História Dangerous - Capítulo 16


Escrita por: ~

Postado
Categorias MasterChef Brasil
Personagens Ana Paula Padrão, Henrique Fogaça, Paola Carosella, Personagens Originais
Tags Farosella
Visualizações 210
Palavras 2.480
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oii amorzinhoss..
Prontos para descobrirem segredos? Vamos lá!
ps: portunhol proposital. Ignorem errinhos gramaticais.
Aproveitem o cap.
💔

Capítulo 16 - Moneda


p.o.v Paola

 

- Eu era uma pessoa feliz, quer dizer, eu costumava ser uma pessoa feliz, até o solstício daquele verão...

 

Argentina, 12 anos atrás.

 

Meu irmão mais velho Erick era nosso patriarca, ele fora obrigado a assumir esse papel depois que nosso pai morrera assassinado a muitos anos atrás. Erick era desprezível, mas no fundo, no fundo eu até que o entendia, ou tentava pelo menos. Com todo aquele fardo que meu pai havia automaticamente “deixado” a ele não haveria como ser diferente. Eu tentava levar minha vida mais branda e normal possível, carregando o sobrenome que carregava as vezes era impossível.

Ser uma das poucas Carosella’s que sobraram na Argentina era um fardo e não uma coisa qualquer.

Era entardecer e minha casa estava em polvorosa. O lugar estava repleto de amigos e desconhecidos, meu irmão adorava aquelas extravagancias. Via minha mãe cutucando o prato de comida tristemente e sozinha num canto da enorme mesa de madeira da sala de jantar e me lembrara que toda vida fora assim, não gostava de muitas conversas ou longos diálogos e eu sabia que se ousasse ou tentasse me aproximar me daria um fora.

Ela era complicada.

Eu ouvia tudo ao meu redor. Desde os altos boleros a risadas e batidas de taças e copos de cervejas. Os homens falavam algo sobre quem era melhor, Maradona ou Pelé? E eu me questionava aquilo também, mas sério, aquela pergunta já era BEM ultrapassada. As mulheres entravam em fricotes toda vez que o garçom bonitinho as olhava ou simplesmente caiam naquela mesma realidade patética e falavam de esmaltes e Dolce&Gabanna e eu continuava a ouvir tudo aquilo atentamente revirando meus olhos. A verdade é que eu era um bicho das trevas, não me dava muito bem com aquele mundinho que meu irmão queria me botar. Olhava a minha volta e via Erick fumando seu charuto Cohiba Behike e eu conversava aleatoriamente com a “esposa oficial” dele, ela era Brasileira e eu a adorava, embora tivesse pena dela, coitada.

Mas, em todo mar calmo demais sempre vem uma onda ou tempestade para desestabiliza-lo, não é? E foi justamente aquilo que aconteceu.

A fumaça do charuto de Erick me chamou ainda mais a atenção quando senti olhos azuis, azuis como a cor do mar caírem furiosamente em cima de mim e automaticamente o que era para ser o meu “mar calmo” se transformou no “triangulo das bermudas”, perigoso, evasivo e o pior, desprezível.

Jason Lowe, aquele mesmo homem que a dias vinha me rodeando como um maníaco obsessivo estava ali novamente e eu só queria desaparecer. Ele vinha em minha direção e eu já me mexia desconfortavelmente na cadeira, embuste de homem!

-Boa noite, senhoritas. – Aquele idiota nos disse com seu sotaque todo embrulhado, mas até dava para entender alguma coisa.

-Olá Jason, boa noite. – Rosangela respondeu simpática, as vezes eu gostaria de ser como ela.

Senti sua cotovelada em meu braço me instigando a cumprimenta-lo.

-Hola, Jason. – Respondi seca sem o encarar.

-Tenho uma reunião agora com seu irmão, mas espero te ver mais tarde.

-Yo voy estar dormindo, con certeza! – Sorri falsa.

-Haahahahah, va con calma Jason, ela es arisca! – Erick chegou rindo e eu o encarei feito um demônio.

-As ariscas são as melhores. – Me encarou lascivamente. – E eu gosto de desafios, caro Erick.

Reverei os olhos, eles me cansavam. Era óbvio que ele me tratava como um pedaço de carne e aquilo me irritava, mas o que me irritava ainda mais era meu irmão. Babaca. Continuei ali sentada vendo o mundo girar ao meu redor e eu não poder fazer nada para melhora-lo, minha vida era patética. Erick, Jason estavam entretidos em alguma conversa sobre negócios e logo saíram para terem mais privacidade. Nem liguei, não me interessava mesmo. Mas aquele quadro mudou quando vi minha mãe, minha quieta e flagelada mãe os seguindo.

Ah, aí eu liguei. E na surdina da escuridão, fiz o mesmo.

 Eles foram para o antigo escritório de meu pai. Era uma sala rustica assim como toda a casa, obvio que haviam muitas de suas armas, cabeças de animais e bebidas, obvio, mas nada de tão sublime, era apenas a sala de um “machão” e aquilo me soava patético. Continuei firme e com a respiração baixa enquanto observava e ouvia tudo perfeitamente bem pela janela de fora da sala, e aquilo era cada vez mais intrigante.  Jason parecia tão confuso quanto eu ao ver minha mãe ali também, que merda era aquela?

-Erick... O prazo era até o fim do mês passado, ce ta de tiração comigo mano! – Jason estava bravo pelo visto, dizia coisas que eu nem sabia o que significava, seria alguma língua nova?

-Lo-lowe, yo já disse que fiz o possíble, mas la plantacíon no... – Erick estava desestabilizado, como assim estava desestabilizado? Era meu irmão mesmo?

-VOCÊ ME DEVE UM CARREGAMENTO DE 600 MIL DOLARES!!! – Jason gritou.

Puta que pariu, 600 mil dólares? Agora eu entendia tamanho nervosismo. Será que Erick havia feito aquela dívida em jogo? Meu coração batia forte, eu estava nervosa.

-Yo sé, nuestras planaciones fueron pegas pela federal e sobrou mui poco..

Federal? Plantações? O que Jason queria com as nossas plantações de trigo?

-ESCUTA... –Jason colocou um revolver, UM REVOLVER na cabeça de Erick. Foi inevitável eu não tapar o gruído que saiu de minha boca. -  VOCE ME DEVE UM CARREGAMENTO DE COCA DE 600 MIL DOLARES SEU VACILÃO, E EU TO AFIM DE RESOLVER ISSO RAPIDINHO, ANTES QUE MEU AMIGUINHO 38 RESOLVA POR MIM!!!

Coca? Revolver? Meu irmão na mira de um revolver? Muita informação pra minha cabeça. Mas a pior delas era apenas aquela... “coca, coca, coca” mentiram para mim a minha vida toda quando me diziam que a família sobrevivia das plantações de trigo. Com a mao ainda abafando meu soluço e minha respiração eu limpei as lagrimas e continuei escondida em meio a escuridão daquela janela, Dios, como era difícil descobrir que mentiram para você a vida toda...

-Baje esta arma Jason, no vas hacer nada con ela; no dentro de mi casa. – Ouvi quando MINHA MÃE, que até o momento eu nem lembrava que estava ali, disse calma e eu me espantei, o que significava aquilo?

-Escuta, coruja velha, eu não fiz negócios com você, fiz negócios com seu filho então da licença. – Jason respondeu ríspido e pude ver o sorrisinho no rosto de minha mãe.

-No, você fez negócio conmigo... ele és só un peón de mi, digamos, juogo de xadrez. Ele faz o que yo mando.

Parada. Estática. No chão. Era assim que eu me encontrava. Minha mãe, minha mãezinha que eu achava ser uma santa imaculada era a “chefona” daquele esquema todo que eu nunca ousaria sonhar.

Eu me sentia traída, suja até a boca de tantas mentiras.

- Sra. Carosella, quem te vê não fala...

-Va directo al punto, Lowe.– Ela respondeu ríspida.

-Já que vocês não têm o bagulho, eu quero meu dinheiro pra comprar em outro lugar! Ta em falta e eu preciso importar pro Brasil, não vou ficar com um prejuízo desse!

-Yo no te voy te dar 600 mil reales esta fuera de cogitación! No voy!  - Ela respondeu brava com aquele mesmo sorriso irônico que lembrava o meu, um lado de minha mãe que eu não conhecia.

-Então como vamos resolver? Eu quero meu dinheiro e nosso gordo amigo quer ficar com a cabeça no lugar, e ai? O que fazemos? –Jason dava leves coronhadas na cabeça de Erick que parecia estar se borrando.

Que reviravoltas na história em que fui construída, pelo amor de Deus! Minha vida era uma farsa!!!

-Tire esta arma da cabeza de mi hijo, Lowe. – Minha mãe, se é que eu ainda conseguiria a chamar assim depois de tudo, disse com a mesma calma de sempre.

-Filho? – Jason virou-se para ela abruptamente com uma expressão sacana no rosto. – Filha. – Sorriu e eu senti minhas pernas bambearem. – Sra. Carosella, você tem outra coisa fora a coca o dinheiro que me interessa aqui, é melhor do que qualquer outra droga...

Vi Jason abaixando a arma da cabeça de Erick e se aproximando de minha mãe que sorria satisfeita.

NÃO, NÃO, NÃO, NÃO, NÃO! POR FAVOR NÃO!

-Acho que ahora estamos começando a hablar mejor. – DESGRAÇADA! – Erick, vá chamar Paola, está na hora dela assumir a parte dela nos negócios da la família.

Sorrisos satisfeitos, Erick saindo, minha vista escurecendo e meu corpo no chão. O solstício havia se completado minha vida havia acabado juntamente com o sol daquele dia.

Yo havia acabado de me tornar a moneda de troca entre Jason Lowe e la Família Carosella.

 

Ahora.

Observava seus olhos escuros pregados em mim escutando cada palavra. Observava a fúria em seu olhar e os punhos serrados, sabia que estava com raiva, mas também sabia que estava atento.

Ele era único.

-Naquela noche yo no perdí solamente mi liberdade, perdí a mi madre que achei que era a persona más inmaculada do mundo, perdí a mi hermano que descobri ser un pau mandado e nunca mais vi mi cuñada. Naquela noche yo descobri que fue engañada toda mi vida e perdi mi familia, quer dizer, eles se livraram de mí. Me deram como moneda de troca en un acuordo millionário con Jason que dura hasta hoy. – Respirei fundo e fechei os olhos com as lembranças me corroendo como um veneno mortal.

-MANO, MANO, MANO, COMO PUDERAM FAZER ISSO COM VOCE? PUTA QUE PARIU! – Henrique se levantou e começou a andar de um lado para o outro, estava descontrolado. – ESSE VELHO É DOENTE PRA ACEITAR UMA COISA DESSAS? ELE TE FEZ ALGO MAL? DIGO, NO COMEÇO? PORRA, MAIS AINDA?

-No... al principio ele era diferente, razoavelmente diferente. No fue de todo un ruim, na verdade. Cuando me tirou de Argentina, ele me perguntou o que yo más queria e me recurdo até hoy mi respuesta “Ser libre” e de fato, ele me dio una cierta libertad. Casamos en papel e luego despues en Vegas, patético no? Viajamos todo el mundo... Londres, Caribe, Francia, Venecia, Grecia, L.A, Italia ... até Orlando – meu olhar parou em algum canto por algum tempo ao me lembrar de quando Jason ainda conseguia me fazer sorrir. – E aí veio o Brasil, e junto con ele mi jaula de oro, en la cual Jason me prendió e nunca más soltou.

Sai de meu transe existencial por um barulho, na verdade mais um barulho de vidro se quebrando. Fogaça, claro. Ele andava de um lado para o outro pelo apartamento de Vitor. Estava descontrolado. Eu estava sentada de pernas cruzadas e com uma camiseta dele, já que ele fizera o favor de rasgar meu único vestido, mas a questão não era aquela, a questão era: eu abri meu coração para ele e estava vendo os resultados daquilo estampado em carne, osso e tatuagem a minha frente.

-PORRA! – Ele exclamou alto e pude perceber a pequena mancha de sangue alastrando o carpete vinda de seu pé.

-Você tiene que calmarse, já está até se machucando.

-EU NÃO VOU ME ACALMAR! –Me respondeu bravo e me assustei. – PORRA! Me desculpe, eu só... Paola mano, eu não sei o que pensar depois de tudo isso... – socou o ar algumas vezes e sua frustração era compreensível, não era fácil ouvir que alguém fora dado como moeda de troca em um acordo milionário.

Não era.

Respirei fundo e o olhei por alguns segundos. Aquele grande e tatuado homem que era o pivô de minhas mais fantasiosas loucuras estava basicamente quebrando o apartamento (que nem era dele) por minha causa, e aquilo só me deixava ainda mais louca por ele.

Aquilo sim era um problema.

-No tienes tem que pensar, Fogaça. – Me levantei e fui até ele que respirava pesadamente. – Yo no puedo mudar mi pasado ou o que mi família me fez, mas já aconteceu, passou. Yo también no puedo mudar mi futuro que es ser esposa do Jason, soy parte de un acuerdo, mas yo puedo viver mi ahora, que es tú, ou sea a mejor coisa que já aconteceu em mi  vida... – colei nossas testas e aquela mesma droga de lagrima insistiu em cair enquanto sentia as mãos dele repousarem nos ossos de meu quadril. – Es sólo tú.

-Eu não sei o que eu vou fazer mano, sei lá se o seu marido, velho, maldito, mafioso me matar ou mandar dá conta de mim.... Eu vou dá um jeito Paola, mas eu vou ficar perto de você, ta me entendendo? Eu não vou ficar sem você, eu te a...

O silenciei com o dedo indicador.

-Xiiii... No diz eso. No estrague as cosas dicendo eso. Todos que já me disseram eso me abandonaron ou... –era difícil admitir, por todos aqueles anos levar surra de Jason não era fácil. – Ou fizeram cosas horribles después...

 -Eu não sou eles. E eu não vo ser um filho da puta que nem foram com você, que nem o seu marido é com você! – Vi a raiva resplender em seus olhos novamente. – Eu to contigo, e vou fazer o impossível pra continuar.

-Gracias. – Eu sussurrei baixinho sorriso fraco de olhos fechados.

Ele capturou meus lábios que ainda doíam e acho que ele notara aquilo, pois parou insistentemente aquele beijo maravilhoso.

-Ele te bateu e machucou seu lábio não foi? É por isso que você sente dor toda vez que eu te beijo. –Vi uma lagrima surgindo no olho dele, ódio com certeza.

-Fue no dia que yo o chamei de moleque...

-NÃO JUSTIFICA! EU VOU MATAR ESSE VELHO! – Henrique se descontrolou novamente e socou o ar algumas vezes.

-No pense nele ahora, ahora não! Deja esto para después, por favor. Ele está viajando, tenemos momentos só para a gente. – O abracei pelas costas tentando o acalmar, de fato era o melhor a se fazer.

-Você tem razão, mas isso ainda não acabou. – Me abraçou fortemente beijando o topo de minha testa.

Eu poderia morar naquele abraço tatuado, nunca iria reclamar.

-Una noche de segredos.... Tienes algum?  – Eu perguntei calma e ele me largou subitamente e ficou nervoso.

O que foi? Eu disse algo errado? Não entendi a reação.

-Meu maior segredo é que tenho fome, vai uma pizza? Come calabresa? Eu vou pedir, deve ter algum cardápio por aqui. – Fogaça dizia rapidamente enquanto revirava alguns papeis muito provavelmente atrás do maldito cardápio.

-Pizza... es bueno. –Respondi aérea.

Depois de TUDO que eu havia contato, depois de TUDO que eu havia exposto eu sentia como se ele escondesse algo de mim. Sentia que não queria que eu soubesse mais sobre ele, ou ALGO sobre ele.

O que não seria novidade, as pessoas me esconderem coisas.

Peguei o telefone que ali havia e sem que ele percebesse disquei o número de Ana Paula que me atendeu ofegante, safada, e em meio a meu fluxo de sentimentos e desespero tudo que consegui dizer foi

-Apartamento do Bourguignon, vem buscarme ahora! 


Notas Finais


Comenteeemmmm..
Obrigada até aqui. bjss. 💋


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