História Dalliance. - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Jikook, Namjin, Ready? Go Go!, Taegi, Vhope, Vkook, Yoonmin, Yoonseok
Visualizações 32
Palavras 5.545
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


ETA PIULA
Oi gente! Como vão?
Obrigada pelos comentário e favoritos! São importantes para eu saber o que estão achando.
Bem, pois é, eu só tenho até esse capítulo feito. Mas calma ae! Dalliance com certeza não vai acabar. Vou tentar escrever um outro capítulo sexta e talvez (ou não) postar no mesmo dia ou sábado. Vai dar tudo certo, eu espero.
Eu tô tããããão feliz, ganhei um mangá de Samurai X da minha amiga? Posso chorar já? Incrível.
Pois é, se amem. (Não sei por quê digo isso, mas eu digo de verdade).
Amém.
Bem, divirtam-se com o Kookie sendo tarado... Ops, eu quis dizer, com o Kookie sendo inocente.
Boa Leitura :)

Capítulo 3 - Dióxido de Trouxice


 

 

 

Depois de tudo o que aconteceu, Jimin não achava que a tarde pudesse piorar.

Então é claro que foi isso que aconteceu.

Abriu os olhos lentamente para se acostumar a claridade, no entanto não encontrou nenhuma. Os coçou, notando que estava deitado na cama de seu quarto, coberto por seu lençol – e não no sofá, onde adormecera. A imagem de Jungkook lhe veio na cabeça de imediato, e ele se perguntou se tudo o que acontecera na madrugada foi um sonho, se aquele menino irritante e pervertido na realidade nunca havia existido, mas a ideia de que fosse uma ilusão pareceu de certa forma o deixar se sentindo… Solitário – era como ir à escola, você odeia ir porém quando fica de férias, sente falta.

Percorreu os olhos pelo cômodo. Nada do coelho. Levantou-se da cama, cambaleante pelo sono ainda pesado, observando a janela com venezianas abertas, revelando a bela vista da cidade iluminada por um tom alaranjado de fim da tarde. Jimin achava que uma das belezas de Seoul era o brilho próprio que a mesma tinha, as ruas movimentadas, o cheiro delicioso da comida, as construções, e a essência de terra molhada que inundava os lugares principalmente naquela época do ano.

Caminhou até a cozinha, e se descobriu, para a sua nem tanto surpresa, contrariando o sentimento solitário, chateado por ver que nada dos acontecimentos anteriores eram um sonho; afinal a cozinha inteira estava uma completa bagunça, os armários abertos, comida espalhada por todos os lugares, migalhas no chão, farinha, fermento e leite espalhados pelo balcão de mármore. O coração de Jimin acelerou no minuto em que viu o enorme furacão que parecia ter passado por ali. E só havia uma pessoa que poderia ter feito aquilo tudo, uma pessoa que não gostou nem um pouco de lhe vir a mente pela segunda vez em poucos minutos.

–– JUNGKOOK!

De repente a ideia de ficar sozinho lhe pareceu bem mais plausível.

Jimin apressou o passo para adentrar a cozinha, mas se deparou com algo ainda mais chocante: a imagem de Jungkook pelado vestindo apenas um avental – o que era sem sentido, visto que o avental serve para prevenir que a comida suje a sua roupa e ele não estava nem usando roupa –, com um bolo queimado com cobertura de chocolate, chantili, cereja, granulados coloridos e uma vela rosa no meio. Assim que o coelho avistou um Park sem palavras – parte pela situação e parte porque, de certa forma, o fato do garoto se vestir daquele jeito o deixou meio nervoso –, abriu um enorme sorriso, correndo até ele com o bolo em mãos. O empurrou no peito de Jimin, que sem entender direito o que acontecia, o segurou, observando agora Jungkook pegar a caixa de fósforos.

–– Eu ouvi você falando consigo mesmo quando respondeu aquele tal de Yoongi no seu celular. O hyung disse: Esqueci que hoje era o meu aniversário. –– Acendeu a vela, tomando o bolo novamente em mãos e o pondo em cima do balcão da cozinha, batendo palmas (até porque ele não sabia a música dos parabéns). –– Eu não sei o que é isso ainda, mas parece ser importante, então fiz um bolo para você!

O Park não estava acostumado com esse tipo de situação. Claro que Yoongi já havia feito coisas do tipo para ele, como o levar para comer em restaurantes, ou passar a tarde consigo, ou assistir a um filme, mas nunca chegou a realmente cozinhar alguma coisa em prol de seu aniversário. Por isso Jimin estava sem palavras, afinal havia esquecido pela segunda vez que era o dia em que completava os seus vinte anos.

Talvez a bagunça na cozinha tenha valido a pena, afinal.

–– Kook, eu… Eu não sei o que… –– Estava sem palavras mesmo após ter soprado a vela, era como se todas elas estivessem presas na garganta, formando um bolo de concreto.

–– Eu queimei um pouco, mas acho que está gostoso. Vem comer, hyung. –– chamou o garoto, já se sentando em uma cadeira e pegou um pedaço para si, enfiando a maior parte desse dentro da boca de uma vez só.

–– Hipoteticamente, era para eu pegar o primeiro pedaço, já que sou o aniversariante. –– reclamou brincando, já indo se juntar a ele, que apenas riu de sua expressão e passou um pouco de chantili na ponta de seu nariz. –– Ei! Se você acha que essa cena vai virar uma daquelas clichês de filme, você está muito certo.

Jimin revidou, passando o creme na bochecha de Jungkook, que fez uma cara de choque.

–– Hyung, eu não passei tanto assim em você!

Começaram, então, uma guerra infantil de chantili, cerejas, chocolate e granulados coloridos um com o outro, rindo das próprias situações como duas crianças de cinco anos. No fim ambos estavam totalmente sujos e ofegantes pelo esforço, comendo em silêncio o bolo. Apesar de estar um pouco queimado, o gosto não era tão ruim assim. Claro que ainda tinha partes que davam vontade de vomitar e o rosto de Jimin se tornava verde – o que tirou muitas perseguições de Jungkook –, mas ainda sim tinha um sabor único.

O sabor do carinho, não é?

–– Aliás, aonde você aprendeu a cozinhar? Coelhos também sabem fazer isso? Porque se fosse assim, eu ia te obrigar a fazer a própria comida em vez de eu colocar ração para você.

–– Hyung, como você consegue ser tão burro assim? –– Riu o maior, fazendo um bico perfeito se formar nos lábios de Jimin. –– Quando o hyung faz isso é para eu te beijar?

–– Não!

–– Enfim, quando o hyung estava dormindo no meu ombro, o que por sinal foi feito sem a devida permissão, depois que acabou o filme maneiro dos Vingadores, eu mudei de canal e achei um de culinária que tava passando um programa chamado MasterChef. Eles fizeram uma espécie de competição com isso, então eu deduzi os ingredientes e fiz um enquanto o hyung dormia.

Jimin foi tomado por uma súbita vontade de cuspir o pedaço que tinha na boca, afinal sabe-se lá o que o garoto colocou ali dentro, uma vez que cozinhou tudo aquilo por base de sua intuição. Mas não o fez, apenas porque estava comovido demais com o esforço dele.

Eu devo ser um anjo para não ter cuspido tudo na cara dele.

–– E como é provar a comida humana que não seja cenoura pela primeira vez?

Jungkook ponderou um pouco. Talvez ainda fosse difícil para ele se habituar com tantas coisas estranhas que os seres humanos faziam, como comer de talher, se vestir, escovar os dentes, ter um objeto se balançando no meio das pernas e todos os detalhes possíveis que ser uma pessoa significa. Jimin se perguntou se ele gostaria de viver daquela forma, se o custo e benefício em fazer o seu “dono” feliz fosse algo lucrativo, e se um dia Jungkook não se cansaria daquilo tudo.

–– Muito bom, na verdade. Comer sempre cenoura e ração não é a refeição que todo coelho adora. –– A frase fez com que o Park se sentisse levemente mal por dar a ele a mesma comida todas as vezes. –– Mas isso melhorou agora que o hyung me transformou em humano com o seu pedido.

–– Aigoo, que coelhinho determinado em me fazer feliz.

Jimin acariciou os cabelos de Jungkook, se dando conta de o quão macios e sedosos eles eram – deu um sorriso daquela forma que fazia seus olhos sumirem. O coelho pareceu um pouco nervoso diante do contato e da frase, sem entender qual era mágica que o Park fazia para que ele se sentisse tão estranho daquela forma – não era à toa que estranhava o carinho dele, pois não estava acostumado com sensações humanas, embora de certo modo não se incomodou.

O empurrou pelo peitoral para que se afastasse.

–– Por que você me deixa tão tímido? –– reclamou abusado em um tom infantil. Jimin riu com aquilo, adicionando uma nota mental que se quisesse perturbar Jungkook o faria ficar tímido. –– Hyung, a sua cara está mais feia ainda com esse chantili.

O Park estava prestes a falar alguma coisa diante daquele comentário, porém seus olhos captaram a hora no relógio e logo depois se arregalaram ao se lembrar que tinha um compromisso com Yoongi às sete horas e que ele passaria para vir lhe buscar – já eram seis e cinquenta. Fitou do relógio para seu corpo, do seu corpo para a porta da sala, da porta da sala para o banheiro, e do banheiro para o quarto. Saltou da cadeira de uma vez, fazendo Jungkook quase se engasgar com um pedaço de bolo e correu para o banheiro, batendo a porta com força para tomar o banho mais rápido que já tomou em sua vida.

–– Jiminie hyung? Você está bem? –– Jungkook perguntou do outro lado da porta. –– Você teve uma diarreia?

–– Não, eu estou bem, é só porque lembrei que tenho um compromisso agora. –– respondeu apressado ao passo que tirava a cueca e a jogava no chão.

–– Com quem?

Jimin não respondeu. Tinha a sensação de que se falasse que sairia com Yoongi, era capaz do coelho ficar com raiva ou pior, de ele vir junto com ambos para o seu encontro. O Park não se permitiu devagar no banho como geralmente fazia, passou o xampu, condicionador e sabonete e logo saiu do banheiro, correu para o armário e pegou qualquer roupa. Deu uma conferida em Jungkook no caminho apenas para ter certeza de que ele não quebrava a casa ou incendiava alguma coisa, contudo o garoto apenas assistia ao programa do Backyardigans na televisão como se fosse o novo filme do James Bond.

A campainha tocou. O porteiro havia se acostumado com a vinda frequente de Yoongi para o apartamento de Jimin, por isso nem avisa mais quando o mesmo chegava, já que o Park normalmente não se importava com a visita surpresa, mas agora que tinha um menino pelado para tomar conta, a coisa já era diferente de tal modo que amaldiçoou o porteiro em trinta e seis línguas diferentes nas quais nem tinha conhecimento que sabia por ele não ter interfonado. Vestiu a roupa o mais rápido possível, torcendo para que Jungkook não fosse atender a campainha, mas assim que correu para a sala, era tarde demais.

Merda, merda, merda, bosta, merda, merda.

A porta estava aberta e o pesadelo de Jimin aconteceu: Yoongi e Jungkook estavam frente a frente um para o outro. O Min não tardou em estreitar os olhos para o coelho, lhe observando de cima para baixo, e o coelho não ficou para trás; avaliava o menino pálido como se fosse algum item de supermercado estragado. Ninguém dizia nada, no entanto era palpável o clima tenso.

–– O que você quer? –– resmungou Jungkook em um tom nada infantil ou alegre como sempre falava, apesar de certa forma ainda parecer uma criança birrenta.

–– Quem é você?

–– Eu sou o co-

–– CO-PRIMO! –– Jimin gritou antes que ele pudesse terminar a frase. O maior lhe encarou com um olhar de quem não estava entendendo nada e nem o por quê de disfarçar que Jungkook era o coelho de estimação do Park, como se fosse algo absolutamente normal e comum isso acontecer. Jimin deu uma risada nervosa assim que chegou perto de Jungkook e pisou no pé do mesmo acidentalmente, retirando do maior um gemido desgostoso. –– Meu primo de segundo grau, um co-primo. Esse é Jungkook… Er… Jeon Jungkook!

–– Então você é primo dele? –– Yoongi deu um sorriso que mais parecia ser forçado. Por algum motivo, não havia gostado nem um pouco daquele garoto gigante, porém lhe estendeu a mão do mesmo jeito.

–– Na verdade ele é o meu do-

–– DOCE PRIMO! Eu sou o doce primo dele que ele veio visitar dos Estados Unidos, não é, Jeon Jungkook? –– O nome soou mais como uma sentença de morte caso Jungkook abrisse a boca para desmentir a mentira que Jimin contou para Yoongi. O coelho pareceu entender o recado, contudo ainda assim ignorou o aperto de mão. Recebeu um beliscão forte do Park e acabou que segurando na mão do menino pálido, porém sorriu sádico enquanto a apertava com força.

–– Não acha esse seu primo meio fortinho? –– comentou o Min com uma careta.

–– Ah, mas vai ser um prazer te conhecer melhor, namorado maravilhoso do Jiminie hyung. –– O sarcasmo era tão grande na voz de Jungkook que fez com que Jimin pisasse no seu pé pela segunda vez. –– Ai! Por que você-

–– Vamos, Yoongi? –– perguntou, embora já estivesse era saindo de casa apressado. Antes que fechasse a porta, enfiou a cabeça pela fresta da porta e sussurrou apenas para que o coelho ouvisse. –– Kookie, se comporte direitinho. Fique assistindo a televisão depois de tomar um banho e tirar o chantili do seu cabelo, se quiser comer alguma coisa tem biscoito no armário, mas acho que você já sabe disso. Vou voltar tarde porque vou trabalhar depois do encontro, então se acontecer alguma coisa e eu não atender, liga para o número escrito no papel debaixo do telefone, a partir das oito que vai ser quando eu chegar no meu trabalho. Se você seguir a gente, está morto. Ou melhor, vai passar uma semana sem televisão. Cuide bem do Bah!

Fechou a porta na cara dele, sem esperar resposta alguma – apesar de ter ouvido alguns murmúrios de reclamação sobre a última parte do pequeno discurso de Jimin –; sabia que o Jeon não gostava nem um pouco de Yoongi, no entanto o garoto pálido continuava sendo o seu namorado por enquanto, então Jungkook tinha de suportar por mais que não quisesse.

–– Posso saber o por quê do seu primo estar pelado? –– questionou levemente irritado com toda a confusão anterior. Parte de si acreditava no que o namorado dizia, mas outra parte duvidava que Jungkook fosse realmente o seu primo. Como era o aniversário do Park, resolveu deixar aquilo para lá, mesmo depois de ouvir apenas um Vai saber” de seu namorado, afinal não valeria a pena fazer uma confusão por causa dessa história; queria ao máximo aproveitar a noite longe de todos os seus problemas e sentimentos que procurava fugir.

Yoongi tentava de todas as formas se convencer de que gostar de outra pessoa enquanto namorava era algo absurdo, que não poderia sentir isto pois seria traição, contudo continuava se apaixonando cada vez mais pelo sorriso radiante do seu amigo. Odiava-se por fazer tal coisa com Jimin, e odiava-se mais ainda por ter medo dele descobrir sobre o seu amor platônico por outra pessoa. Não queria ver o pequeno triste, gostava de o ver feliz e fofo como sempre, com toda a certeza poderia dizer que o amava, ou melhor, que sempre o amou, porém não existia mais a paixão.

Já Jimin andava quieto ao lado de Yoongi, vagando pelos inúmeros pensamentos que rodava em sua cabeça conturbada no momento. As lembranças da noite anterior ainda podiam ser sentidas na pele, desde o escorrer das lágrimas pelas bochechas naturalmente coradas, o tecido fofo do Bah contra o peitoral palpitante, da sensação dos dedos longos e quentinhos de Jungkook tocando na sua pele fria da face, do gosto da cobertura de chocolate do bolo queimado na língua, até a sensação da mão do Min entrelaçada a sua. Olhou bem para a mesma, e soltou um suspiro um tanto que exausto, embora aparentasse mais como uma tentativa de conter a vontade de chorar novamente.

O motivo de ter, por fim, explodido em emoções na noite anterior ainda era desconhecido, e de certa forma isto fazia com que Jimin se tornasse inseguro ao andar ao lado de Yoongi; o pequeno não sabia quando poderia entrar em prantos ou dizer alguma burrada que daria um fim ao relacionamento que tanto cultivava no coração.

As ruas estavam com um cheiro agradável de odeng. O Park sentia faltar de andar daquele jeito por Seoul: sem se preocupar para onde ir, ou ter um compromisso marcado para aquela exata hora – mesmo que seu horário limite no encontro fosse até oito horas por conta do seu trabalho na loja de doces. Paravam para comer alguma coisa nas barracas de rua, sorriam, andavam, olhavam os arredores do Tapgol Park, se divertiam, mas Jimin não parecia estar inteiramente dentro daquele momento. Seus olhos vagavam descontraídos por entre as pessoas, miravam o chão, o sorriso vacilava algumas vezes e os dedos apertavam a barra da blusa em um ato de nervosismo.

–– Você está bem, Jimin-ah? –– Yoongi quebrou o longo silêncio que se formou depois que compraram ramyeon no supermercado para comerem nos bancos da praça.

–– Hã? Ah, estou sim… –– Deu um sorriso, parte forçado, parte real. Sentia-se, ao mesmo tempo, alegre por estar ali na presença de seu namorado, e triste pela dor no coração que sentia quando se lembrava que ele amava outra pessoa.

–– Tudo bem.

Eu estou aqui para você…

Como aquele coelho conseguiu descobrir tão rápido o que eu precisava ouvir?

Por que Yoongi não diz o mesmo?

Por que ele não insiste em saber o que está acontecendo comigo?

Jimin se fazia tantas perguntas que se esqueceu do quanto o ramyeon estava quente e acabou que se queimando ao colocar uma grande porção na boca. Soltou um gritinho de dor e cuspiu tudo de volta no prato, arrancando algumas risadas de Yoongi.

–– Preste atenção, bobo. –– O garoto pálido esticou a mão para limpar o canto dos lábios carnudos do Park, passando levemente o guardanapo na região suja de molho. Jimin sentiu o rosto esquentar e o coração acelerar, ao passo que desviava o olhar para o chão, envergonhado.

Desejou que aqueles sentimentos fossem embora de uma vez por todas. Sabia que não eram mais recíproco, mas queria ter a coragem para dizer isto a Yoongi, e não para si mesmo.

O encontro passou rápido depois do último desastre, no qual o pequeno esbarrou em uma bicicleta e derrubou uma criança no chão. Não se tinha muito assunto para conversar, portanto a hora do trabalho de Jimin chegou mais cedo do que esperavam. O Min lhe acompanhou até a porta da loja, sorrindo para o Park, que se encontrava nervoso por outro lado – despedidas lhe deixavam com o coração mais acelerado que o normal, talvez porque esperasse um beijo ou algo do tipo, afinal era raro ganhar esse tipo de coisa vinda de Yoongi. No entanto, fazia alguns meses desde que o garoto pálido evitava fazer algo a mais do que segurar a mão do Jimin, como abraçar ou beijar; e o pequeno sabia muito bem o porquê disso, então apenas respeitava, pois entendia que não poderia ter 100% de seu namorado quando ele amava outra pessoa.

O pensamento fez com que seus olhos marejassem um pouco. Talvez ainda estivesse se sentindo sensível dado aos acontecimentos anteriores.

Eu estou em algum tipo de TPM masculina?

Quando estavam em frente a loja – um espaço um tanto que grande, com um letreiro enorme escrito Sweet Dreams brilhando em vermelho neon –, o aperto de Yoongi na mão do outro aumentou, o que lhe fez parar para encarar o Min.

–– Jimin, eu te-

–– Você demorou, hyung.

O sangue de Jimin gelou quando ouviu aquela voz soando perigosamente atrás de si, e gelou ainda mais quando sentiu outra mão segurar seu braço que não se atinha ao de Yoongi e lhe puxar em sua direção, fazendo com que a cabeça esbarrasse no peitoral coberto por uma camisa azulada de algodão com estampa de gatinhos e unicórnios.

As pupilas do Min tremeram, os olhos semicerrando em direção a pessoa que menos queria ver naquela noite: Jeon Jungkook. O mesmo tinha um pirulito na boca, os cabelos bagunçados – não os penteou depois do banho, até porque não sabia como fazer tal –, e uma expressão um tanto séria na face. Assim que Jimin saiu, tratou de descobrir como vestia aquelas roupas que ele havia lhe dado. Depois que o fez, ligou para o telefone da loja Sweet Dreams, perguntou o endereço e procurou o caminho até lá. Deu uma surra em alguns caras que – para ele – eram do mal, que vinham lhe dizer Entre aqui para uma visita à Casa Mal Assombrada!”, e perguntou informação para outros que carregavam um objeto estranho e pontiagudo feito de metal no bolso da calça.

Achou a maldita loja com muito esforço, mas valia a pena, se isso significasse ver o pequenino sorrindo daquela forma tão bonita que fazia seus olhos desaparecerem e as bochechas saltarem. Esperou o seu “dono” chegar, o que na verdade não demorou muito, o coelho só queria dizer uma frase de efeito para acabar com aquele encontro ridículo que Yoongi chamara Jimin para ir, quando o menor não estava definitivamente se sentindo bem.

–– Kookie, o que-

–– Você realmente não vai admitir? –– Por um momento, o Park pensou que a pergunta estava sendo direcionada a si, contudo ao ver que Jungkook encarava fixamente o Min, franziu o cenho sem entender o que aquilo significava.

–– Não tenho nada para admitir.

Jungkook bufou, irritado.

–– É isso que te faz magoar as pessoas ao seu redor. –– falou com um sorriso sarcástico de lado, se virando de costas e puxando Jimin junto consigo. –– Vamos entrar, hyung.

–– O que? Espera, Koo-

O coelho segurou na cintura do Park, jogando o seu corpo em cima do próprio ombro, carregando-o daquela forma para dentro da Sweet Dreams, sem se preocupar com os olhares assustados das pessoas, ou com os tapas que Jimin desferia em suas costas. Quando entraram, após o garoto loiro quase ter fugido para o lado de fora da loja quando o soltou, teve de segurar no capuz de seu casaco e o erguer do chão – o que rendeu uma cena muito engraçada de um Park esperneando para sair do aperto –, como se Jimin fosse um saco de supermercado.

–– Ele já foi, hyung.

Por um momento, o menor queria gritar e bater com toda a sua força em Jungkook, dizer-lhe que não tinha motivo para se intrometer na sua vida, de falar daquele jeito com Yoongi, de ter saído de casa sozinho, contudo pareceu perder as forças na mesma hora que lhe observou. Chegou a conclusão de que aquilo seria inútil, visto que o seu olhar divagava pelos doces da loja como quem quisesse roubar todos. Jimin limitou-se a lhe dar um beliscão no braço depois que fora colocado novamente no chão.

–– Ai! Que violência desnecessária. Mesmo que, sabe como é, doa que nem uma picada de formiguinha. –– Riu na última parte, tirando um sorriso do Park, que outra vez lhe bateu.

–– Por favor não faça mais isso. –– Jimin disse, agora sério.

–– Isso o quê? –– Jungkook andou um pouco até a prateleira de chocolates, observando uns bem atentamente, como quem estivesse escolhendo um para pegar e sair correndo. Bem, na verdade era esse o plano que tinha.

–– Sair de casa sozinho, cozinhar sozinho e essas coisas. Nunca mais faça isso. Eu agradeço muito pelo bolo, mas você poderia ter tocado fogo na casa.

–– Hm.

Fora só isso a sua resposta. Jimin suspirou ao passo que seguia para a área dos funcionários sendo acompanhado pelo coelho, logo depois de cumprimentar educadamente os seus outros colegas de trabalho, abrindo o armário para trocar de roupa. Pegou o uniforme, esperando que Jungkook tivesse saído para que pudesse se despir, porém o encontrou ainda ali, distraído com a estampa de sua camisa enquanto tinha uma careta no rosto pela sensação esquisita da cueca em seu dito “fazedor de coelhinhos”.

Pelo menos ele não saiu de casa pelado.

–– Eu quero trocar de roupa. –– comentou esperando que o Jeon entendesse o recado.

–– Legal.

Jimin arfou em descrença.

–– Eu quis dizer para você sair, idiota.

–– Vá no banheiro dos funcionários, formiguinha.

As bochechas do Park coraram; afinal, mesmo trabalhando ali, não fazia a menor ideia que tinha um banheiro para funcionários. Fez um biquinho.

–– O-Onde é o banheiro dos funcionários?

–– Isso é sério? O hyung é cego?

–– Olha aqui, eu te alimentei e te dei moradia. Você me respeite como o seu hyung! –– Jimin brincou fazendo um tom mais grosso na voz, embora não servisse de nada pois a mesma continuava aguda, levantando os braços e os balançando como um monstro.

–– Era para eu ficar assustado com isso? Se eu não tenho medo de uma pessoa, imagine de meia. –– debochou com um sorriso sacana nos lábios.

–– YAH JEON JUNGKOOK! –– Começou a desferir outra sequência de tapas no maior, que, diferentemente de antes, fazia um careta. –– PEÇA DESCULPAS. PEÇA, PEÇA, PEÇA!

–– Tá bom, tá bom! Caramba hyung, quando você se irrita, consegue ser forte. –– A careta mudou para aquela mesma expressão cruel que Jungkook fazia toda vez que ia caçoar Jimin por alguma coisa.

–– Não, Jungkook, você não ousa-

–– Que nem uma super-formiguinha.

Jimin suspirou, realmente exausto.

–– Você anda assistindo muitos filmes de super-heróis.

–– Teoricamente o hyung é o meu super-herói, já que foi ele quem me transformou em um humano. –– A frase fez com que um sorriso abrisse nos lábios de Jimin, mas ao ver que Jungkook ainda não havia acabado de falar, o sorriso sumiu tão rápido quanto apareceu, sendo substituído por uma expressão irritada. –– Apesar de parecer uma formiguinha por ser tão baixo e fraquinho.

Jimin desistiu de discutir com o ser humano chato que o Jeon era – já foi surpresa o bastante o encontrar vestido, talvez exigir que parasse de encher o saco do menor seria muito para um dia só. Perseguiu os olhos pelo pequeno cômodo dos funcionários, captando o banheiro no final deste, escondido entre as caixas de estoque de doces e armários de metal. Como Jungkook conseguira ver aquilo tão rapidamente quando Jimin nunca nem notara?

Andou até lá, afastando os utensílios do meio e pondo-se a vestir aquele uniforme ridículo que o dono da loja lhe obriga a colocar: uma blusa branca de mangas compridas, suspensórios pretos e uma calça vermelha. Passou a mão no cabelo loiro, ajeitou a roupa e soltou um suspiro. Tinha a impressão que o coelho riria seus pulmões fora quando o visse daquele jeito. No entanto, foi uma surpresa quando chegou lá e ele simplesmente seguiu o seu hyung até o balcão sem dizer uma palavra, embora seus olhos estivessem fixos em Jimin sem desviar a atenção nem por um segundo.

O menor deu uma reverência para o trabalhador que estava em seu posto, vendo ele indo trocar de roupa e ir embora, deixando apenas os dois presentes na loja.

Talvez fosse o fato de estarem sozinhos, talvez fosse porque não confiasse no coelho ainda; o encarar começou a deixar o Park cada vez mais envergonhado e inquieto, até que finalmente falou em um murmúrio:

–– Pode rir.

Um curto silêncio se prosseguiu, e do mesmo jeito Jungkook continuava a lhe encarar como se estivesse lendo a sua alma. As suas orbes escuras eram tão intensas, cheias de tantas emoções escondias e desconhecidas – até pelos donos dela –, que faziam o estômago de Jimin revirar quando as suas pupilas se encontravam acidentalmente com as dele.

–– Eu não vou rir.

–– Então o que você tanto observa?

–– Eu só estava pensando.

–– No que? Em como eu tenho força de formiguinha? Em como eu sou feio também sem o chantili? Em como sou pequeno?

Jungkook subitamente tirou o pirulito da boca e começou a se aproximar. O coração do Park disparou naquele momento, vendo que o maior andava em sua direção até que o dono estivesse preso em uma armadilha perfeita entre os braços do coelho e o balcão. Nervoso, Jimin olhou para os dois lados, procurando uma saída daquele encurralar, mas não havia nenhuma – não quando o topo de suas costas batiam na pedra de mármore do balcão, de uma forma que lhe impossibilitava de pular o mesmo. Não entendia o que dera no Jeon para que se aproximasse tanto do nada, ao ponto de dar para sentir minimamente o seu hálito de menta soprar contra a face de Jimin. O fato do garoto ser sempre infantil não fez seu coração bater em um ritmo mais calmo, e sim ao contrário; agora ele incendiava o seu peitoral, principalmente quando Jungkook mordeu o lábio inferior.

–– Em como o hyung é lindo.

As bochechas rechonchudas de Jimin adquiriram um rubor intenso em prol ao elogio abrupto do coelho. Pensou que depois de falar aquilo, ele se afastaria, mas as suas deduções se provaram erradas outra vez. Ele permaneceu lhe fitando tão profundamente que o Park engoliu em seco diante daquela proximidade toda. O menor queria desviar o olhar para o chão, mas algo lhe mantinha preso no do Jeon.

–– Não m-minta. –– murmurou com a voz tão baixa que só Jungkook poderia ouvi-lo (apesar de não ter ninguém na loja). –– P-Por que você veio até aqui? –– Mudou de assunto o mais rápido que pôde.

A pergunta, juntamente ao ato fraco das mãos de Jimin empurrarem o seu peitoral, pareceu fazer com que Jungkook despertasse de uma espécie de transe, colocasse o pirulito de volta na boca, e se distanciasse, tossindo para aliviar a timidez que lhe atingiu de uma vez enquanto mexia nos cabelos de sua nuca, descontraído.

–– Porque eu quis.

–– Yah, isso não é resposta.

–– Yah, isso não é resposta. –– Imitou a voz de Jimin com um tom que parecia o de um velho e fazendo uma careta, que nem mesmo se parecia com o Park, fez aquilo apenas para irritá-lo.

–– Isso não tem graça, Kookie. –– reclamou, mas estava rindo junto a Jungkook como sempre fazia quando era perturbado.

–– Isso não tem graça, Kookie.

–– Aish, moleque.

Deu um leve tapa no braço dele, sorrindo enquanto atendia um cliente que havia acabado de chegar. Não demorou muito para que a criança convencesse a mãe a levar vários pacotes de balinhas de ursinho e pirulitos, saltitando até o balcão na maior felicidade, a mulher vindo atrás parecendo tão feliz quanto o filho.

–– Boa noite. –– Jimin sorriu docilmente, pisando no pé de Jungkook para que ele repetisse o que o seu hyung havia feito. O local já deveria estar roxo de tanto que fora pisado, embora agora estivesse protegido por pantufas que achou debaixo da cama do menor.

–– Boa noite. –– murmurou ele, o olhar fixo na criancinha.

–– Boa noite! –– respondeu a mãe e o filho ao mesmo tempo.

O Park guardou o dinheiro na caixa registradora, conversando um pouco com os clientes da forma mais educada o possível, até se despedirem e novamente ficarem apenas os dois ali dentro. O silêncio se instalou no local, ninguém dizia uma palavra sequer, e de certa forma aquela quietude incomodava Jimin mais do que deveria.

–– Como fez para chegar aqui?

–– Eu liguei para cá e peguei o endereço. O resto eu saí perguntando para umas pessoas na rua. –– Deu de ombros, batucando os dedos no balcão de mármore.

–– Que tipo de pessoas?

–– O hyung tinha que ver! Teve um cara que disse “Entre aqui para uma visita à Casa Mal Assombrada!” e ele parecia querer machucar alguém, então eu dei um soco nele.

–– VOCÊ O QUÊ?

Jungkook ignorou o grito de Jimin e continuou a contar a sua aventura.

–– Mas então uns humanos que pareciam o hyung, mas com o corpo meio diferente, junto com outros humanos menores que o hyung –– O Park pensou que talvez ele estivesse falando de mães e filhos. Coelhos não entendem esse tipo de coisa? –– começaram a gritar comigo, então eu saí correndo. Depois eu parei para perguntar para uns caras menos suspeitos. Eles tinham uma coisa pontiaguda de metal no bolso, e falaram uma coisa do tipo “Passa o dinheiro”, mas eu apenas disse que não tinha…

–– ELES O QUÊ?

–– … e eles acabaram que me levando para cá depois que eu acidentalmente quebrei um poste de luz quando tropecei.

–– Kookie, me escute bem. –– Puxou a orelha do garoto, vendo ele balançar os braços para tentar sair e uma careta se fechar em sua face. –– Você não saia mais de casa sozinho! Nunca mais, entendeu?

Jungkook não respondeu, ele apenas fez bico e encarou o chão, soltando um gemido desgostoso quando Jimin aumentou o aperto da sua orelha.

–– Entendeu, Kookie?

–– Entendi… –– murmurou baixinho, fazendo uma nota mental de que seu hyung era assustador quando ficava irritado.

–– Não ouvi.

–– Entendi, hyung! Seu chato.

O Park riu, se sentando na cadeira atrás do balcão. Observou o Jeon olhar as prateleiras de doces com os olhos brilhando, exatamente da mesma forma que a criança que estava com a mãe olhava minutos atrás. Ele tinha muito o que aprender sobre esse novo mundo que se envolveu, como se portar, o que não fazer, o que fazer; eram tantas as coisas que só de pensar no tamanho de trabalho que Jimin teria para ensiná-las, deu um suspiro exausto.

Diferentemente do encontro com Yoongi, o assunto nunca morria na conversa daqueles dois, por isso o tempo passou mais rápido do que esperavam. Jimin teve de fechar a loja – o seu turno era o último – e trocar de roupa para ir embora. Jungkook esperava do lado de fora da construção, acariciando o queixo de um gatinho preto que costumava a ficar por ali. O Park sorriu diante da imagem, permitindo-se admirar a beleza do Jeon; seus olhos escuros em um formato perfeito, o pequeno corte cicatrizando na bochecha, os cabelos negros completamente bagunçados, e o sorriso sem dentes nos lábios de Jungkook ao ouvir o ronronar do animal.

Jimin se aproximou, estendendo-lhe a mão para que segurasse.

–– Vamos para casa?

O coelho segurou na mão, sendo ajudado a se levantar.

–– Vamos.


Notas Finais


LEVANTA A MÃO QUEM ACHA QUE O KOOKIE DEVERIA TER BEIJADO O JIMIN NA HORA DO BALCÃO
*mão levantada* *mas aí se lembra que é a autora da história e não pode dar spoiler* *mão ainda levantada, mas agora com uma cara cruel* *e talvez com um dedo do meio levantado*
Uma vez a minha amiga me disse que eu era uma bola de "foda-se" e "vai tomar no cu". Não sei como me sinto quando ouço isso, mas posso ter certeza de que adoro ser chata.
Não sei, mano.
Eu tô meio que escrevendo uma outra fanfic Jikook na qual o Jimin é esquizofrênico, e eu sinceramente acho que tô ficando meio doida no processo.
Patos são legais, você também é.
Hã... É.
Acho melhor eu...
É.
Tchau.


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