História Deathbeds - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS), Black Pink, Dreamcatcher, EXO, Loona, Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Gahyeon, Haechan, Jaehyun, Jennie, Jisoo, Johnny, Lisa, Personagens Originais, Rosé, Taeyong
Tags Blackpink, Bts, Dreamcatcher, Exo, Loona, Loop?, Nct, Personagens Originais
Visualizações 6
Palavras 4.944
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Saga, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Eu queria dizer que o sobrenome da YeoJin mesmo, é Im, mas, eu amo meu bolinho e quis incluir ela de alguma forma, então foi como Lee
E eu sei que as vezes eu enrolo demais em algumas partes que talvez não fossem necessárias, mas eu sou aquele tipo de pessoa que é muito critica consigo mesma, além de ser perfeccionista, então se eu ver ou achar que não ta detalhado, eu não me sinto satisfeita e escrevo mais.

Capítulo 8 - Destiny


Era aproximadamente 3:20 da madrugada quando Jayne foi acordada de modo nada sutil, sentando-se em um pulo, o coração batendo forte contra o peito devido ao susto. Esfregou os olhos para conseguir enxergar melhor, dando de cara com um Taeyong aparentemente cansado, as olheiras causadas pelas noites mal dormidas extremamente visíveis, mas a expressão do garoto não demonstrava que algo importante estivesse acontecendo.

— O que houve? — A loira sussurrou, olhando em volta para ver se havia mais alguém acordado, porém todos continuavam dormindo profundamente, aproveitando as poucas horas de descanso que tinham.

— Lisa acordou, e aparentemente você é a única que entende de curativos e remédios aqui, seria bom se desse uma olhada nela. — Taeyong se levantou, estendendo a mão para que Jayne se levantasse também. A garota suspirou, segurando a mão do outro e tomando impulso para ficar de pé, cambaleando por alguns segundos devido ao sono.Foi até uma das bolsas, pegando uma das latas de sopa, uma colher e uma garrafa de água, precisava alimentar a amiga para que esta se recuperasse mais rapidamente. A morena estava encostada na parede próxima a porta, esboçando um sorriso quando seu olhar encontrou o de Jayne, apesar do clima frio, suor escorria em abundância pelas têmporas e pescoço da garota, a pele havia adquirido um tom acinzentado por conta da grande perda de sangue, era óbvio que Lisa não estava bem, e aquilo preocupava a loira, pois não tinham os remédios necessários caso o machucado estivesse inflamado.

— Primeiro eu vou te alimentar, depois vou limpar o machucado e trocar o curativo, está bem? — Jayne se sentou na frente da outra com as pernas cruzadas, podendo ouvir uma risada anasalada da mesma.

— Você realmente parece uma enfermeira, ou uma babá. — Lisa colocou uma das mãos sobre a boca, curvando o corpo durante uma saraivada de tosse seca, apertando o pulso da loira com a outra, deixando a marca avermelhada dos dedos finos no local.

— Eu gostaria de ter o seu senso de humor, mas sendo sincera eu não acho que seja uma boa hora para brincadeiras. — Jayne repreendeu a amiga, colocando a primeira colherada de sopa na boca da mesma. Lisa ficou quieta, somente abrindo a boca para que a outra colocasse o líquido espesso de coloração verde em sua boca, tendo certa dificuldade para identificar o sabor, mesmo após comer quase todo o conteúdo que tinha no recipiente.

— Não vai demorar muito para você se tornar a babá oficial do grupo, tem até uma criança. — Lisa sorriu levemente ao ver YeoJin que dormia pacificamente ao lado do irmão, se sentindo um tanto quanto triste ao pensar em tudo que a garotinha estaria passando, principalmente o medo que deveria estar sentindo, sempre tendo que correr e se esconder se não quisesse se tornar uma das criaturas.

— Eu espero que esse cargo seja ocupado por outra pessoa, eu me sentiria inútil em só ficar sentada observando ela brincar enquanto todos fazem algo para proteger o grupo. Jisoo pode ser mesquinha às vezes, mas acho que se tratando de um criança ela poderia agir de modo altruísta, e não é como se ela ajudasse muito, mesmo depois de todos esses dias ela continua tendo nojo de chegar perto dos mortos. — Jayne falava enquanto dava água para Lisa aos poucos para que a mesma não acabasse engasgando, limpando o canto dos lábios da morena em seguida.

— O egoísmo vai matar ela algum dia. Sabe, eu podia ouvir tudo acontecendo a minha volta, mas não conseguia falar nada. Eu quis tanto conversar com o Johnny quando ouvi a voz dele, mas nenhum som saiu, e por um momento eu achei que estivesse sonhando. — Lisa fez uma careta, praticamente gritando de dor quando Jayne retirou o curativo, revelando o corte. Ambas olharam em volta para ver se alguém tinha acordado, mas somente SaeRan se mexeu, resmungando algo inaudível.

— Tem bastante gente agora, vai ser mais difícil administrar os suprimentos. Inclusive, eu vou ter que ir atrás de algo pra cuidar melhor do seu machucado, a aparência não é muito boa, tenho medo que acabe infeccionando, e sendo sincera com você, minha mãe não me ensinou como tratar ferimentos infeccionados. — A loira pegou um algodão e colocou soro no mesmo, o usando para limpar o machucado dando pequenas batidas no local, já que se houvesse algum tipo de bactéria, fazer movimentos de cima para baixo somente espalharia e aumentaria as chances de infecção.

— É, eu também ouvi. O garoto loiro, eu acho que ele estava flertando com você. — A morena esboçou um sorriso, recebendo um tapa fraco no ombro, o que lhe fez rir.

— Impressão sua, ele só estava sendo amigável. — Jayne balançou a cabeça negativamente, se levantando para que a outra não fosse capaz de ver o leve rubor em suas bochechas. — Volte a dormir, todos os dias daqui pra frente serão longos e você precisa se recuperar logo. —

— Se a sua intenção era me animar não deu muito certo. Ah, e quando for na cidade, se me trouxer uma barra de chocolate eu vou ser uma pessoa muito feliz. — Lisa piscou os olhos diversas vezes, fazendo a expressão mais fofa que conseguia para convencer a amiga.

— Vou ver o que posso fazer. — A loira suspirou pesadamente, cobrindo Lisa novamente assim que ela fechou os olhos. Pegou a lata de sopa, pensando no que faria com o que havia sobrado, já que estava sem fome alguma e não podia desperdiçar a comida.

— Toma, desde que chegamos eu não vi você comer nem uma barrinha. — Jayne andou até Taeyong, lhe oferecendo a lata contendo o líquido esverdeado composto por legumes e verduras, recebendo como resposta um aceno negativo.

— Eu não estou com fome, é melhor guardar e dar para YeoJin quando ela acordar. — O garoto disse sem desviar os olhos da janela, praguejando baixinho quando sua barriga roncou alto o suficiente para que a garota ouvisse, arrancando uma gargalhada da mesma.

— Sem fome é? Parece que seu corpo não concorda com isso. Coma, tem pouco mas vai ser o suficiente para que você não fique fraco. — Depois de muita insistência da loira, Taeyong pegou a lata, rapidamente colocando uma colher cheia na boca.

— É como você disse pra Lisa, tem muita gente agora, temos que economizar na comida. — O garoto disse após mais algumas colheradas, batendo no chão ao seu lado em um sinal mudo para que Jayne se sentasse.

— Economizar não quer dizer ficar sem comer. Eu posso voltar na rodovia e pegar mais coisas, posso explorar a cidade, nós vamos dar um jeito de melhorar a situação, mas não fique se privando de necessidades básicas. — Jayne se sentou, olhando por entre as frestas da janela. Aos poucos, o céu começava a clarear, logo o sol nasceria e seria hora de acordar os outros.

— Você pode ser menos formal comigo, eu não sou alguém rude, só quieto. E não fale “eu posso”, sabe que ninguém aqui deixaria você ir sozinha. — Taeyong colocou a lata vazia no chão, limpando a boca com a manga da blusa. Se sentia melhor ao finalmente comer algo, a cabeça já começando a doer menos do que antes.

— Me desculpe, é o costume. Meu pai era policial, então sempre tinha aquilo de “sim senhor”, “não senhor”, ele sempre ensinou eu e meus irmãos a falarmos de modo formal com os outros, e a sempre dizer os detalhes, talvez seja por isso que eu fale demais. E eu estava pensando em sair agora mesmo, se der tudo certo eu consigo voltar antes do sol nascer. — Jayne fez menção de se levantar, porém Taeyong segurou ambos os ombros da loira, a mantendo no lugar. Sair sozinha pela cidade era o mesmo que cometer suicídio, era impossível saber quantos tinham em cada esquina ou dentro das lojas.

— Espere até que todos acordem, eu vou com você, também quero chocolate. — Taeyong sorriu de modo quase imperceptível, apontando para um prédio a algumas ruas de distância pelas frestas na madeira. — É grande demais para ser algo como a barbearia, mas pequeno demais para ser vários apartamentos ou um escritório de grande porte.

— Se eu entendi seu raciocínio, você acha que pode ser um mercado. — A garota olhou de modo confuso para o edifício, tentando se lembrar se era parecido com alguma loja de conveniência que ela já havia visto.

— Exatamente. O estacionamento provavelmente fica do outro lado, podemos ver se algum dos carros tem gasolina e terminar de encher os galões, não sabemos quando vamos encontrar um posto. — O moreno comprimiu os lábios, pensando no que mais eles iriam precisar e se algum outro lugar próximo poderia ser útil.

— A maioria dos postos estão secos, todo mundo quis abastecer na hora de fugir, vai ser um milagre se acharmos algum que ainda funcione. Não espere encontrar o mercado cheio, boa parte deles foram saqueados, mas a gente ainda pode encontrar algo no estoque. — Jayne se inclinou para frente, ficando com o rosto encostado nas tábuas de madeira. Haviam poucos zumbis pela rua, e provavelmente pela manhã teria menos ainda, já que aparentemente eles eram mais ativos no período noturno.

— Vocês podem calar a boca? A gente resolve isso de manhã quando o sol nascer, agora me deixem dormir porra. — SaeRan jogou o travesseiro nos dois, acertando somente a amiga. A loira pegou o objeto acolchoado, o abraçando e encostando o queixo no mesmo, tentando segurar a risada que no final acabou escapando, fazendo SaeRan resmungar de novo.

 

[...]

 

— Bom dia estrelinhas, a terra diz olá! — Jayne abriu os braços assim que SaeRan se levantou, recebendo um olhar mortal da morena. O sol já iluminava todo o cômodo, tornando impossível dormir com tanta claridade, além do calor crescente, principalmente para aqueles que estavam debaixo das cobertas.

— Pra você que ficou de papinho com o Taeyong e não me deixou dormir direito. Da próxima vez eu jogo uma faca e não um travesseiro. — SaeRan bufou de raiva, soltando algo parecido com um grito quando foi abraçada fortemente por Jayne, não obtendo sucesso ao tentar se soltar.

— É você que não estava cansada demais, porque eu dormi como uma pedra e não ouvi nada. — Johnny se aproximou ainda sonolento, abraçando as duas, o que só irritou ainda mais Saeran que odiava contato físico, ainda mais se fosse afetivo.

— Ela ta morta? — Donghyuck cutucou Lisa na bochecha diversas vezes, se assustando e pulando para trás quando a garota abriu os olhos, lhe olhando de forma nada amigável.

— Eu to viva, mas se você me cutucar de novo, você não vai estar. — Lisa se sentou, estralando o próprio pescoço e se levantando com certo esforço, mas logo foi forçada a se sentar de novo por Jaehyun.

— Sem assassinatos. E pode ficar ai, você ainda precisa descansar. — O garoto de cabelos loiros pegou um dos travesseiros, o colocando atrás das costas de Lisa para que ela ficasse confortável.

— Ela só cortou o braço, não é como se não pudesse andar. — Rose revirou os olhos, cruzando os braços ao ver os outros dando tanta atenção para a morena sem motivo aparente, na opinião dela.

— E se você não ficar na sua, eu corto a sua língua. — Jayne sorriu para a ruiva, que lhe olhou de cima a baixo, rindo com desdém.

— Me sinto até normal de novo, parece mais um daqueles dias na escola onde eu fazia uma piada e vocês ficavam bravos, só que dessa vez não sou eu. — Jisoo colocou um dos braços sobre o ombro de SaeRan, sorrindo vitoriosamente por não ser ela o alvo das ameaças dessa vez, mas logo retirando ao ver o olhar mortal que a menor lhe lançava.

— Vocês falam demais, me sinto em uma feira. E SaeRan não foi a única afetada pela conversa de madrugada, esses dois estavam falando pelos cotovelos. — Sirena estava em um canto com as mãos sobre ambos os ouvidos, os olhos fechados e a respiração pesada, demonstrando que toda a falação estava lhe irritando.

— Estávamos pensando em como alimentar tanta gente. Alguém aqui pensou nisso a longo prazo? Tem doze pessoas aqui, imagina o quanto de comida vamos precisar. — Taeyong arqueou uma das sobrancelhas, fazendo todos olharem para ele. Ele estava certo, com tantas pessoas eles precisariam rapidamente achar mais alimento antes que o pouco que tinham acabasse.

— Já que vocês se dedicaram tanto a atrapalhar meu sono pra isso, nos contem o que pensaram. — SaeRan se encostou em uma parede esperando um dos dois se pronunciar. Jayne olhou para Taeyong, que acenou para que ela falasse.

— Vimos um edifício pela janela e pelo tamanho dele achamos que possa ser um mercado. Basicamente é só isso, mas eu teria que ir em outros lugares também, preciso arranjar remédios melhores, os que temos são muito fracos e eu tenho medo que o machucado da Lisa acabe infeccionado. — A loira cruzou os braços, um sinal mudo de que não se sentia confortável com todos os olhares sobre si, principalmente alguns não muito contentes e outros debochados, como o de Rose.

— Vocês passaram mais de meia hora só falando da porra de um prédio? — Sirena riu de modo irônico, passando as mãos pelos fios claros sem acreditar no que tinha escutado, esperava que pelo tempo que os dois haviam conversado, teriam um plano melhor.

— E gasolina, vamos precisar se pretendemos sair logo daqui. — Taeyong pigarreou, atraindo a atenção para ele. Jayne agradeceu internamente, odiava ser o centro das atenções, ainda mais quando Jisoo estava por perto, pois essa sempre fazia algum comentário desnecessário para lhe irritar.

— Não foi perda de tempo da parte deles, e se o tal prédio for mesmo um mercado, irá nos ajudar muito. Obrigado aos dois, só tentem falar mais baixo da próxima vez, Saeran fica um porre quando ta com sono. — Johnny apertou levemente o ombro da loira para que a mesma se acalmasse, recebendo um sorriso em troca.

— Então, quem vai até lá? Porque eu quero ir. — Jaehyun levantou a mão, se voluntariando a ajudá-los.

— Eu vou. Jisoo pode ficar aqui com a Lisa e a YeoJin, ela sabe se virar, Gahyeon e Rose podem limpar as outras salas, assim poderíamos ter nossos próprios quartos ou usar cada local para guardar um tipo de coisa. — Jayne pegou uma faca e a colocou no cós da calça, procurando por uma bolsa vazia para levar junto consigo na exploração.

— Desde quando você virou líder do grupo pra ficar mandando na gente? — Rose segurou o pulso da loira, a fazendo virar e lhe encarar. Jayne fechou as mãos em punho, arqueando uma sobrancelha enquanto olhava a garota a sua frente, a ruiva mantinha ambas as mãos na cintura, uma expressão debochada e desafiadora, como se estivesse pronta para discutir.

— No momento em que ela colocou os pés dentro da van. — Johnny entrou no meio das duas garotas, temendo que elas pudessem iniciar uma briga. Mesmo que a loira não fosse do tipo de partir para agressão física, ele sabia que ela não ficaria parada se Rose a atacasse.

— Achei que o líder fosse você. — Jayne olhou para o mais alto, franzindo o cenho. Não tinha a mínima intenção de se tornar líder, nem mesmo vice, isso a tornaria responsável por todas aquelas pessoas, se algo acontecesse com eles seria culpa dela, e não era algo que ela queria carregar pelo resto da vida.

— Você acaba de ser promovida a líder, parabéns. — O moreno deu alguns tapinhas nas costas de Jayne, sorrindo amigavelmente para Rose e a puxando para longe dali antes que ela contestasse as decisões do maior.

— E o que eu faço? Quero ajudar também. — Donghyuck cutucou o braço da loira, atraindo a atenção da mesma para si.

— Primeiro, para de cutucar os outros, as pessoas não gostam disso. Você pode ir até o telhado e observar o movimento nas ruas em volta, se uma horda grande se aproxima, só tome cuidado para não atrair os zumbis. Acha que consegue? — Jayne sorriu para o garoto que aparentava ser somente um ou dois anos mais novo que ela, já havia o visto algumas vezes por foto quando Johnny viajava para a casa dos tios durante as férias, mas nunca tinha conversado com o mesmo pessoalmente.

— Eu consigo! Ah, se for possível você poderia procurar por baterias para aparelho auditivo? Sei que não é algo fácil de achar, mas YeoJin realmente precisa dele, por mais que ela negue. — Donghyuck apontou para a irmã que estava sentada ao lado de Jisoo, as duas pareciam conversar animadamente sobre algo, o que fez Jayne sorrir devido a alegria estampada no rosto da criança.

— Eu vou tentar achar, está bem? Se você tiver algum problema enquanto vigia, ou ver muitos zumbis, pessoas, chame o Johnny. Não tente resolver sozinho. — O garoto concordou positivamente, agradecendo a loira e saindo apressado do cômodo para começar a tarefa que havia recebido.

— Como se sente sendo promovida a líder de uma hora para a outra? — Taeyong entregou outra bolsa vazia para Jayne, observando a mesma suspirar pesadamente.

— Sabe quando você ta jogando, e existem várias missões secundárias onde você tem que ajudar os outros personagens? É exatamente assim que eu estou me sentindo. É pressão demais, eu vou falar com o Johnny para ele escolher outra pessoa, isso não é pra mim. — A garota abaixou a cabeça, massageando as têmporas enquanto respirava fundo. Para ela, SaeRan poderia facilmente assumir o cargo de líder, ela sabia como por ordem e comandar as pessoas.

— Você vai se sair bem, e tem a gente pra te ajudar. Não ligue pra Rose, pelo pouco que vi dela, é do tipo que só quer ser protegida sem sujar as mãos. — Taeyong começou a andar em direção a porta, fazendo um sinal para que a loira lhe seguisse. Quanto mais rápido fossem, mais cedo voltariam, e como não conheciam as ruas, era melhor não arriscar ficar muito tempo fora.

— Jisoo mudou um pouco nos últimos dias, ela ainda tem nojo, mas agora consegue se proteger sozinha e pensar um pouco nos outros. — Jayne deu de ombros, vendo uma SaeRan sorridente lhe esperando no final da escada.

— Sendo sincero com você, não acho que eu daria a minha vida por alguém, mas eu me arriscaria. E acho que ter você de volta realmente deixou a SaeRan feliz, eu nunca tinha visto ela sorrir. — Taeyong arqueou uma sobrancelha ao ver a menor parada no último degrau, franzindo o cenho ao ouvir Jayne rir.

— Não é um sorriso de alegria, é algo sugestivo. Me espere na saída junto com o Jaehyun, eu já vou. — A loira parou ao lado da amiga, observando o outro andar para perto da porta, checando de estava com tudo que era necessário para sair. — Qual o motivo desse sorriso?

— Nada, é só que todo lugar que você tem ido desde ontem, Jaehyun parece querer ir também. — SaeRan sorriu largamente, o que lhe deixou com uma aparência um tanto quanto assustadora, como se ela fosse um maníaco pronto para esfaquear sua vítima.

— Eu acho que qualquer um com um bom coração iria se oferecer para acompanhar outra pessoa. Você sabe que não é seguro sair sozinho por aí mesmo que tenha pouco zumbis, nunca se sabe o que pode acontecer. E para de sorrir assim, ta parecendo o gato da Alice. — Jayne segurou ambas as bochechas da morena, as apertando com força, de modo que a mesma parasse de sorrir e fizesse um bico.

— Eu só quis apontar esse fato, ele parece ser um cara legal. Se não for, eu troco de papel nessa peça e corto-lhe a cabeça. — SaeRan se soltou do aperto da amiga, fazendo movimentos com um machado imaginário, como se estivesse cortando algo.

— Sae...Você é louca. Maluquinha. Pirada. — Jayne gargalhou, dando um tapa fraco na testa de Saeran e andando para longe antes que a garota pudesse revidar.

 

[...]

 

— Tem algo além de comida que nós precisamos com urgência? — Taeyong andava na frente carregando um alicate grande caso precisasse cortar as correntes do portão, mas para a sorte dos jovens, a entrada estava aberta e o lugar parecia estar em bom estado. Diversos cartazes com mensagens como “Peguem o que precisarem”, “Tenham uma boa viagem”, “Tomem cuidado e ajudem uns aos outros” estavam pendurados nas paredes ou expostas nas vidraças, fazendo a loira se perguntar se o dono do estabelecimento havia indo embora antes mesmo do caos começar e deixado todos os seus produtos a disposição daqueles que passassem por ali.

— Roupas, pasta de dente e água. Depois quero checar a lavanderia, se formos pessoas sortudas talvez ainda tenha água o suficiente para lavarmos nossas roupas. — Jayne olhou em volta, procurando por qualquer sinal dos zumbis, mas aparentemente o lugar estava completamente abandonado.

— Não acho que nossa sorte chegue a esse ponto, Jay. Mas não custa tentar. — Jaehyun pegou um dos carrinhos de compra, se o lugar estivesse mesmo livre dos infectados, eles poderiam carregar muito mais do que só as mochilas que tinham trago.

— Estamos perto da entrada da cidade, longe do centro, acho que aqui o número de mortos é menor, podemos fazer o nosso próprio mapa e anotar onde já fomos, onde pegamos tudo que é importante e onde ainda falta ir, além de classificar o nível de segurança de cada lugar. — Taeyong sorriu largamente ao encontrar cinco barras de chocolate inteiras em uma das prateleiras, as colocando dentro da bolsa no mesmo instante.

— Achei que não fosse um homem de planos. — Jayne falou um pouco alto, seguindo para o corredor do lado, onde se encontrava os alimentos industrializados como salgadinhos e doces.

— Se vamos ficar a longo prazo precisamos nos programar. Eu sou alguém que faz as coisas no calor do momento, mas nesse caso, nós temos que pensar no futuro, e o único erro que pode ter é sermos surpreendidos por ladrões ou um grande grupo de zumbis. Tem tudo pra dar certo. — Taeyong apareceu no final do corredor que a loira estava com algumas latas de sopa nos braços. — Ouvi dizer que você é vegetariana.

— Não cante vitória antes da hora, o destino não gosta quando as pessoas ficam confortáveis. E eu era vegetariana, consegui passar um ano sem comer carne, mas ontem mesmo antes de sairmos da casa que estávamos eu comi carne de coelho. — Jayne riu sem graça, se sentindo um pouco mal pelo pobre animal, mas era ele ou ela, e a garota não estava nem um pouco afim de passar fome.

— Pobre coelho, que ele esteja em um lugar melhor. — Jaehyun que estava a alguns corredores de distância disse alto, fazendo os outros dois rirem. — Você sempre fala pra gente não brincar com o destino, tem tanto medo assim dele?

— Eu poderia falar disso por um bom tempo, mas resumindo, tenho. Não acho que toda a nossa vida já esteja decidida, senão, do que adiantaria as escolhas? A vida é mais emocionante se você pensar que não sabe o que vai acontecer, que nada é previsível. — A loira continuou a caminhar sozinha por alguns instantes, achado uma escada que levaria ao andar de cima, provavelmente onde ficava o estoque.

— Se você pensar dessa forma, é um tanto quanto assustador, nunca se sabe o que vamos encontrar na próxima curva. — Jaehyun podia ver a garota subir as escadas de onde ele estava, porém o mesmo se encontrava do lado aposto do mercado, totalmente distante de onde a loira estava.

— E é por isso que eu sou uma pessoa de momento. — O barulho metálico que os passos de Jayne produziam enquanto a garota subia a escada lhe chamaram a atenção, o fazendo franzir o cenho. — O que tem ai?

— O estoque. — Jayne gritou para que os dois pudessem ouvir, parando em frente a porta pintada em um tom de azul marinho, a tinta acrílica já começando a descascar. A loira ficou ali por um minuto, observando a maçaneta se mexer, sabia que abrir aquela porta seria uma péssima ideia, pois se fosse alguém precisando de ajuda já teria dito, mas o ser do outro lado somente continuava a se jogar contra o ferro cada vez com mais força e agressividade. Jayne decidiu que seria melhor sair dali, se virando e descendo as escadas a passos rápidos para poder encontrar os outros.

— Vamos embora, eu acho que quem trabalhava aqui se escondeu no estoque. — Antes que a garota terminasse a frase, a porta foi aberta abruptamente, e pelo menos uma dúzia de mortos começaram a marchar para fora, descendo escada abaixo atrás da garota. — Droga.

— Jay, corre pra cá! — Ao ouvir as palavras de Taeyong no final do mercado, a garota começou a correr o mais rápido que podia sem ousar olhar para trás, o olhar do garoto a sua frente já demonstrava que a situação não era das melhores.

— A saída de emergência, vai sair na parte de trás do mercado! — Jaehyun que estava ao lado da porta, se ocupava em colocar o máximo de coisas que conseguia nas bolsas, vez ou outra levantando o olhar para ver se os outros dois ainda estavam muito longe, praguejando conforme o número de mortos os seguindo somente aumentava.

— A gente não pode voltar pra barbearia, eles vão nos seguir, abre a porta e acha outro estabelecimento pra gente se esconder! — Jayne parou por um momento, derrubando um dos carrinhos que estava no meio do corredor para tentar atrasar os zumbis, logo voltando a se mover em direção ao loiro.

— Ta emperrada! — Jaehyun tentava abrir a saída de emergência, mas parecia que algo do lado de fora estava impedindo que a mesma se mexesse. Taeyong, que chegou antes da garota, começou a chutar a porta com toda a força que possuía, obtendo sucesso em abri-la após algumas tentativas.

— Tem uma farmácia do outro lado da rua, o caminho ta limpo. — Taeyong puxou a loira para fora assim que ela os alcançou, pegando o pedaço de madeira que antes segurava a fechadura e o colocando de volta no lugar para atrasar os zumbis. Os três continuaram a correr em direção ao estabelecimento, porém, Jayne parou na entrada, se virando para trás e encarando o caminho de onde haviam vindo, conseguindo ver Donghyuck no alto do prédio da barbearia.

— Jay não fica parada ai! — Jaehyun disse ofegante, enquanto a loira gesticulava na esperança de que o jovem entendesse mesmo daquela distância, mas acabou desistindo e entrando na farmácia juntamente com os outros dois.

— Normalmente tem um quartinho onde eles guardam os remédios mais caros ou que precisam de receita para serem vendidos. — Jayne foi para a parte de trás da loja, achando um chaveiro ao lado da caixa registradora.

— Aqui, rápido. — Taeyong segurava a maçaneta pronto para abrir a porta assim que a garota destrancasse, enquanto Jaehyun segurava uma faca caso tivesse algum zumbi lá dentro.

— 1, 2, 3, agora! — Jayne abriu a porta, e no mesmo instante um homem que não aparentava ser muito velho saiu de dentro, os braços esticados pronto para agarrar um dos jovens, mas antes mesmo que ele tivesse a chance, Jaehyun enfiou a faca no topo de sua cabeça. Taeyong foi o último a entrar na salinha, a tempo de ver a saída do mercado ser aberta e os mortos começarem a sair, prontos para caçar suas presas.

— É por isso que eu digo que o destino não gosta quando as pessoas ficam confortáveis demais. Tava tudo muito calmo, era óbvio que ia dar merda. — Jayne encontrou uma cadeira de metal e a colocou encostada na porta, se sentando em seguida. Precisava de um tempo para se acalmar e voltar a respirar normalmente, o coração acelerado devido a adrenalina e a corrida.

— Por sorte você foi checar o estoque, senão nós só iríamos perceber quando fosse tarde demais. — Jaehyun colocou as mãos sobre ambos os joelhos para se apoiar, inspirando profundamente, e mesmo diante da situação tensa, o garoto tinha um sorriso nos lábios. — E agora, o que a gente faz?

— A gente senta e espera, vamos torcer para que Donghyuck tenha visto a Jayne, ele vai avisar ao Johnny que estamos presos aqui e quando for seguro ele virá nos buscar. — Taeyong se sentou no chão, retirando uma das barras de chocolate de dentro da bolsa e começando a comer, fazendo uma expressão de satisfação mesmo que boa parte estivesse derretido.

— Algo me diz que vai demorar um pouco, então sintam-se em casa. — Jayne tombou a cabeça para trás, fechando os olhos com força enquanto tentava pensar em algo.
Ainda era de manhã, se tivessem sorte poderiam sair antes mesmo do sol se pôr, caso contrário teriam que ficar ali até amanhã. Era possível correr por entre os mortos e voltar para a barbearia, mas os zumbis iriam segui-los, e devido a grande quantidade era bem possível que conseguissem derrubar a porta e talvez até mesmo quebrar as tábuas que cobriam as janelas do primeiro andar.

— Para de pensar um pouco, é como você tivesse, vai demorar pra gente sair daqui, então para de se preocupar só por um momento. — Taeyong ofereceu um pedaço do chocolate para Jayne, que sorriu levemente e aceitou, se sentindo mais calma após comer o doce.

Para a sorte dos três jovens, Donghyuck havia visto Jayne, só realmente entendendo o que estava acontecendo quando os mortos tomaram a rua, vagando sem rumo em uma tentativa de encontrá-los, dois deles até mesmo chegaram a entrar na farmácia, ficando parados como se fossem dois cães de guarda, ou caçadores somente esperando que a presa tomasse o primeiro passo. O garoto entrou para dentro do edifício correndo, precisava achar Johnny o mais rápido o possível, antes que os mortos achassem eles.


 

O destino não é uma questão de sorte, mas uma questão de escolha; cada pequena ação gera uma consequência, e até mesmo o mínimo detalhe pode ser capaz de causar uma grande catástrofe.

 



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