História Dark Paradise - Capítulo 58


Escrita por: ~

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Categorias Demi Lovato, Wilmer Valderrama
Personagens Ally Brooke, Amy Raudenfeld, Asher Millston, Ashton Kutcher, Camila Cabello, Connor Walsh, Demi Lovato, Dinah Jane Hansen, Eiza González, Frank Delfino, Halsey, Joe Jonas, Laurel Castillo, Lauren Jauregui, Michaela Pratt, Nick Jonas, Normani Hamilton, Oliver Hampton, Ranger Freddie Gonzalez, Richard "Richie" Gecko, Santanico Pandemonium, Seth Gecko, Troye Sivan, Wilmer Valderrama, Zara Larsson
Tags Dilmer, Drama, Romance, Suspense
Visualizações 201
Palavras 6.093
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 58 - Eu sou La Diosa


Fanfic / Fanfiction Dark Paradise - Capítulo 58 - Eu sou La Diosa

A casa dos Jonas era quase como a que eles tinham em Amsterdã: regada de coisas luxuosas, nas quais nem se vendesse meu imóvel seria capaz de comprar. Entretanto, sequer reparei bem na decoração, focando apenas no grupo sentado à mesa, olhando intensamente para mim enquanto eu me aproximava na companhia de Wilmer. Eles me encaravam da mesma forma sedenta do dia em que saí do hospital carregando notícias de Connor. Porém, daquela vez, o problema era bem maior.

— Demi, antes de qualquer coisa, eu preciso de sua ajuda. — Eiza aproximou-se de mim, tocando meu braço.

— É sobre Seth?

— Não, mas...

— Então estou pouco me fodendo — afirmei, desviando meu olhar de seu rosto. — Você nunca me ajudou quando eu precisei.

— Demi... — Nick suspirou. — Largaram um recém-nascido na frente da casa de Eiza e Manola. Nenhuma das duas tem experiência com crianças e elas precisam de algumas instruções.

— Estou cagando pra isso — rosnei. — Eu acabei de encontrar Oliver e sua gangue e vocês querem que eu seja uma instrutora dessa mulher?

— Escutem o que ela tem a dizer — Wilmer pediu com calma. — Deixaremos esse assunto para depois. Existem prioridades.

— Certo... — Suspirei. — Eu conheci Oliver, Frank e Laurel. Frank pegou o dinheiro e logo Oliver apareceu, me dizendo que Seth está morrendo lentamente e que a vida dele está em nossas mãos.

— Ele não disse onde Seth está? — Nick indagou.

— Não exatamente. Oliver disse que gosta de brincar, de jogar com as pessoas. Ele basicamente disse que daria dicas de onde Gecko estaria a cada 5 milhões — expliquei. — Eles acrescentaram também que ele está morrendo sem dor em Miami Beach, no que será um local público.

— Como assim “no que será um local público”? — Kutcher, aquele que eu não suportava, perguntou-me. Ele, vagarosamente, se aproximou de mim.

— Deve ser uma charada. — Arqueei a sobrancelha, pedindo indiretamente para que todos pensassem no que aquilo significava. Minha mente estava cheia demais para que raciocinasse qualquer coisa.

— Algo ainda não inaugurado — Joe estalou a língua no céu da boca. — Algo que será uma escola, parque, um hospital... Alguma construção.

— Como vamos achar qualquer local público em construção em Miami Beach? — Eiza revirou os olhos. — Precisamos de mais.

— Então Oliver precisa de mais cinco milhões de dólares! — esbravejei. — Se virem! Salvem Seth! Vocês não são podres de ricos? Cinco milhões não são nada pra vocês!

— Essa aí também é selvagem assim na cama, Valderrama? — Ashton indagou.

Meu sangue pareceu ferver em meu corpo, o que me fez, inconscientemente, atingir o rosto de Kutcher com uma tapa que chegou a fazer a palma da minha mão arder intensamente. Antes que aquilo ocasionasse uma briga maior, Wilmer agarrou meu braço com força e me tirou de perto de um Ashton com sangue nos olhos, mas nada me impediu de gritar algumas ofensas a Ashton.

Valderrama me levou até a parte de trás da casa, onde me fez sentar em um balanço de madeira. Ele se ajoelhou na minha frente e olhou em meu rosto, avaliando-me enquanto eu bufava de raiva.

—  Se estressar não vai ajudar em nada. Devemos focar em salvar Seth.

— É o que eu mais quero, Will! — exclamei, notando que minha voz estava embargada. — Mas parece que apenas eu estou me esforçando para manter o meu amigo vivo! Estamos correndo contra o tempo, Wilmer, e eu preciso ver Gecko vivo. Já perdi pessoas demais e sinto que estou a ponto de enlouquecer apenas por pensar em perder o Seth também.

Sem que eu notasse, minhas mãos tremiam. A minha fúria com toda aquela situação era claramente notável. Wilmer segurou a minha mão e olhou intensamente em meus olhos marejados.

— Vamos fazer o possível e impossível para salvá-lo, certo? — ele garantiu. — É uma promessa.

— Nós sempre fazemos um monte de promessas. — Solucei. — Essa está difícil de cumprir, visto que seus amigos parecem não se importar.

— Eles se importam. Só precisam pensar no que fazer. Agir precipitadamente não vai ajudar em nada, precisamos premeditar. — Ele deu um sorriso de lado. — Se necessário, vamos fazer uma pesquisa de todos os locais públicos em construção de Miami Beach, sim.

— É necessário.

— Calma. — Ele passou a mão em meu rosto. — Vai dar tudo certo. Pensar negativamente atrai coisas ruins.

— Façam o possível — supliquei. — Vocês têm recursos, Will. Sou só uma pobre mulher que não pode fazer nada.

— Confie em mim. Vamos resgatar ele.

— Eu confio em você, Will — garanti. — Mas precisamos ajudar uns aos outros para que, assim, possamos salvar Seth.

— Nós vamos. — Ele, com calma, selou nossos lábios por longos segundos. — Podemos entrar e tentar pensar em algo?

— Só se você tirar Ashton de perto de mim.

— Certo. Ninguém perto de você.

— Você é uma exceção — afirmei, provocando um sorriso em seu rosto. — Você pode.

Wilmer levantou-se na minha frente e estendeu a mão, me auxiliando a levantar também. Automaticamente, ele passou seus braços ao redor de meu corpo e puxou-me para um abraço forte. Sem hesitar, eu retribuí o abraço e suspirei, tentando manter a calma. De forma ou outra, Valderrama conseguia me passar a calma que eu precisava. Ainda abraçada a ele, eu olhei em seus olhos e selei nossos lábios com calma, deixando que ele aprofundasse o beijo. Por hora, esqueci que os meninos estavam dentro da casa dos Jonas e que podiam estar vendo aquilo. Porém, nós dois parecíamos não nos importar. Definitivamente, Wilmer não mentia quando dizia que sempre estaria disposto a me ajudar e me ouvir.

Fomos interrompidos pelo barulho alto da campainha da casa dos Jonas. Rapidamente, voltamos ao interior da residência como se nada  “anormal” tivesse acontecido.

Assim que voltei, dei de cara com a namorada de Eiza, Manola, com um recém-nascido no colo. Aquela era a criança que a mexicana havia me dito. Manola, assim que me viu, acenou e pediu para que eu me aproximasse. De um jeito ou outro, eu gostava da presença da namorada de Eiza, talvez por este motivo tenha me aproximado. Educadamente, ela me pediu:

— Eiza e eu somos novatas em toda essa coisa. Pode nos ajudar em algumas coisas?

— Precisa ser agora? — Franzi o cenho. — Eu tenho um problema enorme para resolver.

— Tudo bem, Demi. — Joe disse. Notei que, sobre a sua mesa, havia um notebook. — Nick deu a ideia de pesquisarmos em jornais locais sobre construções de escolas e hospitais. Sempre há algo como “tal hospital tem previsão de entrega para...” e afins. Pode ajudá-las.

Eu assenti, notando que eles realmente estavam focados na tela do notebook. Sendo assim, me aproximei dela e encarei rapidamente o rosto do garotinho em seus braços. Tinha uma pele negra, magnífica, assim como seus olhos pretos. Uma touca branca estava em sua cabeça, mas eu podia notar que seus pequenos fios que cabelo eram enrolados.

— Quer segurá-lo? — Manola indagou. Assenti. — Ele deve ter aproximadamente 1 mês. O deixaram na porta de nossa casa.

— Vocês já escolheram o nome? — questionei, encarando o pequeno em meus braços e o balançando de leve.

— Ainda não — Eiza replicou. — Nos pegou de surpresa.

— Ele é lindo — falei, passando delicadamente meu polegar por seu rosto. — Quem em sã consciência o abandonaria?

— Faz horas que estou me questionando isto — Manola afirmou cabisbaixa. — Ele chegou em um momento complicado.

— Preciso concordar. — Suspirei. — Vocês sabem como dar banho, trocar a frauda, dar o leite e fazer arrotar? É o básico.

Entramos em um pequeno debate e notei que, enquanto explicava rapidamente para as moças, Wilmer ouvia a conversa inteira. Os outros garotos focavam em uma pesquisa e ele em mim, no modo com que eu palestrava aquilo com o garotinho no colo. Claramente, imaginava como haviam sido os primeiros meses de Lucy.

— Por que não damos mais cinco milhões ao Oliver e assim ganhamos mais uma dica? — Nick sugeriu. — Temos algumas fontes aqui, mas a maioria é do ano passado.

— Vocês tem dinheiro para dar e distribuir — falei. — O que custa dar mais cinco ao Oliver? Quanto mais dicas, melhor.

— Não é fácil tirar cinco milhões de qualquer lugar, Demetria. — Joe respirou fundo.

— Não parecia difícil armar com uma agência de transportes aéreos para que selecionassem um avião que levaria todas para Amsterdã em vez de Paris. Não parecia difícil escapar todas às vezes da polícia e esconder as meninas dela quando ela ia até a ESCAPE. Não parecia difícil cruzar uma fronteira quando você é um dos mais procurados. — Cruzei os braços ao redor da região do meu peito. — Você quer me dizer que não é fácil arranjar cinco milhões quando vocês têm dinheiro até para comprar mansões no bairro mais caro dessa porra de cidade?

Todos me olharam com um tremendo espanto, inclusive Joseph e Ashton. Era como se eu tivesse dito algo proibido ou como se alguém ali não pudesse ouvir o que eu acabara de dizer. Talvez Manola não pudesse, mas eu não me importava naquele instante. Concluí aquilo quando notei o espanto em seu olhar. Se soubesse de algo — o que era provável, visto que tinha uma convivência assídua com eles —, não eram muitas as coisas.

— Não seja hipócrita ou se faça de santa — Ashton retrucou. — Você é uma de nós. Escolheu estar aqui hoje.

— Tem certeza? — Arqueei a sobrancelha. — Parece que sou eu quem possui todo o dinheiro do mundo, certo? Eu apenas disse que vocês já lidaram com situações ridiculamente piores. Ter cinco milhões em mãos para salvar um companheiro não parece ser algo impossível. Tenho certeza que, se possível, Gecko assaltaria um banco para salvar vocês de algo parecido. Ele cruzou fronteiras para me salvar quando eu estava nas mãos de Narciso, sem sequer se importar se era um fugitivo ou não. Eu sinto que preciso fazer algo por ele, me que precise fazer sozinha.

Após minhas palavras, um silencia se instalou no ambiente. Eles pareciam até processar cada sílaba que eu havia dito. Querendo ou não, aquilo servia como um belo choque de realidade para eles. O meu nível de nervosismo e estresse fazia cada frase minha soar mais intensa.

— Alguém tem o contato do Oliver? — Nicholas, comprimindo os lábios, indagou ao grupo.

— Ele me ligou em chamada desconhecida —  Wilmer afirmou. — Mas deve ter ficado com o celular de Seth. Se não ele, alguém da gangue.

— Vamos arranjar o dinheiro. — Joe bufou. — Parece que estamos mesmo correndo contra o tempo. Não podemos ficar parados.

O meu ataque de pelancas havia gerado resultados.

Joe chamou Nick e os dois subiram as escadas. Como bons criminosos, deviam ter um cofre em seus quartos ou atrás de quadros. Eiza e Manila debatiam sobre o assunto. Por bem que os conhecia, o trabalho em grupo consistia em cada um dar parte do dinheiro pedido por Oliver. Wilmer aproximou-se de mim em passos lentos, mesmo que eu estivesse com o garotinho em meus braços. Primeiramente, observou o rosto do menino. Após isso, olhou diretamente em meus olhos, suplicando:

— Aconteça o que acontecer, precisaremos ir atrás de Seth e tenho certeza que acarretará em uma briga com a gangue de Oliver. Não quero você envolvida nisso. Está ajudando o bastante. La, ocorrerão coisas que provavelmente machucarão alguém.

— Não vai ser minha primeira aventura, Will. — Suspirei. — Sei como lidar com situações assim. Não vou deixá-lo na mão.

— Eu prezo pela sua segurança acima de qualquer coisa.

— Você deixou isso bem claro, Valderrama. Já conversamos. Não adianta insistir.

Logo, os Jonas voltaram do segundo andar. Eles entraram na discussão com Eiza e Manila por alguns segundos. Após um tempo, a colombiana, namorada de Eiza, aproximou-se de mim e, com um sorriso no rosto, pegou a criança de meus braços.

— Vou precisar ir em casa. Deixarei ele com uma empregada — afirmou. — Não se preocupe. Vamos achá-lo.

Eu assenti. Assim que as duas deixaram a residência dos Jonas, Wilmer sussurrou um “elas estão indo buscar parte do dinheiro” em meu ouvido.

— Liguem para o celular de Seth. — Daquela vez, ele disse em voz alta, para que todos ouvissem. — Se dermos sorte, alguém atenderá. Se dermos mais sorte ainda, o próprio Oliver pode atender.

Joe tirou o celular de seu bolso e notei que ele deslizava o polegar na tela do aparelho, provavelmente buscando o nome de Gecko em alguma lista de contados ou coisa parecida. Um novo silêncio se instalou pelo ambiente, possibilitando até que eu ouvisse, mesmo pouco, o barulho do que indicava que o celular ao outro lado da linha estava recebendo a chamada. Quando alguém atendeu, possivelmente Frank, Jonas pareceu negociar. Afinal, tinha experiência naquilo. Falou sobre o local, preço daquilo e horário. Minha apreensão para que aquilo chegasse ao fim era estupidamente grande.

Ficou decidido que Nick, sozinho, entregaria o dinheiro no mesmo parque, mas apenas às 06h00min do que seria o dia seguinte àquele. Certamente, Oliver e sua trupe não nos deixariam abusar das dicas.

— Seis da manhã? — questionei. — Até lá Seth estará morto.

— Pense positivo, Diosa — Wilmer pediu. — Vamos achá-lo de qualquer forma.

— Eu espero. — Suspirei.

— Joe e eu vamos continuar pesquisando — Nick avisou. — Podem ir para casa e descansar. Quem sabe possam pensar em algo.

Nós assentimos. De qualquer forma, não tínhamos mais o que fazer ali. Ashton seguiu na frente. Fiz questão de manter distância dele. Wilmer e eu seguimos atrás. Pelo fato de termos chegando juntos, não levantamos maiores suspeitas quando fomos embora no mesmo carro. De modo cavalheiro, Valderrama abriu a porta do carro para mim e logo deu a volta no veículo, sentando-se no banco do motorista.

— Vou deixar você em casa — advertiu.

— Fique comigo. Não vou conseguir dormir a noite com tudo isso em mente. Por favor.

Wilmer pareceu pensar. Afinal, mesmo que estivessem em crime, tinha Emeraude.

— Isso pode causar problemas — ponderou.

— Só vai ser mais um na nossa lista. — Toquei seu rosto. — Por favor. Fique. Lucy estará conosco.

Ele não disse nada, apenas ligou o carro e deu partida. Somente segurou a minha mão e seguiu caminho pela estrada.

A distância da casa dos Jonas ao bairro onde eu morava não era grande, mas também não era pequena. Demoraram cerca de 17 minutos para que Wilmer estacionasse na frente da casa de minha mãe, onde tive encontro com uma Lucy sonolenta, mas que logo ficou entusiasmada quando deu de cara com o pai. Ela me cumprimentou e correu descalça para dar um abraço forte em Wilmer, que chegou a suspendê-la no ar.

Por morar extremamente perto de minha mãe, segui andando para minha casa com Lucy. Valderrama entrou em seu carro e fiz questão de abrir o portão da garagem — até então inútil — da garagem de minha residência. Após anos, era a primeira vez que alguém além de Connor deixava um veículo ali.

Então, quando estávamos todos nós nos interior de minha morada, Wilmer fez questão de preparar um jantar. Era sempre daquele jeito. A comida foi simples, visto que ele queria ser rápido para que Lucy pegasse no sono. Era notável o sono que a garotinha sentia.

Depois de jantarmos, seguimos ao corredor dos quartos. Porém, como se estivesse querendo provocar, Lucy pediu deforma manhosa que deitássemos todos juntos em meu quarto. Não houve discussão com a garotinha que insistia naquilo.

— Lucy, venha cá — pedi, sentando-me na cama de meu quarto. Wilmer nos observava apoiado na porta. — Hoje é uma exceção. Você dormirá sempre no seu quarto.

— O papai não vem dormir com a gente? — ela questionou, olhando para Valderrama.

— Sim, ele vem por hoje — respondi. — Venha, Will, não existem monstros nessa cama.

— Não! — Lucy, em um pulo, subiu na cama. — Eu sou um monstro! Você terá que me matar!

— Eu sou um guerreiro que vai matar o monstro! — Wilmer afirmou.

Rapidamente, ele retirou seus sapatos e caminhou em pessoas rápidos até Lucy. Os dois, sem qualquer preocupação, começaram a brincar na cama. O guerreio, na verdade, mandava o pequeno monstro com cócegas. Aquela cena me deixava extasiada. Afinal, após tanto tempo separados e sem ver um ao outro, como podiam agir como se milhares de quilômetros não tivessem os separado por quatro anos?

— Certo, você já está vermelha de tanto rir, Lucy — Wilmer disse, sentando-se no colchão e ajeitando sua postura. — Eu ganhei. Você morreu de rir.

— Não é justo! — ela exclamou.

— Não adianta. Você precisa dormir — ele disse. — Você vai repor suas energias e amanhã será um monstro grande e forte.

— E vamos lutar de novo — a mais nova completou.

— Claro que vamos. Mas você vai dormir agora, assim como sua mãe e eu.

Ela se rendeu e os dois se deitaram na cama. Lucy deitou-se no meio, entre Wilmer e eu. Eu apaguei as luzes do quarto, deixando apenas o abajur ao meu lado aceso, o que criava uma penumbra no rosto dos dois.

— Mãe, onde está o tio Frank?

Eu chega a esquecer de que, na frente da pequena, Seth se chamava Frank.

— Ele saiu e volta logo. — Passei a mão por seus cabelos, acariciando-os. — Vá dormir.

Ela fechou os olhos, deixando-se entregar para o sono. Claramente estava exausta, por isso não demorou a pegar em um sono pesado rapidamente.

— Ela te pergunta sobre o Connor? — Valderrama perguntou.

— Sim. Eu disse que ele foi morar com Deus, sabe? — Suspirei. — É estúpido, mas é a melhor desculpa.

— Melhor do que a verdade.

Encarei Lucy adormecida e decidi deixá-la em seu quarto. Levantei-me e peguei-a em meu colo para levá-la ao seu aposento. Toda aquela ação foi feita sob o olhar de Wilmer. Rapidamente, coloquei-a na sua cama e a enrolei com uma coberta, dando um beijo estalado em sua testa em seguida.

Nem precisei pensar duas vezes. Caminhei rapidamente até o meu quarto e me deitei novamente, encaixando-me nos braços de Valderrama. Ficamos abraçados ali, sentindo o toque um do outro no meio da noite. As mãos de Wilmer acariciavam meus cabelos, ação que me faria dormir rapidamente se eu não estivesse preocupada demais.

— Hoje foi um dia cheio — Will sussurrou, deixando seu sotaque carregado.

— Estou farta de dias cheios — confessei. — Quero minha paz de volta.

— Você terá — garantiu. — Após tudo isso, acho que as coisas finalmente entrarão nos eixos.

— Espero que sim — admiti. — Já não aguento mais.

— São tempos difíceis. Vamos passar por isso juntos. Isso só nos une.

— Ainda bem. — Sorri de lado. — Após tanto tempo separamos... Sinto-me melhor quando estou com você. Passar por isso sozinha seria uma tortura.

— Já parou para pensar que sempre existem problemas quando os meninos e eu estamos por perto? — sondou.

— Consequências. Já falamos sobre isso. Várias coisas nos fizeram estar aqui hoje. E, sinceramente, ainda bem que você está. Achei que aquela vez, na chácara, quando nos despedimos, seria a ultima vez.

— Você demorou a se acostumar com a minha ausência assim como eu demorei a me acostumar com a sua? — interrogou. Eu notava, mesmo no parcial escuro, que seus olhos me analisavam.

— Visto que eu não conseguia ver minha vida sem você... — Estalei a língua no céu da boca. — Fomos tirados um do outro de maneira cruel. Nada nunca me doeu tanto.

— Você ainda estava grávida, pra piorar. — Suspirou. — Eu sonhava em ver o desenvolvimento de Lucy. Ver você com aquela criança hoje me fez imaginar muitas coisas. Você cuidando, amamentando, ensinando-a as primeiras palavras...

— Achei que seria impossível — confessei. — Eu odiava crianças, lembra?

— Lembro bem. — Ele sorriu. — Graças a Deus você mudou.

— Lembro-me de ter cogitado a possibilidade de adquirir uma depressão pós-parto. Eu fiquei paranoica. No fim, deu tudo certo. E você parece estar indo maravilhosamente bem com Lucy. Achei que ela demoraria a se acostumar.

— Eu também. — Ele suspirou, fechando momentaneamente seus olhos. — Lucy foi algo tão inesperado é mesmo assim tão... Bom. Sequer consigo achar adjetivos.

— Você sempre quis ser pai. — Passei a mão pela sua barba. — Está se mostrando ótimo.

— Você me deu isto.

— Fizemos isso juntos — brinquei. — Foi um trabalho conjunto.

— Me lembro bem. Mas de onde saiu, enfim?

— Estamos mesmo falando nisso? — Gargalhei.

Fui surpreendida pelos lábios de Wilmer tocando os meus com serenidade. Ele puxou o meu corpo para perto e aprofundou aquilo, transformando em um beijo intenso, onde nossas línguas se movimentavam em uma lentidão esplêndida. Minhas mãos mexiam-se pelos seus fios médios de cabelo e, eventualmente, minhas unhas arranhavam sua nuca. Quando já não havia mais ar em meus pulmões, separei-me de seus lábios e procurei seus olhos na meia-luz.

— Eu amo você — ele disse com a voz rouca, evidenciando seu sotaque latino.

— Eu também, Will. — Sorri, encarando cada detalhe de seu rosto. — Eu também amo você.

Deitei a minha cabeça em seu peito e ele me abraçou. Eu simplesmente não conseguia parar de pensar no quanto era abençoada por tê-lo ali.

Após um tempo em silêncio, Wilmer provavelmente caiu no sono. Eu o encarava enquanto ele dormia. Era tão sereno que me hipnotizou. Demorou, mas consegui pegar no sono também. Não foi tão tranquilo, já que os pesadelos envolvendo Seth passaram a me invadir, mas acordar no meio da noite e ter Wilmer ao meu lado me deixava insanamente tranquila.

Em seguida a uma longa noite, o Sol apareceu no horizonte. Não demorou a Valderrama acordar, o que me fez concluir que ele também não havia dormido bem. Dormimos, no máximo, por cinco horas. Eu, por exemplo, menos. Seus olhos abriram lentamente e assim que o latino focou em mim, um sorriso apareceu em seu rosto.

Buenos días — ele disse animado. — Você estava me vendo dormir. Sou tímido, você não deveria.

— Você? Tímido? Essa é uma piada nova.

— Que horas são? — ele interrogou.

— Não faço a mínima ideia. Certamente passa das 06h00min, o que me faz concluir que Nick deve estar com Oliver agora — afirmei. — Deveríamos nos preocupar?

— Certamente — replicou. — Vou lugar para o Joe e perguntar se está tudo bem.

Assenti. Wilmer buscou o celular na cômoda ao lado da cama e, entremeio isso, parti para fazer a minha higiene matinal. Eu ouvia, mesmo em um som baixo, a conversa de Wilmer ao telefone. As palavras eram quase inaudíveis.

Logo, Wilmer aproximou-se e entrou no banheiro, sem o telefone ligado. Antes de qualquer coisa, pediu por uma escova de dente. Por sorte, havia um ali, na caixa.

— Então... — Estalei a língua no céu da boca. — Como estão as coisas?

— Eles disseram o bairro onde Seth possivelmente está. Mas é um bairro grande. Devemos achar uma construção de um local público ali.

— E se for uma armadilha? — questionei.

— Vivemos de riscos. — Ele respondeu enquanto fazia a sua higiene. — Se Seth realmente estiver lá, vamos achá-lo.

— E se Frank, Oliver e Laurel estiverem lá também?

— Não é tão provável. Eles já pegaram o teto do dinheiro e não pediremos mais nada. Só precisamos achá-lo.

— Quando? — perguntei.

— O mais rápido possível. — Ele bufou. — Devemos começar a agir.

— Vou acordar Lucy, preparar o café e terei que deixá-la com minha mãe de novo. — Suspirei. — Me sinto uma péssima mãe por isso, sabia?

— Você não precisa ir.

— Não vamos começar, por favor — pedi.

— Isso é mil vezes mais perigoso — ele insistiu. — Se algo nos esperar, será pior e entraremos em uma batalha. Quando digo batalha, digo sobre tiros, ameaças...

— Nada que eu nunca tenha enfrentado. — Arqueei a sobrancelha. — E nem precisa voltar naquela conversa sobre me proteger. Vou ajudar a pegar Seth.

Ele suspirou, fechando os olhos. Com certeza, não queria ter outra briga comigo, mas também não queria me deixar ir. Infelizmente, para ele, deixar o meu melhor amigo não era uma opção.

 

Joe possuía, sobre a grande mesa de sua casa, um mapa de Miami Beach. Havia uma vizinhança destacada, denominada Bayshore, e havia também círculos marcados em caneta vermelha.

— Esses círculos... — Toquei um deles. — São os possíveis locais onde ele está?

— Sim. — Nick apoiou-se na mesa. — Vamos em cada um.

— Por que não nos dividimos e os checamos ao mesmo tempo? — Ashton sugeriu. — São três. Não podemos perder tempo. Se um encontrar Seth ou se presenciar qualquer coisa suspeita, avisa os outros. Entendido?

— Totalmente — Joe disse. — Então... Ashton e eu podemos ir neste aqui. — Ele apontou para o círculo ao sul. — Eiza e Nick neste. — Apontou para o círculo que ficava ao leste. — Demetria, você vai?

— Definitivamente — assegurei. Wilmer me encarou, mas não disse nada.

— Certo. Você e Valderrama podem vir aqui. — Apontou para o que restava. — É um hospital em construção, assim como todos os outros locais. Tome cuidado. Você tem alguma coisa para se defender ou atacar, em qualquer caso?

— Eu lhe darei alguma coisa — Wilmer afirmou.

Assenti. Ficamos olhando um para o outro por alguns momentos, esperando mais instruções ou perguntas. Por fim, parecia que todos haviam entendido.

— Se precisarmos, tenho uns amigos que podem ajudar — Kutcher disse.

— Vamos aos poucos, Ashton — Nick falou. — Não queremos chamar atenção. Caso necessário, chamaremo-los.

Assentimos mais uma vez. Enquanto Wilmer e os meninos tentavam localizar onde era o endereço exato, aproximei-me hesitante de Eiza. A morena abriu um sorriso mínimo quando me viu caminhar até ela em passos lentos.

— O garoto ficou com Manola? — indaguei.

— Richard? Sim. — Seu sorriso ficou maior.

— Ele se chama Richard? — indaguei, arrancando um suspiro e um balançar de cabeça positivo da moça. — Que linda homenagem ao homem que você tanto amou. Manola concordou?

— Ela é a pessoa mais amável do mundo, não havia como não concordar. — A moça até tinha um olhar apaixonado. — Eu definitivamente a amo. Aliás, você está lidando bem com a morte de Connor?

— Nunca é fácil. — Suspirei. — Mas o sequestro de Seth está ocupando minha mente. Em partes, é bom.

— Apenas nessa parte de distração. — Comprimiu os lábios. — Mas acontecem coisas ruins em cima de coisas ruins. Sei que é difícil.

— Mantenha Richard a salvo — aconselhei. — Faço o máximo para a segurança de Lucy. Faça por ele também.

— Eu irei — ela garantiu.

— Precisamos conversar. — Wilmer surgiu ao meu lado e puxou discretamente a minha cintura, me guiando até a porta. Assim que chegamos ao jardim da casa dos Jonas, ele me encarou e disse: — Seth precisa esperar. Não podemos simplesmente invadir uma construção de um espaço público. Vamos fazer isso mais tarde.

— Não podemos perder tempo — Bufei —, mas entendo que não podemos colocar a vida de mais pessoas em risco. E o que diabos faremos até lá?

— Vá para casa e fique com Lucy. Como vamos apenas à noite em busca do Seth, é melhor que descanse. Eu vou lhe buscar quando o relógio bater às 19h00min — garantiu. — Vamos passar horas e horas conversando aqui e bolando planos, é cansativo. Você precisa de descanso.

— Você vai ficar aqui?

— Por um bom tempo. Depois irei para casa — ele afirmou. — Faz horas que não piso naquela residência.

— Você está certo. Emeraude precisa de você. — Dei um sorriso falso. — Te vejo essa noite.

Valderrama segurou o meu braço e me fez olhar para ele. Rapidamente, ele selou os nossos lábios, sem que ninguém visse. Por fim, ele chamou um táxi e me deu dinheiro para que eu pagasse uma e talvez até outras 10 corridas.

Despedi-me definitivamente dele quando o carro se aproximou. Dali em diante, só o viria novamente quando fôssemos salvar Seth Gecko. E esperava, do fundo do meu coração, que o salvássemos de fato e saíssemos dali em segurança.

 

 

Ajeitei a regata preta em meu corpo enquanto caminhava em direção ao carro de Wilmer, estacionado no meio fio. Eu não podia deixar de olhar para os lados diversas vezes; a mínima picuinha entre os vizinhos podia se tornar algo enorme. Abri a porta do passageiro e dei de cara com Valderrama em um de seus ternos, o que me fez bufar e rir em seguida.

— Vou me cadastrar no Uber — ele zombou. — Toda a minha gasolina é gasta para te dar caronas.

— Você é estúpido. — De uma vez por todas, entrei em seu carro e ajeitei minha postura no banco do passageiro. Porém, pousei minha mão em sua nuca e o puxei para que selássemos nossos lábios, deixando Wilmer tornar o beijo mais intenso.

— Então... — Ele relaxou os ombros. — Vamos à ação?

— Assim como nos velhos tempos? — questionei. — Aqueles que costumávamos nos unir para matar alguém ou negociar sobre ameaças de Tyler e Liam enquanto Richie arrombava um cofre?

— Esses mesmos. — Ele riu. — Vamos nos apressar. Você, Demetria Lovato, tem um ar de criminosa quando quer.

— Criminosa? Hoje estou indo salvar uma pessoa e você me chama de criminosa? — Gargalhei. — Hoje estou mais para policial, salvadora da pátria. Eddie ficaria orgulhoso de mim.

— Vamos ver onde isto vai dar. — Ele segurou a minha mão e entrelaçou nossos dedos. — Cuidado, nena.

— Espero que não tenhamos barreiras no caminho — confessei. — Não quero ter que fazer uma besteira.

— Estou torcendo para isso. — Ele deu um sorriso.

Suspirei pesado, encarando as ruas do Pinecrest. Imaginei, quase involuntariamente, o que aconteceria se achássemos Seth, vivo ou morto, completamente incólume ou machucado. Muitas coisas se passavam pela minha cabeça, a maioria envolvendo Gecko escondido em algum lugar, suplicando por ajuda. Apenas a ideia de vê-lo machucado me causava arrepios na espinha, vê-lo sem vida, por ventura, me faria cair de vez em uma depressão.

Sequer demorou muito para que Wilmer estacionasse exatamente na frente do destino que seu GPS o indicara. Era, definitivamente, uma construção de um prédio enorme, o que seria um hospital em tempos.

— Vamos vasculhar o local, certo? — Wilmer sugeriu. — Fique de olho em seu celular. Podemos receber a ligação de qualquer um dos meninos afirmando o local exato.

— Realmente, não tem ninguém trabalhando aí. Os funcionários foram embora — afirmei. — Deveríamos nos separar. Seria mais rápido.

— Perigoso demais. — Ele estalou a língua seguidas vezes. — Você não sairá de perto de mim.

— Will, eu entendo o quanto você se preocupa, mas o tempo está correndo. Se nos separarmos, será mais rápido — argumentei.

— Certo. Seu celular está pegando? — ele questionou e assenti. — Me mantenha informado de qualquer coisa. Também não hesite em gritar se algo sair dos eixos.

Assenti mais uma vez. Nós descemos do veículo e, ainda juntos, começamos a caminhar em direção à construção do hospital. Estava quase finalizado, mas era perceptível que alguns detalhes — como portas, janelas e partes de paredes — faltavam. Na medida em que nos afastávamos, a iluminação da rua ficava mais fraca. Valderrama e eu caminhamos em união até o que seria a recepção do hospital.

— Eu posso ir pela esquerda — falei, apontando com o queixo para o corredor escuro. — Você pela direita.

— Por Deus, cuidado.

Dei um meio sorriso. Comecei a caminhar pela escuridão, em direção oposta à de Wilmer. Fez-se necessário que eu pegasse o celular em meu bolso e ligasse a lanterna. Fiz um esforço para segurar o celular com a minha mão esquerda e a arma com a minha mãe direita, ambos apontados para frente. A iluminação passara a ficar melhor. Não havia nada na minha frente além de paredes de madeira e nada em meu interior além de medo. Medo de ser pega de surpresa por alguma coisa ou pessoa. Caminhar por aqueles corredores sem ouvir nada além de meus passos e minha respiração ofegante me deixava tensa.

Pelo corredor, começaram a surgir cômodos, os quais deviam ser os futuros quartos ou salas para o atendimento. Entrei em um por um, iluminando o que podia com a lanterna do aparelho que possuía. Nenhum cômodo possuía mobília ou qualquer equipamento médico.

Permiti-me chamar pelo nome de Seth. Se ouvisse, claramente replicaria. Persisti em busca de Gecko, insistindo em procurá-lo.

As buscas pareciam não ter fim. Eu não o encontrava, Wilmer não dava notícias e os outros também não. Porém, ali, onde eu estava, situava-se um grande prédio. Se duvidasse, não havia explorado sequer metade dele.

Suspirei, pensando na possibilidade de Gecko não estar ali. Tentei descansar e pensar em algo, encostando-me na parede e apoiando minhas costas.

Seth não estava ali. Não na área onde eu havia revirado.

Respirei pesado, encarando, daquela vez, a tela de meu celular. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação. No silêncio, que tanto me agoniava, ouvi passos. O pânico dentro de mim pareceu aflorar.

— Will? — O chamei, na esperança que fosse ele.

Apontei a lanterna de meu celular em todas as direções e, com ela, a arma. Não havia ninguém por perto. Sem pensar, comecei a caminhar de volta à parte iluminada daquela construção.

— Will, cadê você? — gritei em um tom extremamente alto.

Como se o universo estivesse conspirando contra mim, a lanterna de meu celular apagou-se. O maldito havia descarregado. Controlei a minha vontade de jogá-lo no chão e, naquele momento, o pânico passou a me invadir por completo.

“Eu estou sozinha, em um lugar que não conheço, sem celular, no escuro e sem Wilmer”, pensei, cerrando o punho.

Um toque fez todo o meu corpo estremecer. Não era algo piedoso, e sim bruto. Senti um braço ao redor de meu pescoço, o que me deixou parcialmente imobilizada. Aquele golpe, comumente chamado de “mata-leão”, me deixou sem ar e me impossibilitou de reagir. Eu sequer sabia quem o aplicava. Fiquei sem ar a ponto de meus joelhos fraquejarem. Os mesmos chocaram-se contra o chão após alguns segundos de agonia.

No chão, quando finalmente restabeleci minhas forças, pude ver quem me aplicou o golpe: Laurel.

Ela tinha um ar superior e um sorriso no rosto. Por sorte, a arma continuava em minha mão. Pela escuridão parcial, a moça não deveria ter notado-a.

— Por que fez isso? — questionei com a voz falhada, escondendo a arma em minha cintura. Levantei-me rapidamente, ajeitando minha postura e encarando-a. — Onde está Seth?

— Calma, Diosa. Uma pergunta por vez. — Pude ver seu sorriso iluminar a escuridão. — Esse é um local onde apenas pessoas com autorização podem entrar. Seu amigo não está aqui, não se preocupe.

— Você é idiota? — Passei a mão em meu pescoço. — O que faz aqui e como sabe que estou aqui?

— Você não pode confiar em todos que estão ao seu lado, Diosa — ela disse. — Há um falso entre vocês.

— Quem?

— Não lhe interessa. — Em passos rápidos, ela se aproximou de mim e, com sua mão direita, sacou a arma, apontando-a para mim. — Se vier comigo, juro que não farei nada.

— O que você quer comigo? — perguntei entredentes, levantando meus braços em sinal de rendição.

— Já temos Gecko. Queremos você e o resto. Os outros já estão a caminho, fazendo a burrada por eles mesmos.

— Como assim?

— Seus amigos... Joe, Nick, Eiza... Seth está na construção de uma escola perto de uma praça, não longe daqui. — Ela mantinha a arma apontada para mim. — É uma armadilha, onde Gecko é uma isca perfeita. Todos vão cair no mesmo buraco. Levarei-lhe para lá, onde esperaremos pacientemente seus amigos. Quando todos estiverem juntos, terão uma bela surpresa naquele lugar.

— Bom. Eu gosto de surpresas, e você? — indaguei com um sorriso sarcástico.

Antes que Laurel replicasse, movimentei-me bruscamente, chutando a parte de trás de seu joelho, tirando a sustentação de seu corpo e fazendo-a perder o equilíbrio, caindo no chão. A sua arma caiu ao seu lado, mas, antes que ela ousasse pegar, chorei-a para longe. Após isso, tendo Castillo Ainda não chão, fiquei sobre ela, impedindo-a de se levantar. A moça tentava fazer de tudo para se libertar, até mesmo tentava puxar os meus cabelos. Até socos tentava me dar.

— Saia de cima de mim! — berrou.

— Você é fraca. Sequer consegue me tirar de cima de você. Claramente, também não sabe manusear uma arma ou manter-se em pé. Escute: você não pode vacilar. Aponte uma arma para alguém, mas saiba que a pessoa pode reagir. Você deixou suas pernas relaxadas demais, talvez por estar tremendo. Estava tremendo, sim? — Ri da situação. — Olhe para você... Não sabe nem me socar enquanto fico sobre você. — Eu apenas disse aquilo e ela distribuiu um soco em minha cintura. — Seria mais fácil se desse na boca do meu estômago, Castillo. Você é uma piada!

— Quem você pensa que é? — ela gritou.

— Ah, Laurel Castillo... — Gargalhei. — Eu sou La Diosa.

Com toda força que tinha, esmurrei seu rosto. Era uma pena, pois Laurel era estupidamente linda. Ela chorava, gritava, duplicava para que eu parasse. Mas suas súplicas apenas faziam a minha vontade de esmurrar ela aumentar. Ela era uma inimiga, ela estava acabando com Seth. Gritou tanto que seus berros fizeram Wilmer, que estava no outro extremo do prédio, correr e nos encontrar. A luz da lanterna do seu celular iluminou pouco mais o local e, se pensar, ele me tirou de cima dela, agarrando meus braços. Notei que ela estava com o rosto completamente ensanguentado, o que, sinceramente, me deixou orgulhosa. Além disso, ela olhou uma vez para Wilmer e fechou os olhos em seguida, possivelmente  inconsciente.

— O que você fez? — ele questionou.

— Nem metade do que deveria.

— Vamos. Seth não está aqui.

— Espere...  — pedi.

Pedi e comecei a caminhar lentamente até Laurel. Valderrama sabia o que eu estava prestes a fazer, mas não impediu. Ele concordava. Saquei a arma de minha cintura, apontando para a moça desacordada. Três. Três tiros foram o suficiente. 


Notas Finais


FOCO AQUI
são dois capítulos seguidos e eles são enormes sim!!
eu queria pedir duas coisas: que me desculpem pela demora e que comentem, de verdade, pois notei que o número de comentários diminuiu bastante
eu preciso saber o que estão achando
vou adiantar que vai ter mais mortes no cap seguinte, talvez vocês nao gostem
tchau


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