História Cuidado! O idiota dorme ao lado. - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amorxódio, Boyxboy, Cute, Yaoi
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Palavras 2.190
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Escolar, Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Gato Preto


Três

''Vai dar tudo certo...''  tentei me convencer disso repetidas vezes. Não funcionou. Observar o Lucas e sua gangue aprontar na sala de aula já é bem incômodo, por que caralhos concordei com essa ideia estúpida de recebê-los aqui em casa?! Sentei na cama e esperei. Esperei. Esperei... até ouvir o som de batidas na porta, junto da voz irritante do delinquente. 

— Chegamos. — Ouvi algumas risadas. — Podemos entrar, representante?  

A voz dele me desequilibra totalmente. Merda! Eu preciso disfarçar meu nervosismo de alguma forma. Fico inquieto facilmente  — por motivos aleatórios — e não consigo controlar minhas emoções, deixando muito claro o que estou sentindo. Sempre busquei controlar meu nervosismo e não era muito difícil, até conhecer o imbecil do Lucas. Pensando bem, se minha vida não é um mar de rosas, a culpa é dele! Apenas dele. 

Se ele não existisse, a Clara se apaixonaria por mim. Se ele não existisse, eu não seria feito de palhaço na frente da sala inteira, todos os dias. Se ele não existisse, eu seria chamado pelo nome, não ''representante''. Se ele não existisse, meu corpo não reagiria a cada suspiro dele de forma tão estranha! Droga. Seria tudo tão mais simples. Ele é, definitivamente, um obstáculo. 

— A porta está aberta. — Respondi. Logo, os três patetas surgiram na minha frente, sorrindo. 

Matt sempre andou ao lado do Lucas. Lembro que ele fez luzes no cabelo no primeiro ano, era a modinha da época. Sempre achei ridículo. Enfim, ele é popular por ser extrovertido e gentil com os outros. Sim, com os outros. Quando ele está acompanhado do delinquente, só sabe rir da minha cara e fazer piadas absolutamente desnecessárias. Por ele ser muito baba ovo, talvez seja difícil de revelar os podres do mestr... quer dizer, do Lucas. Mas eu vou tentar. Tentar? Não. Eu vou conseguir.

A garota de cabelos castanhos cujo nome eu descobri ontem é a namorada do Matt. Resumindo... ela é completamente maluca! Pirada! Uma vez chegou em mim perguntando se eu tinha certeza do meu ódio pelo Lucas. A pergunta mais ilógica que já recebi em toda minha vida. Eu não deixei claro o suficiente? É óbvio que eu odeio ele! Ao ouvir minha resposta, ela deu uma risada alta que me deixou assustado e, a partir daquele dia, juntei informações e descobri o óbvio: ela é DOIDA! Ninguém pode duvidar do meu ódio pelo meu inimigo mortal — muito menos a amiga dele —, droga.

Os três jogaram suas mochilas no chão e formaram um circulo ali, logo em seguida. Eles estão agindo como se fossem de casa? Não perguntam sequer se podem sentar no meu chão ou não. Como esperado dos delinquentes... aliás, espero que ele não tenha contado sobre morar aqui agora!

— Eu já comprei tudo! — Juliana sorriu, animada demais para o meu gosto. — Tenho moldes de caveirinhas, bruxas, monstrinhos, ah, tããão fofinhos... 

— Não é para ser fofo, Ju. — Matt a repreendeu, mas em seguida deu risada. — É para ser assustadoooor.  — Gesticulou. 

O que há de tão engraçado?

— Fofo ou assustador, o importante é a nota fácil. — Chegou a vez do delinquente se pronunciar. — Não há nada mais legal que ganhar nota por ficar recortando papéis e colando nas paredes. Eu amo esses eventos idiotas.

Eu odeio esses eventos idiotas! Nota fácil? Como ele tem coragem de deixar tão claro a sua estupidez? 

— Por causa desses ''eventos idiotas'' que pessoas como vocês passam de ano. — Resmunguei. 

— Pessoas como a gente? — Matt fez um bico fingido. — Assim você me machuca, Gui!~

— Poxa, você não é tão superior por tirar notas maiores, vai. — A garota sorriu, se aproximou e bagunçou meus fios pretos. Minha reação foi fechar os olhos instantaneamente. Eu sou idiota? Droga, cacete, merda! Aqui não! Meu cabelo não! — Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus. Que coisa fofa, Matt, olha! Ah, ele tem toda essa pose durona, mas... representante, você é bonzinho, não é?

— Sim, ele não é tããão mal assim. — O namorado concordou, imitando o ''tãão'' dela. 

— V-vocês duvidam do meu caráter? É óbvio que sou bonzinho. — Tentei disfarçar. — Vocês que são os vilões da história, não eu. Vocês. Especialmente o Lucas. — Absolutamente sem querer, meus olhos foram de encontro aos dele. 

— Claro. A mocinha em perigo é a Clara, certo? — Sorriu em resposta. Esse maldito só sabe sorrir! Então... por que meu coração simplesmente não se acostuma com isso e para de bater tão rápido? 

— Não fala da Clarinha. 

A porta se abriu e todos viraram para trás.

— Falando no diabo. — Matt soltou. 

— O-oi. Gui? — Me chamou, nervosa. É claro que está inquieta, afinal, vai dividir o quarto com o demônio que rejeitou ela.

Acenei e ela sentou ao meu lado, agarrando meu braço com força.

— Já que estamos todos aqui, podemos separar as tarefas. —  A Ju jogou todos os materiais que estavam em sua mochila no tapete.  — Eu só preciso que vocês recortem algumas figuras que vou usar no cenário. Vamos precisar de muitas!

Ela também nos deu tesouras, colas, fitas, enfim. 

Passamos a tarde toda recortando essas coisinhas. A Ju e o Matt brincavam com coisas aleatórias e me dei conta de que esse é o primeiro casal que eu vejo que agem como se fossem dois irmãos, ao invés de apenas namorados. Descobri também que os dois não são tãão chatos assim e eu peguei a mania da Ju de falar tãão de um jeito esquisito. O Lucas me provocou de vez em quando e eu fingi não ligar, dando total atenção a Clara que, por sua vez, conseguiu ficar um pouco mais confortável perto da gente. Poucas horas depois, o Matt dormiu (quem dorme tão tranquilamente assim na casa dos outros?!) e minha mãe trouxe biscoitos. 

— Ficar recortando essas merdas me deu sede. — O delinquente levantou, despreocupado. — Vou beber água. 

Que idiota burro! Como ele diz que vai beber água como se conhecesse a casa? Ninguém pode saber que ele mora aqui também. 

— Eu conheço a casa, então... posso te mostrar onde é. — A Clarinha soltou meu braço e foi atrás dele. Espera, ela já perdoou o idiota? Lá se foi minha segunda oportunidade. Eu devia saber que não se deixa de gostar de alguém tão facilmente. Agora estou me sentindo um lixo. Tudo culpa dele! 

Eles desceram e só ficamos eu e a Ju (acordados) no quarto. Por algum motivo, fiquei nervoso. Nunca falei sozinho com nenhuma garota fora a Clara. O que eu devo falar?! Já sei! Posso juntar informações para a minha vingança, certo? 

— Você é legal. Ele também. — Comentei, apontando para o Matt, que dormia tranquilamente. — Por que andam com o Lucas? 

— Como assim? — Me encarou, cheia de duvidas. — O Lucas é legal também. 

— Ele fez uma garota chorar só por ter se confessado, como pode ser legal? — Perguntei, meio baixo.

— Ah, Gui! O lobo sempre será mau se você ouvir apenas a versão da chapeuzinho vermelho. — Sorriu. 

O que ela quer dizer com isso? 

O Lucas e a Clara voltaram.

— Precisamos ir. — Ele disse. A Ju concordou. 

— Acho que também vou. Posso ir com vocês? — Clarinha perguntou, com certo receio. Os dois se entreolharam, mas depois assentiram. — Obrigada! Vamos. 

É, ela se enturmou rápido, apesar de tudo. Eu sou o único que guarda rancor até a morte? 

As duas saíram primeiro e ele ficou para falar alguma coisa, provavelmente nada de útil.

— Vou dar umas voltas pela esquina para disfarçar e já volto. — Acenou. — Não sinta minha falta, representante.

— Vai se foder. 

//

Jantar

Estávamos todos reunidos na mesa, menos o Lucas. Ele saiu para ''dar uma volta'' há mais de uma hora e não voltou. Qual desculpa eu darei para minha mãe e a mãe dele, se ele prometeu que voltaríamos da escola juntos?! Merda. Droga. Que garoto irresponsável. Deve ter ido em algum puteiro por aí, coisas que delinquentes costumam fazer.

— Onde o Luquinhas foi, Gui? — Minha mãe perguntou.

Pensa, pensa, pensa...

— Comprar doce. — Sorri.

Porra, foi a primeira coisa que veio a minha cabeça! 

— Mas eu não o vi desde que cheguei do trabalho... — Comentou. — Pode ter acontecido alguma coisa.

Acontecido alguma coisa...

Puta merda, como eu não pensei nisso antes?! Será que ele se perdeu, por não conhecer o bairro? Será que ele foi assaltado? Será que sequestraram ele para vender no mercado negro? Os olhos dele são bem raros, não é? Será que vão arrancar os olhos dele? Ou, talvez, vender seu corpo para aqueles velhos tarados?! Fodeu. Vai ser tudo culpa minha. O Lucas vai morrer e não vai ser pelas minhas mãos! Droga, isso não pode acontecer. Eu preciso salvá-lo! É uma boa tática. Não que eu esteja preocupado ou qualquer coisa do tipo. Pretendo salvar ele, para depois, acabar com ele! Faz todo sentido, não?

— Eu vou atrás dele! — Levantei da mesa, amarrei meu cadarço e sai de casa, com pressa. 

Corri pelas ruas que possivelmente ele estaria. Corri, corri, corri. Espera, por que estou correndo mesmo? Passei em lojas, restaurantes, docerias e qualquer outro lugar que ele poderia se esconder. Entrei até em um puteiro! Nunca mais. Eu poderia estar jantando, não é? O que caralhos estou fazendo da minha vida, procurando por minha morte?! Ele é forte e assustador, pode afastar qualquer ladrão ou assassino de crianças ingênuas. Eu não. Eu sou magrelo e não assusto nem os pombos da pracinha. 

— Senhor... — Uma voz desconhecida me assusta. Ao me virar, vejo uma senhora sorrindo para mim. Suspiro aliviado. — Pode me dizer onde fica essa rua? Eu me perdi completamente.

Ela me estendeu um papel. 

— Ah, não se preocupe, a senhora só precisa virar aquele beco ali. Mas... receio que seja um pouco perigoso. — Respondo naturalmente. — Está tarde, você deveria chamar alguém para te acompanhar. 

— Que tal você? — Pediu, com uma expressão tão adorável que seria impossível negar. Puta que pariu, por que eu não sou aqueles caras altos e fortes nessas horas? Como eu vou cuidar dessa mulher se eu não cuido nem de mim mesmo?! Eu deveria negar, mas eu preciso ser um herói agora. Já vi isso em um filme antes. Mesmo um cara fraco e sem noção nenhuma conseguiu salvar uma população inteira, por que eu não conseguiria salvar uma senhora? 

Espera. Eu também vi em outro filme que senhoras como essa normalmente são iscas para atrair crianças magras e ingênuas demais! 

— Acho que não sou recomendável para isso. — Respondi. 

— Tudo bem... — Ela desfez o sorriso. Em seguida, um cara completamente aleatório surgiu na nossa frente e eu lembrei do filme, então, corri. Corri. Corri. Beleza, eu vou ser sequestrado e esqueci de dizer que sou o cara menos atlético de todo colégio. Ou talvez, de toda cidade. País. Ou mundo. Consegui tropeçar em minhas próprias pernas umas três vezes... até sentir alguém segurar meu braço.

— FODEU! Eu vou morrer. Acabou. Já era. Perdi. — Fechei meus olhos e comecei a chorar. — O-o que você quer de mim?! 

—  Idiota. — Ouvi a voz do Lucas e abri os olhos lentamente. — Por que está correndo?

É a primeira vez que me sinto aliviado ao ouvir sua voz.

—  P-porque aquela velha me enganou e o seu capanga ia me sequestrar, aí eu corri mas alguém estava correndo atrás de mim, e...!  —  Confundi algumas palavras ao explicar mas espero que ele tenha entendido. 

Ele começou a rir descontroladamente.

—  Imbecil! Aquela mulher realmente se perdeu. Ela deve ter alzheimer e o ''capanga'', na real, é o filho dela que finalmente a encontrou. O que você tem na cabeça? Pensa que está em algum tipo de filme de ação? — Não parou de rir por um segundo sequer.

— Para de rir da minha cara, delinquente de merda! Onde você estava?! — Exasperei. 

— A Ju resolveu me seguir porque estava me achando estranho, à vista disso, eu precisei enrolar ela. — Respondeu, dando de ombros. — Quando eu voltei para casa, sua mãe me disse que você saiu para me procurar. Você é burro para caralho, não? Por que simplesmente não me ligou?

— Porque não tenho seu número. 

— Por que não pediu para minha mãe? — Perguntou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. 

— P-porque... tenho vergonha. — Murmurei. 

Ele focou seus olhos em mim e eu desviei como um covarde. Foda-se. Admito que não consigo. 

— É engraçado, representante. — Sorriu e, em seguida, acariciou meus fios de cabelo. Senti malditos arrepios por todo pescoço e juro que fiz de tudo para não ceder. Não para ele. Não para o meu inimigo mortal, por favor. O filho da puta descobriu meu ponto fraco e sabe muito bem tirar proveito disso. Maldito, maldito, maldito! — Você é semelhante a um gato preto.

— G-gato? — Consegui me afastar.

— Porque se acha superior aos outros quando, na verdade, é só um ser medroso que se assusta por qualquer besteira. — Deu risada. — Mas gosta de receber carinho, não importando se ele vem de um ''delinquente''.

Ignorei.

— Por que preto?

— Porque seus fios escuros certamente se destacam em sua pele pálida. — Respondeu, sem desviar o olhar. Ele não sente vergonha?!

— T-tanto faz! Vamos para casa. Nossas mães vão se preocupar.— Fui andando na frente, marchando. 

— Cuidado para não encontrar nenhuma senhora que sequestra crianças medrosas. — Pude ouvir sua risada lá trás. 

Sei que é brincadeira mas, por precaução, diminui a velocidade dos meus passos. 

 

 

 



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