História Cry Me A River - Capítulo 39


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Neighbourhood
Personagens Jesse Rutherford, Zach Abels
Tags Amor, Decepção, Desejo, Jesse Rutherford, Musica, Sexo, The Neighbourhood, Traição, Zach Abels
Visualizações 33
Palavras 3.588
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


É aquela velha história né...desculpem pela demora e não desistam de mim kkk

Capítulo 39 - Other Day


Fanfic / Fanfiction Cry Me A River - Capítulo 39 - Other Day

O táxi estaciona na porta do prédio um pouco depois das três da manhã. Fico feliz em olhar para cima e não ver nenhum fecho de luz na janela de Babs, indicando que ela já está dormindo. No entanto, quando chego à sua porta, lembro-me de que não tenho chave e não sei onde fica sua chave extra. Respiro fundo e me encosto na porta, deixando meu corpo escorregar lentamente até o chão. Não quero chamá-la, por que sei que assim que ela abrir esta porta, um bilhão de perguntas cairão sobre mim e não estou preparada para isso. Não estarei preparada para falar sobre esta noite por um longo tempo.

Fico ali, sentada em sua porta; sapatos jogados pelo corredor, vestido amassado, maquiagem borrada e um coração ferido. Solto um suspiro trêmulo ao concretizar o último item para mim mesma.

Anabel. Beijos. Sexo. Arrependimento. Lágrimas.

Quatro meses planejando esse reencontro, quatro meses me preparando, me desintoxicando, me tornando uma pessoa melhor, tentando, de todas as formas, me sentir digna do amor desse homem...quatro, malditos, meses jogados no lixo em algumas horas. Todas as minhas noites em claro, meus choros, meu sentimento de "não merecimento", meu arrependimento por tê-lo tratado daquela forma...Tudo em vão. Me sinto pior agora. Me sinto envergonhada. Como é que fui capaz de imaginar que tudo seria tranquilo e que tudo daria certo e que nós iríamos nos entender e viver felizes para sempre? Quando eu me tornei essa garota ridícula, carente e inocente? Quando eu me tornei esse tipo de pessoa que acredita em conto de fadas ? Quando foi que eu passei a acreditar que alguma coisa daria certo para mim ? Eu mal posso dizer o quanto eu me sinto envergonhada agora; vir até aqui, depois de quatro meses, sem dizer nada e imaginar que isso poderia dar certo, promover um reencontro em uma boate, pegá-lo de surpresa, achar que provocá-lo seria melhor do que conversar e tentar resolver as coisas e no final ainda lhe oferecer um sexo de flashback que não significaria nada além disso. Eu provavelmente cometi mais erros esta noite do que nos últimos meses.

Beijos. Lágrimas. Anabel. Sexo. Arrependimento.

Quando meus olhos o encontraram, no alto daquela escada, sorrindo e conversando de maneira relaxada com Brandon, eu tive certeza de que ele era o homem da minha vida e que eu tinha feito a escolha certa em voltar para Los Angeles. Mas todos esses bons sentimentos se dissiparam um milésimo de segundo depois, quando eu vi seu braço sobre o ombro daquela mulher e logo em seguida quando eu a vi beijando-o, tomando-o para si e vê-lo correspondendo. Ele não fez nada para afastá-la ou impedi-la, eles estavam ali, se beijando e curtindo a presença um do outro, querendo estar ali na companhia um do outro. Naquele momento, eu soube que tudo tinha dado errado, que tudo estava errado e, quando os olhos dele se encontraram com os meus, eu soube que tudo ainda ficaria pior. O terceiro pior erro da minha vida foi ter tentado acertar, o segundo foi ter vindo para Los Angeles e o primeiro foi ter vindo para Los Angeles de novo.

Eu desapareci por quatro meses, o que eu queria ? Jesse é homem, um homem bonito, talentoso, engraçado, gostoso e livre; é óbvio que ele seguiria sua vida. Mas, eu só queria saber por que ele estava justamente com ela. Tantas outras mulheres na porra do mundo e ele estava justamente com ela. Talvez ele realmente goste de dar alguns replays com as ex que partiram seu coração. Acho que não, ela é especial, quando eu pedi que ele se afastasse de mim, ele esteve com ela. É lógico que ela é especial, ela esta tatuada no corpo dele. Então por que ele disse que ela não significava nada ? Bem, ele também disse que essas palavras não se aplicavam à mim minutos antes de me tratar exatamente como se eu não significasse nada, então talvez os papéis estejam invertidos e ela signifique tudo.

Não sei mais o que pensar. Minhas próprias palavras não fazem mais sentido. Sinto que estou girando e girando em volta da mesma coisa, feito uma roda gigante. Nunca chego à lugar nenhum. Não obtenho nenhuma resposta. Não sei o que fazer à seguir. Só consigo pensar no homem que eu amo beijando seu amor do passado e em seus olhos frios depois de me foder. Penso em fugir novamente, voltar pra Phoenix e, dessa vez nunca mais voltar. É isso que minha razão me diz para fazer.

Anabel. Beijos. Sexo. Lágrimas. Arrependimento.

[...]

— Alícia?... Alícia... Alícia você está bem ?

— Hmm — Resmungo, ainda de olhos fechados. Sinto minha cabeça doer, minhas costas e minha bunda. Não consigo me mexer.

— Alícia acorda, você tem que sair daí — A voz masculina me alerta. Sei que já escutei esta voz antes, mas agora estou incapacitada de fazer reconhecimentos. Meu estômago também dói. Estou com fome e com sede. Lentamente vou abrindo meus olhos; tudo que vejo são minhas mãos caídas uma de cada lado do meu corpo e meu colo, coberto pelo vestido preto. Estou sentada. Estou sentada no chão. Estou sentada no chão do corredor. Oh céus, eu dormi no corredor do prédio de Babs, ainda estou escorada em sua porta. Tento levantar meu pescoço mas isso me causa uma dor terrível.

— Não consigo...me levantar — Sussuro. De acordo que as lembranças da noite anterior começam a surgir e fazerem sentindo em minha cabeça, sinto as malditas lágrimas rolarem por minhas bochechas novamente. Sinto-me ainda mais ridícula agora. Não quero chorar, não quero pensar sobre isso, não quero mais sentir. Um soluço traiçoeiro escapa da minha garganta e coloco minhas mãos em meu rosto imediatamente. Não quero que o homem de pé à minha frente me veja chorando. Humilhada. Derrotada.

— Vem Alí, eu te ajudo — Ele se abaixa, e finalmente posso ver seu rosto. É Brandon. O que ele faz aqui ? Quero perguntar mas não tenho forças. Ele pega meu braço e passa por seu ombro, em seguida, passa o seu braço por baixo de minhas pernas e me levanta. Sinto-me zonza e enjoada. Álcool. Fazia tempo que não colocava uma única gota de álcool na boca e ontem passei dos limites. Não comi nada, bebi demais e ainda gastei todas as minhas energias em um sexo selvagem desastroso.

Ele bate na porta incessantemente. O barulho me incomoda, faz minha cabeça doer, mas não quero dizer nada. Finalmente abrem a porta.

— Alícia ? O quê...Meu Deus, o que aconteceu com você ? — Escuto a voz de Bárbara longe, quase um sussuro, apesar de saber que ela está em pânico e possivelmente gritando. Essa é a última coisa de que me lembro, antes que tudo fique preto e silencioso.

[...]

Claridade. Eu sempre odiei claridade. Meus olhos piscam freneticamente, tentando se acostumar com a merda da claridade. Estou deitada em uma cama macia, me sinto mais leve e... cheirosa ? Levanto meu pescoço calmamente e vejo que estou usando agora um pijama rosa de seda, que não é meu, sinto meu cabelo um pouco úmido e o cheiro de shampoo, não posso ver, mas tenho certeza que estou sem maquiagem, já que sinto minha pele leve. Alguém me deu banho. Me levanto imediatamente da cama e sinto uma pontada forte na cabeça. Merda ! Olho em volta e reconheço o lugar; é o quarto de Babs. Eu só espero, por tudo que há de mais sagrado, que tenha sido ela quem me deu banho. Embora nem isso diminua minha vergonha, eu nunca precisei disso antes. Droga. Quando eu acho que não pode mais piorar... Vou até as janelas e fecho todas as cortinas. Assim que estou em uma escuridão confortável, me sento novamente na cama passando as mãos pelo cabelo. Preciso colocar tudo em ordem.

Eu cheguei por volta das três da manhã, parei em frente à porta de Babs e me sentei no chão. Certamente, eu dormir ali mesmo, já que acordei no mesmo local com a voz de Brandon me chamando, mas não sei o que ele fazia ali, isso eu terei que descobrir depois. Ele me ajudou a sair do chão me pegando no colo, bateu na porta várias vezes e Babs a atendeu. Lembro-me de escutá-la perguntando o que aconteceu e em seguida não me lembro de mais nada. Eles devem ter me colocado para dentro, me dado um bom banho e me colocado aqui. Não me deram nenhum remédio, pois ainda sinto as mesmas dores de quando acordei no corredor. Lembro-me de tudo que aconteceu antes disso também

A boate. Bebidas. Jesse. Anabel. Dança. Provocações. Corredor escuro. Quarto de hotel. Sexo. Desprezo. Dor. Lágrimas.

Porém, são coisas que não quero mencionar agora. Eu preciso de remédios, comida e ar fresco. Respiro fundo, faço um coque no cabelo e me levanto, criando forças e coragem para sair por aquela porta e encontrar Bárbara e seu turbilhão de perguntas. Abro a porta e já posso escutar as vozes na sala, são mais de duas então, Brandon ainda deve estar aqui. Caminho lentamente até onde eles estão e paro bruscamente ao chegar no final do corredor, tendo a visão perfeita de todos na sala. Bárbara, Mikey, Brandon e Jesse. O que diabos ele está fazendo aqui ? Não teria sido suficiente o que aconteceu ontem à noite ? Tinha que vir tripudiar também, é lógico.

— Alí ! — Bárbara é a primeira a se pronunciar. Ele olha para mim. Eu ainda não consigo decifrar seus olhos, mas sei que ele está melhor do que eu. Pelo menos está usando suas roupas habituais, seu cabelo bagunçado e seu novo rosto indecifrável.

Levanto a mão, assim que Babs faz menção em começar a falar de novo. Ela acena positivamente e eu me direciono a cozinha. Estou magoada, nervosa, decepcionada. Por que ele está aqui ? Todos ignoraram o fato de eu estar deplorável, logo após me encontrar com ele, e foram correndo chamá-lo. Tenho quase certeza de isso é ideia da Bárbara, essa fissura que ela tem de juntar nós dois e, agora que eles são amigos, ela só vê o lado dele. Estou realmente magoada, eu só precisava de um tempo, e ninguém quis respeitar isso. Não esperaram eu acordar para saberem o que aconteceu, se eu estava bem, se podiam chamá-lo.

Assim que coloco minha mão na porta da geladeira, escuto sua voz.

— Alícia — Ele começa, tentando chamar minha atenção. Ignoro e abro a geladeira, pegando uma jarra de suco. — Nós temos que conversar.

Me viro, mas não o olho. Pego um copo, despejo o líquido alaranjado da jarra e procuro pelos remédios. Não quero responder, não quero falar com ele, não quero olhá-lo, não quero que ele esteja aqui.

— Quero saber por que você foi embora. Por que fugiu ? De novo. — Abro minha boca várias vezes para responder, mas me controlo. Balanço negativamente a cabeça e dou um sorriso mórbido. Ele só pode estar de brincadeira. — Você precisa me responder Alícia.

— E você precisa ir embora. — Revido. Não consigo mais ficar calada.

— Eu não vou embora. Ao contrário de você, eu não costumo fugir no meio das coisas — Agora eu o olho. Posso sentir meu rosto queimando em ódio. Pressiono meus dedos, com uma força desnecessária, no copo.

— Você veio até aqui para me insultar ? Jogar coisas na minha cara, tripudiar e me humilhar ? Se for isso, faça de uma vez e vá embora !

— Eu não... Alícia eu... — Ele passa as mãos pelo cabelo, fecha os olhos momentaneamente e respira fundo. — Por que você foi embora daquele jeito, Alícia ?

Ele ignora minhas palavras e mantém seus olhos firmes nos meus.

— Por várias razões, Jesse. Eu te disse que aquela não sou mais eu e que não estou mais a procura de aventuras casuais.

— E quem disse que o que aconteceu foi apenas uma aventura casual ?

Sinto um sopro de esperança dentro de mim, mas tento me controlar. Não foi uma aventura casual ? O que diabos foi aquilo então ? Para mim estava mais do que óbvio que aquilo foi extremamente casual e que ele não tinha qualquer outra intenção.

— Não acredito em você. — Ele desabafa, cruzando os braços. Ele se recosta no marco da porta e ergue uma sobrancelha, à espera da minha resposta.

— O quê ? — Me faço de desentendida. No meio de tudo isso, ainda me sobra a ironia e sarcasmo, motivados pelo ódio que estou sentindo dele agora. Eu estou errada, mas, ele fez o que fez comigo ontem à noite, seguiu sua vida e acha que tem o direito de vim me cobrar satisfações ?

— Sua desculpa para sair ontem à noite. Eu não engoli. Por que você saiu daquele jeito, Alícia?

Respiro profundamente e dou as costas para ele. Não posso olhá-lo, não posso me dar ao luxo de fraquejar. Como posso dizer para ele minhas razões, sem demonstrar tudo o que eu realmente senti com essa maldita noite ? Sem demonstrar o quanto fiquei magoada de vê-lo com outra, o quanto eu fiquei com inveja dela, o quanto eu senti ciúmes. Não quero que ele veja nada disso, não quero que ele tenha mais esse trunfo para jogar na minha cara.

— Eu...— Dou um suspiro profundo, desfaço meu coque e deixo meus cabelos caírem sobre as costas, enquanto tento encontrar as palavras certas. Me viro, olho para ele e concluo que a honestidade é o caminho mais fácil. — Você deixou muito claro que conseguiu o que queria...— Consigo sentir meus olhos arderem, mas não deixarei que ele veja minhas lágrimas novamente. Fico embaraçada com a possibilidade de soar como uma pobre garotinha carente e chorona. — Você saiu praguejando e demonstrando claramente que minha presença já não era mais necessária.

Ele me olha de maneira cautelosa e pisca rapidamente enquanto pensa em minhas palavras. Possivelmente, bolando uma boa desculpa. Tento manter meu rosto inexpressivo para que ele não veja o quanto estou arrasada. Me viro para o balcão e bebo os remédios, respirando fundo para que as lágrimas não saíssem. Devido ao silêncio torturante que se instalou na cozinha, eu decido me retirar. Olho rapidamente para todos na sala, com o melhor olhar de decepção que pude e me direcionei até o quarto onde eu estava ficando; quero que eles saibam que me decepcionaram.

— Meu Deus, Alícia ! — Ele sussura, chegando logo atrás de mim no quarto. Ele fecha momentaneamente os olhos, abrindo e fechando a boca como se estivesse querendo me dizer algo mais. Por fim, ele me olha. — Você faz alguma ideia... você me fez...— Ele para no meio, coloca as mãos nos bolsos de sua calça preta e caminha de um lado para o outro. Ouço ele praguejar novamente e sinto minha pele se arrepiar. — Eu só não queria que...— Ele interrompe novamente e da um suspiro, levando a mão até a nuca e inclinando a cabeça para baixo, balançando-a de um lado para o outro. Ele fica ali parado por um momento, encarando o chão.

Eu fiz o que? Não queria o que ? Termine as frases, imploro silenciosamente, observando seu corpo tenso, emoldurado pela luz da manhã. Só preciso que ele seja honesto comigo. Um sinal de que o ocorrido foi mais que uma foda casual. Eu daria tudo para ver seu rosto naquele momento e decifrar as emoções que ele tanto tenta esconder agora.

Ele se vira para mim e percebo que quaisquer indícios dos sentimentos que estamparam seu rosto segundos antes haviam desaparecido.

— Eu te pedi para ficar — Ele diz, como se fosse o único pedido de desculpas que estivesse disposto a fazer. Sinto que ele está tentando me dizer tantas coisas, mas não sei o que é. Ficamos olhando um para o outro por um momento, sem dizer nada. Os músculos de sua mandíbula estão contraídas, seu olhar é intenso.

Solto um suspiro bastante perceptível, sentido-me desconfortável com aquele silêncio, tentando não buscar significados ocultos em suas palavras. Eu tive a certeza de que tudo isso estava errado ontem a noite, não quero dá para trás agora.

— Dá um tempo, Jesse, nós dois sabemos que você não estava falando sério.

Ele dá alguns passos na minha direção, seus lábios se contorcendo como se aquilo pudesse impedi-lo de continuar falando. Ficamos à uma curta distância um do outro, nos encarando e esperando uma atitude. Dou de ombros e olho para baixo, mexendo na barra daquele short ridiculamente rosa e pequeno. Olho novamente para ele, na expectativa de que minha explicação possa impedir quaisquer outras perguntas que ele tenha.

— Digamos então que eu saí ontem à noite por razões que você não quer saber. — Seus olhos continuam fixos nos meus, silenciosamente exigindo mais. — Agora vá embora.

Não estou disposta a lhe dar nenhuma outra explicação. Não estou disposta a sequer conversar com ele. As imagens dele e de Anabel se beijando naquela escada, dela o chamando por seu apelido e passando seus braços pelos ombros dele, do olhar frio que ele usou depois da nossa transa, estão piscando em minha mente como as luzes de natal. Não posso lidar com isto agora. Quero paz, quero respirar, pensar e reunir todas as minhas forças e deixar que todo o autocontrole que conquistei em Phoenix me consuma novamente.

Ficamos em silêncio. Eu me afasto dele e pego minha mala no canto do quarto, jogando-a em cima da cama em seguida; preciso de uma roupa descente e que me torne mais...eu mesma. Tento fazer tudo de maneira natural, sem demonstrar que a presença silenciosa dele ali me afeta, me desconcerta e me embaraça. Sequer estou prestando atenção nas roupas, passo várias e várias vezes a mesma roupa e não pego nenhuma. Estou tentando me distrair, mas o simples fato de saber que ele permanece ali, é o suficiente para me desconcentrar.

— Alícia ?

— Hmm ?

— Saia comigo, num encontro de verdade. — Posso sentir a tensão tomando conta do seu corpo, como se aquele pedido fosse extremamente doloroso. — Saia comigo não porque estamos em algum joguinho, mas porque você quer estar comigo

Uma sensação sublime se apossa de mim diante da possibilidade de vê-lo novamente, de passar mais algum tempo ao seu lado. Tento afastar esse sentimento de mim, porque sei que quem irá se machucar mais uma vez sou eu, mas não consigo.

— Diga que sim, Alícia — Ele murmura, revelando um desespero contido enquanto se aproxima de mim novamente. — É inimaginável o quanto desejo que você diga sim.

Eu o encaro chocada, diante da vulnerabilidade que sinto em sua voz e em sua linguagem corporal. Por que ele tem medo que eu diga não, quando qualquer outra mulher diria sim ? Quando Anabel diria sim a qualquer momento? Por que ele está aqui, me implorando um simples sim, quando deveria estar com ela, seguindo em frente ? A cada segundo fico mais confusa, e os tentáculos da esperança começam a emergir das profundezas e me enlaçar. Não quero acreditar nas coisas que minha mente diz, não quero ter esperança, mas fica difícil quando olho em seus olhos e, pela primeira vez, consigo ver o que ele realmente está sentindo. Posso ver paixão e humor, desejo e desafio, promessa e medo. Não quero ver mais do que me é mostrado, não quero interpretar de um jeito que seja bom para mim mas mentiroso. No entanto, a intensidade em seus olhos faz com que eu queira pensar nisso mais tarde. Minhas emoções e minha voz me traem.

— Sim — Respondo na forma de um suspiro, ignorando completamente o raciocínio lógico de meu cérebro.

Ele acena de modo sútil, ostentando um sorriso tímido. Não diz uma palavra. E se aproxima o suficiente para que eu sinta seu hálito de canela misturado com menta de seu cigarro.

— Próximo sábado ?

Paro por um momento, como se tentasse me lembrar do que tenho na agenda. Sei, com toda certeza, que não tenho nenhum compromisso marcado, mas não quero parecer ávida demais.

— Estarei aqui às seis, Alícia. — Ele decide antes mesmo de eu responder. Ele me olha fixamente para se certificar de que eu ouvi. Quando retribuo o olhar, percebo que qualquer traço de vulnerabilidade se dissipou a muito tempo e foi substituído pela sua autoconfiança arrogante, a mesma de quando o conheci à muitos meses atrás.

Mordo meu lábio inferior e aceno, concordando. Gostaria de agradecê-lo por marcar nosso encontro de verdade, apenas no próximo sábado, me dando um tempo para reorganizar minhas idéias. Mas, sei que ele não fez isso só por mim, ele também precisa de um tempo.

Assim que ele sai pela porta, posso finalmente respirar e raciocinar. Fico olhando para a porta e fecho os olhos. Nada está resolvido. Nenhuma de minhas perguntas foi respondida. Por que, afinal, ele agiu daquela maneira na noite passada ? O que existe entre nós agora, se a noite anterior não foi apenas uma aventura passageira ? Como ele pretendia terminar a frase que nunca disse ? O que ele não queria? O que o fez vir até aqui ao invés de seguir sua vida, livre dos meus dramas ?

Dou um forte suspiro e caio na cama, tão confortável quanto a em que acordei minutos mais cedo. Minha cabeça começa a fazer um checklist das últimas horas e logo adormeço novamente. 


Notas Finais


Thanks and see you lateeeer 🌹


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...