pelos corredores.


Pessoas bonitas gostam de pessoas bonitas. Na verdade; todos gostam de pessoas bonitas e com corpos como e de Kim e Park.


E eu já aceitei que pessoas como eu não foram feitas para serem gostadas


[...]


Haviam muitas coisas que me faziam aceitar a minha condição física, pessoas também, e uma dessas pessoas era o meu pai - que desde que eu comecei a ganhar peso parecia cultivar de um prazer sem igual de fazer comentários sobre o meu peso e pessoas como eu. Toda manhã, durante o café a mesa ele comentava, eu poderia só estar comendo uma torrada ou uma fruta que ele diria que era por comer como um porco que eu estava parecendo um porco. Eu poderia simplesmente perder o apetite e satisfazê-lo ao deixar meu café-da-manhã a mesa todos os dias. Mas, eu sempre gostei de porquinhos, inclusive de comida, e eu realmente estava cansado de guardar a vontade de chorar por ser tão atacado. E se ele me atacaria comendo algo ou não, seria melhor que ele me atacasse por eu estar comendo e de estômago cheio. Eu não passaria mais nem um dia sequer com o estômago fazendo barulhos estranhos e dolorido a manhã inteira para satisfazê-lo. Tudo bem, eu era um maldito porco, mas pelo menos estava com a barriga cheia durante as aulas.


Nada estava diferente naquela segunda-feira, outra vez eu ouvia os comentários ácidos e ofensivos, até mesmo degradantes porque eu aceitei os ovos com bacon da minha mãe. Eu me limitei a comer em silêncio, e durante seu falatório, aumentei um pouco mais o som dos meus fones de ouvido e decidi que aquela seria uma boa forma de evitar a vontade de chorar matinal. Quando aquela onda de ofensas chegou ao fim eu voltei para o meu quarto após passar no banheiro e escovar os dentes. Guardei todo meu material, e dei uma última olhada no trabalho de Química do Kim. Estava tão impecável, eu havia passado a madrugada inteira fazendo aquilo, estava até mesmo encadernado. Tsc, eu poderia ser denominado como o famoso trouxa. Mas me subiu uma satisfação imensa de ver o resultado de tanto esforço. Seria tão legal ver a reação dele com o provável A  que ele conseguiria. Eu adorava quando ele aparecia no meu campo de visão com um sorriso singelo e animado comemorando sobre os trabalhos sempre com as melhores notas. Eu me esforçava mais para fazer os dele, do que os meus.


Suspirando meio bobo, eu coloquei minha mochila sobre os ombros e apertei o trabalho encadernado contra o peito. Desci as escadas de casa anunciando que já estava de saída.


Recentemente eu havia conseguido comprar um carro de segunda mão em um leilão, era uma caminhonete azul meio velha de duas portas, mas apesar das condições dela eu havia comprado com meu dinheiro e realmente havia sido a melhor coisa que fiz nos últimos anos. Era um inferno ir no ônibus escolar, e eu também podia passar para buscar meus amigos que moravam no caminho que eu percorria até a escola. Sim, incluía o Taehyung. Mas a minha caminhonete só tinha lugar para mais duas pessoas na frente e eu passava primeiro na casa de Namjoon, depois na casa de Yoongi, em seguida na casa de Seokjin e por último na casa de Taehyung. Então Seokjin e Taehyung sempre iam atrás. Era um pouco frustrante, para ser sincero. Eu queria que ele fosse ao meu lado. Mas seria estranho se eu pedisse para que Yoongi ou Namjoon fossem atrás somente para que o Kim estivesse pertinho o percurso até a escola.


De qualquer forma ter um carro era legal por vários outros motivos, além de que eu também me sentia mais próximo dos meus amigos. Não que eu esteja dizendo que virei motorista daqueles quatro mas realmente é isso que eu estou dizendo. Eles passaram a me incluir mais nos planos e mesmo que fosse por conta da Suzy - nome carinhoso que dei a caminhonete -, ainda era legal ser incluído. É claro que eu sei que as pessoas gostam de me usar para conseguir coisas, e considerei bastante que aqueles quatro só me acolhiam no grupo porque eu era útil. Mas estava tudo bem, eu não podia escolher com quem andar. Se eu não estivesse com eles, seria aquele gordo solitário que almoça sozinho, sai aos sábados sozinho, vai ao cinema sozinho e faz exatamente tudo na própria companhia. Além de tudo eu era um cara tímido, então eu realmente seria esse tipo de cara solitário se deixasse meus amigos.


“Por que o Yoongi está demorando tanto?” Perguntei a Namjoon que estava ao meu lado folheando um grosso e velho livro de folhas amareladas. Namjoon era um cara alto, de pele amorenada e cabelos naturalmente escuros, ele se escondia atrás de um óculos redondo fundo de garrafa e de milhares de livros antigos que conseguia na biblioteca. Bem, ele era a única exceção que eu tinha naquele grupo em considerar que falava comigo somente para ter alguma coisa. Namjoon era o meu melhor amigo e eu o conhecia desde os nove anos. E então entramos no ensino médio e ele conheceu Yoongi, e Yoongi era melhor amigo de Seokjin, Seokjin era irmão mais velho de Taehyung, e por isso todos nós estávamos ligados.


“Eu não sei…” Respondeu baixo e tíbio; sem me dar atenção.



Impaciente eu passei a buzinar, estávamos atrasados e a única coisa que eu queria era chegar logo na escola. A ansiedade de encontrar Taehyung estava me corroendo inteiro. Eu queria tanto entregar aquele trabalho a ele, receber aquele obrigado fofo, ainda que avoado sem muita atenção. Pensando nisso eu não parei de buzinar até que aquele hyung aparecesse.


Yoongi era totalmente o contrário de Namjoon, o que sempre levantou a questão do porquê estarem sempre juntos. Cheguei a considerar por um momento que era para conseguir boas notas, e que ele usava Namjoon assim como eu sentia que me usavam. Mas, sempre que eu via como eles mesmo tão opostos se divertiam e conversavam tão bem eu desconsiderava essa possibilidade. Yoongi era guitarrista de uma banda de garagem sem futuro algum, ele andava por aí com uma camisa do The Ramones por dentro do uniforme aberto, pintava as unhas de preto e os cabelos de verde, com dezoito anos possuía uma tatuagem escrito silence na garganta e eu nunca a entendi de fato. Enquanto isso Namjoon era quase uma versão de mim, só que mais alta e magra. Eu não conseguia entender porque ele era tão amigo do Kim, assim como também não compreendia sua simpatia comigo. Talvez eu devesse parar de me apegar a ideia de que pessoas como Yoongi só se aproximam de pessoas como nós por algum interesse, mas, é tão difícil crer no contrário. Quer dizer, era só olhar para ele, todo descolado tocando numa banda e nós… Nós dois éramos só dois idiotas que passaram a pré-adolescência inteira sendo motivo de piada e ainda éramos motivo de piada até os dias atuais.


“Foi mal, meus pais viajaram e eu quebrei o despertador na sexta.” Yoongi justificou, entrando na caminhonete e eu mal o respondi, só pisei no acelerador.



O motivo pelo qual Seokjin e Taehyung não moravam na mesma casa era por conta do fato de seus pais serem divorciados, e pelo que eu sabia; Taehyung era mais apegado a mãe e preferia morar com ela, já Seokjin era extremamente grudado ao pai. Mas eles basicamente estavam sempre juntos, alternando entre passar o dia na casa do pai ou da mãe.


Uma vez Taehyung chamou a todos para jogar na casa de sua mãe, e todos queria dizer que eu também havia sido convidado. Foi legal, cada um com seu notebook passando o dia inteiro jogando Overwatch. E em um intervalo que a fome deu as caras Taehyung me chamou para ajudar a preparar sanduíches para todo mundo. Bom, eu preparei enquanto ele falava no celular, mas aquele momento só eu e ele me pareceu tão único. No fim, quando eu lhe entreguei a bandeja nossas mãos até se tocaram bem levemente, com delicadeza e maciez. Ah… Poucas vezes nós nos tocavamos e quando ocorria era de modo desajeitado, sem intenção - embora eu sempre tivesse a intenção de tocá-lo de alguma forma.


“Ei Hoseok, a galera da banda vai tocar em um bar na cidade vizinha hoje e queria saber se você pode levar a gente lá.” Yoongi me tirou a atenção enquanto acendia um cigarro, e antes que o respondesse vi o Kim tomar o cigarro de sua mão e jogar pela janela. “Droga, Namjoon, era o meu último.”


“Quer se matar? Então tente longe de mim.” Namjoon contrapôs e voltou a dar atenção as folhas amareladas de seu livro.


“Chato do caralho…” O Min resmungou em boca miúda e eu ri um pouco sem humor. Namjoon era 100% politicamente correto e zelava totalmente a saúde humana, tanto que em toda sua adolescência nunca havia ingerido uma gota sequer de álcool, e ele se importava muito com todos a sua volta. Mas com Yoongi era diferente, eles discutiam bastante sobre esse tipo de coisa.


“Eu levo sim, Yoongi. Que horas quer que eu passe na sua casa?” Achei que era melhor me pronunciar antes que eles começassem com o bate-boca.


“As oito.” Ele disse após um instante e eu respondi somente com um murmuro. “E Namjoon eu acho que não vai ser bom você ir dessa vez porque eu não quero que ninguém de expulse de lá por ameaçar denunciar o bar por vender bebidas para menores de idade.”


E lá se iniciava uma nova discussão entre aqueles dois que, assim como eu havia dito, eram totalmente diferentes, claro que apesar de se darem muito bem eles iriam discutir tanto, era o que acontecia quando tentavam amizade onde claramente não poderia existir. Eu rolei os olhos quando eles passaram a gritar um com outro e também estacionei o carro em frente a casa de Seokjin.


Buzinei apenas uma vez e me surpreendi quando não só aquele loiro alto e bonito saiu da casa, como também o seu irmão mais novo. Taehyung estava lindo como sempre, inalcançável como de costume. Seus cabelos castanhos e lisos naquele dia estavam soltos, e caiam sobre sua testa, alguns fios ele vinha colocando para trás da orelha e eu acho que babei um pouquinho quando ele sorriu sem mostrar os dentes ao se aproximar. Seokjin desejou bom dia a todos e subiu na parte de trás da Suzy, já Taehyung parou bem na minha porta e apoiou os antebraços na janela de vidros abertos. Eu engoli em seco, além de tudo ele era cheiroso, com aquele perfume tão envolvente amadeirado a mescla do cheirinho do seu shampoo de cabelo de morango.


“Ei, porque está com a boca aberta?” Ele riu me encarando. Era realmente o que me faltava, deixar que meu queixo caísse sem que eu persebesse. Me admirava eu não estar babando.


Senti meu rosto formigar e minhas bochechas queimarem, então me ajeitei melhor no banco e apertei as mãos no volante, numa tentativa de me recompor.


“Ah… É… Nada… O que você quer?” Gaguejei.


“Bem, você fez o meu trabalho, certo?” Ele sorriu doce. Era sensato pensar que aquele sorriso era de puro interesse, mas eu preferia acreditar que era só porque ele gostava de sorrir com tanta gentileza e doçura para mim por esporte.


“Fiz…” Apressado e desajeitado eu abri o porta-luvas, o qual eu sempre tinha certa dificuldade de destravar mas naquele dia até que eu não passei vergonha. Entreguei o trabalho a ele e queria não ficar com aquela expressão abobalhada vendo-o tão surpreso, mas era impossível. “Você com certeza vai impressionar o professor Chae dessa vez.”


“Com certeza…” E ele prosseguiu para a parte traseira da caminhonete ainda dando uma olhada nas folhas.


Certo, no fundo eu considerei receber pelo menos um obrigado, ou um “valeu cara”.


Me senti um pouco frustrado e desapontado com aquilo, mas forcei um sorriso para mim mesmo e tentei me convencer de que estava tudo bem.


[...]


Apesar de ser um pouquinho sedentário e preferir passar a maior parte do meu tempo no meu quarto jogando LOL, ou, assistindo séries; eu não podia deixar que minha vida se resumisse a isso. Eu trabalhava meio período em um fast-food, e era um ótimo atendente, por assim dizer. Aquele tipo cara desinteressante e nada atraente que ouvia as pessoas fazerem e refazerem pedidos o dia inteiro; passava o dia inteiro em pé atrás de um balcão e mesmo assim não perdia uma caloria. Aquele cara que usava um uniforme simples e sem graça; calça jeans e camiseta cinza. Era eu, pois é.


Geralmente o movimento era durante a noite, e eu costumava ficar a noite somente aos finais de semana, mas naquela segunda-feira estava tendo um evento no shopping em que o restaurante era localizado e o movimento era considerável. Mas por conta do padrão que seguíamos só dois caixas estavam atendendo naquele dia. Sendo assim eu estava quase enrolando com pedidos, até ver Kim Taehyung aparecer no meu campo de visão. Ele simplesmente estava na fila e eu não sabia de tão distraído. Ele estava tão bonito, com os cabelos presos e alguns fios caindo sobre o canto de seu rosto; uma camiseta branca lisa e uma calça skinny preta, que marcava tão bem suas coxas naturalmente belas e torneadas devido ao seu treino maçante com o basquete. Ele sorriu para mim e apoiou as mãos no balcão, eu quase suspirei.


“E aí, Hoseok, eu estava cobrindo um colega do time em uma loja aqui perto.” Ele me disse e por um momento eu estranhei. Ele nunca me dava satisfação ou me explicava as coisas que lhe aconteciam. Era um pouco assustador ele enfrentar uma fila imensa para me falar coisas banais. “Aí eu te vi aqui e…” Ele sorriu docemente. Tão doce que eu me vi tentado a retribuir o sorriso e retribui, ainda que tivesse vergonha dos meus dentes metálicos devido ao aparelho corretor. “Me paga um sorvete aí?”


“O que?”


Acho que nunca havia me frustrado tanto em um único dia. Sério. Nunca mesmo.


“É que eu ‘tô sem grana nenhuma.”


“Ah… Okay, okay. Tudo bem, de que sabor você quer?” Queria que minha voz não falhasse mas eu entrava em um estado um pouco patético perto dele.


“Napolitano!”


Eu assenti e computei o pedido, tirando minha carteira do bolso logo em seguida para pagar o sorvete de casquinha. Quando terminei e entreguei a notinha a ele, ele sorriu e deu um passo para o lado, entrando na fila de espera. Mesmo frustrado eu não conseguia deixar de me sentir animado com aquela atitude. Eu mal sabia que ele tinha noção de que eu trabalhava ali. Ah, suspirei com um meio sorriso para ele. Tão patético me sentir assim e buscar um lado bom em tudo, mesmo quando não existia um lado bom em exatamente nada que acontecia comigo.


Tentei me concentrar nos clientes, ao que meu colega de trabalho se dedicava em atender o pedido de Taehyung e despejava o sorvete da máquina na casquinha.


“Que horas que você sai?” Taehyung me perguntou quando terminei de anotar outro pedido, eu o olhei auspicioso, ao que chamava o outro da fila com os dedos.


“Saio às seis.” Respondi. “Olá, Boa tarde, o que vai querer?” Acrescentei ao moreno alto que se distraía olhando o menu atrás de mim.


“Eu também, então… Me espera aqui na praça de alimentação, podemos ir juntos pra casa.”


“Ah… É… Tudo bem.” Eu gaguejei tanto quanto sorria, tanto quanto não dava a mínima de atenção para o moreno que repetia seu pedido pela segunda vez para mim.



Taehyung recebeu sua casquinha e ali mesmo ou me distraí quando ele pôs a língua para fora da boca e contornou o sorvete com ela lentamente. Eu não sabia mais como respirar, é sério, eu cheguei até mesmo a levar a mão até a bombinha que ficava no bolso frontal da minha calça jeans do uniforme. Imagina se eu tenho um ataque de asma bem ali, só com aquela visão. O problema era que, de uma forma ou de outra eu ainda era só um garoto virgem de dezessete anos, qualquer coisa que de uma forma subliminar me lembrasse um pênis eu automaticamente pensaria besteira. Assim sendo, Kim Taehyung fazendo aquilo, somente me fez ter uma fantasia momentânea de um sexo oral.


Era constrangedor mas admito que costumava me iludir fantasiando o dia em que nós dois ficaríamos juntos. Sabe, sábado a noite, pais fora de casa, beijos quentes, mãos bobas, sexo oral, mais beijos, amassos, e ele não ligando para as dobrinhas da minha barriga ou o tamanho maior que o comum da minha bunda. Era constrangedor, mas não me matava sonhar um pouquinho, e fazia um tempo que eu não pensava aquelas coisas. Muito conveniente voltar a fantasiar em público, no meu local de trabalho.


“Te vejo depois, Hoseok-sshi, obrigado pelo sorvete.” O Kim me despertou do transe quando me deu as costas, e eu ergui minha mão gordinha, acenando com os dedos pequenos e rechonchudos para ele, que nem mesmo olhava mais.


“De nada…” Suspirei avoado.


Recebi uma cotovelada forte na costela e choramingaria em dor e birra pela atitude do meu colega se não notasse uma fila indiana com mais ou menos oito pessoas me encarando como se quisesse arrancar meu rim e vender no mercado negro.


Céus, eu estava ferrado.



[...]


Durante toda a tarde eu fiquei pensando no Kim, e no fato de que iríamos sozinhos para casa. Nós raramente ficávamos sozinhos e a última vez foi há mais ou menos três meses atrás. Era um sábado a noite e marcamos de ir ao karaokê com todo mundo, Taehyung apareceu na minha casa dizendo que aproveitou o caminho já que fora encontrar o pai em uma praça perto da minha rua. Marcamos às oito e ele apareceu as seis, durante duas horas ficamos sozinhos, eu estava nervoso e mais envergonhado que o comum, então mal tínhamos um assunto. Ele passou todo tempo mexendo nas minhas coisas e quando encontrou minha prateleira de mangá, tirou de lá o primeiro volume de One Piece e ficou lendo. Era como se eu não estivesse ali, mas eu estava, e estava me odiando por não conseguir conversar com ele. Poxa eu queria tanto que fôssemos mais próximos, mas sempre ficava tímido demais para manter um assunto, ou eu gaguejava terrivelmente ou eu não sabia o que dizer e simplesmente me calava. Não o culpava por ele não ter interesse em se aproximar de mim como havia feito com Namjoon. Era invejável como eles conversavam tanto, e haviam se tornado próximos facilmente.


Eu estava sempre sobrando, o mais distante da rodinha que só estava ali por estar e ninguém se importava realmente. Mas no fim a culpa era parcialmente - ou toda - minha.


Quando meu expediente acabou e eu finalmente pude bater o ponto e sair de trás daquele balcão e me livrar daquelas roupas eu encontrei Taehyung em uma mesa a poucos metros do restaurante no centro da praça de alimentação. Respirando fundo, iniciei uma contagem mental, e durante o percurso até ele prometi a mim mesmo que não seria tímido, que não gaguejaria; ou ficaria sem voz. Era a minha chance de provar para ele que nós podíamos ficar mais tempo juntos sem que fosse chato ou desconfortável com o silêncio sempre presente.


“Vamos, Tae-ya?” O chamei quando alcancei sua mesa, ele sorriu fechado e se levantou assentindo. “Espero não ter te feito espe-rar.”


Ótimo Hoseok, na primeira oportunidade você gagueja.


“Ah, não, cheguei há uns cinco minutos.”


“Ah…” Assenti e desviei o olhar começando a caminhar. Eu nunca entendi porque todo assunto que eu tinha no mundo parecia tão idiota perto dele, era como se nada fosse bom para ser conversado e eu simplesmente tinha medo de dizer. A minha timidez era cruel, realmente.


O legal de tudo é que caminhamos lado a lado pelo Shopping, as vezes nossos braços se tocavam e eu sentia um arrepio gostosinho subir por minha espinha, e consequentemente as minhas bochechas gordas queimavam em pura vergonha por isso.


“Você trabalha todos os dias?” Taehyung soltou de repente, e eu ergui um pouquinho a cabeça para olhá-lo, considerando que ele era um pouco maior que eu.


“Sim, todo dia, até mesmo nos domingos.” Me esforcei para dar uma resposta completa e convicta, perfeita, sem voz falha ou trêmula, sem gaguejar. Não contive a vontade de girar o pescoço quebrando o contato visual só para sorrir em satisfação.


“Acho que consegui um emprego naquela loja que cobri o Chanyeol hoje. Nós podíamos vir juntos e ir embora juntos também. Você pega depois da aula, né?”


Okay; certo, eu estava ouvindo errado, muito errado. Aquilo não podia ser real.


Eu não sabia nem mesmo como responder ou o que responder, achei outra vez que ia ter um ataque de asma e dessa vez eu não aguentei e tirando a bombinha do bolso a levei até a boca, sugando o ar dali umas quatro vezes e tentando controlar a minha respiração e entusiasmo enquanto o olhava.


“Você está bem?” Ele tocou em meu ombro, num ato gentil.


Eu, você, vir pro trabalho, podemos, bem, estou.”


Aquilo foi tão ridículo que o cabeludo mais bonito que o mundo já viu gargalhou. Não sei se estava me achando um idiota ou por aquilo ter sido engraçado de uma forma patética. Dado qualquer alternativa; eu só queria morrer ou me esconder em alguma lata de lixo.


É uma pena ser gordo demais para caber em uma. 


Notas Finais


Eu amo muito o hoseok dessa fanfic, ele é tão fofo, tão bebe, deem muito amor a ele, obrigado de nada


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