História Cupido travesso - Capítulo 1


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Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Aventura, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Cupido travesso - Capítulo 1 - Capítulo Único

"Está tudo bem."
Os carros parados num congestionamento que vai até o fim da rua, as pessoas impacientes de cara emburrada reclamando do temporal que destruiu a rede elétrica em algum lugar, minhas roupas encharcadas assim como minha pasta e tudo o que tem dentro dela, meu celular destruído, pois o deixei cair numa poça d´água no centro e, como se não bastasse, algum descuidado arrogante passou por cima de bicicleta dizendo:
_Sai da frente, sua maluca!
Meus dedos estão congelados e meus cabelos pingam, porque não segurei o guarda-chuva forte o suficiente e ele aproveitou o vento para fugir da dona ingrata que praguejava por ele ser muito pequeno.
"Está tudo bem." digo a mim mesma tentando manter a calma.
Uma bicicleta acabou de passar uma poça de lama bem do meu lado, agora, além de molhada, estou suja.
"Está tudo bem." repito
Uma tiazinha de olhos esbugalhados começa a rir da minha cara no ponto de ônibus,mas logo para quando seu próprio guarda-chuva sai voando.
"Está tudo bem." respiro fundo e continuo correndo.
Viro a esquina e me deparo com um cachorro segurando um guarda-chuva vermelho virado ao avesso pelo vento, nem presto atenção, penas salto sobre ele e continuo correndo. Mas, infelizmente, ele acha divertido brincar de cabo de guerra com a minha bolsa, larga o guarda-chuva, a agarra com os dentes, puxa sacode e rosna.
_Solta vira-lata!_ grito, mas ele não está nem aí, arranca a bolsa das minhas mãos e desata a correr na direção de onde vim.
Olho para o lado oposto, minha casa está logo ali, minha cama, minhas cobertas, minha querida Netflix e um café bem quente nesse frio... Mas, sério, aquela bolsa foi meu salário de dois meses e meu cartão de crédito não é substituído tão facilmente. Então, ignorando a vontade de ir para casa e torcendo para não pegar uma hipotermia, corro atrás da bola de pelos que refaz todo o caminho que percorri até aqui.
Vira a esquina, passa pelo ponto de ônibus onde a tiazinha de olhos esbugalhados tenta tirar a lama do guarda-chuva recém recuperado, pula por cima da poça de lama, atravessa a rua congestionada por cima do capô de um carro e some na próxima curva.
Passo por entre os carros e viro a tempo de vê-lo entrar num beco sujo e sumir novamente. Não vou fazer isso. Aquela bolsa nem era tão cara e meu cartão... Bem, pra tudo se dá um jeito. Espera aí, meu pendrive não está no bolso. Droga! Não gastei semanas naquele projeto para chegar na faculdade e falar que um cachorro roubou meu trabalho do semestre!
"Tá legal, talvez não esteja tudo bem."
Entro no beco sem hesitar, salto sobre uma lata de lixo caída, desvio de uma poça de lama, dou de cara com uma parede de tijolos. Sem saída. E onde está a bola de pelos? Sumiu. Talvez tenha derretido com a chuva e levado minha bolsa com ele.
_Olha mamãe! um cachorrinho!_ uma criança grita em algum lugar
Olho ao redor, lá está o danadinho. Onde? Subindo a escada de incêndio do prédio ao lado. Será que aquelas perninhas não se cansam? Não, não se cansam, não. Ele sobe, sobe, sobe e eu... Que escolha eu tenho? Subo.
Quase caio graças aos degrau molhados, continuo, passo pela janela onde a menininha ainda está com uma das mãos no vidro e a outra apontando freneticamente para o ladrão canino. Continuo subindo até chegar ao último andar, ali ele para em frente à uma janela e simplesmente se senta, com minha bolsa entre as patas dianteiras.
_Finalmente seu..._ murmuro tirando o cabelo dos olhos
Me aproximo do ladrãozinho devagar e levo a mão até a bolsa com cuidado, tudo que não preciso agora é um dedo amputado na hora, já basta o risco de hipotermia. Mas o cachorro mal se mexe, apenas me olha com a cabecinha inclinada e um olhar travesso.
_Olha mano! O Cupido voltou!_ grita uma garotinha do lado de dentro da janela, travo a meio caminho da minha preciosa bolsa _Ele tinha ido atrás do meu guarda-chuva quando ele saiu voando.
O cãozinho estufa o peito e late, deixando à mostra uma coleira dourada com o nome "Cupido" gravado. Por que raios alguém daria o nome de Cupido à um cachorro?
A garotinha abre a janela e o pequeno ladrão pula para dentro sacudindo os pelos molhados da chuva. Agarro minha bolsa e só então sinto o quanto está frio aqui fora e o quão alto eu estou. A menina levanta as mãos para fechar a janela, só então ela me nota e fica ali parada, me olhando. Ela está molhada como quem acabou de sair da chuva.
_O que você disse, mana?_ um garoto também molhado aparece segurando uma toalha, ele para e olha para mim intrigado, sem saber o que dizer sobre a garota encharcada parada na escada de incêndio, nessa maldita chuva que me congela os ossos.
Algo nesse cara faz meu coração pular, está extremamente frio aqui fora e, mesmo assim, sinto um calor subindo pela bochechas, tenho certeza de que estou vermelha.
Por alguns segundos ficamos assim, olhando um para o outro, a chuva invadindo o apartamento dos dois e ninguém diz uma palavra. Até que o pequeno Cupido late, nos tirando desse devaneio.
_Ah... Ele roubou a minha bolsa e... Eu meio que..._ gaguejo nervosa
_Não, tudo bem!_ O garoto se apressa em me tranquilizar e corre até a janela _Ele faz isso o tempo todo, acredite.
_Papai e mamãe se conheceram assim._ ajunta a menininha
_Você deve estar congelando aí fora._ ele segura minha mão e me puxa para dentro, colocando a toalha ao redor dos meus ombros, os cabelos ainda pingam, mas as mãos estão quentes.
A garotinha fecha a janela e seu irmão me conduz até o sofá, onde me sento sem saber o que dizer, nem como agradecer, ele parece tão tímido e envergonhado, tão fofo... Ele me oferece café e eu aceito, quem não aceitaria nesse frio?
O cãozinho travesso rola e roda tentando se exibir, latindo e pulando como que diz: "Ei, não vai me agradecer?", e de repente eu sei porque ele se chama Cupido.
Não podia ter um nome melhor.



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