História Dandelion - Capítulo 45


Escrita por: ~

Postado
Categorias Amor Doce
Personagens Alexy, Ambre, Armin, Castiel, Debrah, Dimitry, Iris, Kentin, Kim, Lysandre, Nathaniel, Nina, Personagens Originais, Priya, Rosalya
Tags Dor, Morte, Romance, Trauma, Violencia
Exibições 461
Palavras 4.270
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


OIEIEIEIEIEIEIEIEIEIEIEIEIE PEQUENOS PADAWANS

OBRIGADA, OBRIGADA E OBRIGADA ao cubooooo pelos comentários maravilhosos, como sempre<3<3
Parece que essa temporada está cheia de tretas, né? Vi muita gente comentando sobre odiar alguns personagens, amar outros... e.e Só digo Eita asauhsuahsuahsua (não vou soltar spoilers, podem desistir HAHAAHAHAHAHA)
Aqui vai mais outro cap <3 espero que também seja tão "uau" quanto o ultimo foi >.<
Kissusssssss e Enjoy!
Ah! A pessoa na imagem do cap é o misterioso *Viktor* >u<

Musica nas notas finais *U*

Capítulo 45 - Destinos Envenenados


Fanfic / Fanfiction Dandelion - Capítulo 45 - Destinos Envenenados

Sophie

 

            Viktor continuava segurando meu pulso, seu sorriso malicioso traçava aquele rosto convencido e suspeito. Eu não sabia o motivo de Castiel odiar tanto aquele garoto, mas o simples fato de odiá-lo já me dizia que eu tinha que tomar cuidado com ele. E muito.

            A situação na mesa havia ficado mais tensa e as pessoas agora saiam correndo mais desesperadamente, de soslaio eu vi uma vítima do veneno tentar correr, porém seu corpo caiu morto no chão logo em seguida.

            Voltei meus olhos para Viktor e puxei meu braço.

            – Solte-me – eu mandei, mas ele não me largou – SOLTE-ME! Não me interessa se é para o seu “prazer pessoal” ou não, solte-me agora!

            – Eu já prometi a Castiel que vou tomar conta de você – o sorriso de Viktor ficou mais agressivo.

            – Castiel não é meu dono para você fazer promessas assim para ele – eu disse, puxando meu braço novamente, mas isso só fez a mão de Viktor se afrouxar em meu pulso.

            – A sua desconfiança me magoa, senhorita Sophie – Viktor fingiu estar chateado, mas a sua atuação foi falsa demais para me convencer.

            – Eu não tenho motivos para confiar em você. Agora solte-me, eu irei com Nathaniel para casa – eu disse, minha outra mão abriu os dedos dele que se entrelaçavam em meu pulso, soltando-me finalmente.

            Mas Viktor é tão teimoso quanto Castiel, ele segurou meu ombro e me puxou, fazendo-me ficar bem próxima de seu corpo.

            – Quando uma pessoa oferece solidariamente a ajuda dela, é indecoroso recusar... Isso está me irritando, senhorita – ele sussurrou ameaçadoramente. Pelo canto do olho vi sua mão se aproximar do revolver no seu cinto, isso fez os músculos do meu corpo agirem sozinhos.

            Peguei sua mão que segurava meu ombro e a agarrei, depois girei, acertando meu cotovelo na região onde devia ficar o diafragma de Viktor, isso o deixou sem ar e sem se movimentar. Então, com um movimento de pé e um empurrão, eu o desequilibrei e o afastei alguns metros de mim. Imediatamente em seguida puxei a arma presa entre minhas pernas e apontei para ele.

            – Você escolheu um momento inoportuno para me ameaçar – eu falei, o revolver pesava em minha mão. Algumas pessoas se afastaram quando me viram apontar a arma para Viktor, até Castiel, que estava longe, franziu o cenho quando viu minha atitude.

            Fui ensinada pela Kim a não usar essa arma a não ser em momentos de extrema importância, e eu sabia que aquele não era exatamente “um momento de extrema importância”, mas todos os pontos de meu corpo me diziam que eu precisava colocar Viktor longe de mim. “Apenas se afaste de mim”, meus olhos gritavam.

            Viktor parecia realmente surpreso, ele arqueou as sobrancelhas e sorriu de canto, depois levantou as mãos em sinal de rendição.

            – Muito bem, calminha... Ha! – ele riu – Mulheres são tão dramáticas... – ele falou de forma debochada.

            Eu soltei o ar e abaixei um pouco a arma.

            – Não toque em mim de novo, eu não lhe conheço e você não me conhece... É indecoroso da sua parte – eu dei ênfase à palavra “sua”.

            – Certamente... – Viktor trincou os dentes e encarou Castiel sobre o ombro – Seria melhor que eu cuidasse dos assuntos que me dizem respeito, não é mesmo?

            Depois de ter dito isso, Viktor cruzou a parte do salão em que nós nos encontrávamos e agarrou Lorenna pelo pulso, então a arrastou para o meio do conflito entre Francis e Jean. Nathaniel se revoltou com aquela atitude e tentou parar Viktor, mas Dimitry o parou, mesmo ambos estando com os olhos em chamas para aquele cara sinistro.

            – Eis aqui a nossa primeira suspeita, senhores. Vamos ver o que ela tem a nos dizer – Viktor falou, sentando-se de qualquer jeito numa cadeira de frente para a qual Lorenna foi obrigada a se sentar.

            – O que está fazendo, Viktor? – Nathaniel estava prestes a fuzilar Viktor pelos olhos.

            – “Não Comam!” ela disse – Viktor fez uma trágica imitação de Lorenna e se virou para ela – E aí? Como você sabia?

            De repente a atenção de todos se voltou para Lorenna, até Jean e Francis abaixaram suas armas para assistirem ao interrogatório. Lorenna se encolheu de medo, suas mãos tremiam e seu olhar parecia o de um cachorrinho indefeso, eu me senti mal por ele e amaldiçoei Viktor mais uma vez.

            – E-eu... M-meu pai era farmacêutico, ele me ensinou sobre algumas plantas... – Lorenna tentou explicar, mas sua voz tremia demais – O cheiro da sopa estava estranho, e-e eu sempre peço repolho roxo para comer junto com a comida desses jantares... A-a sopa mudou de cor...

            – O que essa garota está dizendo? – Francis falou impaciente.

            – E-eu... – Lorenna tentou reiniciar a explicação, mas Francis suspirou fundo e apontou a arma para a cabeça dela.

            – Fale direito para que todos possam entender, senão não vai falar mais – Francis ameaçou, o que só piorou o estado da garota.

            Nathaniel tentou novamente se soltar de Dimitry, e este último estava com uma cara de que acompanharia Nathaniel a qualquer minuto.

            “Repolho roxo... Mudar de cor... Onde foi que eu ouvi isso?” tentei decifrar o que Lorenna havia dito, pensei e pensei mais um pouco, até que tive uma epifania.

            – Espere! – eu intervi. Todos os olhos agora estavam em mim. Segurei-me para não tremer e para manter a calma.

            – Eu acho que sei o que ela está falando... Alguém me traga a pessoa que fez a sopa – eu pedi.

            Foi Castiel quem ordenou um segurança a realizar meu pedido. Alguns minutos depois o segurança voltou com um homem baixinho e gordo vestido em roupas de cozinheiro. Ele tremia mais que Lorenna.

            – Você... Quais são os ingredientes dessa sopa? – eu perguntei calmamente, pois não queria outra pessoa sem conseguir falar.

            – A-aspargos, manjericão, leite, limão, pimenta... – ele listou.

            – Entendi, é suficiente, obrigada – eu falei, me virando em seguida para Jean-Louis – Lorenna disse que sempre come as comidas de jantares como esse com repolho roxo, que é um indicador de ácidos. A sopa naturalmente deixaria o repolho com a cor rosa ou não haveria mudança de cor, mas foi colocado veneno... Lorenna, você sabe qual?

            – P-pelo cheiro eu a-acho que é Beladona – ela balbuciou.

            – Beladona... Eu já ouvi falar. É uma planta altamente tóxica, e geralmente venenos assim são substâncias básicas, que deixariam o repolho com uma coloração verde – eu disse, em seguida peguei um pouco do repolho disponível sobre a mesa e joguei dentro de um prato de sopa, testando minha teoria. O repolho ficou levemente verde – Está aqui a prova. Lorenna apenas usou a inteligência para não se envenenar, isso não significa que ela seja culpada de alguma coisa, Senhores.

            Escutei murmúrios na multidão e vi pessoas se entreolharem, Kim segurava um sorriso ao longe e Castiel me encaravam de um jeito que era impossível saber o que ele estava pensando. Jean-Louis e Francis, depois de tantas reviravoltas, pareciam um pouco mais calmos, mas ainda seguravam as armas firmemente.

            – Tire essa menina daqui... – Jean se referiu à Lorenna – Francis, vamos resolver esse assunto de forma mais civilizada. Começar um conflito aqui pode nos trazer mais prejuízos do que benefícios – o homem falou, sua voz expressava ao mesmo tempo autoridade e cautela.

            – Humpt – Francis bufou, mas guardou sua arma e aparentou ficar mais calmo.

            Dimitry finalmente soltou Nathaniel, este último foi até Lorenna e a ajudou a sair de perto daqueles homens. Reparei que Francis encarava Nathaniel com um misto de desgosto e desaprovação, mas o rapaz apenas o ignorava enquanto socorria a menina.

            O clima de tensão daquele salão se esvaiu um pouco, os seguranças guardaram suas armas e se mobilizaram para interrogar os presentes e serviçais. Ambulâncias foram chamadas para tentar socorrer algumas vítimas, mas, pelo que eu soube, havia veneno demais em cada prato, o que resultou na morte da maioria das pessoas que a ingeriu.

            Eu já estava me dirigindo para o carro que me levaria para a casa de Milo, quando Viktor passou por mim.

            – Você está chamando muita atenção... Eu tomaria mais cuidado daqui por diante, Sophie – ele sussurrou, indo embora logo em seguida.

            Olhei para trás e o vi passar bem ao lado de Castiel, que me encarava com uma expressão indecifrável. Eu também o encarei por longos segundos em silêncio, antes de entrar no carro e seguir direto para a mansão.

           

            Depois que tomei um banho esperei as pessoas da casa irem dormir. Quando isso aconteceu, peguei meu mini notebook e me dirigi para o jardim do lado de trás da mansão, onde quase não havia seguranças e tinha uma vista privilegiada de Berlim. O frio era intenso, mas os três casacos de pele e o cobertor de pelos ao redor das minhas pernas, fora o chocolate quente que eu havia preparado, me deixavam bastante confortável naquele banco de jardim.

             Liguei o aparelho e esperei o programa iniciar, não demorou muito para minha chamada ser atendida por eles, já que eu havia combinado com todos de que, por volta daquele horário, eu estaria online.

            – Oi gente! – eu falei quando vi os rostos na tela do computador.

            – Garota, você deve estar morrendo de calor aí, ein? – Rosália foi sarcástica, ao seu lado estavam Leigh, Lysandre e Rafaela.

            – O que é isso que está tomando? – Melissa perguntou, seus olhos verdes estavam fixos no meu achocolatado. A ruiva estava numa tela diferente e sozinha, “Kentin deve estar na empresa nesse horário” eu pensei.

            – Chocolate quente – exibi o copo com chocolate.

            – Meu sonho é ficar assim, mas o Brasil é quente demais para eu me cobrir tanto – Violette lamentou, ela estava numa tela no canto, acompanhada de Armin.

            – Pois aqui dá para fazer isso direto! – Alexy se vangloriou, ele também estava numa tela diferente.

            – Onde está o Zack? – eu perguntei.

            – Está pescando com o sogrão – Alexy exibiu os dentes num sorriso satisfeito. Ele parecia estar vivendo bem com a família de Zack.

            – Então, como está a estadia de vocês dois aí? A Alemanha é romântica mesmo? – a voz de Rafaela era maliciosa.

            Exibi um sorriso amarelo.

            Somente Melissa, Lysandre, Kentin e eu sabíamos a verdade sobre eu estar na Alemanha; os demais pensavam que Castiel havia dado um de maluco e me trazido para cá num tipo de férias românticas como pagamento pelo que ele havia me feito na época da Debrah. Eu não gostava de enganar meus amigos, mas isso era muito melhor do que envolvê-los e preocupa-los.

            – É um lugar muito incrível, para ser sincera – eu respondi, na minha cabeça se passava todos os acontecimentos daquela noite.

            – Ei gente! É hoje, não é mesmo?! – Melissa gritou de repente.

            – O quê? – Armin perguntou.

            – O resultado da Rafaela, se ela passou para aquela universidade – Melissa lembrou a todos.

            – Ai meu Deus! – Rafaela colocou as mãos no rosto e tentou se esconder, mas Lysandre a impediu.

            – A não, você vai ficar. Não vai fugir – Lysandre falou, ele pegou um envelope e mostrou para a câmera – Ela recebeu agora a pouco.

            – Vamos abrir! – Rosalya bateu palmas.

            Logo todos estavam gritando “Abre! Abre!”, inclusive eu.

            – Está bem... – Rafaela pegou o envelope e fez um gesto de que iria abri-lo, mas desistiu logo em seguida – Eu não vou passar!

            – Se acalma, cunhada... – Leigh falou.

            – Se quiser, eu abro para você... – Lysandre sussurrou para ela. Eu senti uma leve invejinha pela forma como ela a tratava.

            – Não! – Rafaela arrancou o envelope da mão dele e o abriu com um rasgo, depois soltou um grito quando leu a folha.

            – O quê? O quê? – Melissa dava pequenos saltinhos de tão ansiosa que estava.

            Lysandre pegou a folha e falou o resultado para todos.

            – Ela foi aceita! – os olhos de Lysandre brilhavam de orgulho, ele a abraçou e a beijou em seguida. Foi muito fofo.

            – Parabéns! – eu falei enquanto batia palmas, Melissa e Alexy dançavam em comemoração e os demais a parabenizavam, cada um de uma maneira mais animada que a outra.

            Não sei mais quantas horas ficamos falando por meio do webcam, falamos sobre todos os tipos de coisas, me atualizaram sobre o que estava acontecendo no Brasil, no Canadá e na França, e eu os atualizei sobre minha “aventura” na Alemanha – ocultando tudo sobre a máfia e os acontecimentos recentes – Melissa contou como Kentin havia reunido os melhores oncologistas do oriente num laboratório em Dubai, que era onde ela e ele se encontravam no momento.

            Já estava dando uma da manhã, pelo horário da Alemanha, quando nós nos despedimos, ficando somente eu e Melissa.

            – Pela sua cara, hoje foi barra pesada – ela comentou com um sorriso.

            – Nem me fale... – eu sussurrei.

            – Você viu ele?

            – Sim, mas não foi o pior reencontro que eu já tive na minha vida – falei, mudando de assunto em seguida – Você parece melhor.

            – É sim, estou tomando uns remédios melhores. E também, por causa do novo tratamento, não estou mais cuspindo sangue e minha cabeça parou de doer – ela falou, seu sorriso parecia bem amis saudável agora.

            – Isso é realmente bom de escutar, Mel – eu disse com sinceridade. Bebi o restinho de achocolatado e mudei para um assunto menos sério – E então, Dubai é tão fora do real como ouvi falar?

            – E muito! Semana passada, quando chegamos aqui, eu quase surtei ao ver o hotel em que ficaríamos. Ele é extremamente alto e tem muito vidro, e fica no mar! Olha pra isso! – Melissa apontou a webcam para a varanda e mostrou a paisagem de Dubai, era alto e deslumbrante, parecia ter saído de um filme de ficção científica.

            – Mas o que mais me deixou de boca aberta foram os carros da polícia. Tipo, demoraria mil anos para eu comprar um carro daqueles se eu fosse uma trabalhadora comum no Brasil – ela parecia realmente em êxtase – Aqui é muito lindo, mas o Kentin não me deixa sair muito... Eu sei que é porque está preocupado com a minha saúde, mas ele às vezes vira a noite ou na empresa ou com os meus médicos, me sinto um pouco sozinha... Você me salvou quando me chamou para conversar pelo computador.

            – Ai, Mel... Eu também me sinto assim... O que não faria por um abraço seu?

            – Ownt! Não me faz pegar um avião para a Alemanha, garota!

            – Eu apoio! – brinquei.

            – Eu juro que vou assim que meus exames saírem. Eles vão dizer que eu estou melhor e aí o Kentin vai parar de pegar no meu pé – Melissa falou com confiança.

            – Vou esperar... – eu murmurei.

            – E como está o meu sobrinho? – ela olhou para baixo, como se tentasse encontrar minha barriga em meio a tanto pano.

            – Ainda não está grande, sua maluca. E para o seu governo, ele esta me deixando enjoada a cada duas horas – eu resmunguei – E gorda! Eu nunca comi tanto na minha vida...

            – Como é a sensação...? – ela perguntou, Melissa agora parecia um pouco distante e pensativa.

            – Bem, não sinto muita coisa além de enjoos e fome... Mas às vezes, quando tudo está quieto e silencioso, acho que consigo escutar o coração dele – eu murmurei.

            Melissa encarou silenciosamente a câmera por alguns segundos, como se estivesse pensando em mil coisas ao mesmo tempo. Como se estivesse escondendo alguma coisa.

            – Mel... O que foi? – eu perguntei, isso a tirou de suas distrações.

            – Ah... Nada não, só estou pensando... Estou um pouco cansada por causa dos remédios, mas se eu falar isso para alguém aqui...

            – O quê? Isso é um mau sinal? – perguntei preocupada.

            – Não, não! É só que as empregadas elas me tratam como se eu fosse feita de porcelana fina... Se eu disser que estou cansada, provavelmente uma delas vai se oferecer para me levar até a cama nas costas e outra vai cantar para eu dormir – Melissa sorriu – o Kentin provavelmente as mandou fazerem isso.

            Eu segurei uma risada alta.

            – Ok, vai se deitar, eu também estou com sono... – eu disse.

            – Então até outra hora, minha dançarina preferida. Boa noite para você e para o meu futuro sobrinho – ela disse.

            – Até! – eu disse, desligando a tela logo em seguida.

            Fechei o notebook e abracei o aparelho, depois encarei a vista e senti o vento frio tocar a pele exposta do meu corpo. Sempre gostei do frio, mesmo morando num país onde o clima é tropical; olhar para cima e ver a neve caindo pela primeira vez na minha vida foi engraçado e entusiasmante, aqueles pequenos flocos brancos que caíam ao meu redor e que descongelavam no momento em que tocavam minha pele quente eram muito mais incríveis do que aqueles que eu via pela televisão e computador.

            De repente os meus pensamentos se voltaram para Castiel e um misto de angustia e tristeza me consumiu. Vê-lo novamente, saudável e fisicamente mais maduro, me alegrou e me aliviou, pois eu não sabia como ele vivia sua vida neste lugar; mas voltar a escutar aquelas mesmas palavras “Vá embora” e “Esqueça o passado” me torturava, somado ao fato de que eu não podia nem me aproximar dele, nem abraça-lo ou beijá-lo. Meu corpo sentia falta dele, meu coração gritava por ele.

            Meus se voltaram para a realidade imediatamente quando escutei um barulho de grama sendo pisada. Olhei para trás e avistei Lorenna se aproximando devagar.

            – Também não consegue dormir? – ela perguntou.

            – Talvez... Ainda não tentei dormir – eu respondi. Afastei-me um pouco no banco para dar espaço para ela se sentar. Ela o fez depois de pedir silenciosamente a minha permissão.

            – Obrigada por mais cedo... – Lorenna sussurrou, seus olhos estavam fixos na paisagem de Berlim.

            – De nada... – eu dei de ombros, depois segurei um sorriso.

            – Por que está rindo? – ela olhou para mim.

            – Sei lá... É estranho, mas eu sempre achei que você me odiasse – eu respondi.

            – Era tão visível assim?

            – Você realmente me odiava? Por quê? – eu perguntei surpresa.

            – Sim, um pouco – Lorenna se espreguiçou e soltou o ar – Eu sei um pouco sobre você, Sophie, sei que você poderia ter escolhido viver uma vida normal, mas preferiu vir até este lugar e estragar todo o seu futuro. Enquanto isso eu estou tentando me livrar dessas pessoas... Dessa vida...

            Eu a encarei pelo canto do olho.

            “Então é isso” pensei.

            – Sinto muito... Mas o tipo de vida perfeita que você busca lá fora não é exatamente o que eu vou ter se eu decidir ir embora daqui. E também não é como se eu não tivesse nada para fazer aqui... – eu completei num sussurro.

            – É por isso que eu odiava você, inveja às vezes cega as pessoas... Portanto, me desculpe... – ela murmurou – Posso perguntar uma coisa?

            – O quê?

            – Como sabia tanto sobre o veneno? Meu pai trabalhava com remédios e ervas, e por isso eu acabei aprendendo vendo ele, mas e você?

            – Eu tinha que ser boa em alguma matéria na escola que não fosse dançar... – eu respondi com bom humor.

            Lorenna me encarou um momento sem compreender.

            – É que eu fazia parte do clube de dança contemporânea – eu expliquei.

            – Sério? E você é boa? – ela parecia realmente interessada no assunto.

            – E-eu acho que sim...

            – Que bom, pois existe uma pessoa que provavelmente vai gostar de você somente por esse simples fato, e ela é uma pessoa bem influente... Sabe, ouvi dizer que você precisa de amigos aqui... – Lorenna voltou a encarar o horizonte.

            – Quem...?

            – O nome dela é Madame Olga – Lorenna falou.

 

           

Melissa

 

            Esperei o monitor escurecer para só então soltar o ar e suspirar fundo. Estava cada vez mais difícil ficar tanto tempo de frente para o webcam sem deixar escapar algum sinal da minha condição, não que eu estivesse mentindo sobre estar me sentindo melhor, ou coisa do tipo, mas às vezes uma tosse com sangue ou uma dor de cabeça surgem do nada e me pegam desprevenida. Os remédios estão dando efeito e estão me preparando para usar os mais fortes da quimioterapia, a radioterapia também vem tendo resultados significativos, e a notícia da minha melhora, eu percebi, está alegrando Kentin.

            Mas eu tenho medo.

            “Estou ficando melhor, todos dizem isso, então porque não me sinto... Melhor?”, pensei, abraçando minhas pernas e deitando minha cabeça sobre os joelhos unidos. Claro que meu corpo está mais forte por causa do tratamento, mas algo ainda me incomoda, e não estou falando de dores físicas.

            Para ser sincera, não sei o porquê de eu estar com medo.

            Eu poderia ter passado a noite revirando minha cabeça atrás da resposta, se a governanta não tivesse aparecido.

            – Madame, o senhor voltou – ela sussurrou, apenas seu rosto estava dentro do quarto.

            Meu coração palpitou ao receber a informação, meus pensamentos se calaram e meu corpo saltou da cadeira de frente ao computador. Atravessei o quarto e ignorei, sem querer, os empregados que me ofereciam boa noite e faziam mesuras de respeito; desci as escadas e finalmente o encontrei na sala de estar, lindo como sempre.

            – Ken! – gritei e saltei para ele logo em seguida, mas Kentin não estava preparado então nós dois quase caímos no chão.

            – Meu Deus, Mel, você quer me matar do coração? Pensei que estivesse dormindo... Ai...– Kentin gemeu, o impacto com o chão deve tê-lo machucado.

            – Desculpa... – falei enquanto massageava suas costas.

            Kentin então me observou em silêncio, com um sorriso constrangido e fofo no rosto, ele ergueu a mão esquerda e começou a acariciar meus cachos alaranjados e bufantes.

            – Dessa vez você demorou mais do que o normal – eu reclamei fazendo biquinho com a boca.

            – A senhora Tiffa não foi uma companhia agradável para você nesses dois dias? – Kentin perguntou em tom de brincadeira, mas eu não estava brincando, então lancei lhe um olhar afiado. Ele encolheu – Desculpa, é que eu estava negociando sua estadia num hospital russo e...

            – Outro hospital... Em outro país? Pensei que fôssemos passar mais tempo aqui, mas já vamos nos mudar de novo? – eu me afastei, não consegui esconder a decepção.

            – Vamos morar num lugar fixo quando você estiver saudável – Kentin disse, usando a mesma frase de sempre.

            – Você não para em casa... Você não dorme direito há dias... Nem mesmo passeamos pelos locais em que ficamos, Ken...

            – Já chega, eu não vou discutir sobre isso de novo! – ele me interrompeu – Sua saúde vem em primeiro lugar, não ligo se vou passar um dia ou um mês sem dormir.

            – Kentin...

            De repente ouvi o toque do celular de Kentin, ele me encarou em silencio por longos segundos antes de suspirar fundo e atender à chamada. Kentin falou em russo com alguém do outro lado da linha, foi uma conversa rápida e concisa, não demorou muito para ele desligar e guardar o aparelho.

            Então Kentin pegou o casaco que a pouco havia jogado em cima do sofá e o vestiu.

            – Vou ter um encontro agora com seus futuros médicos – ele falou, encarando bem o relógio no pulso – Por favor, vá dormir... Eu volto pela manhã.

            Ele já estava bem próximo da porta, quando eu peguei meu sapato e joguei em sua cabeça.

            – Kentin! Você vai adiar esse “encontro”, agora! – eu mandei.

            Kentin passou a mão na cabeça machucada e depois pegou minha sandália, então andou até mim e me calçou.

            – Não posso fazer isso – ele falou enquanto ainda me calçava.

            Eu me agachei para ficar da mesma altura que ele e peguei seu rosto com as mãos.

            – Você pode sim, só não quer... Me enfrentar, covarde – balbuciei – Esqueceu que ainda posso te obrigar a pagar flexões?

            Kentin não conseguiu segurar o sorriso, e nem as lágrimas. Eu também não.

            – Senti sua falta, nesses dois dias – Kentin murmurou, seu rosto ainda entre minhas mãos.

            – Eu também – sussurrei, depois aproximei meus lábios nos dele e o beijei devagar, apenas para senti-lo – Vem pra cama comigo.

            Ele se levantou e me colocou em seu colo, então me carregou até o nosso quarto e me pôs na cama devagar. Se as empregadas me tratavam como se eu fosse feita de porcelana, Kentin me tratava como se eu fosse feita de vidro ultrafino. Suas mãos contornavam cada curva, cada centímetro do meu corpo, tirando minhas vestes, despindo-me completamente ; seus lábios vagaram da minha boca até meu pescoço e prosseguiram descendo, lambendo meus seios, contornando os mamilos e me fazendo gemer.

            Meus quadris se levantaram involuntariamente quando Kentin abriu a calça, revelando-se e me incitando ainda mais. Gemi alto quando ele entrou em mim, o segundo gemido foi abafado pela sua boca na minha, num beijo molhado e quente enquanto ele se movimentava para trás e para frente, entre minhas pernas. Por ultimo, enrolei meus braços em seu pescoço e o prendi ali, como se eu estivesse dizendo “Você não vai sair daqui tão facilmente. Você é meu”.

            Mesmo depois de ele ter me feito atingir o gozo, continuamos juntos, encaixados, ainda que ofegantes e cansados. Kentin passou horas me observando em silêncio, apenas com uma mão acariciando meus cachos e bochechas, como se estivesse admirando uma obra de arte; mas o cansaço logo o venceu e ele caiu num sono profundo.

            Eu fiquei acordada por mais algum tempo, observando-o dormir. Reparei em suas olheiras e me dei conta do quanto seu rosto parecia mais relaxado enquanto dormia, de repente um sentimento de culpa me atingiu e eu comecei a chorar.

            “Vamos morar num lugar fixo quando você estiver saudável” ele havia dito.

            “Mas Ken, nós dois sabemos que isso nunca vai acontecer”

            Sim, os remédios estavam fazendo efeito, a radioterapia diminuiu bastante o tumor, mas até esses grandes oncologistas que estão me tratando já sabem que não tem volta, é por isso que Kentin está negociando para me levar para a Rússia. No entanto lá eu receberei o mesmo laudo dos médicos, meu destino já está traçado, mas o Kentin não quer escutar.

            Ele não quer acreditar porque eu, provavelmente, sou tudo o que ele tem, e depois que eu for não haverá alguém para abraça-lo. Agora eu sei por que estou com tanto medo. Eu temo deixa-lo sozinho.

            

            


Notas Finais


Música: https://www.youtube.com/watch?v=BPKFfcomdZA

Então???????? Comentem tudo o que vocês acharam, sentiram, teorizaram.... Hahahaha Quem é o traidor? Qual é a do Viktor? Lorenna é suspeita? O que vai acontecer? ahahahahahahahahah Muitas perguntas, muitas tretas, você vê toda sexta, sábado ou domingo, no Globo Dandelion ahahahahhaha gente tô meio doida hoje, relevem ahahahahaha
Kissusssssssss


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