História Dark Paradise - Capítulo 54


Escrita por: ~

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Categorias Demi Lovato, Wilmer Valderrama
Personagens Ally Brooke, Amy Raudenfeld, Asher Millston, Ashton Kutcher, Camila Cabello, Connor Walsh, Demi Lovato, Dinah Jane Hansen, Eiza González, Frank Delfino, Halsey, Joe Jonas, Laurel Castillo, Lauren Jauregui, Michaela Pratt, Nick Jonas, Normani Hamilton, Oliver Hampton, Ranger Freddie Gonzalez, Richard "Richie" Gecko, Santanico Pandemonium, Seth Gecko, Troye Sivan, Wilmer Valderrama, Zara Larsson
Tags Dilmer, Drama, Romance, Suspense
Visualizações 270
Palavras 7.020
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 54 - Se ninguém matá-lo, eu mesmo mato


Fanfic / Fanfiction Dark Paradise - Capítulo 54 - Se ninguém matá-lo, eu mesmo mato

POV Wilmer Valderrama

Já passava das 23h00min quando Demetria decidiu beber na companhia de Lauren e Marissa. Por mais que estivesse bêbada, sua embriaguez não era algo gritante. Depois de passar por uma turbulenta fase em sua adolescência onde era cercada de álcool, aprendera a controlar-se. O dono de quiosque, fazendo de tudo para agradar sua fiel freguesia, ousou até mesmo colocar uma música em um aparelho de som, o que acabou animando os que ali estavam presentes. Demi, vez ou outra, dançava animadamente com Gecko músicas de diversos estilos. Os dois, realmente, agiam como melhores amigos. Quem diria? Até mesmo um sorriso ousava brotar no rosto de Seth — o que era raro e poucas pessoas conseguiam fazer. Logo, a animação contagiante dele fez com que os outros também fossem pegos pelo ritmo de músicas que variavam das com batidas frenéticas às latinas. Até Lucy, pequena do seu jeito, ousou dançar com a mãe sobre a areia da praia. O pior era que a garotinha não ficou tímida ou acanhada, mas sim se deixou levar pelos passos da mãe.

— Ela parece feliz. — Nicholas ponderou, colocando a sua garrafa de cerveja sobre a mesa de madeira que estávamos sentados. — E é estranho o Seth estar sóbrio e ela bêbada.

— Ele cuida dela — afirmei. — Em muitos sentidos.

— Cristo, eles se odiavam. — Joe riu.

— Eles seriam bonitinhos como um casal, não? — Eiza questionou entre risos.

— Ela é como uma irmã para ele e vice-versa — falei com convicção. — Aliás, Seth tem Adrianne. Ela voltará com Jonathan em breve. Gecko pode ser um babaca, mas é fiel à sua mulher.

— Difícil mesmo é ver um Seth que não transa com qualquer garota em um banheiro de uma boate — Nick zombou. — Seth fiel, Wilmer noivo, Eiza namorando... Estamos progredindo.

— Estamos irreconhecíveis — Joe corrigiu. — Não éramos assim há 4 ou 5 anos.

— Éramos um bando de vadiazinhas que cometiam alguns crimes às vezes — González completou. — Mas finalmente estamos nos trilhos.

— Merecemos um brinde. — Assim, Joe ergueu seu copo de cerveja e fizemos o mesmo, causando um fraco atrito entre os copos de vidro. — A nós.

— A nós — replicamos em uníssono.

— Por que diabos estão brindando? — Seth questionou, aproximando-se de nossa mesa e puxando uma cadeira.

— Nossos anos de amizade e como mudamos — afirmei. — E como permanecemos juntos depois de tantas merdas que aconteceram. Tome um gole de qualquer bebida, Seth. Está tudo na conta da Eiza.

— Até parece — a morena resmungou.

— Não posso beber. Hoje serei a babá da Demi e preciso manter o profissionalismo, sim? — ele brincou. — Ela já cuidou muito de mim quando eu estava bêbado e hoje o papel se inverte.

Encarei por uns segundos a jovem, que conversava com Lucy e passava a mão nos cabelos da mais nova. Era tão atenciosa com a filha que sequer parecia embriagada.

— Demetria merece ser feliz — Eiza, surpreendentemente, falou. — Ela passou por tanta coisa... Mas seria pior se ela não tivesse se juntado a nós. Se ela fosse a leilão sequer teria uma família.

— Mesmo assim, tudo que aconteceu acabou com o psicológico dela — falei entre um suspiro. — Ela me disse que entra em pânico quando escuta qualquer barulho de correntes, quando vê uma corda ou quando simplesmente está no escuro.

— Só Deus sabe quantas vezes já fui acordado com ela aos berros — Seth confessou. — Ela ainda sonha com Narciso, com Casey... Claro, a frequência com que isso acontece diminuiu, mas ainda acontece.

— Ei. — Ela se aproximou e tocou o ombro de Gecko. — Lucy está com sono. É melhor eu ir, Lauren disse que me daria uma carona. Você vai ficar?

— Não, não. Já está na minha hora também. Tenho coisas a tratar amanhã cedo — Gecko explicou.

— Eu posso levar vocês, se quiserem — falei. A garotinha ao lado da mãe logo abriu um sorriso. — Lauren não parece muito sóbria.

Apontei com o queixo para a garota de olhos claros que estava dançando animadamente com sua namorada.

— Eu quem não recuso passar uns minutos ao lado de um homem gostoso como você, Wilmer Valderrama — Seth zombou.

— Vejo vocês amanhã. — Voltei-me aos Jonas e Eiza. — Temos uma reunião marcada. Não faltem.

 

POV Demetria Lovato

 

Wilmer estacionou seu carro na frente de minha residência quando já passava da meia-noite. Lucy e eu estávamos no banco de trás, o que fez a pequena deitar-se para dormir e apoiar sua cabeça em minhas pernas. Com cuidado, eu desci do carro e tentei, delicadamente, tirar a garotinha adormecida do banco.

— Eu posso levá-la. — Valderrama, de alguma forma, surgiu ao meu lado.

Eu dei espaço para que ele pudesse pegar a garota em seus braços e ele o fez. O rapaz a segurou e a ajeitou com calma em seu colo. Gecko, por sua vez, começara a caminhar em direção à entrada da casa com as chaves em suas mãos. Wilmer começou a caminhar pela grama do jardim de minha casa com Lucy em seus braços e eu logo o segui.

Por mais que tivesse bebido mais do que a conta, eu tinha completa noção dos meus atos e podia assegurar que não agiria sem pensar. Fazia meses que eu não bebia nada e, visto que eu bebia apenas socialmente, demoraria mais alguns meses para aquilo acontecer novamente.

Seth havia deixado a porta principal aberta e assim que adentrei minha residência, meu coração pareceu errar uma batida e, literalmente, o ar faltou em meus pulmões. Connor estava em pé, em minha sala, conversando com Gecko. Quando o rapaz me viu ao lado de Valderrama, sua expressão mudou de suave para tempestuosa. Connor não tinha o seu típico sorriso torto no rosto, pelo contrário, travou seu maxilar em sinal de clara raiva.

— Mas que merda é essa? — ele questionou. — Eu vou visitar meus pais em outra cidade e é isso que eu encontro? Você entrando com seu ex?

— Ele veio apenas trazer a Lucy — expliquei. — O que você faz aqui?

— Eu ia te fazer uma surpresa! — exclamou em tom alto. — Já passou da meia-noite. Hoje completamos seis meses de relacionamento, Demetria!

Era claro que Connor queria berrar, mas continha-se por conta de Lucy, que, nos braços do pai, ainda dormia como um anjo.

— Eu vou deixá-la em seu quarto — Wilmer avisou.

— Não fuja Valderrama — Connor provocou. — Ainda temos muito que conversar.

— Eu? Fugir? — Ele riu pelo nariz. — Diferente de você, eu sou um homem que sabe dialogar.

Valderrama, momentaneamente, ignorou a presença de Connor e subiu as escadas em direção ao quarto da garotinha com a mesma nos braços. Seth logo pousou a mão no ombro do amigo e começou a conversar com ele. Entre suas palavras, que eu mal podia identificar pelos sussurros, eu pude notar que Gecko pedia para que ele permanecesse calmo e dizia que aquilo não era o que ele estava pensando, mas Connor parecia não querer dar ouvidos.

Notei, quase sem querer, que o rapaz havia trazido com conjunto de flores consigo, onde um cartão estava entre elas e as mesmas estavam sobre o sofá.

— Então, lá vamos nós... — Wilmer desceu as escadas com as mãos nos bolsos. — Comece a falar, Connor Young.

Wilmer se aproximou de Connor, ficando da sua frente. Esperto, Seth logo parou ao lado dos dois e começou a ouvir atentamente a conversa.

— Quem você pensa que é? — Connor perguntou. — E onde diabos vocês dois estavam?

— Connor... — Me manifestei. — Eu te avisei que iria à praia, sempre fiz isso para reencontrar as meninas nos feriados e fins de semana.

— Eu perguntei para ele — Young disse entredentes. — Me responda você, Valderrama.

— Não tenho nada mais a dizer. Ouça sua namorada — ordenou.

— Você não me disse nada sobre a presença dele lá. — Connor me encarou. — Anda escondendo coisas de mim? Por que não queria que eu soubesse que ele estaria lá?

— Connor, pegue leve — Seth se manifestou. — Nem tudo é como você pensa. Eu, os Jonas e Eiza estávamos lá. Além de tudo, Wilmer está noivo.

— Obrigada por esclarecer, Seth — o mais velho disse. — Educadamente, eu apenas vim para trazer minha filha em segurança para casa.

— Já a contou que ela é fruto de um estupro?

Aquela foi a vez de Wilmer mudar a sua expressão, mas, insciamente, deu um sorrisinho falso antes que, de maneira rápida, pousasse sua mão direita no pescoço de Connor e fizesse com que o rapaz batesse suas costas na parede. Ali, sim, adquiriu uma expressão sombria.

— Você não cansa de falar tanta merda? — ele questionou. No fundo, achava graça da situação. — Juro que eu gostaria de acabar com você aqui mesmo, mas eu tenho respeito e não farei isso porque minha filha está lá em cima. Essa história já deu o que tinha que dar. Houve total consentimento. Ou você quer que eu te conte como, onde e quando aconteceu? Aposto que você gostaria de ouvir em detalhes.

— Wilmer, já chega! — exclamei, me aproximando deles e notando que, por falta de ar, Connor já estava começando a adquirir uma cor avermelhada em seu rosto. — Wilmer, solte ele!

Seth interviu e, sem opção, empurrou Valderrama para longe. Gecko logo segurou no braço do amigo e o levou para o outro lado da sala. Connor, sem sair do lugar, começou a passar a mão na área afetada e tossiu poucas vezes.

— Vá para casa. Já deu por hoje — supliquei.

— Quem te embebedou? Seu hálito e seus olhos te entregam. — Ele segurou meu braço. — Foi ele?

— Connor, vá embora, por favor!

— Ir embora e te deixar aqui com um maldito que provavelmente te embebedou para transar com você como fez em Amsterdã? — ele perguntou em alto e bom som. Era proposital, apenas para que Valderrama também ouvisse. — Eu não sou otário Demetria! É por isso que ele está aqui? Para foder com você enquanto eu estou longe?

Seth segurava o braço de Wilmer e dizia coisas como “não dê ouvidos a ele” e “ignore-o, ele quer lhe irritar”. O mais velho, por sua vez, parecia contar até dez para que não socasse Connor por definitivo ali mesmo.

— Você não sabe o que sou capaz de fazer se continuar com essas mentiras. — Valderrama apontou para ele.

— O quê? Vai me matar e me adicionar à sua lista de assassinatos? — Connor sequer se demonstrava acanhado. — Preciso dizer mais uma vez que não tenho medo de você? Aliás, se eu vir você com a Demetria novamente, não terei medo de ligar para a polícia e mandar você de volta para um lugar de onde não deveria ter saído!

— Faça isso, mas garanto que eu mato você primeiro — Wilmer assegurou.

— Wilmer, é melhor você ir — Seth aconselhou. — Algo pior vai acontecer se você ficar aqui. Por favor... Por Lucy que está lá em cima.

Wilmer suspirou e assentiu. Em passos calmos e com um sorrisinho vitorioso no rosto, ele caminhou até a porta principal.

— Isso não acaba aqui, Valderrama! — Connor ameaçou.

— Provavelmente, vai acabar com você a sete palmos do chão. — Ele abriu a porta e virou-se para encará-lo. — Boa noite. Fiquem com Deus.

Ficamos em um silêncio tão absurdo que era capaz até mesmo de ouvir o motor do luxuoso carro de Wilmer e o mesmo dando partida no veículo.

— O que você está pensando? — Encarei Connor. — Você acha que sou uma mulher que bebe e transa com o primeiro que vê na frente? Você não confia em mim e fica me ofendendo livremente? Eu não sou uma vadia qualquer que passa um dia longe do namorado e trai-o com qualquer um!

“É sim. É uma vadia de quinta, uma pessoa completamente horrível e sem nenhum senso. Uma puta de esquina, passada de mão em mão”, gritava meu subconsciente.

— Eu vou subir — Seth avisou. — Deixarei vocês sozinhos para conversar.

— Não precisa, meu amigo — Connor disse sem tirar os olhos de mim. — Estou de saída.

Eu não disse nada, apenas observei Connor, assim como Wilmer, deixar a minha residência. Gecko, compreensivo, aproximou-se de mim e me abraçou de lado. Educadamente, pediu para que subíssemos as escadas e, com um cuidado quase desnecessário para que eu não caísse nos degraus por conta da embriaguez, ele segurou minha mão e me guiou até meu quarto.

— Você precisa de um banho frio — ele disse. — Não me diga que serei obrigado a te ajudar.

— Não precisa. — Sorri de lado, caminhando até o armário e procurando o meu pijama. — Pode dormir Gecko. Vou ficar bem.

Despedi-me momentaneamente de Gecko e entrei no banheiro, logo preparando uma ducha fria. Não era algo péssimo, visto que na Flórida o calor era infernal. Despi-me rapidamente e entrei no chuveiro, sentindo as gotas frias batendo contra a minha pele. Aquele, definitivamente, era o melhor momento para pensar e assimilar o que acabara de acontecer.

Eu estava sendo hipócrita e egoísta. Discutia com Connor por conta de seu ciúme quando, na verdade, ele tinha razão em ter. Agir como vítima, no caso, chegava até a ser engraçado. Tudo apenas havia me feito concluir de uma vez por todas que eu era uma pessoa horrível, ridícula. Connor e eu precisávamos de uma conversa, mas eu não queria abrir mão do meu relacionamento com ele. Eu tinha medo de magoar o rapaz, que sempre fora tão amável comigo, que batalhara tanto por mim.

Toda aquela reflexão e talvez o fato de estar levemente alterada me fizeram entrar em prantos ali mesmo, fazendo com que lágrimas em meu rosto se misturassem com a água fria. Logo, suspirei e tentei focar apenas na higiene necessária, tentando tirar Connor e Wilmer de meus pensamentos.

Saí do chuveiro e rapidamente vesti o pijama que havia deixado sobre o mármore da pia. Quando voltei ao meu quarto, notei que Gecko, assim como Valderrama no dia da festa, lia uma carta ou composição de minha autoria. O rapaz chegou a se assustar quando abri a porta do banheiro, mas logo deu de ombros e continuou lendo.

— Eu me importaria se você não soubesse todo o conteúdo que tem aí — falei, jogando-me na cama.

— Você é uma poetisa. — Ele me encarou com um sorriso. — Wilmer disse que você guardava algumas coisas na primeira gaveta da sua cômoda — explicou. — Achei que eram camisinhas, mas são músicas, fotos, cartas...

— Eu me sinto péssima — confessei.

— Você quer conversar? — ele indagou. Eu apenas assenti. — Me dê um espaço.

Ajeitei-me na cama e Seth deitou-se ao meu lado. Era o que eu amava em minha amizade com Seth: a forma como parecíamos irmãos de sangue, como agíamos como melhores amigos e tínhamos todos os limites impostos respeitados.

— Por que eu sinto que, se contar a verdade, Connor não vai reagir muito bem e vai acabar fazendo algo errado? — questionei, virando-me para ele.

— Você está pensando em contar?

— Vai ter que acontecer uma hora. Mentira tem perna curta. — Suspirei. — Eu tenho medo do que pode acontecer quando se trata dos dois.

— Connor não machucaria nem uma mosca, mas Wilmer é quem perde o controle com facilidade e pode fazer uma besteira. — Gecko suspirou. — Você ainda está confusa?

— Não sei. Continuo amando o Wilmer, sim, mas tenho um relacionamento com Connor e não quero magoá-lo — afirmei. — Se pelo menos Wilmer não estivesse noivo, as coisas estariam mais fáceis.

— Está cedo para tomar decisões. — Seth abriu um sorriso mínimo. — Se você acha que tomará um rumo no qual será feliz, ninguém pode lhe impedir.

— Se alguém descobrir tudo um dia, eu sinto que perderei todos que eu amo — confessei. — Todos me abandonariam e julgariam, apedrejariam...

— Eu nunca abandonaria você.

Sem perceber, eu abri um sorriso de orelha a orelha. Gecko, mesmo deitado na cama, foi puxado para um abraço desajeitado. Sinceramente, eu não precisava pensar duas vezes para concluir que aquele era o meu melhor amigo e que dar uma chance a uma amizade entre nós havia sido a melhor burrada cometida por mim.

— Você precisa dormir — ele disse. — E vai acordar com uma ressaca danada amanhã. Sabe que eu poderia passar a noite toda conversando com você, mas você precisa estar em pé às 06h00min. Está batendo a 01h00min.

— Minha vida é uma derrota. — Bufei, fechando os olhos. — Durma comigo, Gecko.

— Não é uma boa ideia.

— Eu não vou saltar no seu pênis, seu bastardo. Só preciso de alguém para não me sentir sozinha— afirmei com voz manhosa. Efeitos da bebida. — Eu sou um lixo. Preciso de alguém e só tenho você. 

Seth me encarou pensativo, mas logo comprimiu os lábios e assentiu, tranquilizando sua expressão. Sussurrei um “boa noite” para o rapaz e fechei os olhos, caindo em um sono profundo logo em seguida.

 

 

Talvez por conta da ressaca, o dia foi um saco. O trabalho na MSW resumiu-se em agendar reuniões e fazer relatórios baseados nos lucros e finanças das sedes de Atlanta. Durante o dia inteiro, Wilmer e eu havíamos nos encontrado apenas uma vez, justamente na entrada, quando ele, educadamente, sempre me deseja um bom dia em espanhol. Ele ficou em reuniões com parceiros durante quase todo o tempo e sequer tivermos um minuto para conversar sobre o ocorrido da noite anterior — no qual eu não me lembrava completamente, mas Seth fez questão de me recordar.

Após o almoço, as horas até que passaram rápido. Marissa e eu já estávamos arrumando as nossas coisas em nossas devidas bolsas para deixarmos de vez a MSW. Estávamos, como sempre, conversando sobre assuntos aleatórios em um tom baixo, mas um em especial: toda a confusão entre Wilmer e Connor.

— Meninas...

Emeraude surgiu em nossa frente com um sorrisinho no rosto. Automaticamente, demos uma pausa no assunto e olhamos para ela. Meu coração até pareceu errar uma batida.

— Vocês viram se o chefe de vocês já saiu? — ela indagou.

— Eu não vi — Marissa respondeu. — Ele passou por aqui, Demi?

— É provável que ainda esteja em sua sala — afirmei. — Não o vi saindo.

— Uma de vocês pode ligar para ele e avisar que eu estou o esperando aqui? — ela pediu. — Será rápido. Só preciso que ele venha logo, pois precisamos resolver algumas coisas sobre o casamento. 

Desviei automaticamente o olhar, mordendo meu lábio inferior com força por conta da frustração. Marissa, por sua vez, pegou o telefone e em uma discagem rápida, ligou para a sala de Wilmer, logo na frente. A loira avisou em poucas palavras que a sua noiva estava ali, o esperando. Enquanto esperava, Emeraude ficou entretida com seu celular e notei, pelos poucos segundos, que ela parecia apenas uma humilde mulher que foi tirada da miséria por Valderrama e estava contando os dias para o casamento. Mesmo tendo tudo o que havia acontecido entre Wilmer e eu em mente, eu precisava disfarçar meu nervosismo diante dela.

— Acho melhor eu descer — avisei. — O senhor Madrigal já foi avisado, não acho que minha presença seja importante a partir de agora.

— Espere um minuto, Demi. — Emeraude segurou o meu braço quando ousei caminhar até o elevador. — Quer dizer, sei que não temos intimidade, mas posso te chamar assim?

— Claro. — Abri um sorriso falso. — Mas por que devo esperar?

— Ele lhe entregou os convites? — ela perguntou e balancei a cabeça negativamente. — Bom, ele tem um para você, um para o seu amigo que mora contigo e outro para a Marissa.

— O chefe esteve ocupado hoje — afirmei —, capaz que tenha esquecido-se de entregar. Tudo bem. Posso esperar.

Wilmer saiu de sua sala logo em seguida e, talvez por estar atenta a qualquer movimento dele, notei a sua rápida expressão de susto quando viu Emeraude e eu lado a lado.

— Os convites, meu amor. — Sua noiva o lembrou.

Wilmer não falou nada, apenas assentiu, voltou para a sua sala e logo voltou com três em mãos. Entregou um para Marissa e dois para mim — que, no caso, era o meu e de Seth. E, ali mesmo, uma vontade imensa se rasgá-los na frente dos dois me invadiu. Entretanto, pelos menos naquele momento, tive bom senso. Abri meu mais falso sorriso e dei os mais falsos “parabéns pelo casamento, vejo os dois lá”.

Descemos o elevador, todos juntos. Vê-los de mãos dadas chegava a ser uma tortura para mim. Meu subconsciente parecia gritar para mim mais uma vez, e daquela vez dizia “Sua vadia, olhe só o relacionamento que você está destruindo”.

Ao deixar a MSW, seguimos por caminhos diferentes. O casal começou a conversar sobre assuntos sérios e caminhava lentamente, Marissa foi em direção ao seu ponto de ônibus e eu caminhei até o meu. Assim que lá cheguei, apoiei minhas costas no tronco de uma árvore e revirei minha bolsa atrás daquele cartão que Connor havia mandado junto às flores.

Entretanto, não consegui sequer ler a primeira linha escrita a mão. A movimentação no porta da empresa chamou a minha atenção. Eu não podia ouvir, mas sabia que Emeraude e Wilmer discutiam sobre algo. A expressão da moça entregava o jogo. Disfarçadamente, prestei atenção nos gestos raivosos da moça e até mesmo na indiferença de Wilmer. Emeraude parecia bufar ao final de frase. Parecia que apenas eu prestava atenção naquela conversa alterada, talvez por, naturalmente, ficar de olho na movimentação deles. Então, após alguns segundos, Wilmer segurou a sua mão e começou a caminhar em direção da garagem. Devia apenas ser uma discussão idiota sobre decorações do casamento e alguma divergência deveria ter a irritado. Aquilo me fez voltar a focar no cartão em minhas mãos.

“Trago-lhe flores vermelhas, pois, além de saber que vermelho é sua cor favorita, ela simboliza paixão. Eu tenho certeza que me apaixonei por você desde a primeira vez que lhe vi naquela delegacia há anos. Tínhamos um lugar melhor para um primeiro encontro? Acredito que não. Você esteve presente em meus pensamentos desde aquele dia. Não houve um dia sequer que você não passou pela minha mente desde lá. E eu sinceramente não sei como devo lhe agradecer por ter me dado uma chance. Aquele “sim” era tão esperado por mim que fiquei sem reação quando o ouvi, você se lembra?...”

— Entre aqui. — A voz latina soou dura como soava quando me dava ordens na ESCAPE. O rapaz no carro abriu a porta do passageiro e me encarou. — Venha, preciso te levar a algum lugar.

— Cadê sua noiva? — questionei.

— Pode simplesmente entrar no carro? — Ele revirou os olhos. — Estou pedindo com educação.

Eu o encarei por alguns segundos e sem alternativa, entrei em seu veículo. Ele não olhou para mim, e sim mantinha seus olhos no retrovisor. Parecia estar preocupado com quem estaria nos vendo. Coloquei o cinto de segurança e o olhei intensamente, sem entender absolutamente nada.

— Aonde vamos? — perguntei, percebendo que ele fazia um caminho totalmente diferente da minha casa. — Eu preciso buscar a Lucy na casa da minha mãe. Wilmer, o que diabos você está fazendo?

— Você está em desespero como se eu tivesse lhe sequestrando e lhe levando em direção à morte. Relaxe. Ligue para a sua mãe e diga que vai atrasar — ele pediu.

— Nunca mais faça brincadeiras assim — ordenei.

— Desculpe. — Ele tirou a mão da marcha do carro e procurou a minha, entrelaçando nossos dedos. — Nunca mais brinco com seu passado, prometo. A convivência com Seth me faz soltar piadas ridículas. — Ele beijou a minha mão.

— Para onde você está me levando? — insisti.

— Não é nada demais. — Ele deu de ombros. — Vamos encontrar umas pessoas. Ligue para a sua mãe antes que ela fique preocupada.

— Se me disser para onde vamos, talvez eu ligue.

— É uma área militar que foi abandonada há 20 anos. Vamos encontrar com os garotos e outras pessoas que você precisa conhecer — ele afirmou. — Agora ligue.

— Achei que criminosos se encontravam em galpões — zombei, procurando o aparelho em minha bolsa.

— Ninguém gosta de clichês. — Ele  bufou e persistiu focado na estrada. — E nos encontramos ali desde sempre.

— Por que eu sinto que vocês vão me meter em encrenca de novo? — questionei.

Wilmer nada respondeu, apenas deu um sorrisinho e continuou a prestar atenção na rodovia. Com poucas palavras, liguei para a minha mãe e avisei que atrasaria por conta de um acidente grave que havia parado o caminho do ônibus. Ela acreditou sem questionar muito e até se sentiu feliz por saber que poderia passar um tempo a mais com a neta.

Passei a pensar no que Valderrama estava aprontando e se aquilo seria o primeiro passo para mais uma confusão. Apenas saí de meus devaneios quando ele deixou a rodovia e começou a dirigir em um bairro pequeno. Não era longe da MSW. A noite já estava caindo e percebi que existia certa movimentação nos barzinhos do que seria um subúrbio, mas não identifiquei exatamente onde diabos estava. Depois de um tempo e alguns metros percorridos no carro, assustei-me quando Wilmer entrou em uma rua escura, com poucas casas. As únicas luzes vinham da área militar propriamente dita. Valderrama buzinou algumas vezes na frente do portão do lote e um rapaz, cuja aparência era desconhecida por mim, abriu o mesmo com um sorriso.

— Finalmente, idiota! — gritou o rapaz. — Estávamos apenas te esperando.

Wilmer abaixou o vidro do carro e parou ao lado de seu amigo para zombar.

— Você esperou oito anos para sair da prisão e não pode me esperar por uns minutinhos, Ashton Kutcher? Eu te trouxe para cá, me agradeça.

— Cale a sua boca e apenas entre, preciso fechar o maldito portão — pediu. — Olá, senhorita! Ouvi muito sobre você.

— Olá, senhor Kutcher!

— Já falou demais por hoje, Ashton.

Wilmer fechou rapidamente o vidro e acelerou o carro, deixando-o estacionado em uma vaga, exatamente no meio de outros carros. Havia várias pessoas ali e, visto que a primeira que apareceu em minha frente era desconhecida, supus que as outras também.

— Com licença — ele pediu, abrindo o compartimento fechado, ou porta-luvas do carro, e retirando dali uma pistola e colocando-a em sua cintura.

— De novo não, Will... — Suspirei.

— Questões de segurança. — Deu um sorriso de canto.

Ele abriu a porta do carro e caminhou rapidamente até o meu lado, abrindo gentilmente a porta do carro para mim. Eu o agradeci com um mero sorriso e ele passou seu braço ao redor de minha cintura, selando com calma nossos lábios.

— Will — Assim que me toquei, me afastei e o encarei —, não é perigoso se formos vistos aqui?

— Não tem ninguém por perto — garantiu. — Eles estão lá dentro.

— Se é assim... — Passei os braços ao redor de seu pescoço. — Me desculpe, então.

Eu selei nossos lábios novamente e dei início a um beijo intenso. Nossas línguas se encontravam e o simples toque me causava arrepios e as malditas borboletas no estômago. Ainda parecia perigoso, mas a falta que eu sentia de seus lábios me cegava. E fazia pouco mais de vinte e quatro horas que eu não os tinha.

— Agora, infelizmente, precisamos fingir que nada está acontecendo — ele lembrou.

— Não. Eu preciso de mais.

Ele soltou uma risada gostosa e me beijou mais uma vez. O beijo era calmo, parecia até que explorávamos lentamente um ao outro com uma delicadeza extrema. Suas mãos percorriam minha cintura, o que resultou nos pelos do meu corpo ouriçados.

— Tudo bem, agora precisamos ir e fingir que nada aconteceu. Posso me acostumar momentaneamente com isso. — Bufei.

Como se fôssemos indiferentes em relação um ao outro, ele começou a caminhar na minha frente e eu o segui. Wilmer abriu uma porta que deu no que parecia um enorme escritório. Ali, deparei-me com rostos conhecidos e desconhecidos. Todos conversavam uns com os outros e quando me viram, um silêncio se instalou no local até Seth Gecko quebrá-lo.

— Bem-vinda ao clube, coração!

Todos da ESCAPE estavam ali, inclusive Eiza e até mesmo Kate Fuller.

 

Encontrei, sem querer, uma garota encostada na porta do camarim. Ela parecia ter no máximo dezoito anos, tinha um cigarro entre os dedos e me cumprimentou rapidamente.

— Você é nova? — ela questionou se aproximando de mim.

— Cheguei hoje.

— E já anda por aí com a roupa de um deles nas mãos? Você é rápida, demorei semanas para conseguir seduzir o Richie e tentar fazê-lo me tirar daqui — reclamou. — Sou Kate. E você, novata, como se chama?

— Demetria, mas pode me chamar de Demi — afirmei. — E eu não seduzi ninguém. Aliás, esta nem é minha intenção.

— Ah, então você é a Demetria. La Diosa.

 

— Kate?! — A minha surpresa foi inevitável. — Meu Deus, como você está diferente!

Kate era apenas um jovem de aproximadamente dezoito anos que me cedia alguns cigarros na ESCAPE. Eu costumava conversar bastante com ela, principalmente por conta de seu interesse pela música. Ela estava aparentemente mais madura, adquirira cabelos ruivos e mais curvas. Eu dei um abraço longo nela e um sorriso não saía de seu rosto.

— Você está linda! — ela exclamou. — Mantém esse corpo esculpido por deuses mesmo depois da gestação. Preciso dar meus parabéns.

— Pare, você me faz corar! — brinquei.

— Demi, quero lhe apresentar algumas pessoas. — Seth me abraçou de lado. — Aqueles ali... Você já conhece. Dispensa apresentações.

Ele apontou para Nick, Joe e Eiza. Os cumprimentei com um sorriso no rosto, cujo foi retribuído por cada um.

— Essa é Manola. — Seth apontou para a linda morena ao lado de Eiza. Seus cabelos lisos batiam no ombro e tinha traços latinos. — Sim, é Manola. Ela é a namorada de Eiza.

Provavelmente deixei minha surpresa clara demais. Não que fosse homofóbica, pelo contrário, mas sim por receber uma notícia daquela proporção quando se tratava de Eiza, ex-namorada de Wilmer e viúva de Richard.

— Vocês formam um belo casal — afirmei. Não era mentira.

— Ouvi muito sobre você. — Manola sorriu.

— Pelo visto muita gente andou falando de mim por aqui. — Dei um sorriso falso.

— Não temos como tirar você de nossas bocas, meu amor — Seth cantarolou as palavras. — Enfim, este é Freddie. Ele é policial e nos ajuda secretamente desde 2009. O chamamos de Guardião da Paz, porque ele realmente faz a paz reinar quando estamos aqui.

O policial tinha traços latinos mais chamativos do que os de Manola. Ele apertou minha mão e me cumprimentou brevemente.

— Ashton Kutcher é...

Seth iniciou, mas Wilmer logo o interrompeu dizendo:

— Ela conheceu esse babaca na entrada — afirmou. — Então... Viemos aqui para colocar todas as cartas na mesa.

— Mas primeiro precisamos lhe  entregar algo — Eiza se manifestou. Ela caminhou rapidamente até uma mesa ao canto, tirando uma maleta de dentro da gaveta do móvel. — Talvez você precise disso.

Aproximei-me dela e notei que dentro da maleta havia quatro armas distintas. Logo franzi o cenho e encarei a moça, pensando em uma utilidade naquilo além de matá-la.

— Qual a necessidade disso?

— Segurança. Talvez precise — ela disse com calma. — Não é nada com que precise se preocupar.

— Vocês estão unidos, me entregam armas, me apresentam pessoas como vocês e não querem que eu me preocupe?

— Queremos o bem estar de Lucy — Nick interveio. — Sabemos que não podemos dar nenhum passo em falso. Pela sua segurança e por ela, aceite isso.

— Ainda me parece suspeito — confessei. — O que vocês estão aprontando?

— Nada — Joe afirmou. — O que realmente importa é que você e sua filha fiquem em segurança.

Pensei em insistir questionando o que eles queriam e o que os levava a fazer aquilo. Certamente estavam aprontando ou pensando em fazer algo. Por mais que eu indagasse-os, não me contariam. Entretanto, eu tinha uma arma poderosa que poderia usar a meu favor: a incapacidade de Valderrama de esconder um segredo de mim.

— É isso? — Encarei cada um. — Posso ir embora agora?

— Não — Wilmer disse. — Você sempre deixou clara a sua curiosidade sobre diversas coisas que aconteceram antes, durante e depois da ESCAPE. Estamos aqui para responder.

— Você matou Casey? — questionei rapidamente, olhando no fundo de seus olhos. Valderrama pareceu desconcertado com a minha pergunta que pareceu sair como um tiro.

— Matei — afirmou.

— Por quê?

— Uma mistura de raiva e medo. Raiva porque ele se jurou leal e quando viramos as costas, deixou que sequestrassem você e te levassem para a casa dele em Bruxelas. Ele deixou de Narciso lhe torturasse, que fizesse qualquer coisa com você. Nunca engoli isso — ele falava como se não houvesse mais ninguém ali além de nós. — Ele também se aproveitou disso para tentar abusar de sua ingenuidade. E éramos fugitivos e Casey sabia do nosso paradeiro. Uni as razões e não vi modo melhor para calar ele.

Por uns segundos, encarei as cicatrizes nos meus pulsos, recordando-me da noite em que Narciso havia cortado-os na vertical e Casey, por puro fingimento, limpou-os. Recordei-me de seu rosto, sua barba e sua aparência que se parecia minimamente com Valderrama.

Eu podia questionar Seth sobre Sonja, mas o rapaz já havia me contado a história sem muitos detalhes.

— E os pais de Emeraude? — Continuei o encarando. — Você realmente os matou?

— Sim — Valderrama disse. — Eles sabiam demais. Tire suas conclusões disso.

— Ela sabe?

— O quê? — Franziu o cenho.

— Que você os matou — completei.

Wilmer suspirou, fechando os olhos e os apertando por uma fração de segundo. Típico de quando ficava nervoso.

— Não — replicou. — Não sabe. Agora me diga você: só ficou comigo por que queria sair da ESCAPE?

— Por que duvida do que senti por você depois de tudo que fiz? — esbravejei.

— Vocês tiveram quase seis anos para discutir isso e estão discutindo logo aqui e agora? — Gecko indagou. — Por Deus!

— Vou fumar — avisei, aproximando-me de Seth. O rapaz logo entendeu o recado, estendendo-me seu maço. — Já volto.

Peguei apenas um cigarro do maço e Seth tratou de me emprestar também o isqueiro. Sob o olhar de todos, caminhei até a porta daquele imenso escritório e saí, caminhando lentamente até a garagem. Acendi o cigarro entre meus dedos tapando o mesmo por conta do forte vento de batia. Traguei, pela primeira em meses, o cigarro e observei a fumaça seguir junto ao vento. Em meus devaneios, eu pensava sobre Valderrama e suas revelações. De alguma forma, ele não havia mudado.

— Então... — Depois de uns minutos, o rapaz se aproximou de mim, como se tivesse entendido que eu não queria continuar discutindo com ele ali. — Acho que você não digeriu muito bem o que eu acabei dizendo.

— Falhei em criar expectativas sobre todos vocês — confessei. — Agora descubro que não mudaram nada.

— Todos nós somos monstros, Demetria. — Ele se aproximou. — Uns mais que os outros, sim. Você mesma sabe disto. Sei que faria qualquer coisa para proteger a si e sua filha. Se os pais de Emeraude ou Casey abrissem a boca, eu e até mesmo vocês estariam em perigo. Isso vale até hoje — argumentou.

— Como pode dormir ao mesmo lado de Emeraude todas as noites sabendo que matou os pais dela? — indaguei.

— Você quer me culpar e sentir pena dela? Sinta. Mas saiba que tudo o que eu fiz foi pensando em mim e minha família — ele disse. — Já lido com isso todos os dias, assim como você também lida com as pessoas que matou.

— Não me faça lembrar isto — pedi, observando mais uma vez a fumaça do cigarro pairando pelo ar.

— Eu não te faço lembrar e você não me faz lembrar. — Ele procurou pelos meus olhos. — Estamos quites?

— Aparentemente. — Dei de ombros.

— Como você, não gosto de lembrar o que fiz — afirmou. — Eu tento esquecer e seguir em frente. Você e Lucy me ajudam a me distrair, esquecer de tudo. Por isso que gosto de estar aqui, Demetria.

Assenti, jogando o cigarro no concreto e pisando sobre o mesmo com o meu salto para apagá-lo. Pela última vez, soltei o ar preso em meus pulmões.

— Eu tento me distrair, mas tenho meus sonhos. Não acontecem com tanta frequência, mas me fazem lembrar. — Suspirei. — Tirando isso, Lucy me distrai. Ainda mais agora, ela está aprendendo o alfabeto por completo e fica o dia inteiro me pedindo ajuda. Ela também aprendeu a escrever o nome dela, o meu, o de Seth e o seu. O meu é fácil, ela só escreve um “Demi” e se sente feliz, assim como quando escreve o do Seth. O seu ela escreve como Vilner. É fofo.

Wilmer sorriu, mas não era um sorriso falso ou simples. Ele sorria com os olhos, já que brilhavam intensamente. Qualquer coisa relacionada à sua filha o deixava totalmente bobo.

— Eu sei que, em partes, Lucy foi um acidente — Ele gesticulava —, mas não tenho dúvida nenhuma que foi a melhor coisa que já aconteceu em minha vida.

— Você está aqui agora. Mentiria se dissesse que isso também não é uma coisa boa — confessei. — Para Lucy e para mim, no caso.

— Enfim... — Ele me olhou. — Você realmente ficou comigo apenas porque queria sair da ESCAPE?

— Inicialmente. Mas você sabe... Eu não conseguiria te enganar por muito tempo — argumentei. — Me apaixonei mesmo por você quando conheci o seu lado humano, Will.

— Podemos esquecer algumas coisas e seguir em frente? — ele perguntou.

— Prometo tentar — assegurei. — Mas mesmo assim... Vai ser difícil te olhar e não me lembrar dos pais de Emeraude.

— Não se eu mudar sua visão sobre mim. — Arqueou a sobrancelha.

— Como planeja?

— Pensarei sobre isso. — Colocou as mãos nos bolsos e deu um sorriso torto. — Vamos entrar. Ainda temos o que conversar e estão esperando você.

Eu assenti e nós caminhamos mais uma vez até o interior do grande escritório. Os meninos, mais uma vez, pararam suas conversas paralelas quando Valderrama e eu entramos. Logo, me aproximei de Gecko e lhe devolvi o seu isqueiro.

— Não vou mais te dar cigarros — ele disse.

— Você fala isso o tempo inteiro. — Revirei os olhos. — Sempre me dá quando peço.

Depois de falar aquilo para Seth, um barulho alto de palmas soou e ainda ecoou no local. Virei-me instantaneamente e um nó se formou na minha garganta quando me deparei o rapaz de grande topete, barba, olhos negros e sorrisinho naturalmente torto, mas sarcástico naquele momento.

— Que lindo! — ele exclamou. Connor dava passos lentos até nós. — Quem diria que eu veria todos vocês aqui, juntos e unidos. Acho que esse é um bom momento para ligar para a polícia e dizer que todos vocês estão completamente vivos.

— Connor, o que está dizendo? — Seth indagou, aproximando-se dele. — Nós somos seus amigos!

— Você era meu amigo! — ele deu ênfase na palavra, deixando Seth de olhos arregalados. — O que foi? Acha que eu não sei que você está acobertando o caso que Demetria tem com o ex dela?

Encarei Wilmer, do outro lado da sala, por uma fração de segundo. Ele não esboçava reação, mas mantinha seu punho cerrado. Provavelmente tentava omitir o seu verdadeiro sentimento de raiva para não estragar tudo.

— Do que você está falando, Connor? — Me manifestei.

— Você acha que eu sou idiota de novo?! — esbravejou. — Eu fui lhe buscar na empresa porque achei o episódio de ontem à noite muito estranho. Só para me certificar, apareci lá no final do seu expediente e o que eu vejo? Você entrando no carro deste bastardo! — ele gritava por conta do nervosismo. — Claro que os dois não perceberam, deviam estar distraídos demais no carro. Quando vi que entraram aqui, eu mesmo pulei o muro. Então, olhei por aquela janela — Ele apontou para a janela. Por azar, sequer cortinas tinha — e vi todos aqui. Para melhorar, depois de um tempo, vi esses dois saindo. — Daquela vez, apontou para Wilmer e eu. — Saindo e conversando sozinhos ali fora. Tenho que admitir... Vocês fizeram um belo casalzinho, mas não vou deixar que você tenha um caso com ele nas minhas costas!

— Você não sabe o que está falando! — retruquei. — Pode, por favor, parar de ser arrogante e espalhar essas coisas absurdas na frente de todo mundo?

— Aposto que todos eles sabem sobre a verdade, Demetria — ele falou após uma gargalhada falsa. — Principalmente você, Seth Gecko. Achei que era meu melhor amigo!

— Cara, você está fora de controle. — Nick aproximou-se de Connor e tocou seu ombro. — Você está agindo precipitadamente.

— Precipitadamente? — Deu uma gargalhada falsa mais uma vez. — Há semanas essa vadia disse que iria para a praia com as amigas, mas quando fui a sua casa para lhe fazer uma surpresa de aniversário de namoro, ela apareceu com Wilmer! Como se não bastasse, convive diariamente com ele em sua sala naquela empresa, bancando a secretária eficaz. Agora eu dou de cara com isso! Você realmente é uma vadia, Demetria, e eu tenho vontade de matar você por isso!

O pior de tudo era que ele não estava errado, todas as suas desconfianças — que, naquele momento, já eram certezas — eram verdade. De qualquer forma, verdade ou não, eu precisava fingir que tudo que Connor dizia era a coisa mais absurda do mundo. Para piorar, cada uma de suas palavras me atingia como uma tapa estalada no rosto. E, mesmo que negasse para ele e os outros, precisava aceitá-las.

— Sabem o que vou fazer com os traidores? — ele questionou, pegando o celular de seu bolso e desbloqueando a tela. — Vou ligar para a polícia e denunciá-los! É isso que vocês merecem.

Connor, em passos rápidos e discando na tela de seu celular, deixou o escritório e caminhou até a garagem.

— Sério? Ninguém vai pará-lo? — Joe foi o primeiro a se manifestar depois de uns segundos em silêncio.

— Ele está fora de controle. Vai nos entregar — Valderrama disse, olhando para um ponto fixo na sua frente. — Então, infelizmente, se ninguém matá-lo, eu mesmo mato.

— Você enlouqueceu?! — Não consegui controlar o meu tom de voz. — Não faça nada contra ele! Vocês podem pará-lo sem o machucar!

— Desculpe, princesa — Incrivelmente, seu sotaque latino estava carregado — eu não sou a pessoa que vai voltar para a cadeia por causa de mais um surto idiota do seu namorado.

Sem pensar duas vezes, Valderrama engatilhou sua arma e caminhou em passos rápidos até a mesma porta por onde Connor passara, saindo do meu campo de visão. Joe, Nick, Freddie e Ashton praticamente correram atrás de Wilmer. Seth foi o único que permaneceu ali, me abraçando de lado e impedindo que eu tentasse me aproximar para ver qualquer coisa, praticamente me segurando.

Houve uma gritaria, mas eu não conseguia identificar quase nenhuma palavra por conta do nervosismo. A única certeza que eu tinha era que se tratava de uma mistura de vozes masculinas. Se Seth não estivesse me segurando — com razão, já que eu poderia causar danos maiores se estivesse lá —, eu certamente correria para tentar salvar Connor. Mas, independentemente de qualquer coisa realizada por mim, seria tarde demais. Porém, quando minha audição captou o barulho inconfundível de uma arma sendo disparada, o meu coração pareceu ter uma parada por um segundo.

Sem dúvidas, tínhamos uma tragédia. E Connor era a vítima.


Notas Finais


yooo!!! como vão vocês?
eu sei que eu demorei pra caramba pra postar, mas meus dias andam ocupados lkkkkkk o que importa é que estou aqui mais uma vez, certo??
eu estava aqui me recordando que ultimamente as pessoas andam muito no meu curiouscat pra perguntar da fic e eu acabo dando até spoilers la, então vocês me acham la pelo mesmo user do tt @bodylovatosay
mas nao deixem de comentar aqui também, certo?
aposto que o final desse capítulo agradou a muitos
ALIAS talvez eu comece a acampar pro ZF com uns amigos que me chamaram, mas isso não significa que DP vai atrasar ainda mais, pelo contrário!!!
até a próxima, meus amores!!


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