História Dark, Cold and Hazy - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Categorias Selena Gomez, Shiloh Fernandez
Personagens Personagens Originais, Selena Gomez, Shiloh Fernandez
Tags Amor, Crime, Fama, Mentiras, Selena Gomez, Shiloh Fernandez
Exibições 30
Palavras 7.685
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


olha quem voltou e voltou de férias \o/
tenho uma boa (ou não) notícia: esse é o maior capítulo até hoje
não conseguia parar de escrever!!!

Capítulo 22 - Acenda um cigarro, queime os meus pulmões com a sua fumaça.


Fanfic / Fanfiction Dark, Cold and Hazy - Capítulo 22 - Acenda um cigarro, queime os meus pulmões com a sua fumaça.

 

Trabalhei na terça-feira de manhã e almocei com Jennifer e Jake, por conta do Dia de Ação de Graças tivemos a semana livre para poder visitar nossas famílias. Á noite desembarquei em Dallas e matei a saudade que estava da pequena Gracie.

Na quarta bagunçamos a sala e ouvi Amanda chamar-me de infantil, mas não demorou muito para ela se juntar as filhas. Almocei com o meu pai e ouvi os seus planos para as festividades, fiquei feliz pelo seu casamento estar estável.

Na quinta acordo cedo para ajudar mamãe com os preparativos do almoço e jantar, Francia me liga e pergunta como estou, minto e digo que estou bem quando a resposta mais adequada seria “estou me arrastando para ficar bem”. Ela me conta que está na Austrália, vai passar o feriado com a família do Harlow, fico feliz por pelo menos uma de nós ter se dado bem com o relacionamento.  

Recoloco o chapéu em Gracie apesar de ela teimar em tirar, o sol não está quente, mas prefiro não arriscar; Priscila diz que eu sou cuidadosa demais. Minha prima compra um algodão doce para si, o que me obriga a fazer o mesmo para a minha irmã. Meu celular vibra no bolso e com um pouco de dificuldade pego-o, mensagens do Luke.

"Não some! Você me deixou mal, eu menti por você"

 "Por que não consegue me perdoar?"

 "Eu tentei ser outro alguém por você"

"Se eu tivesse feito diferente ainda estaríamos juntos?"

“Acho que nem teríamos começado”, é o que penso em enviar, mas opto por ignorar e não abrir o chat, ele não precisa saber que visualizei. Se no começo ele tivesse me dito quem era eu teria fugido no primeiro segundo, o que ele não entende é que não se trata mais da sua mentira ou das traições, o problema agora é inteiramente ele.

Nesses dois dias me desconectei das redes sociais e liguei o celular apenas essa manhã, eu precisava de uma pausa. Não contei quantas ligações do brasileiro tinham, nem li suas mensagens, apenas apaguei os registros.

− Não vai parar de ler a mensagem, não? – Priscila ri, noto que ela tem razão e coloco o aparelho no colo. – Era ele, não era?

Suspiro e abaixo a cabeça.

– Sim.

Eu sei que ela me olha com pena.

– Olha, prima. – encaro-a. – Eu não sei o que ele fez, mas você não me parece feliz longe dele.

– E eu não estou, – balanço a cabeça. – mas o passado dele não me agrada, Pri. Eu me encontro confusa toda vez que penso nele e isso me exausta, sabe? Eu tenho tantas dúvidas que não cabem em mim.

– Selena, não se julga alguém pelo passado, as pessoas mudam. – ela realmente acredita nisso? – Mas um relacionamento com dúvidas só serve para trazer sentimentos ruins e uma dor de cabeça de bônus. Seja clara quanto ao que te incomoda e se nada mudar... Sinto muito, prima, mas acho melhor terminar de vez.

Acho que não tem mais volta, eu pedi um tempo quando na verdade deveria ter terminado. Em todas as nossas conversas e discussões Luke deixou claro que não pretende abrir mão da Marie, e estupidamente nem de mim. Pergunto-me qual é o propósito disso, para que gerar uma guerra por um motivo completamente fútil e egoísta? Por que é tão difícil aceitar que ela não o ama mais? Ele não deveria se preocupar com isso quando tem o meu amor.

Acho que o certo é dar ouvidos ao Carter e a Camila, eles sabem o quão doente o Luke é e eu falo no sentido literal. Não há outra explicação para essa situação, perseguir a ex dessa forma é extremamente preocupante. Ou o poder deixou-o tão orgulhoso a ponto de não aceitar um “não”, ou ele precisa de tratamento.

A essa altura eu já nem sei o que achar, a única certeza que tenho é que preciso pensar mais em mim. Marie já está familiarizada com esse mundo violento, mas eu não – tudo o que já fiz foi ter tido algumas aulas de tiro com o meu tio e Logan –, então eu sobreviveria ao perigo que é rejeitar Luke? Ele também transformaria minha vida em um inferno? Começo a me colocar no lugar de Marie.

Talvez eu deva ouvir a versão da minha prima, ainda não esqueci o que fez com Talita, mas eu preciso saber quais são as atitudes do Luke nessa briga. Quanto mais motivos eu tiver para ficar longe dele, mais forte eu me manterei na decisão.

O único lado inocente é o meu.

Sinto-me decidida, eu vou me afastar dos dois.

– É, acho que tem razão.

Olho para Gracie e arregalo os olhos, a garotinha brinca com o meu celular em mãos.

– Foi vacilar. – Priscila ri.

– Merda, Gracie! – murmuro quando noto que ela abriu a conversa. – Ela visualizou as mensagens, Pri.

– Bloqueia o celular antes que ele comece a falar.

Eu faço o que digo, mas é questão de segundos para o aparelho tocar.

– É ele, o que eu faço? – olho desesperada para a minha prima.

– Atende e seja sincera.

Queria que soubesse que não é fácil assim.

– Fica com ela. – tiro Gracie do meu colo e coloco-a nas pernas de Priscila, levanto-me. – Alô?

Por onde você esteve? Eu te liguei feito um louco!

Suspiro.

– Não estamos dando um tempo, Luke?

Quer dizer que eu não tenho nem mais o direito de saber como você está?

– Sim, é exatamente isso. – sou rude.

Anjo, eu só costumo fazer o que gosto e eu gosto de amá-la, mas agora você fala com um homem de coração partido.

– Você fala com uma mulher a qual o coração já se partiu tantas vezes que agora falta metade dele.

Então deixa eu dar metade do meu para você? – isso me afeta e muito. – Não me tira da sua vida, por favor.

– Eu só preciso pensar, por que você não me deixa pensar?

Porque você vai se dar conta do merda que eu sou e vai embora.

– Eu só preciso de um tempo para mim mesma, só isso.

Eu sou tão errado para você, anjo. Não posso deixá-la pensar muito, você irá notar que merece coisa melhor. – respira fundo. – Estive entre o certo e o errado por sua causa e eu estive pensando em mudar, eu sei que já devo ter dito algo parecido antes, mas você pode me mudar, anjo. Eu estou pronto para isso.

– Te amar não está me fazendo bem. – eu quero chorar. – Será sempre assim? Amar você é complexo demais.

Eu farei ficar fácil, agora é para valer.

Eu solto um riso, é claro que eu não acredito nele.

– Eu não tenho estabilidade mental para voltarmos agora.

Você só precisa me perdoar. – pausa. – Por favor.

Queria que o meu perdão pudesse mudá-lo, queria que pudesse apagar as barbaridades que já fez, queria que pudesse me dar amnésia. Eu amo um homem profundamente e nem o conheço.

– Por favor, não me ligue mais.

Espera! – pausa. – Fique comigo essa noite.

– Você sabe que eu não posso fazer isso.

Caminho em direção a um banco, mas um casal de velhinhos senta antes de mim e é linda a maneira como se olham. Em pensar que já foi fácil me imaginar assim com o Luke, hoje quando penso no nosso futuro eu não vejo nada.

 – Não me ama mais?

– Nunca disse isso.

Mas está parecendo.

– Ouça, só está sendo difícil para mim digerir o quanto você é imperfeito. Parece que eu estou sentindo o peso dos seus erros ao invés de você, as coisas que você já fez...

Eu não sou mais o mesmo cara, todos os erros eu deixei para trás. Eu era cego antes de ver o mundo pelos os seus olhos. – imagino-o franzindo a testa. – Me dê uma chance, nos dê uma chance.

– Talvez, só não será hoje.

Quando estou preparada para desligar suas palavras me impedem.

Eu me mato! – arregalo os olhos. – Se você não vier... Eu me mato.

Uma onda de desespero me atinge, é como se todo o pânico existente se alojasse em meu peito e eu não sei como tirá-lo. Luke consegue me deixar para baixo, mas perdê-lo para morte não é algo que eu aguentaria. Só de imaginar sinto um enorme bolo se formar em minha garganta, se ele se fosse estaria levando a minha alma com ele.

– Luke, calma. Vamos... – eu não sei o que dizer, ele me interrompe.

Já brigamos outras vezes, mas agora é diferente. Eu estou perdendo as minhas forças, porque o que me abastece é o seu amor e ele está acabando, eu sinto que está. – sua voz estremece. – Os meus dias têm sido uma merda, porque eu não tenho você. Eu me culpo por tê-la magoado, eu a perdi. Eu sinto tanto a sua falta, anjo.

– Eu estou longe, Luke. – sou cautelosa. – Não posso ir agora.

Eu tenho medo da nossa separação ser definitiva, isso tem me atormentado. Só você me acalma, eu preciso que me acalme. Eu me sinto tão sozinho, eu estou pirando. – ele diminui o tom de voz, eu temo suas próximas palavras. – Por favor, diz que me ama. Eu não posso perdê-la, anjo, não aguentaria.

Seria certo deixá-lo quando ele mais precisa de mim? É pecado machucar alguém de luto?

– Você sabe que eu te amo. – fecho os olhos, eu estou chorando.

Fique comigo só essa noite, depois eu prometo que a deixarei pensar. – eu sinto o desespero em sua voz e isso me aflige. – Eu não sei o que está acontecendo comigo, mas só você é a cura.

– Luke... – encontro-me completamente perdida, minhas palavras podem ser o gatilho. – Podemos nos ver depois do feriado, o que acha?

Tem que ser hoje! – ouço um barulho, ele parece quebrar o que vê pela frente. Meu corpo estremece. – Se eu não puder vê-la essa noite eu vou me matar e levar a Marie junto, assim não haverá ninguém para tentar te ferir.

– Você está nervoso, por favor, não faça nada. – eu estou desesperada, soluço. – Me feriria vê-los mortos, por favor, não me diga isso.

O medo dilacera cada célula do meu corpo.

Olha o que eu estou fazendo com você! – ele parece exasperado. – Estou te machucando, não estou?

– Não, não está! – céus, eu não sei como agir. Sinto medo, angústia, pavor. – Me machucaria vê-lo morto.

Anjo, é a coisa certa a fazer. – ouço movimentações, isso me preocupa. – Você não quer vir, porque não me ama mais.

– Luke, onde está o Michael?

O desespero embaça a minha visão, mal consigo me manter em pé.

Eu prefiro morrer a não tê-la, não vale a pena viver se não for para ser amado por você.

– Luke, eu amo você! – grito, não me importo em receber olhares curiosos. – Não faça nada, por favor. Ouça o que eu estou dizendo!

Anjo, eu amo você. Desculpa por tudo, eu nunca quis machucá-la. Ade...

– EU VOU! – caio sentada no chão, só agora Priscila nota que algo está errado. – Eu vou, ok? – eu choro sem parar, é difícil respirar. – Você promete que vai me esperar?

Eu estou deixando-a livre, anjo. Você só precisa vir se quiser, se não me ama mais...

– Eu amo. – soluço, eu sinto tanto medo. – Você vai me esperar, não vai?

Ama mesmo? – ele parece tão frágil.

– Sim.

Você vem que horas? – imagino-o sorrir, eu tento fazer o mesmo, em vão.

– Vou comprar uma passagem e te aviso, tudo bem?

Onde você está? Eu posso ir ai.

Não! Ele está visivelmente desequilibrado, não posso trazê-lo assim para perto da minha família.

– Eu quero ir para aí, você deixa?

É difícil escolher as palavras, Priscila para a minha frente completamente preocupada com o meu estado.

– Selena, o que houve? – balanço a cabeça e peço-a para esperar.

Você vem mesmo?

– Isso é uma promessa. – respiro fundo.

Eu vou te esperar, anjo.

– Mandarei mensagem.

Quero mantê-lo ao telefone, tenho medo de mudar de ideia e colocar em prática o que me disse, eu me sentiria culpada pelo resto da vida.

Eu amo você.

– Eu também. – comprimo os lábios, espero-o desligar.

– Eu estou preocupada, o que...

Minha prima nem se dá o trabalho de terminar quando me vê cair no choro, ela balança a cabeça e me abraça, Gracie pede para eu não chorar e é a única coisa que me faz soltar um riso.

Vejo-me gritando, mas a voz não sai. Ouço apenas aqui dentro, é um grito silencioso.

Daqueles que mais dói.

Espero meu rosto desinchar para poder voltar para casa, Priscila me cobra explicações, mas posteriormente aceita o meu silêncio. Converso com minha mãe e peço desculpas por ter que voltar antes do jantar de Ação de Graças, invento que só me informaram agora que eu terei que trabalhar amanhã cedo.

– Podemos jantar mais cedo e você pega o voo um pouco depois. – sugere.

– O voo pode atrasar, fora que eu chegarei cansada. – argumento. – Eu prefiro não arriscar, mãe.

Amanda me olha desconfiada, mas mantem-se compreensiva.

– Não tem problema, meu bem. – sorri. – Chamarei seus tios e avôs para almoçarmos juntos, você não perderá nada.

Abraço-a.

– Eu amo você.

– Eu também te amo.

Uma hora depois estávamos todos reunidos à mesa agradecendo pelas conquistas do ano e pela família reunida, oro por Talita. Brian fatia o peru, mas quem distribui é mamãe. Como todo ano eu me delicio com o tempero de Amanda, sempre amei o recheio dos seus perus. Observo minha família rir das gracinhas de Gracie e falar besteira, gargalho de uma maneira que não tenho feito na última semana e noto o quanto sinto a falta de todos eles.

Quando me perguntam sobre Marie invento que passará o feriado na casa da amiga, eles não sabem que brigamos. Tenho vontade de mandar mensagem para Luke a cada cinco minutos só para ter certeza de que está vivo. Olivia não está na mansão, tampouco Michael, o que me deixa angustiada.

É bom estar em casa, sentir-me segura e amar sem medo. Eu sinto que estou no lugar certo, com pessoas que eu sei que posso confiar; elas me fazem feliz, e mesmo com toda preocupação eu não estou pronta para ir embora. Abraço vovô que sussurra em meu ouvido o quanto eu sou importante, diz que não quer que isso se repita ano que vem e termina com um “eu te amo”. Gracie chora em meus braços e isso parte o meu coração. Eu recebo amor de cada um deles, um de cada vez, e o “tchau” coletivo faz minha ficha cair de que eu realmente estou voltando para a zona de perigo.

Quase quatro horas depois já encontro-me na Califórnia, é como se o ar estivesse pesado. Luke faz questão de me buscar no aeroporto e eu abraço-o tão forte que perco o ar, ele não está bem e a ameaça de suicídio só veio para me provar isso. Eu estou tão preocupada, eu sinto vontade de cuidar de cada pedacinho do seu ser.

Ele me dá seu casaco e boné, sou obrigada a esconder o rosto em seu ombro para não ser reconhecida. Quando já estamos na rodovia, solto os meus cabelos, mantenho-me apenas com o boné e devolvo o casaco ao dono.

– Você está bem?

Luke para de batucar os dedos no volante, trava a mandíbula e me olha, continuo encarando-o e isso o faz desviar a atenção de volta para estrada.

– Agora estou. – assinto lentamente e estico o braço para fazer carinho em sua nuca. O medo que eu sentia dele dar lugar a preocupação, eu não consigo vê-lo dessa forma e simplesmente deixá-lo, ele precisa de cuidados. – Desculpa pelo meu ataque no telefone, eu...

– Não precisa dizer nada. – interrompo-o. – Eu irei cuidar de você, ok? Tudo vai ficar bem.

– Você está aqui, já está bem. – ele sorri, dou um meio sorriso.

– É.

– Meu pai estaria tocando piano se estivesse vivo. – ele diz assim que saímos do carro. – Não porque é Ação de Graças, é um feriado americano, mas sim por ser dia 27.

Ele entrelaça nossos dedos, deixo-o que me guie pelo jardim.

– Ele tocava todo dia 27?

As luzes estão baixas, mas eu noto com precisão o quanto os seus olhos estão claros, assumem um mel vivo que me hipnotiza. Ele é lindo.

– Não. – solta um riso. – É aniversário da minha mãe, todo ano ele tocava para ela a mesma música.

Sei que a minha expressão denúncia toda a minha surpresa e dor, eu sinto muito por ela não estar aqui.

– Qual era a música?

– Você não vai conhecer, é brasileira. – me olha e eu me encontro completamente encantada com a sua beleza. – “Nosso estranho amor” de Caetano Veloso.

– Eu já ouvi falar dele, no começo do ano ele recebeu ótimas críticas quando veio fazer uma serie de shows aqui. – recordo-me. – Já ouvi algumas músicas, mas não posso mentir e dizer que me lembro de como eram.

– Não sou de ouvir, mas ele é o cara.

Luke tira uma carteira de cigarros e o celular do bolso colocando-os cima da espreguiçadeira junto com um saco plástico que trouxe do carro.

– Por que era sempre a mesma música?

Ele sorri e senta-se, sou puxada para o seu colo.

– Eles se conheceram no show de Caetano, meu pai puxou minha mãe para dançar nessa música.

– E se tornou a música deles. – concluo, Luke assente.

– Mas se engana você se acha que minha mãe dançou com ele.

– Ela não dançou? – abro a boca em sinal de surpresa, coitado do Sr. Parks.

– Não, e ainda mentiu dizendo que tinha namorado.

– Ah, típico! – rio. – Mas como eles se deram bem?

– Um cara tentou beijar minha mãe a força e por sorte meu pai apareceu, quer dizer... Ele diz que foi sorte, mas até hoje acho que ele estava observando-a.

– E ela ficou grata a ele e...

– Nada disso. – ri, novamente fico surpresa. – Ela o acusou de perseguição e até ameaçou chamar a polícia se ele não saísse do pé dela.

– Meu deus! E como é que eles ficaram juntos?

– Só no final do show, o carro do meu avô havia quebrado e chovia muito. – molha os lábios. – Naquela época não havia celular e o beep nem tinha chegado ao Brasil, como ela e as amigas seriam avisadas? Quando minha mãe viu que o meu avô estava demorando demais e como estavam sem dinheiro suficiente...

– Ah, para! – rio jogando a cabeça para trás. – Seu pai apareceu de novo, não é?

Ele ri.

– Ele deu uma carona para elas, toda vez que ela contava a história enfatizava que o meu pai foi um idiota e fez o caminho mais longo. 

Eu gargalho mais.

– Céus! Essa é a minha história preferida.

Quando meu riso cessa noto que Luke me observa.

– Você é tão linda.

Eu sorrio e nego com a cabeça, não consigo encará-lo e a consequência disso é o meu rosto em seu pescoço.

– Eu amo quando fica envergonhada. – ri. – Minha garotinha... – solto um riso e eu peço-o para parar, ele me faz encará-lo. – Eu amo você.

E novamente eu me vejo presa em seus olhos, eu mergulho fundo e prefiro me afogar a chegar à superfície.

– Eu amo você. – repito e sinto os seus lábios nos meus.

– Tire a roupa. – sussurra após o beijo.

– Aqui? – pergunto desacreditada, eu não vou me despir aqui.

– Sim.

– Não mesmo. – nego com a cabeça, ele sorri.

– Vamos, anjo. – desliza a mão para debaixo da minha blusa.

– Alguém pode chegar. – seguro sua mão.

– Estão todos comemorando o feriado. – toca em meus seios.

– Mas você não mora sozinho. – faço uma careta, Luke parece gostar do que disse.

– Elas não moram mais aqui.  – diz com um sorriso de canto.

– Como? – franzo o cenho, eu ouvi certo?

– Vanessa e Ashley, elas não moram mais aqui. – fico calada. – Elas na verdade estão proibidas de pisar na mansão durante um tempo.

Isso explica a ausência de ambas na festa, a última vez que as vi foi no enterro de Talita.

– Elas já tinham pedido desculpa.

– Porque eu exigi. – suspira. – Quando você pediu para eu não castiga-las eu disse que não poderia prometer nada, anjo. Elas mereceram.

Beijo-o para que ele não veja o meu sorriso, me sentirei bem melhor sem elas por perto. Levanto de seu colo e começo a me despir, pelo canto do olho vejo-o me observar atentamente.

– Vai ficar parado? – provoco, de imediato Luke levanta-se e livra-se de suas roupas.

Eu corro quando ele faz menção de me puxar, sua expressão me faz rir e eu pulo na piscina apenas para provocá-lo. O brasileiro me alcança encurralando-me na parede.

– Está tentando fugir de mim?

– Sempre. – mordo o seu lábio, ele sorri e aperta minha cintura com força.

O beijo é urgente, eu não tinha notado o quanto a saudade era imensa. Perco-me quando os seus lábios percorrem o meu pescoço e não entendo quando ele me carrega até a escada. O brasileiro sai da piscina e pega uma embalagem dentro do saco, noto ser lubrificante quando vejo-o passar o gel no pênis, ele já pretendia transar comigo na piscina. Ele faz tudo em uma velocidade incrível e é mais do que aliviador senti-lo dentro de mim. Temos muito problemas, e creio que a maioria seja sem solução, mas nada parece importar quando estamos juntos. Luke diz o quanto sentiu minha falta e me excita com palavras sujas, pendo a cabeça para trás e sinto dois dedos em minha boca, abro os olhos e chupo-os. Transar na água acabou de se tornar a minha coisa favorita.

Após o sexo nadamos um pouco e só paramos por causa da minha fome, Luke sai para fazer um lanche e eu continuo na água com medo de encarar o frio. Sinto-me culpada pelo o que eu o fiz passar, eu sabia que ele não estava bem e mesmo assim me afastei. Se eu não tivesse ligado o celular hoje, ele teria se suicidado? Já estaria ele desequilibrado desde o relacionamento com Marie? Ele fez aquelas barbaridades, porque estava fora de si?

Procuro pensar em outra coisa, deixo o meu corpo boiar e encaro o céu estrelado. De agora em diante eu serei mais paciente, o farei notar que não está bem e o ajudarei a passar por cima disso.

– Já pode sair da água, sereia. – meu corpo afunda, Luke se aproxima com o lanche e uma toalha. – Trouxe toalha para você.

Ele me espera na escada e eu saio da água não evitando dar pulinhos de frio, meu homem ri e envolve o meu corpo com a toalha.

– Obrigada. – digo.

Devoro as torradas e o sanduíche de frango, Luke termina bem mais rápido do que eu e fica mexendo no celular. Observo-o apenas de cueca e de cabelo molhado, e é uma merda ele ser tão irresistível. Não evito pensar que só falta uma coisa para tornar a cena perfeita.

– Acenda um cigarro, – ele me olha, lambo os meus lábios lentamente. – queime os meus pulmões com a sua fumaça.

Luke sorri e deixa o celular de lado, apanha a carteira de cigarros tirando um dali. Observo-o acender e torna-se ainda mais sexy, ele me chama para o seu colo e eu o obedeço, solta a fumaça em minha boca e eu a sugo para então expeli-la.

– Você quer ir para o céu, – alisa a minha coxa. – mas eu me tornei o seu Deus.

Tomo o cigarro de sua mão, ele observa cada movimento meu.

– Isso quer dizer que eu vou para o inferno? – trago.

– Isso quer dizer que juntos bagunçaremos o paraíso.

Eu sorrio e ele me beija, puxa os meus fios molhados e chupa o meu lábio inferior.

– Iremos a uma festa.

– Iremos? – franzo o cenho e vejo-o se levantar, apoio-me no encosto da espreguiçadeira.

– Sim, vou me arrumar e passamos na sua casa para você fazer o mesmo. – dá mais um trago e se afasta.

– Devolve!

– Não vai entrar?

– Quando eu terminar esse eu vou.

Levanto-me para pegar o cigarro de sua mão, minha toalha cai, mas Luke não me deixa pegá-la. Irrito-me e volto a me sentar, ele continua me observando.

– O que foi?

– Você fumando pelada, – balança a cabeça. – é a coisa mais bonita que já vi.

Reviro os olhos e solto um riso, Luke deposita um beijo em minha coxa e após jogar a toalha em meu colo entra na casa.

O local está repleto de garotas rebolando a bunda em cima de caminhonetes, ouço o ranger do motor de carros luxuosos, gritos de apostas e torcida. Apesar de ficar perdida, eu acho que gosto de rachas.

– Diz aí, irmão! – Luke sorri e faz um toque com Jace.

– Por que não apareceu cara? A mãe do Carter fez um puta jantar.

Porque ele estava ocupado demais chorando pela mãe e provavelmente pela prima também.

– Sabe como é né... Não deu. – olha em minha direção, sorrio sem graça. Eu não vou desmenti-lo.

– Que bom que voltaram. – Jace sorri.

– Olá, bebês. – Camila se aproxima com o braço entrelaçado com o de Carter, engulo em seco com a maneira que ele me olha. – Selena, é bom vê-la.

A morena se afasta do amigo e me abraça, eu sorrio.

– Também é bom vê-la.

– E você, teimoso. – dá um tapinha na bochecha de Luke. – Sabe que seria melhor se tivesse ido.

O brasileiro trava a mandíbula e finge que não a ouviu, cumprimenta Carter e os dois se afastam com Jace.

– Que milagre o Carter não falou com você? – Cami ri encostando-se na Lamborghini em que vim.

– Ele deve ter esquecido. – minto, eu sei que não é isso.

– Você sumiu, pensei que tivesse tomado juízo.

– Tomado juízo? – franzo o cenho.

– É, se afastado de vez do Luke.

– Ah... Ele não está muito bem.

– Só agora notou? – solta um riso. – Ele não está muito bem há muito tempo, antes mesmo de te conhecer.

– O que quer dizer?

– Ele esconde bem, não é? – observa-o conversar com os garotos. – Mas hoje não deve está sendo um dia fácil para ele.

– É, eu soube. – balanço o meu salto vermelho.

– Ele te contou? – me olha surpresa, assinto e vejo-a sorrir. Ela está um pouco alterada. – Você faz milagre, menina.

Eu rio da maneira que fala, isso me faz lembrar de Talita.

– Pensei que não costumasse beber muito.

– E não bebo. – desencosta do carro. – Eu já volto, enquanto isso procura o seu juízo tá?

Eu rio e balanço a cabeça positivamente. Você também esconde bem, Cami.

– O que acha de correr comigo? – Luke me puxa para os seus braços.

– Apostar corrida? – assente. – Tipo para valer?

Ele ri.

– Eu prometo que saíra viva e ainda vitoriosa.

– Eu não sei...

– Vamos, anjo. – beija minha bochecha. – Não seja medrosa.

Penso um pouco.

– Só participo se for para vencer.

Ele abre um sorriso lindo.

– Nem precisa exigir, gatinha. – me dá um selinho. – Carter fica aqui com ela, vou me inscrever para próxima corrida.

Sinto um frio na barriga quando Luke se afasta, encaro o grupo em que Jace conversa ao invés de Carter, alguns são brasileiros e eu sei porque já os vi na mansão.

– Pensei que estivesse em Dallas.

– Eu estava. – encaro os meus pés, o silêncio é terrivelmente desconfortável. – Voltei hoje.

Tento continuar a conversa, ele demora um pouco para me responder.

– Ainda está sendo cautelosa por conta do luto? – ironiza, o tom de sua voz me machuca.

– Ele não está bem. – sussurro.

– É claro que não está. – solta um riso descrente e descruza os braços.

– Ele ameaçou se matar, Carter. – finalmente consigo encará-lo, mas a expressão de seu rosto não é a que eu esperava.

– E você acreditou nisso?

– Você está sendo um babaca!

Ele não ouviu tudo o que ouvi, eu senti toda dor e descrença na voz do Parks.

– E você está sendo burra, garota do Texas.

Pela primeira vez não gosto do apelido que me deu.

– Amigos costumam apoiar os amigos mesmo que a decisão do outro não seja de seu gosto.

– Eu costumo me afastar para não ver quem eu amo se afundar. – aproxima os lábios da minha orelha. – Não me faça desistir de você, eu só posso ajuda-la se quiser ser ajudada.

– Quem disse que eu preciso de ajuda? – coloco a mão em seu peito para empurrá-lo, mas ele põe a mão sobre a minha e não se afasta.

– O seu corpo grita para...

– Para? – incentivo-o a continuar, mas ele gira o meu corpo e empurra-me na direção de Luke que ainda se aproxima.

– Entregue, Sr. Parks. – pisca e se afasta.

– Pronta? – meu namorado pergunta com um sorriso, olho uma última vez para Carter.

Respiro fundo e levanto os ombros.

– Tentando ficar.

Luke ri e me puxa para a grade.

– Vamos ver quem será nosso oponente.

O motor da Mercedes range e o carro oponente não se deixa ficar para trás, a garota de salto e short curto posiciona-se entre os carros e com um aceno dá a largada. Luke comenta cada detalhe da corrida, enquanto minha atenção mantem-se em Carter; ele está irritado ou não está? O branquelo da Mercedes ganha e Luke não cansa de enfatizar o quanto vai ser fácil vencê-lo.

– Pensei que só pudesse correr uma vez. – digo.

– Pode correr mais de uma vez com oponentes diferentes. – molha os lábios. – Mas no caso essa dupla optou por competir com o próximo. A Mercedes venceu essa e como eu sou o próximo é comigo que ele vai competir.

– Então se ele vencer de novo e quiser pode continuar correndo? – franzo o cenho, me parece injusto.

– Não, só pode correr no máximo duas vezes consecutivas, depois tem que esperar um tempo.

Ele pede que eu vá para a pista enquanto ele pega o carro, puxo o seu braço antes de se afastar.

– Quantas vezes você já fez isso?

Vejo-o abrir um sorriso orgulhoso.

– Tantas que nem consigo contar.

Balanço o meu corpo por conta do nervosismo, o tão irritante frio na barriga toma conta de mim e o arrepio na espinha piora o meu estado assim que entro no carro; Luke parece se divertir.

– Confia em mim? – brinca com a embreagem fazendo o motor roncar, escondo o meu rosto com as mãos e assinto. – Linda!

Parks me puxa para um beijo e não pretende ser rápido, sua língua entra na minha boca de forma agressiva e eu tento me afastar quando ouço o som da largada, mas sua mão direita me impede. Ele acelera o carro ainda me beijando e ao mesmo tempo em que amo a sensação, morro de medo.

– Você é louco! – gargalho e encosto-me no banco.

– Só estou começando, anjo.

Aperto os olhos com força e seguro no banco apesar de estar de cinto, o frio na barriga aumenta à medida que o carro acelera. Luke gargalha e faz piadinhas sobre o meu medo, abro os olhos a tempo de vê-lo quase ultrapassar a Mercedes, mas o branquelo bate na lataria da Lamborghini. O meu homem xinga o babaca de tudo que é nome, mas em menos de dois minutos consegue ganhar vantagem.

Começo a me familiarizar com a velocidade, a pressão incomoda, mas a adrenalina é maravilhosa. Gargalho e peço para que Luke vá mais rápido, a sensação de liberdade que sinto é indescritível. É como se fossemos eternos.

Ele anda em ziguezague quando o oponente consegue nos alcançar, e o sorriso de diversão em seu rosto é tão lindo que eu esqueço o meu medo. Não entendo o que acontece, mas ficamos para trás para em seguida vencermos de ré. Os gritos são ensurdecedores, muitos apostaram no Parks.

Saio do carro e pulo no colo do meu homem, ele me dá um beijo molhado e diz que venceu somente por mim.

Sentada no capô do carro eu rio das idiotices de um tal de Arthur, funcionário do Luke. Descubro que Michael aproveitou o feriado para visitar a irmã no Brasil e chego a agradecer a sua falta, olhá-lo constantemente me lembraria de Talita.

Camila me oferece uma garrafa de cerveja e me chama para dançar, aceito apenas a bebida. Jace tenta conter a irmã por ciúmes e isso parece diverti-la, me diverte também. Durante minha crise de risos derrubo bebida em minha blusa.

– Merda!

Por sorte molhou mais minha pele exposta do que a regata preta, levanto-me com a intenção de procurar um pano ou lenço dentro do carro, mas rapidamente sou posta de volta ao capô.

– Onde pensa que vai?

– Me limpar. – respondo ao moreno que me encara com uma expressão maliciosa.

– Deixa que eu faço isso para você.

Ele é rápido em abaixar a cabeça e lamber parte dos meus seios expostos pelo decote, acho sexy, mas não consigo deixar de me sentir envergonhada. O grupo de amigos continua conversando como se não estivesse nos vendo, talvez eles estejam acostumados com indiscrições. Luke me beija e puxa o meu corpo para mais perto do seu, envolvo sua cintura com minhas pernas e sinto-o apertar com força as minhas coxas.

– Você é tão inocentemente sexy, anjo. – morde meu lábio inferior, em seguida minha bochecha. – Pergunto-me como é possível haver uma junção dos dois.

Luke distribui beijos pelo o meu pescoço e eu rio por sentir cócegas, Carter se aproxima com uma mulher ao lado fazendo o meu riso cessar, eu começo a lembrar de tudo o que ele me disse. Imagino o desespero das garotas que foram violentadas pelo Luke, em seguida é como se o amigo da Marie sem rosto estivesse sendo morto bem na minha frente. Afasto-me do toque do brasileiro e ele me encara confuso, sinto o peso do olhar de Carter sobre nós e não consigo ficar confortável quando ele nos observa.

– Está tudo bem?

– Sim. – dou um meio sorriso. – Apenas foi uma tontura, já passou.

– Certeza? – toca em meu rosto, apenas assinto.

Amar um homem ruim faz de mim uma pessoa ruim? Eu o amo e ainda aceito-o. Eu quero mudá-lo, mas enquanto não consigo eu continuo aqui. Talvez eu seja tão desequilibrada quanto ele. Olhar para Carter me faz lembrar que eu não deveria estar com o Luke, mas olhar para o brasileiro é como reprisar a sua voz desesperada em minha cabeça, eu não quero perder mais ninguém para morte.

Não gosto da garota que acompanha o meu amigo, claramente eles se conheceram hoje, mas eu não me sinto bem vendo-os se dar bem. Talvez seja porque até agora eu tenha sido a única garota a qual ele deu atenção, eu não costumo ver Carter com muitas mulheres. Eu apenas quero que ele pare de me olhar dessa forma, como se eu fosse a vilã, eu estou mais para a louca da história.

Vou para o lado de Camila para evitar manifestações de carinho com o Luke, eu não sinto como se fosse certo tendo o Carter por perto. Mais duas garotam chegam.

– É legal ser uma das únicas mulheres do grupo quando eles não estão com elas. – Camila olha para as garotas. – Quando as vadias chegam eles ficam insuportáveis.

Os cinco homens dão total atenção as garotas e olhando assim eu tenho até vergonha de dizer que dois deles são meus amigos e um o meu namorado.

– Estou com você. – reviro os olhos.

– Se eu fosse você ficaria ao lado do Luke, essas garotas são fogo.

E eu realmente volto para o lado do meu namorado, não por insegurança e sim porque vejo Marie conversar com o irmão do outro lado do terreno. Beijo Luke para evitar que se vire e a veja, sua mão vai para minha nuca e ele solta um riso ao fim do beijo.

– Está com ciúmes?

– Não, eu só queria te beijar. – dou de ombros e abraço-o para ter controle dos movimentos de seu corpo.

Carter nega com a cabeça e reprova com o olhar, respiro fundo e torço para que Marie vá embora sã e salva.

– Eu sei o que está fazendo. – Luke beija minha têmpora, ergo o rosto para encará-lo.

– O quê?

– Eu já a vi. – meu corpo endurece. – Um dos meus homens já me informou que ela está aqui.

– Não está irritado? – tenho medo da resposta.

– Daqui a pouco iremos cumprimentá-la.

O moreno me solta sem me dar espaço para resposta, bate nas costas de Jace e inicia uma conversa tendo as vagabundas inclusas. Eu quero avisar a minha prima de que Luke está aqui, quero pedir para que vá embora e se possível me levar junto, mas a minha mágoa ainda é maior que isso, eu não quero que saiba que eu me importo.

Cruzo os braços e tento pensar em algo que possa fazer o Parks mudar de ideia, Carter me encara fixamente e isso me irrita. Ou ele está bravo comigo, ou preocupado, não quero meio termo. Desvio o olhar antes que Luke note o que está havendo, ele com certeza teria um ataque de ciúmes, sem motivos.

Fico de costas para o grupo e deito o tronco no capô do automóvel, duas garotas dançam no grupo ao lado, uma delas se parece tanto com Talita; se ela estivesse aqui me diria o que fazer. Limpo uma lágrima teimosa que desce pela lateral do meu rosto, eu já sinto tanto a sua falta.

– Essa não é o tipo de posição que eu aconselharia uma mulher bonita como você ficar em uma festa como essa. – Luke gruda em minha bunda, reviro os olhos e ignoro-o. – Você ficou chateada, não é, anjo? – fecho os olhos e continuo calada. – Vou fazer algo por você, vou dar um presente a sua prima. – o nojo que eu senti dele dias atrás está voltando, mas o problema é que não é maior que o meu amor. – Será bom para as duas, mas você precisa me responder, Selena.

Sua mão sobe do meu quadril até a minha cintura, respiro fundo e viro-me vendo um sorriso brotar em sua boca. Apoio-me em meus cotovelos e deixo-o que se incline sobre mim, mas não o beijo.

– Estou ouvindo. – meu tom é indiferente, ele solta um riso.

– Daremos um presente de natal a sua prima, uma trégua. Cessar fogo durante as festividades. – levanta o braço como se desse sua palavra.

– Poderia ser um cessar fogo eterno.

Luke suspira e se afasta do meu corpo.

– Já conversamos sobre isso.

Olho cada detalhe seu, da barba por fazer que eu tanto amo até os olhos repletos de mistérios que eu nem sei se algum dia irei desvendar.

– Se eu não tivesse voltado para Los Angeles, você viria a esse racha?

– O quê? – a música está alta, mas eu sei que ele me ouviu.

Desvio o meu olhar e acabo parando em Carter, a garota conversa com ele, mas sua atenção está em mim.

– Você não iria se suicidar, iria? – volto a encarar o meu namorado. Sei que o meu olhar é duro, o corpo do brasileiro murcha.

– Você está mesmo me perguntando isso? – ele parece desacreditado. – Eu estou aqui tentando te agradar, fazendo de tudo para que fique, enquanto você está ai desconfiando de mim. Você realmente não entende! – ri e balança a cabeça. – Talita morreu e você foi embora no momento que eu mais precisei de você. Eu fiquei louco, Selena, ainda estou. Mas não adianta tentar te explicar, tenta me redimir, você nunca vai acreditar em mim, não é?

Sinto-me mal, eu deveria ter pensando antes de perguntar algo tão delicado. Como pude me esquecer do tom de sua voz ao telefone? Foi desesperador. Apesar de todos os erros que ele já cometeu ele está certo, eu o deixei assim, eu poderia ter esperado ele se recuperar antes de pedir um tempo. Fui egoísta.

– Desculpa. – abaixo a cabeça, estou envergonhada. – Eu apenas fiquei irritada e falei sem pensar.

– Eu pensei que quiséssemos a mesma coisa. – sussurra. – Ficar bem.

– E eu quero. – olho-o. – Quero muito.

– Então você acredita em mim, não é?

Sinto que sou a pior pessoa do mundo.

– É claro. – puxo-o para um abraço. – Desculpa.

Ele me faz olhá-lo.

– Você ainda vai querer que eu der uma trégua a Marie? – balanço a cabeça, acho que rápido demais e isso o faz sorrir. – Minha menininha.

Luke beija a minha testa e me faz ficar de pé, chama alguns de seus homens e após me dizer a mensagem me arrasta até o grupo da minha prima. O cantor é rápido e se aproximar de Marie, Logan faz o mesmo mantendo seus homens à frente. Eu estou nervosa.

– Para que tudo isso? – Parks abre um sorriso debochado. – Não é um confronto de gangues.

– O que você quer? – Logan é rude, engulo em seco.

– Apenas dar um recado. – me olha. – Anjo, diga a eles.

Seguro em seu braço e aproximo os lábios de sua orelha, eu estou tremendo.

– Posso dar o recado sem a ameaça?

Imediatamente ele nega com a cabeça, respiro fundo.

– Vamos, Selena. Não temos a noite toda.

Fecho os olhos por breves segundos preferindo acreditar nas palavras do meu namorado, ele disse que a ameaça é só para assustar, então não há mal nenhum em dizê-la.

– Curtam muito essa noite e as festas de fim de ano. – encaro a minha prima. – O nosso presente de natal é uma trégua, depois das festas esperem pelo pior.

– Era só isso? – Justin tem o maxilar contraído. – Já podem ir embora.

Eu concordo com ele, mas Luke continua com os pés fixos no chão.

– A Marie é uma vadia mesmo, não é? – o brasileiro sorri e eu odeio esse lado dele, o lado que me machuca. – Ela brinca com você mesmo sabendo que vai voltar para mim.

Tudo acontece rápido demais, de repente vejo Justin se aproximar de nós com a intenção de atingir o Luke, mas um de seus amigos o impede. Armas estão apontadas para nós, assim como estão para eles. Engulo em seco e sou tomada pela preocupação, as coisas não estão indo bem.

– Vamos embora. – sussurro, mas é como se estivesse falando sozinha.

– Não parecia brincadeira quando ela transou comigo na sua cama. – o cantor abre um sorriso debochado ao dar uma boa resposta ao meu namorado, olho para Luke e não gosto da expressão que toma o seu rosto.

Ele pede para os seus homens abaixarem as armas, isso faz com que a equipe de Logan também recue.

– Mudança de planos. – alarga o sorriso, fico ainda mais nervosa. – Quero que as minhas duas garotas disputem um racha. – arregalo os olhos e encaro o moreno, o que ele pensa que está fazendo? – Se a Marie vencer vocês terão a trégua, mas se a Selena vencer...

– Nada feito, entendemos. – Logan o fulmina com o olhar, meu primo parece extremamente irritado. – Mas a Marie não vai participar de merda nenhuma.

– Feito! – Marie se manifesta com um sorriso convencido. – Eu quero apostas altas, hein?

Eu não acredito no que ouço, ela não pode aceitar!

– Eu não vou participar, ok?

Luke nega com a cabeça.

– Você vai sim. Afonso! – o garoto se aproxima. – Anuncie a corrida das duas.

– Luke, a proposta não era essa! – digo inconformada.

– Culpe o namoradinho da sua prima, ele me irritou.

Parks caminha de volta para o seu carro e eu sou obrigada a segui-lo, ele já se aproxima dos nossos amigos anunciando a minha corrida, Camila fica calada como se sentisse muito e Jace tenta convencer Luke a desistir dessa loucura.

– Eu não quero correr. – puxo Luke e isso parece irrita-lo.

– Sem corrida, sem trégua. – ergue as sobrancelhas, bufo e sinto vontade de estapeá-lo. Bieber não deveria ter abusado da boa vontade do brasileiro.   

Me dói olhar para Carter e saber que ele recrimina cada passo meu. “Eu quero vê-la com a alma inteira” ele já deveria saber que há muito tempo a minha alma está aos pedaços.

Reconheço Christian, um dos amigos de Marie, ele me instrui a correr sem acompanhante e me deseja sorte. Entro no carro ignorando a presença do meu namorado, mas ele é impossível.

– Boa sorte, anjo. – tenta me beijar, afasto-me e me irrita vê-lo sorrir. – Vai vencer essa por mim?

– Já vai começar. – digo assim que o Bugatti estaciona ao lado do meu carro, Luke se afasta e Marie pela janela.

Aperto os dedos no câmbio estando completamente nervosa, o sinal fica verde e a garota libera nossa saída. Piso fundo no acelerador sentindo minhas mãos suarem sobre o volante, troco a marcha empatando o jogo. Marie joga o carro contra o meu e eu faço o mesmo com o dela, apenas por diversão. Eu também quero a trégua, eu entrei nessa corrida para perder.

Acho que estou começando a ter uma paixão pela velocidade, é ainda mais gostoso quando você quem dirige. Jogo o carro novamente contra o de Marie, pela última vez por não querer causar nenhum acidente. Ela é rápida em frear e me fazer bater nas grades que separa o público da pista, rapidamente manobra e ultrapassa o meu carro, eu rio.

– Que esperta!

Retomo a velocidade para sentir o vento no rosto, não vou conseguir ultrapassa-la e nem quero. Sinto-me leve por ter conseguido paz, mesmo que seja temporária. Marie sai do carro e rodopia no colo do namorado, as pessoas gritam histéricas pela sua vitória, eu estou feliz por ela. Caminho até Luke e ele mantem-se com uma expressão séria, a minha não está diferente.

– Você teria chances de vencê-la. – encaro os meus pés, eu não quero conversar com ele. – Acho até que você a deixou vencer, não é? – ele puxa o meu queixo e me faz encará-lo, caminho para longe dele.

– Eu só não tenho experiência. – dou de ombros, ele sabe que eu queria a trégua, não tem por que conversarmos. 

– Eu sabia que iria perder. – puxa o meu braço. – Eu sabia que queria perder.

– Então por que me fez correr? – ergo as sobrancelhas.

– Aquele babaca me irritou, apenas isso. – dá de ombros. – Desculpe-me por ter te feito passar por isso. Eu prometi uma trégua, não tiraria isso de você.

– Mesmo se eu vencesse?

Ele assente.

– Eu não sou um completo babaca, sou? – não evito um sorriso, ele me puxa para os seus braços. – Você não nota, mas no fim das contas é você quem manda.

Beijo-o e sinto os seus braços envolverem todo o meu ser confuso, ele precisa de mim e por amar aceita-o assim. Somos dois desequilibrados e às vezes me pego gostando da ideia de ser louca junto com alguém. Eu tenho todas as dúvidas do mundo, mas uma única certeza: Eu o farei me amar mais.


Notas Finais


a cena do telefone foi extremamente díficil para mim, ainda não estou satisfeita, mas é o que temos para hoje né non?


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