História Dark Eyes - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Tokio Hotel
Personagens Bill Kaulitz, Georg Listing, Gustav Schäfer, Tom Kaulitz
Tags Amor, Escola, Eterno, Incesto, Irmãozinho, Preconceito, Superação, Tristeza
Exibições 54
Palavras 4.487
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Slash, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, amores, como vão? Já iam fazer quase 12 meses, 1 ano, mas vim antes de completar tanto tempo de ócio kkkkkkkkkkk
Bom, sei que demorei bastante, mas como sempre digo, muita coisa aconteceu e eu simplesmente não tive mais tanta vontade e nem criatividade para continuar essa história, mas depois de tanto tempo olhando para ela e sabendo que muitas (os) de vocês estariam esperando a continuação, decidi continuar. Espero que gostem e que se divirtam, espero que não tenha ficado estranho ou destoante dos capítulos anteriores. Se houver algum erro de qualquer natureza, por favor me avisem, eu estava sem escrever essa fic há muitos meses.

No mais, uma ótima leitura e espero que curtam muito!

Beijocas!

- Saori

Capítulo 5 - Jealousy


Fanfic / Fanfiction Dark Eyes - Capítulo 5 - Jealousy

Mais tarde quando acordei, olhei para todos os lados bem assustado, procurando algo que me indicasse as horas, sem precisar necessariamente olhar um relógio, mas não consegui. Esfreguei meus olhos e me espreguicei, catando meu celular e vendo que horas eram; já era bem de noite, oito horas para ser mais preciso, e me levantei com dor no estômago. Estava quase morrendo de fome e precisava ir comer algo, ou não aguentaria dar mais um passo.

            Caminhei até a porta, abrindo-a bem devagar, relembrando com pesar de tudo o que aconteceu e pus a cabeça para fora, buscando a figura de Bill com meu olhar. Suspirei aliviado, não queria vê-lo justo naquele momento, quando eu ainda nem sabia como me dirigir a ele.

            Fui a passos rápidos até a cozinha, abrindo a geladeira com pressa e pegando uma latinha de energético e uns sanduíches de peito de peru, fechando a porta com pressa e tomando um susto enorme, quase deixando tudo cair.

            - Boa noite, Tom. – Disse meu irmão, num tom não muito amigável, puxando-me para o lado e abrindo a geladeira, pegando uma jarra de leite e derramando o conteúdo em um copo, logo guardando-a, saindo sem nem dizer mais nada.

            - Boa noite... – Meus lábios proferiram, para o vento. Será que ficaríamos sempre esquisitos assim daqui para a frente? Eu tinha medo disso, mas nada podia fazer.

            Praticamente corri até o quarto, comendo o que havia pego e mirando o nada. Como seria daqui para a frente? Ele me ignoraria? Eu me sentiria ressentido? Não nos falaríamos mais? Como doíam aquelas perguntas, mas suas possíveis respostas me deixavam ainda pior.

            Suspirei e deixei o resto de alguns sanduíches de lado, juntamente com o energético pela metade; abracei meu travesseiro e tentei dormir, não tendo muito sucesso.

            Meu pensamento estava todo nele.

 

            Levantei às seis da manhã, completamente desnorteado e caindo da cama; não consegui pregar o olho de verdade à noite toda, mesmo tendo tentado bastante; suspirei e levei minhas mãos ao rosto, esfregando meus olhos e buscando acordar. Estiquei a coluna, reclamando de dor devido a caída, caminhando até o banheiro e tomando um banho bem demorado, não estava nem um pouco bem. Parecia que só o meu corpo estava ligado, minha alma ainda pairava em algum lugar desconhecido.

            Mesmo após o banho, eu não havia de fato, acordado. Saí e escolhi a primeira roupa que encontrei. Em meu peito, algo estranho estava acontecendo. Eu não sabia dizer, mas me sentia tão vazio. Bill não havia me acordado, nem sequer seu cheiro havia sentido durante todo aquele tempo me arrumando. Será que já teria ido embora?

            Bufei e ao terminar de me arrumar, abri a porta do quarto sorrateiramente, olhando os dois lados e não encontrando nem a sombra do meu irmão. Fechei a mesma com delicadeza e caminhei até a cozinha em passos lentos, sem fazer ruídos, logo chegando e não encontrando nem um resquício de seu sorriso.

            É, ele já havia ido para a escola e me deixado sozinho.

            - Isso aqui não é o mesmo sem você... – Murmurei num fio de voz, não querendo que nada e nem ninguém escutasse, nem mesmo ele.

            Inspirei o ar profundamente e expirei, logo batendo o olhar em algo deixado sobre a mesa; fui até ela e não pude deixar uma exclamação passar despercebida, ficando totalmente assustado. Meu café da manhã estava feito e repousava num prato decorado e meio que embalado, para que nenhum inseto o consumisse.

            Eram torradas com geleia de morango e um copo de suco de maracujá, os quais eu adorava. Sentei-me em uma cadeira e abri tudo, deixando um sorriso invadir o meu rosto.

            Ele não havia esquecido de mim.

 

            Assim que terminei de comer, deixei toda a louça lá e catei minha mochila, saindo depressa, o coração batendo tão rápido que eu não sabia dizer se era porque eu estava atrasado ou porque Bill havia lembrado de mim. Acho que a segunda opção me deixou mais confortável, feliz, pois eu estava tão abalado e aquilo amenizou meu sofrimento. Não por um todo, mas por uma boa parte.

            Não demorei a chegar na escola, caminhei relativamente rápido, a cabeça fervilhando de pensamentos. Era muita coisa para eu pensar, mas não tinha como me livrar daquilo, eu estava perdido. Pior era saber que um dia teria que tomar as decisões certas para cada coisa que eu pensava, mas preferi deixar isso para uma outra hora. Caminhei mais rápido até a minha sala e me sentei na cadeira de sempre, sem olhar para o lado e nem falar com ninguém, eu queria ficar quieto, precisava do meu tempo.

            Eu precisava organizar os fatos. Bill me amava, eu estava confuso, não podia conversar sobre isso com ninguém... O que mais faltava para piorar?

            - E aí, Tom, tudo bem? – Ouvi a voz de Gustav se prontificar ao meu lado, me fazendo bufar internamente.

            - Oi Gust, tudo indo e com você? – Não, eu não queria ser grosso com o cara, ele era meu amigo, quem mais me escutava apesar das nossas brigas bobas.

            - Estou bem. O que te aflige agora? – Perguntou interessado e me senti tentado a responder, mas sabia que não podia, aquilo era assunto que nem minha mãe poderia saber. O que eu faria?

            - Ah, nada demais, problemas bobos como sempre... – Tentei desconversar, mas eu sabia que Gustav era insistente.

            - Se fosse bobo, você não estaria aí caladão. Vai, me conta, eu quero ajudar.

            Suspirei e reuni toda a força dentro de mim, eu ia soltar a bomba do ano e não fazia ideia de como ele ia reagir a isso, mas eu tinha que desabafar com alguém, alguém de confiança. Georg também era um ótimo amigo, mas ele não era do nosso ano. Me virei para ele, a voz saindo baixa e pausada, as palavras querendo engasgar em minha garganta a qualquer momento, mas eu tentaria, tentaria por ele. Bill merecia que eu ao menos tentasse compreender a situação, pois sei que se fosse o contrário, ele faria isso por mim.

            Contei a Gustav tudo o que havia se passado, as palavras do meu irmão para mim, meus medos. Foi até bom falar tudo de uma vez, o professor havia faltado então provavelmente ficaríamos um bom tempo sozinhos. A cada coisa que eu dizia, ele arregalava os olhos, mas não me interrompeu hora nenhuma. Falei para ele de coisas que eu não teria coragem nem de dizer a minha mãe, nem mesmo na mira de uma arma, e esperei que ele entendesse. Eu não estava muito acostumado a me abrir, quem me conhecia sabia disso, mas com Gustav senti firmeza e calma para seguir em frente.

            No final, já estava envergonhado demais e sentindo que havia perdido a dignidade, então senti a mão dele em meu ombro direito.

            - Que complicado, Tom... – A voz de lamento e o jeito que me olhou, não me restaram dúvidas de que eu estava mais do que ferrado.

            - Ah, jura? Eu já sabia disso... Agora, me diz... O que eu faço? – Perguntei como se fosse uma criança, perdida e sem nada melhor para dizer. Não estava mais me reconhecendo, nunca fui assim, mas estar sem Bill me tirava do centro do raciocínio, já havia percebido. – Eu não disse nada para ele, ele não está falando comigo, não sei o que pensar, Gustav. Tá muito difícil pra mim.

            Observei bem as reações dele, que só suspirou, parecendo procurar as palavras certas.

            - Sinceramente, não faço a mínima ideia, Tom. Só não quero que sofra, mas é meio retórico, você já está sofrendo... E o seu irmão, bem, ele meio que levou um fora. Você não achou que ele ficaria no seu pé, não é?

            - Não, eu não achei nada, eu só... – Bufei, parecia difícil falar sobre meus sentimentos, era a primeira vez que eu realmente estava em conflito com eles. – Billi sempre foi mais compreensivo do que eu, eu só pensei que apesar da minha idiotice em não responde-lo e etc, pudéssemos nos falar de manhã, ao menos algo casual, como sempre. Me doeu não vê-lo quando acordei e eu nem sei porquê...

            - Ah, mas eu sei. – Sorriu ele, um sorriso que nunca havia visto no rosto dele. – Você gosta dele, não é?

            - Eu? Gostar? Eu nunca gostei de ninguém, Gustav, ainda mais do meu próprio irmão, isso é um absurdo e...

            - Ah, vejo que gosta. – Riu, me deixando nervoso e enraivecido.

            - Cala a boca, eu não gosto nada. O trato normal, é meu irmão, oras.

            - Você já deve ter pensado nele em muitas situações, não é?

            Me calei. Aquilo era a pura verdade e saber que Gustav me conhecia tão bem, me fez ficar assustado. Tentei disfarçar, mas ele era muito observador.

            - Ah, quer saber, cansei dessa conversinha idiota. – Falei fazendo menção de levantar, mas ele me segurou.

            - Ah não, você não vai fugir de mim não, Tom. Vamos esclarecer isso. – Sua voz era séria e firme, ele não parecia se importar se alguém iria ouvir, mas eu me importava, não queria ninguém se metendo na minha vida.

            - Tudo bem, fazer o quê! Pode pelo menos falar mais baixo? – Pedi quase socando a cara dele, estava irritado ao extremo com a possibilidade dos meus problemas vazarem para todos os cantos daquela maldita sala.

            Gustav bufou e então, ajeitou-se na cadeira, me olhando seriamente.

            - Tom, o que você realmente sente pelo Bill? – A pergunta foi feita com tanta firmeza que eu tremi, o olhar oscilando entre os olhos de Gustav e o chão, mas algo me fez voltar a mirá-lo. Foi a coragem que precisei ter.

            - Ele é meu irmão, Gustav. Eu o amo, sempre o amei, mas... Ele disse que gosta de mim, que está apaixonado, mas eu não pude responde-lo, não consegui. – Falei abalado, lembrar daquilo machucava meu coração, me deixava mal. – O que você queria que eu fizesse? Estou perdido.

            - Tom, sei que é difícil, mas eu estou com você. – Deu um sorriso encorajador, tentando me animar, mas só consegui ficar mais perdido e nervoso. – Você realmente não sente nada a mais por ele?

            - Não, eu não sinto, eu... Eu só o quero bem, só quero cuidar dele. – Suspirei – Ele é frágil e precisa de mim, mas nada além disso.

            Gustav me olhava como se eu estivesse mentindo, mas eu não estava, aliás, eu achava que não. Eu tinha medo da minha mãe, dos meus sentimentos, de como minha vida seria dali para a frente. Eu não poderia ignorar Bill para sempre e vice-versa. Eu definitivamente estava em apuros.

            - Bom, se você está dizendo, eu não tenho porque desconfiar. Não é? – Perguntou, o olhar inquisitório tentando de todas as formas me pressionar, mas eu tentei ser firme, Gustav sabia que eu não funcionava muito bem sob pressão. Às vezes.

            - Sim, não tem porque desconfiar. E além do mais, mesmo que eu estivesse apaixonado por ele, o que mamãe pensaria disso? Na certa, iria querer internar nós dois ou eu pelo menos, pois sou o mais velho e ela podia achar que arrastei Bill para essa situação.

            - É, nisso você está certo. A mãe de vocês deve ser bem legal, mas não a respeito dessas coisas. – Disse ele e eu assenti. Mamãe sempre foi maleável, mas se o assunto em questão fosse seus filhos apaixonados, juntos, a coisa ficaria bem feia e eu não estava a fim de colecionar mais problemas para mim. Já tinha tido o suficiente.

            - É, é isso mesmo.

            - Bom, então não tem que se preocupar. – Sorriu como se estivesse dizendo a coisa mais certa do mundo, a que me acalmaria, mas eu não estava cem por cento certo disso. – Fica frio, Tom, acho que o Bill já entendeu o recado. Você não pode corresponder porque é uma ideia absurda, ponto. Não há mais nada a fazer nem com o que se preocupar.

            - É, é absurdo. – Repeti em voz alta, como se tentasse me convencer de que era realmente aquilo que eu pensava a respeito. – Preciso de fritas com um bom energético. Não estou suportando mais isso aqui.

            Gustav riu alto e então, começamos a tentar mudar de assunto. Falamos das inúmeras baladas que sempre tentávamos marcar e que nunca davam certo, de algumas saídas que podíamos dar acompanhados de Georg, das temidas provas que provavelmente me fariam arrancar os cabelos e sobre tocarmos juntos algum dia, afinal, todos nós tocávamos algo só nunca nos reunimos. Sairia um ótimo som dali, tínhamos que tentar em algum momento. Gustav aprovou, disse que estava se dedicando mais a bateria e então, mudamos de assunto novamente. O legal de ser amigo dele era que ele conversava sobre tudo, não havia nada no mundo que Gustav não soubesse, ele sempre tinha argumentos e informações sobre qualquer coisa.

            Ele era mais fantástico do que eu pensava. Nunca havíamos conversado muito, mas éramos amigos. Eu achei que não tínhamos muita coisa em comum, mas era totalmente o oposto. Me dava ainda mais gosto ficar perto dele, era como se eu não conseguisse parar de falar sobre tudo, era muito legal.

            O tempo passou rápido conforme nossas conversas se estendiam e logo o intervalo chegou. Comprei um sanduíche bem grandão com fritas e um energético, comendo depressa e assustando Gustav, que comia seu sanduíche mais comportado, enquanto uma garrafa de Coca-Cola descansava defronte a ele.

            - E então, Tom, o que vai fazer depois da aula?

            - Ah, eu não sei, acho que vou voltar para casa mesmo, não tô a fim de farrear. – Disse com a boca cheia, bebendo um gole do energético e observando Gustav rir.

            - Entendi. Vamos ver se marcamos algo qualquer dia desses, todo mundo sai para se divertir e a gente fica com cara de idiota.

            - É, temos que fazer essas saídas darem certo. – Falei e engoli o que comia em seguida, rindo de me acabar. Nunca nada planejado por nós deu realmente certo e era tão frustrante que me fazia rir.

            - Sim, pelo amor.

            E então, continuamos a comer, vez ou outra jogando uma conversa fora. Passei muito tempo me divertindo, mas em certo momento me lembrei do meu irmão e então, tudo começou a ruir. Minha cabeça sempre teve pensamentos demais, mas nada que eu disse para mim mesmo conseguiu tapar o enorme pensamento acerca de Bill que me fez ficar novamente acordado e dolorido. Parecia que a cada dez minutos de diversão com Gustav, eu ficava deprimido mais vinte. Simplesmente não conseguia parar de pensar nele. Será que isso nunca teria fim?

            Quando voltamos para a sala, tentei me concentrar nas aulas, mas não consegui de jeito nenhum. Tudo girava em torno de Bill e do que seríamos dali em diante. Não houveram palavras a mais para serem trocadas, não houve atitude da minha parte e ele passou a me ignorar. Não tinha ideia do que fazer, mas como Gustav havia dito, talvez ele tenha entendido o recado e então, passou a fingir que eu não existia.        

            Talvez eu estivesse me precipitando. Talvez eu houvesse ficado louco. Talvez... Só talvez, ele estivesse me esquecendo. Isso era bom, não? Assim poderíamos voltar a ser os irmãos de antes, sem alianças de compromisso e buquê de flores em dias especiais. É, talvez voltássemos ao passado, mas algo me dizia que isso não seria possível. Nossa relação já havia sido danificada demais, por minha culpa ao pensar nele em momentos inapropriados e por sentir seu carinho exagerado comigo; e por culpa dele, por ter se declarado sem medo das consequências.

            Talvez Bill fosse a pessoa mais corajosa que eu já havia conhecido e eu, a mais covarde. Talvez, só talvez.

 

            Após o término das aulas, despedi-me de Gustav e Georg, que foi nos saudar, indo diretamente para casa. Não sabia se iria falar com Bill, mas eu precisava analisar o terreno, pois sentia meu irmão escorregadio demais. A conversa não seria muito boa, mas não seria de todo ruim, eu queria poder dizer que ao menos seríamos sempre irmãos, que eu nunca deixaria de trata-lo com carinho, mas ao mesmo tempo sabia que não era isso que ele iria querer escutar.

            Porque, afinal, todos sempre disseram que não ser correspondido era uma droga, não? Eu nunca tive esse problema, sempre fui correspondido, mas minhas relações não duravam mais de um mês. Não era paixão, não era amor, mas aparentemente o que ele sentia por mim sim, era algo forte, intenso e que não podia mais ser contido, senão ele não precisaria ter me confessado.

            Assim que cheguei em casa, estranhei, pois, a bolsa da minha mãe estava em cima do sofá e a casa estava mais silenciosa do que o normal.

            - Mãe? – Chamei por ela, vendo logo seu sorriso se prontificar de trás da geladeira.

            - Oi querido. Está tudo bem? – Saiu de onde estava e me deu um abraço e um beijo, me fazendo ficar sem graça, mas muito feliz por dentro. Eu nunca havia parado para pensar nisso, mas estava precisando de carinho.

            - Hã, tá sim mãe e você? Por que está tão cedo em casa? – Perguntei após beijá-la e abraça-la, estranhando a cada minuto sua presença.

            - Estou ótima. Ah, resolvi sair cedo, embora não tivesse sido muito legal, para pôr ordem aqui em casa, está tudo muito bagunçado. – O típico discurso de mãe.

            - Ah, sei. Bom, acho que vou tomar um banho. – Falei coçando a cabeça, sem jeito, me afastando dela e vendo-a voltar a fazer suas coisas. Caminhei em direção aos quartos e então, voltei rapidamente até a cozinha. – Mãe, onde está o Bill?

            - Ah, ele foi numa festa. – Disse com descaso, mas achei muito esquisito.

            - Numa... Festa? A essa hora? – Perguntei, estava quase gritando.

            - É, ele me ligou e me pediu para ir e eu deixei. O que tem de mais? – Olhou para mim como se eu fosse louco e então, suspirei profundamente. O que estava acontecendo?

            - Desde quando ele vai para festas? E ainda mais em uma hora como essa?

            - Ora, vamos, Tom, acha que só você que pode se divertir? Seu irmão tem deficiência, mas não está morto, por Deus. – Pelo seu tom de voz, senti que havia ficado chateada, mas não era por isso que eu tinha feito aquele comentário.

            A verdade era que Bill sempre foi muito extrovertido, mas não sabia que era popular ou algo do tipo para ser chamado para festinhas, nunca o vi baladeiro. Minha mãe parecia doida, não entendia as coisas que eu queria dizer e ficava falando como se eu fosse preconceituoso, aff, nada a ver.

            - Nossa, mãe, okay. – Resolvi não discutir. Eu estava surtado e ela mais ainda, então aquilo não daria em boa coisa.

            Voltei para o meu quarto e comecei a retirar as roupas com brutalidade, entrando no banheiro e ligando o chuveiro. Como assim Bill tinha ido para uma festa e sem me dizer nada? Tudo bem que não estávamos muito legais um com o outro, mas eu ainda me preocupava e tudo o mais. Foi sentindo a água escorrer pelo meu corpo que resolvi o que iria fazer.

            Eu também iria nessa festa.

 

            Uma vez longe do chuveiro, me arrumei com pressa, as roupas entrando quase num passe de mágica em mim, eu estava bem estressado. Não estava entendendo o porquê do meu humor ter sido afetado, mas nem queria descobrir, queria era chegar logo lá. Me vesti com uma boxer preta bem colada, calça jeans larga e num tom meio acinzentado, uma blusa branca com umas letras escritas em preto, um par de tênis brancos e um cap em preto e branco; se eu fosse brigar com o Bill, que fosse com estilo.

            Sequei um pouco minhas tranças, pois haviam molhado devido ao meu mal jeito em entrar debaixo da água, meus dedos logo agarrando o primeiro vidro de perfume e borrifando-o em pontos estratégicos. Me olhei no espelho para conferir o visual e não perdi mais tempo; saí do quarto e procurei minha mãe, que estava fazendo alguma coisa para comer na cozinha, as panelas estavam no fogo e ela parecia cortar algo, mas eu não queria parar para conversar, nem tampouco pedir desculpas. Eu estava muito estressado e queria respostas rápidas.

            - Mãe, eu quero o endereço dessa festa.

            Ela virou-se para mim com cara de poucos amigos, me fazendo engolir em seco por um momento, mas resolvi fazer minha melhor cara séria, talvez ela fosse boazinha e me ajudasse.

            - Para que você quer isso, Tom? Deixe o seu irmão em paz.

            - Ué, eu não posso me divertir também?

            - Sei, você quer ir causar confusão, parece até que não te conheço.

            Suspirei, precisava ter o chamado jogo de cintura com ela. Estava com muita pressa.

            - Eu lavo a roupa por um mês.

            Um pequeno sorriso se desenhou em seus lábios, mas ela não disse nada, então eu sabia o que devia fazer.

            - E faço as compras também, por um mês.

            - Tudo bem. – Sorriu mais largamente e limpou as mãos no pano de prato, seguindo para a mesa e rabiscando algo num papel, me entregando em seguida. – Ele está aí, vai ficar uma fera comigo por ter te dado o endereço, mas depois converso com ele.

            - Certo. – Assenti e já ia saindo, mas a voz dela me fez parar.

            - Ah! – Voltei para o lugar na mesma hora. – E vê se não arruma confusão, por favor.

            E então, dei aquele meu sorriso conhecido e saí de casa calmamente, lendo o que estava escrito no papel, me surpreendendo com o fato do lugar ser mais perto do que eu pensava, podendo ir a pé até lá. Caminhei por um bom tempo, logo avistando uma casa grande e branca, a porta e as janelas abertas, um som alto vindo de lá de dentro; era aquela com certeza.

            Me aproximei e cumprimentei algumas pessoas na cara de pau, não parecia haver ninguém ali preocupado comigo, só me olhavam, pois, eu era um desconhecido, mas meus olhos estavam atentos apenas em Bill. Queria muito encontra-lo. Cheguei até os fundos da casa rapidamente, olhando para todos os lados possíveis, até que bem lá no canto esquerdo o avistei, minhas sobrancelhas franzindo-se na hora.

            Seus olhos estavam fechados, suas mãos pousadas em algum lugar, os lábios colados em outros lábios. Quem era aquela pessoa com ele? Tive que ver melhor para crer. Caminhei calmamente até eles, a uma certa distância, os olhos arregalados ao ver que ele beijava uma menina com um estilo parecido ao dele, como se ele fosse muito experiente naquilo. É, meu irmãozinho não parecia mais tão pequeno como antes, eu havia me perdido em algum momento que não sabia dizer qual era.

            Bill fazia aquilo como se já tivesse feito antes, tinha jeito de segurar a menina e beijava como se aquela fosse a pessoa que mais queria na vida. Foi muito estranho ver aquilo e mais estranho ainda, foi o fato do meu coração palpitar e meu peito arder como se fogos de artifício se espalhassem por ele. O que estava acontecendo?

            Engoli em seco, não sabia porque, e me afastei, os olhos grudados nele e em cada movimento que sua boca fazia, era irreal demais. Caminhei para bem longe dali, avistando uma pracinha que na pressa não havia notado, sentando no banco e pensando em um monte de coisas. O que levou Bill a se enturmar assim tão de repente? Por que ele estava tão diferente do habitual? E principalmente... No que aquela visão me afetou? Eu não sabia dizer, muito menos explicar, mas senti uma coisa estranha, era como se aquilo tivesse sido pesado demais para que eu visse.

            Bom, cada um tinha a sua vida, mas não fiquei satisfeito de ver aquilo. O que aquela menina tinha que eu não tinha para ele preferir a companhia dela? Bill sempre foi mais tolerante do que eu, por que ao invés de ficar aos agarros com aquelazinha, ele simplesmente não ficou em casa para acertarmos nossas diferenças? Éramos irmãos, eu achei que esse laço ainda fosse importante para ele como era para mim, apesar de tudo. Parecia que a preocupação era unilateral, ou seja, apenas eu sempre pensando se um dia ficaríamos bem enquanto ele não estava nem aí. Não sabia o que se passava pela minha mente ou coração, mas havia doído ver aquilo.

            Eu estava acostumado a ser o centro das atenções do meu irmão e sentir que eu não era mais, me matava aos poucos. Eu não pedia cem por cento de concentração em mim, mas desde aquela declaração da parte dele, não nos falamos mais e eu estava preocupado, querendo saber como ele estava. Mas vê-lo naquela festa, me mostrou ser uma recusa das grandes, como se ele quisesse me eliminar da vida dele de qualquer forma e eu não poderia ir contra isso. Eu não iria interferir em sua vida, nem tampouco esmurra-lo para que fôssemos como antes, isso tinha que ser natural.

            E... Eu não sei, ele estava tão à vontade... Eu era o deslocado finalmente. O jogo virou e eu não estava nem um pouco satisfeito, mas aceitaria a minha derrota, eu não tinha o que fazer. Eu não poderia corresponde-lo, não poderia estar ao seu lado como um namorado, seja lá o que fosse, então eu apenas aceitaria e ficaria na minha, mesmo com todo o mau pressentimento que se apossou do meu corpo.

            Bill havia se tornado o corajoso e eu, o covarde, amedrontado por tudo o que antes eu não conhecia. Suspirei, abaixando a minha cabeça e levando as mãos a ela, fechando os olhos. Aquilo só podia ser um pesadelo e dos piores. Antes, eram as garotas que eu pegava que roubavam a minha atenção, hoje eram as do Bill. Bem que me diziam que tudo o que ia voltava. Passei a acreditar desde o momento em que bati os olhos nele, beijando a garota, pois era exatamente o que eu fazia. Será que ele se sentia assim quando eu levava as meninas lá para casa? Se sim, era pura maldade o que eu fazia e como eu queria poder desfazer tudo o que aconteceu, mas não podia, eu não tinha poder suficiente para isso. Suspirei, a cabeça doendo, os pensamentos dando nós, eu estava muito cansado. Apesar de estar sensível, sempre fui muito durão e Bill não ia conseguir me enfraquecer com aquelas ignoradas, ele teria que fazer muito melhor.

            Decidi, então, que faria o mesmo que ele, seria indiferente e fingiria que nada estava acontecendo, que eu não estava irritado, nem triste. Queria que ele sentisse o quanto era bom não existir para alguém, pois mesmo ficando com as garotas, nunca deixei de ser carinhoso ou algo do tipo. Ele veria só, ele e aquela fulaninha.

            E não, eu não estava com esses malditos ciúmes.


Notas Finais


E aí? Muito obrigada a você que chegou até aqui! Me perdoe novamente pela demora, espero continuar tendo criatividade e muito amor para levar esse projeto adiante. Prometo não demorar mais, obrigada por sempre estar aqui!

Beijocas, nos vemos nos próximos!

- Saori


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