História Dear Diary, a Vampire. - Capítulo 23


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bruxas, Fadas, Lobisomens, Magia, Mordidas, Vampiros
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Palavras 4.254
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sadomasoquismo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oe, tudo bom?
Capítulo novinho saindo. Depois do suspense do último capítulo muhahahaha
~Espero que gostem
~Boa leitura~

Capítulo 23 - Dear diary, Do you think I'll make it?


     Olhei para Natasha e vi que estava ao ar livre, sentada no chão, sem estar correndo desesperada pela primeira vez. Mas parecia presa no lugar, não podia sair. 

  — Ha, o que fazes? — ela perguntou. — Tire-me daqui.

  Ele a ignorou e estava conversando com uma bruxa, imaginei, um pouco distante. Não conseguia ouvi-los, mas sabia que falavam sobre o sacrifício. Olhei para o céu ao mesmo tempo em que Natasha. A lua estava sendo lentamente coberta por uma sombra. O eclipse.

  Uma mulher, jovem e ruiva, estava parada a alguns metros de Natasha, deveria ser a vampira. Quase não a vi lá. Abaixei-me ao lado da fada, que percebi se segurar para não desmoronar.

  — Não... — ela murmurou. — Não quero isso.

  Havin se aproximou e agarrou o queixo dela. Olhando nos olhos dela, a fez se levantar.

  — Não me importa isso, Natasha. Irá acontecer de qualquer maneira.

  — Ou não irá. — uma voz feminina foi ouvida e todos viraram a cabeça na direção.

  Um grupo de mulheres com idades variadas estava parado um pouco longe, segurando a bruxa de Ha pelos braços. Os olhos de Natasha não mudaram... Será que ela sabia que morreria de qualquer jeito?

  — Matem-nos. — ordenou o que pareceu ser a líder delas.

  Um pedaço de madeira voou no peito da vampira que estava meio sem entender nada, mas morreu. Não achei que isso fosse nescessário. A bruxa de Ha foi derrubada e ficou no chão, mas ainda estava viva, percebi. 

  Quando olhei para Ha, ele já havia fugido. Covarde. Natasha estava parada no lugar, sem mudar a expressão.

  — Morrerei? — questionou.

  Uma delas assentiu triste.

  — Tu es uma arma, querida, — uma velha disse. — Se ficar viva, virá a ser uma ameaça em um futuro não tão distante.

  — Posso pedir-lhes que seja sem sofrimento? Quero uma morte rápida, por favor. — pediu e uma delas assentiu.

  As bruxas formaram um círculo em volta de Lucinda e deram as mãos, murmuraram palavras estranhas em latim, entendi a palavra Shaw e Millard algumas vezes. Mesmo que aquilo fosse uma espécie de sonho, pude sentir. Senti o poder que elas emanavam com aquele feitiço e o quanto aquilo exigia delas. 

  Olhei para a bruxa jogada no chão e ela tinha as mãos levantadas também, passando despercebida pelas outras, percebi que foi aí que ela interferiu na maldição. 

  Natasha não pareceu sofrer nada, simplesmente caiu no chão. Senti-me tão mal, quase chorei. Natasha era uma boa pessoa, sofreu tanto para ter um fim desses. Ela aceitou a morte, sabendo que era necessário para que nenhum outro vampiro se aproveitasse. Morreu como uma heroína. A bruxa aliada de Ha parecia fazer um feitiço. Não sei o que era, mas sabia que não era nada bom. 

  Não importava mais. Eu e Natasha tivemos o mesmo fim, mas ela se foi de forma heroica. Eu, uma mera vingança após ter fugido. Mas não importava mais.

  [...]

  Não sentia dor, não me sentia cansada e pensei, isso era a verdadeira morte. 

Só não sabia onde se encaixava aquele incômodo na garganta, como uma sede. Pessoas mortas sentiam sede?

  Ouvi barulhos. Batidas, o ar, alguns sons extremamente estranhos para mim. De onde vinham esses sons?

  — O coração está batendo... — Ouvi uma voz. Scott.

  — Minha filha... — Mamãe disse. 

  Havin havia quebrado meu pescoço, lembrei-me e, segundo meus estudos de medicina, a última afirmação de Scott não deveria ser verdadeira. 

  — Juliette? Está acordada? — Alguém perguntou. Aaron.

  — Aaron... — murmurei ainda de olhos fechados. Minha boca estava seca. Não poderia me permitir pensar que... — Eu morri?

  — Oh, não minha filha. — Sarah disse. — Quer dizer... Não exatamente... Aaron, explique para ela.

  Explicar o que? Abri os olhos lentamente. Ah, aquela maldita sensação estranha no fundo de garganta. Parecia que eu não bebia água a anos ou fiquei dias no meio de um deserto. E aqueles barulhos? O que eram? Algo estava batendo! Queria tampar os ouvidos, mas não parecia que ia funcionar.

  Vi Aaron sentado do meu lado na cama, Sarah do outro e Scott e Luane de pé, um pouco longe. Quando meu olhar passou por eles, vi que desviaram o olhar. O que estava acontecendo? Ah, tinha muitas perguntas. As janelas estavam cobertas pelas cortinas e lâmpadas fortes iluminavam o quarto.

  — Dear, consegue se sentar? — Aaron perguntou-me e quando assenti, segurou meu braço e ajudou-me. — Como se sente?

  — Meio estranha. — ponderei. — O que aconteceu? Cada Ha? Ele me machucou, não foi?

  — Não sei se machucar é a palavra certa. — Scott murmurou e recebeu um olhar sério de Aaron.

  Eu o ouvi dizer aquilo, mas... Como era possível? Ele falou tão baixo que eu não deveria ser capaz de ouvir, ainda mais no meio daqueles sons irritantes.

  — Desligue-se dos sons. — Luane mandou. — Deve se desligar deles, incomodam no começo. 

  — Como assim? — indaguei.

  — Feche os olhos e pense em se concentrar. — ela instruiu. — Concentre-se em só um som. No da nossa voz, de preferência.

  Fiz o que ela pediu. Foi mais fácil do que pareceu, só precisei pensar no som da voz dela e aconteceu. Que bizarro! pensei.

  — Juliette, você sabe o que está acontecendo? — Aaron chamou minha atenção.

  — Olha, meu cérebro está mais mole e confuso que um purê de batata e nesse momento meus pensamentos são interrogações, então, explique-me.

  Ele tocou meu rosto delicadamente. Aquele toque... Pareceu-me tão diferente, como se eu nunca tivesse sido tocada assim na vida. Como se eu nunca tivesse sido tocada. Todos os nervos do meu corpo responderam a algo tão... Simples.

  — Dear, Havin quebrou o seu pescoço. — Aaron explicou delicadamente. — Você... Morreu.

  Senti o impacto de suas palavras, mesmo tendo percebido que ele tentou ser o mais delicado possível na escolha dela. Aquela frase não podia ser dita de forma delicada. Como fui tão burra a ponto de não perceber!

  — Você não só morreu, mas morreu com sangue de vampiro no organismo. — continuou. — É difícil, mas... Você entendeu?

  — Sim. — disse no automático. Por que eu disse aquilo? Não estava planejando falar nada. Foi involuntário. — Entendi.

  "— Abra a boca, Dear. — pediu Aaron docemente. Ele mordeu o próprio pulso e eu bebi de seu sangue. —" Lembrei-me do que havia acontecido e se como eu havia tido sangue de vampiro no meu organismo.

— Foi uma morte quase imediata. Você sente dor? — eu neguei. — Ótimo, mas deve sentir sede, certo?

  Ah, aquilo era realmente sede. Não do tipo de água.

  — Como se tivesse passado dias em um deserto. — Toda a minha atenção estava em Aaron. Como se minha mãe e nossos amigos não existissem. Só olhava nos olhos dele. 

  — Vamos, garotos. — Sarah disse. — Deixa-los a sós é o melhor. 

  — Tchau, mamãe. — eu disse e ela tocou minha mão rapidamente.

   Quando eles saíram do quarto, Aaron se arrastou até o meu lado, pegando e apoiando minha cabeça em seu ombro de forma delicada.

  — E agora? — indaguei.

  — Agora, você vai escolher. — ele disse. — Pode tomar sangue nas próximas vinte e quatro horas, ou não tomar e... — ele fez uma longa pausa. — Iremos aceitar, seja lá a sua escolha. Será difícil, mas aceitaremos.

  — Eu vou virar vampira. — decidi. Senti Aaron suspirar aliviado. Não queria morrer, iria continuar... mesmo se fosse difícil ser uma vampira e que eu não era muito adepta a ideia de... beber sangue humano. 

  — Ok, vamos conversar. — ele passou para a minha frente. — Ser um vampiro é difícil. Muito. Seus sentimentos vão se amplificar, seus sentidos, e você vai ter que controlar a sede, a parte mais difícil. — Levou minha mão até seu rosto. — Luane pode lhe ajudar bastante, ela já passou por isso. — Beijou a palma dela. — Vou lhe ajudar a se controlar e coisas básicas como velocidade e força. Vamos estar juntos nessa, ok?

  — Sim.

  Aaron fez uma careta, como se estivesse se lembrado de algo importante. E provavelmente tinha a ver como minha estranha vontade de responder a ele involuntariamente.

  — Oh, tem isso. — Passou a mão pelo queixo. — Como eu lhe dei meu sangue, você tá meio que me obedecendo de forma completamente involuntária.

  — Ahn? E como desfazer isso? — indaguei.

  — Vem cá. — Ele puxou minha nuca e minha cabeça estava próxima ao seu pescoço. — Morda, dear.

  Foi algo instintivo e que eu não pude controlar. Não sabia como fazer, mas fiz. Como se fosse meu primeiro instinto e eu sempre soubesse fazer  isso. O gosto era... Era delicioso. Antes de ser uma... ainda não conseguia admitir... achava o sangue horrível, mas daquela vez. Tinha um gosto difícil de descrever.

  — Estás liberta. — ele murmurou. — Não precisa me obedecer.

  Suguei de seu sangue e me soltei dele, afastando-me. Não queria beber mais. 

  — É simples, dear, é só pensar em soltar as presas que elas se ejetam. — Aaron me explicou. 

  Eu estava com a cabeça baixa olhando para o colchão quando ele segurou meu queixo e limpou um pouco de sangue dos meus lábios. 

   — Sangue de outro vampiro não lhe transformará em vampira completa. Vai precisar de sangue fresco de humanos. 

  Essas eram as palavras que eu não queria ouvir.

  [...]

  Estava sentada no colo de Aaron, a cabeça em seu ombro. Ele acariciava meus cabelos e algo importante me veio à mente, algo que fui burra de não pensar antes.

  — Ainda sou uma fada? — perguntei em voz alta e Aaron pareceu pensar nisso também.

  Fixei meu olhar em um copo um pouco distante e imaginei o vento levantando-o, rapidamente, a imagem se realizou.

  — Deve ser por que... Você ainda não é completa ainda. — Aaron ponderou. — Não dá para ser bruxa e vampira ao mesmo tempo, mas e fada?

  — Falaremos com Sarah! — propus.

  Olhei para o espelho a minha frente. Havia mudado e sabia disso. Meus cabelos estavam mais brilhantes e talvez um pouco mais longos, meus dentes quase brilhavam de tão brancos e meus olhos cinza... Estavam ainda mais belos. Aaron não parava de olha-los, percebi. Minha pele estava meio pálida, não muito, e a pele de Aaron não parecia mais tão fria.  

  Suspirei cansada, a sede havia voltado e minha garganta parecia um deserto e formigava tanto.

  — Sede... — murmurei para Aaron.

  — Vamos esperar anoitecer para ir até a cidade, dear, pode aguentar até lá? — Assenti, sim, eu podia.

  Eu estava preocupada, Aaron que tinha mais de cinco séculos demorou a dominar seus "poderes de vampiro" completamente e Luane, com duas décadas, ainda não os havia dominado completamente. Como eu ficaria? Teria problemas com sangue ou me acostumaria rápido a ideia? 

  Prestava atenção nos mínimos detalhes de todo o quarto, detalhes que não havia percebido antes. A lâmpada fazia um barulho estranho, o teto estalava baixinho às vezes e o coração de Aaron... Era meu som favorito. 

  — Aaron... — chamei.

  — Sim, dear? 

  — Acha que eu vou conseguir?

  — Dear, todo vampiro tem problemas, eu, Luane, Scott, todos, todos. Você terá, alguns não passam outros você supera. Seus sentimentos... Culpa, medo, amor, tristeza. Todos serão mais fortes. Quando estiver com medo, estará aterrorizada para os humanos. Quando amar, será pra valer, quando se sentir culpada, vai se sentir um lixo e a tristeza lhe deixará quase depressiva. Mas nada disso dura para sempre. — Aaron fez uma pausa, segurando minha mão apertado. — Posso dizer que são raros os vampiros que nunca desligaram a humanidade pelo menos uma vez e não desejo isso para você, mas... pode acontecer. Mas você superará. Pode se sentir culpada por querer matar e você vai matar, mas você superará.

  Suas palavras foram profundas como um penhasco. Fizeram meu coração acelerar e meus olhos arderem de lágrimas. Eram palavras de alguém que sabia o que estava falando, alguém com séculos de experiência. 

  — Vou estar com você. — ele prometeu. — Não importa o que acontecer, vou estar.

  Essas eram as palavras que eu mais queria ouvir. 

  [...]

  Anoiteceu. Sabia o que viria a seguir, eu atacaria alguém na rua. Hipnotizaria, morderia e deixaria ir. Três passos simples, eu pensei, não deve ser tão difícil.

  — Amanhã, Thalia lhe fará um feitiço para andar no sol e conversaremos com Sarah sobre seus poderes de fada. — Aaron avisou-me.

  Aaron pegou minha mão e me levou até a porta. Só havia alguns servos na casa e hoje eu entendi o que eles sentiam, antes de Aaron me dar seu sangue. Parecia que só existia ele no mundo e eu tivesse que obedece​-lo. Foi muito estranho e não fez o meu estilo.

  — Se perder o controle, eu vou lhe ajudar. — Me disse antes de sairmos de casa. — Depois, poderemos acostuma-la a tomar cada vez menos sangue fresco por semana e beber mais as bolsas de sangue.

  Quando saímos da casa, talvez por causa da tal barreira mágica (Que nunca funciona direto, os inimigos sempre atravessa ela), eu me sentia consciente de tudo. A mão de Aaron na minha, ouvir o barulho das folhas batendo no chão, das mariposas batendo as asas e outros que eu não identifiquei, entre eles, o som de mais cedo.

  — Aaron, que som é esse?

  — Ah, é o som das lâmpadas, elas costumam fazer isso, quanto mais velhas, pior. — explicou. — Por isso sempre as troco com pouco tempo de uso.

  Nunca havia notado, mas... O barulho é realmente irritante. Fechei os olhos e me foquei em um som, como Luane me disse. Melhorou um pouco, mas estava difícil me focar nos sons. Se continuasse assim, as chances de enlouquecer eram altas.

  — Consegue correr? — Aaron me pegou de surpresa com essa pergunta. — De forma sobrenatural?

  — Posso tentar... — hesitei. 

  Aaron riu da minha cara que provavelmente estava expressando minha hesitação.

  — Não é difícil, dear. — ele garantiu. — Vai ser quase instintivo, você verá. Tudo será.

  Aaron segurou minha mão e me pôs de frente para ele, minhas costas contra seu peito.

  — Olhe para frente e imagine-se correndo a toda velocidade, como se algo a perseguisse. — instrui-me. — Pense que precisa correr e vá.

  Pensei nisso e fui. Não foi complicado. Como Aaron havia dito, foi instinto. Aparentemente eles ficavam mais fortes após a transformação e ficariam ainda mais depois que eu bebesse sangue. Corri até uma árvore distante da casa e parei apoiada nela. Aaron apareceu ao meu lado em um instante.

— Está cansada? — indagou e eu assenti. — Isso deve passar após terminar a transformação. Vamos correr aos poucos até lá.

  Foi cansativo correr até a cidade, mas surpreendentemente mais rápido que ir de carro. Poderia me acostumar com isso. Pensei como seria legal brincar de pega-pega nessa velocidade. Velozes e furiosos: a brincadeira.

  — No que está pensando? — perguntou Aaron quando deixei uma risadinha escapar. Contei para ele meu pensamento. — É bem divertido, dear, me lembro de fazer muito isso quando criança.

  Chegamos a beira da cidade e começamos a andar até os becos mais desertos, seria mais fácil estar em um lugar deserto. Por sorte, nossa cidade vai dormir muito cedo e lá pelas onze da noite, só havia uma ou duas pessoas nas ruas.

  — Por aqui, Juliette. — Aaron segurava minha mão e me guiava. — Sabe o que tem de fazer?

  Assenti e ele disse que iria fazer junto comigo, com outra pessoa para demonstrar. Concordei.

  Por sorte achamos um casal na rua. Andavam distraídos e fomos na direção dele, quando íamos nos cruzar, corremos e os prendemos na parede. Aaron olhou nos olhos do homem e disse:

  — Não se mexa e, quando eu terminar, esqueça-se de mim. — eu repeti as mesmas palavras com a mulher, novamente, foi um instinto esse negócio da hipnose.

   Meu namorado mordeu o pescoço do homem e sugou o sangue dele, fiz o mesmo com a moça que era pouco mais alta que eu. Quando o líquido tocou minha boca, porra, seria difícil parar! Precisava daquilo e pude sentir a força, estava mais forte e a transformação se completando. 

  Quando ia soltar, Aaron tocou meu ombro e eu me afastei. A mulher caiu no chão e nós saímos correndo.

  — Foi um bom começo, vai ser mais fácil parar com o passar do tempo. — ele se abaixou e beijou minha testa. — Não os faça cair, torna mais difícil, por que alguém pode acabar vendo ou podem desmaiar, ok?

  — Ok. — murmurei.

*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~

  Juliette foi realmente bem para a primeira vez; talvez fosse a sua humanidade. Ela não queria machucar as pessoas então fazia aquilo de forma mais delicada. 

  — Vamos para casa.

  Fomos até a casa andando, Juliette não disse nada durante o percurso e foi para o quarto tomar um banho. 

  — Ela está bem? — perguntou Luane. — Como foi?

  — Melhor do que esperava. — Será que ela ouviu? Pensei. — Ela está bem, só precisará de um pouco de prática em algumas coisas.

  Luane olhou para mim por alguns segundos e virou a cabeça na direção da escada, parecia refletir. Scott pegou a mão dela delicadamente e apertou.

  — Foi ruim quando me transformei. — ela suspirou. — Não havia ninguém que eu confiasse para me ajudar...

  Scott levou a mão dela até a boca e deixou um beijo delicado nela. Parecia entender o que a vampira havia passado e se sentido mal por ela. Ela o olhou e sorriu, encostando a cabeça no ombro dele, que fofos.

  — Acho que dormir é bem ruim — Luane riu. — Melhor ajudar ela com isso.

  Ri da expressão dela e lhes desejei uma boa noite, indo até o quarto de Juliette. Os dois iriam ficar na minha casa naquela noite, para caso precisássemos de ajuda no quesito Havin ou qualquer outra coisa.

  — Juliette? — chamei.

  — Oie. — ela gritou de dentro do banheiro. — Tô saindo.

  De repente, um barulho de nojo sai de dentro do banheiro e algo foi cuspido dentro da pia. 

   — Cuidado quando for escovar os dentes, a pasta tem um gosto horrível. — eu avisei rindo.

  — Arrgh — Juliette gritou. — Por que não avisou antes?

  A vampira saiu do banheiro e se dirigiu até a cama, deitando-se ao meu lado. Ela ficou de lado, virada para mim.

  — Não sinto sono. — ela disse.

  — Para sentir, teria que ficar dias acordada. — eu expliquei. — Mas, se quiser continuar com seus hábitos de humana — ou fada, que seja — terá que dar um jeito de dormir.

  Ela olhou-me com uma cara emburrada e fez um biquinho fofo. Realmente, como Luane disse dormir seria complicado...

  — Não faça essa cara, dear. — Segurei as bochechas dela. — Quando você não consegue dormir, o que faz?

  — Conto carneirinhos? — Ela levantou as sobrancelhas. — Não acho que vai funcionar. Vamos conversar até que eu durma. Conte uma história chata da sua vida, com certeza funcionará.

  Juliette contou-me como era sua infância com seus pais. Ela jogava jogos de tabuleiro todos os fins de semana com sua família, eles assistiam televisão juntos todos os dias. 

  — No pior encontro da minha vida, com um cara chamado Olavo, ele decidiu que me mostrar seu amiguinho lá de baixo era uma boa ideia. — ela contou. 

  — O que? — eu caí na gargalhada. — Explique isso.

  — Sei lá, íamos a uma lanchonete e na volta, em frente a minha casa, ele abaixou as calças. — Ela corou um pouco. — Eu saí correndo. Não me impressionou.

  Ela levou a mão até a boca e riu baixinho, envergonhada. Depois disso, perguntou sobre a minha infância.

  — Não me lembro muito bem, foi a mais de cinco séculos. — comecei. — Mas Deborah fez grande papel nela e nos crescemos juntos. Brincávamos sempre e ela me ajudava no quesito... pais.

  — E a sua mãe? — indagou baixinho.

  — Não me lembro dela. — Foi uma meia verdade. 

  — Ah...

  Juliette provavelmente se corroeu de curiosidade, mas não perguntou mais nada em relação a isso. Só me disse quais livros gostava de ler durante a infância e adolescência e eu lhe disse os meus. Como foi seu primeiro beijo, o quão trágico terminou seu primeiro namoro.

  — Quando soube que nunca poderia ter filhos? — perguntei.

  — Meu corpo se desenvolveu como uma menina normal na puberdade, mas minha menstruação nunca chegava, então... até pouco tempo eu nunca soube o que eu tinha. É impossível um medico normal descobrir. Simplesmente ignorava esse fato. — Ela pareceu pensar em várias coisas. — Havin disse que isso faz parte da maldição. 

  Acariciei o rosto dela e ela levou a cabeça até meu peito. Percebi que ela provavelmente não iria ter tantos problemas com sono por ser uma pessoa que dorme tanto normalmente. Levantei-me e deixei o quarto dela, amanhã seria mais um longo dia e até Thalia fazer o feitiço, as cortinas ficariam fechadas. Queimaduras de sol são horríveis e fatais.

  [...]

  — Sarah, que bom que você chegou. — eu disse ao abrir a porta. — Temos dúvidas.

  Juliette desceu as escadas correndo em velocidade humana e abraçou a mãe. Era bom que com pouco tempo, elas tinha se unido tanto. Ter uma presença materna nessas horas devia ser bom para a minha namorada, já que era difícil passar por tudo aquilo.

  — Mamãe, eu continuo com os poderes de fada. — Juliette falou rápido. — Pensamos que passariam após o fim da transformação, mas continuaram.

  A boca de Sarah se abriu em um quase perfeito O e ela arregalou os olhos, tentando entender os fatos que Juliette jogou sobre ela.

  — Eu nunca vi casos de fadas que viraram vampiras, filha. — confessou após sentar-se no sofá. — Nem eu nem minhas amigas...

  — Pera. Devem existir várias fadas por aí, e não é possível que pelo menos uma não tenha se tornado uma vampira. — eu a interrompi. — Talvez você não conheça, mas...

  — Sim, sim. — Sarah assentiu —  Mas as fadas, pelo menos no nosso país, não estão em grande quantidade. Diminuíram muito no último século. — Uma pausa. — Falarei, discretamente, com minhas amigas fadas e verei se sabem de algo.

  Juliette olhou para a janela e ela foi aberta por uma violenta ventania jogando as cortinas no ar, por sorte, a luz do sol não chegava onde estávamos. Logo foi fechada.

  — Eu sinto o poder, mas está mais fraco. — ela disse.

  — Eu entendo, entendo. Talvez seja algo temporário, talvez passe... Você quer que passe? — perguntou a filha.

  — Não sei, depende. Se for algo bom, que continue, mas se for ruim... — ela não completou o pensamento.

  — Eu ia sugerir um passeio pela floresta para limpar a mente, mas... — Sarah riu e a filha a acompanhou.

  — Logo Thalia virá e fará esse feitiço do sol. — garanti.

  — É bom mesmo, estou precisando de um bronzeado. — Nos rimos e eu disse que era dia de "pegar" sangue do hospital e sai, após deixar um beijo na testa de Juliette.

            [...]

  — Thalia não vira hoje, dear. — eu avisei após entrar no quarto de Juliette com uma bolsa de sangue. — Eu trouxe sangue para você. E essa é uma frase extremamente estranha de se falar.

  — Realmente. — A garota riu. 

  Sentei-me na cama e Juliette abaixou o livro que lia, deixando-o de lado. Passou as pernas em volta da minha cintura e abraçou meu peito.

  Ela pegou a bolsa de sangue da minha mão e tirou o pino, pareceu meio confusa com o que tinha de fazer, ri baixinho.

  — O que é engraçado? — Ficou emburrada. — Eu não tenho experiência em beber sangue!

  — Você fez medicina e seu pai era médico, deveria saber usar uma bolsa de sangue. — defendi-me.

  — Sei usa-la, não beber dela. — Mostrou-me a língua. — Como faço?

  Peguei a bolsa da mão dela e levei o tubinho até a boca dela, onde ela lentamente sugou o sangue, logo a tomando da minha mão e bebendo com mais avidez.

  — Calma aí, dear, vai acabar engasgando. — eu ri e segurei o pulso dela. — Beba devagar, se não fica sem graça.

  Quando o sangue acabou ela me entregou a bolsa que foi colocada no criado-mudo. Envolvi meus braços ao redor de sua cintura e ela escondeu a cabeça em meu peito.

  — Me sinto forte. — ela murmurou.

  — Você é. Muito forte, dear, não duvide disso.

  Desci a mão por suas costas até chegar a suas coxas e ela passou as unhas por dentro da minha blusa.

  — Safadinho. — ela riu. — O que eu mais amo até agora nesse negócio de ser uma vampira, é que parece que toda vez que você me toca, sinto todos os nervos do meu corpo se ativando e minha pele queima de um jeito bom.

  — Eu sempre me senti assim, dear. 

  Juliette agarrou meu pescoço quando eu me curvei para frente, lhe dando a sensação que ela ia cair.

  — Aaron... — ela gritou. — Vamos cair!

  — Claro que não, dear, eu nunca a deixaria cair.


Notas Finais


Juliette foi um pouco lerda pra perceber, né? Mas dêem um desconto, ela estava confusa kkk seu cérebro/ purê de batata estava meio danificado pela... Morte!
Então, estou escrevendo um capítulo da história de Luane e Scott e esse capítulo teve uma cena que insinuava o passado de Luane que vai ser contado no capítulo. Estou gostando de desenvolver os personagens, eles são legais rsrsrs
Então...
~ Até a próxima
~Leletth-chan.


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