História De mãos sujas - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Assassinato, Assassino, Gay, Problemas Mentais
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Palavras 2.570
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Mistério, Policial, Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


hahah, olá.
Então, se de alguma maneira a sinopse te atraiu... Bem-vindo(a) a esta história. Eu deveria e vou por alguns avisos que você provavelmente deveria ler antes de ler o capítulo. Primeiro: o que meus personagens acreditam não corresponde ao que eu acredito, então quando eles falarem coisas estranhas, julguem-nos, não a mim - pff. Segundo: a maior parte da história é narrada pelo ponto de vista de um assassino em série, então, uh... Ele não é muito bom da cabeça, em vários aspectos. Então... Aguardem estranheza. Há algumas descrições de assassinatos e cadáveres. Só pra avisar.

boa leitura!

Capítulo 1 - Apenas um novo vizinho


 

Uma menina sorria, o céu estrelado brilhando atrás dela. Rafael a fitava nos olhos, os olhos de alguém que conheceu por tanto tempo e alguém que o traiu. No dia deles, como se uma traição normal não fosse suficiente.

Todas as boas memórias que ele teve com ela se quebravam e misturavam com tudo que ele teve que aturar por ela. Espera na chuva, gritos e tapas, depreciação, zombadeira, culpa. Ele se inclinou na direção dela, ela na dele. Quando suas testas se tocaram, os olhos dela estavam fechados, a boca semi-aberta num sorriso, a espera d’um beijo. Rafa levantou as mãos ao redor do fino pescoço da namorada e apertou-o. Com todas as suas forças.

Então o despertador tocou, e Rafa deu um suspiro.

Suas memórias do seu primeiro assassinato eram nebulosas - ele estava muito ansioso, muito agitado, muito machucado, para lembrar de tudo perfeitamente - então ele se apoiava nos sonhos para reviver os momentos. Uma pena, realmente, que ele sempre acordava antes de matar a ex e ver o rosto dela perder a vida.

Se espreguiçou, deu um bocejo e parou o despertador para começar um novo dia. Olhou-se num espelho, estrategicamente posto ao lado da cama, e tentou ajeitar os cabelos pretos e tirar o ar de sono do rosto pálido. Como sempre, nenhuma das duas tentativas funcionou muito bem. Andou pelo quarto colorido, passando os olhos pelo monte de papéis de provas em cima da escrivaninha que esperavam serem corrigidas. Sentia-se exausto só de olhá-las.

Abriu a porta da geladeira, a procura das sobras da pizza de calabresa da noite anterior. Pegou uma fatia e, sem sequer esquentá-la, começou a comê-la. Como de rotina, dirigiu-se ao banheiro, sentou na privada e, usando os dedos do pé, abriu a cortina da banheira, revelando o corpo de sua última vítima.

Olhar o corpo quando estava mais calmo o deixava satisfeito. Ele revivia o momento do assassinato, contrastando a raiva que sentiu durante este com a calma que sentia depois. Sempre era relaxante.

Rafa respirou fundo e imergiu na memória. Ele estava cansado de corrigir provas quando ouviu batidas fortes na porta. Quando a atendeu, encontrou um homem gordo e velho, com necessidade de um tratamento dentário, que falou cuspindo na cara de Rafa sobre alguma dívida absurda qual de jeito nenhum ele criou. Rafa chutou que aquele era o cobrador de dívidas de seu pai. Tentou então convencê-lo de que aquilo não tinha nada a ver com ele, mas desistiu quando o homem ameaçou matá-lo e estuprá-lo.

Assim, puxou-o para dentro pela gola da camisa e bateu-o contra a parede para atordoá-lo. Sendo um cara fraco, Rafa só tinha o elemento da surpresa ao seu favor, então tinha que fazer o serviço rápido. Arrastou-o para a cozinha, pegou uma faca e esfaqueou o pescoço do homem. O cobrador gritou por perdão e ajuda, mas Rafa não se preocupou - sabia que ninguém o ouviria. Puxou a faca, e admirou o sangue arterial jorrando. O homem se debateu por alguns segundos, mas logo perdeu a vida e ficou mole. Logo depois do espetáculo, Rafa logo se bateu mentalmente. Que trabalho vai ser tirar todo esse sangue.

O cadáver já estava fedendo terrivelmente, a pele ficara gosmenta. Os dois braços e uma das pernas já haviam sido arrancados e jogados fora, passando por lixo comum, e algumas criaturinhas brancas já apareciam na carne escura e exposta. Alguns anos antes, Rafa não conseguiria ficar no mesmo quarto que ele sem vomitar, muito menos olhar para sua obra por mais de dois segundos. Depois de tanto tempo de matança, nem o cheiro nem a aparência do assassinado lhe davam nojo.

— Bom dia, senhor cobrador. — Murmurou. O cadáver, obviamente, não respondeu — Tem umas larvinhas crescendo em você. Lhe incomoda? Eu não vou limpar.

Rafa terminou o pedaço de pizza, então fechou a cortina do banheiro e voltou para a cozinha para pegar outro. Quando o tinha nas mãos, ouviu um barulho estranho vindo do lado de fora. Franzindo as sobrancelhas, caminhou até a porta e a abriu um pouco, só para ver o que estava acontecendo.

Dois homens estavam arrastando caixas do lado de fora. Um tinha mais ou menos cinquenta anos e vestia uma camisa dizendo “Orgulho Taxista” enquanto o outro era um jovem de no máximo vinte anos, que parecia ter mais trabalho que o velho em carregar as caixas. A porta vizinha estava aberta, as caixas eram levadas para lá. Em dois segundos, Rafael entendeu o que estava acontecendo. O mais novo estava se mudando.

Ele tinha um novo vizinho.

O pensamento atordoou a Rafa. Ele matara o último vizinho que tivera. O homem era um policial pedante, reclamão e escandaloso, que reconheceu o cheiro de cadáver e provavelmente acordou com alguns breves gritos de socorro no meio da noite. Pela sorte de Rafa, esse homem fora burro o bastante para vasculhar sozinho a casa dele, assim, quando encontrou o corpo na banheira, Rafa pode bater em sua cabeça com uma panela, nocauteando-o completamente.

Ele pôs luvas de cozinha para não deixar digitais e arrastou o policial para o apartamento vizinho, deixou ele na cama e pôs fogo nos lençóis, com o cuidado de deixar um cigarro para ser o culpado. Descartou o corpo em sua banheira o mais rápido que pode, sem ligar que era muito lixo descartado num só dia, e esperou que a fumaça chegasse ao seu próprio apartamento para chamar os bombeiros e a polícia.

Desde o acontecimento, nunca mais teve vizinhos do lado, e a única pessoa que morava no prédio além dele era uma velha ruim da cabeça que vez confundia Rafa por seu filho, vez completamente esquecia de sua existência. As razões eram óbvias; ninguém, exceto um assassino em série e uma velha louca, iriam viver num prédio de dois andares, meio abandonado, sem segurança nenhuma e com arquitetura deprimente. Então o que diabos aquele jovem estava fazendo ali?

Quem quer que fosse, levantou a cabeça por um milissegundo e imediatamente notou o homem espiando-o pela brecha da porta, com uma cara de confusão e preocupação. Eu provavelmente vou ter que matá-lo. Quem sabe o que pode acontecer se ele ficar muito suspeito? Tenho certeza que vai dar problema, Rafa pensava. O jovem aguentou alguns segundos de olhar fixo e silêncio embaraçoso antes de limpar a garganta e falar:

— Um, bom dia, senhor. — Ele acenou um pouquinho, dando um sorriso desajeitado. — Desculpe se eu lhe acordei com o barulho.

— Uh? Não, não. Eu já ‘tava acordado. Bom dia. — Rafael respondeu, começando a sentir o ar de estranheza e embaraço. Procurou desesperadamente alguma coisa para falar sobre, e olhou para o pedaço de pizza intocado em sua mão. — Uh, quer um pedaço de pizza? É calabresa.

Logo que as palavras saíram de sua boca, ele quis se estapear. Idiota, idiota, isso não é maneira de começar uma conversa, pensou, enquanto corava e mordia o lábio por conta da sua falta de habilidade social. O jovem pareceu simultaneamente desapontado e com vontade de rir.

— Por mais que eu adore calabresa, estou tentando manter uma dieta vegetariana por pelo menos um mês. — Ele respondeu, dando um suspiro dramático. Rafa esbugalhou os olhos verdes.

— Por que você faria algo assim consigo mesmo? — Ele perguntou sem entender.

— Questões morais. — Ele deu de ombros.

— Ou você é secretamente um masoquista. — Rafa falou, sem pensar. Esse não é o tipo de coisa que se diz para uma pessoa que você acabou de encontrar, imbecil, pensou, o que há contigo hoje? Para sua surpresa, o jovem sorriu.

— E não somos todos nós?

Rafa entendeu o que ele quis dizer imediatamente, e não pode evitar rir.

— Não os suicidas.

— Não, mas eles são considerados doentes mentais. — O jovem respondeu. — O que levanta a questão de como deveríamos classificar pessoas como doentes mentais. Talvez sejamos todos insanos, menos as pessoas nos hospícios.

— Se já não somos, pensar demais sobre isso vai nos fazer ficar.

— Oh — Ele estalou os dedos. — Então a humanidade está a salvo da insanidade!

— Que tipo de aberração pensa sobre isso, não é mesmo? — Brincou — Talvez haja algum mecanismo biológico secreto que impede as pessoas de refletirem sobre esse tipo de coisa, pelo bem próprio. Aqueles que não o possuem provavelmente não se reproduziram porque eram muito desconfortáveis para o resto. — Rafa viu o jovem concordar com a cabeça. — Então a que você atribuiria nossa existência?

— Uh… — O jovem deu uma risadinha nervosa. — Estupro e casamento arranjado?

— Argh, que deprimente! Eu voto para “semelhantes se ajudam e atraem”.

— Pff, idealista. — Zombou de brincadeira, balançando a mão com desdém.

— Falou o vegetariano-por-questões-morais. — Rafa rolou os olhos, ainda sorrindo.

— Meu objetivo é alcançável. — Ele fingiu uma cara de irritação. — Ah, é, um. Sou Miguel, por sinal. Prazer, senhor. — Estendeu a mão no ar, alguns metros de distância de Rafa.

— Rafael — O homem respondeu, levantando a mão livre e fingiu apertar a mão de Miguel no ar. — Prazer.

— É o meu. É bom encontrar alguém mais estranho que eu.

— Ei, rude! Eu sei como me comportar, é só que acabei de acordar, então ‘tô um pouco… Solto. — Rafa se defendeu.

— Vou lhe procurar pela manhã, então. — Miguel deu de ombros, e então franziu as sobrancelhas. — Caso eu acorde cedo o suficiente.

Um silêncio confortável preencheu o espaço por um tempo, os dois homens se encarando novamente. Rafa tomou o tempo para registrar a aparência do jovem. Ele era alto, de pele queimada, olhos escuros grandes e infantis, cabelos ondulados e castanhos. Uma pessoa que, casualmente, parecia um modelo.

— Ei, filho, você vai me fazer carregar tudo? Eu vou cobrar por isso, viu! — Uma terceira voz perguntou, quebrando o momento. O taxista de cinquenta anos. — Argh, você vai precisar fazer uma limpeza geral antes de desempacotar as caixas, filho. Acho que um animal morreu aqui.

De repente, Rafael se lembrou de que ele era uma assassino e de que o fedor do cadáver em sua banheira chegaria ao apartamento vizinho mesmo se ele o tirasse imediatamente. Começou a suar frio. Tinha esquecido disso completamente durante a conversa com o menino.

— Ah! Bem, o fedor… — Qual é uma boa desculpa? Uma boa desculpa? — Minha geladeira quebrou enquanto eu viajava, e, uh… A carne estragou. O fedor deve estar passando pela ventilação.

O jovem levantou uma sobrancelha, como se suspeitasse da resposta. Rafael engoliu em seco, esperando por algum questionamento, mas este nunca chegou. Ao invés disso, o menino brincou novamente:

— Que alívio. Tem rumores que alguém morreu aí, já comecei a me preocupar que tinha um cadáver no meu apartamento.

Um calafrio correu a espinha de Rafael. Que preocupação certeira. Uma parede de distância de ser correta.

— Morreu. Um policial, mas foi num incêndio e há anos atrás, então não acho que sobrou cheiro algum. — Ele esclareceu.

— Bem, se não era só um rumor, então ‘tá explicado porque esse lugar específico era tão barato. Além do óbvio.

O taxista apareceu na porta, de braços cruzados.

— Vai bater-papo com o amiguinho ou carregar as coisas para o apartamento?

— Perdão, vou lhe carregar as coisas, senhor. — Miguel respondeu, fazendo a cara de uma criança recebendo bronca da mãe.

— E bom dia pra você, filho. — O taxista falou para Rafael, com um sorriso.

— Bom dia, senhor. Eu, uh, vou jogar a comida estragada fora. — Respondeu e fechou a porta, se retirando de cena.

Ele respirou fundo. A desculpa de geladeira quebrada não era uma a qual poderia seguir por muito tempo pelo que aprendera com o policial, e o jovem parecia ter uma boa intuição. Ele não poderia mais usar a própria casa como esconderijo para os corpos - aquela não era uma boa ideia desde o início, e agora, teria que deixar a preguiça de lado e pensar mesmo onde esconder suas vítimas.

De um jeito ou outro, pensaria naquilo depois, agora teria que se livrar do cobrador na sua banheira. Pôs toda a pizza na boca, foi para a cozinha e vasculhou por algumas gavetas a procura da faca apropriada para cortar carne e osso humanos. Então foi ao banheiro, se despediu do corpo e começou a cortá-lo.

 

***

 

Com duas horas de trabalho, Rafa ensacou e limpou tudo. Suas roupas e mãos estavam sujas e pegajosas, e de jeito nenhum ele poderia descer e deixar as sacolas de lixo fora daquele jeito, arriscando ser visto. Jogou o pijama no chão e foi para o chuveiro - talvez ele não tivesse mais nojo do cadáver, mas ainda tinha suficiente noção de higiene para não se banhar naquela banheira assim, direto.

Foi o banho mais rápido da sua vida, de somente quatro minutos. Esfregou com tanta força o sangue na sua pele que por alguns momentos considerou se ele estava começando a abrir a própria pele com a ducha e soltando mais sangue. Vestiu o primeiro par de roupas limpas que encontrou no seu quarto - uma camisa pólo roxa e uma calça quadriculada verde e azul. Pegou os sacos, abriu a porta, e desceu as escadas do prédio carregando os três sacos com partes humanas.

Por sorte, ninguém o parou para questionar o porquê dele estar despejando tanto lixo num só dia, com mais sorte, ninguém seria curioso o suficiente para abrir um saco fedendo a cadáver.

Tentou imaginar como faria para não matar pessoas no seu apartamento. Na maior parte das vezes, Rafa matava por impulso ou conveniência. Ele não conseguia se controlar quando uma pessoa o machucava duramente e a dor era sempre convertida em raiva que ele tinha que descontar em alguém.

Então, ou ele nunca mais arriscaria trazer pessoas para a própria casa, ou matava o novo vizinho. O policial fora burro, corajoso e orgulhoso o suficiente para tentar investigar a situação sozinho, mas aquele Miguel parecia não parecia o tipo de pessoa que arriscaria a própria pele por orgulho ou pura adrenalina.

E se o Miguel chamasse a polícia para investigá-lo, Rafa acabaria na cadeia pelo resto da vida. Não tinha como remover completamente o sangue das suas vítimas do chão e parede; uma inspeção rápida o levaria direto para trás das grades.

Mas Miguel parecia um garoto legal, Rafa não queria ter que matá-lo. Ele não sabia se conseguiria se forçar a matar alguém legal, nunca fizera nada do tipo - todas as suas vítimas eram cretinos de um jeito ou outro. Ele era sentimental demais para machucar alguém quem gostava. Talvez eu deva me forçar a odiar esse menino, então, por precaução.

Outro pensamento passou pela sua mente; se o cobrador fora até sua porta cobrar a dívida do seu pai de anos atrás, que impediria outra pessoa de vir cobrar de novo e responder pela morte de seu colega? Rafael não sabia se seu pai havia se envolvido com a máfia para conseguir dinheiro, mas era até provável.

Por que seu pai fora tão burro a ponto de formar dívidas impagáveis?

Por que ele matava tanta gente tão facilmente?

Por que era sua vida tão complicada?

Ele suspirou. Pensar nos problemas nunca ajudava em nada, só aumentava o estresse. Seu dia já estava meio porcaria, seria bom se ele não o piorasse. Foi ao quarto, procurou um uma caneta e começou a corrigir a dúzia de provas restantes, voltando para uma normal rotina, como um professor de fundamental normal, sem corpos na banheira ou perseguição da máfia para se preocupar com.

Esperava que conseguisse manter essa rotina tranquila mesmo com o novo vizinho e impulsos assassinos.


Notas Finais


E.. Aí?
Foi muito bizarro? Espero que sim, coisas bizarras são no geral mais interessantes. Eu não sei que rumo a história vai tomar, mas provavelmente é um que vai me levar pro inferno ou coisa do tipo.

Ah, bem. Comente e diga sua opinião se quiser. Favorite que quiser que eu saiba que a história é apreciada. Eu juro que vou tentar continuar!

[btw, se você tiver dicas para melhorar minha escrita, compartilhe, please]


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