História Cry Baby - The Storyfic - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Melanie Martinez
Tags Bebê Chorao, Beth Anne, Cry Baby, Johnny, Melanie Martinez
Visualizações 5
Palavras 2.741
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Incesto, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Sei que há outras mil fics contando a mesma história, mas deem uma chance <3

Capítulo 1 - Cry Baby


Fanfic / Fanfiction Cry Baby - The Storyfic - Capítulo 1 - Cry Baby

CRY BABY

“Você está sozinha e perdeu todos os seus amigos

Você já se convenceu de que não é você, são eles

Você é única, e ninguém entende

Mas estas lágrimas de bebê chorão continuam voltando”

 

Baldwin, Nova Iorque

1865

 

 Embora cada pequeno choro ou grito que se era ouvido significasse o nascimento de uma vida, aquele lugar aparentava estar mais morto do que nunca. Era o maior hospital da cidade, complementado com alas psiquiátricas, salas de cirurgia, partos e, talvez propositalmente, ligado por uma pequena varanda a um orfanato de tamanho razoável que esbanjava tristeza a todos que o viam. Os corredores de cor branca do hospital eram preenchidos pelo silêncio e a atmosfera cinzenta do ambiente causava arrepios em qualquer um.

 Primeiro, um som baixo de pequenos batuques no chão que logo foi ficando mais alto. E mais alto. Até que pudéssemos identificar sons dos saltos altos de uma mulher andando apressadamente.

 Indo até um quarto bastante específico, a enfermeira levava grandes toalhas em seus braços enquanto tentava localizar o número certo nas várias portas do longo corredor. Encontrou o correto no fim dele, o último quarto. Assim que entrou, a mulher imediatamente recebeu a pequena criaturinha chorona em seus braços pelo médico. Ela o segurou firmemente e ao mesmo tempo com delicadeza, temendo que qualquer movimento pudesse machucá-lo.

 O médico saiu rapidamente para limpar as mãos cobertas de sangue. O bebê não parava de berrar nem um segundo sequer. Seu choro se misturava com o tick tock do relógio de pêndulo fixado ao alto da parede.

 Toda a barulheira parecia irritar profundamente a mulher deitada na cama de parto. Estava acabada, com os cabelos louros emaranhados e nas bochechas as lágrimas se misturavam ao resto de maquiagem que ainda lhe restava, as partes interiores de sua perna estavam ensopadas de sangue, seus olhos estavam completamente fechados e as sobrancelhas franzidas enquanto pressionava fortemente as mãos aos seus ouvidos.

 E ao lado da cama, uma poltrona no qual jazia um menino de aparentemente oito anos de idade, os cabelinhos castanhos perfeitamente repartidos de lado e a camisa social amarela bem arrumada com um bonito laço azul marinho rodeando a gola, segurava uma grande bolsa de cor rosa bebê ao seu colo. O rosto do garoto era indiferente, era perceptível que não queria estar ali.

 A enfermeira olhou para o pequeno bebê chorão, tentando identificar seu sexo. Numa tentativa de acalmá-lo, ela o balançou muito levemente, mas infelizmente não funcionou. Aproximou-se da mãe da criança.

 - É uma menina – Disse esperando que a mulher a ouvisse. Mas ela não parecia tão feliz com as novas notícias. Parecia prestes a arrancar as cordas vocais da filha a qualquer segundo.

 - Ai meu Deus. É um bebê chorão – Destampou os ouvidos e brutalmente arrancou a bolsa do colo do menino ao lado, retirou dela um maço de cigarros e pegou um, jogando a bolsa de volta. – Eu não suporto isso, tire logo essa praga daqui.

 Colocou o cigarro na boca e estalou os dedos à frente do rosto do garoto, que retirou da bolsa um isqueiro e ficou na ponta dos pés para acendê-lo para a mulher. A enfermeira fitou com pena o rostinho da bebezinha nos seus braços. Vendo-a chorar descontroladamente seus olhos marejavam. “Eu sinto muito”, disse mentalmente para a criança. Ainda agitando-a levemente, deixou o quarto.

 O menino do laço azul marinho depositou a grande bolsa rosa em cima de um pequeno armarinho na extremidade do quarto, seus olhos localizaram uma certidão de nascimento ao lado. Ele a pegou e passou os olhos pelas letras, havia aprendido a ler há pouco tempo, mas identificou que se pediam dados sobre a bebê. No alto da folha as palavras diziam “Olá, meu nome é...” e havia um espaço para completá-las. O garotinho se virou para a mãe.

 - Ela vai morar conosco?

 - É, né – Disse a mulher indiferente enquanto tragava.

 - Como vamos chamá-la?

 A mãe riu debochadamente.

 - Que tipo de nome se dá a um bebê chorão?

 O menino fitou o papel, pensando em algum nome, era óbvio que para a mãe não fazia diferença qual iria ser. Não achou nada que se adequasse o suficiente. Pegou uma caneta na bolsa da mãe e começou a escrever desajeitadamente.

“Bebê Chorão”.

 

1976

 

 O mês de março era marcado pelo início da primavera. Talvez você imagine um sol radiante, um céu azul completamente limpo, folhas verdes e fortes nos galhos das árvores, flores desabrochando e pequenos esquilos correndo das perseguições de crianças sorridentes e energéticas. Porém, o mundo não era o país das maravilhas, estava longe de ser. Principalmente para Melanie.

 Mesmo com apenas quase onze anos de idade, a menina sentia que já havia vivido cem. Sua rotina repetitiva e sem graça tornava sua vida cada vez mais monótona, o que era preocupante para uma pessoa de tão pouca idade. Mas ela não podia fazer nada, as crianças da escola estavam sempre idiotas, e a sua família estava sempre ocupada e distante, e também não se importavam. Sem amigos e sem qualquer propósito, sua vida era seus livros e seus desenhos.

 Sentia que toda aquela solidão aprisionada no quarto ao longo desses anos estava lhe deixando doente. Mas ela somente saía de casa quando necessário, às vezes passava meses só pisando os pés para fora para ir à escola. Não gostava nem um pouco do mundo do lado de fora do seu quarto. Sentia medo. Sentia medo das pessoas, do mundo. O mundo era um lugar cruel demais para ela, preferia continuar em sua fantasia.

 Mas ela sabia que a sua magia não poderia protegê-la do mundo pra sempre. Em algum momento, todos devem sair do seu país das maravilhas, o mundo real não é tão maravilhoso, todas as pessoas têm que acordar e crescer, e era isso que a apavorava, ela não queria acordar. Costumava imaginar como seria ser criança pra sempre, era o que mais desejava, a salvaria desse desastre desenfreado que era se tornar adulto.

 - ACORDE LOGO, MENINA PREGUIÇOSA, LEVANTE ANTES QUE EU ENTRE AÍ! – A manhã começava com o doce som da voz de sua mãe gritando na porta de seu quarto, seguido de fortes socos.

 Levantou-se assim que chamada, mesmo já tendo acordado há tempo, ficava deitada o máximo que pudesse antes de ter que enfrentar o circo de horrores do lado de fora. Foi até o pequeno banheiro que continha dentro de quarto, limpou-se e se aprontou, mas evitava olhar no espelho. Antes de sair pegou um livro da sua estante e o pôs na mochila, sabia que seria outro dia isolada sem ninguém para conversar então já ia prevenida para não morrer de tédio.

 Desceu as escadas e entrou na cozinha, onde a mãe, o pai e o irmão mais velho comiam. Ninguém conversava, nem ao mesmo se olhavam. O pai focava inteiramente em seu jornal, a mãe tomava o café com os olhos tediosos e o irmão fazia o seu dever de casa, com um lápis em uma mão e uma torrada na outra.

 Melanie estava acostumada a ver aquela triste cena todos os dias, por isso não se importava mais em não ter alguém pra falar de manhã, ou o dia inteiro. Sentou-se à mesa em silêncio e começou a preparar leite com chocolate para ela, não costumava ter fome de manhã, então assim que terminou pegou sua mochila e saiu de casa sem dizer nada.

 Apesar de todos os pesares, ela não podia reclamar, tinha uma casa e uma cama quente, além de quatro refeições ao dia e uma educação adequada em uma boa escola. Era algo que nem todas as crianças da cidade possuíam, e ela não queria ser mal-agradecida. Se coisas materiais eram o suficiente para alguém ter uma vida completa então ela não iria contrariar.

 A escola era suficientemente perto para ela caminhar até lá, o que não incomodava Melanie, melhor do que ter que pedir carona ao pai. Sua escola era a mais prestigiada da cidade, de três andares possuía um enorme refeitório, um playground dos mais variados brinquedos e uma quadra de esportes gigante. Porém, aquele lugar de grande importância abrigava mais crianças ricas do que inteligentes, não importava se eram cabeças ocas, qualquer um passava pelo portão se carregasse um título ou sobrenome nobre.

 Chegara cedo demais e a aula estava longe de começar. Foi se sentar em um dos banquinhos do pátio, onde todas as crianças que chegavam antecipadamente ficavam. Pegou o livro que trouxera e começou a ler. Era o que fazia normalmente às manhãs, sentar no pátio e ler. Evitava ao máximo sair de seu quarto, mas quando saía evitava ao máximo ficar em casa olhando na cara de sua família, razão porque sempre chegava cedo.

 A sua paz não durava muito, um dos meninos mais velhos, Francis Walter, começava a encher-lhe a paciência quase todos os dias sempre que a via. O garoto normalmente vinha-lhe encher de xingamentos e provocações, mas não chegava a encostar-lhe um dedo. Mas para Melanie, as palavras do menino doíam como um soco na cara.

 O menino se aproximou dela com o seu grupinho de amigos, ou serviçais (como Melanie costumava chamá-los), na cola dele. Melanie continuou lendo na esperança de que fossem embora, mas continuaram parados de pé. De má vontade, fechou o livro e encarou os trogloditas na sua frente.

 - O que é que vocês querem hoje? – Perguntou Melanie com impaciência.

 - Veja lá como fala comigo, garota. Mais uma palavra e você não conseguirá levantar da cama amanhã de manhã.

 Melanie arqueou uma das sobrancelhas. O garoto com seus míseros 13 anos se achava o dono da escola. Era até forte demais para a sua idade (mas nem isso compensava a burrice que tinha), mas ela sabia que ele nunca batia em mulheres, só ameaçava. Nó máximo socava alguns garotos das séries abaixo dele.

 - Eu duvido você tentar algo. Se o tempo que passa enchendo a paciência dos outros você gastasse lendo, talvez você não fosse tão burro.

 O garoto cerrou os punhos e seu rosto adquiriu um tom tão avermelhado que parecia que ia explodir de raiva. Um dos escravos de Walter tomou a frente e disse:

 - Cuidado com o que diz, vaca. Não bato em meninas, mas para você posso abrir uma exceção.

 - Cale a boca, Harris – Francis empurrou o menino para trás e se aproximou de Melanie fazendo-a levantar a cabeça para olhar o rosto feio do garoto – Está agressiva hoje. Será que é porque tomou coragem ou foram só as palavras que finalmente conseguiram fugir dessa porta no meio dos seus dentes?

 Walter e os outros meninos desataram a gargalhar no mesmo instante. O garoto chamado Harris riu como se fosse a coisa mais engraçada que ouvira na vida. Melanie abaixou a cabeça sentindo-se constrangida.

 Um dos maiores motivos que levavam as outras crianças a atormentá-la todos os dias, era o fato de que era a única da escola que possuía os dentes da frente separados, além de ter os dentes de baixo tortinhos. Aquilo a tornava motivo de chacota diariamente, e lhe rendia apelidos como “Abridor de latas” e “Castor”. Na maioria das vezes que escutava coisas desse tipo ela apenas continuava andando e fingia que não tinha ouvido, mas é claro que não conseguia ignorar quando estava sozinha em seu quarto.

 - Talvez você não saiba, mas existe algo chamado dentista – Continuou Francis - Devem cobrar mais caro para o seu caso. Precisariam usar martelos para juntar essa coisa.

 Os meninos riram ainda mais. Melanie escondia seu rosto tentando segurar as lágrimas involuntárias. “Por favor, não chore”, disse a si mesma.

 - Ei, Martinez – Outro dos meninos chamava Melanie – Deve ser legal, né? Para comer não precisa nem de abrir a boca.

 Queria poder dizer alguma coisa, mas não conseguia, suas lágrimas estavam implorando para sair. Ela odiava demonstrar fraqueza, mas havia momentos em que não conseguia evitar.

 - O que foi? – Dizia Francis com o rosto próximo ao seu. – Quer dizer alguma coisa, bebê chorão?

 - E-eu... Eu... – Procurava algo para dizer, mas era intimidada pelos pequenos pesadelos à sua frente.

 - “Eu... Eu...” – Disse em deboche para a menina. – Você é só uma menina esquisita e boba, o que explica porque não tem amigos. Ninguém quer ser amigo de uma estranha igual a você.

 E então as lágrimas de bebê chorão saíram da escuridão, derramando onde todos podiam ver. Chorar só deixava Melanie mais vulnerável aos seus monstros. Ela não entendia o porquê, o porquê faziam isso com ela, por que  era atormentada diariamente por aquelas pessoas, por que insistiam em abrir as torneiras de seus olhos. Perguntou-se se aquilo lhes dava prazer, ou se era apenas seu passatempo, se era dessa maneira que costumavam liberar o ódio no coração.

 - Ai. Coitadinha, ela está chorando – Disse Francis. – Agradeça porque ainda não lhe demos motivos suficientes para chorar, bebê chorão. Porque não pede à sua mamãe uma chupeta de presente?

 - E tente se parecer mais com uma garota – Disse outro menino – Seu cabelo está pior que os nossos juntos.

 Francis agarrou seu livro e o jogou longe. O livro atingiu em cheio uma pequena poça de água que fora deixada pela fina chuva da madrugada. Os trogloditas riram mais um pouco e enfim se afastaram ao toque do sinal da primeira aula. Ainda com lágrimas salgadas no rosto, Melanie correu até o seu livro encharcado e o pegou com cuidado. Levou-o para dentro da escola aberto nas mãos para que secasse, enquanto pedia com toda a sua força que aquele dia passasse o mais rápido possível para correr para o seu quarto e nunca mais sair de lá. Mas ela sabia que não seria assim. Não seria tão fácil. Nada era tão fácil para a bebê chorão.

 

 - MENINA, BATA A PORTA MAIS UMA VEZ E EU VOU FECHÁ-LA NO SEU BRAÇO – Ouviu a mãe gritar do quarto quando entrou com raiva em casa, batendo a porta com força. Frequentemente fazia isso, assim como frequentemente escutava as ameaças da mãe em razão disso.

 Subiu batendo os pés na escada, correu até o seu quarto e trancou a porta, e quase como um remédio a atmosfera de seu quarto a relaxou completamente e ela soltou um suspiro de alívio. “Ninguém pode me machucar aqui”, pensou. Jogou a mochila de lado e foi verificar o estado de seu livro. As folhas estavam enrugadas e ainda meio molhadas, a tinta no papel estava borrada e havia vestígios de terra e lama entre elas.

 Melanie arremessou o livro para o outro canto do quarto com força e enterrou o rosto no travesseiro, deixando que as lágrimas se libertassem. Ela só queria compreender. O que o mundo tinha contra ela? Ela odiava a sua vida mais do que tudo, odiava a escola, odiava a sua família, odiava as pessoas, e como elas eram malvadas, egoístas e cruéis. Desejava que o mundo fosse somente ela. Bom, o mundo dela era somente ela, mas no mundo perfeito não existiriam monstros.

 Os piores eram os da escola, eram grandes, fortes e invencíveis. Melanie costumava sonhar com eles, sonhos horríveis, onde tomavam formas desumanas e a puxavam para um grande buraco onde só havia fogo, enquanto rasgavam-lhe a carne do rosto, deixando somente osso à mostra. Queria poder enfrentá-los, mas se nos sonhos era impossível, quem dirá no mundo real. Mas mesmo antes de começar a falar, as suas lágrimas de bebê chorão surgem, e os seus sentimentos se escondem em seu coração. Melanie sabia que o problema eram as pessoas, e não ela, mesmo que várias pessoas a dissessem o contrário. Mas ela continuava pensando, “E se forem os outros que devem mudar?”, “E se não for eu de cabeça pra baixo, mas sim o resto do mundo?”.

 Mas eles a chamavam de bebê chorão. Ela dizia não se importar, mas dizia isso para se convencer de que estava tudo bem. Nada estava bem, nada nunca estaria bem, e era isso que a deixava com medo do futuro. Medo do incerto. Queria que alguma fada mágica aparecesse e lhe dissesse que no fim iria dar tudo certo, que não precisava se preocupar, que os monstros seriam derrotados e ela iria alcançar o seu tão sonhado país das maravilhas. Mas nada lhe fazia acreditar que podia acabar bem. Afinal, ela era a bebê chorão. A garota mais triste cujo coração era maior que o seu corpo.


Notas Finais


Bullying e depressão são coisas sérias. Se você sofre de algum dos dois procure ajuda imediatamente, você nunca está sozinho no mundo <3

Meu twitter é @icefouric (não tem nada lá mas pode me seguir mesmo assim :3)


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