História Darkness Angel - Capítulo 16


Escrita por: ~

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Categorias Justin Bieber
Tags Anjos, Fantasia, Justin Bieber
Exibições 51
Palavras 2.712
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 16 - Invasion


Voltei para a casa da fazenda pouco antes das oito. Virei a chave na tranca, segurei a maçaneta e bati meu quadril contra a porta. Eu tinha ligado para minha mãe poucas horas antes do jantar. Ela estava no escritório, terminando algumas coisas, sem ter certeza se estaria em casa e eu esperava encontrar a casa quieta, escura e fria.

 

Na terceira batida, a porta cedeu e eu arremessei minha bolsa na escuridão em seguida lutei com a chave que ainda estava atolada na fechadura. Desde a noite que o Justin veio, a fechadura desenvolveu uma disposição gananciosa. Me perguntei se Dorothea tinha  notado hoje cedo.

 

— Me-dê-a-porcaria-da-chave — eu disse, mexendo para que ela se soltasse.

 

O relógio do vovô no hall badalou a hora, e oito dongs altos reverberaram no silêncio. Eu estava andando na sala para acender o fogão a lenha quando ouvi um farfalhar de tecido e um rangido baixo do outro lado da sala.

 

Eu gritei.

 

— Nora! — minha mãe disse, jogando longe o cobertor e sentando-se apressadamente no sofá. — Qual é o problema do mundo?

 

Eu tinha colocado uma mão em cima do meu coração e a outra espalmada na parede para me segurar.

 

— Você me assustou!

 

— Eu caí no sono. Se eu tivesse ouvido você entrar eu teria falado alguma coisa.

 

Ela tirou o cabelo do rosto e piscou como uma coruja.

 

— Que horas são?

 

Me joguei na poltrona mais próxima e tentei recuperar as batidas normais do meu coração. Minha imaginação tinha conjurado um par de olhos atrás de uma máscara de esqui. Agora eu tinha certeza que ele não era uma invenção da minha imaginação, eu tinha um desejo irresistível de contar tudo para minha mãe, desde que ele tinha pulado no Neon até seu papel como atacante da Vee. Ele estava me perseguindo e era violento. Nós temos que trocar as fechaduras das portas. E parece lógico que a polícia se envolva. Eu me sentiria muito mais segura com um policial estacionado na guia.

 

— Eu ia esperar para tocar no assunto — mamãe disse, interrompendo meus pensamentos, — mas não tenho certeza se o momento perfeito vai aparecer.

 

Fiz uma careta.

 

— O que está acontecendo?

 

Ela deu um longo suspiro.

 

— Estou pensando em por a casa da fazenda à venda.

 

— O que? Por quê?

 

— Estou lutando há um ano e não estou conseguindo o quanto eu esperava. Considerei ter um segundo emprego, mas honestamente, não acho que tenha horas suficientes no dia. — Ela riu sem nenhum traço de humor. — Os salários da Dorothea são modestos, mas é um dinheiro extra que não temos. A única coisa que posso pensar é nos mudar para uma casa menor. Ou um apartamento.

 

— Mas esta é a nossa casa. — Todas as minhas memórias estão aqui. As memórias do meu pai estão aqui. Eu não podia acreditar que ela não se sentisse do mesmo jeito. Eu faria tudo que pudesse para ficar.

 

— Vou dar mais três meses — ela disse. — Mas não quero que tenha muitas esperanças.

 

Certo, então eu sabia que não podia dizer para mamãe sobre o cara com a máscara de esqui. Ela se demitiria do trabalho amanhã. Pegaria um emprego local e não haveria absolutamente nenhuma escolha a não ser vender a casa da fazenda.

 

— Vamos falar sobre algo mais brilhante — mamãe disse, colocando um sorriso em seu rosto. — Como foi o jantar?

 

— Bom — eu disse melancolicamente.

 

— E a Vee? Como está a recuperação dela?

 

— Ela poderá voltar para a escola amanhã.

 

Mamãe sorriu ironicamente.

 

— Ela ter quebrado o braço esquerdo foi uma coisa boa. Se não ela não conseguiria tomar notas nas aulas e eu posso imaginar o quão desapontador isso seria para ela.

 

— Há, há — eu disse. — Vou fazer chocolate quente. — Fiquei em pé e apontei por sobre meu ombro para a cozinha. — Você quer?

 

— Na verdade isso soa perfeito. Eu vou acender o fogo.

 

Depois de uma rápida passada pela cozinha para pegar as xícaras, leite e a caixa de chocolate em pó, voltei e descobri que mamãe tinha colocado uma chaleira com água no fogão a lenha. Me empoeirei no braço do sofá e passei a xícara para ela.

 

— Como você soube que estava apaixonada pelo papai? — Perguntei, fazendo um esforço para parecer casual. Havia sempre a possibilidade de que falar sobre papai traria rios de lágrimas, algo que eu esperava evitar.

 

Mamãe sentou no sofá e ergueu seus pés e os colocou na mesinha de centro.

 

— Eu não sabia. Não até estarmos casados por um ano.

 

Não era a resposta que eu esperava.

 

— Então... por que você casou com ele?

 

— Porque eu achava que estava apaixonada. E quando você acha que está apaixonada, fica disposta a aguentar e trabalhar para que se transforme em amor.

 

— Você ficou apavorada?

 

— Por causa do casamento? — Ela riu. — Essa foi a parte divertida. Comprar o vestido de noiva, reservar a capela, usar um solitário de diamante.

 

Imaginei o sorriso malicioso do Justin.

 

— Alguma vez você ficou com medo do papai?

 

— Sempre que o New England Patriots perdia.

 

Sempre que o New England Patriots perdia, meu pai ia para a garagem e acelerava sua motosserra. Dois outonos atrás ele arrastou sua motosserra para a floresta atrás da nossa propriedade, derrubou dez árvores e as transformou em lenha. Nós ainda temos mais da metade da pilha para queimar.

 

Mamãe afagou o sofá ao seu lado e me enrolei nela, descansando minha cabeça no seu ombro.

 

— Sinto falta dele — eu disse.

 

— Eu também.

 

— Tenho medo de me esquecer como ele se parecia. Não nas fotos, mas andando por aí nos sábados pela manhã suando fazendo ovos mexidos.

 

Mamãe enlaçou seu dedo no meu.

 

— Você é muito parecida com ele, desde criança.

 

— Sério? — eu me sentei reta. — De que maneira?

 

— Ele era um bom aluno, muito inteligente. Não era chamativo ou comunicativo, mas as pessoas o respeitavam.

 

— O papai era... misterioso?

 

Mamãe pareceu procurar em sua mente.

 

— Pessoas misteriosas tem muitos segredos. Seu pai era um livro aberto.

 

— Ele já foi rebelde?

 

Ela deu uma gargalhada alta e curta.

 

— Você o vê dessa forma? Herrison Grey, a pessoa mais ética do mundo... Rebelde? — Ela deu uma engasgada teatral. — Deus me perdoe! Por um tempo ele teve cabelo comprido. Era ondulado e loiro – igual ao de surfista. Claro, que seus óculos com aro de tartaruga mataram o visual. Então... Eu deveria perguntar o que nos trouxe a esse assunto?

 

Eu não tinha ideia de como explicar para minha mãe meus sentimentos conflitantes em relação ao Justin. Eu não tinha ideia de como explicar Justin, ponto. Provavelmente minha mãe estava esperando uma descrição que incluía o nome dos pais, seu boletim, quais esportes ele praticava e em quais faculdades ele pretendia se inscrever. Eu não queria alarmá-la dizendo que eu apostava meu cofrinho que o Justin tinha uma ficha criminal.

 

— Tem um cara, — eu disse, incapaz de não sorrir ao pensar no Justin. — Estamos saindo ultimamente. Sobretudo coisas de escola.

 

— Ooh, um cara — ela disse misteriosamente. — Bem? Ele está no clube do xadrez? Conselho estudantil? Time de tênis?

 

— Nada — eu disse.

 

— Um nadador! Ele é bonito como o Michael Phelps? Claro, eu sempre preferi Ryan Lochte quando o assunto é aparência.

 

Pensei em corrigir minha mãe. Pensando bem, provavelmente era melhor não esclarecer. Nada, nadar... É próximo certo?

 

O telefone tocou e mamãe se esticou no sofá para atender. Dez segundos de ligação e ela se jogou no sofá e bateu com a mão na testa.

 

— Não, não é problema. A primeira coisa que farei amanhã pela manhã é correr até lá, pegar e levar.

 

— Hugo? — Perguntei depois que ela desligou. Hugo era o chefe da minha mãe e dizer  que ele ligava toda hora era falar o mínimo. Uma vez ele ligou para ela ir ao trabalho porque  ele não sabia mexer na máquina de tirar cópias.

 

— Ele deixou alguns papéis inacabados no escritório e precisa que eu vá lá. Tenho que fazer cópias, mas não devo demorar mais que uma hora. Você já terminou seu dever de casa?

 

— Ainda não.

 

— Então posso dizer para mim mesma que não teríamos passado um tempo juntas mesmo que eu estivesse aqui. — Ela suspirou e ficou em pé. — Vejo você em uma hora?

 

— Diga ao Hugo que ele deveria te pagar mais.

 

Ela riu.

 

— Muito mais.

 

Assim que tive a casa só para mim, tirei a louça do café da manhã da mesa da cozinha para dar espaço para meus livros escolares. Inglês, história, biologia. Armada com meu lápis número dois novinho, abri o primeiro livro e fui ao trabalho.

 

Quinze minutos depois minha mente se rebelou, recusando-se a digerir outro parágrafo do sistema feudal europeu. Me perguntei o que o Justin estaria fazendo depois do trabalho. Dever de casa? Difícil de acreditar. Comendo pizza e assistindo basquete na TV? Talvez, mas não parecia a cara dele. Fazendo apostas e jogando bilhar no Fliperama do Bo? Isso parecia um bom palpite.

 

Eu tinha um desejo inexplicável de dirigir até o fliperama e defender meu comportamento de mais cedo, mas esse pensamento foi rapidamente colocado em perspectiva pelo simples fato de eu não ter tempo. Minha mãe estará em casa em um tempo menor do que eu levaria para fazer meia viagem até lá. Isso sem mencionar que Justin não era o tipo de cara que você poderia simplesmente sair caçando. No passado, nossos encontros tinha sido de acordo com a agenda dele, não a minha. Sempre.

 

Subi as escadas para me trocar e colocar alguma coisa mais confortável. Empurrei a porta do meu quarto e dei três passos antes de parar. As gavetas da minha cômoda foram arrancadas, roupas espalhadas pelo chão. A cama estava destroçada. As portas do guarda roupa estavam abertas, penduradas tortas pelas dobradiças. Livros e porta retratos espalhados pelo chão.

 

Vi o reflexo de um movimento na janela do outro lado do cômodo e me virei. Ele estava em pé, encostado na parede atrás de mim, vestido dos pés a cabeça de preto e usando a máscara de esqui. Meu cérebro estava em um turbilhão enevoado, começando a transmitir “Corra!” para as minhas pernas, quando ele foi para a janela, escancarou-a e agilmente pulou para fora.

 

Desci três degraus de cada vez, atirei-me ao redor do corrimão, voei do corredor para a cozinha e liguei 911.

 

Quinze minutos depois um carro da polícia esbarrou na calçada. Tremendo, eu destranquei a porta e deixei os dois policiais entrarem. O primeiro policial a entrar era baixo, cintura grossa e com o cabelo parcialmente preto e cinza. O outro era alto, magro com os cabelos quase tão escuros quanto os do Justin, mas aparado em cima da orelha. De um jeito estranho ele vagamente se assemelhava ao Justin. Feição mediterrânea, face simétrica, olhos puxados.

 

Eles se apresentaram. O policial de cabelo escuro era o Detetive Basso. Seu parceiro era o Detetive Holstijic.

 

— Você é a Nora Grey? — O Detetive Holstijic perguntou.

 

Confirmei com um aceno de cabeça.

 

— Seus pais estão em casa?

 

— Minha mãe saiu alguns minutos antes de eu ligar para o 911.

 

— Então você está em casa sozinha?

 

Outro aceno de cabeça.

 

— Por que não nos conta o que aconteceu? — ele perguntou, cruzando seus braços e aumentando sua base de sustentação, enquanto o Detetive Basso dava alguns passos pela casa dando uma olhada ao redor.

 

— Cheguei as oito e fiz um pouco de dever de casa — eu disse. — Quando subi para meu quarto, eu o vi. Estava tudo bagunçado. Ele detonou meu quarto.

 

— Você o reconheceu?

 

— Ele estava usando uma máscara de esqui. E as luzes estavam apagadas.

 

— Alguma marca distinta? Tatuagens?

 

— Não.

 

— Altura? Peso?

 

Procurei, com relutância, na minha memória de curto prazo. Eu não queria reviver o momento, mas era importante que eu lembrasse qualquer pista.

 

— Peso médio, mas um pouquinho alto. Quase do mesmo tamanho do Detetive Basso.

 

— Ele disse alguma coisa?

 

Chacoalhei a cabeça.

 

O Detetive Basso reapareceu e disse:

 

— Tudo limpo — para seu parceiro. Então subiu para o segundo andar. O assoalho rangia com o sobrepeso conforme ele passava pelo corredor, abrindo e fechando as portas.

 

O Detetive Holstijic abaixou para examinar a fechadura da porta da sala.

 

— A porta estava destrancada ou estragada quando chegou em casa?

 

— Não. Usei minha chave para entrar. Minha mãe estava dormindo na sala.

 

O Detetive Basso apareceu no alto da escada.

 

— Você pode nos mostrar o que está estragado? — ele me perguntou.

 

Eu e o Detetive Holstijic subimos as escadas juntos e eu indiquei o caminho pelo corredor para onde o Detetive Basso estava em pé bem na porta do meu quarto com suas mãos em seus quadris, inspecionando meu quarto.

 

Fiquei completamente parada, um formigamento de medo rastejou por mim. Minha cama estava feita. Meus pijamas estavam em cima do meu travesseiro, bem do jeitinho que eu os tinha deixado hoje de manhã. As gavetas da minha cômoda estavam fechadas, com os porta-retratos arrumados em cima. O baú que fica no pé da minha cama estava fechado. O chão estava limpo. As cortinas penduradas na janela, painéis lisos, um de cada lado da janela fechada.

 

— Você disse que viu o intruso — o Detetive Basso disse. Ele estava olhando para mim com o olhar duro que não perdia nada. Olhos que eram especialistas em filtrar mentira.

 

Dei um passo para dentro do quarto, mas faltava o toque familiar de conforto e segurança. Havia uma nota de violação e ameaça. Apontei para a janela do outro lado do quarto, tentando manter minha mão firme.

 

— Quando eu entrei, ele pulou pela janela.

 

O Detetive Basso olhou para fora da janela.

 

— Uma longa jornada até o chão — ele observou. Ele tentou abrir a janela. — Você a trancou depois que ele pulou?

 

— Não, eu corri para o andar de baixo e liguei para o 911.

 

— Alguém trancou. — O Detetive Basso ainda estava me olhando com olhos cortantes, sua boca era uma linha fina.

 

— Não tenho certeza se alguém seria capaz de escapar depois de um pulo desses — o Detetive Holstijic disse, juntando-se ao seu parceiro perto da janela. — Teria sorte se escapasse com uma perna quebrada.

 

— Talvez ele não tenha pulado, talvez ele tenha descido pela árvore — eu disse.

 

O Detetive Basso virou sua cabeça ao redor.

 

— Bem? Esta? Ele escalou ou pulou? Ele poderia ter te empurrado ao passar por você e sair pela porta da frente. Esta seria a opção lógica. É isso que eu teria feito. Vou perguntar mais uma vez. Pense com muito cuidado. Você realmente viu alguém no seu quarto esta noite?

 

Ele não acreditava em mim. Achava que eu tinha inventado. Por um momento fiquei tentada a pensar a mesma coisa. O que há de errado comigo? Por que a minha realidade estava torcida? Por que a realidade nunca batia? Para minha própria sanidade eu disse a mim mesma que não era eu. Era ele. O cara com a máscara de esqui. Ele estava fazendo isso. Eu não sabia como, mas a culpa era dele. O Detetive Holstijic quebrou o silêncio tenso dizendo:

 

— Quando seus pais chegam em casa?

 

— Moro com minha mãe. Ela teve que dar uma passadinha no escritório.

 

— Precisamos te perguntar mais algumas coisas — ele continuou. Ele apontou para eu sentar na minha cama, mas balancei a cabeça entorpecida. — Recentemente você terminou com um namorado?

 

— Não.

 

— E drogas? Você tem um problema com drogas, agora ou no passado?

 

— Não.

 

— Você mencionou que vive com sua mãe. E seu pai? Onde ele está?

 

— Isso foi um engano — eu disse. — Sinto muito. Eu não deveria ter ligado.

 

Os dois detetives trocaram olhares. O Detetive Holstijic fechou os olhos e massageou os cantos internos. O Detetive Basso parecia que já tinha perdido tempo demais e estava pronto para ir embora.

 

— Nós temos coisas para fazer — ele disse. — Você vai ficar bem sozinha aqui até sua mãe voltar?

 

Eu mal o ouvi. Eu não conseguia tirar os olhos da janela. Como ele tinha feito isso? Quinze minutos. Ele teve quinze minutos para dar um jeito de voltar para dentro e colocar o quarto em ordem antes da polícia chegar. E comigo no andar de baixo o tempo todo. Ao perceber que estive sozinha com ele na casa, eu estremeci.

 

O Detetive Holstijic estendeu seu cartão de trabalho.

 

— Sua mãe poderia nos telefonar quando ela chegar?

 

— Nos vemos por aí — o Detetive Basso disse. Ele já estava no meio do corredor.



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