História CRY BABY - The Storyfic - Capítulo 3


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Categorias Melanie Martinez
Tags Bebê Chorao, Beth Anne, Cry Baby, Drama, Johnny, Melanie Martinez, Tragedia
Visualizações 9
Palavras 2.295
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Incesto, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - Sippy Cup


Fanfic / Fanfiction CRY BABY - The Storyfic - Capítulo 3 - Sippy Cup

“O sangue ainda continua quando os lençóis são lavados

Sexo não dorme quando as luzes são apagadas

Crianças continuam depressivas quando você as vestem

E xarope continua sendo xarope em uma mamadeira”

 

 Uma semana havia se passado desde a visita da família Thompson, e para a sua própria surpresa, Melanie só pensava em quando poderia ver Alexandre novamente. Poderiam se ver na escola se os pais dele não o ensinassem rigorosamente em casa. Imaginou se a família dele era tão diferente da sua a ponto dele não se importar em passar quase o dia todo em casa, estudando.

 Melanie voltava lentamente a pé da escola, tinha sido um dia difícil. Francis e os seus “serviçais” a aborreceram mais do que o normal e havia tido uma prova extremamente difícil onde tinha tirado a nota média. Preocupou-se, porque apesar de ser a bebê chorão esquisita, ainda tinha as melhores notas da classe, e não queria dar o gostinho a Francis de chamar-lhe de burra. Os professores a elogiavam e perguntavam-lhe como sabia tanto. Queria responder-lhes que quando não se tem uma vida de verdade, há muito tempo livre para aprender qualquer coisa. Mas dizia que era somente porque gostava de estudar, o que não era verdade, odiava a escola.

 Enquanto ia andando pelas ruas, um grande cartaz cor de rosa colada à vidraçaria da padaria chamou-lhe a atenção. O cartaz anunciava a vinda de um grande festival para a cidade em apenas um dia, onde haveriam todos os mais variados tipos de brinquedos, com direito a um circo e barracas de doces. Os olhos de Melanie brilharam diante daquilo, nunca havia ido a um festival, na verdade, nunca tivera tempo fora de casa dedicado ao lazer. Decidiu que iria, e pensou em talvez convidar um certo garoto para ir junto.

 Correu para casa animada pela novidade, quando entrou, bateu a porta de propósito, apenas de brincadeira, mas não escutou ameaças da mãe. Subiu para o quarto, largou a mochila em cima da cama e desceu para almoçar, mas para a sua surpresa, não havia almoço. Perguntou-se onde estaria a família, já que ninguém dera sinal de vida desde que chegara. Para não morrer de fome, pegou alguns biscoitos no armário e preparou um copo de leite quente, e em seguida, subiu de volta para o quarto.

 

♠ ♠ ♠

 

 Murcy nunca fora a melhor pessoa do mundo para demonstrar afeto e sentimentos. Talvez porque ela não os sentia verdadeiramente por ninguém, não de propósito. Há muitos anos os seus pais já nutriam sentimentos de repugnância por ela. Desde que a irmã mais nova nascera e passara a se tornar o orgulho de toda a família, tem sido somente ela e as garrafas de álcool.

 Não saberia dizer-lhe o que é amor, afinal, nunca fora lhe ensinado, nem mesmo amava o próprio marido. Ambos tiveram pais rigorosos e orgulhosos, o que resultara em um casamento arranjado. Nunca conseguiu encontrar um momento sequer em que poderia dizer que gostava de Jose, desde que foram apresentados se tratavam com ignorância, e não importava o que os pais lhe obrigassem a fazer.

 Afundava-se em sua fantasia de bebidas e cigarros, que lhe davam forças para suportar os dias infernais que tinha de viver dentro da própria casa. Além de um marido que não amava, tivera dois filhos de quem não lembrava nem a idade. O mais velho era quase uma cópia deles, também não se interessava em tentar tornar aquela coisa em uma família de verdade, exceto quando havia alguém por perto. E a mais nova era totalmente incompreensível para Murcy, não se parecia nada com ela, era teimosa e meio estranha, talvez um pouco maluca. Muitas vezes que passara pelo quarto da filha ouvira soluços e choros lá dentro, mas não era suficientemente sentimental para se forçar a girar a maçaneta e perguntar-lhe o que se passava.

 Seus dias se baseavam em sair pela cidade e comprar roupas, joias e maquiagens caras para lhe suprir o vazio interior, todo o dinheiro vinha do marido, que era o único em casa a trabalhar. Quanto menos ficasse em casa, melhor para ela, não suportava ver nenhum dos três e agir como uma empregada enquanto todos faziam sabe-se lá o que. Mesmo não tendo uma relação totalmente verdadeira com Jose, ainda se permitia a se importar quando o relógio marcava uma da manhã e ainda não sentia o corpo do marido ao seu lado na cama. Cogitava ideias de que era traída constantemente, por vezes enxergava marcas de batom cor de rosa no pescoço do marido, uma cor de batom que aprendera a odiar. E fios de cabelos lisos nos ternos dele não escapavam dos seus olhos. E por vezes, nem dormia. Ia para frente do espelho e pintava a cara inteira, se enchia de pó e brilho labial, tentando convencer-se a si mesma e aos outros de que era bonita, mas nem toda a maquiagem do mundo poderia fazê-la sentir-se menos insegura.  Pegava uma garrafa de uísque na estante de vidro da sala, ia para a cozinha e bebia, e de novo, e de novo, e às vezes abria mais espaço para qualquer outra bebida que visse primeiro. Naquela noite também não havia sentido Jose ao seu lado na cama. Deram duas da manhã e nada do marido dar as caras. Sentia mal estar por ter bebido tanto, muito mal, e então caíra por ali mesmo, no meio da cozinha.

 Sua cabeça doía quando abriu os olhos, ouvira a porta bater, mas quem quer que fosse não o queria ter feito, ouviu alguns “Shhh” seguidos de risinhos. Não disse nada e continuou imóvel no chão frio, sentia-se fraca demais para tentar levantar. Os passos ficaram mais próximos, percebeu que se tratava de duas pessoas, sabia que uma delas era Jose.

 Assim que sentiu as duas pessoas passando a um ponto próximo ao seu corpo, reuniu toda a sua energia e forçou-se a se levantar. Cambaleando, apoiou-se na cadeira da mesa onde estivera minutos atrás.

 - E então, quem é a dama de sorte desta vez?  – perguntou meio bêbada para o marido, enquanto tentava ficar de pé.

 Abraçada à Jose, a mulher virou-se revelando o seu rosto. Murcy não conseguia expressar bem o choque que sentia no momento, devido ao fato de estar bêbada. Seu rosto exibia uma expressão nada amigável quando enxergou o rosto da Sra. Thompson sob a luz da lua que atravessava a cozinha.

 - Murcy? – perguntou o marido. – Por que ainda está acordada?

 - O que essa vadia faz aqui? – Murcy perguntou em um tom alto, apontando e cambaleando na direção da Sra. Thompson.

 - Não toque nela – disse Jose em um tom grosseiro, afastando a esposa da amante. Murcy estava bêbada, mas não o suficiente para aceitar que um ato daqueles acontecesse.

 Era a Sra. Thompson. A mulher que havia pisado sob seu teto, comido da sua comida e que desejava unir seus filhos, e ainda ousava relacionar-se com seu marido. Murcy já havia se acostumado com as traições de Jose, mas aquela vez era diferente. Será que ele já havia dormido com ela outras vezes? Aquilo piorava tudo.  Murcy retirou as mãos de Jose dos seus braços.

 - Não, você não toque em mim, desgraçado – disse devolvendo o tom rude. – Como ousa trazer essa vaca para dormir com você? O que será que o seu amado chefe dirá quando ficar sabendo?

 - Você não contará nada, senão...

 - “Senão”? – Murcy riu debochadamente e andou ao redor da cozinha. – Senão o quê? Vai me agredir? É claro, por que não né? A Murcy é uma idiota, não é mesmo? – os olhos de Murcy coincidentemente encontraram-se a uma faca largada no balcão da cozinha, andou até ela e a alisou, não permitindo que os amantes atrás dela percebessem o que estava pensando. – Eu sou só o disfarce para que você impressione seu chefe e não deixar que perceba como você é um mentiroso e cafajeste e de como dorme com uma puta diferente todas as noites.

 Murcy virou-se, exibindo a grande faca prateada. Jose arregalou os olhos enquanto protegia sua amante com o próprio corpo.

 - Mas adivinha só – continuou Murcy, enquanto se aproximava dos dois. –, dessa vez a puta... É a puta dele – terminou rindo alto.

 - Murcy, por favor – disse Jose desesperado. – Não está pensando direito, está bêbada, largue esta coisa, nós podemos resolver isso. Não iria fazer isso com seu marido, não é?

 E então o corpo de Murcy foi completamente tomado por uma ira que não sabia de onde havia vindo. A mão com a faca se ergueu mais alto e ela se aproximou ainda mais enquanto os outros dois iam lentamente para trás.

 - Marido? Marido? – gritou. – Durante todos esses anos nós vivemos sob o mesmo teto e você não me dá nem bom dia. Eu deito todas as noites esperando que haja um homem do meu lado, mas ao invés disso você está sabe-se lá onde com essas prostitutas. Sei que não gosta de mim tanto quanto não gosto de você, mas se é tão bom em fingir para as pessoas que me ama, por que não pode pelo menos fingir para mim? Agora não preciso me preocupar – diminuiu o tom da voz. –, porque não vai poder fingir para mais ninguém.

 E num impulso, Jose prendeu seus pulsos enquanto a Sra. Thompson corria para tirar a faca de sua mão. Murcy se debatia e agarrava com força a faca, mas Jose era forte demais para ela. Então reunindo toda a força que tinha chutou o corpo da mulher, que caiu e bateu a cabeça no armário da pia. Jose, no momento em que se virou para ver o que havia acontecido à amante, afrouxou as mãos, então Murcy aproveitou-se de uma sensação que nunca havia experimentado antes. Uma sensação de liberdade tomou seu corpo quando viu o marido cair no chão com sangue escorrendo do meio do peito. O grito agudo da Sra. Thompson atingiu seus ouvidos.

 - Você é louca! – gritou a mulher. – Fique longe de mim!

 - Ah, queridinha, você ainda não viu nada – Murcy rapidamente enterrou a faca na barriga da mulher. – Te vejo no inferno, vaca – sussurrou ao mesmo tempo em que os olhos da Sra. Thompson se fechavam e seu corpo caía de lado.

 

♠ ♠ ♠

 

Um estranho grito no andar de baixo fez Melanie acordar assustada. O relógio na parede marcavam três da manhã. Pensou no que poderia estar acontecendo lá embaixo. Seu irmão não era de sair de madrugada e sua mãe era preguiçosa demais para sequer ir matar a própria sede no meio da noite, exceto quando ia se embebedar, geralmente era o pai quem chegava tarde. A sua curiosidade não deixou aquilo passar batido. Levantou-se da cama e saiu do quarto, descalça para que não ouvissem seus passos.

 À medida que ia se aproximando da escadaria, ouvia a voz da mãe zangada com alguma coisa. Então olhou lá embaixo na cozinha e estranhou ao ver que sua mãe discutia com seu pai e a Sra. Thompson, perguntou-se o que a mãe de Alexandre estaria fazendo em sua casa nessa hora da madrugada, e sem o marido.

 Sua respiração se tornou ofegante quando percebeu que em uma das mãos a mãe segurava uma faca. Rapidamente encostou-se à parede do corredor e não se permitiu olhar, apenas escutar. Assim que a mãe terminara de falar, sentiu que algo estava acontecendo naquele exato momento. Ouviu um barulho alto, como algo batendo no armário da cozinha e em seguida um grito extremamente alto. Tapou os ouvidos com força e fechou os olhos, seu corpo tremia e desejava que aquilo não fosse real. Sentiu que o ar estava lhe faltando. Aos poucos tentou relaxar e se acalmar.

 Respirou fundo e finalmente parou de tremer. Reuniu coragem e começou a descer as escadas, desejando que tudo estivesse bem. Adentrou a cozinha e não viu ninguém lá. Receosa, deu a volta na mesa e a falta de ar retornou ao ver um grande lençol manchado de vermelho que escondia algo. Aproximou-se com medo do que pensava estar prestes a ver. Abaixou-se e com cuidado levantou um pedaço do lençol manchado, onde via os sapatos de seu pai e os saltos altos da Sra. Thompson. Seus olhos se arregalaram e ela foi tomada por um medo incompreensível. Nunca havia visto alguém morto, e pior, nunca havia visto alguém sendo assassinado. Se perguntou o que aconteceria agora, seu pai havia morrido, e a esposa de seu chefe também, e a culpada era a sua mãe. E ela havia sido testemunha.

 Largou o lençol e se afastou dos corpos, aterrorizada. Chamariam a polícia, e sua mãe iria presa, e então o que aconteceria com ela? Tentou respirar fundo e manter-se calma. “Tudo vai dar certo, vai dar certo, vai dar certo”, pensou. O medo foi retomado quando sentiu alguém a prender com um braço e tampar seu nariz e boca com um pano. Entendendo as intenções da pessoa, Melanie começou a se debater fortemente e a gritar, mas seus gritos eram abafados. O único pensamento que passava pela sua cabeça era “Eu vou morrer”.

 - Eu ficaria quieta se fosse você – surpreendeu-se ao ouvir a voz da mãe sussurrar ao seu ouvido. Melanie não entendia o que estava acontecendo, sua mãe estava tentando matá-la? – Não grite.

 Melanie não gritou quando Murcy retirou o pano de sua boca, mas um de seus braços ainda a prendia fortemente. Sentiu pânico novamente quando Murcy forçou uma mamadeira à sua boca, com um líquido de cor estranha que nunca havia visto, não fazia ideia do que era. Engolindo contra sua vontade, sentiu os olhos ficarem pesados e seu corpo enfraquecer por completo. Desmaiara sem mesmo perceber se a mãe a havia segurado ou não.



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