História De Repente Acontece - Capítulo 2


Escrita por: ~ e ~Deborajosy

Postado
Categorias Once Upon a Time, Originais
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), Emma Swan, Henry Mills, Regina Mills (Rainha Malvada)
Tags Captainswan, Emma Swan, Killian Jones
Exibições 59
Palavras 3.856
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Suspense

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oláaa! O combinado seria postar só amanhã, maaas o capitulo ficou pronto e a gente decidiu não enrolar hehehe.
Gente, todos os capítulos da fic vão ter como título algumas músicas. Pensamos que seria legal vocês escutarem enquanto lerem, já que as letras, na maioria das vezes, vão ter bastante coisa a ver com o que será contado no capítulo.
Esperamos que gostemmm!
Boa leitura!

Capítulo 2 - Halo


Fanfic / Fanfiction De Repente Acontece - Capítulo 2 - Halo

Everywhere I'm look now, I surrounded by your embrance.

Baby I can see your halo. You know you're my saving grace. 

(Halo - Beyoncé)

Três anos depois...

Tudo podia ter sido tão diferente. Se eu estivesse ficado no hospital naquela noite ao invés de ouvir a minha mãe e ter voltado para casa eu poderia ter dito adeus. Poderia ter dito um último "eu te amo". Eu poderia ter me despedido do meu irmão caçula. Lembro-me como se fosse ontem que, durante a última semana do verão, os diagnósticos de Henry quanto ao câncer estavam melhorando e as sessões de quimioterapia estavam finalmente fazendo efeito. Então, em comemoração, ele me pediu que o levasse à praia, seu lugar favorito. Talvez ele soubesse que aquela seria a última vez que veria o mar, porque lá me fez prometer que pararia de me preocupar tanto e viveria a minha vida. E que, acima de tudo, nunca me esqueceria dele.

– Que bobeira, Henry. – olhei em direção ao oceano, assim como ele estava fazendo. – Você vai ficar bem e vai continuar crescendo forte e saudável. Só tem 13 anos, ainda tem muito o que viver.

– Emma... – Olhou para mim com os olhos vermelhos e cheios de lágrimas enquanto enterrava as mãos na areia. – Eu... Eu estou com medo. Mas não medo por mim, estou com medo de te deixar sozinha. Medo de que você construa o seu próprio mundo e se isole nele.

Eu não podia contar para ele, mas aquelas palavras me atingiram em cheio. Eu estava aterrorizada com a ideia de perder a única pessoa parecida comigo. Ele era pequeno e apesar da diferença de idade sempre podíamos contar um com outro, éramos mais que irmãos, éramos cúmplices. Porém, eu sabia que lutar contra uma doença que te devasta por dentro e por fora durante três anos não era uma coisa simples. Muito menos para uma criança.

– Não sinta medo, meu amor. – Meus olhos marejaram. – Isso não vai acontecer, eu prometo! E eu sempre, sempre vou estar aqui com você, não deixarei nada te acontecer.

Abracei seu corpo frágil e ficamos assim por vários minutos.

– Eu te conheço, Emma, e sei que você tenta carregar o peso do mundo. – segurou as minhas mãos e me olhou. – Eu preciso que você pare de fazer isso. Quero ter certeza que ficará bem quando eu partir.

– Você não vai...

– A vida é feita de momentos... – me cortou e continuou com seu discurso. – Uns bons e outros nem tanto, mas não se culpe pelos ruins, apenas aproveite os bons. Viva e seja feliz.

Deixei que as lágrimas rolassem pelo meu rosto enquanto meu irmão me dava uma lição de como se viver a vida. Tentei de todas as maneiras segurar o choro, tinha certeza que se começasse não pararia mais, mas vê-lo falando daquela maneira me deixava arrasada. Como era possível que alguém tão novo pudesse ter tanto a ensinar à irmã que supostamente deveria ter mais experiências?

– Você estará comigo em todos os momentos bons, Henry. – Tentei sorrir enquanto percebia que sua mão ficava cada vez mais fria.

– Nós dois sabemos que isso não vai acontecer. – Sorriu e apertou um pouco mais as minhas mãos. – Mas não fique triste, todos nós temos um propósito na vida, e quando o cumprimos significa que já é hora de partir.

– Ah, é? – Sorri e sequei algumas lágrimas com as costas da mão. – E como sabe qual seu propósito na vida? Acabou de entrar na adolescência.

Ele deu de ombros e voltou a fitar o mar. O sol já estava se pondo e banhando a imensidão do oceano com um alaranjado deslumbrante. Pessoas iam e viam a todo o momento, mas nós dois apenas ficávamos sentados observando a paisagem que se desenrolava.

– Então, qual o seu grande propósito? – Perguntei novamente e abracei minhas pernas ao sentir o vento bater forte.

– Cuidar de você e te ensinar a ser feliz. – Olhou para mim com seus olhos serenos. – Te ensinar a viver.

– Como um anjo da guarda? – Ele me olhava com tanta convicção que era impossível não sorrir, ele realmente acreditava nesse seu “propósito”.

– Exatamente. Como um anjo da guarda.

Depois de mais alguns minutos na praia, Henry começou a vomitar ao meu lado e dar sinais de desmaio. O levamos imediatamente para o pronto socorro e nesse mesmo dia meu irmão foi internado em estado grave na UTI. Os dias foram passando e o verão cheio de vida e risos foi ficando para trás, dando lugar a uma estação um pouco mais mórbida e sombria. Então, duas semanas depois ele morreu.

– Emma. – Regina estalou os dedos na frente do meu rosto e me deu uma leve chacoalhada. – Você está me ouvindo?

Como num clique eu parecia ter voltado ao presente. As coisas à minha volta começaram a tomar forma novamente, e a lembrança que eu estava tendo foi ficando cada vez mais distante. Era sempre assim, se eu estava tranquila e sem muitas ocupações acabava pensando no meu irmão e em tudo que ele já havia me dito, por isso, sempre procurava manter minha mente ocupada, não gostava de pensar na morte dele. Embora isso fosse quase impossível.

Regina me olhava com as sobrancelhas arqueadas e com os cotovelos sobre a mesa. Desde que dei início ao meu internato, aprendi que todo tempo livre que surgir deve ser aproveitado, e era isso que eu estava fazendo. Ou tentando, já que a minha irmã insistente havia resolvido dar o ar da graça e aparecer por aqui. Olhei em volta e vi que a cafeteria do Dana-Farber¹ estava bem movimentada e barulhenta.

– Sim, claro que estou te ouvindo. – Dei um gole no café e evitei contato visual com a minha irmã mais velha.

– Então me diga o que acabei de falar. – Cruzou os braços e me encarou.

Coloquei o copo sobre a mesa e relaxei na cadeira. O dia havia sido exaustivo, mas graças a Deus já era sábado, e eu não precisaria me preocupar em voltar no dia seguinte. Porém, eu teria que me preocupar com Regina e seus discursos de como eu precisava sair de casa e parar de viver atrás dos livros de faculdade.

– Que você finalmente vai me deixar terminar esse maravilhoso café em paz e que entendeu que não estou a fim de sair para “curtir” à noite. – Dei um sorriso convincente implorando para que ela entendesse a deixa e cedesse.

Mas a quem mesmo eu estou querendo enganar? Ela é Regina Swan Mills, a palavra "ceder" não constava no seu vocabulário.

– Completamente errado, maninha. – Sorriu, pegou a bolsa que estava no chão e se levantou da cadeira. – Eu falei que sairemos de casa umas 22 horas e que eu te levaria para uma boate nova que abriram na Tremont St.

Regina deu a volta na mesa e beijou minha testa. Ela estava com sua típica expressão de “Eu não vou mudar de ideia nem a pau, então desista”, então eu apenas suspirei e acenei em despedida.

Como fazer minha irmã entender que a única coisa que eu queria para aquele dia era uma boa noite com a minha amada Netflix e muita comida?

* * *

– Emma... – Ouvi Regina gritar do lado de fora do meu quarto.

Olhei que horas eram no meu celular que estava no criado mudo, e suspirei fundo. 20h40. Revirei os olhos e me aconcheguei mais ao cobertor e a ignorei, suplicando que ela achasse que eu estava dormindo e fosse embora. – Eu sei que você não está dormindo, essa desculpa já é velha. Vamos, abra a porta.

– Emma Swan se encontra indisponível ou fora da área de cobertura. Por favor, tente mais tarde. – Repeti a frase irritante da mulher que dava esse recado ao telefone, e afundei meu rosto um pouco mais no travesseiro.

Depois de não receber resposta alguma, dei graças aos céus e esbocei um sorriso tranquilo no rosto. Finalmente eu voltaria a fazer vários nadas tranquilamente.

Mas é como diz aquele ditado: a felicidade dura pouco.

Minutos depois, Regina estava abrindo a porta do meu quarto com uma chave reserva, a qual e eu não fazia ideia de onde tinha saído e nem desde quando ela a possuía.

– Ah, qual é... Não existe mais privacidade nessa casa? – ela negou e eu cobri minha cabeça com o edredom. – Me deixe em paz. Finja que eu morri.

– Não brinque com uma coisa dessas, Emma. – o seu sorriso triunfante diminuiu um pouco.

Falar de morte em nossa casa era uma coisa bem delicada. Sempre que alguém falava algo relacionado, o clima ficava pesado instantaneamente. Bem, exceto com a minha irmã, por que praticamente nada acabava com seu bom humor. Principalmente nessa noite.

– Desculpa. – Sentei na cama e a encarei. – De onde você tirou essa coisa?

Apontei para a chave e fiz uma careta. Regina deu de ombros e se sentou ao meu lado. Não era de se admirar que eu não estivesse surpresa com o fato dela ter uma chave do meu quarto, afinal, ela sempre foi meio pra frente. Mas o fato de aquilo não me surpreender não queria dizer que não me assustava um pouco.

Anotação mental: Trocar a fechadura do meu quarto. 

– Já escolheu a roupa que vai sair hoje? – Deu um pulo da cama e correu até o meu closet.

Deixei que meu corpo caísse sobre a cama novamente e escutei ela vasculhando o cômodo em busca de algo.

– Não. – Levantei e fui até o banheiro para tomar um banho. Se você não pode vencer um inimigo, junte-se a ele, não é mesmo? Pois bem, eu nunca venceria Regina, não hoje, então resolvi ceder aos seus caprichos. – Ache algo aí. Seu senso de moda é muito mais aguçado que o meu.

Tirei minhas roupas e entrei no chuveiro, na esperança de que a água morna tirasse aquele desânimo de mim. O que não aconteceu. A água quente batendo em minhas costas, só fez com que meus músculos relaxassem ainda mais e gritassem para voltar para cama. Minha nossa! Quando eu havia ficado tão preguiçosa?

Depois de alguns minutos, saí do banheiro e fui para o meu closet, onde encontrei Regina me esperando com um vestido preto de paetês em mãos.

– Pra que tudo isso? – Peguei o vestido e o analisei. – Será que eu não posso vestir uma calça e camisetas? Já que tenho que sair de casa, que seja pelo menos confortável.

– Eu juro que se um dia ver você vestindo calças e camisetas numa balada eu te bato, e depois finjo que nem te conheço. – ela bufou e saiu do closet e eu logo a segui. – Pelo amor de Deus, Emma, nem parece que é minha irmã.

– Gina, eu não sou como você. – Apontei para a sua roupa e me joguei na poltrona que ficava próxima à minha cama.

Regina sempre estava impecável, independente da hora do dia. Agora mesmo ela vestia uma saia rosa escuro bem justa, que ia da metade da sua cintura até os joelhos, e uma blusa cropped de cor azul escuro com algumas flores estampadas em diferentes tons de rosa. Nos pés, como sempre, usava um salto nude altíssimo e lindo. Seu cabelo preto caía com ondas perfeitamente modeladas na altura dos seus ombros e seus olhos amendoados eram destacados pelo rímel e delineador, enquanto sua boca era realçada por um batom vermelho. Sua roupa deixava explícitas todas as curvas perfeitas do seu corpo, que eram bem definidas pelas horas que ela gastava na academia todos os dias. Me peguei pensando que nunca teria um corpo como o seu, pois eu nunca gastaria meu tempo naquele lugar. Se só de pensar na palavra "academia" já me sentia fadigada, imagina ser uma cliente frequente. Deus me livre!

– Você é linda, loira, e tem olhos que parecem duas Esmeraldas. Uma verdadeira deusa! Então não reclame da boa sorte que o universo te proporcionou, pelo amor de Deus. – me deu um tapa leve nos ombros e apontou para minha penteadeira. – Agora sente aqui que eu vou te maquiar.

– Regina, eu tenho 21 anos, acho que sei fazer isso sozinha. – falei.

– Eu sei que sabe, mas quero exercer o meu dever de irmã mais velha e cuidar da minha irmãzinha, posso? – me empurrou para a cadeira e começou a me arrumar.

Não sei por que raios ela insistia em me considerar tão mais nova que ela. Desde que éramos crianças eu sofro com a frase "sou mais velha que você, então deve me obedecer". Pelo amor, eram míseros 11 meses de diferença.

Depois de quase uma hora, eu já estava totalmente pronta e vestida. O vestido que Regina havia escolhido já estava entocado no meu armário há tempos e eu nem me lembrava de que era tão bonito. Mesmo desconfortável, precisei admitir que eu estava linda com aquela roupa. Quanto ao meu rosto, ela realmente havia se superado. Passou uma sombra bronze nas minhas pálpebras e completou a maquiagem com delineador e rímel, e na minha boca passou um batom nude que, segundo ela, dava um volume à mesma e a deixava mais “comestível”.

O meu cabelo ela modelou com o babyliss, fazendo ondas largas e perfeitas cobrirem as minhas costas com fios loiros ora mais claros, ora mais escuros. Impressionante o que uma boa arrumação não faz com o ser humano.

– Perfeita. – Deu um pulinho e pegou sua bolsa que estava em cima da minha cama. – Vamos?

Afirmei com a cabeça e saí do meu quarto calçando o sapato de salto preto enquanto ela pegava uma carteira bege com detalhes dourados para mim. Eu achava desnecessário, mas como eu estava dançando de acordo à música que Regina havia escolhido, não me restava muito a não ser obedecê-la.

– Vou avisar à mamãe que estamos saindo. Você já foi vê-la depois que chegou? – Ela negou com a cabeça.

– Depois falo com ela. – foi até a porta de casa e a abriu. – Como andam as coisas entre vocês duas?

Sempre que podia, a minha irmã me fazia essa pergunta e a resposta era sempre a mesma:

– Estamos do mesmo jeito, Gina. Acho que isso não vai mudar. – abaixei a cabeça e tentei deixar transparecer que não me importava.

Desde os meus 15 anos de idade, a relação com minha mãe não era lá das melhores. Lembro-me de quando eu era criança e ela me tratava como uma verdadeira princesa, assim como fazia com Regina. Mas, quando completei certa idade, tudo mudou da água para o vinho e, de acordo com que o tempo foi passando, ficamos cada vez mais distantes. Foi simplesmente assim. Talvez ela tenha decidido que eu não valia mais a pena.

– A mamãe é um pouco difícil, mas logo ela desiste disso e volta ao normal. – Sorriu e tocou meu rosto. – Agora anda logo, já são dez horas.

Afirmei com a cabeça e corri escada à cima em direção ao quarto dos meus pais. Assim que abri a porta, vi que meu pai estava concentrado em sua poltrona mexendo em algo no notebook.

– Oi, pai. – fui até ele e beijei sua bochecha.

– Oi, patinha. – disse ao levantar os olhos do aparelho. Sorri ao ouvi-lo mencionar o apelido que havia me dado na infância. – Cora, Emma está aqui!

Minha mãe saiu do banheiro sem nenhuma expressão no rosto e me encarou com a sobrancelha erguida. Sem muita paciência pra rodeios, falei o que tinha que falar já caminhando para a porta.

– Vou sair com Regina.  

– Sua irmã já chegou de viagem? – Abriu um largo sorriso, sem se importar com o que quer que eu tenha dito. – Por que não me avisou, Emma?

– Por que ninguém pediu que eu avisasse. – a encarei. – Além do mais, não sou a garota de recados de vocês duas.

Cora me lançou um olhar furioso.

– Vai deixar que ela fale assim comigo, Henry? Não te criei pra ficar me respondendo.

– Deixe a garota, Cora. – Meu pai suspirou e tirou os óculos, logo em seguida me encarou. – Tome conta da sua irmã. Nós dois sabemos bem qual de vocês duas tem mais juízo. – Sorri e concordei. – Precisa de dinheiro?

Neguei com a cabeça e saí do quarto sem ao menos me despedir da senhora que estava parada na porta do banheiro cheia de raiva vulgo minha mãe. As coisas entre nós duas só haviam piorado mais depois da morte de Henry, e eu não fazia ideia do porquê.

Desci as escadas correndo e fui até o estacionamento, encontrando com Regina que já estava no carro à minha espera.

– Vamos logo antes que eu me arrependa e volte para minha amada e confortável cama. – Falei e recostei minha cabeça no vidro. A noite com certeza seria longa.

* * *

Regina sempre foi amiga de todos, desinibida e comunicativa. Em consequência disso, conhecia os lugares mais badalados da cidade. Eu já deveria imaginar o que me esperava, mas mesmo assim não estava preparada. Assim que chegamos até à Royale NightClub, minha irmã entregou a chave do carro para um dos manobristas e andou como se estivesse em uma passarela até a entrada vip do local. Isso mesmo, entrada vip.

Deixei que meus olhos corressem pela entrada da boate e precisei me concentrar para não abrir a boca a ponto de babar. Aquele lugar era totalmente exótico e sofisticado, diferente de tudo o que estava acostumada. As letras de neon piscavam em tons de prata e dourado no alto do prédio e, assim que chegamos à roleta, tive um pequeno vislumbre do interior do lugar.

Foco, Emma.

Pelo menos finja que você frequenta diversos locais como esse e que tem uma vida social animadíssima.

Em instantes, percebi que a entrada ficava cada vez mais movimentada, e como se me espremer entre corpos para conseguir passagem não fosse suficiente, levei um supetão e quase beijei o chão no meio do trajeto.

– Ei! – Elevei o tom de voz quando senti a pessoa que me empurrou agarrar o meu braço com força e me impedir de ter um encontro nada agradável com o chão da boate. – Olhe por onde anda.

Puxei meu braço e o massageei enquanto fitava o rapaz à minha frente, que até então parecia tão confuso quanto eu.

– Desculpe... Eu não...

Confirmei com a cabeça e ele parou de falar, então saí em busca da minha irmã que, aparentemente, também estava à minha procura. Assim que nos encontramos, ela me agarrou e me levou até onde ficavam os seguranças do local.

– Regina Swan Mills...  – A ouvi falar com um dos brutamontes enquanto ele olhava para o tablet que estava em suas mãos, provavelmente checando se ela realmente estava na lista. – E Emma Swan Mills.

O grandão afirmou com a cabeça e nos deu passagem, então me aproximei dela e perguntei:

– Por que precisava falar os nomes como se estivesse confirmando uma reserva? – me espremi entre várias pessoas para conseguir continuar ao seu lado e então elevei meu tom de voz por conta da música alta. – Não era só pagar a entrada ou algo tipo?

– É uma festa privada de um amigo meu da faculdade. – Gritou em resposta. – Agora divirta-se. E venha comigo, quero te apresentar a alguns amigos.

Imaginando o que ela pretendia, dei alguma desculpa sobre ir pegar algo para beber e me afastei dela, mas ainda podendo vê-la encontrando um grupo de pessoas.

A música que tocava era bem animada, então mesmo que eu quisesse, era praticamente impossível não deixar o corpo ser levado pela batida. Quando já estava no balcão do bar, pedi uma garrafa de água para o barman e o aguardei voltar dando leves batucadas no móvel. Assim que o rapaz me entregou a garrafa, eu dei uma boa golada enquanto observava as pessoas se divertirem na pista de dança.

Não sei ao certo quanto tempo fiquei encarando toda aquela cena se desenrolar, mas quando voltei à realidade, ainda continuava sem interesse algum em estar ali.

Qual é o meu problema? Há muito tempo não tenho ânimo para fazer esse tipo de coisa como uma pessoa normal da minha idade.

– Pelo menos eles parecem se divertir. – Ouvi alguém ao meu lado falar e quase dei um pulo. – Desculpa, não quis assusta-la.

Neguei com a cabeça para lhe garantir que não era nada demais e o encarei, me surpreendendo logo no mesmo momento.

– Ora se não é o destrambelhado da entrada – eu tinha um tom de gozação na voz. – Parece que você está sempre pedindo desculpas, não é mesmo?

Fingi encarar a pista de dança mais uma vez e esperei que ele se afastasse, mas o bendito ser humano continuou ao meu lado.

– Apenas quando necessário. – Abriu um sorriso branco perfeitamente alinhado e chamou o atendente do bar. – Que tal alguma bebida para eu me redimir completamente?

Ele possuía um sotaque estranho. Certamente não era americano.

– Com certeza não. – Levantei a garrafa de água para que ficasse visível.

– Apenas tentei fazer uma coisa boa além de te derrubar ou te matar do coração. – Ergueu as mãos como se estivesse se rendendo.

– Talvez você deva fazer um bem à sociedade e visitar o oftalmologista para que não esbarre em mais pessoas – Sugeri sem nenhum interesse em continuar a conversa por muito mais tempo. – Conheço alguns, posso te indicar.

– Isso tudo é medo de ficar bêbada e perder a pose de marrenta? – Apoiou o cotovelo sobre o balcão e me fitou com petulância.

– Tenho certeza que te acharia irresistível depois de alguns drinks... – Sustentei seu olhar. Mas cá entre nós? Eu não precisava de uma gota de álcool se quer para admitir que ele fosse um pedaço de mal caminho. – Mas prefiro continuar com meu bom senso.

Ele usava uma calça jeans clara e uma blusa de mangas compridas vermelha. Seu cabelo preto estava perfeitamente bagunçado, mas ele não parecia ser o tipo que se importava com isso. E assim que eu o respondi, ele jogou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada, mas logo depois voltou a me fitar com seu par de olhos azuis.

Eu disse pedaço de mal caminho? Não, não. Está mais para caminho inteiro mesmo.

Desviei o olhar e saltei da cadeira, tentando ir à direção da minha irmã, mas senti alguém segurar meu braço e me impedir de continuar.

– E que tal dançar? – o mesmo rapaz perguntou.

Oh, Deus, eu sabia que devia ter ficado em casa.

– Eu realmente preciso ir. – soltei meu braço e dei as costas, mas logo o ouvi novamente:

– Não vai pelo menos me dizer o seu nome?

Nesse momento, eu parei e avistei minha irmã, porém antes de ir encontrá-la me virei para encara-lo.

– E qual seria a graça? – Fiz minha melhor cara de paisagem e coloquei uma mão na cintura. – Prefiro te deixar curioso o suficiente pra não parar de pensar em mim. – sorri e saí de lá antes mesmo que ele pudesse falar qualquer outra coisa.

Se eu estava com medo do que aconteceria se eu continuasse aquela conversa e provocações? Com toda certeza. Acho que talvez Henry não tenha cumprido o seu propósito de me ensinar a viver, por que eu definitivamente ainda não sabia como fazer isso. Por mais que eu tentasse sair dessa escuridão em que minha vida havia se tornado, eu não conseguia.

Seria possível eu ser completamente feliz novamente? 


Notas Finais


¹ Dana-Farber Cancer Institute. Um hospital especializado em combate ao câncer, que fica em Boston.

E aí??? O que acharam? Estamos ansiosas para saber a opinião de vocês, então, por favor, dá uma moralzinha aí nos comentários kkkkkk
Beijos, galera!! Até o próximo capítulo! <3


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