História De repente você - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Carrossel
Personagens Personagens Originais
Visualizações 141
Palavras 2.483
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Chegueiiii
Agora essa é uma shortfic que vai ser dividida em *dois capítulos.*
É um casal que eu tenho muito carinho.
Espero que gostem e beijos <3

Capítulo 1 - Capítulo 1


Um pequeno show ao ar livre. Pessoas desconhecidas. Cidade desconhecida. O que poderia dar errado? Pensava consigo mesma. Fazia duas semanas que rodava pelo interior do estado. Estava com 22 anos e completamente perdida. Sempre alegavam que seu jeito explosivo a traria problemas, mas não acreditava em tais afirmações até certa noite. Andava entre as pessoas entediada. O frio de fim de tarde antecipava a sensação noturna a fazendo apertar seu cardigã vermelho contra si. Chamava a atenção por onde passava, isso era fato, mas já estava entediada das cantadas sem graça ou das inúmeras propostas sem sentido que já havia recebido. Parou olhando para o palco em que se apresentava uma pequena banda local e sentiu o aperto no peito ficar mais forte, aquilo era saudade, mas era um sentimento que a despertava muito medo e que com certeza não admitiria para si mesma estar sentindo.
- Oi. Qual o seu nome? - Perguntou uma voz a fazendo se virar para um garoto que estava a sua frente.
- Valéria, por quê? - Rebateu confusa se perguntando o porquê de ter respondido. Naqueles segundos ela parou para o analisar. Cabelos cacheados, olhos claros que a lembravam mel e uma voz doce, era definitivamente lindo em sua opinião, mas também não deixou de notar o quanto ele estava nervoso.
- Eu sinto muito te arrastar para isso. - Se desculpou sem jeito enquanto ela lhe encarava confusa, mas antes de responder foi interrompida por uma voz docemente irritante.
- Oi Davi. - Saudou uma loira parando ao seu lado segurando a mão de um cara maior que ela alguns centímetros.
- Oi Helena. Já conhece a Valéria? - Perguntou Davi nervoso passando o braço pela cintura da recém conhecida sentido a raiva emanar de seu corpo.
- Não. - Respondeu curta e grossa analisando a Ferreira de cima a baixo. Tal atitude fez o sangue dela ferver. Podia estar perdida em toda aquela situação, mas não deixaria ninguém encara-lá daquela forma.
- Que coisa engraçada, eu também não te conheço e nem nunca ouvi falar. - Comentou sarcástica sentindo os dedos dele apertarem sua cintura. Helena fechou a cara ignorando o seu aparente namorado que a observava irritado. Valéria percebendo o quanto ela estava incomodada passou seus braços pelo pescoço de Davi aproximando seus corpos.
- Bom, Helena essa é a Valéria minha namorada. - Começou a apresentá-las sentindo as unhas da Ferreira contra seu ombro tentando disfarçar a careta de dor. - E essa é a Helena, minha ex-namorada. - Explicou se virando para a praticamente desconhecida ao seu lado com um olhar suplicante.
- Não somos apenas ex, namorávamos desde criança. Dez anos não são dez dias. - Disse impaciente sentindo seu namorado retirar sua mão da dela brutalmente e sair irritado.
- Você não vai atrás dele? - Perguntou Valéria inconformada vendo ela revirar os olhos.
- Nós não tínhamos nada sério. Nos conhecemos a uma semana. - Respondeu sem dar importância encarando Davi que respirava fundo. - E você mora aonde? - Perguntou virando sua atenção para Ferreira.
- Sou da cidade vizinha. - Respondeu torcendo para que ela não entrasse em mais detalhes ou que Davi intervisse. Helena franziu o cenho e a encarou desconfiada.
- De Santa Ana? Eu conheço todo mundo lá e nunca te vi.
- Deve ser porque eu não sou todo mundo queridinha. - Falou simples trocando olhares impacientes com ela.
- Deve ser porque você não seja importante isso sim. - Disse sem perder a pose.
- Pelo visto você não mudou nada. - Afirmou ele sério quebrando a troca de olhares intensas que elas compartilhavam.
- Eu mudei. Você é que parece ter começado a fazer escolhas erradas. - Rebateu sorrindo falsamente olhando para a garota ao seu lado. Valéria percebendo que aquele joguinho não ia acabar tão cedo resolveu dar um ponto final.
- Ele fazia escolhas erradas. Agora ele se encontrou. - Falou se virando a fim de ficar de frente para Davi que passou os braços por sua cintura um pouco confuso. - Você concorda comigo? - Perguntou olhando dentro de seus olhos e ignorando a loira que os observava vermelha de raiva.
- Você sempre está certa. - Respondeu entrando no seu jogo sem dar ouvidos para os resmungos baixinhos de sua ex.
- Essas declarações são altamente bregas. Você não era assim Davi Rabinovich. - Afirmou irritada batendo o pé no chão.
- É porque você não merecia. - Disse sem sem desviar o olhar da Ferreira fazendo a raiva de Helena aumentar. Ela percebendo que não teria mais atenção se retirou pisando fundo, quando já estava a uma distância razoável os dois falsos namorados se permitiram cair na gargalhada.
- Seu idiota. Quem você pensa que é para me usar assim. - Explodiu irritada apagando qualquer resquício de calma que tinha.
- Você é bipolar? - Perguntou preocupado.
- Se eu sou ou deixo de ser não muda o fato de você ter me usado. Vai a merda Rabinovich. - Disse impaciente se afastando dele que a seguiu tentando se desculpar.
- Me escuta por favor. - Pediu cansado a alcançando quando já estavam a uma distância considerável da pequena multidão. Ela respirou fundo olhando para todas as direções se dando por vencida em seguida.
- No máximo 5 minutos. - Avisou séria sentindo ele lhe puxar para uma pequena pracinha um pouco isolada. Ela sentou seguida por ele e cruzou as pernas e os braços o encarando de forma ameaçadora. - Pode começar. Já estou contando.
- Você é sempre tão dramática? - Perguntou rindo.
- Péssimo começo Davi, péssimo começo. - Avisou lutando para segurar o sorriso que teimava em aparecer, mas no fim acabou conseguindo manter a pose de brava.
- Eu terminei com a Helena a quatro meses. Foi um término complicado. Ela é complicada. - Admitiu vendo a Ferreira concordar. - Depois de algumas coisas que eu acabei descobrindo sobre ela eu resolvi dar um basta nessa relação. Ela lógico começou a dizer o quanto eu estava perdendo, somente ela me queria e eu não iria mais arranjar ninguém que gostasse de mim como ela. Eu passei esses quatro meses sozinho, não fiquei com ninguém. Sorte que ela estava viajando ou teria tido o prazer de dizer "Eu te avisei." Quando eu vi ela nessa festa me desesperei e a primeira pessoa que eu vi foi você claro. Eu não podia puxar uma garota que é da cidade ou a Helena iria até o fim do mundo para saber a verdade. Eu te usei e sinto muito, mas não tenho palavras para te agradecer por não ter desmentido toda a história. Me desculpa? - Perguntou sincero deitando a cabeça no banco e a olhando com uma carinha triste vendo ela se contorcer impaciente.
- Ai tá legal. Eu te desculpo. - Respondeu com um bico infantil. - Mas só porque aquele ser é uma víbora. E também porque valeu a pena ver a cara dela quando descobriu sobre o nosso "namoro". - Admitiu sorrindo junto com ele.
- Obrigada de verdade. - Pediu de novo vendo ela revirar os olhos sorrindo.
- Você agradece demais não acha? - Brincou percebendo que já havia escurecido.
- É meu jeito. - Respondeu dando de ombros. - Mas o que você está fazendo aqui? Veio a passeio? - Perguntou curioso para ela que desviou a atenção para os próprios pés fazendo círculos na areia.
- Estou em uma pequena fuga. - Confessou afastando os fios da franja que teimavam em cair sobre seu olho. Davi a encarou confuso e preocupado.
- O que aconteceu?
- O que você faz? - Perguntou mudando de assunto rapidamente.
- Estávamos falando de você. - Insistiu se aproximando alguns centímetros.
- Aposto que você faz algo relacionado a área da saúde. - Continuou ignorando seu comentário anterior. Ele a fitou intensamente e percebendo que ela sustentava o olhar séria notou que não conseguiria arrancar mais nada dela.
- Eu estou fazendo Medicina. - Falou se rendendo. - Quero ser pediatra. Sempre foi meu sonho na verdade e agora estou começando a realizá-lo. - Afirmou compartilhando um sorriso com ela.
- Acho incrível pessoas como você que tem certeza do que querem na vida. Tenho certeza de que você vai ser um ótimo pediatra. - Disse sincera começando a balançar a perna inquieta.
- Onde você está hospedada?
- Na verdade eu não sei. - Confessou cansada. - Eu só tenho o dinheiro de volta para a minha cidade. Vou ver se a dona Rosa, aquela senhora que trabalha na lanchonete, me deixa passar a noite com ela.
- Ela pode até deixar, mas o marido dela definitivamente não. - Revelou o Rabinovich observando que ela olhava para o nada preocupada. Ele a conhecia a poucas horas, nunca havia visto ela na vida, mas algo dentro de si o impulsionava a fazer aquela pergunta.
- Você não quer ficar na minha casa? - Ela o encarou surpresa pensando não ter ouvido direito.
- Nós nem nos conhecemos. Como você pode ter tanta certeza de que eu não sou uma serial killer ou uma traficante que está fugindo da polícia? - Perguntou descrente ouvindo ele gargalhar.
- Eu sei que você não é nada disso. - Afirmou com certeza a pegando de surpresa.
- Mas e a sua família? Eu não quero incomodar nem causar problemas. Você parece ser um cara de família, alguém da paz e a sua família deve ser igual. - Tentou disfarçar o quanto estava sem jeito. Ele balançou a cabeça rindo e se aproximou perigosamente na opinião de Valéria.
- Meus pais estão viajando e só está a minha avó em casa, e ela não vai se preocupar. - Garantiu enquanto ela ponderava. Na verdade não tinha nem o que decidir, ela estava sem dinheiro para pagar pousada alguma e dificilmente alguém lhe daria abrigo aquela hora. Mas lá estava ele a oferendo ajuda. O garoto desconhecido de sorriso doce.
- Obrigada.
- Não precisa agradecer. Agora vamos porque minha vó já deve estar me esperando para jantar. - A chamou se levantando e sendo seguido por ela que começou a caminhar ao seu lado em silêncio.
- Deixa eu só pegar minhas coisas rapidinho. - Avisou já correndo em direção a uma lanchonete em frente a praça. Enquanto corria percebia o quão sedentária estava.
- Nossa Valéria, mas você tá horrível. - Reclamou consigo mesma em voz alta quando adentrou ao pequeno estabelecimento vendo dona Rosa caminhar em sua direção.
- Oi minha maluquinha. - Disse animada recebendo um abraço da mesma.
- Oi dona Rosa. Eu vim pegar minhas mochilas. Achei um lugar para passar a noite. - Informou a seguindo em direção ao batente.
- Que bom. Já estava ficando preocupada. Mas eu ainda vou ver você antes de viajar? - Perguntou carinhosa enquanto a Ferreira colocava uma mochila de cada lado do corpo.
- Com certeza. - Afirmou depositando um beijo em sua bochecha e saindo da lanchonete.
- Para uma pessoa que fugiu você leva coisa demais. - Falou o loiro segurando uma das mochilas que ela havia jogado em sua direção.
- Exagerado você né meu filho. - Afirmou revirando os olhos e retomando a caminhada em silêncio ao seu lado. Águas claras era uma típica cidade do interior. Ruas calmas, calçamento de pedra e casas em estilo colonial davam a paisagem um sentimento acolhedor. Ela era pequena o que atraia muitos turistas em altas temporadas, mas nos demais meses realizava pequenos shows ao ar livre para animar um pouco a cidade. E como em toda cidadezinha pequena todos se conheciam, e claro que Davi Rabinovich, caminhando no meio da noite com uma garota desconhecida e carregando duas mochilas não ia passar despercebido.
- Por que todos estão olhando para a gente? - Perguntou a Ferreira incomodada encarando as pessoas que estavam nas casas e também aqueles que passavam por eles os olhando indiscretamente.
- O povo dessa cidade é fofoqueiro. - Foi só o que respondeu dando de ombros. - Estamos quase chegando. - Avisou apontando para uma pequena casa azul com um jardim cheio de flores na frente.
- Só uma perguntinha. Onde eu vou dormir? - Perguntou parando em frente ao portão da casa dele o impedindo de abrir.
- Comigo ora mais. - Disse vendo ela arregalar os olhos e ficar vermelha. - No quarto de hóspedes boba. - Falou gargalhando.
- Você é um idiota. - Resmungou virando a cara.
- Eu nunca imaginei que você seria tímida. - Confessou dando passagem para ela entrar.
- É de momento. - Disse parando em frente a porta nervosa. Ele lhe deu um leve empurrão e abriu a porta para que ela entrasse. Assim que pisou os pés dentro da casa Valéria começou a observar cada detalhe. Sorriu ao constatar que a decoração da casa parecia ter saído de uma pequena casa de bonecas. Toalhas de crochê decoravam cada móvel, jarros de flores inundavam o ambiente com seu aroma e quadros de paisagens e frutas dominavam as paredes.
- Valéria. - Chamou desviando a sua atenção para uma senhora de idade e cabelos brancos que abriu um sorriso angelical ao lhe ver. - Essa é a minha avó Sara. Vó essa é uma amiga minha Valéria. - Às apresentou coçando a nuca sem jeito. Dona Sara logo puxou a Ferreira para um abraço carinhoso a supreendendo.
- Bem-vinda. O jantar está quase pronto. - Avisou depositando um beijo na bochecha do neto e outro em Valéria. De uma coisa ela tinha certeza, aquela senhora era com certeza a personificação da palavra avó, melhor ainda, ela era uma avó de cinema. Cabelos brancos amarrados em um coque, um sorriso doce que Davi definitivamente herdará e uma calma que podia ser sentida por todos.
- Você está bem perdida hoje. - Brincou passando a mão em frente ao seu rosto a tirando do transe.
- Tô mesmo. - Confessou sorrindo.
- Vem, eu vou te mostrar seu quarto. - Chamou seguindo por um corredor comprido.
- Que tal nós caminharmos amanhã? - Propôs de repente quase se batendo nele que virou rapidamente em sua direção.
- Que horas? - Perguntou receoso.
- 5 horas. - Respondeu simples vendo a careta que ele fez. - Larga de drama Davi. Vamos naquele morro que tem aqui perto. Dona Rosa disse que a vista é linda.
- E é, não só as 5 horas da manhã. E a dramática da relação aqui é você. - Rebateu não se dando conta do que havia dito.
- Agora estamos em uma relação? - Provocou vendo ele ficar vermelho fazendo ela cair na gargalhada. - É brincadeira seu bobo. Foi só pra descontar. - Disse ainda rindo. Ele virou as costas e continuou a seguir em direção ao quarto escutando ela sorrir alto.



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