História Dallas - Capítulo 11


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Categorias Originais
Tags Aventura, Colegial, Comedia, Cultura, Romance, Sarcasmo
Exibições 3
Palavras 3.380
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Escolar, Festa, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


DESCULPA, DESCULPA, DESCULPA, FALTA DE CRIATIVIDADE, DE TEMPO, DE AMOR AOS MEUS PERSONAGENS E DE TEMPO MESMO

Capítulo 11 - "Gabby e Trenty"


Gabby

Acordei com alguém batendo na janela. Batidas leves, com ritmo e não muito seguidas, daquelas de quem está com medo de fazer barulho.

Basicamente, eu tinha certeza que não era a Winnie.

            Mesmo intelectualmente incapacidade por conta do sono, tentei fazer uma lista mental de quem poderia ser. Hoje era sábado, e mamãe estava dentro de casa, então não bateria na...

            Deus. Jesus, Maria, João, Mateus, e qualquer pessoa que tivesse o nome na bíblia. Tobias! Era meu encontro com Tobias!

            Minha memória voltou aos poucos pro momento, as dez da manhã, em que meu braço se mexeu e bateu no despertador até que ele estivesse no chão, quebrado, e não tocasse mais.

Naquele exato momento, qualquer chance que eu tivesse de ver o horário estava rachada, despedaçada, e olhando para mim com aquelas orelhas idiotas de gatinho que eu havia colado quando tinha dez anos.

            Tobias bateu de novo na janela, dessa vez com mais força e murmurando um monte de xingamentos idiotas.

            Idiotas! Idiotas, e idiotas!

–Para de falar palavrão, senão eu vou começar a falar palavrão e você vai descobrir que o pessoal da cidade é bem mais criativo e sujo que aquele urso e o amigo dele, no filme Ted, fazem parecer.

Tobias ficou me encarando, com a mão levantada prestes a bater na janela que eu tinha aberto. Teve alguns segundos, onde ele ficou simplesmente ali parado, enquanto eu analisava todos os detalhes possíveis: desde o cabelo, mais bagunçado do que nunca, até o fim de onde eu podia ver da sua camisa branca de gola v.

Idiotas! Idiotas, e idiotas!

–Dallas! Ah, meu Deus. Dallas! –ele respirou fundo algumas vezes, com a mão no coração. –Graças a Deus, você não se mudou! Ou não morreu, ou foi doar sangue, ou adotar gatinhos na rua, ou saiu do país.

–Doar sangue?

–Faz vinte minutos que eu tô ali. Deu tempo de pensar muita coisa! –seu sorriso de repente se abriu. –Merda! Isso! Você tá aqui, tá bem, e a gente vai ter um encontro. Ok. Isso aí, merda! Já me sinto preparado para cantar We Are The Champions de novo.

Meu corpo todo teve um espasmo, daqueles que começam no dedo mindinho e percorrem toda a coluna vertebral até que mesmo o último fio de cabelo esteja arrepiado.

–Não acredito que eu perdi a hora. Não acredito, na verdade, que você tá aqui!

Dei uma rápida olhada para conferir se a janela do quarto da Winnie estava mesmo fechada, porque não sabia se aguentaria dar explicações a ela sobre aquilo depois.

–Na verdade, eu também não acredito. –seus olhos pousaram na minha camisa, bem devagar. –Então, hein, quer dizer que você é um trekkie?

Eu estava com a camiseta de Jornada Nas Estrelas, de novo. E com o cabelo amarrado, a cara amassada, e... Puta merda.

–Não. Não, não.

Tobias estava sorrindo, com os braços apoiados na janela.

–Acho que negar ser um trekkie é desrespeito a Primeira Diretiva. –ah, ele era um nerd também. Ótimo, era tudo o que precisava: mais um motivo para gostar dele.

Por que não me mostrava logo o tanquinho trincado e os músculos fortes de quem nunca foi na academia mas nasceu para ser perfeito e nos casávamos de uma vez?

–Você, para com isso! Vou entrar, me trocar, escovar os dentes e aí podemos ir. –comecei a fechar a janela.

–Como quiser, Capitão.

–E não ouse levantar essa camisa!

–O que?

Antes que pudesse pensar mais um segundo no quanto aquele momento era inconveniente e como eu estava usando um short de ursinhos, comecei a correr para o banheiro.

           

            Era onze e meia quando me olhei no espelho de novo, consideravelmente pronta. A blusa azul era da mamãe, então era consideravelmente justa e com um decote v mais acentuado que o normal, e o short tinha uma mancha de quarta, quando trabalhei com ele na Marny, mas nada no armário parecia ser melhor. Calcei um sapato marrom qualquer e conferi mais uma vez se eram meus cílios que estavam colados na pupila ou aquela sensação era mesmo efeito do rímel.

            Assim que saí da porta, o motor do Jeep de Tobias ligou e ele saiu do carro.

–Ok, eu vou dar cinco minutos para você inventar uma boa história que não me faça sentir patético por estar aqui esperando há trinta minutos. –ele abriu a porta para mim, e a fechou quando me sentei.

–Não tem história. Eu só... quebrei meu despertador.

–Você ainda tem quatro minutos e cinquenta e três segundos. Pense melhor.

Revirei os olhos.

–Não tem... Argh! Meu despertador quebrou, sozinho?

Ele deu a volta no carro correndo, enquanto berrava:

–Quatro minutos e quarenta e dois segundos!

–Eu não tenho nenhuma história melhor!

O carro começou a se mexer, devagar.

–Quatro minutos e trinta e cinco segundos...

–Ai, meu Deus! Eu tava dormindo quando, sei lá, abriu um buraco de ácido no meio do meu quarto e meu despertador caiu lá dentro, junto com a maioria das minhas roupas, o que explica porque tô vestida desse jeito, e a única razão para que eu mesma não tenha perdido a vida foi porquê... Dylan O’Brien apareceu para me salvar, nos casamos em Vegas e peguei trânsito até chegar em casa. Melhor?

Fiquei alguns segundos quieta, notando que todo meu corpo estava contorcido no banco, de modo que estivesse virada de frente para Tobias.

Ele sorriu e me olhou com o canto dos olhos, de um modo irritantemente... sei lá.

Eu estava tão confusa.

–Não tem nada errado com a sua roupa, Dylan O’Brien é superestimado; ele nunca conseguiria tirar você de um buraco de ácido; e todo mundo sabe que uma boa história tem que levar alienígenas no meio. Mas, melhor sim.

Naquele momento, os olhos dele estavam bem mais verdes que azuis. Ou talvez estivessem os dois.

–Com certeza ele não teria muita experiência para fazer isso. –balancei a cabeça, virando o corpo para frente. –Mas esqueci de mencionar que o Dylan entrou quando os alienígenas chegaram. Então, tecnicamente, tinha alienígenas.

–Ah, então você devia ter me contado esse detalhe. Eu ia acreditar pelo menos cinquenta por cento amais.

Em quase todas as casas por onde passávamos, as pessoas ficavam na porta, acenando, como se estivessem esperando por nós: a Rainha Elizabeth e o duque Filipe.

–Kyle vai ficar muito feliz em saber que eu encontrei. –quando passamos pela praça, algumas crianças correram atrás do carro, berrando e sorrindo.

–Encontrou o que? –nesse momento, meu rosto já estava tão grudado no vidro da janela que pensei ter visto coisas. –Aquilo é uma faixa com nossos nomes?

Puta merda.

–Aham. É sim. –ele apontou para a floricultura. –Ali tem outra.

Eram faixas brancas e pequenas, com letras em vermelho formando “Boa sorte, Gabby e Trenty” bem grande.

–Meu Deus, meu Deus, meu Deus. Mas que... Meu Deus!

Ele me encarou.

–Eu sei. Também acho que deviam ter colocado meu nome primeiro, mas Gabby e Trenty ficou legal. –seus olhos estavam na estrada, como se fosse normal.

Aquilo não era a merda de um programa de TV! Meu nome estava em uma faixa no meio da cidade, desejando sorte em um encontro que tinha sido marcado ontem!

Aquilo não era nem um pouco normal.

–Você sabia disso? Você fez isso? Ah, acho que vou vomitar. Tudo bem se eu vomitar? Por que eu estou perguntando? Se eu for vomitar, não vou conseguir segurar, de qualquer jeito. –respirei fundo algumas vezes. –Você sabia disso?

–Olha, saber é uma palavra muito forte. Digamos que, quando eu passei aqui hoje de manhã e vi isso, não foi a mesma reação que tive quando o Flash apareceu no Arrow. –ele me olhou, para depois ficar com aquela cara de... ah, não sei. Por que tinham faixas nossas pela cidade? –Não fiz isso. O pessoal da cidade fez.

–E você contou para todo mundo?

–Para falar a verdade, eu contei para Nanny. Mas se nós considerarmos que isso é igual subir em um banco e berrar no meio da praça, então, sim, pode ser que eu tenha contado para todo mundo.

No meio da praça, amarrada entre duas árvores, tinha a maior faixa que eu já tinha visto. Mais que todas as outras. Uma enorme e vermelha piada, bem na nossa cara.

–Para o carro. –bati no seu braço, diversas vezes. –Para o carro! Para, Tobias!

Ele freou aos poucos, enquanto aproveitei e saltei pra calçada.

Não me importava toda a política de generosidade mal oferecida que aquela cidade tinha. Meu nome E meu encontro estavam numa faixa, e aquela faixa ia sumir.

–O que você tá fazendo? Dallas? –ele começou a caminhar atrás de mim. –Podemos andar mais dev...? Ah, ok. Agora ela começa a marchar. Ótimo. Claro. Tudo que eu mais queria fazer depois de tomar duas xícaras de café era pegar minha calça de lycra, imitar o Capitão América e sair marchando por aí. Como você adivinhou?

Comecei a desamarrar os barbantes que seguravam a faixa.

–Isso não vai ficar aqui. Não sei você, mas gosto de manter minha privacidade meio, você sabe, privada.

Ele chegou na outra árvore e, com muito mais facilidade que eu, começou a tirar o barbante. Aquilo tinha sido pendurado por girafas, não por pessoas normais!

–Hm, isso quer dizer que nós temos priv... –joguei nele uma casca da árvore solta. –Ok, deixa para lá. Temos que ir rápido, porque o bolo de sonho da Lolla tem validade de aquecimento.

Parei de desamarrar, porque ele veio e começou a fazer isso para mim.

–Um bolo de...

–Sonho. –fiquei olhando para ele, admirando sua careta com a língua para fora enquanto a concentração de desfazer o nó o inundava.

–Você realmente não se importa com isso?

Ele sorriu, dando de ombros.

–No meu aniversário de quinze anos, que a Kyle organizou, todas da cidade tinham que levar uma foto comigo de quando eu era bebê. A Fran, da floricultura, até fez um vídeo e foi... –houve uma pausa, para a concentração no nó. –Na maioria das cenas eu tava pelado. Totalmente. É que nasci no verão, e a maioria das fraldas me davam alergia, então...

–Informação precipitada e totalmente desnecessária.

–Enfim, foi meio constrangedor no início, sabe? Ver minha própria bunda é estranho. Mas... eles são assim. Sei que não é por mal. E no final pareciam muito felizes com as fotos, mesmo vendo partes minhas onde o sol não bate mais.

Enquanto a faixa ia caindo depois dele ter desfeito todos os nós, minha fixa ia também.

Fiquei olhando cada vez mais e mais, até que aquele sentimento de culpa passasse. Eles tinham feito uma faixa para nós, e lá estava eu... jogando-a no chão.

Fechei a mão em volta de seu pulso, tentando sem sucesso ignorar sua pele quente ou minha barriga se contraindo toda.

–Vamos logo. A gente tem que fazer esse encontro dar certo, ou eu vou dormir hoje igual aquele cara que ganhou a loteria e depois lembrou que tinha rasgado o bilhete. –comecei a puxar seu corpo magro e alto em direção ao carro.

–Que cara?

–Não sei; eu só precisava de um exemplo realmente lotado de arrependimento. Mas alguém já deve ter feito isso.

Chegamos na frente da porta do motorista, e eu estava abrindo a porta quando notei que ainda segurava seu pulso. Levei alguns segundos para soltar, porque era tão macio e quen...

Ah, Deus! A história do tanquinho de novo. Balancei a cabeça e contornei o Jeep, entrando no banco de carona.

–Eu espero que nada nesse encontro envolva tirar a camisa.

Ele não falou nada, o que eu esperava que fizesse. Só deu um sorriso cheio de dentes, como se estivesse ganhando o mundo, e entrou no carro com uma facilidade que eu nunca iria entender para uma pessoa de quase dois metros.

 

Já vi muitos dos melhores e piores filmes românticos já feitos. Eu e mamãe éramos consumidoras natas de locadoras de filme, sempre a favor da exclusão do Netflix, que impediam as pessoas de conhecerem os clássicos dos anos em que dançar como os personagens de Footloose era o maior sonho que poderia existir.

Todos eles falavam de como era ruim um primeiro encontro, ou de como era bom. Com toda a coisa do flerte, do estômago embrulhado, do calor no rosto. Até as conversas ruins.

Mas nenhum tinha me preparado para a vontade que eu estava de vomitar. Toda vez que Tobias me olhava –e ele fazia isso com muita frequência, aquele idiota –a bile subia pela garganta e todo o cumprimento da minha espinha tremia. Era como... Ah, droga, não fazia ideia de como era. Aquilo vinha, fazia eu me sentir patética, e depois descia.

–Pra onde a gente tá indo? –fechei as mãos em punho, tentando conter o tremor. Inutilmente, todo o resto do meu corpo tremia também.

–Quais as chances de eu receber outros tapas daqueles se disser que é surpresa? –Tobias começou a sintonizar o rádio, passando por um monte de pop eletrônico e country barato.

–As mesmas que você tem em acabar numa estação tocando Justin Bieber. –bati na sua mão, tentando fazer qualquer movimento para aliviar o que estava sentindo, e procurei eu mesma uma música boa.

–Sendo assim, estamos indo para o Parque Nacional do Lago Roper. –ele se esticou para perto de mim, e por um breve minuto fiquei estática, porque pensei que fosse me beijar. Era muito cedo para aquilo. Era muito cedo para qualquer coisa. Eu não queria beijar ele, nem ninguém. Mas principalmente ele. Nunca. –Acho que tenho um pen-drive no porta luvas.

Seu braço se esticou um pouquinho mais, tentando passar pelo meu corpo. Quando pisquei, já estava com as costas coladas no encosto do banco, contando os segundos para aquele encontro acabar.

Não era eu. Não podia ser. Eu não aceitava sair com ninguém, muito menos com caras como Tobias. Aquilo era errado, idiota, inconsequente e eu ia vomitar já, já.

–A-há. Achei nosso pequeno velociraptor no meio do Jurassic World. –ele olhou para mim, tentando descobrir se captei a piada. –Você sabe, porque foi o dinossauro pequeno, um velociraptor, que ajudou o grandão a matar o outro grandão, no final do filme. Você sabe, não sabe?

Balancei a cabeça, porque pareceu a única maneira de o fazer calar a boca.

–Claro, ele não teria feito nada sem o Chris Pratt, mas o que vale é a... Alias, queria conversar com você sobre isso. O que esse cara tem demais? A Kyle é pirada por ele, do tipo que já vi ela beijar a televisão assistindo Guardiões da Galaxia, o que já fiz também, claro, mas... Ah, não foi com o Chriss Pratt, ok? Foi com um DVD da Shakira, e eu tinha nove anos. Enfim, você acha que é...

Ele continuou falando. E falando, e falando. Tenho certeza que eram coisas engraçadas, tentando me livrar do olhar de pânico que Tobias sabia que eu estava, mas não consegui ouvir. Não consegui prestar atenção em nada, porque de repente tinha doze anos, e finalmente tinha conseguido convencer o dono do mercadinho japonês a me deixar trabalhar por meio período.

Estava com a mochila nas costas e, diferente de todas as expectativas de trabalho que as pessoas normais tinham, o sorriso no meu rosto só aumentava em pensar que depois do almoço ia poder enfileiras um monte de latas de feijão em prateleiras.

A legging da escola estava rasgada e mamãe já tinha dito que ia costurar, mas ela não parava em casa fazia dois meses, então tinha prometido a mim mesma que aquela noite ia aprender a dar um jeito sozinha.

Estava meio frio, de um jeito quase agradável, e sentia as pernas ardendo da caminhada da escola, com o sangue pulsando divertidamente por todo o corpo.

Soube que tinha algo errado quando subi o primeiro degrau que dava para o nosso andar no prédio. Ouvi um copo se quebrando, e depois outro. Alguém gritava, descontroladamente e compulsivamente. Um monte de palavrões, muitos que eu nunca nem tinha ouvido. Então teve um baque bem mais forte, alto o suficiente para ser uma cadeira, seguido de outros palavrões.

Não era a primeira vez que ela berrava, claro, mas mamãe sabia ser discreta. Nunca seria assim. Poderia ser a Rebecca, nossa vizinha. Ela sim era louca daquele jeito. Além disso, fazia só três meses que tínhamos nos mudado, por causa de uma praga com... baratas, na outra cidade. Algo assim. Não dava tempo de...

Completei a escada com a testa suando e o corpo tremendo. Quando cheguei na porta estava tão convencida de que não era ela, de que minha mãe nunca gritaria daquele jeito, que quando a vi, toda descabelada e descontrolada, surrando um homem alto e forte pelo peito, tranquei a respiração.

Nem me lembro o que ela estava berrando. Lembro que, quanto mais berrava e esmurrava, mais o cara ia ficando vermelho, até que estivesse segurando os punhos dela e minha mãe não passasse de nada mais que uma criança mimada esperneando e chorando compulsivamente. Ele tentava calar a boca dela, mas parecia não notar que só a incentivava a gritar mais alto ainda, xingando de tudo possível, querendo que o bairro inteiro escutasse. Nem me viram.   

Acho que foi nesse dia que me prometi, jurei que nunca agiria daquela forma. Como uma adulta infantil, ridícula e vulnerável. Que nunca, nada e nem ninguém, me afetariam da forma como ela se deixou ser afetada.

Virei as costas e fui para o trabalho, sem nem pensar em algum tipo de comida. Quando voltei, as sete da noite, ela já estava com tudo no carro. Nunca mais almocei em casa, e mamãe nunca mais me pediu para almoçar.

 

Quando voltei para o carro, com dezoito anos de novo, meu peito estava doendo e minhas unhas furavam a palma da minha mão. Trancar a respiração tinha me deixado tonta, mas parecia impossível sugar ar com tudo tão pequeno e apertado.

Levou um tempo para sair daquele momento, da dor que senti naquele dia. Era tão real e tão natural, que meu coração estava ardendo e minha testa, pingando.

Tobias tinha parado o carro e me encarava, esperando. Só notei que estava tendo tremores fortes quando ele segurou minha mão, totalmente estável, e tentou pará-la.

–Olha, eu devia ter avisado você que sou um cavalheiro antes. Essa coisa de chantageador de uma figa não combina com meu rosto bonito de modelo da Calvin Klein. –ele sorriu de lado, me olhando de uma forma muito, muito doce. –Retiro minha proposta. Vou pegar meu cavalo branco, minha armadura, levar você para casa e te deixar em paz. Como um verdadeiro Lancelot.

Apertei um pouco mais sua mão, até que conseguisse sentir de verdade aquilo. Não os momentos de minha mãe e seus Call’s, mas aquilo: eu e Tobias.

–Mas quero avisar que, mesmo que eu leve você, vou deixar aquele bolo de sonho junto. É realmente algo que vale a experiência. –ele, por apenas dois segundos breves, pareceu realmente magoado. –Não sei o que você acabou de lembrar, mas quero que saiba que nada, nem ninguém deveria se sentir desse jeito. Gosto de você, mesmo, e queria muito que nos divertíssemos hoje. Mas nada vale tanto a ponto de ignorar o que acabou de acontecer.

Eu gostaria de não acreditar nele. Gostaria que ele fosse um pouco mais parecido com o Elvis Presley e aquela cara de segundas intenções dele. Mas Tobias era tão puro, seguro e ingênuo que tudo o que fiz foi soltar a respiração e toda minha auto preservação junto.

–Essa coisa de Príncipe Encantado nunca foi minha cara mesmo. Afinal, nem foi ele que tirou a Fiona da torre, foi o Shrek. E ele ainda era filho da bruxa malvada, então foi totalmente superestimado. –soltei sua mão, peguei o pen-drive e enfiei na entrada USB.

Ele levou alguns segundos me olhando, com um sorriso torto na cara. Quando começou a tocar uma música country estranhamente boa, Tobias deu partida no carro, rindo baixinho.

–O que foi? –perguntei, encarando-o enquanto balançava a cabeça.

–Você disse bruxa malvada.

Voltamos para o caminho, com o Jeep parecendo bem maior do que alguns segundos antes.

–E o que que tem?

Ele me encarou, bateu no volante e falou indignado:

–Era uma fada!            

                              

                                


Notas Finais


me avisem se ficou dramático demais, mas eu queria explicar mais sobre a mãe da Dallas, então...


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