História De melhor amigo a namorado - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jin, Personagens Originais
Tags Bangtan Boys, Bts, Jin, Romance, Seokjin
Exibições 39
Palavras 5.127
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Capítulo único


       Foi no final do mês que tudo acabou. Meu namoro de dois anos e seis meses teve um ponto final, e o motivo foi a pior parte. Fui traída e descobri quando presenciei aquela cena lamentável. Meu namorado, Hyunseo, aos beijos com outra pessoa.

       Hoje faz dois meses que estou solteira, pode parecer ridículo, mas eu ainda lamento o que aconteceu. Eu não tinha problemas com Hyunseo, eu não tinha do que reclamar. Estava feliz ao seu lado e o amava muito... Mas, pelo que presenciei fiquei convencida que nosso amor era unilateral.

      Meus pais quase sempre estavam ocupados ou fora de casa. Meu irmão mais velho, Jae Sang, tinha seus afazeres e como sempre, eu nunca estava incluída na lista de coisas de sua importância. Eu seria uma pessoa solitária se não fosse por Seokjin, meu melhor amigo.

       Seokjin – ou apenas Jin – era meu amigo desde o ensino médio. Tinha vinte e dois anos, mas tinha cara de dezessete – ou menos. Tinha o cabelo escandalosamente preto e liso, seus olhos eram mais puxados que o meu, era bem pálido e seus lábios tinha formato de coração.

      Mesmo estando mal pelo meu recente término, quando eu estava com Jin a minha dor aliviava. Eu não sabia explicar, mas eu não conseguia ficar triste estando com ele. Jin era fofo, era gentil e atencioso, o que me fazia ser grata por tê-lo ao meu lado.

      Um dia, exatamente em uma quinta-feira, Jin me ligou e perguntou se eu estava em casa, pois ele pretendia fazer-me uma visita. Concordei, e depois de desligar a ligação, resolvi tomar um banho e melhorar minha cara. Eu estava chorando pouco antes de receber a ligação de Jin, e eu sabia que ele lamentaria ao me ver daquele jeito, então me esforcei para fingir que eu estava melhorando a cada dia.

      Depois do banho, fiquei deitada em minha cama até que Jin me ligou avisando que já estava na porta da minha casa. Olhei pela janela e vi seu carro – um Audi preto – parado bem do outro lado da rua. Vesti um casaco, desci as escadas e fui até a porta.

      – Puxa vida, mais alguns segundos e eu teria congelado aqui fora! – Disse Jin, entrando em minha casa rapidamente, sorrindo como sempre.

      – Oi. – Eu disse, enquanto curvei-me cumprimentando-o.

      – Olá! – Ele respondeu.

      – Vamos lá pra cima. – O convidei para ir até meu quarto, pois meu irmão estava vendo TV na sala, e com aquele volume seria insuportável de conversar.

      – Não, não! Minha visita vai ser rápida hoje, e se eu subir vou acabar demorando demais do que devo.

      – Então me escreva uma carta, pois aqui eu mal escuto sua voz. – Eu disse, e logo Jin sorriu concordando.

      Caminhamos até a escada, Jin cumprimentou Jae Sang com um sinal de positivo, e logo subimos para o meu quarto.

      – E então, qual é o motivo de sua visita? – Eu disse, deitando em minha cama novamente, e me cobrindo com meus lençóis.

     – Bom, é o seguinte... – Disse Jin, enquanto sentou-se confortavelmente na beirada da minha cama. – Vejo bem como você está por esses dias, aliás, por essas semanas desde o que aconteceu com Hyunseo. Estou fazendo o que posso para te ajudar, pois odeio ver você sofrendo, principalmente por alguém como ele. Então, como sábado é dia dos namorados... Bom... – Ele deu uma pausa.

      – Continue, oppa. – Eu disse.

   – Não queria que você passasse um dia como esse em casa sozinha. Seus pais não estarão, tenho certeza. E seu irmão certamente terá coisas para fazer nesse dia. Então... Gostaria de sair comigo no sábado? No bom sentido, é claro. – Ele sorriu timidamente.

    – No bom sentido. – Repeti rindo, pois eu jamais esperaria sentimentos a mais da parte de Jin por mim, e vice-versa. – Vai por mim, esse é o tipo de coisa que você não precisa esclarecer!

     – Você entendeu. – Ele riu. – Não quero que passe o dia todo sozinha, comendo sorvete e deitada na cama. Eu estou acostumado a sempre estar sozinho no dia dos namorados, mas eu sei que por ser recente, essa data pode significar tristeza pra você. E eu odeio que você fique triste...

      – Não tenho dinheiro assim pra sair esbanjando, Jin. – Lamentei.

      – Youngji, estou te convidando! – Jin riu.

      – Certo, sendo assim eu aceito! – Sorri no mesmo instante. – Aonde iremos? Já pensou no que podemos fazer? Precisamos nos programar para não termos surpresas com lugares fechados por conta do feriado.

      – Não se preocupe! – Jin riu. – Já tenho tudo em mente, o que você precisa fazer é estar pronta às dez e meia da manhã.

      – Mas, assim tão cedo? – Espantei-me.

      – Você vai passar o dia comigo, ora! Só voltará pra casa à noite, e não adianta reclamar, pois já está tudo certo e planejado.

      – Certo! – Concordei. – Com que roupa devo ir?

      – Jeans e tênis. – Jin respondeu.

      – Ajudou bastante. – Sorri.

      – Certo, agora preciso ir até a casa do meu irmão. Prometi que ia com ele até a oficina, o carro dele está lá e eu vou levá-lo para buscar.

      – Está bem. – Lamentei em silêncio por Jin ter que ir embora tão cedo. – Bom, mesmo já estando melhor, agradeço pela sua preocupação. Nenhum dos meus amigos seria capaz de pensar nisso, tenho certeza. – Sorri timidamente.

      – Não acho que você está melhor. – Jin foi sincero. – Por isso planejei isso tudo para que você fique feliz.

      – Estou melhorando, oppa... Aos poucos aquelas cenas estão saindo dos meus pensamentos, acredite! – Minha expressão mudou.

      – Youngji, eu sei que você ainda não está bem. – Jin me olhou seriamente.

      Lamentei em silêncio e abaixei a cabeça enquanto fiquei sob o olhar cuidadoso de Jin.

      – Vou conseguir. – Escondi uma lágrima.

      – Sei que vai, sei que você consegue sozinha, mas sei que minha ajuda é importante pra você, então não vou pensar duas vezes antes de te ajudar. – Disse ele, aproximando-se de mim. – Agora preciso ir, não sei se conseguirei te ver antes de sábado, mas qualquer coisa pode me ligar.

      – Certo. – Concordei.

      – Fighting! – Disse Jin, em tom de despedida.

      Acenei sorrindo, e assim que Jin saiu do meu quarto, levou meu sorriso junto. Por alguns minutos lembrei das palavras de Jin sobre o meu estado, realmente ele estava certo. Mas, ao tentar imaginar o que Jin estaria preparando para sábado, alegrei-me.

***

      Já no sábado, acordei às oito da manhã e fui me aprontar. Escolhi um jeans escuro, peguei um All Star cano médio rosa claro, vesti uma blusa de manga comprida branca com listras cinza e amarrei um casaco preto na cintura. Peguei uma bolsa preta, coloquei meu celular e meus documentos dentro, e neste momento, Jin me ligou.

      – Está adiantado quinze minutos.

      – Sabe o quanto sou ansioso. – Ele riu.

      – Já estou descendo. – Sorri e desliguei a ligação.

      Desci as escadas correndo, fiquei louca procurando a chave e quando achei, corri até a porta para receber Jin.

      – Feliz dia dos namorados! – Ele disse ao estender em minha direção um pequeno buquê de flores assim que eu abri a porta.

      O pequeno buquê tinha seis rosas – três rosas e três brancas. Um laço bege as juntava, e entre elas havia um cartão. Peguei o buquê ainda surpresa, e logo em seguida peguei o cartão.

Não é porque não sou seu namorado, que eu não possa te dar um presente na data de hoje.

Feliz dia dos namorados, Youngji.

                                                                   Jin.

      – Não precisava se incomodar, Jin, não precisava... – Eu disse, feliz quanto olhava para o meu presente.

      – Quando o assunto é você, a palavra ‘incomodo’ está fora de questão. – Ele disse, curvando-se para me cumprimentar.

      Quando finalmente parei de morrer de amores pelo meu buquê, olhei para Jin e comecei a reparar nele.

      Jin vestia uma blusa em tons de cinza e branco com uma frase qualquer escrita em inglês. Usava um jeans escuro, um casaco preto amarrado na cintura e um belo par de Nike preto.

      – São lindas... Obrigada! – Eu disse sorrindo.

      – Não por isso! – Ele disse. – Agora coloque as flores na água e vamos!

      – Está bem. – Concordei, providenciei um vaso para colocar as flores, tranquei a porta e saí.

      Já no caminho, enquanto eu ouvia Rolling Stones com Jin no carro, enviei uma mensagem para os meus pais e para o meu irmão avisando onde e com quem eu estava.

      – E então, pra onde vamos? – Perguntei.

      – Aquário Nacional de Seul. – Jin riu.

      – Você não pode estar falando sério! – Fiquei animada.

      – Os ingressos estão no porta-luvas.

      – Mas... Jin, eu... Eu estava querendo ir lá faz tempo! – Sorri ao ver os ingressos.

      – Eu planejei tudo cuidadosamente! – Jin riu.

      Fiquei eufórica e animada durante os trinta e cinco minutos que levamos até chegar lá. Quando entramos, Jin parecia meu pai e eu parecia uma criança que quase não saía de casa. Caminhando pelos corredores e ficando impressionada com aqueles lindos animais nadando, eu fiquei sem palavras.

      Jin já tinha ido até lá, se não me engano aquela seria a sua terceira visita, mas mesmo assim ele aproveitou o passeio. Tiramos muitas fotos e ao final do passeio pelo aquário, notamos que já estava na hora do almoço.

      – Pode escolher onde quer almoçar. – Jin disse, quando chegamos ao carro.

      – Podemos ir ao shopping comer comida italiana? – Sugeri.

      – É claro. – Ele aceitou.

      – Eu estou adorando isso! – Fiquei animada.

      Quando chegamos, fiquei guardando uma mesa enquanto Jin foi fazer o pedido. Pedimos risoto e quatro latas de refrigerante. Sim, quatro. Começamos comer e eu não pude não ficar maravilhada ao ver Jin comendo, era a coisa mais fofa do mundo.

      – Tem uma loja de chocolate belga bem na minha frente... Quer... – Jin disse.

      – Você ainda pergunta? – Sorri.

     Nos levantamos, guardamos nossas bandejas e seguimos até a loja. Depois de fazer Jin gastar bastante com bombons e barras de chocolate, voltamos pro carro que estava no estacionamento do shopping.

      – Está gostando? – Jin perguntou enquanto destrancou o carro.

      – Está sendo melhor do que eu imaginei. – Sorri, entramos no carro e pegamos a estrada. – Pra onde vamos agora?

      – Lotte World. – Jin respondeu.

      – Ah, não! Você está de brincadeira, não está? – Fiquei eufórica.

      – Quanto tempo faz que você não vai a um parque de diversões, Youngji? – Jin estranhou.

      – Não faço ideia! – Sorri.

      Assim que chegamos, Jin comprou nossos passaportes e logo fomos para as filas. Se Jin estivesse com outra pessoa, talvez não tivesse indo em tantos brinquedos como foi comigo. Também, eu o obriguei e ele não teve escolha.

      – Vai no Atlantis comigo, não vai? Já fui a muitos outros porque você quis, agora é a minha vez de escolher. – Ele disse.

      – Depois a gente vê isso. – Desconversei, pois eu tinha medo de ir ao Atlantis.

      Atlantis era uma montanha-russa bem hardcore, que era a atração principal do parque. Eu sentia a adrenalina só de olhar pra velocidade que aqueles carrinhos deslizavam pelos trilhos. Eu tinha medo, então resolvi enganar Jin, adiando nossa ida àquele brinquedo.

      Ficamos no parque o dia todo. Tomamos sorvete por lá, e comemos pizza e algodão doce também. Fomos em todos os brinquedos possíveis, e já perto da hora que combinamos para ir embora, Jin lembrou do Atlantis.

      – Já são oito horas, vamos fechar com chave de ouro no Atlantis, e depois vamos embora?

      – Prefiro ir embora antes de ir ao Atlantis. – Respondi.

      – Não vai fazer isso por mim? Pense em tudo que fiz por você hoje, não acha que mereço sua companhia no último brinquedo? Mas que falta de consideração, Youngji, mas que...

      – Onde é a fila pra ir ao Atlantis? – Perguntei com o coração acelerado.

      – Assim que eu gosto! – Disse Jin, enquanto me segurou pelo braço e correu me ‘arrastando’ até a fila que não era muito longe de onde estávamos.

      O brinquedo tinha muitas vagas e muitas pessoas iam de uma vez só. Jin e eu fomos na segunda vez que o carrinho parou na plataforma. Confesso que eu estava com o coração acelerado, estava com medo e até parei de sorrir de tão nervosa que eu estava.

      – O que foi, está com medinho? – Ele ironizou.

      – Eu não sou fã de brinquedos tão hardcore assim... – Fiquei nervosa quando a trava fez aquele barulho anunciando que eu não sairia mais daquela cadeirinha.

      – Vai ser rápido, nem dá tempo para sentir medo. – Jin estava rindo antes mesmo que o carrinho se movimentasse.

      – Me dá sua mão! – Eu disse e logo Jin riu mais ainda. – Kim Seokjin, me dá sua mão agora!

       – Kim Seokjin. – Ele riu do jeito que eu o chamei, e logo me deu sua mão.

      Quando o carrinho começou a subir, pude notar que aqueles trilhos iam mais alto do que eu tinha imaginado. A subida não acabava nunca, e quando enfim chegamos na parte reta dos trilhos, Jin disse:

      – Olha só essa vista!

      E realmente, era linda. Estava anoitecendo, as luzes estavam acesas em todos os brinquedos e com aquela altura, consegui ver o parque do começo ao fim. Por um segundo eu me distraí, e neste momento, entramos em queda livre.

      Gritei tão alto que os outros gritos foram abafados com o meu. Fiquei sem reação, eu só sabia gritar e esmagar a mão de Jin. E ele? Só ria de mim e do meu desespero. Se divertiu mais do que eu, até porque eu fui o motivo da graça naquele momento. Depois de quatro minutos e meio, depois de muitos gritos, de quatro quedas livres e dois loopings, finalmente acabou.

      – Da próxima vez você vai sozinho, está me ouvindo? Sozinho! So-zi-nho! – Me irritei.

      – Eu também gostei. – Jin riu.

      – Acho que vou vomitar! – Eu disse.

      – Não vá sujar sua roupa, ainda temos mais uma parada antes de ir pra casa. – Ele disse.

      – Aonde vamos? – Meu teatro acabou, e minha voz mudou de tom.

      – O que acha de um passeio na orla de Eurwangni?

      – Perfeito! – Comemorei.

      – Está melhorzinha agora, é?

      – Dirija oppa, apenas dirija! – Eu disse, e Jin riu.

      Chegamos na orla antes das nove, e decidimos forrar nossos casacos na areia para nos deitarmos e sentirmos aquela brisa.

      – E então, o que está achando de hoje? – Jin perguntou, assim que deitou-se ao meu lado.

      – Nunca me diverti tanto. – Sorri enquanto olhei para as estrelas no céu.

      – Estou conseguindo te alegrar um pouco? – Jin olhou pra mim.

      – É o melhor dia dos namorados sem namorado da minha vida. – Olhei pra ele e ele não conseguiu segurar uma risada.

      – Eu posso ser o que você quiser que eu seja, gata. – Jin passou seu indicador pelo meu queixo.

      – Quem olha assim até acredita. – Eu ri e Jin também.

      – Acredita mesmo! – Ele voltou a fitar as estrelas junto comigo.

      Ficamos em silêncio, deitados um ao lado do outro, olhando pro céu por muito tempo. O vento estava frio e nossos casacos estavam debaixo de nós, mas não nos incomodamos em ficar ali.

      – Conheço um pouco sobre constelações. – Disse Jin.

      – Mesmo? – Sorri e olhei pra ele.

      – Sim. – Ele riu. – Sabe... Aquelas três mais brilhantes a sua direita, são conhecidas como...

      E nesse momento, não ouvi mais nada que Jin falou. Enquanto ele apontava pro céu e falava o que sabia sobre as constelações, eu fiquei o observando. Meu Deus, como pude ter tanta sorte assim? Jin era uma pessoa incrível, uma pessoa do bem. Parei pra pensar em tudo que ele havia feito por mim naquele dia, e novamente me senti a pessoa mais feliz do mundo por tê-lo ao meu lado.

      Enquanto ele apontava as estrelas, seu cabelo me chamou atenção. Seu cabelo balançava no ritmo do vento, mas nunca ficava bagunçado. Sua boca... O jeito que seu peito se mexia conforme ele respirava... Nesse momento ele me olhou, e percebeu que eu estava com o pensamento longe.

      – Você está ouvindo o que eu estou explicando? – Jin fitou-me.

      – Oi? Sim, eu estava ouvindo, oppa. – Respondi disfarçando.

      – O que eu disse?

      – As mais brilhantes formam o... O Cruzeiro do Sul? – Respondi.

      – O Cruzeiro do Sul só é visto na América. – Jin riu. – No que estava pensando?

      – Em nada. – Menti. – Apenas estava reparando no jeito que seu cabelo se move.

     Jin pareceu ter ficado envergonhado nesse momento, sorriu e parou de olhar pra mim. Aproximei-me dele nesse momento, e tentei me aconchegar.

      – O barulho das ondas é muito relaxante, não acha? – Jin disse.

      – Sim, tenho um sonho de morar perto da praia por causa disso. – Sorri.

     Paramos de falar, e neste momento eu fechei os olhos. Olhar pro Jin me fazia querer acariciá-lo no rosto, mas eu não podia fazer isso. Aquele barulho das ondas, aquele vento gelado e a minha companhia naquele momento contribuíram para que eu pegasse no sono.

***

       – Youngji? – Disse Jin, ao meu lado. – Não acredito que você dormiu! – Ele riu.

      – Desculpe! – Sentei-me lentamente.

      – Está cansada, não está? Quer ir pra casa?

      – O que eu queria era que esse dia nunca acabasse. – Lamentei.

      – Mas ainda não acabou. – Jin riu. – São onze horas.

      – Mas tenho que ir pra casa, não posso demorar tanto.

      – Tudo bem, podemos ir. – Disse Jin.

      Ele levantou-se, me estendeu a mão para que eu me levantasse também e logo em seguida ele pegou nossos casacos, os sacudiu pra tirar a areia, e logo depois os pendurou em seu ombro.

      Fomos andando pela orla até o carro, e assim que entramos, logo me aconcheguei no banco do carona. Saímos e nesse momento meus olhares se voltaram para Jin novamente. Enquanto ele dirigia, eu o observava.

      Eu era muito grata a ele pelo que ele fez, na verdade eu sempre fui. Jin sempre me deu atenção, até mesmo quando não podia. Esteve presente comigo, me aconselhou, me confortou... Minha vontade de acariciá-lo ainda não tinha passado, mas consegui me conter.

      Estando com ele, eu não conseguia evitar meus sorrisos. Jin era a minha alegria, estando com ele eu sabia que não ficaria triste em momento algum.

      O caminho era longo da orla até a minha casa. Pegamos um congestionamento também, e por ter acordado cedo, acabei pegando no sono de novo.

***

      Acordei em meu quarto, quando Jin tinha acabado de deitar-me sobre a cama.

      – Desculpe, eu não queria acordar você. – Ele lamentou.

      – O que... – Fiquei desnorteada.

      – Você dormiu no carro, e como eu não queria te acordar, te trouxe no colo.

      – Ah. – Assenti. – Você já vai embora?

      – Preciso ir, já vai dar uma da manhã.

      Jin notou minha expressão de desânimo quando ele disse que ia embora, e no mesmo instante, ele repreendeu-me:

      – Não, não, não! Não quero que fique assim!

      – Fica mais...

      – Já ficamos juntos o dia inteiro, isso não basta? – Jin sorriu.

      Assenti negativamente, enquanto segurei sua mão direita. Seu sorriso desapareceu naquele momento, e ele lamentou.

      – Olha, tudo que fiz por você hoje foi para te deixar feliz. Planejei tudo cuidadosamente pensando no melhor pra você, não quero que fique assim agora... Tudo que fizemos hoje não valeu de nada?

      – Valeu... – Lamentei. – Valeu sim!

      – Olhe pra mim. – Disse Jin, e eu olhei. – Posso te ajudar a lutar contra esses sentimentos ruins que você tem, mas não posso fazer isso o tempo todo. Quando estiver sozinha precisa saber controlar esses sentimentos. Fico triste ao imaginar que quando eu sair daqui, você vai chorar até pegar no sono de novo. Isso não me agrada, me deixa triste então eu te peço que, por favor, tente se controlar! Fiz isso tudo por você hoje e sou capaz de fazer sempre porque eu quero ver você bem e alegre como antes... Eu quero fazer você sair dessa, mas você também precisa reagir... Você precisa reagir! – Jin disse.

      – Jin. – Alguém bateu sutilmente na porta do meu quarto, e pela voz era o meu irmão.

      Jin levantou-se, foi até a porta, pegou o jarro e minhas flores com meu irmão, agradeceu e voltou para perto de mim.

      – Aqui estão suas flores! Vou deixá-las aqui ao seu lado para que elas façam você ficar alegre. – Jin riu.

      Arrumou as flores em cima da minha mesinha, e logo voltou a conversar comigo.

      – E então, o que me diz sobre o que acabou de ouvir?

      – Oppa, eu poderia me lamentar aqui e falar do quanto é difícil pra mim, passar por uma situação como essa, mas não quero falar disso. Sim, eu entendo e concordo que eu preciso reagir, mas isso eu só consigo com o tempo. Ou quando estou contigo... – Abaixei a cabeça.

      – Não chore... – Jin preocupou-se.

      – Queria agradecer pelo carinho que você tem por mim. Queria que soubesse que você é muito especial pra mim, muito mesmo... Muito obrigada por tudo que fez por mim hoje, sinceramente eu sou muito grata por ter você ao meu lado. – Dei uma pausa.

      – Não chore...

      – Bom, e mesmo não tendo comprado nada pra você. – Tirei da minha cabeça o boné que Jin ganhou no tiro ao alvo e me deu. – Feliz dia dos namorados! – Coloquei o boné nele.

      Nesse instante, meus olhos já estavam cheios de lágrimas, e ao observar a expressão de Jin, eu quase não consegui mais me controlar. Aproximei-me, coloquei o boné nele e enquanto eu arrumava seu cabelo para que não ficasse amassado com o boné, Jin me olhou nos olhos.

      Não consegui mais. Eu estava chorando, Jin iria embora e eu voltaria a ficar sozinha. Minhas mãos estavam em seu rosto. Ele estava me olhando nos olhos... Só o que fiz foi trazer seu rosto mais para perto de mim, e não consegui evitar um beijo.

      Comecei a beijá-lo, e Jin deixou. A princípio fiquei nervosa por fazer aquilo, mas Jin correspondeu e eu me acalmei. Meu Deus, o jeito que ele me beijou... Aqueles lábios... Aquela delicadeza toda... Eu não precisava de outra coisa naquele momento.

      Fomos diminuindo, e quando paramos, me senti calma. Calma, até que notei a expressão de Jin, que deixou claro que ele correspondeu para me agradar. Ele me olhou sério, incrédulo, parecia não acreditar que nos beijamos.

      Eu estava carente, e Jin estava me dando todo o suporte que eu precisava. Mas eu tinha certeza que ele não esperava uma situação como essa... E nem eu. Notei que cometi um erro, Jin e eu éramos como irmãos, e aquele beijo poderia estragar tudo.

      – Me desculpa, Oppa, me desculpa, eu... – Tampei minha boca com minhas mãos enquanto falei com Jin.

      – Preciso ir agora. – Ele disse. – Fighting! – Ele se levantou.

      – Jin, eu...

      – Não se preocupe com isso, Youngji, está tudo bem. – Ele disse, ainda sério.

      Aquele ‘está tudo bem’ foi o mais sarcástico possível. Ele estava incrédulo, sério, levantou-se no mesmo instante e disse que ia embora. Eu não tinha muitas certezas naquele momento, mas que não estava tudo bem, isso eu já estava convencida.

      Assenti, ele desejou-me boa noite e saiu. Fui até a janela segundos depois, e pude ver seu carro indo embora. Agora já estava feito, não adiantava lamentar. Deitei-me na cama, chorei e chorei assim como Jin disse que seria, e depois disso não me lembro de mais nada.

***

      Acordei com um vazio no peito, e assim foi por quase duas semanas. Jin não apareceu mais, não ligou, não fez nada. Eu não sabia o que fazer, naquele momento eu só pensava nele. Eu tinha o perdido, ele não voltaria mais... Eu precisava fazer algo, mas não sabia o quê.

      Eu não costumava fazer isso, mas eu estava desesperada então não vacilei em procurar a ajuda do meu irmão. Ele tinha chegado do trabalho, já tinha tomado banho e estava em seu quarto. Bati na porta três vezes, até que ele me atendeu.

      – Jae, posso conversar contigo? – Eu disse.

      – Entra. – Ele disse, eu entrei e logo ele fechou a porta.

      – Vou direto ao ponto, Jin e eu nos beijamos e... Na verdade, eu o beijei, e agora ele sumiu. Não voltou mais, não me ligou, estou sem contato com ele há quase duas semanas.

      – Foi o primeiro beijo de vocês? – Jae se espantou.

      – Sim. – Lamentei.

      – Nossa... Eu até tinha minhas suspeitas de que vocês estavam namorando escondido.

      – Como assim? – Fiquei espantada.

      – Vocês sempre estão grudados, sempre estão juntos. Quando ele vem vocês ficam mil horas dentro daquele quarto... Não é de se estranhar um pensamento desse, não acha?

      – Não, não! Isso é coisa da sua cabeça, nunca houve nada! Há duas semanas que eu fiz essa besteira, foi a primeira vez que rolou algo entre nós. Sei que eu não deveria ter feito isso, sei que eu errei, mas não pude evitar! Eu estava chorando, estava carente e Jin me disse coisas tão lindas... Não consegui evitar!

      – Já tentou ligar pra ele?

      – Não sei se devo fazer isso.

      – Deve sim.

      – Mas o que eu vou dizer? Eu não faço ideia, eu estou envergonhada, vou ficar nervosa!

      – Liga e depois me fala o que aconteceu. – Disse Jae.

      Entendi aquilo como um: faça o que eu disse e só volte quando tiver novidades. Naquele momento levantei-me da cama, fui até meu quarto e peguei meu celular. Liguei e chamou até cair na caixa postal. Eu sabia que Jin estava vendo aquela chamada, ele nunca estava longe de seu celular. Eu tinha certeza que ele viu a chamada, mas preferiu não atender. Sendo assim, resolvi gravar uma mensagem.

      – Oppa, eu... Me desculpe pelo que fiz! Sei que foi errado, assumo meu erro, mas por favor não se afaste de mim por isso! Sei que foi precipitado, mas eu já fiz e agora quero a oportunidade de me desculpar. Quando puder, venha até minha casa! Preciso te ver, preciso conversar com você, não quero que se afaste... – Dei uma pausa. – E por fim, eu gostaria muito de dizer que estou disposta a esquecer o que fiz, mas acontece que... Aquele beijo não sai da minha cabeça desde aquele dia... – Lamentei e desliguei a ligação.

      Aquilo era verdade, eu queria estar bem com Jin, sabia que eu não deveria ter beijado ele, mas mesmo assim eu assumi que gostei do beijo e que não me arrependi.

      A primeira atitude veio da minha parte, tentei um contato e mandei mensagem. Agora era com ele, eu tinha que aguardar e torcer pra que ele se mobilizasse com minhas palavras e viesse até mim.

      O dia seguinte chegou, e nada... Voltei a falar com o meu irmão, e ele disse para eu tentar de novo. Eu já não aguentava esperar, estava quase indo até a casa de Jin, pois aquela espera estava me matando. Naquela altura do campeonato eu já não pensava mais na traição que sofri, o que eu queria era ter Jin de volta em minha vida.

      Ele não apareceu, e quando a noite chegou, resolvi ir até ele. Avisei meu irmão sobre minha decisão, escolhi e uma roupa e fui tomar banho. Quando eu já estava arrumada, sentei em minha cama para arrumar minha bolsa e ouvi algumas batidas na porta.

      Achei que seria meu irmão perguntando que horas eu iria sair, pois eu pedi que ele me levasse. Mas, assim que abri a porta, ainda com minha bolsa nas mãos, dei de cara com Jin no corredor.

      Minha garganta ficou seca, meu coração acelerou, minhas mãos ficaram dormentes, e só o que eu consegui dizer foi:

      – Jin?

      – Posso entrar? – Ele disse.

      – É claro. – Abri a porta, Jin curvou-se cumprimentando-me e logo depois entrou. – Estava me arrumando para ir até sua casa.

      Eu disse enquanto Jin dirigiu-se até a minha mesinha de maquiagens e sentou-se na poltrona. Ele ficou em silêncio, o que me deixou nervosa. Sentei-me na beirada da cama, e não pensei duas vezes antes de começar a falar.

      – Olha, quero pedir desculpas pela atitude que tomei. Eu estava carente, aos prantos e você me acolheu quando eu precisei, mas sei que isso não justifica o que eu fiz. Não sei dizer o porquê, mas eu senti vontade! Eu quis agradecer por suas atitudes e por suas palavras naquele momento... Me desculpe, eu... Mesmo tendo ficado lembrando daquela cena várias e várias vezes, estou disposta a fingir que aquilo nunca aconteceu. Gostar eu gostei, mas o que importa agora não é o que eu gosto.

      – Já ouvi esse discurso antes. – Jin disse.

       Fiquei sem palavras, e ao ouvir o que Jin disse, abaixei a cabeça e comecei a chorar em silêncio. Naquele momento, notei que não tinha mais jeito... Jin se fecharia pra mim, jamais teríamos a mesma relação de antes.

      – Pare de chorar... – Ele disse.

      Ouvi o que ele disse, mas não atendi ao seu pedido. Continuei chorando e lamentando o que houve.

      – Pare de chorar, Youngji... – Ele repetiu.

      Novamente não atendi ao seu pedido, o que fez Jin levantar-se e dar alguns passos em minha direção.

      – Vem cá. – Ele disse.

      Tentei secar minhas lágrimas, levantei-me lentamente e parei em sua frente de cabeça baixa.

      – Olha pra mim. – Ele disse, mas eu não consegui. – Youngji. – Ele me chamou, e eu novamente evitei olhar pra ele.

      Nesse momento, as mãos de Jin me seguraram pelo rosto. Achei que ele faria aquilo para que eu finalmente olhasse pra ele, mas o que ele fez me surpreendeu. Ele me beijou. O correspondi no mesmo instante, mesmo não acreditando que Jin estava fazendo aquilo. Enquanto minhas mãos o seguraram pela cintura, Jin foi dando passos para frente, o que me obrigou a dar passos para trás, até que notei que estávamos bem perto da cama.

      Jin me deitou, e lentamente veio por cima de mim, sem desencostar seus lábios dos meus por um segundo sequer. Ficamos deitados enquanto nossos corações batiam como um só. Jin me beijou como se tivesse com muita vontade, o que me deixou mais surpresa ainda.

      Ele me mordiscou os lábios três ou mais vezes, estava no ritmo perfeito. Nunca imaginei que Jin agiria daquela forma... Ele era a pessoa mais quieta que eu conhecia, era todo certinho, parecia bem calmo e inseguro ao mesmo tempo, mas naquele momento, Jin mostrou como ele realmente era quando o assunto era outro.

      Jin parecia outra pessoa. Nunca imaginei que ele teria aquela pegada, nunca imaginei que ele faria aquilo tudo que ele fez comigo. Realmente, por termos sido amigos desde sempre, nunca esperei aquilo da parte de Jin, e confesso que ele me deixou surpresa. E apaixonada também.

      – Oppa... – Eu disse quando paramos. – Por que... Por que você fez isso?

      – Quem fez foi você. – Ele disse. – Me mostrou como era seu beijo, o que acabou me fazendo querer mais.

      – Pensei ter perdido você. – Eu disse, acariciando-o no rosto, finalmente.

      – Na verdade você me ganhou, agora em outros sentidos também.

      – Não sabia que você era... Era assim. – Não consegui especificar mais o que eu queria dizer, sem fazer com que Jin pensasse que eu o subestimava.

      – E agora que sabe... O que me diz? – Ele riu, o que me lembrou seu lado fofo que eu havia esquecido minutos atrás.

      – Dizer? Eu prefiro fazer. – Respondi, puxando-o para mais um beijo.

      Jin aceitou, e depois daquilo tudo, depois de tantos outros e outros beijos e carinhos que demos um ao outro, eu continuei a lamentar no fim daquela noite.

      Não pelo meu término, ou pela traição. Lamentei mesmo por ter perdido meu tempo com Hyunseo quando eu tinha Jin ao meu lado o tempo todo.


Notas Finais


E então, gostaram?


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