História Cupid! - Capítulo 13


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS), Seventeen
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Cupid, Escolar, Hobi, Hope, Hoseok, Jeon Jungkook, J-hope, Jikook, Jimin, Jin, Jung Hoseok, Jungkook, Kim Namjoon, Kim Seokjin, Kim Taehyung, Min Yoongi, Namjin, Namjoon, Park Jimin, Personagem Original, Rap Monster, Suga, Tae, Universidade, University, Vhope, Yoongi
Visualizações 132
Palavras 8.060
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Fluffy, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi amores, 100 favoritos!!!!! Não acredito, amo vocês demais, e tô muito feliz!
Como agradecimento, eu tô postando um dia antes do normal, hihi. E é POV do Hobi, então espero que gostem!!

Capítulo 13 - Eyes, Nose, Lips.


[Hoseok ponto de vista]

 

Yoongi bateu a porta visivelmente puto, apenas ergui o rosto de meu caderno o encarando sem entender o porquê de tanto ódio. Ele esticou a sacola com a sopa que havia dito ter comprado para mim, mas esquecido de trazer, o que já era estranho por si só, visto que Yoongi estava com a sopa do seu lado o tempo todo. Peguei a sacola o agradecendo e ele apenas soltou um som muxoxo enquanto caminhava até sua cama e se jogava na mesma.

– Tá tudo bem? – Questionei confuso.

Yoongi apenas permaneceu em silêncio se cobrindo até o pescoço.

– Yoongi?

– Sim, está tudo bem. – Ele resmungou abafado.

O despertador tocou fazendo com que eu olhasse em direção do mesmo e logo andasse em sua direção o desligando com um leve tapa. A cabeça de Darth Vader apenas balançou se calando, era um despertador incrível e eu sentia vontade de rir todas as vezes que o desligava. Mas o clima estava macabro demais para que o fizesse.

Sentei ao chão, cruzando as pernas, e pegando os talheres pronto para comer. Assim que abri a tampa do recipiente senti o cheiro maravilhoso que soondae guk exalava e fechei os olhos o sentindo com um sorriso nos lábios. Apenas pelo cheiro, parecia delicioso, mas já era de se esperar visto que partia do restaurante da senhora Choi. Antes de começar a comer, encarei Yoongi quem estava de costas para mim, deitado em sua cama. Não, não estava tudo bem. Era um tanto quanto óbvio.

– Obrigado, hyung! – Agradeci afinando a voz e tentando parecer engraçado.

– De nada. – Ele resmungou.

Peguei meu travesseiro e então lhe tampei fazendo com que ele permanecesse estático na mesma posição. Que porra tinha acontecido com ele? Yoongi nunca foi muito de conversar, ele sempre preferiu se isolar de tudo e todos, mas nossa relação era diferente. Após eu demonstrar confiança nele, a ponto de lhe contar tudo o que sentia, Yoongi foi, aos poucos, se abrindo mais e mais comigo. Raramente tínhamos segredos um com o outro, mas Yoongi sempre tirava seu tempo antes de me contar algo, como estava acontecendo naquele momento.

Encarei o relógio percebendo que estava começando a me atrasar, fechei o recipiente com a sopa e fiquei de pé vestindo uma calça de moletom cinza, uma blusa larga de mangas longas e minha meia. Encarei Yoongi na mesma posição e antes de sair, carregando minha bolsa larga e minha sopa, me aproximei de sua cama, sussurrando:

– Você sabe que sempre estarei aqui por você. Tô indo para o treino, qualquer coisa me liga, ok?

Yoongi não respondeu como já era de se esperar, calcei meu tênis o amarrando firme e logo sai do quarto dando-lhe o tempo necessário para que ele ficasse sozinho a pensar. Segui meu caminho dando play na primeira música do celular, era uma não tão animada, mas de um grupo coreano que eu, particularmente, gostava. Apesar da letra ser um tanto quanto pesada, eu me identificava em grande parte, afinal, eu me sentia um perdedor dia após dia.

Não um perdedor no sentido de ter perdido Nayoung. Sim, eu a perdi, e mesmo não conseguindo entender, ainda, o que fiz de errado para que isso acontecesse, não era em tal sentido que me sentia um perdedor. Eu ganhava as competições e festivais de dança em que participava e estava como quase o melhor do curso, junto com meu amigo Jongin, o sunbae Taemin e Jimin. Então, não era perdedor nesse sentido também. A verdade era que eu me sentia um completo perdedor por ainda estar machucado em relação ao que Nayoung fez comigo. As pessoas sempre pensam que porque sorrio muito é difícil de ser triste, mas não, porra não, talvez eu seja até mais sensível que gostaria.

Me sinto um perdedor por ainda ter raiva dela, por me sentir incomodado com o fato de que ela segue a vida com outro como se nada tivesse acontecido, como se eu sequer existisse. Talvez eu fosse ingênuo demais, mas esperava um pedido de desculpas por tudo o que havia me causado. Mas eu sabia que jamais o receberia, assim como sabia que ainda sentia algo por ela. Algo fraco, algo que me deixava mal simplesmente por pensar que ela não merecia. E, realmente, Nayoung não merecia nem mesmo meus pensamentos. Mas era mais forte do que eu podia controlar. E isso, bem, isso era uma merda e acima de tudo o que me deixava verdadeiramente mal.

Talvez eu tivesse me acostumado com a ausência dela. Uma vez, minha avó sentou-se para conversar comigo sobre o amor, sobre como ele era bom e ruim, ao mesmo tempo. Lembro de perguntar se ela sentia falta do meu avô e se ainda o amava, sua resposta ficou em minha mente por um longo tempo e voltava naquele exato momento: “Hoseok-ah. Quando há amor verdadeiro sempre há a falta. Seja a falta de alguém que não conhece ainda, pois se sente vazio; seja a falta de um amor que se foi por conta própria, afinal, nem sempre o amor da vida de alguém também tem como amor o outro, o que é triste; seja a falta de amantes que não podem ficar juntos por alguma circunstância; e seja a falta de um amor que jamais voltará. Meu caso você sabe qual é. Eu me acostumei com a ausência do seu avô, fisicamente falando, afinal fazem dez anos que ele se foi, mas nunca, jamais, acostumei com a falta que ele faz em meu coração.”

Talvez eu tivesse me acostumado com a ausência de Nayoung, mas não com a falta que ela fez, por um longo tempo, em minha vida. Talvez nem mesmo naquele momento eu ainda estivesse acostumado, afinal, ela estava de volta e eu me sentia completamente mexido. A mistura de sentimentos era comum e constante sempre que a via ou ouvia falar de seu nome sentia raiva, tristeza, decepção, frustração, revolta. Nada positivo. E não era de surpreender.

Mas, o maior motivo pelo qual eu me sentia um verdadeiro perdedor era por não conseguir aproveitar as oportunidades que apareciam a minha frente. Na verdade, a oportunidade. Desde que Nayoung se foi não me senti à vontade para me envolver com ninguém, e ainda não me sentia, mas não era como se eu pudesse me controlar. Quando percebi era um pouco tarde demais, eu já a observava com um olhar diferente e sempre com vontade de sorrir toda vez que ela sorria. Fazia um longo tempo em que não me sentia daquela maneira.

Sophie Moore estava na faculdade há menos de quatro meses e ela era realmente adorável. Recentemente estávamos mais próximos, em encontros e desencontros onde sempre me perdia em seus olhos e sorriso quando ela começava a falar alguma coisa divertida ou séria. Muitas foram as vezes em que percebi que estávamos fechando a roda apenas para nós enquanto nossos amigos ficavam conversando em volta, e por mais que me sentisse mal por tal fato eu simplesmente não queria parar. Era quando tudo parecia diferente, era como se nada de ruim tivesse acontecido. Quando estávamos conversando era como se estivesse diante de um recomeço. Mas eu simplesmente não conseguia me mover em direção a este início, a Sophie, eu simplesmente não conseguia agir de modo que demonstrasse meu real interesse na mesma. E isso, bem, isso fodia comigo.

– Boa tarde, sunbae. – Um dos calouros me cumprimentou assim que passei pelo corredor tirando toda a atenção de meus pensamentos sobre Sophie e o quão perdedor eu era.

– Boa tarde, dongsaeng. – Sorri para o garoto de cabelos azuis. – Gostei do cabelo.

Ele riu o bagunçando e fez uma breve reverência respeitosa. – Obrigado.

Apenas sorri e segui meu caminho para a sala de ensaio. Havia reservado por duas horas de modo que ensaiasse minha nova coreografia que apresentaria na abertura da Semana de Cursos que ocorreria no meio do ano. A Semana de Cursos era uma amostra aberta a público para quem quisesse conhecer os cursos oferecidos pela faculdade e suas especialidades, geralmente era feito para que os alunos que estão prestes a sair do Ensino Médio ou os que tem dúvida sobre o que fazer no futuro enquanto, paralelamente, a faculdade mostra as habilidades de alunos de cada curso. Era ridículo como muitos alunos competiam entre si para serem escolhidos como a face do curso de modo que o promovesse durante a semana.

A professora de coreografia foi a primeira a me avisar sobre minha apresentação na semana. Eu faria um número de dança solo, porém também ficaria a mesa com alunos do curso, os quais ainda seriam escolhidos. Os professores responsáveis pela semana poderiam indicar alguns alunos e segundo a professora de coreografia eu fui indicado pelo diretor do Departamento de Dança. Entre tantos outros. E me sentia mal por todos os colegas de dança que eram bons o suficiente para terem tal oportunidade, também. Eu saberia os alunos que ficariam a mesa comigo, representando o curso de Dança da Universidade, apenas no dia quando nos encontraríamos já a mesa com panfletos explicativos de como funcionava o curso de Dança como um todo.

Tentando não pensar mais nessa semana e na responsabilidade em que possuía por apresentar um número completo sozinho e completamente autoral, resolvi treinar como se fosse apenas por hobbie, afinal, a dança parecia ainda mais gostosa quando não me sentia tão pressionado. Eu amava a dança. Sempre que eu colocava uma música ou até mesmo no silêncio, eu sentia a necessidade de dançar. A dança sempre foi parte de mim, uma parte grande que eu sempre gostei muito.

A ideia de uma especialização e graduação em Dança não passava em minha mente até o dia em que me apresentei em um Concurso de Street Dance e venci como o melhor dançarino. A sensação de felicidade, de prazer e conquista jamais saíram de minha vida. O clímax daquele dia não foi ter ganhado, pois eu estaria feliz só de participar, o grande ponto alto daquela vez foi perceber que era aquilo que eu, definitivamente, queria para minha vida. Não importava as barreiras que eu tinha que vencer para isso e, caramba, foram muitas.

Assim que sai do colégio trabalhei alguns anos juntando dinheiro o suficiente para poder pagar minha faculdade e me manter em Seul, eu estava certo em sair de Gwangju para fazer minha sonhada faculdade de dança em Seul onde as oportunidades eram maiores. E assim o fiz. Após trabalhar por cinco longos anos em um restaurante consegui dinheiro o suficiente para isso. Não foi fácil dizer adeus a minha família, especialmente a minha mãe quem sempre me apoiou em relação a dança, mas ainda assim criei coragem o suficiente para vir. E, certamente, não me arrependo.

Quebrando o pensamento nostálgico, entrei na sala de dança a encontrando completamente vazia, o que era bom, pois já poderia direto começar meus exercícios, o que logo o fiz. Dei play na primeira música de minha playlist pessoal e a voz de Tinashee ecoou pela sala de dança enquanto eu me alongava para dar início a minhas atividades.

Assim que a música se alterou, iniciei meus passos de dança no ritmo da música lenta que, em partes, se tornava animada. Era uma música triste, não havia como negar, sua letra tratava de assuntos relacionados a despedida. Eram várias histórias com casais distintos que se amavam e, ainda assim, tiveram que se separar por alguma razão. Ela era lenta, a maior parte do tempo, e seria a música inicial que dançaria logo engatando em uma mais animada de um grupo famoso de k-pop de nome Bigbang.

A dança era meu tudo, todas as vezes em que iniciava meus movimentos e os sincronizava com a letra das músicas que performava me sentia completamente diferente. Com a música eu podia ser quem realmente sou, e eu era bom naquilo. Eu sabia que sim. Mas talvez eu só fosse considerado bom por me jogar de corpo e alma em tudo relacionado a dança e mais ainda em minhas performances. Eu sentia toda a felicidade percorrer meu corpo como cargas elétricas a cada movimento que fazia e essa era a melhor sensação do universo para mim. Eu dançaria até não poder mais.

Não sei ao certo quanto tempo permaneci treinando e acertando alguns passos, mas me dei conta de que estava ali há um tempo considerável quando senti meu estômago pedir por socorro, e não o culpava. Não havia comido a sopa de soondae guk que Yoongi comprou para mim, e estava apenas com o café da manhã no estômago. Perder a hora das refeições e até mesmo de ir embora estavam sendo comuns desde que comecei a ensaiar e eu sabia que isso era prejudicial, mas realmente parecia estar em outro mundo onde só a dança me saciava.

Sentindo minhas pernas queimarem onde os músculos se encontravam, resolvi que era hora de parar e comer alguma coisa – nesse caso a sopa, mesmo fria. Me encarei no enorme espelho a minha frente esboçando um pequeno sorriso, estava satisfeito com meu resultado do dia mesmo estando tão suado que até mesmo minha camisa, dois números maiores que eu realmente usava, estava grudada em meu corpo devido ao suor.

Olhei no relógio que marcava oito e dez, eu havia ficado sete horas treinando sem parar e de longe foi meu maior recorde. Uma vez, passei exatas dezesseis horas treinando, foi a primeira e única vez que desmaiei de exaustão sendo obrigado a me afastar da dança por alguns meses. Ainda morava em Gwangju e estava me preparando para uma apresentação na escola. Não participei da apresentação e prometi a mim mesmo que nunca mais extrapolaria daquela maneira.

Sentando ao chão, abri o recipiente da sopa ainda sentindo o cheiro maravilhoso que ela exalava. Provavelmente o senhor da limpeza apareceria há qualquer momento para dizer que o estúdio logo fecharia e que era para eu ir arrumando minhas coisas. Peguei o celular vendo se possuía alguma notificação ou ligação, mas apenas encarei minha foto com meus amigos de protetor de tela, indicando que não havia nada. E eu nem sabia o que esperar.

Talvez uma mensagem de Sophie dizendo que conseguiu meu número e que queria conversar sobre o trabalho, mas na verdade só estava puxando assunto. É, algo do tipo, esperava que ela tivesse mais coragem para pegar meu telefone do que eu o dela. Porém, talvez eu estivesse sendo positivo demais em relação a tudo isso. E se ela não me quisesse? Lá estava eu caminhando em uma direção não recíproca. Mas eu só saberia se tentasse e nem disso era capaz.

Comi minha sopa em silêncio apenas escutando a música que tocava enquanto minha cabeça enchia de perguntas sobre Sophie. E se ela, de fato, só estivesse sendo amigável? E se eu estivesse me jogando em um caminho sem volta e me machucasse, novamente, por não ser recíproco? E se tudo aquilo que aconteceu com Nayoung acontecesse de novo?!

“Bobeira, Hoseok.” A voz dentro de minha mente me repreendia. “Ninguém é tão ruim quanto Nayoung.” Gostaria que aquilo fosse verdade, porque não queria, em um milhão de anos, sentir toda aquela agonia e tristeza novamente. Talvez eu a perdoasse algum dia, quando me tornasse um homem mais maduro e soubesse como fazê-lo, mas no momento tudo o que eu conseguia sentir era uma grande raiva ao lembrar de tudo.

Fiquei de pé ao escutar o barulho da chave na porta aberta, provavelmente era o senhor da limpeza já com fôlego pronto para me expulsar dali, porém educadamente como sempre. Pelo dia da semana, o senhor que me desejaria uma boa noite e ali passaria o resto da noite limpando meu suor da enorme sala seria o senhor Kim Joonho, um simpático homem na beira dos seus sessenta anos quem sempre mantinha o sorriso nos lábios.

– Prometo que já estou de saída senhor Kim... – Comecei a falar caminhando em direção ao som e desligando o mesmo. – Eu só estava comendo...

– Senhor Kim? – A voz feminina ecoou pela sala.

Parei por um breve momento sentindo todos os músculos de meu corpo enrijecerem. Há muito tempo não escutava aquela voz se dirigindo a mim, diretamente. E agora, depois desse tempo, ouvir sua voz se dirigindo a mim fazia com que eu não conseguisse agir. Merda, Hoseok, não seja assim, não seja um perdedor. Não seja.

– Hoseok-ah...

Virei em sua direção sentindo meu coração saltar em meu peito, mas diferentemente das outras vezes eu não sentia nada de bom ao ouvi-la, ao vê-la e, muito menos, ao ouvi-la me chamando de “Hoseok-ah” como se tivesse direito.

– Sabia que te encontraria sozinho aqui.

Puxei o pen drive sentindo minha mão trêmula, mas fazia o máximo possível para não transparecer qualquer mudança de comportamento. Em silêncio e sem fitá-la, caminhei em direção a minha bolsa guardando o pen drive e limpando o restante de sopa jogando o recipiente no lixo.

– Não vai falar comigo, Hobi?

– É Jung Hoseok para você. – Virei meu rosto por um breve momento em sua direção. – Ou Jung.

– Não gosto do fato de não chamá-lo de Hobi. – Ela resmungou parada no mesmo lugar e com a chave do estúdio em mãos. Eu me sentia um completo idiota por estar reparando em qual bonita ela estava, ainda mais bonita do que quando me deixou.

“Não seja estúpido, Hoseok!” a voz em minha mente tornou a chamar minha atenção.

Caminhei em direção a porta fazendo uma breve reverência, afinal, ela não deixava de ser minha sunbae e eu sabia como ser educado o suficiente para fazer uma reverência enquanto tudo o que eu queria era sair dali e chorar como um adolescente.

– Tenha uma boa noite, sunbae Ye.

Ela então segurou meu pulso me impedindo de sair. – Não precisa ser tão formal comigo, Hobi-ah. Sou eu, Nayoung.

A encarei soltando meu pulso de seus dedos finos enquanto tentava, ao máximo, demonstrar que ela não me abalava. Não mais. Mesmo sendo uma mentira monstro. Apenas segui meu caminho passando pela porta do estúdio de ensaio e logo ouvi passos rápidos atrás de mim, mais uma vez, Nayoung segurava meu pulso me impedindo de prosseguir.

– O que você quer? – Questionei em um tom de voz mais alto do que pretendia.
Nayoung me fitou se encolhendo por um breve momento, mas logo se pronunciou:

– Quero conversar, Hobi. Por favor.

– É Jung Hoseok para você! – Falei sentindo minha voz trêmula.

“Merda Hoseok, não seja tão fraco. Não de novo!”

– Não gosto de te chamar assim! – Nayoung também aumentou o tom de voz.

– Eu não dou a mínima, esse é meu nome! – A encarei. – Eu não quero conversar.

– Hobi...

– Jung Hoseok! – A corrigi sentindo minha garganta queimar.

– Jung Hoseok, Hoseok, Hobi, Hope! – Ela então deu ênfase no último nome que, na verdade, era mais um apelido que haviam criado para mim em uma noite em que estávamos completamente bêbados.

Foi antes de tudo começar a se perder, foi antes de viver para ela e não com ela, foi antes dela me trair com mais da metade do curso e antes dela, sequer, pensar em ir embora. Foi um pouco depois que nos conhecemos, a ideia foi de Yoongi e Namjoon quem diziam que eu era a esperança deles. E Nayoung me chamou de Hope por um longo tempo. Por um longo, longo tempo. E eu costumava amar quando ela o fazia. Mas, naquele momento, eu só estava com raiva.

E era realmente muito raro eu me sentir com raiva. Eu geralmente sentia mais raiva das injustiças dos outros do que das coisas ruins que aconteciam comigo. Mas naquele momento eu estava com raiva, estava realmente com raiva com o fato de Nayoung me chamar pelo apelido, pelo fato dela estar ali querendo conversar sobre o que fez. Eu não precisava de conversa! Eu precisava da sua sinceridade quando estávamos juntos e nem isso ela foi capaz de me dar.

– Você continua sendo minha esperança, eu...

– Não! – A interrompi fechando os olhos. – Não! Nem comece, Nayoung!

– Não quero insinuar nada, estou noiva e o amo. Só quero conversar sobre tudo o que te causei.

– Não perca seu tempo. – Respirei fundo sentindo minha garganta começar a queimar e então a fitei completamente sério. – Porque eu não sei se algum dia serei capaz de te perdoar.

Sem nem mesmo olhar para trás, segui meu caminho em direção ao banheiro masculino, estava completamente suado, precisava de um banho e sabia que Nayoung não teria como me seguir ali dentro. Caminhando o mais rápido que podia, respirava fundo tentando não derramar nenhuma lágrima pelo corredor, não queria que ninguém me visse chorando por sua causa, mais uma vez.

Bati a porta atrás de mim e encostei minhas costas na mesma enquanto sentia meus olhos arderem e minha garganta queimar. Não havia ninguém no vestiário masculino o que, certamente, cooperou para que eu soltasse as lágrimas com maior tranquilidade. As luzes estavam apagadas e o sensor não havia percebido que eu estava ali, talvez fosse melhor dessa maneira.

Eu me odiava por estar daquela maneira novamente, me odiava por estar chorando abaixado a porta no vestiário completamente escuro. Não era a primeira vez, e porra, como eu queria que fosse a última, mas sabia que também não era. Abracei minhas pernas me sentindo um garotinho assustado com os gritos de meu pai, novamente. Mas não estava assustado, estava triste, completamente triste e decepcionado comigo mesmo por estar tão mexido só de ver Nayoung.

Esperava que algum dia fosse capaz de perdoar porque sabia que guardar rancor e mágoas não resolvidas fariam mal para mim e mais ninguém, mas também sabia que demoraria para esse dia chegar. O que eu sentia em relação a Nayoung não havia mudado da noite para o dia, por mais que eu tenha demorado a aceitar que havia acabado e ele tinha ido embora e me deixado com o coração partido e com todas aquelas vozes contabilizando o número de caras com que ela dormiu. Eu fui usado, traído, esnobado. Não passei de um brinquedo para ela, um local seguro onde ela podia se esconder quando não estava a fim de me trair. Eu fui um completo idiota e por mais que tentassem me ajudar, não foi o suficiente. Eu não queria ver, não queria ouvir. Que idiota!

Fiquei de pé trancando a porta do vestiário masculino de modo que ninguém entrasse ali, o que era algo um tanto quanto irresponsável, mas haviam outros banheiros, então, quem quer que precisasse usar iria nos outros andares. Eu não estava me importando.

Deixei a bolsa em cima de um banco de madeira que ficava em frente aos armários e logo comecei a me despir sentindo a visão turva devido as lágrimas que insistiam em cair. Eu as secava com raiva por estar chorando, mais uma vez, por causa de Nayoung. Quando eu, de fato, a superaria? Talvez fosse mais fácil se ela simplesmente me ignorasse ou fizesse de conta que nada aconteceu. Mas não. Porra não. Ela tinha que vir me procurar, como se tivesse esse direito.

– Merda Hoseok, você é muito ridículo. – Resmunguei para mim mesmo enquanto caminhava pelo vestiário, agora aceso, em direção a ducha mais próxima. – Você merece. Olhe para si mesmo agora.

Passei em frente aos espelhos evitando me olhar. Não tinha nem mesmo a coragem de fazê-lo. Me aproximei da ducha a ligando e logo puxando a portinha do local azulejado enquanto deixava a água cair completamente fria em meu corpo. Fechei os olhos sentindo a água esquentar aos poucos e então, novamente, me permiti chorar. Eu não queria, mas não conseguia simplesmente conter minhas próprias lágrimas. Não conseguia.

Nayoung apareceu, sem mais nem menos, e eu preferia que ela não tivesse voltado da China. Preferia que por lá ela fizesse sua carreira como uma integrante de girlgroup ou algo do tipo, só para não ver seu rosto a minha frente, novamente. Não ver seu rosto, sentir seu perfume, escutar sua voz. Nada disso. E nada disso tinha mudado. Nem mesmo o corte de cabelo que ela costumava usar quando estávamos juntos ela havia mudado. Estava o mesmo: acima dos ombros e pretos como seus olhos.

E como eu me detestava por ainda prestar atenção nos detalhes. Em seus lábios rosados, em suas mãos pequenas e seus dedos finos, em suas unhas longas que ela sempre cuidava como se valessem ouro, de sua altura que provavelmente permanecia a mesma: 1.65m, que a deixava absurdamente pequena perto dos outros. E de mim. Especialmente de mim.

– Não seja idiota de novo, Hoseok. – Resmunguei a mim mesmo enquanto apoiava os braços na parede e deitava meu rosto no direito. – Não seja. Por favor.

Maldito coração. Por que ele ainda tinha que doer por causa de Nayoung? Por que ele não compreendia que ela não era coisa boa? Que não era confiável? Que só me machucaria mais e mais até não existir mais Jung Hoseok? Não era possível que um coração era tão idiota por ainda bater por causa de Ye Nayoung. Merda, não. Eu não queria aceitar aquilo. E eu faria qualquer coisa para mandar toda aquela dor embora. Estava cansado daquele desconforto, muito cansado.

Eu estava tão bem sem ela por aqui. Não importava se tinha superado apenas sua ausência ou se a tinha superado como um todo. Não importava. O importante era que eu estava seguindo minha vida sem vê-la todos os dias. E eu estava melhorando, eu sabia disso, sabia que estava melhor. Mas agora ela estava de volta e eu estava chorando por sua causa embaixo da ducha morna do vestiário masculino. O quão idiota eu conseguia ser por ser um cara tão sentimental?

Meus dedos estavam enrugando de tanto que havia ficado embaixo daquela ducha pensando, repensando, me detestando e chorando quando resolvi que estava na hora de sair. Alguém havia batido a porta duas vezes, mas não me importei, apenas permaneci embaixo da ducha desejando não ser tão fraco. Senti o vento frio e estremeci enquanto me arrastava até meu armário para pegar a toalha que havia esquecido de levar. Sentei no banco de madeira, ao lado de minha bolsa, e me encolhi tentando fazer com que o frio diminuísse enquanto eu mantinha a toalha em volta de meus ombros e corpo.

Encarava o nada, me forçava a não pensar em Nayoung, mas sem perceber ela surgia em minha mente fazendo com que as lágrimas insistissem em marejar meus olhos. Fiquei de pé cansado de permanecer chorando, novamente, por ela, peguei uma muda de roupa logo escolhendo algo para vestir e sair dali o mais rápido que conseguisse. Evitava as lágrimas e, literalmente, me forçava a não chorar. Ela não merecia. E eu muito menos.

Meu celular começou a chamar fazendo ecoar a música do Wiz Khalifa pelo vestiário. Terminando de vestir minha calça jeans e a abotoando me aproximei de minha bolsa pegando meu celular e vendo o nome de Yoongi, com uma foto sua mandando dedo do meio, no ecrã. Ele me ligava e talvez em qualquer outra circunstância eu ignoraria e pensaria em uma desculpa depois, mas ele também não estava bem e, como sempre, eu preferia priorizar meus amigos e familiares. Pigarreando para tentar fazer com que minha voz não soasse embargada, atendi:

– Ya, Yoongi! – Fingi uma animação inexistente naquele momento.

– Caralho, por que demorou tanto?

– Tava no banho. – Resmunguei. – O que foi?

– Vamos beber. – Ele respondeu. – Só você e eu, como bons amigos que sofredores.

– O quê? – Questionei confuso. – Aconteceu algo?

– Muita merda aconteceu hoje. – Yoongi resmungou do outro lado da linha.

– Por isso você tava quieto na hora do almoço? – Perguntei pegando meu boné preto e vermelho na bolsa.
 

– É. – Ele respondeu rapidamente. – Quer saber por que eu tava daquele jeito? – Yoongi sequer esperou minha resposta. – Me encontra no Gaego daqui há meia hora.

– Tudo bem. – Concordei. Mesmo sabendo que a bebida não ajudava em nada, estava a fim de ter alguns minutos de lerdeza e falsa coragem que a bebida era capaz de me dar. – Vamos beber.

Yoongi permaneceu um tempo em silêncio, mas então questionou desconfiado. – Assim tão fácil?

– Qual o problema?

– Não era você quem sempre me dizia que beber não ajudava em nada?

– Sim. – Assenti pegando uma blusa branca. – Mas eu realmente preciso de uma garrafa de soju agora.

– O que aconteceu?

– Te conto em meia hora. – Falei segurando a blusa escolhida em mãos. – Até lá.

– Até lá. – Yoongi resmungou antes de desligar o celular.

Vesti minha blusa branca de mangas compridas desejando sair daquele vestiário o mais rápido possível. Sim, eu sabia que bebida não era resposta para qualquer problema, mas estava a fim de tentar esquecer, nem que fosse por meia hora, tudo o que tinha acontecido com Nayoung e como eu havia me sentido. Esperava que os problemas de Yoongi me ocupassem o suficiente para que eu não pensasse nos meus.

Desde o momento em que o vi entrando no quarto, praguejando a si mesmo por ter esquecido a sopa que havia comprado para mim, e deitando na cama sem querer conversa, sabia que havia algo de errado, afinal, o conhecia bem o suficiente para poder afirmar tal coisa. Assim como sabia que ele também me conhecia bem o suficiente para saber que eu estava chorando só de me ver. Sabia que ele perguntaria que porra havia acontecido e porque eu estava chorando antes de nos encontrarmos para beber. Nos conhecíamos muito bem.

Yoongi e eu nos tornamos amigos com certa rapidez. Apesar dele ser um cara que aparenta ser frio o tempo todo, ele está longe de ser isso. O modo como fora criado por seus pais, em especial seu pai, fizeram com que ele agisse de tal maneira, mas a partir do momento em que você o conhece sabe que ele não passa de um completo idiota apaixonado por música. E ele é realmente bom no que faz. Yoongi e eu somos considerados irmãos de alma, daqueles que você encontra em todas as vidas que vive e que o laço é tão forte que não há explicação para que vocês se deem tão bem, vocês apenas se dão. Yoongi era, de fato, meu irmão. Nossa amizade é realmente forte e sei que seremos amigos por muitos e muitos anos. E isso era realmente bom. Ter alguém com quem sei que posso contar em todos os momentos era incrível. E esse alguém, para mim, era Min Yoongi. O arquiteto e futuro produtor que muita gente achava ser um metido idiota pelo que ele aparenta ser. Mas ele não era, nem mesmo caso se esforçasse Yoongi conseguiria ser um cara frio e sem sentimentos.

Terminei de me arrumar rapidamente, esperando que não encontrasse Nayoung ao sair daquele local. Não queria perder a cabeça novamente e muito menos ouvir suas desculpas. Tudo que eu queria, mesmo sabendo que isso era estupidamente inútil, era beber com meu melhor amigo para esquecer toda a merda que me rondava. E provavelmente o rondava também, já que ele não estava ok.

Não demorei a sair do prédio de Artes e seguir meu caminho em direção ao bar, Yoongi provavelmente já estava por lá, e eu só queria dar um fim naqueles pensamentos, pelo menos por mais uma noite. Em passos rápidos caminhava até o bar que ficava há alguns quarteirões da Universidade, não era tão perto quanto os demais, mas eu sabia que exatamente por isso que Yoongi o havia escolhido. Íamos naquele bar quase uma vez ao ano, pois, além de ser mais caro que os demais, era mais longe e ele tinha preguiça até mesmo de andar.

Assim que cheguei ao bar senti o cheiro forte de nicotina atingir minhas narinas, eu detestava cigarros e a fumaça extensiva que ele era capaz de causar, mas naquela noite não estava me importando. Yoongi estava sentado em uma mesa, de costas para a porta de entrada, e logo o reconheci por estar vestindo uma de suas jaquetas favoritas: a de couro. Ele usava um boné e provavelmente estava se esforçando para não ser reconhecido, o que era estupido porque ele não era ninguém além de um estudante qualquer da faculdade.

– Ya. – Espalmei minha mão de leve em suas costas enquanto ele se virava em minha direção. – Muito tempo?

– Acabei de chegar. – Ele resmungou e virou um copo de soju.

Soltei uma risada a anasalada sentando na poltrona a sua frente. – E não me esperou.

– Nós nascemos colados, por um acaso?

Me ajeitei na poltrona erguendo o braço enquanto chamava o garçom quem logo veio. – Mais uma garrafa e um copo, por favor.

Yoongi me encarou erguendo as sobrancelhas.

– O quê? Tive uma merda de início de noite. – Resmunguei o fitando.

– Vai tomar porre toda vez que ficar mal por causa da Ye?

– Você quem me chamou para beber e agora está me julgando? – Ri o encarando. – Idiota.

Yoongi sorriu de lado soltando uma risada anasalada. – O que houve?

– Você primeiro. – Indiquei pegando seu copo que ele tinha acabado de encher e então o virei, batendo na mesa em seguida.

– Porra não, eu perguntei primeiro. – Yoongi resmungou sério.

– E você está assim, um completo idiota, há mais tempo. – O encarei com as sobrancelhas erguidas.

– Eu nasci assim, babaca. – Ele disse cerrando os olhos e umedecendo os lábios.

– Exatamente. – Concordei. – Vamos, o que te deixou irritado na hora do almoço?

– Mina. – Ele respondeu sem hesitar, apenas o fez e virou a garrafa no bico sem precisar do copo.

– Mina...? – Demorei um tempo para acreditar de quem se tratava. – A Mina de Daegu?

– Você conhece outra Mina? – Ele perguntou secando os lábios com as costas da mão direita e sorriu. – É, acho que não.

Balancei a cabeça negativamente e visivelmente confuso. – O que ela tá fazendo aqui?

– Não sei e não me importa nem um pouco. – Yoongi desaviou o olhar para a mesa atrás de mim.

Olhei na mesma direção vendo um garoto de estatura pequena sorrindo animado para uma garota de cabelos longos. Os dois levantavam e ele a ajudava com o casaco, não sei porque Yoongi olhava para eles, mas ele logo explicou:

– Dizem que ele é uma versão menor de mim. – E soltou uma risada anasalada bebendo mais um generoso gole. – Espero que ele não seja tão fodido quanto eu.

– Certamente ele não é. – Resmunguei observando-o ser todo cavalheiro com a garota loira que sorria completamente envolvida. – Ele tá em um encontro e você tá sentado aí com seu melhor amigo que nada mais é do que um corno que sofre pela ex-namorada até hoje.

O encarei com um fraco sorriso, Yoongi me encarou completamente sério, provavelmente por causa da última sentença em que referia a mim mesmo. Mas era a mais pura verdade.

– Você não é um corno. – Ele resmungou se ajeitando na cadeira. – Você foi.

Ri anasalado. – Como se fizesse diferença quando aconteceu.

– E faz. Naquela época você era um completo idiota cego e surdo. – Ele então encheu o copo pequeno e o arrastou até mim. – Agora você é só um idiota.

Não consegui evitar a risada, Yoongi sorriu de lado e ergueu a garrafa esperando que eu fizesse o mesmo com o copo, demorei a entender que ele queria fazer um brinde, mas ergui meu copo cedendo em seguida.

– Ás nossas vidas fodidas. – Ele ergueu a garrafa verde.

– Você não terminou de falar sobre Mina.

– Estamos no meio de um brinde, você tá falando sério? – Ele me encarou novamente, com cara de poucos amigos.

– Sim, claro... – Ri anasalado mais uma vez. – Ás nossa vida fodida.

Yoongi terminou a garrafa que estava um pouco abaixo da metade e apenas o encarei. Seria inútil tentar pará-lo e ele tinha uma resistência invejável ao álcool. Virei meu copo fechando os olhos e fazendo uma careta, eu não era muito bom com bebidas, alguns copos e já estaria vendo tudo ao meu redor rodando. Assim que abri os olhos o garçom entregava a outra garrafa de soju com um novo copo, Yoongi acabou pedindo mais uma e apenas o fitei percebendo que ele, realmente, queria ficar embriagado aquela noite.

– Mina. – Falei o fitando. – Continua.

– Não tenho muito mais a dizer a não ser que eu larguei ela no restaurante, com a sopa. Por isso eu tava puto por esquecer a sopa, foi por causa dela. – Ele suspirou ajeitando o boné.

– Então Taehyung viu ela também? – Questionei curioso, só havia visto-a por fotos.

– Por que Taehyung veria ela? – Yoongi questionou e então balançou a mão esquerda na minha frente parecendo confuso. – Claro, mas ele tava no banheiro nessa hora.

Franzi a testa confuso. – Então ele não viu ela.

– Não. – Yoongi balançou a cabeça negativamente.

– Você simplesmente saiu do restaurante? – Perguntei abrindo a garrafa esverdeada.

– Sim. – Yoongi assentiu pegando o copo pequeno de vidro que o garçom tinha trazido naquele exato momento.

– Seu mal-educado. – Ri anasalado já sentindo meu rosto queimar.

– Por que eu deveria ter alguma educação com ela sendo que ela dormiu com meu melhor amigo? – Ele riu anasalado, era uma risada sarcástica, eu sabia disso. – E o que ela esperava? Que aparecendo na minha frente ia simplesmente me fazer voltar pra ela?

– Talvez ela quisesse se desculpar. – Dei de ombros.

– Ela quem vá pro inferno com as desculpas dela. – Yoongi resmungou nervoso.

– Exatamente! – Concordei batendo a garrafa aberta na mesa. – Por que elas acham que um simples pedido de desculpas anula toda a merda feita?!

Yoongi me encarou. Eu estava falando alto demais sem nem perceber. Outro casal, sentado à mesa do nosso lado, me fitaram um tanto quanto assustados. Fiz uma breve reverência me desculpando e encarei Yoongi quem servia ambos.

– Põe tudo pra fora. – Yoongi me encarou enquanto enchia o segundo copo de soju. – Sua vez de falar.

Hesitei um tempo para falar. Sim, eu estava com vergonha até mesmo do meu melhor amigo a ponto de hesitar na hora de contar que havia chorado por causa de Ye, mais uma vez. Me fazia parecer fraco.

Yoongi bateu o copo na mesa de madeira e então me encarou umedecendo os lábios. – Não vai falar?

– Nayoung. – Sibilei seu nome desviando o olhar de Yoongi e encarando o copo com o líquido transparente.

– Que novidade. – Ele sibilou.

O ignorei bebendo de uma única vez o copo de soju, novamente fiz uma careta enquanto sentia o líquido descer queimando por minha garganta. Logo continuei:

– Ela veio me pedir desculpas. – Falei abrindo os olhos mais uma vez. – Ela me chamou de Hope, eu nem mesmo acredito nisso.

– Espera... – Yoongi ergueu um dedo e o fitei, de já estava com as bochechas rosadas. – Quando foi isso?

– Um pouco antes de você me ligar.

– Por isso você tá com essa cara inchada de choro. – Ele balançou a cabeça positivamente. – Que merda, cara.

– Sim. – Assenti enchendo nossos copos. – Uma grande merda.

– Como alguém que estraga tudo consegue ter a porra da cara de pau de pedir desculpas? – Yoongi questionou pegando seu copo e sem me esperar o virou. – As pessoas só pedem desculpas para não se sentirem tão fodidas na vida.

– Na verdade elas não sentem muito. – Falei virando meu copo e evitando fazer uma careta tão demorada como antes. – Se sentissem, não fariam. Elas não se importam, nem um pouco.

– Exato. – Ele balançou a cabeça.

– Você ainda sente algo por Mina? – Questionei fazendo com que ele se calasse.

Yoongi apenas me fitou por breves segundos e então pegou a garrafa a virando e bebendo (quase) todo o soju sem nem parar para respirar.

– Ei, não faça isso. – Puxei a garrafa de sua mão fazendo com que ele a soltasse e, como consequência, derramássemos um pouco na mesa.

– Ótimo. – Yoongi resmungou como um velho rabugento. – Desperdício de bebida.

– Você tá louco? Quer morrer ou algo do tipo?

– Qual a diferença quando se está morto por dentro?

– Uau, Min Yoongi, não sabia que você fazia o tipo sofredor.   

Ele riu erguendo o dedo do meio. – Vai se foder.

Apenas esbocei um pequeno sorriso e o garçom logo trouxe a terceira garrafa da noite enquanto eu virava o pouco que Yoongi havia deixado naquela segunda. Estávamos indo rápido demais com as bebidas, mas nenhum dos dois parecia se importar.

– Deveríamos parar de nos importarmos com elas. – Yoongi resmungou agarrando o braço do garçom. – Mais duas, por favor, e um uísque.

Ele assentiu. Ri o encarando perplexo.

– Você tem noção de quanto custa um uísque nesse lugar?

– Que se foda, Hobi. – Yoongi deu de ombros abrindo mais uma garrafa com mais agilidade do que quando se encontrava totalmente sóbrio.

– Me dá essa merda. – Pedi puxando a garrafa de sua mão.

Yoongi apenas arrastou o copo em minha direção.

– Você tem razão. – O encarei umedecendo minha boca que já começava a ficar seca. – Por que temos que ficar sofrendo como dois idiotas? Não somos assim. Eu sou a porra de um Sol, e você é só... Um bad boy que fica bem até com a porra de uma jaqueta de couro e boné. Olha pra si mesmo!

Ele riu. – Tá querendo me beijar de novo?

– Ah vai se foder, Min Yoongi! – Vociferei. – Eu tô falando sério aqui! – Fiz uma breve pausa piscando meus olhos enquanto tentava manter a visão em seu rosto. – E foi só uma vez!

– Mas você disse que foi bom. – Ele riu debochado.

– Foco, Yoongi! – Fiz uma breve pausa virando mais um copo e fechando os olhos enquanto sentia o gosto amargo e sensação de queimadura em minha garganta. Tornei a abrir os olhos voltando ao meu raciocínio. – Estou desabafando aqui!

– Bota pra fora, cara. – Ele me incentivou, novamente, enquanto segurava o celular em mãos.

Eu odiava quando ele pegava o celular enquanto conversávamos. – Larga o celular Yoongi.

Ele riu anasalado o soltando em algum lugar e erguendo as mãos para mostrar que não estava mais com ele por perto. – Desculpa.

– Obrigado. – Agradeci umedecendo os lábios mais uma vez, minha boca sempre ficava seca quando bebia, o que me dava mais vontade de beber. E assim o fiz virando boa parte da garrafa. – Eu odeio sentir tudo isso, como se fosse um tsunami de sentimentos. Depois que Nayoung tentou me pedir desculpas e eu deixei ela falando sozinha, eu chorei. De novo Yoongi.

O sorriso de Yoongi sumiu e ele abaixou as mãos prestando atenção no que eu dizia.

– Eu realmente odeio essa parte de mim que ainda sente algo por ela, sabe? – Bebi mais um gole entortando a boca. – Eu tô cansado de verdade. Por que ela tinha que voltar? E mais uma vez eu me vejo aqui, bebendo, te fazendo as mesmas perguntas e pensando em Sophie.

– A gringa? – Yoongi questionou me fitando.

– Sim. A que vomitou nos meus pés.

– Ah, a garota vômito. – Ele balançou a cabeça positivamente esboçando um pequeno sorriso enquanto mantinha as mãos embaixo da mesa.

– Não chame ela assim. – Pedi após virar a garrafa mais uma vez e, mesmo com a visão turva, apontei em direção a porta. – Se ela entrasse por aquela porta agora, eu beijava ela.

– Sério? – Yoongi arqueou as sobrancelhas me fitando.

– Sim, claro!

Ele então riu. – Não, você não faria isso, cara.

– Como você pode saber? – Questionei bebendo mais um pouco.

Yoongi manteve o sorriso e apenas me encarou cerrando seus olhos que já eram pequenos. – Porque você corre de alguém com medo de se envolver desde que Nayoung foi embora.

– Olha só quem tá falando. – Resmunguei enchendo o copo de Yoongi.

O garçom se aproximou com as três novas garrafas, duas de soju e uma de uísque.

– Obrigado. – Yoongi o agradeceu pegando o copo de vidro e o deixando ao seu lado enquanto abria a garrafa de uísque. – Você tem razão. – Ele me fitou. – Mas eu não estou a fim de ninguém, no momento. Você está. E é mais fácil evitar os sentimentos e repreender ações do que, de fato, fazer alguma coisa, não é?

– Você fala como um profissional. – Resmunguei puxando as garrafas de soju todas em minha direção e o fitei. – Tem certeza que não está gostando de ninguém?

Ele riu balançando a cabeça. – Sim, definitivamente. Se estivesse, você saberia.

– Oh, isso é fofo. – Sorri erguendo meu corpo por cima da mesa e então apertei a bochecha de Yoongi. – Fofo Yoongi-hyung!

Ele bateu em minha mão soltando um palavrão e me fazendo rir. Tornei a me sentar na poltrona deitando a cabeça no encosto.

– Se ela, ao menos, aparecesse nesse bar, eu a abraçaria.

– Um abraço? – Escutei Yoongi perguntar, mas não virei meu rosto para vê-lo.

– Sim. Pelo menos acho que teria coragem para isso. – Ri encarando o teto repleto de posters de bandas antigas. Boas, mas antigas.

O silêncio permaneceu entre nós e não fiz questão de puxar assunto já que o teto rodando parecia mais divertido de observar. Eu não sabia ao certo o que queria, mas sabia de quem eu queria falar. E Yoongi estava ali para ficar bêbado e me ouvir. Então, eu falaria. E o fiz:

– Sabia que os olhos dela são mel esverdeados? – Sorri sozinho encarando o teto e lembrando de Sophie em alguma aula. – Às vezes quando ela olha na direção do sol ou de alguma luz forte, eles ficam verdes, mas você consegue ver a coloração mel ali, também. – Soltei uma breve risada anasalada enquanto fechava os olhos. – Ela tem essa sensação, sabe? De que tudo fica bem só quando ela sorri. Ela tem os dentes tão brancos que eles brilham quando ela sorri ou ri de alguma coisa idiota que falei. E eu fico falando coisas ridículas, só pra ela rir.

Fiz uma breve pausa. Abri os olhos novamente umedecendo meus lábios pela milésima vez.

– Não sei quando me envolvi tanto. Não sei quando ou onde eu comecei a perceber todos esses detalhes nela. Não sei. E não me importa. Porque nada disso importa. – Respirei fundo vendo a cabeça de Axl Rose girar como se estivesse em uma roda gigante. – Porque eu não consigo fazer com que meu coração, inteiramente, foque nela. Não consigo esquecer toda a dor que Nayoung me causou e não consigo evitar o choro quando penso nela. – Bufei sentindo meus olhos marejados. – Eu queria, sabia? – Soltei o ar tornando a fitar Yoongi, fechei os olhos ao sentir tudo, literalmente, tudo rodar como se o mundo fosse cair a nossa volta.

– Ei, Hobi?! – Yoongi colocou sua mão no meu braço. – Você está bem?

Abri os olhos balançado a cabeça positivamente. – Sim. – E então sequei o canto dos olhos, prosseguindo. – Eu queria sentir algo bom por alguém de novo. Sophie é a primeira que me sinto assim desde toda essa merda que me assombra acontecer. Você sabe disso.

– Eu sei. – Yoongi balançou a cabeça positivamente.

– Eu queria deixar toda essa merda de lado e passar todo meu tempo apenas sentindo os sentimentos bons que sinto quando estou com Sophie. Seja numa aula ou no restaurante. Quando estou simplesmente olhando para ela. – Mordi meu lábio respirando fundo. – Eu sei que gosto dela. Sei que é mais do que uma atração, mas me frustra o fato de não conseguir fazer nada, de não conseguir agir, de não conseguir sequer a coragem para tentar algo. Eu quero tentar, Yoongi.

Ele apenas me fitava.

– Eu quero tentar. Eu quero tentar um recomeço, tentar fazer dar certo, não como o idiota cego da última vez, mas como eu realmente sou. Eu, realmente quero tentar. – Suspirei soltando o ar mais uma vez.

– Hobi... – Yoongi me chamou com um pequeno sorriso no rosto. Por que ele estava sorrindo?

Ele então virou seu rosto na direção da porta, e foi aí que senti meu coração enlouquecer em meu peito. Grande parte de mim sentia dor e mágoa pelo que Nayoung havia feito comigo, mas outra parte, que crescia cada vez mais, sentia algo bom e quentinho pela garota que, agora, entrava no bar com sua melhor amiga. E, merda, ela estava linda com aquele casaco amarelo que, certamente, não ficaria bem em qualquer um. Eu me odiava por não conseguir fazer ou falar nada. Eu era um completo idiota.

Sophie me fitou enquanto passava o olho pelo local, Holly fazia algo a seu lado, mas não me importava. Sorri no exato instante em que ela sorriu, surpresa pela coincidência. É, eu também estava surpreso, mas ainda mais contente que ela havia aparecido ali para se tornar a única boa coisa do meu dia de merda.

– Você pode tentar.

Encarei Yoongi quem falava em um tom de voz baixo a medida que Sophie e Holly se aproximavam. Ele então sorriu de lado:

– Você tem a chance bem na sua frente para isso. 


Notas Finais


O que vocês acham? Há sentimento da parte dos meninos com o coração partido?
Não deixem de comentaaaaar!
Amo vocês! ♥


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