História Crying Lightning (FANFIC PARADA) - Capítulo 36


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags 2ª Geração Betcher, Allie, Betcher, Breno, Giulia, Goullart
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Palavras 6.550
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Escolar, Famí­lia, Festa, Hentai, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá amores da Izzy.
E cês querem reconciliação? Tome reconciliação!

Capítulo 36 - Só não cai o meu amor, pois não tem jeito, é imortal


_ Vai se ferrar, Allie.

Minha voz saiu deixando todos ao meu lado surpresos com o meu ataque repentino. Allie Betcher parou a nossa frente e me olhou sem graça enquanto Mamãe se atrapalhou com o telefone em seu ouvido. Ela disse mais algumas coisas antes de desligar e então nos encarou, sem entender.

_ Aline, Giulia... A gente pode conversar, por favor?

_ Eu não tenho nada para falar contigo. Se mamãe tiver, fique à vontade para falar somente com ela. - Limpei minha boca e joguei o guardanapo usado na mesa antes de me levantar. - Tenham um bom dia.

Allie, é claro, não me deixaria ir embora, mesmo sendo essa a minha maior vontade, por isso segurou meu braço quando passei ao seu lado e me impediu.

_ Por favor, me dá uma chance.

Eu ainda estava com raiva de Allie. Não só pelo o que aconteceu na viagem, mas porque ela era a principal razão do término das minhas mães. Se Aline hoje estava num estado miserável e deplorável, era culpa de Allie. Se Mômma não podia dormir em sua casa mais, também era culpa de Allie. Mas nem mesmo toda essa raiva que me dominava impediu que eu visse a súplica e a urgência nos olhos claros dela e foi o que me ajudou a voltar à mesa e me sentar, mesmo a contragosto. 

_ Obrigado. 

Allie arrastou uma cadeira e se sentou à nossa frente. De canto de olho era fácil perceber que estávamos atraindo atenção dos outros clientes no restaurante e me perguntei se algum deles já sabia do que se tratava. Nas últimas semanas o sobrenome Betcher voltou a ser conhecido e a estampar diversas manchetes no mundo. E boa parte era por causa de Allie, que agora parecia não saber como continuar a conversa.

_ Eu sei que vocês devem me odiar agora. Sei também que eu fui covarde por ter simplesmente fugido e não encarado de cabeça em pé as consequências dos meus atos. Acreditem quando digo que conviver sabendo que eu ferrei a vida de muita gente é um castigo do qual eu nunca vou me livrar. A minha consciência está pesada e eu estou envergonhada de tudo o que fiz.

_ Não é a primeira vez que eu escuto isso de você, Alisson. Você disse as mesmas coisas há dois anos e acabou fazendo tudo pior, gerando ainda mais mágoas. Me desculpe, mas não sei se consigo acreditar nas coisas que você diz agora.

Aline rebateu de uma forma na qual não se importou em parecer grossa, fria ou sem emoção e isso fez com que Allie arregalasse os olhos. Ela estava surpresa com a reação de Mamãe, mas nos últimos dias eu havia me acostumado com essa nova Aline, que mais parecia morta por dentro, sem conseguir demonstrar qualquer emoção que não fosse dor e sofrimento. Por um lado, foi gratificante ver Allie reagindo aos efeitos de suas decisões, de ver como destruiu a vida de Aline e Fernanda. Só que ao mesmo tempo ela ainda era minha irmã e eu sabia que torcer contra ela não era uma atitude muito saudável.

_ Eu sei e palavra nenhuma poderia demonstrar o quão arrependida estou. – Allie se virou rapidamente e abriu sua bolsa antes de retirar de lá uma caixinha retangular roxa com bolinhas em azul claro envolvida por um elástico, a deixando sobre a mesa na frente de Aline. Eu não reconheci aquilo, mas Mamãe encarou intensamente Allie por alguns segundos, os olhos marejados.

_ É o que estou pensando? – A voz de Aline vacilou ao indicar a caixa com o queixo. Me perguntei se seria falta de educação pegar a caixa para ver o conteúdo, mas Allie a pegou antes, já que Aline não parecia ser capaz de mais nada a não ser encarar a garota a sua frente. Ela parecia surpresa e foi a primeira vez em muito tempo que a vi reagindo a algo tão verdadeiramente.

_ Você me deu isso quando fui morar com meus avós. Eu me lembro exatamente de quando me levou para o seu quarto e me entregou essa caixinha depois de limpar minhas lágrimas, porque eu não queria ir. Você disse que era emprestado, que aquela era a sua coisa mais importante e que sempre que sentia saudades de Mômma ou de qualquer outra pessoa da sua família você recorria a isso. É o seu porto seguro e quando você me entregou também se tornou meu.

_ Eu pensei que você havia perdido.

_ O que é isso? – Perguntei, confusa, observando cada vez mais curiosa a caixa. Ignorando as duas, peguei a caixa pronta para retirar o elástico e me surpreendi ao ver que nenhuma das duas tentaram me impedir. A curiosidade para saber o que afinal havia lá dentro era grande, mas ainda assim fui com calma. Antes de abrir a tampa olhei mais uma vez para as duas e percebi que elas aguardavam eu continuar. Aline parecia novamente a ponto de chorar e Allie balançou a cabeça, me motivando a continuar.

Abri a boca, surpresa com o que encontrei. Um pedaço vermelho de algo parecido com uma bandana aguardava lá dentro, cuidadosamente dobrada. Quase ao mesmo tempo em que retirei o pano escutei Mamãe suspirar e tampar os olhos com uma de suas mãos. Allie estendeu sua mão e pegou o pano de minha mão antes de colocá-lo na outra mão de Aline.

_ Esse pedaço de pano pertenceu ao meu pai e depois ao meu irmão. – Escutei minha mãe falar, assim que pareceu retomar o controle de si. Ainda assim olhava para o ano com admiração e carinho. – Depois de alguns anos, Fernanda me entregou como um presente, no dia do nosso casamento. É uma das poucas coisas que ainda guardo de Henrique e é um símbolo do amor de sua mão por mim. Eu vou ser sempre grata a Fernanda por isso aqui, por manter meu irmão meu irmão vivo e presente para mim.

Abri a boca, pronta para perguntar o motivo de ela ter entregue algo tão importante como aquilo para Allie, mas decidi que não fazia o mínima importância. Allie nem sempre foi como agora e antes a ligação dela com Aline era tão forte e especial quanto com Mômma. Ao invés disso peguei o papel e o abri, mal sabendo que ao chegar ao final eu também estaria tão emocionada quanto as duas ao meu lado.

Era uma carta escrita à mão por Fernanda, a letra de forma e cuidadosa era uma de suas características mais marcantes. A lateral já estava gasta e as marcas das diversas dobras causaram um ou outro corte na extensão do papel, mas ainda assim era possível ler claramente as palavras de amor escritas por Mômma, provavelmente antes do meu nascimento e de Breno. Mômma agradecia o fato da sua família estar unida. Ela se sentia abençoada por ter ao seu lado Allie e Aline, que lhe daria também mais dois filhos.

Enquanto cresci, ouvi diversas provas de que Mômma era uma pessoa romântica e apaixonada, mas ao ler aquela carta senti como se estivesse me intrometendo em algo tão grande, único e íntimo das duas. Era uma declaração de amor e também era a reafirmação da promessa de que Fernanda faria de tudo em nome do amor por Aline.

_ Isso é.... – Não consegui continuar, então só entreguei a carta para Aline. Pode ter sido o momento que tornou possível eu me solidarizar com minha irmã, porque eu me virei para ela e a agradeci em silêncio.

_ Perdi as contas de quantas vezes já li essa carta e não sei nem dizer como senti falta dela. Mesmo tendo uma cópia lá em casa, essa aqui, a original, é muito especial. – Mamãe suspirou ao colocar a carta na mesa junto às outras coisas. – Obrigada Allie, você não sabe como isso é importante para mim.

_ Essa foi a forma que encontrei para mostrar que eu nunca te vi como alguém que não era importante para mim, Aline. Você me acolheu quando criança e abiu mão de algo que é como se fosse um pedaço seu só para que eu não sofresse ao estar longe da minha família. – Allie parou e mordeu o lábio inferior, seu corpo estava retraído, pequeno e frágil enquanto lutava para continuar falando. Ela era boa para criar desculpas, mas até hoje em todos os anos nenhuma parecia ser tão difícil ser dita quanto hoje. Talvez por isso ela estivesse lendo outro papel que tirou a pouco da sua bolsa. – Você me deu tudo e eu nunca vou conseguir me redimir por te fazer sofrer como eu fiz. Eu falhei contigo, falhei com a nossa família e também falhei com Wallace. Eu gostaria de dizer que conversei com o médico e eu estou fazendo um acompanhamento com ele para que assim que possível eu possa doar e ajudar. Eu nunca mais usarei droga, juro pela a minha vida e juro pelo significado que essa caixa tem para mim. Eu comecei a trabalhar, estou pagando minhas contas e não ando mais com a Olívia. Voltei a frequentar a psicóloga e ela está me ajudando com a terapia. Estou me concentrando na faculdade e em montar a banda que eu sempre quis. Só que o mais importante é que eu entendi o que eu fiz e me arrependi de coração, por isso estou correndo atrás do perdão das pessoas que mais prejudiquei. Pedi perdão ao Wallace e o fiz jurar que não iria te contar até que a gente conversasse. Pedi perdão a Fernanda e foi humilhante para mim, porque eu percebi também que perdi mais do que a riqueza e o luxo que ela me proporcionava. Eu perdi a confiança das mulheres que mais admirava no mundo e, assim como jurei para ela, vou jurar na sua frente...”. Bom, e na de Giulia também.

Allie pegou a mão de Aline e também segurou a minha, que acabei deixando depois de hesitar um pouco. Agora ela já não precisava do papel e falou as próximas palavras olhando diretamente em nossos olhos.

_ Eu prometo que não vou ser mais um estorvo para essa família. Também não acho que vocês vão me perdoar rápido ou que vá ser a mesma coisa de antes. Mas eu quero que saibam que amo vocês e que me importo com o que pensam de mim. Estou aqui de peito aberto e disposta a mostrar que eu posso ser melhor. De agora em diante, farei tudo o que quiserem. Qualquer coisa, em qualquer condição.

Eu fiquei calada, pensando, enquanto as duas se encaravam. Aline então respirou fundo revezando os olhares entre Allie e a caixinha ainda aberta a sua frente.

_ Eu não posso negar que eu te amo, Alisson. Te amo tanto, mas eu também te odiei. Eu quis te culpar por muitas coisas que estavam dando errado na minha vida, só que também foi falta de atenção da minha parte. Meu erro, acima de tudo, foi achar que eu não poderia fazer mais nada para resolver nossos problemas. Talvez eu tenha desistido cedo demais, quando achei que já não teria paciência, muito menos força, para continuar te encarando. Naquela época que não poderia nem imaginar aonde minha vida chegaria. Mas, mesmo depois de tudo o que aconteceu, eu ainda te amo. Para mim você sempre será a menininha que falou sua primeira palavra para mim, é a pessoa que me ensinou o que era ser mãe e nada que você fizesse seria capaz de me fazer arrepender das minhas decisões anteriores. Eu fico feliz que você amadurecido e que esteja tomando um rumo. Só que é tudo muito recente e com todo o caso de Wallace e o divórcio...

_ Você não pode se divorciar.

_ Eu preciso Allie.

_ Não, você não precisa se divorciar. Você ama Fernanda e ela é completamente louca por você. Vocês já passaram por tanta coisa, não pode ser isso o fato de vocês terminarem.

_ Você não sabe de tudo, Alisson. Não tente consertar algo que você não entende.

_ Eu sei o que aconteceu com Elias. E sei que Fernanda não se importa com isso, assim como eu também não. Não perca a mulher d sua vida, Aline... Mãe. – Allie sorriu enquanto Aline levantou os olhos surpresa. Eu não conseguia lembrar a última vez eu Allie a chamou de mãe e pelo visto nem Aline saberia.

_ Obrigada pela dica. – Aline respondeu, com um sorriso no rosto, mesmo que a resposta fosse mais por educação.

_ Eu concordo com ela, você sabe.

Ambas se voltaram para mim, tão rápido que quase me assustei. Allie estava com os olhos fechados e desconfiados.

_ Você o quê?

_ Eu concordo com o que você disse sobre isso. Mas não se alegre, eu ainda não te perdoei, você ainda foi uma idiota e por mim a gente nem estaria conversando agora.

_ Giulia. – Mamãe me repreendeu, mas Allie abriu um sorriso envergonhado.

_ Eu quero te convidar para um lugar e lá eu vou te pedir desculpas do jeito que eu quero. Você estaria disposta a me ouvir amanhã?

_ Por consideração a mamãe agora, eu vou, mas não crie expectativas. Você não tem nada meu que possa mexer comigo como você fez com essa caixinha aqui.

_ Obrigada. Garanto que você não vai se arrepender. Agora eu tenho que correr, minha aula começa daqui a pouco.

_ Nós também já estamos indo, se você quiser uma carona.

Allie mais uma vez pareceu se surpreender com a atitude de Aline, mas acabou sorrindo e agradeceu a carona ao aceitar. Mamãe se levantou para pagar a conta e enquanto isso me aproximei da minha irmã para falar num tom mais baixo.

_ Você fez algo incrível hoje e eu realmente quero te agradecer por isso. Fazia tempos que não via mamãe alegre.

_ Eu falei sério, Giulia. Quero me retratar com vocês, quero ser perdoada.

_ Eu não estou falando que vou te perdoar, mas se você continuar assim, mostrando que se importa com as outras pessoas além de você mesma, será mais fácil.

_ Obrigada, irmãzinha.

_ Sem forçar a barra, por favor.

[...]

_ Vamos assistir esse aqui. – Laura apontou para o pôster gigante do filme de guerra que queria tanto assistir. Esse foi o assunto dentro do ônibus e na caminhada de cinco minutos desde o ponto. - Esse filme vai zerar sua cabeça! Você vai adorar. – Era o que ela dizia, mas aqui agora analisando o pôster bati no queixo com o indicador uma, duas, três vezes e então me virei para o outro lado analisando aos outros filmes. Não porque eu era ruim, mas eu já havia gastado muito dinheiro com algumas sugestões bem duvidosas de Laura durante o tempo de nossa amizade.

_ Não, vem, vamos assistir esse aqui, parece ser bem mais legal.

_ Mas eu já assisti...

_ Já? Com quem?

Laura bufou, indignada com minha pergunta. Demorei um pouco para me lembrar que ela estava namorando com André e deveriam ter vindo juntos “assistir” ao filme. Se bem que eles não necessitavam de um cinema para se beijarem, já que pareciam bem à vontade com a relação.

_ Vamos, Laura. Assiste de novo comigo.

_ Mas eu queria assistir esse... – Laura comentou desanimada, mas acabou cedendo e veio em minha direção. – Ok, se você pagar eu assisto.

_ Sem problemas, já está pago.

_ Não, Giulia, vamos assistir esse.

_ Ah nem.

_ Vai cara, tenho certeza de que você nem sabe do que se trata.

_ Claro que sei. – Segurei o sorriso e continuei observando Laura, esperando ela contar um filme que claramente não prestou atenção. Se negando a admitir, ela cruzou os braços e apontou com o queixo para o cara. - É um romance entre esse cara e a mulher...

_ Laura, caralho! Esse aqui é irmão da protagonista e a história não é sobre incesto. Vem, vamos ver esse aqui mesmo. E, olha, hoje você vai assistir ao filme completo e melhor, ao lado da sua melhor amiga, Olha que legal.

_ Eba! – O sarcasmo foi tanto na voz dela que não aguentei e comecei a gargalhar, entrelaçando nossos braços enquanto a puxava para a bilheteria.

_ Laura... – Chamei e ela me olhou com o seu olhar desanimado mais dramático. – Essa história se passa durante a Segunda Guerra e o Hitler vai aparecer

_ Hitler? Ok, vamos dar uma chance a esse filminho.

_ Vamos logo, Mosca. Eu ainda tenho que passar no apartamento de Clara.

_ Quem é Clara?

_ Já te contei sobre ela, não? A garota com quem Allie morava.

_ Ah sim. E por que você vai lá?

_ Conversar com Allie.

_Espera, o quê?

Aproveitei o momento de comprar os ingressos para pensar em como poderia explicar de forma sucinta sobre o que acontecido no restaurante com Allie e minha mãe, mas sabia que não adiantaria.

_ Eu não te contei, mas ontem Allie encontrou comigo e mamãe durante o almoço. Ela queria se desculpar, sabe. Fez uma cena completa e parecia realmente estar arrependida, mas principalmente fez com que Aline voltasse ao menos um pouco a ser como era, sabe? Você a viu outro dia, é irreconhecível.

_ Bom, dá para entender um pouco. Eu queria conversar contigo sobre isso, mas a doutora Luciene me aconselhou a não falar nada, mas você sabe né?

_ O que foi, Mosca?

_ Sei lá, tipo, eu e você sabemos como rola com a depressão, a gente vive isso diariamente. E dor é dor, cada um lida com a sua de uma forma própria, não deve ser um objeto de discussão entre as outras pessoas a não ser que seja necessário, sabe? Mas vendo sua mãe desse jeito, me pareceu que ela estava no ápice de uma crise depressiva. É aquela coisa, você só pensa em sobreviver ou desistir e, tipo, isso é foda.

_ Mamãe é obrigada pela polícia a conversar com alguém a cada seis meses. Ela nunca deu indícios e eu não se posso falar isso com ela sabe. Ela só está passando por uma fase difícil com o divórcio e tudo mais.

_ Sua mãe é forte, Giu. Mas ela é humana, assim como nós.

_ É o que estou te falando. Você devia tê-la visto ontem, Mosca! Ela reagiu. Ela sorriu de verdade, chorou de emoção, não era só uma reação qualquer a tudo isso. Eu acho que existe uma saída no fundo disso sabe. Acho que tudo pode realmente acontecer, até mesmo Allie tomar decisões racionais e corretas.

_ Sim, mas isso só não é mais surpreendente do que você aceitar se encontrar com ela assim. Você acha que as coisas entre vocês pode se ajustar? Mesmo depois do que rolou com Joshua na casa semana passada?

_ Eu não sei. – Suspirei ao comer uma pipoca do saco que tinha acabo de comprar. – Espero que sim.

_ Bom, é um evento imperdível, não é mesmo...

Laura vinha andando atrás de mim e eu nem precisava olhar para seu rosto para saber o que ela realmente queria.

_ Laura... Você quer vir junto?

_ Eu posso mesmo?

_ Bom, por mim super. Além do mais, ouvir Allie pedindo desculpas é algo que você só acreditaria vendo por si própria.

_ Se eu nunca disse isso, eu te amo menina Betcher. Só me leva para os rolê topzera!

_ Nunca mais repita isso, Mosca. – Comentei em meio as gargalhadas. - Pelo seu próprio bem.

[...]

Ao entrar no prédio de Clara, Laura parecia mais animada do que eu. Ela batia os pés rapidamente no chão ao esperar o elevador e estalava todos os dedos de sua mão a cada 5 minutos. Eu já havia desistido de tentar acalmá-la e até lembrei que era eu quem devia estar nervosa, mas não adiantou. Para falar a verdade, tinha piorado.

Só voltei a falar algo quando chegamos à porta com o número do apartamento de Clara.

_ Por Deus, Mosca. Relaxa.

_ Não consigo, Giu. Eu super quero que você se resolva com sua irmã o quanto antes.

_ A gente já conversou sobre o negócio da banda, não é?

_ Ah Giulia. Se a Allie me ajudar eu sei que vou conseguir muito mais rápido. Não quero entrar na banda dela, nem nada. Só quero algumas dicas com a bateria.

_ Relaxa e vamos com calma. Tenho certeza que Allie te ajudaria de qualquer forma, mas vamos ver o que vai acontecer hoje. Se ainda assim eu e ela não chegarmos a um meio termo você está liberada para conversar com ela sobre isso. Mas apenas sobre isso.

_ Deus, Giulia. Eu te amo, mesmo. – Laura agarrou meu rosto e estalou um beijo na minha bochecha. Ao mesmo tempo a porta do apartamento se abriu e nós duas pulamos de susto, já que ainda não tínhamos tocado a campainha ou algo do tipo. Pelo menos Clara nos recebeu com um sorriso gigante no rosto enquanto equilibrava o telefone entre seu ombro e a orelha.

_ Só um minuto. Sabia que havia escutado barulho aqui fora, entrem e fiquem a vontade. Estou pedindo a pizza e Allie daqui a pouco chega.

Troquei um olhar rapidamente com Laura antes de entrar e passar pela a garota que voltou a conversar no telefone. O apartamento era lindo e havia referências nerds pelo ambiente inteiro. Minha amiga parou em frente a um quadro gigante com uma tirinha do Calvin ampliada que estava exposto em uma das paredes da sala.

_ Eu amei esse lugar. – Laura sussurrou para mim enquanto continuava observando cada detalhe do apartamento. – Sem contar que essa Clara é linda. Eu sempre me pergunto como Allie consegue.

_ Allie jurava que não acontece nada entre elas, lembre-se disso. – Alertei Laura, que me olhou com um olhar desconfiado. Ela conhecia bem Allie e sabíamos que provavelmente era mentira. Porém eu já tinha visto as duas e Clara sabia se cuidar, não duvido que seja ela quem decidia o que acontecia entre elas.

_ Meninas, desculpem. Enfim, Giulia! Que prazer te ver, já tem um bom tempo que não nos vemos. – Clara arrumava seus dreads numa espécie de trança que se prendeu atrás de sua cabeça. Me lembro de invejar como ela ficava maravilhosa com os dreads escuros e seu estilo. Hoje ela vestia um conjunto de moletom azul, mas que ainda assim ficava ótimo nela. – E você, não conheço, mas seja bem vinda. Sou Clara, amiga da Allie.

_ Eu sou Laura, melhor amiga da Giulia.

_ Ah sim, claro. Allie já me falou sobre você.

_ Allie falou sobre mim?

_ Não se preocupe, foi uma história legal e me fez saber que você é uma pessoa foda. Vem aqui na cozinha um segundo e vai entender o porquê.

Acompanhei as duas no que era o espaço que ficava na outra metade da sala, dividida por uma divisória de meia parede. Ali, uma geladeira branca estava decorada com diversos imãs de geladeira e entre elas se destacavam um conjunto com pelo menos sies imãs em especial nas cores laranja, branco e preto.

_ Imãs de Clockwork Orange? Não Acredito! - Laura se ajoelhou e admirou os imãs de vários tamanhos. – E tem muito mais. Olha Giulia, esse Papai Noel com a criança...

_ Então além de cinéfila, você também coleciona imãs de geladeira? – Me virei rindo para Clara, que nos observava escorada na lateral da geladeira.

_ Assumo que talvez eu gaste dinheiro demais com essas coisinhas, mas eu adoro. E já dá para imaginar o quanto sua irmã me zoa quase todos os dias. Quando ela viu os de Laranja Mecânica ela me contou do caso da Laura. Fica tranquila, minha mãe também odiava.

_ O que ela diria se visse sua casa assim hoje?

_ Ela não aparece muito por aqui, mas ainda assim tentaria me persuadir a jogar tudo fora.

_ Sei bem como é. – Laura sorriu e levantou. – Clara, devo dizer que você em poucos minutos já se tornou uma das minhas pessoas favoritas.

_ Eu fico feliz com isso. De verdade. Eu tenho mais algumas coisas por aí, se quiser fique à vontade para mexer em tudo.

_ Você tem certeza? Não me leve a mal, mas Giulia sabe, eu odeio quando mexem nas minhas coisas.

_ Bom, você vai quebrar algo?

_ Obviamente que não. – Laura falou séria e bateu na madeira da mesa três vezes. – Só por garantia.

_ Então aproveita, Laura. Não posso compartilhar essa minha paixão com muitas pessoas e é uma honra deixar alguém que dá valor a minha coleção aproveitar essa oportunidade. Eu tenho muito orgulho dela e quero saber a sua opinião.

Num ato de impulsividade Laura abraçou a garota que conheceu a menos de 10 minutos.

_ Giulia, vamos roubar ela de Allie. Eu quero viver com ela para sempre.

_ Vai lá, Mosca. Curta tudo.

Sorri ao ver Laura se distrair com as coisas de Clara. Querendo ou não, uma parte de mim ainda se culpava pelo o incidente de alguns meses para trás e saber que cada dia mais Laura ficava mais forte me deixava com a mente ao mens um pouco limpa.

_ Como você consegue?

Perguntei de repente e Clara me olhou sem entender, confusa.

_ Em todas as vezes que te encontrei você foi uma pessoa maravilhosa e é tão natural. – Clara deu de ombros ao pegar dois copos e servir refrigerante para nós. – É sério.

_ Eu agradeço isso que é um elogio, eu acho. Ah, é só o meu jeito, tento não levar as coisas muito a sério.

_ Pode ser esse o segredo da sua convivência com Allie dar certo.

_ Sua irmã é fogo, Giulia, mas eu já percebi que muitas das coisas ela não faz por mal. É o jeito dela.

_ Você realmente a defende, não é?

Clara torceu os lábios, olhando para a sala por um segundo antes de se sentar mais próximo de mim. Sua voz ainda era leve, mas o tom baixo mostrava que o que ela iria falar agora era algo mais sério. Ali, bem perto, posso ver seus olhos por detrás dos óculos em observarem atentamente.

 _ Eu não devia me meter no seu lance com sua irmã, mas eu queria te pedir de coração para ouvir o que ela tem para te dizer. Eu conheço a Allie e sei de tudo o que aconteceu, mas eu realmente acredito que ela quer se redimir e ela está se esforçando.

Sorri para aquela garota e só então notei algo. Que não importava o quanto de mágoa eu nutria por Allie, muito menos me importava se ela e Clara estavam namorando ou não. Vendo o modo como Clara falava era evidente que Allie significava algo além para ela, era parecido com família, o tipo de sentimento que você direciona para poucas pessoas. Era tão forte quanto a minha ligação com Laura.

_ Eu acredito em você quando diz isso.

_ Bom, o importante é você acreditar nela.

_ Eu vou tentar, juro.

_ Eu sei que você vai.

Como se combinado, a porta fez o barulho da trinca e quase no mesmo tempo Allie entrou no apartamento, cantarolando uma canção qualquer.

_ O trânsito estava horrível, Clara. Por deus, eu não sei como vou... – Allie se virou em nossa direção e parou de falar na hora. Arregalou os olhos ao me ver e parecia confusa com a minha presença ali, tanto que revezava os olhares entre Clara e eu.

_ Giulia? O que você faz aqui?

Tentei falar algo, mas não consegui. Também olhei para Clara, que também não estava entendendo o motivo.

_ Ué, a gente... Você tá louca?

Quase no mesmo instante Allie caiu em gargalhadas e se aproximou.

_ Você caiu nessa, Giu? Eu super sabia que você já estaria aqui. Só não imaginava que estaria tudo agarrado, sinto muito o atraso.

Ignorei a brincadeirinha sem graça de Allie e tentei manter nossa convivência ali da forma mais tranquila possível.

_ Tudo bem, Allie. Clara nos manteve entretidas aqui, sem problemas.

_ Espera, nós? – Minha irmão parou de repetente, dessa vez confusa de verdade.

_ Allie! Pensei ter ouvido sua voz mesmo. – Laura apareceu na porta do que eu pensava ser o quarto de Clara e estava com uma máscara apoiada na parte superior da cabeça e o celular na mão.

_ Ah, claro. E ai, LauLau, tudo bem?

_ Sim, estou ótima. Agora vou voltar para cá, abraços.

Allie sorriu, se sentando ao nosso lado na bancada.

_ Eu devia esperar que se Laura aparecesse aqui ia simplesmente adorar.

_ Ela é um amor. – Clara comentou, acabando com o conteúdo de seu copo. – Bom, vou deixar vocês conversarem, tá.

_ Não quero te atrapalhar aqui, se quiser ficar...

_ Está tudo bem, Giu. Conhecendo Clara como conheço ela provavelmente está animada em ter companhia para jogar Imagem e Ação.

Clara sorriu bastante e deu de ombros e foi para o quarto, mas não antes de cumprimentar Allie com um beijo na bochecha, que deixou minha irmã um pouco enrubescida.

_ Ok, Giulia...

_ Posso dizer algo antes? – Allie acenou concordando, parecendo um pouco ansiosa. – Eu vim disposta a te ouvir, mas depois de conversar com Clara percebi que ela tem razão. Eu não posso te odiar para sempre e eu sei que você está tentando. Eu ouvi tudo isso ontem e acredito, de verdade. Mas meu caso contigo é diferente, você sabe.

_ Joshua.

_ Sim.

_ Existe alguma forma de você acreditar que meu objetivo não era te magoar? Eu não sabia que você ainda gostava dele, mesmo depois de todos esses anos. E ele não me contou, se soubesse que vocês já estavam juntos eu nunca teria ficado com ele novamente, principalmente na mesma casa onde você poderia nos pegar, assim como aconteceu.

_ Eu não quero discutir exatamente sobre ele, mas o que significa. Você sempre foi inconsequente, mas quando soube que você estava ficando com ele na hora já pensei que você iria destruir Josh totalmente, emocionalmente falando. Eu percebi esses dias o motivo pelo qual eu e você não nos damos certo... Ou melhor, o porquê parecer ser um martírio para mim ficar ao seu lado. Eu sempre vivi à sua sombra, Allie. Você foi a primeira, você tinha as melhores notas, se destacava em música, nos esportes, em tudo. Quando eu começava a me interessar por qualquer coisa, você já tinha feito. Eu comecei a ver isso como um desafio, eu tinha que conseguir bater de frente contigo, só que muitas vezes eu não conseguia. Isso começou a me deixar triste, ainda lá, pequena, com 5, 6 anos. Isso foi acumulando, Allie e a gente nunca conversou sobre isso.

_ Eu não sabia, Giu. Por Deus, eu não sabia mesmo.

_ Ninguém sabia, eu tentava ignorar. Achava que era algo besta. Ai então um dia parou de ser e eu comecei a guardar rancor de você. Só começou a melhorar quando comecei com os desenhos e depois com o violino. Também melhorou quando pude conversar com minha psicóloga, que me ajudou a entender tudo o que eu sentia. A verdade, Allie? Eu te admirava tanto que um dia o que era para ser meu exemplo passou a ser algo a ser superado.

_ Eu sinto muito.

_ A culpa não é só sua. Eu vejo isso agora.

_ Eu não converso com Joshua desde o que aconteceu. Nós meio que brigamos, para falar a verdade. Quando fiquei sabendo quis saber por que não me contou o que estava acontecendo.

_ Bom, eu conversei com ele, semana passada.

_ Mesmo?

_ Sim, ele está aqui em BH e insistiu para falar comigo.

_ Bom. Isso é bom.

Soltei uma risada seca, ficando puta só de lembrar o que rolou no meu quarto aquele dia.

_ Não foi bom, Allie. Ele quer coisas diferentes de mim e ficou bem claro.

_ Isso é uma pena, pensando agora eu até acho que vocês formam um casal bonito,

_ Não é uma pena, na verdade. Ele fez o que fez, não me merece.

Allie sorriu, parecendo feliz pela primeira vez durante a conversa.

_ Eu não poderia concordar mais.

_ E o que me diz? Você me perdoa, Giu? Por tudo?

Parei por um momento, pensando bastante nas minhas próximas palavras. Eu havia perdoado? Eu não sabia. Minha mente ainda parecia confusa. Fui salva de responder quando o porteiro aciona o interfone, avisando que a pizza havia chegado. Allie pega o dinheiro e vai até a porta, esperando pelo cara. A observei ali, o cabelo num dégradé de azul, que devia ter sido pintado recentemente. Ela parecia a mesma garota, fisicamente, mas já ontem eu consegui ver uma mudança nas atitudes e na postura da minha irmã. Isso é o tipo de coisa que me agrada e me faz pensar em dar um voto de confiança. Só que ao mesmo tempo, Allie já havia pedido a segunda, terceira, até quarta chance e sempre acabou nos chateando.

Em pouco tempo Allie voltou ao meu lado, passando com a pizza que cheirava muito bem. Ela deixou as caixas sobre a bancada e se virou para mim, também em observando.

_ Vamos ver como ficamos, pode ser? Não precisa me responder agora, agora.

_ Por mim, tudo bem. – Minha barriga deve ter roncado alto, pois Allie olhou exatamente para ela.

_ Pizza então?

_ Pizza!

_ Quem diria, tem o meu respeito agora. Na verdade está fazendo tudo o que eu queria.

_ Não precisa ser assim também, ironia não te cai bem quanto você pensa. – Ela sorriu sarcasticamente para provar seu ponto antes de voltar a comer sua pizza. Ela parecia distraída, mas ainda assim eu não conseguia falar tudo o que queria. Com dificuldade e escolhendo bem minhas próximas palavras, continuei o assunto. - Mas a verdade é que agora eu... Bom, eu também quero pedir desculpas.

_ Pelo o quê?

_ Eu sei que você está se esforçando e eu não te dei muito crédito.

_ Você está aqui agora, Giu. Para mim isso já significa demais.

_ Obrigada e sinto muito.

_ Você quer se desculpar de novo? – Allie começou a brincar e então o clima entre a gente se tonou muito melhor. Allie estava sendo ela e eu... Bem, confesso que estava gostando da noite. - Tudo bem que você errou muito, mas acho que já ouvi desculpas demais por um final de semana.

_ Opa, opa. Não disse isso. Não é para tanto. Não mesmo.

Allie deu de ombros e foi chamar as meninas que estavam no quarto. Ela voltou pouco tempo depois e já trouxe uma caixa de pizza com ela.

_ Elas disseram para a gente começar, que só vão acabar a partida lá no quarto e já vêm.

_ Do que elas estão brincando?

_ Não faço a mínima ideia.

_ Então, você realmente está se envolvendo pela Clara?

_ Eu... Eu realmente não sei. Talvez? Só sei que não consigo me imaginar nisso, mas ao mesmo tempo é tudo no qual eu penso. – Allie parou com a pizza a caminho da boca e me olhou pelo canto dos olhos. - Estou agindo errado?

Eu estava sem palavras e não sabia como responder. Allie estava pedindo ajuda para a pessoa errada, mas tentei pensar em algum conselho decente. Eu já não era a pessoa mais sensata do mundo e não estava acostumada a ajudar minha irmã.

_ Eu não sei... Bom, defina “errado”, porque na maioria das vezes o que é errado para você, para mim é certo...

_ Eu estou fodida. – Ela se jogou contra o sofá, com tanto pesar em sua expressão quando na voz.

_ É só que tá tudo tão recente, sabe. Tá acontecendo tão rápido e até algum tempo atrás você só sabia pensar na Olívia. Você pode ter uma idiota, mas ainda é minha irmã e eu não quero que você sofra.

_ Uau, eu não estava esperando por isso.

_ Imagino que não, mas Allie... Escute o que eu quero te falar sobre isso, não que eu seja a pessoa mais apropriada para opinar sobre, mas eu só quero te pedir para não estragar tudo. Clara... Você sabe como ela é. Fez com que Laura gostasse dela em poucos minutos e ela cuida de você, então...

Ela me interrompeu, suspirando ao continuar minha frase.

_ Só não estraga tudo. É, eu sei. Mômma me falou a mesma coisa. E eu não vou estragar, eu juro.

_ Estou falando muito sério.

_ Eu prometo que estou tentando ser uma boa pessoa, Giulia. Estou mudando, muito por causa dela.

_ Acredito em você.

Por mais que eu realmente quisesse acreditar, uma parte de mim já estava esperando pelo momento em que Allie acabaria fazendo algo de ruim. O passado às vezes parece tão vívido e volta constantemente para assombrar a família Betcher. Allie agora me olhava sorrindo.

_ Você é uma péssima mentirosa, mas eu realmente quero que esse dia chegue logo.

_ Bom, até ontem eu não pensava em ficar num cômodo ao seu lado por mais que alguns minutos e a gente está aqui hoje. Não sei, talvez esse dia chegue antes que a gente perceba.

_ Eu espero bastante que sim.

_ Ok. – Escutei a voz de Laura e pouco tempo depois ela apareceu vindo pelo corredor, seguida por Clara. – Eu quero saber onde está pizza que estou morrendo de fome.

_ Fique à vontade, tem de Calabresa e outra de Quatro Queijos, que a mocinha ai adora. – Allie debochou de Clara, que jogou a almofada nela. Porém Laura pareceu ter encontrado a felicidade, já que se virou para Clara novamente e falou no que devia ser sua voz mais melodiosa.

_ Você também gosta de pizza Quatro Queijos? Ah, Clara. Eu te amo.

_ Eu só observo essas demonstrações de amor ai.

_ Amiga, é bom encontrar pessoas normais no mundo.

_ E eu não sou normal?

_ Você pede para tirar a salsicha do cachorro quente, então... Não.

_ Laura, você é ótima. Eu sempre falei isso para a Giu, mas nunca adiantou. - Allie disse, naquele que eu jurava ser seu melhor humor. - Eu me caso com você depois disso, está me ouvindo, Laura?! Caso com você.

_ Bom, minha mãe já escolheu quem vai se casar comigo, sabia? Imagina o que ela diria se eu levasse você para casa.

_ Eu ainda acho que sou um melhor partido do que esse André. Afinal, sou filha da Fernanda Betcher e tudo mais.

_ Daria para ouvir o grito de André lá do Planalto Central se isso acontecesse. Ainda mais porquê ele morre de ciúmes da minha relação com Giulia. Se eu me envolver com outra irmã Betcher ele vai pirar.

_ Mal sabe ele que na verdade você está gamadinha na Clara. Ou melhor, na coleção de bugigangas nerd dela.

_ Bugigangas, Allie? Sério? Cadê seu respeito?

Eu estava rindo do modo como tanto Laura quanto Clara ficaram ofendidas com o comentário de Allie, que se virou para mim na hora.

_ Você diz que nós somos diferentes, então me explica como essas duas podem ser tão parecidas?



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