História Dark Paradise - Capítulo 59


Escrita por: ~

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Categorias Demi Lovato, Wilmer Valderrama
Personagens Ally Brooke, Amy Raudenfeld, Asher Millston, Ashton Kutcher, Camila Cabello, Connor Walsh, Demi Lovato, Dinah Jane Hansen, Eiza González, Frank Delfino, Halsey, Joe Jonas, Laurel Castillo, Lauren Jauregui, Michaela Pratt, Nick Jonas, Normani Hamilton, Oliver Hampton, Troye Sivan, Wilmer Valderrama, Zara Larsson
Tags Dilmer, Drama, Romance, Suspense
Exibições 122
Palavras 4.671
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 59 - Surpresas


Fanfic / Fanfiction Dark Paradise - Capítulo 59 - Surpresas

Eu não conseguia manter um ritmo em minha respiração, tampouco transparecer calma. Até mesmo balançava a perna para cima e para baixo em movimentos repetidamente involuntários.

Estava no interior do veículo de Wilmer. Ele, durante o tempo em que dirigia, sussurrava para mim que tudo ficaria bem. Naquele momento, ninguém vasculhava canto nenhum. Wilmer e eu avisamos a todos onde Seth estava e sobre a armadilha. Havíamos combinado que iríamos todos juntos, onde alguém habitante nos esperar. Pedimos que nos esperassem a duas ruas de distância da escola, num posto de gasolina. Assim que chegamos ao local, não mais em funcionamento, encontramos os meninos. Joe, Ashton, Eiza e Nick estavam em pé, encostados na lataria de um dos carros. Percebi o espanto de cada um quando notaram as manchas de sangue por minha blusa branca.

— O que aconteceu? — Joe interrogou.

— Foi Laurel — Will respondeu por mim.

— Vocês explicaram tudo, menos que Demetria havia matado Laurel. — Nick surpreendeu-se. 

— Agora sabem — falei.

— Por Deus, esconda isso — Eiza pediu, caminhando até o seu carro e tirando de lá uma jaqueta preta. — Coloque por cima. Essa mancha de sangue em sua blusa está absurda.

— Obrigada, González. — Sorri de lado, vestindo a peça. — E agora? Sabemos onde Seth está, mas eles disseram que tinham surpresas. Certamente, não é algo bom.

— Devemos fazer isto juntos — Ashton sugeriu.

— Você bebeu? É exatamente o que eles querem — expliquei. — Eles nos querem juntos. Seremos um alvo fácil assim. Podemos entrar lá separados, assim como estávamos.

— E escola parece mais uma universidade — Eiza afirmou. — Completamente grande. Deve estar perto da conclusão da construção.

— Certo, ficaremos separados — Nick disse. — Somos seis. Cada um pode procurá-lo em um local específico. Eu, por exemplo, posso procurar na quadra, Joe na área das piscinas, Ashton na biblioteca...

— Eu posso vasculhar as salas do primeiro andar — Eiza avisou. — A escola tem aproximadamente três andares.

— Vou onde meu instinto me levar — afirmei, dando de ombros. — Só preciso achá-lo.

— Sim, eu também — Wilmer concordou. — Porém, vou ficar nos andares de cima. Sem um local fixo na mente, apenas procurando.

— Já que o que menos queremos é chamar atenção... Por que não deixamos os carros aqui e vamos andando até lá? — Ashton sugeriu.

— E se acharmos Seth ferido, como vamos socorrê-lo? Carregando ele nos braços até aqui? — retruquei. — Gênio. Levem pelo menos um carro. Por segurança.

— Bem pensado, Demetria — Joe disse. — Ashton e eu vamos levar o carro. Eiza e Nick podem guiar você e Wilmer até a escola. Até mais, então.

Joe entrou no seu carro e Ashton entrou no banco do passageiro. Eiza, Nick, Wilmer e eu teríamos que ir andando apenas para não levantar suspeitas. Afinal, se estacionássemos três veículos na frente de onde Seth estava, seria muito óbvio. Sendo assim, após checarmos discretamente se nossas armas possuíam munição, começamos a caminhar em passos rápidos até o que seria a construção. Wilmer e eu éramos guiados por Nick e Eiza, que sabiam o caminho e andavam em nossa frente. As ruas eram parcialmente movimentadas, com barzinhos aqui e ali.

— Tente agir naturalmente — Wilmer pediu.

— Sem problemas.

Procurei sua mão e entrelacei nossos dedos, ação que arrancou uma risada baixa de Wilmer. Não hesitávamos em momento algum, ainda mais porque Nick e Eiza sequer olhavam para trás. Por mim, mesmo que vissem, não tinha importância.

— Você está bem? — ele questionou, olhando para mim.

— Por quê?

— Depois do que fez com Laurel, imaginei que estivesse abalada — ponderou.

— Estou tão preocupada com Seth que sequer penso em Laurel. A ficha vai cair quando tudo isso acabar.

— Não fique tensa — pediu. — Vamos salvá-lo e após isso, tudo voltará ao normal. Eu garanto. Quando tudo isso acabar, talvez eu leve você e Lucy para viajar. Quero passar um tempo com ela e com você. Talvez para a Califórnia, Nova York, Rio de Janeiro, Natal, Montevidéu... Qualquer canto.

Em meio a toda aquela preocupação, Wilmer me fez rir e imaginar como seria se aquilo realmente acontecesse. Seria perfeito.

— Isso vai acabar e nós vamos, sim — concordei.

Wilmer selou nossos lábios rapidamente enquanto caminhávamos, sem que os outros notassem. Voltamos a caminhar discretamente, seguindo Eiza e Nick.

Assim que chegamos perto da escola em construção, concordei com a afirmação de Eiza de que ela mais parecia uma universidade. Incrivelmente, parecia uma obra concluída por fora. Talvez faltassem alguns detalhes. Até mesmo o quesito de iluminação — que tanto me fez falta no hospital — parecia nos eixos. Não havia ninguém na frente, o que nos fez concluir que qualquer um, envolvendo Ashton e Joe, poderia  já estar lá dentro.

— Venham aqui — Nick nos chamou. — Vamos entrar um por um. Discretamente.

— Posso ir primeiro. — Me ofereci. Valderrama arregalou os olhos.

— Tem certeza? — ele indagou.

— Absolutamente. Não tenho medo — certifiquei. — Vejo vocês quando pegarmos ele.

— Pelo amor de Deus... — Wilmer segurou meu braço com um olhar suplicante.

— Eu sei. “Cuidado”. — Olhei em seus olhos negros. — Eu que te peço para tomar cuidado. Vocês também, Nick e Eiza. Tomem cuidado, isso é uma armadilha. Vamos causar uma pequena encrenca.

— Faça o que for necessário, nena. Isso não é brincadeira, Oliver e sua gangue possuem uma rixa conosco há anos, eles não pensarão antes de fazer qualquer coisa para nos destruir. — Ele tocou meu rosto, sem se importar com os outros dois. — Coloque sua vida em primeiro lugar.

— A minha e a sua.

Wilmer continuou olhando fixamente em meus olhos. Então, provavelmente sem pensar — ou talvez tenha sido uma atitude pensada, provando que ele não dava à mínima —, ele selou nossos lábios com calma.

— Até depois — falei assim que separamos os nossos lábios. Notei que Eiza e Nick nos encavam boquiabertos. — Foda-se. Vocês já sabiam.

Caminhei rapidamente até o outro lado da rua, pensando em como entraria naquela escola em construção sem que chamasse atenção. Claramente, não seria pela porta da frente, o que me restava eram as portas de trás.

Na frente e aos lados da estrutura, havia um grande gramado. A grama baixa e bem cuidada denunciava que a entrega daquela escola estava próxima. Eu comecei a caminhar silenciosamente pelo canto da escola e olhava para cada centímetro, procurando Seth. Definitivamente, ali ele não estava.

Aproximei-me da estrutura do prédio, esquecendo-me do gramado. Fui até uma das janelas, do lado de fora, observei o que seria uma sala de aula. Havia iluminação, mas mesas e cadeiras estavam desorganizadas, fora de uma ordem. Tomada pelo instinto, eu me esforcei para abrir aquela janela por fora e assim que o fiz, com muita força necessária, pulei a janela. Estava dentro, no interior da escola. Ali não era necessário que eu usasse uma lanterna, o que me fez agradecer mentalmente pelas luzes de LED no teto.

Peguei a arma em minha cintura e segurei-a com força, prevenindo-me de qualquer coisa. Respirei fundo algumas vezes antes de dar passos lentos até a porta da sala. Silenciosamente, eu a abri e saí no grande corredor cheio de armários vermelhos e pretos. Mais uma vez, respirei fundo e comecei a caminhar pelos cantos, com a arma em punho. Percebi que nas portas havia uma parte de vidro que, mesmo do corredor, me possibilitava ver o interior das salas. Comecei a olhar o interior das salas de aula pela parte de vidro das portas, uma a uma naquele corredor. Não havia nada em nenhuma delas além de mesas e cadeiras fora de ordem.

Calma Michaela... — Ouvi uma voz familiar ecoar no ambiente, o que me fez entrar em uma das salas às pressas, com medo de ser vista ali. Frank dizia aquilo enquanto caminhava pelo corredor e me permiti olhar pelo vidro. Ele estava com uma linda morena de cabelos lisos ao seu lado e parecia conversar seriamente com ela. — Eles vão cair na armadilha. Uma hora chegarão aqui.

— Por que Ashton não dá notícias? — A morena bufou. Então era Ashton. Ashton era o falso entre nós. — Ele disse que ligaria assim que aqueles bastardos estivessem chegando.

— Se não ligou, é porque ainda não estão vindo — A voz grossa de Frank disse. — Não há ninguém aqui, está tudo calmo. Vamos voltar para a diretoria. Quando Ashton ligar, vamos para as posições.

Frank continuou dando instruções para Michaela, mas suas palavras soavam cada vez mais baixas à medida que ele se distanciava, tornando-se inaudíveis. Então, após alguns minutos ali dentro daquela sala e olhando pelo vidro, comecei a notar que eles revezavam-se em fazer rondas pelos corredores. Alguns eu conhecia — como Frank e Michaela, mesmo que estivesse acabado de descobrir sobre sua existência —, outros nunca havia visto. De forma ou outra, eu precisava sair dali sem ser vista.

Merda. — Bufei, passando a mão pelos cabelos em sinal de nervosismo e encarei o teto.

Ali, notei que havia uma passagem de ar no teto. Era um orifício quadrado, com uma espécie de “tampa” que estava aberta, que continha espaços para a circulação do ar, como grades.

— Não acredito que vou fazer isso por Seth Gecko — pensei alto, resmungando.

Suspirei e, sem arrastar nada, empilhei mesas e cadeiras para que subisse ali, formando uma espécie de escada improvisada. Com cuidado, subi naquilo, com um medo extremo de cair ou até mesmo fazer um barulho imenso. Com o coração na boca por conta do temor, subi naquilo e, forçando cada músculo do meu corpo e agradecendo pelo teto não ser tão alto, consegui entrar no sistema de ventilação.

Lá dentro, um novo pânico tomou conta de mim. Era um local apertado, cheio de paredes que pareciam querer me esmagar. Respirei fundo diversas vezes, tentando focar apenas em fazer sacrifícios para salvar Seth. Após me controlar, comecei a me arrastar por ali, quase engatinhando. Eu não apenas estava ali dentro para ir de um lugar ao outro, mas sim porque, se me concentrasse, eu conseguia ouvir vozes masculinas soando em tom baixo. Não sabia de onde vinham, por isso procurei focar-me inteiramente em descobrir sua origem.

Lentamente, tentando não fazer barulho, eu me movimentava em direção às vozes. Era um trabalho duro e cansativo, mas valia a pena, visto que eu me aproximava deles e sabia daquilo. Já podia ouvir com alguma exatidão o que diziam. Após uns segundos, cheguei ao que seria mais uma “abertura” do sistema de ventilação. E lá estava eu, exatamente em cima deles — Oliver, Michaela, Frank e outros dois rapazes morenos —, olhando-os através daquelas grades.

Wes! — Oliver chamou um dos morenos que eu não conhecia. Wes era mais magro e parecia mais jovem. Ele rapidamente olhou para o seu líder. — Alguma notícia de Ashton?

— Ah... Não. Ele ainda não ligou ou mandou nenhum sinal. Talvez os outros não tenham desvendado o lugar.

— Eles desvendaram — Frank afirmou. — Ashton ligou mais cedo, afirmando que eles já sabiam e que viriam esta noite. Devem estar a caminho.

“Já estamos aqui, maldito. E vamos salvar Seth”, pensei.

— Com essa demora, Gecko já deve estar morto — Michaela resmungou. — Faz quanto tempo que o colocamos lá?

— Umas sete horas — Oliver replicou. — Não faz diferença se estiver morto. Ele morreria na cadeia de qualquer forma. Mas já deve estar a ponto de morrer sem ar sob o solo.

— Ser enterrado vivo deve ser péssimo — Frank disse. — Ele deve ter entrado em desespero e perdido o que lhe restava de oxigênio. Parece que os Geckos estão extintos.

— E assim que o resto do canil dele pisar aqui, nós ligaremos para a polícia e nossa armadilha estará perfeitamente concluída — Oliver completou com um sorriso. Ele caminhou até uma mesa e despejou um pouco de um vinho que ali havia em uma taça. — O que eles acharam? Que poderiam matar um dos nossos e ficaria assim mesmo? Temos a nossa lei. Connor era um dos nossos melhores. 

Eles, sem preocupação, começaram a tomar o vinho. Pareciam até comemorar o que planejaram e já tinham como ganho.

Ashton era um falso, apenas infiltrado entre nós. Seth estava sob o solo, enterrado vivo em algum lugar daquela área. Eles chamariam a polícia para nos pegar em flagrante assim que nos vissem. Era muita coisa para qualquer pessoa não acostumada com aquilo assimilar.

Seth devia estar sofrendo. Sem ar, sem saber onde estava, provavelmente enlouquecendo, gritando ou tentando abrir o caixão — se fora enterrado vivo, era óbvio que estava em um. Talvez tudo de uma vez. E era tudo culpa de Oliver. O rapaz, que já devia ter torturado e violentado Seth, naquele momento o deixava morrer lentamente e sequer se preocupava. Pelo contrário, degustava de algum vinho caro. Aquilo era totalmente brutal. Uma raiva cresceu dentro de mim naquele momento. Como podia estar tão tranquilo sabendo que estava matando Seth, meu melhor amigo? Como podia vingar a morte de Connor com mais mortes?

Não precisei pensar duas vezes ou até mesmo respirar fundo. Eu sabia o que queria e estava convicta daquilo.

Retirei, com calma para não fazer barulho, a arma que estava na minha cintura e a encarei antes de engatilhar a mesma. Ela seria a responsável pela morte que eu mesma causaria a Oliver. Tendo tudo aquilo em mente e com a certeza de que, mesmo agindo parcialmente precipitadamente, não me arrependeria, encaixei a boca do cano da arma entre as aberturas da grade da abertura da ventilação, mirando exatamente em um ponto crucial de Oliver.

Porém, antes de dar logo um tiro em Oliver, pensei no que ocorreria em seguida. Precisava escapar daqueles tubos de ventilação com rapidez, o que me fez ficar em posição de escape. Ali, estava pronta para atirar e sair com rapidez.

Atirei. Esperei uma fração de segundo para certificar que havia acertado. E acertei. O corpo de Oliver foi ao chão, provavelmente já sem vida, visto que eu tinha certeza que havia acertado a sua cabeça. Apenas notei que Michaela deu um grito agudo e os rapazes exclamaram algo em bom tom. Não tive tempo de me certificar sobre a sua morte, apenas me arrastei com agilidade por aquele sistema de ventilação.

Não demorei a chegar à abertura da ventilação daquela sala, onde eu havia entrado. As mesas e cadeiras ainda estavam empilhadas, de forma que eu pudesse descer como se fosse uma escada. Na pressa, tive sorte em não despencar dali. Senti-me quase segura quando meus pés tocaram o chão da sala de aula. Quase. Eu podia ouvir a movimentação dos parceiros de Oliver, o quanto eles estavam loucos. De forma ou outra, sabiam que estávamos ali.

Porém, em vez de enfrentá-los, pulei a janela da sala, passando a correr pela parte exterior do local. Estava, mais uma vez, pisando sobre a grama da escola.

Eu não sabia como Joe, Nick, Wilmer e Eiza estavam, o que me deixava angustiada. Queria ir lá, ajudá-los num possível confronto contra Wes, Frank, Michaela o outro moreno no qual eu não sabia o nome, mas Seth estava morrendo em algum lugar daquele solo. Por mais que estivesse preocupada ao extremo com Wilmer correndo perigo, eu precisava batalhar contra o tempo.

Olhei para o chão e caminhei em passos rápidos, sem rumo, apenas procurando algo que evidenciasse que, ali, havia algo enterrado. Caminhei por metros e metros, encarando o gramado baixo da escola, praticamente cada centímetro dele.

Puta merda. — Sussurrei a mim mesma quando notei que havia uma parte do solo que não continha gramas, e sim apenas terra, como se estivessem ali feito um buraco e tapado-o em seguida. Definitivamente, era Seth.

Olhei ao meu redor e procurei, daquela vez, alguma ferramenta para escavar. Havia uma encostada à parede da escola.

Meu padrasto me ensinara a atirar e a realizar primeiros-socorros, mas não a cavar. A ferramenta chegava a ser pesada, mas a segurei com firmeza e tentei, provavelmente com sucesso, escavar aquilo. Trabalhar sob pressão e ainda mais sem ter habilidade com o objeto em minhas mãos me fazia suar e tremer.

Eu ouvia tiros enquanto escavava. Cada um causava um frio descomunal em minha espinha. Contudo, não podia interromper o meu resgate ao Seth.

Demi? — A voz rouca de Joe me chamou. Ele automaticamente correu até mim. — Você o achou?!

— Ele está aqui embaixo!

Joseph se aproximou e pegou a ferramenta de minha mão. Claramente, tinha mais habilidade com aquilo.

Foram aproximadamente dois minutos e dezenas de tiros escutados até que eu conseguisse enxergar a madeira do caixote. Joe jogou a ferramenta para longe e pediu ajuda para que conseguisse tirar o caixote de dentro do buraco feito. Ele segurou em uma extremidade e eu em outra, assim, retirando a grande caixa de madeira e posicionando-a no gramado.

— Merda, merda! — Joe exclamou seguidamente. — Há um cadeado! Um deles deve estar com a chave!

— Não podemos entrar lá, achar um deles e pegar a chave! Eles estão trocando tiros! Quebre o cadeado com essa maldita pá!

Joe assentiu. Ele pegou novamente o objeto e eu me afastei para que ele, rapidamente, quebrasse o cadeado e revelasse um Gecko desacordado, com o rosto cheio de sangue e feridas expostas por todo o corpo.

— Tire ele daí, deixe-o deitado na grama! — ordenei. Joe, com esforço, conseguiu segurar o amigo nos braços e tirá-lo de dentro do caixote. Colocou Seth deitado de barriga para cima na grama e não hesitei em ajoelhar-me ao seu lado. — Seth? Seth, responda!

— Ele não pode estar... — Joe iniciou, mas sequer completou a sua frase. — Cheque o pulso dele.

Finalmente algo que eu possuía habilidade. Toquei o seu pulso, em busca de alguma veia que mostrasse batimentos cardíacos.

— Está batendo muito fraco. — Mordi os lábios, sentindo meus olhos marejarem. — Vamos, Seth!

— O que faremos? — Joe indagou.

Suspirei, encarando o corpo de Seth adormecido ao chão. Ele ainda tinha vida, estava apenas desacordado e com dificuldade para respirar.

E os tiros não paravam. Toda aquela situação apenas me deixava fodidamente apreensiva e nervosa.

— Seth... — De joelhos, aproximei-me dele e toquei seu rosto. — Acorde, por favor. Apenas me faça ter a certeza que você ficará bem.

— Demi, cuidado! — Joe gritou.

Virei-me rapidamente para a direção oposta à minha, dando de cara com Frank apontando uma arma para mim. Nem mesmo tive tempo de pensar. Quando dei por mim, já estava sentindo como se cada tecido da pele do meu braço estivesse sido rasgado sem temor. E foi. Um projétil alojou-se no meu braço esquerdo, arrancando um grito do fundo da minha garganta.

— Foi você quem matou Oliver, não foi?! — ele questionou em um berro.

A dor foi algo colossal, mas que pareceu esvair-se momentaneamente por conta da raiva que eu sentia. A fúria era meu anestésico.

— Você era só mais uma vadia que juntou-se a eles, mas agora é pior que todos eles juntos! — exclamou com um sorriso falso no rosto. — Você merece morrer!

— Tudo isso é dor de cotovelo porque eu, sozinha, descobri tudo que vocês tramaram e onde Seth está? — Dei um sorriso falso, assim como o dele. — Você é só um estúpido que não se conforma que uma mulher de vinte e quatro anos é bem mais empenhada que você. Ela também acabou com o chefe dessa merda de vocês e agora se encontram desestruturados.

— Você começou isso! — Ele referia-se ao tiroteio. — Michaela e Nate estão mortos agora e é sua culpa!

Os olhos de Frank Delfino adquiriram outro tom, provavelmente por conta da raiva. Quando ele levantou o braço para atirar em mim novamente, fechei meus olhos. Já havia sido baleada e, daquela vez, ele não erraria. Tive quase certeza que aqueles eram meus últimos segundos.

O barulho do disparo do tiro invadiu meus tímpanos de uma vez só. Certamente, ele ia me matar.

Mas não o fez.

O segundo tiro não me atingiu, tampouco saiu da arma de Frank. Pelo contrário, Delfino foi quem caiu no chão, atingido por uma bala. Após seu corpo chocar-se contra o gramado, notei que Valderrama estava parado atrás dele. Quando ele olhou diretamente para mim, seus olhos se arregalaram e ele se aproximou em passos extremamente rápidos de mim.

— O que aconteceu? — Ele tocou cuidadosamente meu braço.

— Ele me acertou.

Wilmer simplesmente retirou a blusa que mangas longas que vestia, mesmo usando outra por baixo, e enrolou-a ao redor do meu ferimento. Por conta da queda de minha adrenalina, aquilo começara a doer intensamente.

— Vai estancar. Você está bem? — interrogou.

— Na medida do possível, e você? — Olhei no fundo de seus olhos.

— Eiza e Nick estão mortos e eu descobri que Ashton era um falso, o que me obrigou a estourar a cabeça dele. — Comprimiu os lábios. — Não acho que estou bem.

— Nick o quê? — Joe arregalou os olhos, aproximando-se de nós. — Ele está morto?! Não podemos salvá-lo?

Os olhos de Joseph já despejavam lágrimas que começaram a inundar seu rosto.

— Não há volta, irmão. Ele se foi — Wilmer afirmou cabisbaixo.

Joe ficou pasmo por alguns minutos, parado. Apenas as lágrimas rolavam pelo seu rosto. A dor dele não era completamente transparente, mas eu o conhecia. Estava sem chão. Ele passou a mão pelos seus cabelos e Valderrama, com calma, o puxou para um abraço forte, demonstrando compaixão. O ombro de Wilmer chegou a ficar encharcado pelas lagrimas do mais novo que chorava sem contenção. Toda aquela cena acabou me arrancando todas as lágrimas que eu estava insistindo em segurar durante aquela conturbada noite.

— Eu... Eu vou vê-lo — Joe avisou, afastando-se. — Me chamem se algo acontecer.

— Fique a vontade, Joe. — Toquei seu ombro. — Não tenha pressa.

Ele se afastou de nós e, com suas mãos nos bolsos e entre soluços, caminhou até a porta mais próxima para entrar na escola.

Com esforço por conta da dor no braço, eu abracei a cintura do latino na minha frente. Wilmer claramente estava abatido, assim como Joe, que recebera a notícia da morte de sua amiga, seu irmão e o baque de saber que Ashton, o tempo todo, estava infiltrado entre nós. Além de tudo, Wilmer havia perdido a sua ex, uma mulher que, em algum momento da vida, amou.

— Calma — desejei.

— Você realmente está melhor? Não precisa ir a um hospital? — Ele mudou de assunto.

— O projétil ainda está dentro de mim. Mas não é algo que eu não possa suportar. — Suspirei. — Estou feliz por estar vivo, Will.

— Eu também estou feliz por não ter perdido você — admiti.

Assim e em meio às minhas dores, selei nossos lábios com calma. Realmente, eu estava destruída pela morte de Nick e Eiza e a farsa de Kutcher, mas ao mesmo tempo agradecendo ao Senhor no qual eu acreditava por Wilmer estar vivo.

— Que cena esplendorosa, será que estou me tornando um empecilho ao casal aí?

Virei-me para trás, dando de cara com Gecko sentado na grama, olhando para nós e com um sorriso torto no rosto, oscilando entre rir e fazer uma careta de dor. Caminhei até ele, momentaneamente feliz por vê-lo em “bom” estado. Eu me ajoelhei ao seu lado e lhe dei um abraço forte, que foi retribuído em meio a um gemido de dor de ambas as partes.

— Você está vivo, seu filho de uma puta. — Ri, tocando seu rosto parcialmente ensanguentado. — Vaso ruim não quebra, não é? 

— Isso explica porque você está viva, também — zombou. — E não podemos esquecer o mano Valderrama.

— Você consegue se levantar? — questionei.

— Não, acho que não. Levei umas pancadas, sabe? — brincou. — Cristo, o que aconteceu com seu braço?

— Eu fui baleada enquanto tentava salvar você, seu bastardo.

Wilmer chegou perto e ajudou Seth a se levantar. O rapaz reclamou de dores por todo o corpo e, com a ajuda do amigo, permaneceu com os pés no chão.

— É adorável ficar abraçado ao Valderrama — zombou, visto que Wilmer praticamente o segurava e deixava-o se apoiar nele.

— Podemos jogá-lo neste buraco de novo? — Wilmer questionou.

— Nem pensar! Mas digam-me... Quem me encontrou? — perguntou. — Acho que estou aqui há cinco horas. Eles me torturaram e me bateram durante o tempo em que sumi. Desmaiei de tanta pancada que levei e quando acordei, estava ali em baixo. Eu comecei a enlouquecer de verdade e depois de um tempo, ficou difícil respirar. Finalmente alguém me encontrou.

— Eu descobri onde você estava e vim até você — afirmei.

— É por isso que eu te amo, Demetria Lovato. Com todo respeito, Wilmer — ele disse. — Mas o que aconteceu? Onde estão os outros?

— Perdemos Nick e Eiza — Wilmer disse pausadamente. Pude notar o quanto Seth ficou surpreso em uma péssima maneira. — Todo o pessoal da gangue inimiga também. Restamos apenas eu, Demi, você e Joe.

— Sério? — Ele encarou Wilmer com os olhos marejados.

— Infelizmente. E é horrível, mas precisamos nos livrar dos corpos dos outros. Vocês dois, como estão machucados, é melhor que fiquem no carro do Joe. Eu e ele vamos cuidar disto. Teremos uma longa noite.

 

 

No meio da madrugada, eu estava sentada no banco de trás do carro de Joe, ao lado do Wilmer e sendo observada por Seth, no banco da frente. O próprio Joe, Freddie — a quem pedimos ajuda — e Kate, ridiculamente, retiravam os corpos esquartejados do porta-malas e deixavam os mesmos no meio da trilha onde estávamos parados.

— É uma boa ideia você tentar tirar um projétil de dentro do meu braço em um carro no meio da noite? — questionei.

— Nós não temos outra opção — Wilmer disse, vasculhando a maleta de primeiros-socorros que ele havia pedido para Kate levar. — Bom... Isso vai arder.

Seth lhe passou uma garrafa de bebida alcoólica e, antes de qualquer coisa, ele tomou um gole. Pacientemente e tentando me manter calma, ele buscou um pano limpo e despejou um pouco da bebida nele.

— Por que não usamos o álcool que eles trouxeram? — Seth indagou.

— Eles vão usar para queimar os corpos — Wilmer disse como se não fosse nada. Os corpos de Eiza e Nick, aliás, estavam sob cuidados da família dos Jonas, que morava no Pinecrest e moveu-se até Miami Beach para cuidar daquilo. Àquela altura, todos que podiam saber do ocorrido já tinham noção. — Agora, preciso que se acalme, Demetria.

Eu sabia o que vinha a seguir. Ele passou o pano em meu ferimento, me arrancando alguns gemidos de dor. De forma ou outra, Wilmer precisava limpar aquilo. Foram segundos agonizantes. Seth, notando meu desconforto, ajeitou-se como podia no banco para segurar a minha mão e deixar que eu a apertasse firme, em decorrência da dor que sentia. Foi um longo processo de limpeza, abertura do ferimento e retirada do projétil. Tentar não fazer escândalo era impossível, ainda mais sem alo que aliviasse ou retirasse minha dor.

— Seth, saia da frente da luz, estou dando pontos! — Wilmer ordenou.

— Desculpe. — Ele ajeitou-se mais uma vez. — O que eles farão? Apenas queimarão?

— Precisamos nos livrar das armas também — recordei. — Wilmer, você já sabia fazer isto antes?

— Não muito bem. Aperfeiçoei com você. Lembra-se de quanto eu levei um tiro, você cuidou do meu ferimento na casa de Joe e dormimos na sala da casa dele?

— E depois eu tentei fugir e fui assaltada.

— Parabéns. Agora, anos depois, vocês estão aqui. Bela história de superação — Seth brincou.

— Certo, eu terminei — Will avisou. — Espero que melhore.

— Eu vou melhorar — garanti. — Obrigada, Will.

Selei rapidamente nossos lábios, deixando de aprofundar o beijo em respeito ao Seth — pela primeira vez, depois de sofrer tanto, ele merecia.

Nós três descemos do carro e encostamos-nos em sua lataria, observando a movimentação dos outros. Chegava a ser cruel ver os pedaços deles ali, jogados no meio de uma estrada de terra no meio de um matagal. Com luvas nas mãos, Freddie pegou o álcool e despejou-o no amontoado de partes de corpos.

— Alguém tem um isqueiro? — Kate indagou.

— Saiam de perto — pedi, retirando o pequeno objeto de meu bolso. Clássico de uma fumante.

Apenas acendi o isqueiro, esperei que eles se afastassem o suficiente e joguei em direção aos corpos, que logo entraram em chamas por conta do álcool jogado. Era uma chama grande, por sinal.

De todas as coisas que imaginava para a minha vida, nenhuma chegava perto de incendiar corpos de inimigos no meio do nada. Mas o que eu podia fazer? Nada daquilo era previsto. Quase perder Seth e encontrá-lo enterrado vivo não era previsto, tampouco ter que ouvir que Nicholas e Eiza estavam mortos. Matar Laurel e Oliver também não. Algumas pessoas diziam que gostavam de surpresas, mas eu, definitivamente, as odiava.


Notas Finais


agora sim, olá!
enfim, acho que não preciso falar sobre a demora nem comentários, sim? a única coisa que tenho a acrescentar sobre o tempo que estarei postando a fic é: agora estou de férias e poderei escrever bem mais e postar (quem sabe) com mais frequência
aliás, agora acabaram as tretas mais pesadas, viu? quem foi no meu curiouscat e viu o spoiler sabe que vai ter uma bem mínima, nada de mais rsrsrs
sobre a surpresa que eu disse que ia revelar neste capítulo, não deu, estive sem tempo por trabalhos e acampamento ;( mas quem sabe NO PRÓXIMO vai
vocês acharam que a eiza seria boazinha?
AAAAA, e vamos ter muitos momentinhoa dilmer daqui em diante
comentem, meus amores! qualquer coisa me procurem no twitter ou curiouscat @bodylovatosay


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