História De quem adoece e de quem fica - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, D.O, Kai
Tags ?2concursoexofanfics?, Baeksoo, Dtehospital
Exibições 63
Palavras 2.145
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Universo Alternativo
Avisos: Drogas, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


O tema é hospital e eu fiz drama? Simmmm, cadê novidade?

Sei que mais clichê que isso não tem, mas drama é o que eu mais tenho facilidade de escrever e a semana de provas ta chegando, aquele desespero, mas eu gosto de viver perigosamente e queria participar mesmo assim, perdoem o vacilo

Capítulo 1 - Doente crônico


O caminho de acesso pela rampa era árduo e ao seu lado caminhava uma velha sorridente distribuindo cumprimentos a todos os seres vivos, firme e confiante nos passos cambaleantes das pernas fracas apoiadas em um andador. Sem tempo ruim, mesmo que evidentemente doente. Ele, por outro lado, podia jurar que seus ossos quebrariam a qualquer momento, doíam como o inferno e sua lombar era acometida por pontadas agoniantes de tempos em tempos, como se algo dentro de seu corpo lutasse com todas as forças para sair.

Do Kyungsoo bem podia ter escolhido o caminho da escada, já que é por lá que pessoas ditas saudáveis costumam subir, mas tinha acordado todo dolorido naquela manhã. Havia ingerido todos os seus compridos matinais além de uma dipirona antes de sair de casa e uma vitamina c dissolvida em água após o café da manhã. Aqueles sintomas (a dor suspeita, o cansaço em realizar qualquer mínimo movimento), em sua opinião, só poderiam denunciar um futuro resfriado e considerou melhor prevenir-se, e achou justo que tomasse o caminho menos fatigante até a entrada do hospital.

Não era deficiente, cadeirante ou idoso como a plaquinha em pé, no início da rampa, fazia pressupor que fosse quem tomasse aquele percurso, mas não estava bem. Kyungsoo raramente sentia-se bem.

O segurança da porta deu a ele um discreto acenar com a cabeça, seu sobrenome talvez fosse Jung, quem sabe Song, não conseguiu ter certeza apesar de se recordar de ter conversado com aquele homem em outra ocasião. Os guardas, assim como todos os funcionários auxiliares frequentemente trocavam os turnos. Kyungsoo conhecia todos eles, ou quase isso, pois a faxineira que encontrou próxima ao banheiro feminino, por exemplo, era um rosto desconhecido. Gostava mais da rabugenta Sra. Nam e do divertido Sr. Kwon que costumava cumprir o turno da tarde e as vezes o plantão a noite.

Sobre os recepcionistas já não podia tecer muitos elogios. Ou eram excessivamente simpáticos para seu gosto, ou antipáticos ao nível de não ser compatíveis com um cargo de atendimento ao público. No entanto, Kyungsoo possuía um caráter difícil demais para que possa ser levada em consideração sua concepção de simpatia ou antipatia. O fato, é que, normalmente não estava aberto a conversas com os atendentes e passava por eles sem muito ânimo para ser cordial e tentar manter uma possível amizade, mesmo que viesse ao local com periodicidade, não fazia questão sequer de saber o nome de algum deles.

Também não possuía proximidade com os enfermeiros e enfermeiras, até tentara, mas eles eram tantos que jamais conseguiria identificar todos, por isso, estava feliz em manter um bom relacionamento apenas com os guardas e os funcionários da limpeza, pois no fim das contas nem era alguém tão sociável assim.  Fora isso, tinha ainda que gastar boa parte de sua capacidade em ser amigável na sala de espera com outros pacientes e isso incluía velhinhos, velinhas como aquela sorridente da rampa, mães com crianças desinquietas e outros adultos entediados ou irritados com a demora e com vontade de conversar, e, ou, desabafar sobre suas doenças e a quantidade de remédios que tomavam por dia (nunca encontrou ninguém que tomasse mais comprimidos no período da manhã que ele).

Kyungsoo já tinha tentado de tudo, fones de ouvido, livro, revistas, jornaos, fingir estar dormindo. Nada é capaz de afastar um ser humano se ele estiver realmente determinado a contar a triste, surpreendente, motivadora história da sua vida, ou melhor da sua doença. Então só aprendeu a lidar com aquilo da melhor maneira possível, o que pode ser resumido em não dizer palavrões, nem deixar tentativas de conversas sem respostas, nem que fosse apenas para emitir um resmungo, ele se deu conta de que sempre deveria responder.

Percebeu também que no meio de histórias desinteressantes, ou assuntos desnecessários existiam pessoas até que agradáveis as vezes e é claro, havia Baekhyun.

Naquele dia em especifico, ele estava péssimo. Conseguia falar e se movimentar com certa independência na maioria do tempo, era engraçado e simpático com todo mundo, mesmo quando o olhavam com pena ou como se ele fosse alguma espécie de nova criatura nunca investigada. Os olhares não o intimidavam e ele não se encolhia quando perguntavam sobre a história do seu câncer. Tinha o descrevido tantas vezes que já possuía quase um roteiro ensaiado do que falar e da expressão que deveria portar naquele momento. Sempre sorria no final de tudo, retribuía o carinho de quem decidisse por solidariedade segurar em sua mão e brincava com a criança que na inocente perversidade se assustasse com sua aparência. Contudo, nos últimos dias, precisamente naquele último ano, as coisas tinham mudado.

Foi a decadência do organismo e a ascensão da doença. Baekhyun apesar de sempre ser tão forte não pode lutar contra isso e mesmo que já quase não falasse nem contasse mais histórias divertidas, Kyungsoo gostava de só sentar ao lado dele e lhe fazer companhia. Eram amigos há muito tempo e juntos naquele prédio tão limpo, tão branco, tão morto, passavam muitas horas do dia vendo estranhos em pior ou melhor estado, Baekhyun muitas mais que ele e com um estado de saúde indiscutivelmente mais problemático.

Pensou em segurar sua mão como uma das senhoras caridosas, mas parecia que há qualquer momento ele se desfaria nos dedos caso ousasse tocá-lo. Olhou em seu rosto e recebeu em troca, dos lábios rachados e permeados com feridas, um sorriso cansado e um murmuro de me desculpe

“Do Kyungsoo”.

O médico estava indisposto, sempre estava cada vez que dava consultas àquele paciente em específico. Suspirou alto o suficiente para que fosse ouvido e sua insatisfação, assim, pudesse ser percebida pelo outro. O jovem Dr. Kim, ao ver o rapaz fechar a porta e se locomover com uma grande careta em seu rosto, se precipitou e ajeitou o bloco de receitas.

“Qual é problema dessa vez Soo? ” Eram tantos que já sabia que levaria no mínimo meia hora descrevendo cada novo desconforto físico que descobriu sentir na última semana, desde que esteve ali pela última vez.

Por mais que estivesse relutante no início, o médico concordou em examiná-lo de todas as maneiras que estivessem em seu alcance, dentro dos limites de sua pequena sala. Escutou, pacientemente, cada uma das queixas que Kyungsoo lhe apresentou como mandava o protocolo e no final da consulta, prescreveu os remédios que julgou toleráveis e menos prejudiciais à saúde do paciente, contra sua vontade e com a consciência quase pesada, apenas porque sabia que se não fosse de suas mãos, seriam pelas de outro profissional que não conheceria mais a fundo seu histórico como ele.

Vitaminas pela alimentação precária.

Fluoxetina para a enxaqueca.

Antiácidos para a gastrite.

Analgésicos para as pontadas na lombar e a dor nos ossos.

Imosec para o intestino desregulado.

Melatonina para melhorar o sono.

Recebeu as receitas, pedidos de exames e encaminhamentos que não precisava, mas por persistência conseguiu, com satisfação. Entrariam para pilha de papéis em sua casa e das coisas que deveria jogar fora e nunca fazia.

“Você vai na sexta? ” Dr. Kim Inquiriu antes que pudesse escapar pela porta. Kyungsoo sabia que a pergunta viria em algum momento, mas isso não significava que estava preparado para ter aquela conversa.

“Não sei”.

Estava nervoso, era evidente que estava. Gaguejou até que conseguisse formular uma frase, sentiu o sangue gelar por um momento e quase atribuiu o ato à alguma nova doença, porém tinha ciência de ser só um efeito do tom de voz acusador do médico. Ele o encarava com pena, mas Kyungsoo não era como Baekhyun, ele odiava mais do que tudo o sentimento de compaixão.

“Não sou muito religioso, sabe disso Jongin”.

Assim, escapou como sempre escapava de quase tudo que lhe tirasse de seu universo particular, rodeado de cartelas e mais cartelas de comprimidos e dores incuráveis que mais ninguém no mundo sentia.

Deveria ter ido embora, parado em uma farmácia qualquer para comprar o que lhe foi ministrado, e depois, iria para sua casa pensar no que exatamente estava fazendo de sua vida. Mas lá estava ele, Baekhyun e o imenso hospital esperando o momento certo para derrubá-lo.

 Ele tinha vida própria, se alimentava de esperanças frustradas, sonhos interrompidos e anos que nunca chegariam. Quantas vidas ali tiveram seu fim? Quantas nasceram? Quanto sangue foi derramado pelos corredores tão claros? Pessoas saíram felizes com um atestado de alta, curadas, outras por outro lado com a sentença de morte assinada. O que Kyungsoo fazia, perdendo tanto tempo de sua vida, em um lugar que as pessoas costumavam odiar?

Tinha certeza de que se Baekhyun pudesse escolher, nunca mais voltaria a pôr os pés em um local como aquele, mas ele não tinha escolha e assim que o viu olhando pelo jardim do hospital, feito mais de concreto que de flores, teve o pressentimento de que a morte estava próxima demais, tentando atormentar o que já deveria ter sido superado.

Ele parecia menor do que antes de o ter deixado na sala de espera para se encontrar com Jongin. Encolhia a cada passo dado, a cada vez que chegava mais e mais perto.

Passou horas vendo o tom cinza dos suportes das flores, tão mórbidas quanto o hospital. Baekhyun ao seu lado imóvel sussurrando coisas que não entendia, fingindo sorrir sem a mínima vontade.

Kyungsoo só conseguia escutar de maneira repetida sua voz proferir me desculpe, me desculpe, me desculpe.

“As coisas não estão indo muito bem, não é? ” Não sabia como Jongin havia chegado, se aproximado sorrateiramente e há quanto tempo estava lá. Talvez seu turno tivesse se encerrado, ou só fosse a preocupação de deixá-lo vagando pelo hospital sozinho. Acendeu um cigarro sem se importar com a figura debilitada de Baekhyun.

“Você deveria parar de fumar”.  Um médico que fuma não deveria ter autoridade para questionar como qualquer coisa está indo, era o que Kyungsoo pensava. Baekhyun também costumava fumar muito e olha só onde ele chegou?

“E você de se entupir de remédio sem motivo”. Retrucou e era no fim das contas um bom argumento. Uma droga prescrita e utilizada de maneira equivocada, ainda é tão droga quanto a comprada e ingerida por conta própria.

“Eu sinto dor”. Queria saber onde, e o motivo de sua existência, não podia ser condenado por isso ou podia?

“Você não está morrendo Kyungsoo”. Havia um pouco de raiva e ressentimento naquela sentença de vida, que qualquer pessoa que não fosse quem a estava ouvindo, se sentiria feliz em escutar. “Tenho certeza de que cansei de dizer isso, e os médicos que procurou pelas minhas costas também”.

As feridas nos lábios de Baekhyun se tornavam maiores conforme Jongin falava. As coisas que dizia atiçavam o câncer presente no corpo frágil que só fazia encolher a cada palavra dita, um golpe desferido pelo médico contra o amigo. A mão que no imaginário o golpeava pousou contra seu peito e não pode mais evitar seu olhar.

“Precisa parar com isso Soo”. Lá estava a pena, o remorso, a vontade de ajudá-lo, e sabia, por mais que odiasse, que tudo aquilo era sincero. “O único em estado terminal se foi há quase um ano e não gostaria de te ver desse jeito”.

Parado ao seu lado pedindo desculpas, era onde ele se encontrava, encolhendo sobre ossos fracos e se consumido em feridas, um completo estranho. Tão distinto do Baekhyun que conheceu na faculdade, que lhe foi apresentado por Jongin no meio do corredor em uma segunda feira chuvosa a caminho do estacionamento, daquele com quem dividiu tantos anos, riu e chorou na mesma proporção, brigou, considerou como melhor amigo, amou e depois desapareceu da sua esfera de disponibilidade.

Não, ele não iria chorar. Jongin tinha pacientes para atender e uma vida cheia, cheia de vida. Não merecia se ocupar com suas doenças mentirosas. Era hora de ir embora.

“Não vai mesmo na missa sexta feira?”

Queria morrer de câncer para não ter que se despedir pela segunda vez, mas sabia que era um desejo perverso e maldoso demais para ser proferido, estava louco, tinha certeza que sim e não deveria pensar nesse tipo de besteira. Queria morar para sempre no hospital onde os olhos de Baekhyun enfim descansaram de anos de tormento, ou como alguns preferem chamar, de luta.

Não esteve lá na hora exata, não esteve lá na maior parte do fim da doença, talvez por isso, agora sentisse todas as dores e voltasse sempre às paredes e pisos brancos, toda maldita semana.

“Você vai? ” Jongin insistiu vendo o amigo lhe virar as costas, se afastando.

Kyungsoo olhou as receitas que ainda segurava firmemente em suas mãos, enquanto andava em busca da saída do prédio. Entre os papéis dobrados, estava o encaminhamento a um psiquiatra. Se eu for, ele vai embora?

“Acho que sim”.

Quando alcançou a porta depois de atravessar cerca de três corredores, não viu Baekhyun em lugar nenhum.


Notas Finais


Eu me tremo toda de escrever sobre doença em fanfic porque fico achando que to soltando merda pelos dedos a cada linha. Então resolvi focar em algo que eu conheço, Hipocondria, e passar mais por cima do que eu não tenho tanto conhecimento: Câncer.

Sobre o Jongin receitar remédios sem necessidade: pode parecer absurdo, mas quando você vai ao médico e diz que sente alguma dor, ele não tem motivos pra duvidar de você num primeiro momento, afinal, no senso comum “ninguém vai ao médico sem necessidade” e ele provavelmente vai receitar um remedinho, enquanto espera o resultado de algum exame para descobrir se de fato está acontecendo alguma coisa. Meu avô é hipocondríaco e a quantidade de remédio que ele consegue por meio de receita médica indo a consultas, fora os que ele compra por conta própria nas farmácias é absurda. Automedicação é coisa séria.

Sobre o Baekhyun, não vou falar porque era pra ter ficado claro, se não ficou vou ficar triste, mas tudo bem </3

Obrigada por ler :*


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