História Dark Paradise (Releitura) - Capítulo 17


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Categorias Peter Pan
Personagens Personagens Originais
Tags Alex Frost, Dark Paradise, Gabriela Graham, Neverland, Once Upon A Time, Peter Pan, Robbie Kay, Self-inserction
Exibições 45
Palavras 1.807
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Hentai, Mistério, Romance e Novela, Survival, Violência
Avisos: Estupro, Incesto, Sadomasoquismo, Self Inserction, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Essa obra completa está registrada na Fundação Biblioteca Nacional - EDA - Escritório de Direitos Autorais. Caso seja feito plagio inteiro ou parcial dessa obra, eu tenho como garantir meus direitos e isso pode resultar em processo. Portanto, NÃO PLAGIE, NÃO COPIE, NÃO SE INSPIRE.

Capítulo 17 - Diversão no Labirinto


Fanfic / Fanfiction Dark Paradise (Releitura) - Capítulo 17 - Diversão no Labirinto

 

A menina sustentou o olhar. Mas, feito uma ilusão de ótica, Peter desapareceu num segundo. Ela recuou e deu-se conta que ele havia sumido sem mais nem menos. Agora estava completamente sozinha. Encheu os pulmões com o cheiro enjoativo da vegetação carregada e embaraçada do labirinto.

Peter não explicou nada, apenas disse que era pra tentar sair.  Ela fechou os olhos e tentou focar em algo que animasse seu espírito. Naquelas circunstâncias não encontrou nada. Pressionou suas pálpebras com as pontas dos dedos, e se esforçou o máximo que pôde para tentar voar. Nenhuma boa lembrança vinha, e sem o pó de fada seria quase impossível. Quando se recordava dos bons momentos com o flautista, seu coração ficava apertado e um nó desagradável surgia em sua garganta, fazendo os olhos marejarem. Não era hora de chorar... Já estava tudo perdido.

Inspirou e expirou... pense coisas bonitas, pense coisas bonitas... Nada. Não tinha jeito, o menino sabia que ela não conseguiria voar, e a largou no labirinto com essa segurança. Fugir seria impossível, seus pensamentos estavam lesionados, como se uma energia pesada e negativa a puxasse pra baixo, impedindo de se apegar a qualquer tipo de sentimento bom.

Desistiu e engoliu o choro. Apesar de tudo, estava determinada a encarar o labirinto. Começou a entrar nele, sem saber o que a esperava.

As altas paredes de plantas ocultavam a luz da Lua, e a medida que se infiltrava nos corredores, mais escuro ficava ao seu redor. O silêncio era profundo, e o único som audível eram seus passos sobre o solo.

Tentando abrandar seu medo, começou a correr. Não estava traçando nenhum plano de caminho, nem decorando o rumo que tomava. Entrava nos corredores sem calcular nada. Por várias vezes ia de cara com uma rua sem saída, dava meia volta e seguia  pro outro sentido.

Depois de muito tempo correndo, suas pernas doíam e não encontrava fôlego. Como acabara de acordar de uma recuperação difícil, seu corpo não estava nas melhores condições pra uma corrida sem destino em um labirinto infinito.

Parou exausta após repetir a mesma passagem pela quinta vez. Era como se andasse em círculos. Não tinha certeza se era o mesmo lugar. Se apoiou na parede, sentindo sede. A partir dali retornou a andar, esgotada. Mais alguns minutos e sua sede tornou-se insuportável. A boca estava seca, e várias vezes Grace engolia saliva pra amenizar o mal estar.

Sem aguentar, parou e se sentou num acesso fechado. Apoiou as costas, querendo descansar e desanuviar sua mente. Precisava beber água com urgência. Fechou os olhos e focou-se num copo de água cristalina e gelada. Pensou  com vivacidade. Ao abrir, logo à sua frente ele estava sobre o chão.

Ela sorriu espontaneamente, como há muito não fazia. Apanhou o copo nas mãos e tratou de bebê-lo, aliviando-se. Deu vários goles se saciando, mas parou ao sentir uma coisa mole e sólida dentro de sua boca. Colocou o copo de lado, cuspiu seja lá o que fosse, e viu algo absurdo caindo para o solo. Era uma larva gorda e pesada, do tamanho de um dedo, se contorcendo.

Gritou, sentindo a náusea irrefreável, e olhou para o copo de água. A água não era cristalina como imaginou, estava escurecida, e dentro nadavam aos montes uma quantidade incontável de larvas inchadas se enroscando. Algumas subiam pela borda, tentando escapar pra fora.

A ânsia veio e ela não conseguiu fazer nada além de correr e se apoiar com o braço nas plantas. Virou o rosto para baixo e vomitou. A recente quantidade de água veio pra fora, junto com algo que não sabia o que era e não ficou para analisar.

Ao terminar, cambaleou para trás, com as palmas na barriga. Não controlou o choro. Desesperada, deixou as lágrimas caírem. O gosto horrível e ácido do vômito queimava na garganta, e Grace passou as mãos trêmulas sobre a boca com agonia várias vezes. Saiu dali sem olhar o copo, correndo para outro caminho. Suas pernas fraquejaram, com a ânsia indo e voltando a cada passo que dava.

O choro durou longos minutos. Não tinha mais receio de segurar, não queria mais parecer durona. Não controlou as lágrimas, a medida que a repulsa voltava junto com a sensação do bicho se enroscando no interior da boca.

– Peter... - gemeu, correndo aos prantos. - Eu te odeio TANTO! - gritou, parando e olhando pro alto, totalmente exausta.

Os muros pareciam maiores e ela não via as estrelas no céu. Sua vista turvava úmida. Ofegava com fortes dores no  estômago. Queria que Peter aparecesse, queria enchê-lo de socos na cara, seria capaz de matá-lo se pudesse. Inevitavelmente veio a lembrança do beijo dele. A forma como a segurou na cama e a trouxe pra perto, enquanto mordiscava seu lábio inferior.

Mais lágrimas caíram, e ela soluçou com uma mágoa corrosiva em seu coração. Deu alguns passos cansados, e virou uma esquina do labirinto, perdida.

Para sua surpresa, esse novo corredor era diferente. Era sem saída, porém, no extremo dele havia uma forca. Grace passou as mãos com firmeza conta os olhos, os limpando, e engoliu em seco se aproximando.

Essa forca era de madeira, num palco pequeno. Uma corda pendurada formava o laço aberto para enforcamento. Hesitante,  a jovem analisou.

Pensou em averiguar de perto, apenas por curiosidade. Ver o que aconteceria... Subiu os degraus que davam acesso ao patamar, e se posicionou frente à corda. Segurou no laço, pensativa e apreensiva. Colocou o pescoço na corda, sentindo a amarra pinicando sua pele. Deixou escapar um sorriso suave com a chance de acabar mais uma vez com tudo.

– Grace?...

Reconheceu assustada aquela voz arrastada. Logo ali, de pé à frente do pequeno palco, estava seu pai. Grace congelou da cabeça aos pés. Ela não conseguia se mover. O homem deu o primeiro passo, se aproximando. Com pressa como que estivesse pra fugir, a menina retirou a corda de seu pescoço e desceu a plataforma da forca para o chão.

– Você não é real... - falou, apontando pra ele, estava tremendo.

– Filha, eu sou real, veja. Você me matou e eu vim parar aqui, que lugar é esse??

James estava apreensivo, com os olhos frementes, parecendo perturbado. Por vezes ele percorria sua vista ao redor, fitando os muros do labirinto, e depois voltava sua atenção para a filha.

Grace mantinha-se com os dentes cerrados, se concentrando pra espantar a ilusão. Não podia ser real... Ela não queria acreditar.

– Por favor, Grace... eu te perdoo por ter me matado, você estava assustada, mas filha... me ajude a sair desse lugar!

– PARA! CALA A BOCA! VOCÊ NÃO É REAL! - esbravejou.

– Eu só quero sair daqui! - exclamou em súplica.

– Eu te matei! Você não pode ser real... você não é real... você não é real... por favor, desapareça... por favor... - em prantos, ela fechou os olhos e colocou as duas mãos na cabeça, com os dedos enfiados entre os fios de cabelo.

O pai dela tentou chegar perto como quem se aproxima de uma fera, cautelosamente, e tocou-a no ombro.

– Vê? ... Eu sou real... me ajude...

A repulsa retornou, agourando o estômago da menina.

– PARA! - o empurrou pondo força nos braços e fazendo-o cair pra trás.

Grace fitou seu pai no chão, a olhando de volta com horror. Queria ter algo em sua mão... qualquer coisa que pudesse usar como arma. Desejou com ímpeto, e em menos de um segundo sentiu algo entre seus dedos. Era uma faca. A segurou no cabo com firmeza. Era a mesma faca que encontrou na cozinha da casa de Nova York.

Boquiaberta, a ergueu a diante ao rosto para ter certeza que era palpável. A lâmina reluziu e a refletiu. Viu-se com os olhos bem arregalados, o verde translúcido das íris brilhando feito esmeraldas em contraste com a maquiagem borrada, escorrendo em lágrimas escuras.

– Você não é real... - repetiu Grace, apontando de súbito a faca para James.

– Não! Por favor, não me machuque de novo... eu quero te pedir perdão por tudo o que eu fiz... por favor, não faça isso!

Ela se adiantou, sentindo um dejà vu imenso. A sensação idêntica a que teve após o coma, a emoção de acabar com a vida dele. Abaixou-se e enfiou a faca contra a barriga do homem.

A lâmina entrou e James soltou um grito urrado. A garota arrancou o instrumento e repetiu o  movimento, enfiando-a de volta, dessa vez no peito do homem. Ele repetiu o grito, e se jogou para trás, debatendo devagar. Seus olhos voltaram-se para o céu estrelado, e a vitalidade foi esvaindo junto com a grande quantidade de sangue que soltava das perfurações no abdômen e tórax.

Grace ofegava. Observou seu pai virando-se de barriga pra baixo, pronto para rastejar pra longe. Mergulhado em sua decadência, o homem gemia de dor a medida que esticava o braço agarrando a grama curta do labirinto, puxando o corpo pesado numa tentativa de fuga. A marca do sangue brilhava escurecida no luar.

A jovem avançou com a faca erguida, e mais uma vez a introduziu, nas costas. Ele deu o último grito entrecortado, engasgando e agonizando com a morte o abraçando.

Agora Grace podia admirar seu trabalho, James ficou imóvel. Logo o silêncio reinou naquele corredor do labirinto. Ela olhou para seus braços cheios de sangue.

Algo ecoou no ar. O som de alguém batendo palmas, como se aplaudisse. A garota levantou a cabeça, ainda segurando a faca, e viu Peter Pan vindo em sua direção.

Ele sorria satisfeito, parecendo de bom humor, admirado com o pânico da Garota Perdida. Grace ficou estática, surpreendida com a presença dele.

– Parabéns, você passou pela primeira fase do jogo.

– Que.... - tentou falar, mas a voz falhou. Virou-se para o cadáver do pai. Ele não estava mais lá! Havia sumido, e a faca repentinamente desapareceu também.

Grace abaixou o olhar pra si. Não havia sangue algum. Agora estava com seus braços limpos.

Peter, ao contrário dela, estava calmo, apreciando o show.

– Tá pronta pra segunda parte?

– Peter.... Pan.... - tentou falar, porém era como se não reconhecesse a própria voz.

– Não fique tão tensa, isso foi só o começo. - ele piscou um olho.

– Você é um demônio... - rosnou finalmente, conseguindo formar uma frase.

– Oh... - fez ele, erguendo uma sobrancelha como de costume. - ... devo levar isso como um elogio?

– Por que... por que fez isso... ?

– Porque é divertido! Como prêmio, tenho uma dica pra te ajudar: cuidado com sua imaginação. Espero que goste do que vem a seguir, mocinha.

E desapareceu. Como um truque de mágica, de um instante pro outro, a presença dele apagou-se do ar e sumiu, a deixando novamente sozinha.

Fraca, Grace caiu de joelhos e se curvou pra frente. Seu coração pulsava com uma dor pavorosa, a torturando. Chorou mais uma vez, sem ter pra onde escapar. 



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