História Cupid! - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), Seventeen
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Cupid, Escolar, Hobi, Hope, Hoseok, Jeon Jungkook, J-hope, Jikook, Jimin, Jin, Jung Hoseok, Jungkook, Kim Namjoon, Kim Seokjin, Kim Taehyung, Min Yoongi, Namjin, Namjoon, Park Jimin, Personagem Original, Rap Monster, Suga, Tae, Universidade, University, Vhope, Yoongi
Visualizações 120
Palavras 7.992
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Fluffy, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi babies, mais um! Quero muito agradecer ao comentários que me deixam mto felizinhaaaaaaaaaa. Vou responder todos! E desculpa não ter postado ontem!
Mais um! BEIJOS!

Capítulo 9 - Say Yes.


Antes de virmos para a Coreia do Sul como intercambistas, uma série de dicas e ideias nos foram passadas, tal como o regulamento do ensino da instituição para que iríamos. Dentre tudo isso estavam as matérias eletivas para somarmos créditos a nosso curso e, especialmente, a nossos currículos. Por isso, estávamos nós quatro a caminho do minicurso que havíamos escolhido em parceria, de modo que fizéssemos juntas todas as aulas.

As aulas não eram todas presenciais, não precisamos marcar frequência ou algo do tipo, mas também, não poderíamos reclamar caso perdêssemos alguma matéria ou atividade importante, depois. Quando fomos nos informar sobre, o curso de curta duração sobre “As influências sofridas pela música coreana no século vinte e vinte um” pareceu o mais palpável. Música era algo que todas gostávamos e entre esse assunto, ou algo relacionado a História, Biologia ou Números, esse era, mesmo, o melhor.

Estávamos a caminho da sala em que teríamos a primeira aula e, por ser de pequena duração, havia começado em março e não em fevereiro como a maioria das aulas. Também terminaria antes do semestre letivo, devido a carga horária. A professora, Son Gayoon já se encontrava em sala de aula quando entramos vendo que a sala estava cheia e era completamente diferente de todas as outras.

As cadeiras daquela sala eram em ordem crescente, ou seja, quanto mais para o final você sentasse, mais alto você estaria. O centro da sala era composto por um quadro branco, enorme, e um palco onde a professora ficava mais alta para que os alunos a escutassem. Um datashow ocupava o centro da sala e encarei as janelas um tanto quanto surpresa com as enormes janelas que iluminavam a sala naturalmente. Era tudo muito aconchegante e, ao mesmo tempo, enorme.

O minicurso era aberto a todos os tipos de alunos: de todos os cursos, idades, sexo, nativo ou não nativo e sem pré-requisitos. Talvez por isso estávamos em uma sala tão grande e alguns alunos já ocupavam algumas cadeiras de madeira, com os assentos acolchoados, ainda faltando dez minutos para o início das aulas, ou seja, mais alunos chegariam até então.

Escolhemos nossas cadeiras na terceira fileira, mais à frente havia um grupo animado de alunos e, dentre eles, reconheci o casal que havia preparado a festa para suas amigas, sabia que o mais alto se chamava Chan alguma coisa e o outro com sorriso adorável era o Baekhyun. Eles estavam sentados junto de três outros garotos, e eles pareciam animados para a aula. Um deles tinha um sorriso adorável e ria olhando para o outro com cabelos bem cortados e os olhos adoráveis, mas ele apenas o encarava de cara fechada enquanto os outros riam do menino sorridente. O terceiro amigo estava com um pequeno sorriso nos lábios e tinha os cabelos ruivos alaranjados, mas aparentava ser tão alto quanto Chan alguma coisa, o namorado de Baekhyun.
Desviei meu olhar deles olhando a sala ao redor, me dando conta de que nunca havia tido aula com tantos ocidentais ali, na Coreia. Suspeitei enquanto escutava as meninas falarem sobre como pensavam que seria aquela aula quando alguém perguntou se os lugares ao meu lado estavam ocupados.

- Oh, Holly! – Ele me cumprimentou surpreso e então esboçou um sorriso.
Fiquei de pé a sua frente e então fiz uma breve reverência. – Ah, olá Boo!

- Que coincidência. – Ele riu simpático e então esticou o braço na direção dos amigos. – Esses são Yoon Jeonghan, Kim Mingyu, Chwe Hansol e Lee Seokmin.

- Ah, você foi na lanchonete ontem a noite, certo? – Lee me perguntou sorridente.

Lembrei que ele era o atendente junto a Boo graças a seu sorriso marcante. – Sim. – Concordei fazendo outra reverência. – É um prazer conhecê-los.

Mingyu riu. – Nós já nos conhecemos.

- Verdade. – Concordei apontando, então, para as meninas e no instante em que Jeonghan viu Mary, ele sorriu apontando para ela.

- Jeonghannie? – Ela sorriu ficando de pé.

- Ya, é a garota que o Wonwoo não para de falar como idiota. – O de cabelos longos riu andando até ela.

- Ah, então você é a famosa Mary que conquistou o coração do nosso amigo introvertido. – Mingyu disse esboçando um fraco sorriso. – Prazer em conhecê-la.

Ela fez uma breve reverência. – Prazer.

Apresentamos uns aos outros e os meninos se sentaram na mesma fileira que nós quatro de modo que Seungkwan ficasse ao meu lado. Ele puxou assunto falando de Jihoon e em como ele queria estar fazendo aquele minicurso, mas devido a grade de seu curso, nesse exato momento, ele estava tendo aula, o que fez com que ele não pudesse pegar o minicurso para fazer uma matéria obrigatória.

A professora ajeitava seu microfone no rosto, pois a sala era grande e ela precisava que todos a escutassem, e então iniciou a aula fazendo com que a sala, agora completamente cheia, se calasse ao ouvi-la pedir silêncio. As apresentações estavam já na metade quando o barulho da porta chamou atenção da sala inteira, alguns alunos entravam atrasados atraindo a atenção da professora brevemente e assim que encarei a silhueta que entrava primeiro senti meu estômago embrulhar.
De roupas pretas e uma touca na cabeça, Min descia as escadas com Hoseok, Namjoon e Liam atrás de si, ambos os quatro indo sentar na primeira fileira do canto esquerdo, e longe de nós o que me fez suspirar de alívio. Eu não queria mesmo, nenhum tipo de contato com Min, nem mesmo o menor possível e logo desviei meu olhar olhando para o aluno que agora se apresentava.

- Do Kyungsoo. – Ele disse sério e percebi ser o garoto dos olhos cativantes que, mais cedo, estava de cara fechada ao lado dos amigos. – Sou estudante do quinto período de artes cênicas.

A professora assentiu passando para o garoto ao seu lado quem se apresentava como Kim Minseok, ele dizia estar fazendo sua segunda faculdade, também de artes cênicas, e que estava no quinto período, assim como Do. Agradecia mentalmente por já termos nos apresentado antes de Min chegar, pois assim ele não saberia que eu estava ali e poderia viver minha vida em paz sem que ele me acusasse de estar o seguindo e tentando invadir a privacidade dos sentimentos de Hoseok, mais uma vez. Idiota. Patético.

Encarei Sophie, ela olhava para frente, mas eu sabia que não prestava atenção alguma no que a professora falava ou no aluno que se apresentava como Lee Minhyuk. Ao seu lado, o garoto de cabelos pretos com mechas azuis esverdeadas se apresentou como Shin Hoseok e, no instante em que ele disse seu nome, Sophie virou seu rosto dando toda a atenção necessária para ele, mas assim que percebeu que não se tratava do Hoseok que ela parecia conhecer, tentou aliviar sua expressão.

As apresentações demoraram um pouco devido cheiura da sala, mas a professora logo apresentou seu plano de curso, bibliografias e explicou como seriam as coisas naquele curso onde ela prezava pela participação da sala. O curso parecia, realmente, bom, ela expunha suas ideias de nos passar filmes, músicas, documentários, entre outros meios midiáticos para que o curso fosse produtivo e participativo. As horas passaram mais rápido do que esperávamos e, quando nos demos conta, ela já finalizava a aula introdutória nos dando o primeiro aviso:

- A primeira atividade avaliativa começa na semana que vem.

Alguns murmúrios, mas nada que fosse capaz de atrapalhá-la.

- Para entendermos as mudanças musicais do século passado e atuais, precisamos compreender como isso tudo aconteceu e como chegamos até aqui. – Ela andava lentamente pelo palco encarando a plateia de alunos que lhe rondava. – Por isso, para a semana que vem, faremos dois seminários e eu escolherei os grupos agora.

Mais murmúrios, ela esboçou um sorriso encarando a turma e então pegou sua caneta escrevendo no quadro dois temas: “A Música durante as dinastias” e “A Música pós-dinastias”. Suspirei, eu realmente não queria ser escolhida, pois a sala estava lotada e aquilo me apavorava.

- Cada cadeira possui um número na ponta. – Ela nos informou e mais da metade da sala encarou a pequena etiqueta branca que estavam escritos os números em hangul. – Há números de um a duzentos e mesmo que não haja duzentos alunos na sala, estamos próximos, então creio que não haverão problemas.
Ela caminhou em direção a sua mesa e então pegou um pequeno controle ligando o datashow. A imagem da tela inicial de um computador se abriu no enorme quadro a frente da sala e ela sentou-se a mesa abrindo algum programa de computador que eu não fazia questão de reconhecer.

- Esse é um sorteador de números. – Ela parecia sorrir orgulhosa de si mesma e então apertou alguma tecla fazendo um número colorido aparecer em alta resolução para todos nós. – Eu aperto um botão e ele sorteia. – O número mudou uma, duas, três vezes enquanto ela apertava. Sete, noventa e três, quarenta.
Encarei meu número em hangul torcendo para que o número 77 não fosse chamado. A professora zerou o sorteio indicando a tela branca.

- Os primeiros cinco números que eu falar, por favor, levantem-se e esperem o sorteio terminar.

Ela então bateu na tecla indicando o primeiro número: 200. Ela sorriu de lado fazendo uma piada sobre os últimos serem os primeiros e o aluno sorriu de pé próximo a uma das portas. 57, 1, 180 foram os três números sorteados antes do aplicativo travar demorando a mostrar o último número. Merda, era como se estivéssemos em um maldito filme de terror onde o psicopata escolhia qual vítima mataria primeiro. Eu estava realmente tensa e senti todo o meu corpo gelar quando vi o primeiro número ser o sete.

75.

Olhei para o lado tentando perceber de quem era, Mary, ao meu lado, olhava Sophie e Naomi, mais a beirada, também. Ela conferiu o número no papel e então ficou de pé sem olhar para nenhuma de nós ou esboçar qualquer sorriso. Por mais que ela fosse uma matraca, com certeza seria difícil, até mesmo para ela, apresentar um seminário na frente de tantas pessoas.

- Me digam seus nomes na ordem em que foram chamados. – A professora abriu o programa de computador onde escreveu, ao topo, “Seminario Um: A música durante as dinastias. Grupo:” e então encarou o número duzentos quem estava longe, mas mesmo assim, soube que se tratava dele.

- Song Minho. – Ele disse alto o suficiente para que ela e toda a sala o escutassem.

Ela então escreveu seu nome rapidamente e encarou o garoto em pé na fileira próxima a nossa. Antes que ela lhe perguntasse ele foi logo dizendo:

- Do Kyungsoo.

Ela também anotou seu nome com rapidez e então encarou a garota tímida sentada na cadeira número um.

- Seu nome, querida?

A garota de cabelos longos, respondeu. – Ah Dawon.

Seu nome foi anotado assim como Marta Pebin, a garota loira e intercambista quem representava o número 180. Foi então a vez de Sophie e ela, sem hesitar, disse seu nome em voz alta atraindo vários olhares e, especialmente os dos integrantes de seu grupo.

- Sophie Moore.

A professora anotou seu nome e então tornou a explicar:

- Vocês serão responsáveis em trazer estudos e fontes confiáveis sobre “A Música durante as Dinastias”. Vocês podem comentar sobre músicas ao redor do mundo na mesma época, o método de apresentação será livre e vocês terão cerca de duas horas para falarem sobre isso. Alguma dúvida?

Nenhum dos cinco ergueu a mão ou mostrou interesse em alguma pergunta e assim que a professora os deixou sentar, Sophie afundou as mãos nos cabelos abaixando a cabeça. É, eu compreendia aquele sentimento de nervosismo diante de uma responsabilidade tão grande. Naomi, ao seu lado, falava algo positivo para acalmá-la e ela apenas balançava a cabeça a escutando.

- Setenta e sete!

Congelei por completo. Virei meu rosto para frente e percebi que os olhares das pessoas ao meu redor estavam vidrados em mim.

- A carteira setenta e sete está vazia?

- É você. – Seungkwan sussurrou ao meu lado.

Encarei o número em hangul na cadeira e apenas suspirei ficando de pé, atraindo o olhar da professora e de grande parte dos alunos. Sequer prestei atenção nos outros quatro números, eu apenas pensava em como eu era um poço de azar. Entre cento e noventa e cinco alunos, eu, justo eu, tinha que cair como uma das escolhidas para apresentar um seminário. Merda. Merda. Merda. Mil vezes merda.

Após os números ditos, a professora tornou a chamar o número setenta e sete, ou seja, eu. Ela questionou meu nome e a encarei evitando olhar para qualquer outra pessoa. E se, antes, eu tinha em mente me manter invisível para Min, o idiota, agora isso tinha ido por água abaixo, pois mesmo encarando a professora Son eu podia perceber que ele e Hoseok estavam virados em minha direção. Assim como grande parte da sala.

- Holly Hayes. – Falei enquanto olhava meu nome em um hangul adaptado já que o alfabeto era diferente.

Senti os olhares em cima de mim, mas não me importei e nem fiz menção de olhar para os lados, mas, por minha visão periférica, percebi que Hoseok me fitava, Liam também, Namjoon e Min. Por mais que eu não gostasse de presumir que o mundo girava ao meu redor, eu sabia que ele não estava nada contente por me ver ali.

- Obrigada, querida. – A professora disse ficando de pé mais uma vez.

Ela nos liberou após anotar o nome e passar os textos que ambos os grupos deveriam trabalhar. Fomos para a próxima sala, nos separando do restante da turma onde apenas eu e Sophie seguimos aquele caminho em direção a aula de Dialética Oral Estrangeira, que era a última aula antes do almoço. Entramos na sala enquanto Sophie terminava de arrumar sua agenda telefônica com seus novos contatos feitos por causa do grupo, e assim que o fizemos vimos um aviso escrito em hangul e em inglês para irmos à sala de vídeo no segundo andar, seguimos nosso caminho.

O filme educativo sobre línguas e imigrantes foi um tanto quanto tedioso, porém interessante, mas eu não aguentava mais ficar dentro daquela sala escura e abafada, então dei graças aos céus quando fomos liberados para o almoço. Estava sonolenta, por isso dava poucas palavras, encarava meu celular vendo a última mensagem com Jihoon onde ele me dizia que iria dormir um pouco, pois tinha acabado de chegar no dormitório, Soonyoung estava bem e tinha acordado pela madrugada com dores, mas ainda assim sem deixar de sorrir, segundo Jihoon. Estava aliviada por seu amigo estar bem.

Sentamos a mesa de sempre e Liam logo sentou ao nosso lado perguntando se podia almoçar conosco, o que assentimos sem hesitar. Ele sentou ao lado de Sophie e então comentou algo sobre a comida estar boa. No exato instante em que começamos a falar sobre seu curso de gastronomia, Liam fixou seu olhar no homem alto de cabelos azuis e pretos que entrava no refeitório com Namjoon, Seokjin, Jimin e Jungkook, ele ria com o cara loiro ao seu lado – quem estava na mesa com Naomi, Jungkook e Jimin na noite passada – e olhou em nossa direção acenando na direção do canadense. Liam retribuiu o aceno com um sorriso tímido e Mary apenas sorriu o fitando após perceber que ele olhava para o de mexas azuis.

Meu olhar se fixou, logo em seguida, na figura de cabelos pretos e sem sorriso nos lábios enquanto eu recordava da acusação falsa de estar-lo seguindo. Só de lembrar eu tinha vontade de socar seu rosto bonito. Min Yoongi era bonito, mas tão emburrado e imbecil que chegava a ficar feio, para mim. (N/A: Como doeu escrever isso). Ele me encarou, provavelmente sentindo meu ódio, e apenas desviei meu olhar para minha bandeja de comida quase finalizada. Hoseok estava atrás de si, distraído enquanto ajeitava algo em sua pasta, e então sorriu ao ver os amigos sentados a mesa logo fazendo companhia aos mesmos. Desviei a atenção da mesa deles, evitando mais confusão e tornei a olhar Liam quem falava algo sobre seu veterano Kim Seokjin.

- Ele é adorável. – Sophie concordou balançando a cabeça.

- Ele é diferente dos outros veteranos, ele não fica se impondo e sempre é muito educado. – Liam balançou a cabeça enquanto pegava um pouco de seu bibimbap.

- Foi ele quem cuidou de Sophie quando ela estava vomitando. – Naomi disse segurando o riso.

- Quando ela vomitou nos pés de Hoseok. – Mary riu a encarando.

Sophie fechou os olhos levando uma mão ao seu rosto visivelmente envergonhada.

- Ela vomitou em Jung? – Liam perguntou.

- Sim. – Naomi balançou a cabeça positivamente e Sophie lhe tampou um papel fazendo com que a loira risse.

- E ele ainda foi um completo cavalheiro levando ela até o dormitório. – Mary completou apoiando os cotovelos na mesa e apoiando o rosto em suas mãos enquanto arqueava as sobrancelhas para Sophie.

- Aish, parem com isso! – Sophie resmungou olhando para sua bandeja quase vazia.

- Se eu pudesse dizer, diria que Hoseok tem uma queda por você. – Naomi sibilou tranquila enquanto abria sua gelatina de morango.

- Aigoo, claro que não. – Sophie protestou mais uma vez. – Não mesmo. Ele é apenas educado.

- Claro, porque eu seria educada com alguém que vomitou no meu pé. Claro que seria. – Mary revirou os olhos.

Naomi riu e esbocei um pequeno sorriso achando a situação engraçada. Mary tornou a erguer seu rosto e apontou para Liam o perguntando:

- Você levaria nas costas alguém que vomitou nos seus sapatos, Liam?

Ele riu balançando a cabeça negativamente. – Não.

- E você, Naomi? – Ela questionava todo mundo.

Naomi mordeu o lábio balançando a cabeça negativamente como uma criancinha. – Não.

- Holly? – Mary me fitou sorrindo de lado.

- Não mesmo. – Respondi rindo.

Sophie me bateu como protesto. – Até você?!

Dei de ombros rindo e ela apenas abaixou a cabeça balançando as mãos na direção de Mary enquanto resmungava que Jung Hoseok era apenas educado e que estávamos vendo histórias onde não tinham. Certo, que ela minta para si mesma o quanto quiser, mas chegará um momento que será inevitável o sentimento.
Paramos de falar em Hoseok no exato instante em que ele passou em frente a nossa mesa nos cumprimentando com seu sorriso familiar e sua bandeja vazia em mãos. Retribuímos e Hoseok logo se afastou saindo do refeitório sozinho.

Liam parecia mais animado que normalmente estava e Mary lhe questionou sobre Hyejin, uma de nossas vizinhas e que ele havia beijado na noite da festa, a mesma que Mary conheceu Wonwoo e Sophie vomitou nos sapatos de Hoseok, ele disse que ambos continuavam a se falar, mas que os beijos aconteceram apenas naquela noite, e que ele não era capaz de continuar se envolvendo com a mesma por medo de machucá-la, já que estava gostando de outra pessoa. E, por um momento, pensei no cara de cabelos azuis e pretos que ele havia olhado fixamente, como um apaixonado, mas era assunto íntimo e pessoal e eu não tinha intimidade para perguntar sobre. Ele continuou falando das suas dificuldades em se enturmar com os próprios colegas de quarto – um egípcio e um mongol – e em como ambos o excluíam das conversas e situações sem ele nem mesmo saber o porquê.

E foi com o discurso sofrido de Liam que uma luz acendeu em minha mente, como naqueles filmes de desenho animado, e eu soube, exatamente, o que sugerir para Kim Namjoon em relação ao trabalho que devíamos apresentar na próxima semana para o professor. Olhei na mesa vendo-o sorrir enquanto falava algo com o restante da mesa e apenas suspirei retirando de minha cabeça falar com ele naquele momento, pois Min estava ao seu lado e o que eu menos queria era algum contato com ele, por menor que fosse.

Terminamos de almoçar e levantamos ao soar o sino indicando que tínhamos mais algumas horas de aula antes de estarmos liberados pela noite para comermos e irmos para o dormitório. Antes de ir para a sala de aula com Sophie, nos despedimos de Mary, Naomi e Liam, e fui para a biblioteca pegar o livro referente ao seminário que teria de apresentar, encontrando, novamente, Namjoon no meio do caminho, tentei passar apenas o cumprimentando, mas ele me chamou enquanto andava ao lado de Min, o que fez com que eu revirasse os olhos internamente.

- Holly, preciso falar com você...

Min o interrompeu imediatamente. – Vou indo. Te vejo mais tarde, cara.

Namjoon franziu a testa estranhando, completamente, a atitude de Min, o encarei rapidamente e ele sequer foi capaz de me fitar e eu não sabia se ficava aliviada ou pegava aquilo como uma afronta mal-educada de sua parte. Meio sem jeito, Namjoon apenas assentiu fazendo um rápido toque de mãos com ele e Min logo nos deu as costas indo para uma direção qualquer. Namjoon me fitou como se estivesse se perguntando o que ele tinha perdido e apenas aproveitei a situação para falar com ele sobre minha mais nova ideia.

- Bom! – Ele sorriu animado. – Era sobre isso que eu estava indo falar com você.

Sorri de lado. – Ótimo! Podemos conversar na biblioteca, se preferir.

Ele assentiu checando seu tempo e dizendo que ainda possuía meia hora antes da próxima aula. Fomos para a biblioteca e entramos em uma das salas envidraçadas, próprias para debates e conversações, fechamos a porta e então Namjoon me fitou completamente atento ao que eu começava a dizer.

- Recentemente nós viemos debatendo sobre diversos assuntos, e você até mesmo sugeriu que falássemos de algo que estivesse, mesmo, no meu campo. Mas eu não tive dificuldade alguma, porque, modéstia parte eu tinha condições de aprender coreano nos Estados Unidos e ainda tive uma chance maior para vir aqui estudar.

- Uma privilegiada. – Namjoon sorriu de lado. – Mesmo que você tenha trabalhado para conseguir pagar seu curso, mesmo que você estivesse oito horas por dia atrás de um balcão de loja de milkshakes e a noite fosse estudar, você era uma privilegiada por tudo isso.

Assenti em concordância. – Nós somos privilegiados. É claro que não chegamos aqui sem esforço e sem habilidades, mas isso não muda o fato de que somos privilegiados apenas por termos a chance de entrar em uma Universidade. Muita gente sequer chega no caminho em que chegamos por muitos motivos, que se formos falar demoraremos horas.

Namjoon riu anasalado. – Sim, mas estou gostando do rumo que a conversa está tomando.

- Uma grande parte de estudantes intercambistas não falam nada além do básico coreano e alguns chegam aqui apenas com o inglês, o que é aceito desde que passem no exame de proficiência. – Falava concentrada em tudo o que gostaria de lhe expor. – Esses estudantes não estudaram coreano por não conseguirem, não terem tempo, não possuírem dinheiro, seja o que for, sei que cada um tem seu motivo e isso faz com que poucos intercambistas troquem experiências entre si e entre os demais.

- Certo. – Ele assentiu pensativo.

- Eu conheço um intercambista que sequer se relaciona com seus colegas de quarto mesmo ambos os três falando inglês. Alguns outros não se relacionam com nativos por haver esse contraste de línguas, alguns não sabem falar coreano e outros não sabem ou se dão bem no inglês.

Namjoon balançou a cabeça concordando afobadamente, ri da sua reação e ele sorriu destacando suas covinhas. – Sempre tenho que traduzir as coisas no meu grupo de amigos porque sou o único que sabe, fluentemente, inglês.

- Pois é. – Balancei a cabeça positivamente. – Mary fala o tempo todo em coreano para não perder o costume e melhorar seu dialeto já que seu foco maior, na carreira de moda, é lidar com o público.

- Isso é legal.

- São exemplos assim que mostram o quão complexo e difícil é a comunicação entre os intercambistas, não só com os nativos, mas entre nós mesmos.

- Certo. – Namjoon balançou a cabeça concentrado. – Suponhamos que em um quarto há apenas dois intercambistas, e desses dois apenas um fala inglês e o outro se dá melhor com o coreano por ser algum dialeto próximo ao seu, não sei. – Ele deu de ombros. – A comunicação entre ambos será ainda menor, mas talvez eles se adaptem para compreenderem um ao outro.

- Ou talvez não. – Sorri desafiadora.

- Ou talvez não. – Namjoon sorriu em concordância. – Então, o que você supõe? Qual a ideia que veio a sua cabeça?

- Um título.

- Um título? – Ele parecia cada vez mais animado. – Então me conte o título que pensou.

Sorri de lado, confiante. – “A dificuldade de comunicação intercambial nas Universidades que afetam o social.”

Namjoon encostou suas costas no encosto da cadeira azul acolchoada e sorriu, ele cruzou os braços balançando a cabeça positivamente com um sorriso tão aberto e, ao mesmo tempo, aliviado que tudo o que fiz foi sorrir.

- Sem dúvidas, essa foi a melhor ideia até então. – Namjoon quebrou o silêncio dizendo sem deixar de sorrir.

- Fico feliz que tenha gostado.

Namjoon balançava a cabeça positivamente. – Vamos aprofundar um esquema, fazer nosso rascunho e o resumo do que pretendemos falar e apresentar.

- Claro.

- Mas a senhorita tem aula agora, assim como eu, por isso, o que acha de nos encontrarmos depois da janta?

Assenti completamente sorridente por Namjoon estar tão animado quanto eu, finalmente, em relação a um tema. – Acho ótimo.

- Ótimo, podemos montar o primeiro rascunho e juntarmos ideias para colocarmos no resumo a ser entregue ao professor. – Ele esfregou as mãos. – Não se preocupe, a ideia realmente está espetacular.

Sorria animada. – Espero que sim.

Ele então apoiou ambos os braços em cima da mesa e me fitou. – Está sim, ao mesmo tempo em que estamos em um assunto crítico, teremos que apresentar uma solução ao problema. E é aí que nossas mentes têm que trabalhar ainda mais.

- Darei o meu melhor.

Ele sorriu amigável. – Sei que sim. Mesmo que tenha sido sem querer fico aliviado que alguém esforçado como você tenha levantado para se voluntariar.
Ri envergonhada da minha própria distração. – É. De um jeito ou de outro, eu também.
Namjoon sorriu me fitando. – Dará tudo certo.

Sorri o encarando e ergui a mão na espera de um high five, o que fez ele rir é bater em minha mão sem jeito. Saímos da biblioteca ainda falando sobre a ideia e sugerindo diversos métodos de abordagem, eu realmente me sentia mais estudiosa e esforçada ao lado de Namjoon, eu geralmente fazia o que mandavam e tentava absorver o máximo de cada leitura e experiência, mas com Namjoon era totalmente diferente. Eu estava, ao seu lado, a frente de um trabalho realmente importante e significativo não só para nós, mas para o professor e os estudantes, essa sensação de capacidade era excelente. E nunca havia sentido antes.

Fomos para a sala, eu onde encontraria com Sophie, e Namjoon para a sala de nativos sunbaes, nos despedimos ambos animados com a situação em que nos encontrávamos e assim que entrei na sala a professora Hanjin me encarou com cara de poucos amigos por estar atrasada. Fiz uma breve reverência e andei até meu lugar, ao lado de Sophie, tentando não fazer barulho algum para não atrapalhar seu discurso sobre dialetos orientais.

- Onde você estava? – Sophie sussurrou atrás de mim.

- Na biblioteca conversando com Namjoon sobre o projeto. – Sorri animada. – Acho que, enfim, conseguimos um tema.

Sophie sorriu. – Isso é ótimo, sobre o que vo...

- Senhorita Hayes e senhorita Moore. Há algo que ambas gostariam de compartilhar conosco?

Virei-me bruscamente para frente encarando a professora de cabelos curtos e pretos como carvão, balancei a cabeça negativamente e escutei Sophie negar com a voz baixa e rouca. A professora sorriu forçada e voltou a dar sua preciosa aula. Não nos comunicamos até sair da sala onde, enfim, pude explicar do que se tratava a nossa ideia de projeto. Estava ansiosa para pormos em prática nossas ideias e, oficialmente, trabalharmos juntos.

Namjoon, desde o primeiro instante em que conversamos, mostrou ser um cara muito inteligente e quando soube que seu QI era acima de 140, me assustei grandiosamente e simplesmente porque possuía um estereótipo de pessoas inteligentes do tipo que usam óculos de grau e mal conseguem se comunicar. E Namjoon, mesmo que indiretamente, me mostrou que não era bem assim.

Assim que o sinal da segunda aula bateu, fui em direção a biblioteca já com algumas ideias na cabeça, não estava com fome e, por isso, rejeitei o jantar apenas comendo algum lanche. Na biblioteca, havia pego alguns livros e lia algo sobre as linguagens mais difíceis do mundo quando meu celular tocou indicando, na tela, que se tratava de Namjoon.

- Holly? – Sua voz parecia diferente, ele parecia tenso.

- Sim. Oi Namjoon. – Sussurrei devido ao fato de estarmos na biblioteca.

- Holly, eu sinto muito, mas teremos que deixar nossa conversa pra outro dia. –

Ele suspirou. – Tive um imprevisto e não vou poder ir.

- Ah, tudo bem. – Falei encarando o livro.

Namjoon suspirou. – Você já está na biblioteca, certo?

Ri anasalado. – Sim.

- Me desculpe, mas surgiu algo realmente urgente.

- Não se preocupa,  Namjoon. – O tranquilizei. – Podemos falar sobre amanhã ou depois.

- Obrigado Hol. – Ele agradeceu. – E desculpa.

- Não se preocupe. – Encostei as costas no encosto da cadeira. – E seja o que for, espero que dê tudo certo.

Ele bufou. – Eu também.

Nos despedimos e Namjoon desligou após dizer que eu não deveria me cobrar tanto e que deveria ir comer ao invés de pular as refeições, o que me fez rir. Ele era sempre preocupado com as pessoas de um modo adorável, assim como Seokjin. Os dois realmente formavam um casal incrivelmente maravilhoso. E era ainda mais adorável o modo como os dois falavam um do outro, com tanto amor e carinho.

Resolvi permanecer na biblioteca por um tempo já que não tinha mais nada para fazer naquele dia. Estava livre de textos para o dia seguinte e mesmo tendo que me preparar para o seminário em que fui sorteada, o mesmo era apenas na próxima semana, o que me dava um tempo razoável para ler e estudar o que falaria.
Dando um salto da cadeira – e ganhando um olhar intimidante da bibliotecária – lembrei ser meu dia de levar as roupas para a lavanderia. Possuíamos uma escala semanal onde ninguém saia prejudicada pela falta de roupas limpas, eu era responsável pelas segundas semanas do mês e aquela era a minha responsabilidade. Entregando os livros a bibliotecária, saí em direção ao dormitório pedindo mentalmente aos céus para que nenhuma delas estivesse por lá, pois assim evitaria uma falação desnecessária em minha cabeça.

Andava em passos largos segurando as alças da mochila enquanto procurava minhas chaves nos bolsos da calça jeans, assim que cheguei a porta do quarto, parei por um breve instante me dando conta de que não havia barulho algum do lado de dentro. Abri a porta deixando minha mochila em cima da cama e logo arrastando o cesto roxo, de mão, para fora do quarto.

Cheguei a lavanderia mais rápido que o esperado e então apoiei minhas mãos na máquina enquanto respirava fundo tentando normalizar minha respiração. Se fôssemos inimigas eu afirmaria, com toda certeza do universo, que as meninas colocaram pedras dentro daquele cesto de tão pesado que o mesmo se encontrava, mas eu devia me acostumar já que éramos quatro garotas que acumulavam mais roupas do que o universo julga possível.

Normalmente seria mais fácil se a lavanderia do dormitório feminino estivesse funcionando, mas como esse não era o caso, tínhamos que nos arrastar até o segundo andar do dormitório masculino para lavar e secar nossas roupas. Por isso era um trabalho tão tedioso: esperávamos quase uma hora para a roupa lavar e outra meia hora para a centrifugação e secagem, era como se estivéssemos nas lavanderias dos Estados Unidos, essas que eu tanto odiava.

Coloquei as roupas ligando a máquina após medir o sabão em pó. Ficaria ali por uma hora, ou mais, apenas esperando as roupas estarem prontas. Desde que passamos a usar as máquinas e secadoras do dormitório masculino a vigilância dos sunbaes ficou ainda maior, pois os mesmos eram responsáveis pelas movimentações nos prédios até o toque de recolher, as dez da noite. Geralmente eles nos levavam até o segundo andar, trancando a porta da frente de modo que ninguém entrasse e saísse e, de quinze em quinze minutos, subiam para checar se estávamos mesmo lavando a roupa ou se usamos a situação como desculpa.

Sunbae Choi Minho, o responsável em ficar cuidando da porta de entrada do dormitório masculino das seis às dez da noite todas as segundas semanas dos meses, a princípio realizava os procedimentos de verificar de quinze em quinze minutos se eu estava, mesmo, na lavanderia, mas depois largou de mão o monitoramento dizendo que confiava em mim, o que era bom, pois assim não precisava ficar sorrindo toda vez que ele aparecesse apenas para ser educada.

Enquanto esperava a roupa na lavanderia, recebi uma mensagem e logo percebi ser de Jihoon, esbocei um pequeno sorriso quando ele disse que tinha acabado de acordar e que, ainda assim, estava exausto. Ficamos conversando por mensagem enquanto ele se mantinha preguiçoso, deitado na cama e eu sentada em cima da máquina de lavar que estava em uso. Bocejei sonolenta quando ele disse que iria tomar um banho e que voltava depois.

Após um tempo olhando para o nada, e já com as roupas na secadora, me assustei com as vozes altas que começava a escutar. Sem entender o que estava acontecendo, desci da secadora guardando o celular no bolso e parei a porta procurando o autor dos gritos. A voz me parecia familiar, mas estava estranha, além de visivelmente alterada.

- Holly-ssi!
Assustei assim que cheguei na porta da lavanderia, olhei na direção da enorme escada, que ia para os dormitórios masculinos no segundo andar, vendo Hoseok com os braços em volta de Namjoon e Min.

- Sua safadinha! – Hoseok berrava sendo carregado pelos amigos, era óbvio que ele estava bêbado. – O que faz no dormitório masculino?

Soltei uma risada anasalada me sentindo sem graça. – Lavanderia. – Foi tudo o que consegui falar diante a situação constrangedora.

- Ah, verdade! – Ele gritou mais uma vez, fazendo com que Namjoon bufasse.

Apesar de ser uma situação engraçada, os dois estavam completamente sérios, como nunca havia visto antes. Retraí a risada, mesmo achando engraçado Hoseok gritar tanto.

- Me soltem, por favor. – Ele pediu encarando Namjoon e depois Yoongi. – Preciso me curvar.

- Tá maluco? – Min vociferou ao seu lado. – Não vai curvar pra porra nenhuma, vamos pro quarto.

- Hyung... – Hoseok fez uma breve pausa e então imitou um bico enquanto erguia o indicador e batia nos lábios do emburrado fazendo com que ele praguejasse um palavrão virando seu rosto.

Segurei o riso o fitando, mas assim que ele me encarou, completamente puto, desviei o olhar fazendo de conta que não sabia de nada daquilo. Hoseok empurrou Yoongi, um tanto quanto bruto, e tentou curvar em minha direção, mas logo foi segurado por Namjoon.

- Ei, cara, vamos pro quarto.

Oh, agora as coisas faziam sentido, era como se luzes acendessem em minha mente. Namjoon não pôde comparecer a nossa “reunião” grupal, pois teve que ir, juntamente com Min, pegar Hoseok em algum bar, provavelmente. Namjoon sorriu de lado e um pouco sem graça como se estivesse se desculpando silenciosamente pelo furo de hoje mais cedo e apenas sorri tentando tranquilizá-lo, mas logo minha atenção se voltou a Hoseok quem olhava para Namjoon “sussurrando”. Entre aspas, porque ele, de fato, não estava sussurrando.

- Eu tenho que me desculpar com a Holly por chamar ela de safada. – E então bateu na própria testa rindo de si mesmo e cambaleando pra trás. – Relaxem, eu estou bem. Só preciso pedir desculpas a ela. – E apontou em minha direção tomando um impulso das mãos firmes dos amigos e vindo até mim.

Balancei a cabeça negativamente enquanto abanava as mãos. – Não se preocupe, Hoseok. Não tem porque se desculpar, não...

Ele então tropeçou nos próprios pés caindo de joelhos ao chão. Andei em sua direção o ajudando a levantar, mas assim que Min se aproximou me fitando com fogo nos olhos recuei evitando o máximo de contato com o mesmo. Olhei em direção a escada vendo Minho se aproximar com a testa franzida enquanto tentava se situar do que estava acontecendo.

- Que merda está acontecendo aqui?

- Oh, Minho! – Hoseok berrou tão alto que cerramos nossos olhos.

- Shhhhh, tá louco Jung? Vai acordar todo mundo desse jeito. – Ele encostou a mão no ombro de Hoseok.

- Ya, você tá cada dia mais bonito. – Ele riu batendo as mãos nos peitos de Minho enquanto ajeitava sua blusa. – Taehyung tem razão em falar que você é o mais bonito da turma de artes cênicas.

- Ok, certo. – Namjoon se aproximou de Hoseok o puxando com certa força. – Vamos embora, cara.

- Certo, certo. – Ele revirou os olhos bufando e em seguida me fitou, coloquei a mão em frente a meus lábios de modo que ele não me visse rindo de si. – Desculpe Holly.

- Está tudo bem. – Balancei a cabeça positivamente.  

- Pronto. Agora vamos para o quarto. – Namjoon o puxava delicadamente enquanto fazia uma breve reverência em minha direção.

Sorri de lado retribuindo a reverência e então Minho apontou em minha direção, ordenando com seu tradicional sorriso nos lábios:

- Você! Volta para a lavanderia. Nada de conversas com os garotos.

Ergui minhas mãos rindo e então virei de costas voltando para a lavanderia enquanto escutava a secadora fazer seu trabalho com minhas roupas e das meninas.

- Espera.

Olhei para trás e então fui advertida por Minho, juntamente com Min, quem vinha na minha direção. Franzi a testa completamente confusa com o simples fato dele ter dirigido a palavra a mim e, ainda mais, estar vindo em minha direção.

- Não. – Minho se pôs em meio a ambos. – Se alguém souber que deixei vocês dois conversarem...

- Nós já estamos fazendo isso, não? – Ele encarou Minho.

Ele então segurou Min pelos ombros e o mesmo tentou não deixar que Minho o virasse em direção ao dormitório, mas foi em vão, pois o sunbae era muito mais forte que o mesmo.

- Você devia ouvi-lo. – Resmunguei para Min, entrando na lavanderia e me afastando da porta.

Espera” minha bunda. Depois de ser completamente rude e sem noção, me acusando de estar seguindo Hoseok e ele, Min queria falar mais o que? Eu estava evitando todo e qualquer tipo de confusão simplesmente o evitando, e sempre que eu pudesse o ignorar eu o faria, caso contrário brigaríamos como duas crianças do ensino fundamental. Babaca do caralho.

A máquina de secagem avisou, com sua voz eletrônica, que as roupas estavam prontas e apenas suspirei aliviada começando a retirar as peças de roupa e as jogando de qualquer jeito no cesto. Normalmente eu dobraria as roupas, mas estava com receio de Min resolver aparecer pela lavanderia para me lotar a paciência falando alguma merda. Não estava nem um pouco a fim.
Carregando o cesto até o primeiro andar percebi que Minho estava sentado ao seu lugar de sempre enquanto mexia no celular, provavelmente jogando algum jogo. Ele ficou de pé me encarando com o cesto e logo se voluntariou a me ajudar até a entrada do dormitório feminino, tentei negar, mas ele mal escutou o que eu tinha a dizer logo pegando o cesto de minha mão e atravessando a pequena praça com chafariz e bancos adoráveis que separavam os dormitórios de ambos os sexos.

- Ya, gringa.

Minho olhou para trás fazendo menção de parar para esperar Min, quem, sem nem mesmo precisar virar para trás, reconheci a voz. Empurrei Minho de leve enquanto o virava, novamente, em direção ao dormitório feminino e forcei um sorriso quando ele disse que Min me chamava.

- Eu sei, só faz de conta que não ouviu.

- Ele é um cara legal, devia ver o que ele quer. – Minho suspirou balançando a cabeça.

- Nem que me pague. – Falei lhe lançando um breve olhar.

Ele soltou uma risada anasalada deixando o assunto morrer ali e apenas apressei os passos em direção a entrada que era vigiada pela sunbae Park Yoora. Ela era mil vezes mais simpática que sunbae Min e isso me deixava mais aliviada, especialmente naquele momento.

- Porra, você é surda? – Min surgiu a minha frente bloqueando o caminho, parei bruscamente e Minho fez o mesmo segurando o cesto roxo.

O encarei contraindo o maxilar e tentei passar desviando do emburrado sem nem mesmo falar uma mísera palavra.

- Sai da frente. – Resmunguei entredentes.

- Não. – Ele respondeu firme. – Quero falar com você.

- Mas eu não quero falar com você. – O encarei pela primeira vez.

Min me fitava nos olhos. – Eu realmente preciso falar com você.

- Eu não dou a mínima, eu não me importo. – Balancei a cabeça. – Você foi um idiota grosseiro e agora vem me pedir algo? Kiss my ass. – Resmunguei a última frase em inglês tentando, mais uma vez, passar por Min quem me bloqueava o caminho com o próprio corpo.

Revirei os olhos bufando, mais uma bloqueada de caminho e eu o socaria completamente irritada em tão pouco tempo.

- Eu... Deveria ir. – Minho disse deixando o cesto ao chão e então fez uma reverência em minha direção e de Yoongi. – Tenham uma boa noite.

- Minho...

- Obrigado, cara. – Yoongi me interrompeu antes mesmo que eu pudesse pedi-lo para permanecer.

Abaixei na direção do cesto de roupas e Min logo o puxou para trás de si. Sério? Ele estava mesmo fazendo aqueles joguinhos estúpidos? Que porra ele queria comigo?

- Vai se foder, me dá a porra da...

- Desculpa.

Ele pediu tão alto e tão seguro de si que me calei no mesmo momento. Ele não parecia nem um pouco feliz por estar ali, me pedindo desculpas e eu não esperava, nem um pouco, tal atitude. O encarava surpresa, mas logo fechei a cara tentando transparecer minha raiva.

- Eu fui um babaca ok? – Ele deitou o pescoço por um breve momento e então respirou fundo me fitando após desviar o olhar visivelmente desconfortável. – Não devia ter falado daquela maneira, e muito menos te acusado. Por isso, eu sinto muito.
O encarei em silêncio, abaixei o rosto analisando-o e tentando entender que porra ele queria e pretendia com aquele discurso arrependido.

- Não vai falar porra nenhuma? – Ele perguntou após um tempo.

- O cesto. – Apontei para trás de si sem desviar o olhar.

Min não vacilou nem mesmo por um segundo. – Você o pega depois de me ouvir.

- Por favor não me faça pegar a força.

- Boa sorte tentando.

Ri anasalado completamente incrédula com sua confiança. – Me dá a porra do cesto.

- Me escuta, primeiro.

- Puta que pariu. – Bufei bagunçando meu cabelo enquanto olhava para os lados tentando me acalmar. – Eu não quero falar com você e muito menos te ouvir, Min.
- Você acha que é agradável pra mim toda essa merda? – Ele questionou atraindo minha atenção.

Apontei para o dormitório masculino. – Então dá o fora daqui e volta pro seu quarto!

- Não posso, ok? – Ele se exaltou me fitando fixamente. – Não com meu melhor amigo bêbado lá dentro implorando pela ex-namorada. Eu não posso ficar parado vendo ele encher a cara e sumir o dia todo. Porra, não. Eu não posso ver essa merda se repetir.

- Com todo respeito a Hoseok, porque eu realmente gosto dele, mas o que eu tenho a ver com os seus sentimentos?

Ele esfregou a testa bagunçando parte de seu cabelo escuro. – Você queria saber se ele gosta da sua amiga. Sim, ele gosta. Depois que Nayoung se foi ele não olhou ninguém de modo diferente, ele sequer tentou, mas então vocês chegaram e a reação dele foi imediata. Ele gosta dela.

- Por que está me dizendo isso?

- Nayoung está de volta. De dez palavras que ele fala seis tem relação com ela e outras quatro com sua amiga. Nem eu tinha noção que ele estava tão envolvido com a garota vômito até então. – Ele suspirou.

- Não precisa ser nenhum gênio para perceber como eles se olham. –

Resmunguei. – Agora, que porra você quer falar? Porque se for isso, obrigada pela informação, mas não há nada que eu possa fazer com ela.

- Você me pediu ajuda...

O interrompi de imediato. – E você negou. Devo continuar e falar que até mesmo me acu...

- Já disse que sinto muito. – Ele me interrompeu de volta. – Fui um babaca.

- Fico feliz que saiba. – Dei um passo para o lado e Min fez o mesmo.

- Não acabei.

Bufei fechando os olhos por um breve momento. – Por favor, só fala que merda você quer e me deixa em paz.

- A coisa do cupido. – Ele foi direto fazendo com que eu o encarasse novamente.

Não disse nada, era o sinal para que ele prosseguisse e Min compreendeu continuando:

- Eu tô cansado de ver Hoseok sofrendo por Nayoung. Até ele mesmo pensou que tinha superado ela, mas o que ele superou mesmo foi a ausência. Ele se acostumou a não a ver, então a dor se camuflou, mas agora que ela está de volta ele tá uma merda de novo e porra, eu não queria ficar vendo ele se acabar por causa dessa merda que apareceu na vida dele só para fazê-lo de idiota.

Ele fez uma breve pausa e desviou o olhar umedecendo os lábios e, em seguida, passando a língua por dentro da bochecha, parecia pensar em meio a tanta raiva.
 

- Por um lado você tava certa quando me disse que faria de tudo para ver sua amiga bem e feliz. – Ele tornou a me encarar. – E, principalmente, quando disse que não queria que ambos acabassem como nós. Especialmente como eu.
Ele fez uma breve pausa encarando o chafariz e soltou sua respiração pelo nariz.

- Eu não quero que ele acabe como eu também. Não mesmo. Porque ser como eu é uma grande merda.

Mordi meu lábio pensativa. Idiota. Como ele conseguia parecer ser tão verdadeiro falando todas aquelas coisas? Sequer parecia o imbecil da noite passada e o emburrado de sempre.

- Eu topo. – Ele resmungou, por fim. – Eu topo ajudar no que quer que seja, desde que não machuque Hoseok ainda mais. Ele não merece um por cento das porras que aconteceram.

Min me fitou nos olhos enquanto eu fazia o mesmo sem conseguir aceitar sua mudança repentina. Eu tinha entendido, ele fazia aquilo pelo mesmo motivo que eu: para ver seu melhor amigo bem de novo e não deixar com que ele se fechasse e permanecesse sofrendo. Mas as coisas que ele havia me dito sobre respeitar os sentimentos alheios e tudo isso fizeram com que eu pensasse se era certo ou não tentar fazer algo por Sophie. E eu ainda não tinha essa resposta, por mais que quisesse.

- Seria bem legal se você falasse alguma merda. – Ele colocou as mãos nos bolsos da calça ainda me fitando.

- Isso é ridículo. – Sussurrei para mim mesma. Nem eu acreditava que estava prestes a aceitar toda aquela loucura que, pra início de conversa, eu havia inventado.

- Caralho. – Min resmungou impaciente. – Não estou pedindo que sejamos amigos, você quem deu essa ideia ridícula e é a melhor que tenho no momento, por...

O interrompi pegando o cesto, agora ao seu lado, Min resmungou algo, mas logo o fitei fazendo com que ele se calasse. – Se você for babaca uma única vez saiba que vou te socar sem dó nem piedade.

Ele franziu a testa confuso. – Isso é um sim?

Caminhei em direção ao dormitório cumprimentando sunbae Park rapidamente e antes de seguir meu caminho virei-me para trás o encarando completamente seria.

- Sim. Mas não faço isso por você, que fique bem claro desde já.  


Notas Finais


Min Yoongi que não se decide, né. Mas olha, sigamos firmes. Agora começa real oficial. hihi

Personagens:
Choi Minho é integrante do boygroup Shinee.
Yoon Jeonghan, Kim Mingyu, Chwe Hansol, Boo Seungkwan e Lee Seokmin são integrantes do boygroup Seventeen.
Chan "alguma coisa" (vulgo Park Chanyeol que Holly não lembra o nome), Byun Baekhyun, Do Kyungsoo e Kim Minseok são integrantes do boygroup EXO.
Shin Hoseok, Lee Minhyuk são do boygroup Monsta X.
Song Minho é integrante do boygroup Winner.
Os professores e demais nomes que não foram colocados aqui são personagens de minha autoria.

Vocabulário:
Bibimbap: é uma comida "misturada" que envolve arroz, vegetais e carne.
Beijos!!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...