História Dark Paradise - Capítulo 29


Escrita por: ~

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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Alex Vause, Piper Chapman
Tags Alex Vause, Lorna Morello, Nicky, Nicky Nichols, Piper Chapman, Vause, Vauseman
Exibições 113
Palavras 6.206
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


HEEEEEEEEEEEEY garera, como estão? Espero que bem, porque depois desse capitulo não garanto nada KKKKK
Bom, capitulo link pro fim, creio que uns 5 ou 6 capitulo para o tão belo já escrito desde o inicio da fic, fim.
Creio que eu atualize mais até domingo.
Nesse capitulo de agora tem todos os POVS importantes? (Larry, Cal, Nicky, Alex, Piper e Polly) SIM, TEM.
Então aproveitem xuxus.

Capítulo 29 - Don't Leave Me Now


POV LARRY

 

"A loucura é um simples desarranjo, uma simples contradição no interior da razão, que continua presente".

Escrevi as palavras no quadro enquanto todos os olhos estavam atentos aos meus movimentos, eram os momentos finais da aula e mesmo assim todos ainda permaneciam atentos e participativos, era o que me fazia me sentir bem em uma sala de aula, era nostálgico e gratificante lembrar como era quando eu estava no lugar daqueles que chamo de alunos.

- Alguém sabe me dizer de quem é essa frase?

No fundo da sala um dos alunos levantou a mão e fiz que sim com a cabeça esperando sua resposta.

- Georg Wilhelm Friedrich Hegel, ou só Hegel. Era um Filosofo alemão.

- Correto. Abram na página trezentos e noventa e quatro. Paragrafo três, linha seis: “A loucura deixou de ser o oposto à razão ou sua ausência, tornando possível pensá-la como "dentro do sujeito", a loucura de cada um, possuidora de uma lógica própria. Hegel tornou possível pensar a loucura como pertinente e necessária à dimensão humana, e afirmou que só seria humano quem tivesse a virtualidade da loucura, pois a razão humana só se realizaria através dela.” – Fechei novamente o livro e o coloquei sobre a mesa, me sentei também sobre ela e encarei a todos - Ninguém nunca será normal o suficiente a ponto de jamais te uma pitada de loucura em si, e era isso que Hegel tentou dizer, a loucura é ser diferente, ser único e pensar com autonomia, rir em momentos impróprios e constrangedores, é ser você mesmo sem o medo de ser julgado. Você precisa, unicamente, se aceitar para começar a ser aceito pelo externo. Vivenciamos a loucura todos os dias, a praticamos e sentimos a cada minuto, de formas diferentes, com intensidades diferentes. Ninguém, jamais estará livre da loucura.

- Você é Louco Professor Bloom?

- Talvez, Jeremy. Talvez.

Dito isso sorri e em seguida o último sinal da tarde soou, estiquei meus braços enquanto dava tchau para os alunos que saiam animados. Quando o ultimo passou pela porta e a fechou, me voltei para o quadro e apaguei a frase escrita antes. Peguei meus livros e os coloquei dentro de minha pasta, quando a coloquei no ombro, pronto para sair, o grupo de professores apareceu em frente a porta.

- O que acha de algumas doses hoje Larry?

- Me desculpem, mas hoje tenho compromisso com velhos amigos.

- Mais velhos que nós? Só aceitamos não se os conheceu antes de nós na faculdade.  – ri junto deles e neguei mais uma vez.

Esses velhos amigos são prioridades.

 

Caminhei até o estacionamento, entrei em meu carro e tranquilamente dirigi até o local marcado, minha cafeteria favorita, havia vivido bons motivos ali e esperava que esse fosse outro. Estacionei e entrei no local procurando a mulher gravida que estaria me esperando e quando a encontrei vi seu sorriso.

Falso, mas ainda assim é um sorriso.

XxX

- Você é doente, Larry.

- Eu sou doente? Por que diz isso? – peguei a xícara a minha frente contendo chá fumegante, com toda tranquilidade, e olhei serenamente para a mulher a minha frente.

- Sabemos, nós dois, que isso tudo não é pelo tráfico ou pelo poder, você está obcecado por ela.

- Não estou obcecado, apenas quero o que é meu por direito.

- Você acha que pode controlar tudo não é mesmo? Ela não é sua, você não tem direito algum por ela ou qualquer outro ser humano.

- Não, eu não acho querida Polly, eu tenho certeza.

- Essa sua cara de cínico me dá enjoo.

- Polly, meu amor, entenda, eu apenas falo a verdade.

- Você não vê que ela não ficará ao seu lado quando sair? Que ela nunca irá te amar? Que Piper um dia ira aparecer novamente? Porque, não sei se você sabe, mas ela não pegou perpetua.

Polly levantou as sobrancelhas sorrindo vitoriosa como se tudo que houvesse dito fosse seu maior feito do dia, mas como sempre, ela estava errada, como todos, e eu certo.

- Ela ficará ao meu lado, quando ela sair seremos felizes, como poderíamos ter sido desde o começo, ela se entregou a mim, ficamos seus últimos dias livres juntos, cuidei dela em todos os momentos. O mínimo que mereço é ela ao meu lado.

- Você é realmente doente. – Polly estava séria me encarando, sua xícara estava parada no meio do caminho entre sua boca semiaberta e o pires sobre a mesa. – Deveria procurar um amigo da sua área, você precisa urgentemente de um bom psicólogo.

- E você precisa urgentemente parar de falar tanta merda. – Sorri enquanto ela retribuía falsamente.

A nossa volta a cafeteria enchia rapidamente, em plena tarde de verão, muitos ainda assim procuravam por um bom chá e croissant quentinhos. Olhei para os lados acenando para quem acabava por retribuir o olhar e quando voltei a encarar a mulher grávida a minha frente uma espécie de déjà vu me atingiu lembrando dos tempos em que sorrir era uma regra entre nós todos, ela sorria distraidamente para uma senhora que estava sentada ao nosso lado com um garotinho.

Bons tempos onde todos nos apoiávamos, não importavam as escolhas, os erros, os gritos e discordância, no fim todos nos apoiávamos.

- Se você e Cal me apoiassem...

- Nem termine que Bill já quer colocar tudo que comi aqui para fora de novo, isso só de imaginar como seria se o apoiássemos.

- Você fala como se fosse o fim do mundo, mas não Polly, Alex e eu podemos ficar juntos e sermos felizes, Piper não nasceu para ficar com ela, Piper nasceu para ser livre e viver em festa, curtir a vida, transar com todas as mulheres disponíveis em apenas uma noite como nos velhos tempo, sei disso. Você sabe disso. Ela sabe disso.

- As pessoas mudam Larry. Já passou na sua cabeça de que a felicidade de Alex, talvez, seja ao lado de outra pessoa que não seja você ou Piper?

- A minha felicidade está ao lado de Alex, é isso que importa.

- Não, não é apenas isso.

- Claro que é. Um estando feliz contagia o outro.

- Você realmente fez psicologia?

- O que...?

- Você melhor que ninguém deveria saber que não é desse jeito que a banda toca. Se vocês ficarem juntos e um dia ela achar alguém melhor que você? Acha que ela vai mesmo entrar nisso depois de sair? Acha que AGORA, lá, dentro daquele lugar nojento, ela está gostando de toda a porcaria que você e Kubra entregaram a ela e a obrigam a distribuir?

- Ela não sabe que estou no meio disso.

- É tudo que você tem a dizer? Apenas que ela não sabe? E quer conquistar ela como Larry? Vai dar uma de admirador secreto?

- Vocês me subestimam, eu vou tirar Alex dessa. Ela só precisa, por hora, se foder um pouco e vir para o nosso lado. Quando sair, ficará comigo, e esse será meu segredo. São dois coelhos com uma só tacada. Consigo dinheiro fácil, quando Alex sair descarto Kubra e tenho Alex como brinde.

- Sabe que na primeira oportunidade ela ficará sabendo disso, de tudo, no caso. 

- Está querendo me dizer que falará para ela, querida Polly?

- Sim, querido Larry.

- Você já ama esse pedacinho de gente ai?

- Você não faria nada conta nós. Pare de blefar.  

- Experimente. – Bebi o ultimo gole de meu chá e olhei para o relógio.

Já marcavam sete horas, Cal deveria ter chego da visita a vinte minutos.

- Você se pergunta porque não o apoiamos, mas quer que façamos isso com essas atitudes? Ameaçar alguém que já te teve como amigo? Foder a vida de uma mulher já fodida e presa? Apagar do mapa a irmã do homem que te considerava um irmão?

- Eu nunca quis separar todos, mas depois de Piper ter me provocado, depois dela ter feito Alex ficar confusa com o que sente por mim, vocês viraram as costas para mim, vocês me tratavam como uma criança que não entende nada, e eu vou mostrar pra vocês que não sou o idiota que vocês pintam, eu vou fazer vocês engolirem tudo que já me disseram. “Deixe ela em paz, Larry, pare de agir como criança.”, “Ela não te ama, aceitei isso.”, “Você não é homem o suficiente para ela.”, “É melhor você ir dar aula e parar de falar merda.” Acha que em algum momento eu me senti bem com isso?

- Não venha nos culpar, sempre falamos a verdade um para o outro, estávamos apenas fazendo isso.

- Ai que você se engana, sou adulto, homem o suficiente para ter Alex, para mandar na porra do que eu quiser, para fazer um cartel crescer e poder desmanchar a qualquer momento, eu não falo besteiras como vocês.

- Não precisa disso, a deixe escolher e fique feliz pela escolha dela.

- Não seja romântica Polly. Eu escolho por ela, no caso, me escolho.

- Você não pode estar falando sério, ainda espero pelo dia em que você vai chegar com um chapéu que tenha duas hélices pequenas em cima e rir para nós dizendo “Pegadinha do malando Larry.” – Revirei os olhos e vi um homem muito conhecido por mim adentrar o local.

- Quieta, olha quem chegou.

Polly virou e encarou a mesma imagem a qual eu observava entrar na cafeteria desengonçadamente. Cal jamais perderia seu jeito de ursinho carinhoso atrapalhado.

- Você está bem, meu amor?

Polly acenou positivo e sorriu de lado, fiz sinal para Cal sentar-se e o mesmo logo se colocou ao lado de sua esposa.

Sim, eles fazem um belo casal, e eu não gostaria de desmanchar algo assim.

Mas não mediria esforços caso fosse preciso.

- Bom, irei ignorar o fato de que você falou com tamanha preocupação como se eu fosse um traficante sem coração e pularei para o importante: como foi na visita?

 

POV CAL

 

FLASHBACK ON

- Eu sou a Alex, o que você irá dizer para mim Cal?

- Alex, me desculpe, eu só não sabia como olhar para vocês, eu sabia que iria fraquejar e não aguentaria novamente, ficar sem minha irmã é doloroso, a cada segundo sinto a falta dela e você me lembra ela.

- Certo, muito bonito, Cal, só tente parecer ainda mais emocionado ok? Agora, eu sou Nicky, o que você vai dizer a ela?

- Você principalmente Nicky, eu não sabia como lhe falar, eu não sabia como agir, por isso pedi a Larry que viesse e estivesse mais próximo a você, eu sabia que ele poderia ser o melhor no momento, Larry é nosso irmão e cuidaria de vocês melhor que qualquer um, eu só precisava vir aqui hoje para dizer o quanto amo vocês, mas não posso continuar, terei um filho para cuidar, uma empresa, uma mulher. Ele continuará aqui com vocês, eu só não consigo mais.

- E então você irá sair e deixa-las lá, em lagrimas ou o que for, apenas saia e não olhe para trás.

Abaixei minha cabeça e olhei para Polly que tinha uma arma apontada para sua barriga, ela era tudo que eu tinha, Bill, nosso filho, que levaria o nome de meu pai era tudo que tínhamos.

Larry estava a ponto de tirar tudo de nós, apenas por um pouco de poder e não amor vindo de Alex.

FLASHBACK OFF

Amizade é algo engraçado. Podemos levar meses e até mesmo anos até construir uma forte o suficiente para resistir a muitas turbulências, mas em poucos minutos, uma palavra errada, um olhar, um gesto, algo simples e banal, pode acabar com aquilo que achamos ser forte.

A tempos quero visitar Alex e Nicky e fui proibido, a tempos quero ver minha irmã e saber de sua saúde, tudo impedido por um homem que um dia chamei de irmão.

Nada me fazia conseguir entender seus motivos de ódio, Larry sempre foi alguém tranquilo, sempre foi alguém cativante e protetor, hoje quer fazer a mulher que diz amar voltar a viver um inferno, o mesmo inferno que a levou para atrás das grades.

E divagando em pensamentos olhei a minha volta, o mesmo estacionamento que já conhecia tão bem, nada havia mudado. Tirei a chave da ignição do carro e me apoiei no volante, pensei em tudo que me foi dito, tudo que tive de ensaiar com Larry para dizer as duas mulheres que logo estariam a minha frente e me senti sujo, senti cada parte de meu corpo condenar o que estava prestes a fazer.

Mas perder Piper estava fora de cogitação.

Sai do carro e comecei a trabalhar em modo automático, fazia tudo lentamente, cada passo e cada lufada de ar que puxava.

Tudo está errado.

Me apresentei na entrada e observei aquele lugar que continuava o mesmo. A mesma planta em cima do balcão, o mesmo desinteresse do guarda a minha frente, as mesmas paredes desbotadas e sujas. 

- Pode se dirigir até a sala de visitas, logo as chamaremos.

Apenas acenei com a cabeça e caminhei por um curto corredor, muitos familiares estavam à espera das mulheres que pelo menos para nós são importantes, a diferença era gritante entre muitos, tantos com sorrisos e tantos outros com tristeza estampada em seus rostos causada por escolhas erradas.

Os minutos pareciam se arrastar e nada de Alex e Nicky aparecerem. Olhei para o relógio em meu pulso e acompanhei o ponteiro contanto os segundos, minha única distração.

- Cal?

Levantei a cabeça e nem mesmo um sorriso consegui fingir, Alex me olhava com amargura e Nicky parecia ainda pior. Não poderia esperar nada diferente, mas aquilo me corria por dentro de tal forma que toda a sujeira pedia para ser expelida a força. Passei as mãos por meu rosto e esperei que ambas sentassem a minha frente.

Faça o certo Cal, ninguém ficará sabendo.

- Preciso que me escutem, que não façam escândalo e depois que eu terminar e sair por aquela porta finjam que não sabem de nada.

- Estamos a todos ouvidos. – Alex apoiou os cotovelos na mesa enquanto Nicky estava com os braços cruzados sobre o peito jogada sobre a cadeira tentando transmitir todo o seu desinteresse.

Respirei fundo e pedi internamente que nada desse errado, não mais.

- Larry está por trás das drogas, Alex. Ele quer você.

 

POV NICKY

 

- O que? – Alex falou baixo enquanto eu ainda tentava digerir o que havia acabado de ouvir.

Larry era nosso amigo, ele sabia como Alex havia sofrido por perder tudo por culpa das drogas e depois por ter aceitado a proposta de Kubra. Larry sabia que Alex não queria, ele não iria a obrigar a nada.

- Você não pode estar falando a verdade, Larry não faria isso com Alex.

- É surreal não? Aquele que chamamos de amigo fazer logo isso. Ele está obcecado, as vezes acho que ele quer poder e outras ele parece aceitar que o foco dele é só ter Alex e provar para todos que ele consegue ter quem ele quiser.

- Larry não é assim...

- Al, porque eu mentiria?

- Eu não sei, você pode estar só fazendo algum tipo de brincadeira de muito mal gosto. – mexi minhas mãos sobre a mesa, parecia que todos os olhares estavam voltados para nós.

- Ele se juntou a Kubra a pouco tempo e não precisou construir uma reputação novamente, ele não perdeu a que construímos todos juntos, é como você Alex, se hoje você sair e voltar ao ramo todos irão seguir você porque seu nome é grande, Kubra quer isso, o seu prestigio e Larry quer isso e muito mais.

Alex mexia as mãos em cima da mesa em um ato de ansiedade e nervosismo, ela assim como eu sentia a dor da apunhalada levada nas costas, todas as mentiras e falso sentimento, Larry é apenas uma farsa.

- Então toda aquela cocaína que precisei esconder é dele? Ele jogou tudo para mim? Mesmo eu mesma tendo dito que nunca mais iria querer fazer nada assim?

- Eu não sei quais são as intenções dele, onde ele quer chegar com toda a paranoia, só não consigo mentir mais para vocês.

- Era por isso que você não vinha então e em suas ligações eram sempre evasivas? – limpei a lagrima que escorria por meu rosto na tentativa falha de manter minha pose de durona que estava pouco se fodendo para tudo.

- Ele... Porra Nicky, me desculpe por tudo, por deixar você achando que estava sozinha, mas Polly está gravida e ele ameaçou de fazer algo com ela, colocou drogas nas tubulações da empresa. Eu não tinha escolha.

Minha cabeça girava, eram informações ruins demais para um só dia, Alex estava perplexa ao meu lado e não conseguia ao menos piscar.

Sabe quando você se pega pensando em uma dimensão alternativa onde tudo é diferente da realidade? Coisas que são totalmente impossíveis de acontecer.

Estava me sentindo em uma dessas, era tudo tão absurdo e inimaginável que chegava a ter uma pitada de humor.

- Tudo bem, esse é o momento que você diz que está nos zoando e começa a rir da nossa cara. – sorri olhando para Cal e pedindo internamente que eu tivesse realmente dito a verdade sobre todo o momento.

- Por favor, Nicky, leve isso a sério.

- Não Alex, é impossível acreditar nisso, Cal só pode estar brincando. É o Larry. O nosso amigo Larry.

- Eu lamento muito que você não acredite, mas sou seu amigo também! – Cal parecia alterado, queria dizer algo a mais, porém se policiava com algo.

- Não tem mais nada que queira nos falar?

- Porque acha que tenho? – ele olhou para os lados, claramente nervoso.

- Vamos Cal, diga.

Alex continuava ao meu lado em silencio, provavelmente remoendo tudo que acabamos de ouvir, não havia indícios de nenhuma emoção e nem sinal de que falaria algo tão cedo.

- Talvez, sim, eu tenha.

- Conte.

- Alex? - Ela continuava parada, apenas respirava, como uma planta trabalhando no processo da fotossíntese. – Alex?

- Ah, sim Nicky?

- Cal tem algo a mais para nos contar.

- Pois então, nos conte.

- Eu realmente, realmente não sei se devo.

- Ah, vamos lá Cal, você já começou, não pode parar na metade.

- É sobre Piper...

- Piper? – Alex se endireitou na cadeira e pareceu mais atenta que anteriormente, olhava para Cal com expectativa de ao menos saber como foram seus últimos minutos, ela sabia que não era possível ninguém ressuscita-la, que viveria apenas com as boas lembranças, mas apenas por ouvir o nome daquela loira seu rosto se iluminava com um sorriso singelo e um brilho lindo nos olhos.

- Ela... Ela não está morta.

 

POV ALEX

Piper não está morta.

Contei até dez e remoí aquelas palavras.

A voz de Cal ecoava em minha mente e um sorriso involuntário brotava em meu rosto.

Como seria possível isso e porque ninguém nunca fez questão de desmentir quando perguntávamos a qualquer um?

Eu realmente ouvi direito. Não estou louca, todos aqueles dias em uma sala fechada sem contato algum com o externo não podem ter me deixado louca a esse ponto.

Ele realmente falou que Piper está viva.

Viva.

Senti meus olhos se encherem d’água. Apenas de imaginar que voltaria a vê-la e tudo voltaria a ter sentido meu peito já fazia uma festa interna, queria gritar de alegria, pular e fazer todos ficarem feliz junto a mim.

A minha Pipes está viva.

- Por que ela não voltou? O que aconteceu com ela? Por isso nenhum guarda confirmou nem negou nada?

- Alex, Larry e Kubra tem muita influência...

- O que você quer dizer com isso?

- Ele não está por trás disso também, está? – Nicky tinha os olhos vermelhos como os meus e tentava se decidir entre sorrir e se desesperar por perceber que estávamos confiando em alguém que só nos trazia o sofrimento e mentiras.

- Sim. Ele... Era mais um dos motivos para que eu não viesse. Ele hoje só me permitiu porque ensaiou um monte de asneira que eu deveria dizer a vocês, mas eu não consigo, eu não sei o que faço agora, ele quer Alex, quer as drogas vendidas e se não tiver ele pode fazer a morte de Piper ser real.

- Ele não fará isso, deve estar apenas jogando com o emocional de vocês.

- Você não conhece esse Larry, Alex.

- Ele está certo, nós não conhecemos mais o Larry, Alex, precisamos ter muito cuidado. – Nicky falava seria, como se aquela fosse sua personalidade em tempo integral.

- Bom, tomaremos cuidado, mas lhe darei um presente ainda hoje.

- Não faça nada de errado, Alex. Piper depende disso. Piper e Polly.

- Tomarei Cal, não se preocupe.

XxX

Após Cal ter ido embora Nicky e eu encontramos Lorna no corredor que levava aos quartos, fomos as três tranquilamente até meu quadrado, durante o caminho contamos para Morello resumidamente tudo que estava acontecendo e tivemos que conter a baixinha quando quis gritar por Piper estar viva. As duas me olhavam com curiosidade quando levantei meu colchão discretamente.

Aos poucos fui retirando os pacotes que ali havia guardado, os coloquei na calça, Nicky arregalou os olhos tentando dizer para guardar um, mas dessa vez eu não poderia guardar nada, seria tudo distribuído em poucos segundos.

- Vocês irão ficar na porta do banheiro, apenas não o deixe ver que estão ali, entenderam?

- Entendido capitã. – Nicky bateu continência rindo e então sai de meu quadrado tentando ao máximo ser discreta com todos aqueles pacotes em minha calcinha.

Procurei por Mendez e o achei perto do banheiro. Exatamente onde eu queria.

- Você deveria estar se deitando agora Vause.

- Acho que tenho coisas melhores para se fazer. – levantei as sobrancelhas tentando soltar meu lado sedutor, mas a todo momento lembranças dele me apalpando vinham à tona.

Balancei a cabeça e sorri o mais sedutor possível, pisquei e entrei no banheiro, rapidamente fui até uma das cabines sem porta e abri todos os pacotes, implorando silenciosamente que ele me siga na expectativa de ter algo a mais.

Poucos segundos após o último pacote ser aberto por mim Mendez apareceu e se encostou onde deveria ter uma porta. Ao ver os pacotes abertos no chão logo a frente de meus joelhos ficou ereto e me olhou com raiva.

Bingo.

Peguei cada pacote e joguei dentro do sanitário com uma velocidade incrível e logo em seguida suas mãos foram de encontro aos meus cabelos os puxando com força, gemi de dor com a puxada forte, mas mesmo assim apertei a descarga e vi todo o pó branco ir embora em poucos segundos.

- Sua vadia, sabe quanto tinha ali?

- Avise a Kubra que não sou um fantoche.

- Você vai aprender a não fazer merda Vause.

O primeiro tapa foi dado enquanto eu ainda estava de joelhos com os cabelos enrolados em sua mão, o segundo, ainda mais forte enquanto ele me puxava para cima me fazendo sentir dor não apenas no rosto, mas em meu couro cabeludo, sentia que a qualquer momento cada fio se desprenderia e ficaria em suas mãos.

Logo perdi a conta de quantos tapas levei no rosto e os dois últimos golpes, feitos com a mão fechada atingiram minha boca, causando um corte e o sangue tomou conta de minha boca para logo em seguida o outro ser dirigido ao meu olho direito.

Fui largada no chão enquanto ele saia e trombava com as duas baixinhas que deveriam ter aparecido antes, mas nem sempre o roteiro é seguido.

Aos poucos meus olhos pesavam mais, as duas mulheres tentavam me levar nos ombros para nosso quadrado, atraindo os olhares de várias detentas curiosas. O gosto de sangue impregnado em minha boca começou a me dar ânsia e vomito, mas segurei até encontrar minha cama. Me estiquei nela e como louca acabei rindo, do que aconteceu, de como aconteceu e de felicidade.

Piper está viva.

Larry não me fará um fantoche.

Pela primeira vez em semanas conseguirei fechar os olhos, mesmo com a dor e um provável hematoma no outro dia, e dormir em paz sentindo novamente toda a felicidade preencher meu peito, retirando dele toda amargura e dor.

Piper está viva.

- Alex, me responde caralho.

- Qual o seu problema? Estamos com cara de palhaço?

- Alex, olha aqui, eu vou bater ainda mais na porra da sua cara se você não parar de rir.

- Nicky, qual o problema dessa retardada? Ela gosta de apanhar?

- Alex, porra, para de rir.

- Depois a louca sou eu, você é a prova de que sou mais normal que ela, Nicky.

- Lorna, não, você é louca em cem por cento de seus momentos, ela só... Alex ele te bateu tão forte a ponto de te deixar retardada?

Minha risada ficava cada vez mais escandalosa com cada pergunta das duas mulheres que estavam ao meu lado. Sorri olhando para o teto uma última vez naquela noite depois de Nicky e Morello acharem que estava louca por não parar de rir e sorrir e não as responder, assim desistindo e ambas indo se deitar. Nicky depositou um beijo singelo em minha testa e sorriu para logo em seguida beijar Lorna apaixonadamente e ir para seu quadrado que dividia com Piper.

A minha Piper.

Que esta viva.

Fechei meus olhos depois de dar um leve soco no ar em comemoração e simplesmente apaguei vendo duas orbites azuis.

 

POV PIPER

 

- Tudo bem, pode falar tudo mais uma vez? Eu ainda não entendi.

- Meu nome é Helena e eu sou sua nova advogada, seu irmão fez o pedido de transferência e estou cuidando disso e precisava conversar com você sobre...

- Cal fez isso?

- Sim Srta. Chapman.

- E porque ele não veio me visitar e perguntar se eu gostaria mesmo que isso acontecesse?

- Ele tem estado ocupado.

- Cinco minutos não matariam ele.

A mulher a minha frente parecia inquieta. Helena não era nem um pouco boa como atriz, algo nela me fazia ter um pé atrás, aquele Cal que ela dizia ter pedido minha transferência sem ao menos ter vindo me visitar, não parecia o mesmo com quem fui criada e tem o mesmo sangue.

Ele melhor que ninguém, sabe que o importante é ficar ao lado de quem amamos, Stella com toda certeza foi parar na segurança máxima, o meu melhor agora seria ao lado de Alex, seria com todas as brincadeiras idiotas de Nicky e as paranoias de Morello.

- Ainda não consigo entender porque Cal faria isso.

- Srta...

- Piper, me chame apenas de Piper.

- Piper... É para o seu bem, se isso aconteceu enquanto estava perto de suas amigas, aquelas que poderiam a proteger e não o fizeram, o melhor é se distanciar de pessoas que não agregam em nada. Você estará mais segura onde ninguém a conhece e as chances de algo parecido vir voltar a acontecer é quase nula.

- Quase.

- Piper, nesse momento, não é você quem escolhe, infelizmente sua opinião não conta.

- Pois deveria!

- Sinto muito, mas por favor, tente focar em minha pergunta, como tudo aconteceu?

Revirei os olhos e expliquei tudo que conseguia me lembrar daquele fim de tarde. Falei da faca que eu mesma havia guardado, de Alex me defendendo, da dor que havia sentido em cada uma das perfurações que hoje se tornaram apenas marcas.

- Iremos omitir que a faca estava com você antes de tudo acontecer. Pode ser um agravante em sua pena, já que você foi pressa por assassinato e...

- Não é necessário me lembrar do motivo que me fez ir parar lá.

- Me desculpe, mas como eu ia dizendo, iremos omitir esse fato, e focar apenas que você foi a vítima e creio que logo teremos resposta sobre a transferência.

- E se eu não quiser?

- Já falamos sobre isso Piper.

- Só porque estou presa não tenho mais escolha sobre nada?

- Desculpe, mas é quase isso.

- Você, pelo menos, deveria levar o que eu quero em conta, é minha advogada!

- Contratada por seu irmão, tenho que cumprir as ordens dele e vejo que já acabamos, foi bom lhe ver Piper, darei a notícia ao seu irmão e na próxima vez que nos vermos.

A mulher com pose triunfante saiu daquele quarto levando consigo todo o ar pesado que chegava a me dar enjoo.

Não conseguia entender o motivo de ainda ser mantida nesse quarto de hospital, não sinto dores, os pontos já foram tirados, meu remédios cortados, não havia nada sendo injetado diretamente em minha veia, meu risco de piora era totalmente nulo e se duvidasse poderia entrar em mais uma briga em Litchfield.

- Philip?

- Sim Chapman?

- Quando poderei usar as pernas novamente?

- Pergunte isso ao seu médio, não a mim. – ele virou-se novamente para ler seu livro.

- É um livro muito bom.

- Calada, Chapman, volte a dormir ou a ler, só fique calada.

- Mas eu...

- Só fique calada.

- Eu só queria conver...

- Caladinha que o tio Philip quer ler.

Revirei meus olhos e ajeitei meu travesseiro. Fechei os olhos na tentativa de dormir e vi duas orbites verdes.

 

POV POLLY

 

- Acha que ele caiu? – Perguntei logo que entramos em nossa casa, Cal deixou as chaves em cima da pequena bancada que havia logo na entrada e me olhou intrigado.

Ele poderia achar que conseguia enganar algo da própria esposa, sabia que havia me casado com um homem extremamente sincero e apaixonado por seus amigos, Cal é o tipo de homem transparente que sempre faz de tudo para que quem esteja a sua volta se sinta bem. Poderia fazer qualquer coisa que estaria estampado em sua testa em letras neon, como no dia em que ele quebrou o vaso que minha mãe havia nos dado de presente quando retornamos da lua de mel.

- Como você?

- Leio mentes Cal, você sabe.

- Bom, então o que estou pensando agora?

- Que se não falar nada sabe que minha mão vai parar na sua cara.

Ele riu e me abraçou, me pegou no colo e fomos para nosso quarto aos carinhos. Sem sombras de dúvidas, minha melhor escolha na vida havia sido me casar com ele.

- Eu realmente espero que sim.

Me sentei na cama e ele de joelhos a minha frente apoiou o rosto em minha barriga já bem saliente. Era lindo como toda noite ele insistia em conversar com nosso pequeno, havia se tornado a melhor hora de meu dia, poderia passar horas e horas apenas o vendo falar com todo o amor que tinha e sentir seus carinhos.

Ele depositou um beijo em minha barriga e sorriu.

- Papai fez o certo hoje, sabia campeão?

- Fez papai? Conte para a mamãe também antes que ela enlouqueça.

- Você já é louca meu amor, não é possível ficar ainda mais.

- Chapman, minha mão inchada vai parar na sua cara e você terá uma tatuagem permanente em relevo dos meus cinco dedos.

- É filhão, sua mãe é um pouco revoltada além de louca.

- Cal!

- Estou apenas brincando meu amor. – Ele se apoiou na cama apenas para poder se levantar e me dar um rápido selinho e logo voltar a posição anterior.

- Fala logo Cal.

- Eu contei tudo para elas filho, toda a verdade, sobre os esquemas do Larry malvado, ele nunca vai poder brincar com você, não vou deixar e se ele chegar perto você chuta ele, combinado? – suas mãos faziam um carinho constante em minha cintura e barriga, ri de seu “combinado” com Bill e voltei a prestar atenção em suas palavras com um sorriso idiota no rosto. – Contei pra tia Alex quem empurrou aquele nescau branco pra ela, você também nunca poderá experimentar nescau branco, entendeu? E contei que a tia Piper está vivinha da Silva, e ela logo sairá de lá, mas infelizmente só vai ficar com a gente daqui alguns anos, alguns muitos anos na verdade, quando você tiver quase sete ela irá poder brincar com você.

- O que é até bom, sua irmã é louca com crianças, não duvido que o deixaria fazer o que quisesse. – Cal riu abafado e voltou a atenção a minha barriga.

- A tia Alex irá te estragar bastante sabe? Ela vai sair antes que a tia P, quando você tiver quatro ou cinco aninhos pelos meus cálculos. Você irá amar as duas filho, e também a tia Nicky, só não pode ter medo das loucuras dela, nem dar ouvidos a tudo que ela diz, nada de repetir o que ela fala, entendido?

- Eu o lembrarei constantemente disso. – Acariciei seus cabelos enquanto com a mão livre secava a lagrima boba que insistiu em escorrer. – Obrigada Cal, por ser tão perfeito.

- Olha filhão, papai agora vai dar atenção para a mamãe, então durma lembrando que você é muito amado, muito mesmo. – um último beijo foi depositado em minha barriga antes de Cal se levantar e segurar meu rosto. – E você mamãe, é a mulher mais amada desse mundo. Eu vou tomar um banho e colocar uma roupa bem confortável para dormimos, tudo bem?

- Sim.

Sorrindo ele correu para o banheiro e começou a rotineira tour do banho, já havia decorado todo seu repertorio, quando começava com Don’t Leave Me Now do Pink Floyd, em seguida cantava Patience do Guns e depois One do Metallica. E hoje era essa sua playlist.

- Ooh, babe, don't leave me now, don't say it's the end of the road, remember the flowers I sent. I need you, babe. To put through the shredder in front of my friends
Ooh, babe don't leave me now. How could you go? When you know how I need you. To beat to a pulp on a saturday night. Ooh, babe, don't leave me now. How can you treat me this way? Running away. Ooh, babe. Why are you running away? Ooh, babe. (Ooh, querida, Não me deixe agora, não diga que é o fim da estrada, lembre-se das flores que enviei. Eu preciso de você, querida para colocar o picador de papéis na frente dos meus amigos. Ooh, querida, não me deixe agora. Como você pode partir? Quando você sabe o quanto eu preciso de você para quebrar os ossos numa noite de sábado. Ooh, querida, não me deixe agora. Como pode você me tratar desta maneira? Indo embora. Ooh, querida. Por que você está indo embora? Ooh, querida)

Essa foi sua única música da noite, o que era estranho, logo estávamos os dois deitados na cama, de frente um para o outro nos olhando como se estivéssemos em nossa lua de mel ainda.

- Por que cantou apenas uma essa noite?

- Eu queia estar ao seu lado o mais rápido possível. So, don’t leave me now, babe.

- Eu nunca o deixaria Cal.

Com carinhos em minha barriga logo peguei no sono.

XxX

- Polly? Meu amor, acorde.

- O despertador ainda não...

- Baixinho, fale baixo.

Abri meus olhos na completa escuridão e vi que o relógio em cima do criado mudo marcavam duas da manhã.

- Porque me acordou a essa hora?

- Se esconda no closet, por favor, agora e fique em silencio.

- Cal, o que...?

- Tem alguém aqui em casa Polly, por favor, faça o que estou pedindo.

- Não tente bancar o corajoso, se esconda comigo.

- Não dá Polly, anda. Vá logo.

Me levantei ainda sonolenta e dei um beijo em Cal, meus sentidos ainda estavam bobos por isso a noção do perigo para mim naquele momento era nula, apenas segui até o closet e silenciosamente o abri, entrei e o fechei, trancando por dentro.

Ouvi paços se aproximando do quarto e logo a porta foi arrombada em um estrondo. Apenas nessa hora me dei conta do que estava acontecendo, havia alguém em nossa casa, alguém não legal, eu estava escondida e Cal corria risco. Tapei minha boca para o choro ser abafado e deixei as lágrimas escorrerem.

- Achou que Larry não lhe daria uma previa do que pode acontecer caso você não tenha cumprido sua parte no plano?

- O que você... O que ele quer?

- Te mostrar que tudo pode ser pior do que você imagina, enquanto eu te bater, imagine que faço isso com sua mulher e aquele pedaço de gente.

O primeiro golpe foi dado e do closet eu ainda podia ouvir os grunhidos de dor e o barulho que cada soco e chute causava em Cal.

Queria poder ser forte o suficiente para sair daquele lugar e impedir que aquele mostro machucasse ainda mais o meu marido, mas eu não sou forte. Queria ser corajosa para pelo menos ficar ao seu lado e tentar o ajudar de qualquer forma. Mas eu não sou.

Eu não sou corajosa.

E tudo que consigo sentir e pensar e que nada poderia dar mais errado ou ser mais assustador que a ideia de perder Cal ou o nosso bebê. 


Notas Finais


Próximo capitulo é todo com acontecimentos externos, ou seja, nada de Alex ou Nicky.
Preparem o core.
Beijo no core meus xuxus.


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