História Decifra-me ou devoro-te - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Ino Yamanaka, Sakura Haruno
Tags Sakuino
Visualizações 94
Palavras 785
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Capítulo único


Lírios negros, girassóis, e uma única higanbana. Aquele era certamente um buquê incomum.

Ajudando desde criança na floricultura da família, Ino Yamanaka sabia sobre inúmeras combinações e seus significados. Rosas vermelhas eram sempre as mais populares, indicativo de paixão; camélias também eram frequentes, tanto as vermelhas que simbolizavam amor, quanto as amarelas, para saudade. Os buquês de enterro consistiam em crisântemos e cravos amarelos, quase sempre, ou até mesmo higanbana misturadas às flores fúnebres. Ela sempre fazia o que podia para ajudar os clientes a escolherem conjuntos que fossem harmônicos em significado e em aparência, já que muitas vezes percebia ideias megalomaníacas nas mentes dos clientes; lembrava-se bem de uma noiva que, em pleno inverno, queria ervilhas-de-cheiro amarelas, um pedido não apenas difícil como impossível até mesmo. Ervilhas-de-cheiro amarelas são apenas uma lenda, como as rosas azuis, e teria que tingi-las artificialmente... Isto é, se conseguisse achar uma planta de verão nativa do Mediterrâneo em pleno inverno japonês. Acabou conseguindo dissuadi-la dessa ideia, por fim, com a sugestão de um preço nada amigável. Que diabo de ideia também, pensava toda vez que lembrava dessa anedota, um buquê de casamento feito de flores que significam adeus.

Mas aquilo não era importante agora, e todas essas histórias cruzaram vagamente sua cabeça enquanto arrumava aquele estranho buquê. Na verdade, não sabia se era mais estranha a combinação de flores, ou a pessoa que as pedia. Sakura Haruno era alguém que conhecia de vista, apenas, e se havia uma pessoa que jamais imaginara que pudesse estar ali, esse alguém era ela.

Ela era figura conhecida no colégio onde estudavam, mesmo que quase nunca estivesse presente nas aulas. O seu comportamento de turista apenas acentuava o mistério sobre sua personalidade, e no fundo, tinha a impressão de que Sakura se divertia com isso. Rumores sobre ela eram frequentes: como alguém que nunca estava presente nas aulas sempre se saía bem nos testes? A resposta do corpo estudantil era que ela tinha casos com diversos professores... Ou segredos obscuros demais que serviam para chantagem. Apesar de reprovamento por faltas existir, isso nunca foi um problema para ela, e nem mesmo a diretora Tsunade se pronunciava sobre. Por baixo daquele riso debochado que esporadicamente aparecia pelo colégio, havia um grande enigma a ser descoberto. Havia algo de quase felino naqueles olhos verdes, e Ino simplesmente desviava o olhar para o buquê tão exótico que preparava. Não fazia ideia do porquê Sakura Haruno estava ali, uma presença que tanto destoava do ambiente: seus jeans pretos rasgados, somados a uma camiseta preta desbotada e surrada, assim como o rosto com restos de maquiagem escura ao redor dos olhos, eram diametralmente opostos ao que a pequena floricultura suburbana representava.

— São mil ienes. — Ino disse, fazendo um laço no buquê. A outra estendeu duas moedas de quinhentos ienes em silêncio. A curiosidade era maior do que podia aguentar, e teve que fazer a pergunta que desejava — Você... Sabe o significado dessas flores?

Sakura respondeu com naturalidade. — Sei.

Ela saiu da loja sem dizer outra palavra sequer. Por mais que a Yamanaka esperasse encontrá-la na aula no dia seguinte, ela não apareceu. Nem no dia posterior, mas no terceiro dia, finalmente deu o ar da graça. Trazia um buquê nas mãos, que Ino imediatamente reconheceu por sua singularidade, e que foi guardado no armário da Haruno, num vaso cheio d'água. Rumores corriam sobre a origem do buquê, mas nenhum deles soube sobre os beijos com gosto de cigarro, após o fim das aulas na quadra. As mãos de Sakura eram sempre tão frias que causavam-lhe arrepios. Em público, elas não se falavam, nem mesmo trocavam olhares. Nenhum deles jamais soube de nada.

A cada semana, um novo buquê, exatamente como aquele primeiro. As flores eram mantidas em um vaso com água dentro do armário de Sakura, da segunda até a sexta-feira, e após algum tempo, desistiram de tentar entender o porquê das flores, ou mesmo da frequência assídua às aulas. Ela era Sakura Haruno, afinal, a mulher dos segredos, e tentar decifrá-los era uma perda de tempo; seriam devorados antes mesmo de arriscarem um palpite. Mesmo com a intimidade que tinham entre seus corpos, Ino não arriscava dizer que a conhecia por completo, ou mesmo que conhecia qualquer coisa sobre ela.

Até que uma semana de verão, não houve buquê algum. Três faltas seguidas, e na quinta-feira, uma mensagem fatídica. Uma única higanbana sobre a mesa de Sakura. Segundo os boatos, ela havia mudado de escola, problemas familiares, disseram. Talvez Ino já soubesse, desde o começo, que estavam fadadas a partirem por caminhos distintos. Aquele amor era uma maldição. Chorou lágrimas silenciosas pelo adeus gestual e tão peculiar, e jurou jamais vender buquê igual a pessoa alguma.


Notas Finais


Sim, yuri... Eu shippo Sakuino levemente, hihi.

NOTAS
* "Decifra-me ou devoro-te" é a frase mais célebre da Esfinge de Édipo Rei.
* Na linguagem das flores (hanakotoba), girassóis representam respeito e amor; lírios negros significam simultaneamente amor e maldição; higanbana são flores típicas de cemitérios, que simbolizam abandono, memórias perdidas ou dois amantes que jamais se encontrarão de novo.
* 1000 ienes equivalem a mais ou menos 29 reais.


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