História Cure (Larry Stylinson) - Capítulo 84


Escrita por: ~ e ~Baby_Cake

Postado
Categorias One Direction
Personagens Harry Styles, Josh Devine, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Zayn Malik
Tags Larry, Niam, Ziall
Exibições 150
Palavras 4.551
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 84 - Eighty Three.


Louis Tomlinson > 

Como? Como eu vou conseguir olhar pra cara de todos sabendo da verdade? Eu não faço a mínima ideia se algum dos irmãos de Harry sabe disso. Com que cara eu vou falar pra alguém sobre isso? Que provas eu vou mostrar? Ela levou as cartas. E eu não vou ficar calado não, por mais que deixar essa história de lado é melhor. 

Mas não consigo parar de pensar nisso. Eu fiquei cara a cara com a metade de toda essa confusão, foi tudo tão rápido, não pensei que as coisas fossem dessa maneira. Se bem que... não foi tão ruim. Oque me dói mais é a maneira de como conseguiram pensar em todas essas coisas, de como Diana ficou esse tempo todo em contato com Anne, estamos correndo um perigo MUITO grande. 
Por outro lado, estou tranquilo de que esteja dando tudo errado, já que é rotina. Estranho mesmo seria se desse tudo certo.

Enxuguei meus olhos e saí disposto da Sala dos Professores, mas meu outro medo é que acabei de ver Darh mexendo no armário de Maru. Eu queria muito saber oque quer ali, mas tenho medo de que ele resolva acertar aquele negócio em minha cabeça, então mudei meu rumo, seguindo para os dormitórios. 

-Opa, desculpa. -Acabei esbarrando em alguém, mas nem levantei meu olhar pra ver quem era.

-Meia volta anjo. -Maru segurou meu braço, me puxando para o canto perto do bebedouro. -Oque você está fazendo fora da aula?

-Eu que te pergunto. -Ele revirou seus olhos e me encarou.

-Estava lá com o Xavier, mas Mariana foi ficar com ele até que Ivy saia das aulas.... Ei, Austin... Ei! -Balançou suas mãos em frente de meu rosto.

-Ahn? Oi? Oque foi? Não ouvi.

-Parece meio perdido em seus pensamentos. Oque foi que aconteceu? 

-Nada, eu só estava pensando em umas coisas da aula. Só isso.

-Tem certeza? Parece que foi isso não hein.... Olha lá.  

-Oque você faria se descobrisse uma coisa que poderia mudar toda a sua vida e de muitas pessoas ao seu redor, mas não pode contar isso a ninguém por que é perigoso a ponto de envolver morte? 

-Pera, o quê?

-Pensei alto.

-Não Austin... Se essa coisa é tão importante, alguém precisa ficar sabendo. 

-Ai, eu não sei oque fazer, estou muito encrencado. Muito mesmo. É grave demais. -O choro me pegou novamente. 

-Não chora Austin... Eu não aguento te ver mal... -O abracei com força, que retribuiu o abraço. -Quer me contar oque aconteceu? 

-É só coisa da minha cabeça, desculpa. 

-Não, me conta. Alguém brigou com você? Te fez algum mal? Porque eu vou quebrar a cara dessa pessoa. 

-Nem se preocupa, é que as coisas estão sendo bem difíceis ultimamente...

-Você está falando sobre Xavier? 

-Mais ou menos.

-Acho que posso fazer alguma coisa pra te alegrar. Mas promete que para de chorar? 

-Oque? Me diz. 

-Ninguém pode ouvir... Shh... Mas eu e Xavier roubamos pirulitos sem que ninguém nos visse. Dois criminosos com crimes perfeitos. -Dei um sorriso. -Mas ainda não acabou. Sabe o caninho que leva ar pelo nariz?

-Sei sim.

-Xavier não precisa mais, consegue respirar perfeitamente sem eles. Ele percebeu isso do nada, só porque parou de funcionar.

-Isso pode ser perigoso! Você deveria ter alertado alguém! 

-Deixa de bobagens! -Afagou meus cabelos. O pior é que somos quase do mesmo tamanho, oque faz com que fiquemos cara a cara um do outro... E isso não é nem um pouco bom. -Xavier comeu toda minha comida também. E tadinho... Pra ele só dão sopa, tratei dele e ficamos conversando depois. 

-Eu não sei se te dou um soco por fazer coisas erradas ou te dou um beijo por me deixar mais calmo. Meu dia estava sendo péssimo, mas agora está bem mais alegre.

-Nem cheguei na melhor parte ainda! Com minha ajuda, claro, ele conseguiu dar uns passinhos, desceu no chão e andou praticamente o quarto todo. -Parei de sorrir nessa hora.

-Oque você disse?

-Isso mesmo, o Xavier conseguiu sair da cama. Mesmo que tenha sido apenas um pouquinho, já é um grande passo, não?... Ow, não era pra você voltar a chorar, era pra ficar feliz!

-Eu to chorando é de felicidade! Não sei nem como te agradecer por ter ficado com ele esse pouco tempo. Pode não parecer muita coisa, mas qualquer reação é sempre bem vinda. -Seus dedos escorregaram por minha bochecha, limpando umas lágrimas. 

-Por mais que eu nunca tenha ido com a cara do Xavier, fiquei muito feliz em ajudar alguma coisa... Ei, que tal a gente ir lá pro campão e ver o jogo de futebol americano que está rolando? 

-Mas... Você não tem aula?

-Ninguém tem aula, a escola está praticamente vazia! Vamos lá, vai te alegrar. 

-Não sei Maru...

-Por favor! Ou você vai pra sua aula? Primeiramente que nem almoçou, né? 

-É, eu não tive tempo. 

-Quer passar na cantina? Eu acho que ainda está aberta. 

-Ok. -Assenti e senti sua mão se entrelaçar na minha. Por alguns momentos fiquei observando nossas mãos juntas e me senti um pouco protegido. Sorri a ele e começamos a andar pelo corredor com as mãos dadas mesmo. 

-Austin...

-Hm? Ah... Maru, não vamos por aqui não, tem outro caminho? -Não queria que ele visse o estrago que seu armário havia ficado. Talvez, da maneira que é briguento, iria querer descobrir quem fez isso e acabaria saindo na briga... E sendo morto, porque Darh... Bom, vocês sabem. 

-Tá né. -Viramos ao lado oposto dos armários e entramos em um corredor que passei poucas vezes, não me lembro, e nem sei onde estou indo.

-Então, oque foi?

-Nada, só queria perguntar se você já teve alguma namorada ou namorava antes de vir pra cá...

-Namorada? Não... Eu não tinha...

-Ou está comprometido agora com alguém daqui... -Começou a balançar nossos braços.

-Nem... -Desculpa Harry. 

-Eu também estou solteiro, tá... Só pra você saber. -Dei um sorriso sem graça, forçando uma tosse em seguida.

-Acho que ninguém faz meu tipo aqui. Não conheço quase ninguém... Tem uma pessoa sim que faz meu tipo. 

-Quem?

-Você. -Ousei a dizer. Pude ver seu rosto ficar vermelho logo em seguida. 

-Sério? Por que alguém gostaria de um lixo como eu? Oque viu em mim? 

-Não sei, você é divertido, amigável, fofo, bonito... Ahn... Desculpa.

-Não tem porque pedir desculpas, tu não fez nada. -Saímos em um lugar no qual eu não sabia da existência. Soltamos nossas mãos ao que os olhos de algumas pessoas ali pousaram sobre nós. Alguns poucos grupinhos sentados em mesas. 

-Quer pegar uma mais afastada? 

-Pode ser, você que sabe. -Assenti, andando com ele até um balcão. Olhamos uns cardápios e acabamos pedindo sanduíches com peito de peru e suco natural.  Sentamos em uma mesa, um de frente para o outro.  Ficamos nos olhando por alguns segundos e começamos a rir do nada. 

-Eu não consigo olhar nos seus olhos. -Murmurei, o vendo sorrir.

-Então... Como está indo suas aulas? Estão boas? Não se assuste, só estou tentando puxar assunto. 

-Ah... Estão sendo bem tranquilas. Apesar de não fazermos quase nada... Só redação, continhas, redação, cálculos...

-O primeiro ano é apenas adaptação. Os professores preferem revisar todas as matérias dos anos anteriores por que serão úteis, mas no segundo ano, meu amigo, o bicho pega. 

-Oque vocês estão aprendendo? 

-Matéria específica? 

-Tipo, oque você mais gostou de fazer até agora, entre todas as matérias.

-Ah Austin... -Se remexeu no banco, parecendo pensar antes de falar. -Eu gostei DEMAIS de saber como fazer um parafuso telúrico. São muitos cálculos, mas no final é bem legal. 

-Jura? Eu não vejo a hora de poder fazer isso...

-Que pena, apenas ano que vem. Esse ano vocês vão ficar apenas nas leis da tabela periódica e Lei de Newton. 

-Que coisa chata. -Bufei, revirando os olhos.

-Sabia que eu sempre gostei da cor de seus olhos? Eles são bem... Diferentes um do outro. Um é azul e o outro nem tem cor... É cinza. 

-É o olho que eu não enxergo. 

-Como é?

-Pensei que você sabia. Desse olho... -Coloquei a mão sobre ele. -Eu não vejo nada. 100% sem visão. 

-Jura? Eu não sabia... Desculpa.

-Não se preocupa, já me acostumei com isso. 

-Mas mesmo assim, eles ainda são lindos pra mim. -Agradeci com um sorriso. 

-Como você faz pra deixar seu cabelo assim? -Tentei mudar de assunto, vendo alguns alunos chegando e sentando a mesa ao lado. 

-É tinta. Na verdade, meu cabelo era ruivo, igual da minha irmã gêmea, a Mariana...

-Marcello, eu não acredito que você pintou seu cabelo de branco sendo que era ruivo... Cara, você é MUITO otário.

-Eu achei que ficaria legal! E não me arrependo, gosto dele assim... quer fazer no seu? Ficaria lindo.

-Meu cabelo já é azul. Eu gostei dele assim. 

-Tá precisando pintar de novo, está desbotado. -Lembrei da caixinha de tinta que Avril havia me mandando.

-Mais tarde eu pinto ele, tenho tinta reserva.

-Apenas depois de ir ao jogo comigo, né?

-Sim, sim. Eu já havia me esquecido desse detalhe. -Nossos lanches foram entregues e começamos a nos servir. Do nada começei a empurrar os pés de Maru com o meu, no intuito de brincar. Dei uma mordida em meu lanche e olhei a ele, que colocou a mão na boca tentando não cuspir o suco ao rir. -Hmm, que foi? -Respirou fundo. 

-Nada, bobagem. -Começamos os dois a rir do nada. -Pra quem tava chorando minutos atrás... 

-A culpa de eu estar rindo é toda sua. Não me culpe se você é idiota. 

-Eu que sou idiota? Ah, tudo bem. 

-Você não é idiota. Perdão. -Sorriu. 

-Faz tempo que não vamos naquelas festas a noite né? Lembra da primeira que você foi? Te encontrei perdidinho no meio de todo mundo. 

-Agradeça a Sther Ellen de ter me obrigado a ir. Eu não queria.  Passei muito mal no outro dia por causa do...

-Boa noite cinderela?

-Sim, não gosto nem de comentar sobre aquilo... -Permanecemos em silêncio depois disso, mas nossos pés ainda brincavam em baixo da mesa. Paramos assim que Darh se aproximou de nós, sentando ao meu lado. 

-Oi oi gente. -Passou o braço pesado por meu pescoço e deu um beijo em minha bochecha. Por sorte apareceu sem aquele taco bizarro dele, se não já teria dado na cara de Maru com aquilo apenas pela cara feia que fez. 

-Você quer? -Ofereci meu lanche a ele, que negou com a cabeça.

-Eu dei uma passadinha lá no quarto do Xavier, ele estava dormindo e parece que uma de suas irmãs estava cuidando dele. -Maru e Darh se encararam por alguns segundos. Tentei me livrar de seus braços pesados mas não consegui. 

-Você pode me soltar por favor? -Fui direto e ele parou de tocar em mim, pegando o copo de Maru e tomando o suco.

-Ei.... -O coitado parou de falar assim que Darh olhou para ele com cara feia. Começei a comer novamente, mas de cabeça baixa. 

-Vocês vão fazer alguma coisa depois de sair daqui? 

-Vamos ver o jogo do... 

-NÓS VAMOS APENAS FICAR NO DORMITÓRIO. -Maru acabou me cortando e calei a boca na hora.

-Oh, eu ia chamar vocês dois pra fazer alguma coisa, mas já que preferem fazer nada... obrigado pelo suco Maruzínho, estava uma delícia. -Praticamente jogou o copo em cima do menino, que suspirou. Darh se levantou e saiu, me deixando aliviado. 

-idiota. -Ele empurrou o copo de vidro, e se eu não pegasse, iria cair no chão e quebrar. 

-Calma, você quer meu suco? 

-Não, perdi a fome. 

-Ah não Maru! Perdeu a fome coisa nenhuma, vai, come aí. 

-Não...

-Por favor. -Insisti, ele suspirou e voltou a comer. Dei um sorriso. -Ah, você e o Darh não se dão bem, já percebi. 

-Pensei que precisaria dizer viu... Eu não suporto aquele homem... mas eu nem ligo, não mexendo comigo tá bom... 

-É isso que eu sempre penso. Tem uma coisa que eu queria dizer, mas só pode ficar entre nós dois. 

-Tipo oque? -Amassei a embalagem de meu sanduíche e deixei na bandeija.

-Amanhã... -Peguei um guardanapo e limpei minha boca, continuando em seguida. -É aniversário do Xavier, mas não diga a ninguém, quero fazer uma surpresa, mas preciso da sua ajuda.

-Minha ajuda? Pra que? 

-Já que nossa irmandade é sobre Culinária... pensei que poderíamos fazer um bolo. Mas só nós três... 

-Por que só nós três? 

-Você é a única pessoa aqui que tenho mais intimidade, eu pensei que....

-Seria melhor chamar só nossa irmandade. Tipo a Samantha, minhas irmãs, Sther Ellen, Freedom e os meninos. 

-É... Faz mais sentido. 

-Você tem um coração bom demais... -Ele foi cortado pelo sinal soando em todos os lugares. Terminou de comer rapidamente e colocou todos os lixos em cima de sua bandeija. -Vamos, o jogo irá começar. 

-Espera, quero lavar minhas mãos agora. 

-Tá bem. -Maru pegou sua bandeija e fiz o mesmo. Nos levantamos e deixando elas no lugar indicado e fomos ali no banheiro da cantina mesmo. Entramos e me direcionei a pia, pegando o sabonete. Ele começou a arrumar seus cabelos fazendo caretas no espelho, e pela primeira vez me senti como se estivesse do lado de um retardado. 

-Você sempre faz isso? 

-Oque? -Me olhou com uma expressão meio confusa.

-Tipo, fazer caretas em frente o espelho. -Soltei um riso, pegando um pouco mais de sabonete. 

-Eu pensei que todo mundo fazia isso, mas eu preciso parar. -Assenti, enxugando minhas mãos na roupa mesmo. Saímos os dois do banheiro e deixamos a cantina, dispostos a ir para o campo. 

Começamos a andar pelo corredor, calados. Coloquei as mãos no bolso de minha calça, sentindo minhas mãos comgelarem.  Maru parecia empolgado com a perspectiva de ir ver o jogo, e fiquei curioso. Talvez as coisas tivessem mudado durante essa caminhada, o ódio que havia nele agora se tornou um pouco de alegria.

Em questão de minutos chegamos ao grande campo de futebol, que estava coberto por uma pequena camada de neve. Por mais que a escola esteja quase vazia, ainda há muitos alunos sentados na arquibancada, uns até seguram canecas de chá ou cobertas. Os jogadores discutiam com os responsáveis do jogo, que estavam cogitando a ideia de um acidente por causa da neve acumulada, mas eles batiam no peito e diziam que não eram problema, já que as pessoas estavam ali pelo jogo. 

-Quem irá jogar? 

-''K'' e ''LH''. Os mesmos daquele dia que você levou a bolada no rosto. 

-Nossa... Nem me lembre, nunca vou perdoar Ivy por aquilo.

-Então acho melhor você sentar bem longe dele. Onde a bola não te alcance. -Assenti, já subindo a pequena escada que levava as arquibancadas. Nesse percurso, Maru parou para conversar com uma outra pessoa, meio escondido de todos, então fui sozinho para meu lugar. Me sentei e começei a observar como estão as coisas no campo lá em baixo. Ivy estava junto com Henry, conversando secretamente dos outros meninos. Assim que me viram, acenaram. Sorri disfarçadamente, acenando em seguida. -Desculpa a demora. -Maru se sentou ao meu lado sorrindo. Assenti, voltando minha atenção para o que as pessoas faziam.  

-Vai demorar muito pra começar? 

-Hm, não sei, talvez daqui uns cinco minutinhos começe. Ainda tem muitos alunos chegando.

-Ok. -Suspirei, entediado. 

 

Harry Styles > 

Mariana estava sentada desenhando. Estávamos jogando um jogo onde deveríamos desenhar e o outro adivinhar quem é.

-É uma borboleta?

-Você é muito bom! Gostei. -Ela me elogiou, sorrindo.

-Eu tenho uma borboleta em meu estômago. 

-Apaixonado?

-Não... -Ergui minha camisola hospitalar, e por alguns segundos pareceu com vergonha, mas depois se fascinou com a tatuagem. 

-Uau! Ela é muito linda... Quando foi que você fez?

-Ano passado, não faz muito tempo, foi um presente de aniversário que meu pai me deu e eu quis fazer a tatuagem.

-É perfeita... -Abaixei a camisola e peguei o caderno. 

-Agora é minha vez. -Mariana assentiu, esperando calmamente. Rabisquei algumas coisas no papel e mostrei a ela. -Oque é isso? -Mari analisou o desenho por alguns segundos e colocou o dedo sobre a boca, pensativa.

-Eu acho que é... Eu sei que é o símbolo de algum signo.

-Isso, mas qual deles?

-É câncer! 

-Acertou. -Começamos a rir, deixando os cadernos de lado assim que duas enfermeiras entraram no quarto. Uma empurrava uma cadeira de rodas e a outra segurava uma prancheta.  Mari empurrou a poltrona ao seu lugar e ficou ao lado da janela, esperando. 

-Boa tarde querido, finalmente você poderá sair dessa casa, como está se sentindo?

-Bem melhor. -Falei enquanto a outra enfermeira retirava os lencóis de cima de mim. 

-Terá que se locomover pela escola com cadeiras de rodas até que se sinta com força suficiente pra poder andar novamente. -Assenti, sentando na cama. Uma delas me ajudou a levantar e 'andei' devagar até a cadeira, me jogando. -Poderá ir para seu dormitório, mas precisará sempre de auxílio para tomar banho, comer, ou até empurrarem sua cadeira. 

-Ok, me tirem logo daqui, por favor.

-Mas há uma escada enorme, como vamos levá-lo daqui? -Mariana optou, se aproximando da cadeira.

-Há uma rampa de auxílio no final do corredor que leva diretamente para os dormitórios. Vocês podem usá-la, mas tomem cuidado, ela é bem estreita. 

-Ok. -Assentimos e Mariana começou a empurrar minha cadeira pra fora do quarto. Nos despedimos das enfermeiras e é como se tudo parecesse mais leve pra mim. Fui empurrado atéo fim do corredor e já pude ver a rampa. 

-Vamos lá amigão, vai ser divertido. Se segure. -Me segurei nos braços da cadeira e quase fui jogado pra frente. Mariana teve de fazer força para que a cadeira não descesse com tudo. Assim que terminamos de descer a rampa, viramos para a esquerda e chegamos diretamente nos dormitórios. 

-Pra onde vai me levar?

-Para seu quarto, você precisa tira essa roupa hospitalar. 

-Ah, é verdade. -Assenti.

-Vamos fazer uma coisa? -Perguntou a mim, que sorri.

-Oque?

-Vai ter um jogo de futebol americano entre irmandades agora mesmo... Os alunos ficaram promovendo o jogo por toda a escola a semana toda, vai ser um bom jogo... Quer ir assistir? Deve estar cansado de ficar dentro da escola, e também... Tomar um solzinho seja bom à você. 

-Claro que eu quero. -Assenti e ela abriu a porta do dormitório, voltando a empurrar a cadeira. Acendeu as luzes e fechou a porta. Está bem frio, a janela está aberta mostrando como a neve tinha tomado conta de todo o chão. 

-Ok, vamos trocar sua roupa então... Qual desses é seu closet?

-O da esquerda. -Sorriu e arregaçou as portas, escolhendo as roupas. Pegou uma camisa branca e uma calça preta, minhas botas surradas de sempre e um casaco marrom que eu havia. 

-Você gosta de luvas? 

-Sim. -Pegou duas luvas pretas e meias. Colocou tudo sobre a cama e veio até mim. 

-Ergue os braços amigo. 

-Pra que?

-Ergue os braços, Xavier! -Assenti obedeci. Levantei meus braços lentamente, sentindo tudo em mim doer. Puxou a camisola branca devagar, me deixando apenas de cueca. Depois deixou-a sobre a cama e pegou a camiseta, colocando devagar em mim.

-Eu não acho isso meio certo...

-Relaxa, minha fruta é outra. 

-Bem direta. -Começei a rir enquanto pegou a cueca e jogou a mim.

-Mas nessa parte não vou poder te ajudar, acha que consegue?

-Acho que sim. -Mari se virou de costas e começei a tirar minha cueca, vestindo a outra em seguida, com dificuldade, mas consegui. -Pronto. -Se virou para mim, pegando as meias e me ajudando a colocar. Colocou a calça até a metade de meu joelho e me ajudou a levantar. Depois me escorei em seus ombros e ela puxou o pano pra cima, até minha cintura. 

-Você é pesado. -Me sentei calmamente de volta na cadeira e abotoei a calça. O casaco consegui colocar sozinho e Mariana insistiu para mim pegar uma touca, lá fora estava muito frio.

-Ah... Por que só você tem essas touquinhas de animal? Olha que linda, ela é de servo. 

-Você gostou? -Abaixou sua cabeça, e os olhos do bichinho pararam em mim. Aqueles olhos artificiais que são uma bolinha preta dentro de uma branca, bem fofo. 

-Gostei... -Ela tirou sua touca de sua cabeça e colocou na minha, sorrindo.

-Ficou tão cute! -Coloquei minhas luvas e me senti bem aquecido. -Vou ter que usar sua touca azul sem graça.

-Na verdade ela nem é minha, é do Austin.

-Ele tem uns gostos tão sem graça. -Arrumou seus cabelos depois de colocar a touca. Ouvimos o sinal tocar. -Oba, o jogo vai começar agora, acho melhor nós irmos. 

Então mais uma vez saímos do quarto. Fui empurrado pelo corredor e as poucas pessoas olhavam pra mim. Algumas sorriam, talvez por causa da touquinha, me sinto uma criança. Minhas mãos tremiam de frio, mesmo que tudo estivesse agasalhado.

-Tudo bem Xavier? -Mariana virou o corredor a esquerda, já mostrando uma grande porta cinza. 

-Eu só estou com frio.

-Não sente nenhuma dor?

-Nenhuma. 

-Ainda bem. -Riu e continuou me empurrando. -Opa... -Foi empurrando a cadeira mais devagar quando viu Darh parado, no final do corredor. 

-Mariana... me leva pra outro lugar... 

-Não dá Xavier, ele já te viu. -Começou a vir em nossa direção, segurando aquele taco bizarro em suas mãos. 

-Boa tarde, tudo bem com vocês? -Nenhum de nós respondeu, então Darh tornou a perguntar, dessa vez em um tom mais elevado. -Eu perguntei se está tudo bem... -Se abaixou em minha frente, seus olhos castanhos me fitando. -Conseguiu sair da cama, bonitinho? 

-Consegui. -Respondi meio baixo, fitando seu rosto. Sorriu. 

-Você está parecendo uma criança com essa touquinha fofa. Oown... -Passou a mão levemente em meu rosto. Sorri de leve, desejando socar a cara dele.

-A gente precisa ir. -Mariana disse e puxou a cadeira para trás.

-Mas já? -Darh colocou o taco entre um espaço na roda, fazendo a cadeira ranger. -Você deve estar cansada de ficar empurrando essa cadeira por aí, eu posso fazer o trabalho pra você. 

-Não Darhlynn, tudo bem, eu não estou cansada... Se você der licença... -Empurrou o taco com o pé, mas não adiantou muito, já que ele nem se mexeu. 

-Mas eu faço questão de acompanhar o Xavier aonde quer que for. É sempre bom ter alguém por perto...

-Por que você acha que estou aqui? -Mariana foi um pouco rude, oque fez Darh fazer uma cara não muito boa pra ela. 

-Tudo bem garota, você venceu. -Tirou seu taco do meio da roda e colocou em suas costas, saindo. Suspirei, vendo que Mariana pareceu um pouco assustada.

-Ele acha que eu não sei de nada.

-Oque? 

-Nada, coisa da minha cabeça... Vamos logo pro campo antes que ele volte. -Assenti, voltando a ser empurrado. 

 

 Louis Tomlinson > 

O jogo finalmenre começou. Maru parecia bem animado, mas sempre que eu o olhava, parava de comemorar. Eu não sei pra quem ele está torcendo, só sei que prefiro ficar em meu dormitório dormindo. 

E pensando na hipótese de que depois posso passar no quarto de Harry, Maru começa a me cutucar freneticamente. Primeiro não dou atenção, mas depois começou a ficar incomodativo. 

-Oque foi, você está bem? -Continuou me cutucando e acompanhando alguma coisa com seus olhos.

-Olha ali, garoto. -Segurou meu queixo e virou na direção do início da arquibancada, onde consegui ver Mariana e Harry, sentado em uma cadeira de rodas. -Ei... -Me livrei de Maru e saí todo atrapalhado da arquibancada, pisando no pé de algumas pessoas e pedindo desculpas rapidamente. Acabei escorregando algumas vezes, mas depois desci a pequena escada e corri no encontro dos dois.  Puxei a manga de minha blusa de frio e assim que consegui alcançar os dois (que se assustaram comigo), quase me joguei em cima de Harry e começei a distribuir muitos beijos por sua bochecha. Por alguns segundos empurrou meu rosto, mas depois deixou eu beijá-lo.

-Eu te amo... -Sussurrei bem baixinho em seu ouvido e ele sorriu contra meu pescoço, passando seus braços devagar por minhas costas e me abraçando. -Eu te amo muito, muito, muito, muito... -Minhas mãos se direcionaram a seu rosto e não me importei ao trabalho de beijar o canto se seus lábios. 

Em sua cabeça havia uma pequena touquinha, que deixava ele muito fofo. Sua pele estava bem pálida e alguns fios de cabelo escorriam por seu rosto. 

-Para de me olhar assim... -Disse envergonhado. Sorri, o vendo quão estava lindo. 

-Deixaram ele sair de lá? Já está tudo bem? -Me direcionei a Mariana que assentiu.

-Apenas vai precisar de pessoas que o ajudem a fazer as coisas básicas, tipo trocar de roupa ou se trocar, comer... Coisas simples. 

-Entendi. -Olhei a Harry que observava o jogo rolando. -Hey... -Me abaixei em frente a ele, que me olhou logo em seguida. -Tudo bem?

-Sim, e com você?

-Eu to muito bem agora, obrigado. -Senti uma mão sobre meu ombro então olhei de relance, percebendo que era Maru. Estendeu sua mão para Harry, que a apertou. 

-Bom ver que está se recuperando. -Harry balançou sua cabeça positivamente, pegando minhas mãos logo em seguida. 

-Então, nós vamos ver esse jogo ou não? -Perguntei, me levantando e abaixando as mangas de minha camisa. 

-Viemos aqui pra isso mesmo. -Mariana disse. Mas vamos ter que ficar aqui por baixo mesmo, a cadeira não consegue subir escadas. 

~*~

Depois do desastroso jogo o de o ''LH'' perdeu para o ''K'', insisti para que deixassem eu levar Harry para seu dormitório, poderiam deixar sobre minhas contas que eu cuidaria dele. Fui empurrando a cadeira devagar, até chegar ao nosso destino, o quarto. Empurrei a porta e puxei a cadeira pra dentro, o fazendo rir.

-Você está sendo bem prestativo ultimamente. Estou gostando disso. -Encostei a porta e acendi a luz, o observando tirar suas luvas. 

-Vou te ajudar a sair dessa cadeira. 

-Ah não Louis, estou cansado de ficar deitado em uma cama, me deixe aqui, por favor. -Assenti, me sentando na beirada da cama e puxando sua cadeira até mim.

-Eu estou feliz que esteja aqui. Precisamos conversar um pouco. 

-Conversar sobre oque? -Não sei se devo contar sobre oque conversei com Diana hoje cedo, talvez seja bom contar, isso não vai ser segredo pra sempre. Talvez uma hora ela queira se aproximar do seu filho, ou até dizer toda a verdade, eu prefiro que seja com cautela. 

-Nada... sobre a vida, como andam as coisas... -Ele deu de ombros, tirando a touca de sua cabeça. -Não, tava tão linda. 

-Ahn, venha cá.

-Pra que? 

-Vem aqui Louis. -Me levantei e dei uns passos até ele, que segurou minha cintura e me puxou de uma maneira que acabei sentando devagar em seu colo. 

-Eu vou acabar te machucando. Essa cadeira não vai aguentar nós dois... -Tentei levantar mas Harry não deixou. Seus braços se encaixaram em minha cintura e seus lábios foram até meu pescoço, deixando beijos ali.

-Aguenta sim. Fiquei com muita saudade de você. -Falou contra minha bochecha, rindo logo em seguida.

-É, eu estou percebendo mesmo. -Acariciei seu rosto devagar, vendo o quão estava feliz por ter conseguido sair daquele lugar. -Hm, eu acho que tenho uma surpresa pra você... Mas terá de prometer que irá esperar até amanhã.

-E oque é?

-Surpresa Harry, surpresa. 



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