História Declared Enemies - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Tao
Tags Baekyeol, Chanbaek, Comedia, Exo, Romance
Exibições 64
Palavras 7.130
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Capítulos vindo rápido porque já escrevi vários. Este é bem grande!
Boa leitura :3

Capítulo 6 - O rapto do gato


Fanfic / Fanfiction Declared Enemies - Capítulo 6 - O rapto do gato

Baekhyun

Houveram risinhos, mas ninguém se acusou. Depois dizem que eu é que sou infantil.

– MUUUUAHAHAHAHAHA – Riu Lay como se fosse um monstro.

– Não faz isso! Eu tenho medo de escuro. – Reclamou Luhan com a voz trêmula.

– MUUUUUAHAHAHAHAHAHAHAHAHA – A gargalhada patética e tenebrosa agora veio de Chanyeol. Quanta imbecilidade.

Bem, eu não ia ficar parado ali a noite inteira. Dei alguns passos lentamente para frente sem enxergar nada, tentando apalpar alguma
coisa.

Chanyeol

Eu ainda continha a risada por alguém ter passado a mão na bunda do Kris. Foi muito engraçado vê­-lo gritar. Mas eu não estava satisfeito em ficar parado. Eu queria aproveitar o escuro para beijar Min Ah, a garota que eu tinha conhecido na boate, descobri que ela havia colocado seu número em meu bolso e liguei, eu admito que estava parecendo um idiota fantasiado de Baekhyun, mais isso era bom pra fazer a gata rir e passar uma boa impressão e tava dando certo, aquele momento seria perfeito para isso. No escuro, eu a agarraria com força, ela não iria resistir, e ninguém ficaria sabendo. Me aproximei de onde ela estava a poucos segundos atrás.

Lay

Eu tinha certeza que o viadão do Chanyeol tinha passado a mão na bunda do Kris, só podia ser ele, pois eu nem me mexi e Sehun jamais faria isso.

Ah caraca, ele pode se divertir e eu não? Eu quero dar uma dedada em alguém e minha vítima vai ser a Min Ah, ela é mesmo gostosa. Quero dar dedada, quero dar dedada!

Kris

Temi que a mão que passaram na minha bunda a poucos segundos atrás fosse a de Luhan, por que ali, de todos presentes, meu primo era o único que eu tinha certeza que jogava no outro time, mesmo assim era estranho, afinal, era o Luhan... Fiquei curioso.

Continuei no local onde eu estava antes do apagão sem me mexer, esperando que o culpado tentasse de novo e quando ele viesse, eu estaria pronto para me defender.

Luhan

Ai, como eu odeio escuro! É tão estranho, eu tenho certeza que tem um fantasma aqui. Se eu ver um vulto branco, vou enfartar e ninguém vai perceber nessa escuridão. Mas, e se eu abraçasse o Sehun? Será que ele me abraçaria de volta? Será que ele me protegeria? Só vou saber tentando, afinal está escuro, ele não poderá ver minha cara ruborizada.
Caminhei, trêmulo, em direção ao local onde Sehun estava antes da luz sumir.

Sehun

Estou com pena do Luhan, ele realmente parecia assustado com as gargalhadas dos meus irmãos. Por que eles são tão idiotas? Quando eles vão crescer? Ainda estou com o copo de cerveja que Chanyeol me pediu para segurar antes de ele começar a imitar Baekhyun. Estou morrendo de sede, mas não vou beber no mesmo copo que ele. Sabe quantas bactérias tem aqui, se proliferando tão perto das minhas mãos? Nojo!

Foco, Sehun, foco! Eu preciso me aproximar do Luhan e lhe dizer para não temer, que logo a luz retornará. Dei um passo para frente, tentando acha-­lo.

Ji-Sub

Su-Ji e eu já estávamos voltando para a sala. Encontrei apenas uma lanterna, mas ela estava falhando, talvez bateria fraca, não sei. Quando chegamos na sala, ela apagou novamente. Tinha sido a quarta vez que ela apagava desde que a encontrei. Ouvi risos e gemidos na sala. Logo me apressei, chacoalhando a lanterna pra ela voltar a funcionar. Queria poder ver o motivo da barulheira. A lanterna finalmente acendeu, e apontei para o meio da sala.

– Ai meu Deus! – Gritou Su-Ji ao meu lado.

Meus olhos quase saltaram para fora ao ver Lay dando uma dedada no traseiro do Luhan que gritou assustado e lhe deu um tapa. Kris era o único sozinho, parecia esperar para atacar alguém. Sehun parecia horrorizado, enquanto Min Ah prendia as mãos dele contra seus seios lhe tentando beijar, e, para completar, Chanyeol estava... estava... beijando o Baekhyun?

A luz voltou de repente, e tudo ficou mais claro.

 

Baekhyun

Tudo agora ficou claro. Só aí eu vi que o tarado que me segurava, quase quebrando meus ossos, era Park Babacão Chanyeol, que ainda mantinha os olhos fechados.

AI, MEU DEUS, EU QUERO MORRER!

Ele tentava invadir a minha boca com aquela língua nojenta, e eu não permiti, cerrando os lábios fortemente. Eu queria gritar, mas só
saía um gemido abafado, já que minha boca estava tapada com os lábios imundos dele, com tanta força, que chegava a doer. As risadas altas à nossa volta fizeram o tarado do Park abrir os olhos e, ao me ver, pulou para trás com o rosto pálido, como se tivesse visto um fantasma.

Chanyeol

Eu ia ter um AVC a qualquer momento, ainda não podia acreditar no que os meus olhos viam. Eu estava beijando o pirralho do Baekhyun? Pulei para trás, ofegando e querendo que o chão se abrisse embaixo de mim.

– AAAAAAAAAAHHHH A MINHA BOCA! ECA, ECA, ECAAAAAAAA! – Ele gritou furioso, correndo para a cozinha. Todos o seguiram, ainda rindo de sua reação. Eu não fiquei para trás. Me arrastei, acompanhado eles.

Estava imensamente constrangido e não sabia como iria explicar aquele beijo. Se é que se pode chamar assim, pois nem mesmo consegui colocar a língua dentro da boca dele. O que era um alívio. Ufa, graças ao bom Deus!

Quando cheguei na cozinha, ele já lavava a boca na pia com muita água e detergente de louça. Que exagerado! Certo que eu também
não havia gostado de beijar o pirralho, mas também não era motivo para tanto escândalo. Me senti um pouco ofendido, não entendi aquilo. Afinal eu não tinha nenhuma doença. Baekhyun virou­-se para nós com a camisa molhada, e seu rosto estava mais vermelho do que de costume. Só aí percebi que não era raiva, e sim, vergonha. Nos encaramos por um segundo, então ele começou...

– Ji-Sub, bate nele! Ele me agarrou a força! – Esbravejou o Byun apontando para mim.

– Foi um acidente e tecnicamente, foi você quem me agarrou, pois ainda sou você, lembra? – Me defendi zombando.

– Ele tem um pouco de razão... – Respondeu Ji-Sub segurando o riso.
Baekhyun bufou inconformado com a resposta de seu pai. Sinceramente, fiquei confuso quando a vi enchendo um copo com água da torneira, mas me mantive apenas observando.

– Já que é assim, nunca mais faça aquilo, Baek! – Falou ele, jogando a água na minha cara.

PERFEITO.

Agora eu também estava encharcado e pronto para outra discussão, quando Ji-Sub interrompeu, com a pergunta mais constrangedora
da noite.

– O que foi aquilo que todos vocês estavam fazendo na sala?

Eu, meus irmãos e os garotos Byun começamos a berrar, todos ao mesmo tempo, nem mesmo eu conseguia me ouvir, quem dirá
Ji-Sub, que ficou impaciente.

– Parem!

Todos se calaram, mas a última frase ecoou no ar:

– ...porque eu só queria dar uma dedada! – Aquilo só poderia ter saído da boca do Lay.

– Meu filho, que coisa feia de se dizer na frente dos meninos! Eu não lhe eduquei assim! – Disse nossa mãe séria.

– Desculpe! – Falou Lay em um fio de voz, tirando seu fiel boné preto da cabeça e colocando-­o no rosto.

Sehun e eu rimos.

– Olha, eu e Su-Ji respeitamos qualquer que seja a opção sexual de vocês e o que quer que vocês gostem de fazer mais... sinceramente, se as explicações vão ser desse tipo, eu prefiro nem ouvir, ou não vou conseguir dormir. Só, por favor, não aprontem mais. – Pediu Ji-Sub, com uma mão na testa. Coitado, acho que ele estava pensando que havíamos iniciado uma suruba no escuro.

XXX

No dia seguinte me sentia ótimo, não precisava ser mais Byun Baekhyun e já podia vestir minhas próprias roupas. A ideia de terapia da
minha mãe foi um verdadeiro fiasco, provavelmente não haveria nada no mundo que fizesse eu e Baekhyun convivermos juntos, sem brigas
e catástrofes. Mesmo Su-Ji, tendo que admitir que seu plano foi uma má ideia, estava animadíssima. Ela passou a manhã inteira na cozinha, preparando um almoço especial para Ji-Sub, mas não só um almoço, seria seu primeiro almoço. Ela me falou que prepararia uma macarronada, uma receita antiga que aprendeu com sua mãe, ela sempre fazia para nós, mas Ji-Sub nunca havia provado. Era bom ver minha mãe tão feliz. Quase todos nós já estávamos à mesa esperando o almoço ser servido, o sorriso estampado no rosto de Ji-Sub era de pura paixão.

Aos poucos, eu estava percebendo o quanto aquele casal se amava. Minha mãe ainda se arrumava em seu quarto. Ela deveria estar muito nervosa, pois nunca demorou tanto para se produzir. Uma coisa me incomodava, mas eu não queria deixar transparecer: a ausência de Baekhyun. Não que eu me importasse com o pirralho, mas temia que ele estivesse aprontando alguma por aí. Para o meu alívio, Baek chegou correndo na sala de jantar, sentou-­se ofegante na mesa e não me encarou.

– Muito bem, quem está com fome? – Perguntou Su-Ji adentrando o cômodo contente.

– Eu! – Gritaram Lay e Baekhyun ao mesmo tempo. Hum, que estranho. Su-Ji fitou Baek com um enorme sorriso. Quase gritei: “mãe, não se iluda”, porém me mantive apenas analisando. Minha mãe adotiva logo voltou da cozinha com uma enorme travessa de macarronada. O sorriso de orelha a orelha iluminou a sala de jantar. Ela fez questão de servir cada um de nós. Lay praticamente salivava em frente ao prato.

– Não comam ainda. Deixem Ji-Sub provar primeiro. – Pediu ela. Consentimos, vendo Ji-Sub pegar o garfo e enrolar o espaguete. Baek me pareceu apreensivo demais, fitando seu pai. Ele nem mesmo piscou os olhos.

Ji-Sub colocou o espaguete na boca, sorriu e começou a degustar. Por um segundo, ele parou de mastigar e colocou um guardanapo
na frente da boca. Podia jurar que seus olhos começavam a lacrimejar.

– Hum, delicioso.

– Comam. – Incentivou minha mãe.

Assim como os outros, logo coloquei um garfo cheio na boca. A sensação foi horrível! Todos nós praticamente cuspimos a comida ao
mesmo tempo. Não dava para engolir, o molho do espaguete tinha gosto de esgoto. Mesmo bebendo muita água, o gosto terrível não
saía da boca. Podia jurar que ali havia boldo, leite estragado, pimenta e creme dental. Como consegui sentir? Não sei, apenas senti e fiquei enjoado.

– O que foi? Não gostaram? – Perguntou Su-Ji assustada.

– Espera! Deixa eu provar! – Falou Baekhyun risonho. Ele colocou uma quantidade minúscula na boca e logo depois também cuspiu o espaguete, dizendo:

– MEU DEUS, NÃO ACREDITO QUE ME DEIXOU COLOCAR ISSO NA BOCA! A MORTE DEVE TER ESSE GOSTO. QUER ENVENENAR MEU PAI, SUA PIRADA?

– Baek, não fale assim com a Su-Ji! – Respondeu Ji-Sub alterando-­se. Su-Ji nos olhou já com lágrimas nos olhos, saiu correndo e Ji-Sub a seguiu.
O maldito Baekhyun sorriu satisfeito para mim. Eu nunca bati em ninguém que era mais fraco que eu, mais realmente tive vontade de socar Baekhyun. Era claro como o dia que Baek havia estragado o almoço de minha mãe, pois Su-Ji nunca errou ao fazer aquela receita. Luhan e Sehun olhavam para o garoto chocados. Kris, indiferente, saiu da sala de jantar e Lay... continuou comendo, não sei como. Lancei para o filho do capeta meu olhar mais raivoso a ponto do meu olho esquerdo tremer. Ele ignorou e saiu saltitando para fora da sala de jantar.

– Fica frio Chanyeol, não vale a pena se estressar... – Interviu Sehun, colocando uma mão no meu ombro na tentativa de me acalmar. Mas não ia adiantar; aquele garoto havia passado dos limites. Uma coisa era aprontar comigo e meus irmãos, outra era fazer Su-Ji chorar. Levantei-­me, quase virando a mesa, e subi para o meu quarto. Bati a porta com força e soquei uma parede. Eu já sabia o que fazer, sabia que não ia ter como fugir. Eu iria ser tão insensível e estúpido quanto Baekhyun. Se ele queria alguém para confrontar, esse alguém seria eu e não Su-Ji.

Desci as escadas em uma velocidade que não sabia ser possível, fui até um dos armários de limpeza, peguei um balde e fui para o jardim. Enchi o balde com água da piscina e marchei em direção à varanda onde Baekhyun estava sentado, de costas para mim, com seu gato no colo. Provavelmente saboreando seu recente feito.

Baekhyun virou-­se para me encarar confuso. Não podia esperar nem mais um segundo, eu tinha que por a raiva que eu sentia para fora.

– Byun Baekhyun, seu pirralho mimado! Você não sabe com quem se meteu. Só porque você é filho do Ji-Sub, eu não vou permitir que você apronte por aí com todo mundo, se é guerra que você quer, é guerra que você vai ter! – Minha voz saiu grave e em um tom de fúria que eu raramente usava.

– Ha, ha, ha! Que foi, Park Orelhas? Tá com raivinha, é? Você é grande, mas não é dois, eu encaro!

– Encara isso! – Falei jogando toda a água no pirralho dos infernos. Ele ficou chocado e engasgando, enquanto eu me afastava. Aquilo havia sido apenas um aviso de que eu estava PRONTO PARA A GUERRA. Byun Baekhyun havia comprado uma briga que nunca iria vencer.

Só depois que soube que minha mãe estava melhor, eu finalmente me acalmei. Minha explosão havia passado e eu estava pronto para
começar a colocar os planos, que demorei duas horas bolando, em prática.

XXX

Lay e eu carregávamos pelo jardim escuro uma escada. Nosso objetivo? Invadir o quarto do Baekhyun e sequestrar seu amado gatinho. Eu já tinha bons planos para ele (nada que o fizesse mal, claro).

– Chanyeol, tem certeza que ele não está ai? – Perguntou Lay, segurando a escada enquanto eu subia alguns degraus.

– Sim, ele está implicando com Luhan na cozinha. Não se preocupe, vai dar certo. – Afirmei sorrindo. Adentrei o quarto pela janela que estava aberta. Quando coloquei os pés no cômodo, me perguntei se havia entrado no quarto certo. O quarto do Byun mais parecia o quarto de um garoto rebelde. Pôsteres de bandas de rock na parede, revistas de motociclismo
espalhadas pelo chão e uma cama bagunçada. Me surpreendi por não ver nenhum revista de homem pelado, afinal, aquele garoto tinha tudo para jogar no outro time.

Logo avistei o gato preto do meu inimigo, deitado na cama. Estava prestes a me mover para pegá­-lo, quando ouvi um barulho atrás de mim. Virei-­me só para constatar que era Lay entrando pela janela. Revirei os olhos.

– Não era para você ficar vigiando lá embaixo? – Perguntei, já bufando.

– Era? Você não falou nada! – Falou ele com cara de idiota.

– Não precisava, estava implícito!

– Ei, ei... tive uma ideia, vamos roubar todas as cuecas dele! – Disse o animado Lay, sentindo­-se inteligente enquanto sorria.

– Aquela coisa provavelmente usa calcinha. Vamos pegar logo o gato e dar o fora daqui. – Caminhei em direção ao bichano que dormia na cama. Peguei o gato pronto para sair dali rapidinho. – Anda Lay, vamos sair daqui!

– Então pula você primeiro!

– Pular? Desce pela escada, cara! – Indiquei a janela.

–Que escada?

– Droga Lay, a escada que você estava segurando!

– Ah, essa escada? Eu empurrei ela com o pé quando subi na janela. Você sabe, para não deixar rastro. – Ele piscou sorridente.

– VOCÊ... O QUE!?

Corri para a janela, coloquei a cabeça para fora e lá estava a escada no chão do jardim. Precisei contar de 1 até 10 para não jogar Lay janela afora.

– Muito bem, seu lezado! E agora, o que a gente vai fazer? – Quase gritei.

– Como eu ia saber que ainda íamos precisar dela? – Murmurou, cruzando os braços.

Arregalei os olhos na mais pura descrença. Como ele podia fazer uma pergunta daquelas?

– Você tem razão Lay, não precisamos da escada. AFINAL, A GENTE VOA! – Aumentei a voz nas últimas palavras, chegando ao meu limite.

Meu irmão burro deu de ombros e jogou­se na cama de Baekhyun, enquanto eu me forçava a pensar em um jeito de sairmos dali, já que a janela era muito alta para pular.

– Calminha Chanyeol, ou você pode ter um derrame do coração...

Mesmo amando meu irmão, tinha horas que eu queria simplesmente mata-lo lentamente. Eu estava uma pilha. O dia tinha sido estressante e agora estávamos presos no quarto do pior garoto do mundo. O que mais poderia acontecer de desastroso na minha noite?

Passaram-se 33 minutos contados no relógio, e eu não havia tido nenhuma ideia para nos tirar daquele quarto. Eu temia que Baekhyun entrasse no quarto a qualquer momento, fizesse um escândalo e Ji-Sub pensasse ainda mais que éramos pervertidos, pois ficamos em maus lençóis com a história do apagão.

– Ah cara, estou ficando com fome, será que o Baek não guarda nem um chocolatinho aqui? – Perguntou Lay entediado abrindo a gaveta do criado mudo.

Mesmo estando distante, notei uma caixinha azul bebê dentro da gaveta. Aquilo me chamou a atenção, pois não havia nada no quarto de Baekhyun que não fosse preto ou azul escuro.

Tomei a frente de Lay, ignorando seus protestos e peguei a caixinha azul. Era incomum, do tamanho de uma caixa de sapatos e o nome de Baek estava escrito na tampa com tinta. Tive vontade de rir, aquilo não era nada a cara dele, era infantil demais para alguém como o Byun. Não resisti e abri, sentando-me na cama. Me surpreendi ao ver fotos antigas, um cordão de prata com pingente em formato de estrela, mas o fecho estava quebrado como se houvesse sido rompido. E, no fundo da caixa uma carta. Ergui uma sobrancelha ao ver uma foto de Baek bem mais jovem, deveria ter uns 12 anos. Ao seu lado uma mulher muito bonita que logo deduzi ser sua falecida mãe. Su-Ji havia me dito, semanas atrás, que a mãe de Baekhyun morreu muito cedo, mas ela não me contou o motivo de sua morte. Baek tinha um sorriso estampado em seu rosto tão verdadeiro, diferente dos sorrisos sarcásticos que eu estava acostumado a ver. Sua aparência também era diferente, cabelos mais curtos, óculos de grau e, pasmem, usava um macaquinho. Ele até que parecia uma criança bem normal. Tentei imaginar quando foi que ele virou o encapetado que é atualmente. Larguei a foto dentro da caixa e peguei a carta, quase me queimando de curiosidade. Seria algo que eu poderia usar contra ele?

Logo nas primeiras palavras, notei que era uma carta de sua mãe:

“Para meu querido Hyunnie:

         Filho, quero que leia o que eu tenho a dizer, pois existem coisas que você precisa saber e tenho medo de não haver tempo para lhes dizer mais tarde. Quero que você saiba que sempre esforcei-me muito para lhe possibilitar o melhor, e se caso eu tenha falhado em algum sentido, peço-te hoje nessa carta que me perdoes.

Não é muito fácil ser mãe, sempre quis o melhor para você meu filho, que não sofresse, que não chorasse, não sentisse medo, não sentisse frio nem fome, e nesta tentativa incessante de poupá-lo de tudo no mundo, acabei por torná-lo um tanto frágil e hoje sofro muito quando os outros estranhos te machucam e te magoam.

Mas existe outras coisas que quero que saibas... Que você é muito especial para mim e que te amo muito meu filho e que todos os dias rezo para que tenhas sempre saúde e forças para encontrar a tua felicidade seja ela qual for e onde quer que seja.

Eu te peço que nunca permita que as outras pessoas te diminuam, lembre-se sempre de nossa coragem, nossa luta, nossa união, do nosso amor e siga sempre o que disser o teu coração e só assim estará sempre no caminho do bem.

Te amo profundamente. Byun Hyun Soo”

Fiquei alguns segundos apenas segurando a carta, tentando encaixar a vida de Baekhyun naquelas frases escritas por alguém que parecia o amar tanto. Por mais que ele tivesse sofrido com a morte prematura de sua mãe, não justificava as atitudes imaturas e egoístas dele. Baekhyun com certeza sentia falta de Hyun Soo, mas isso não era motivo para infernizar a vida das outras pessoas. Eu, Lay e Sehyun vivemos grande parte da nossa infância em um orfanato, rejeitados, como as outras crianças que lá estavam, e não usávamos isso como desculpa para sermos rebeldes. Por mais que eu tivesse ficado sensibilizado pela carta, sabia que não poderia ceder na minha guerra contra o Byun, afinal ele nunca cederia, nunca pararia, nunca desistiria de tentar acabar com a felicidade de Su-Ji. Eu tinha que continuar minha guerra, que só havia começado e aquela carta em nada mudou minha opinião sobre Baekhyun, ou meus planos.

Baekhyun

Luhan preparava um sanduíche, e eu apenas observava, sentado à mesa da cozinha.

– anjfdnjdnf  – Ele murmurou algo que eu não entendi.

Eu até queria lhe dar atenção, mas não estava com saco. Essa noite era uma daquelas noites que eu me sentia absolutamente sozinho.

Eu até poderia estar no meio de um estádio lotado, ainda assim me sentiria sozinho. Suspirei, lembrando-me de Hyun Soo, do seu sorriso, dos seus olhos, mas a lembrança do calor de seus abraços era algo que parecia ter se dissipado com o tempo.

Eu não sei porque me lembrei do meu 13º aniversário, o dia mais triste da minha droga de vida. Eu até poderia ver a cena, eu, Kris e Ji-Sub em volta de um pequeno bolo, à luz das poucas velas, iluminando a sala de nossa casa em Busan e o som de um telefone tocando.

Quando o telefone tocou, eu não sabia o que era, eu ainda não sabia que minha vida nunca mais seria a mesma. Observei em silêncio Ji-Sub agarrado ao telefone, enquanto suas lágrimas caíam por seu rosto perfeito.

A sensação de algo quebrando-se dentro de mim era quase audível, e tudo se apagou à minha volta, como se o mundo tivesse perdido seu brilho. Saí correndo da sala, corri sem direção. Apenas corri e corri, minhas pernas, após algum tempo, foram perdendo a força e eu me encontrava em uma rua deserta no nosso pacato bairro em Busan. Finalmente parei sem fôlego, sem vida e caí sobre minhas pernas exaustas. Só aí as lágrimas finalmente vieram e não vieram sozinhas. Os gemidos cortavam-me o peito ao saírem. Chorei como nunca havia chorado antes, chorei a morte da minha mãe, chorei o fim da vida perfeita que tínhamos. Chorei até meus olhos arderem e minha boca ficar totalmente seca. Por um impulso, puxei do meu pescoço o cordão de prata que era de Hyun Soo, o cordão que eu tanto amava. Eu não poderia usá-lo por mais nem um segundo, pois só me fazia lembrar que ela não estava mais comigo. Eu não sei quanto tempo passei ali, pois não conseguia enxergar nada além da minha própria dor.

Senti braços frios em minha volta. Braços que eu conhecia, os braços do meu pai. Ele me segurou firme e me ergueu do chão. Coloquei meus braços em volta do seu pescoço e ele começou a caminhar. Eu não queria olhar em seus olhos, temendo que se o fizesse, o veria sofrer pela morte do amor de sua vida. A outra parte de mim não resistiria e também sucumbiria. Ainda assim, eu podia ouvir os soluços vindo dele, soluços que eu jamais esquecerei.

Aquela noite eu chorei. E no dia seguinte também, só parei quando li uma carta que minha mãe havia me escrito, uma carta que ela me entregaria quando chegasse em casa naquele dia, uma carta de força. Eu li aquela carta como se minha vida dependesse dela, e a força e o amor que ela me passou através daquelas linhas, me fizeram resistir a dor daquele momento. Eu reli a carta várias e várias vezes seguidas, tentando gravar cada conselho no meu partido coração. Então desde aquele dia, eu nunca mais chorei, nunca mais mostrei fraqueza, nunca mais fui o mesmo.

Se minha mãe queria que eu fosse um guerreiro, eu seria. Se ela desejava que eu enfrentasse um leão por dia, eu enfrentaria. Do contrário, eu me perderia em tanta dor, morreria lentamente de tristeza. Eu estava pronto para me transformar em um Baekhyun forte, um Baek que sobreviveria.

Engoli seco, ouvindo Luhan murmurar meu nome, mas não dei importância. Saí da cozinha e fui, quase que correndo, até o quarto de Ji-Sub. Queria abraça-lo, queria sentir que ele ainda era o mesmo Ji-Sub que me carregou naquela noite triste em Busan. Bati na porta do quarto e ele prontamente abriu. Não pensei, não falei, apenas o abracei. Ele me segurou forte em silêncio, eu podia sentir emoção em seu abraço. Eu podia sentir vestígios do meu Ji-Sub, mas a voz irritante de Su-Ji me fez recuar. Ouvi ela me perguntar se eu estava bem, mas eu não queria perguntas, eu não queria Su-Ji, eu apenas queria meu pai. Por isso eu a odiava tanto. Por isso eu a queria longe da minha vida, pois ela estava usurpando o lugar de Hyun Soo, não só na vida de Ji-Sub, mas no restante da minha família.

Saí correndo, enquanto Ji-Sub chamava e fui para a sala de música. Lá ninguém me encontraria, lá ficaria sozinho.

Chanyeol

Peguei outra foto, e nessa Baek estava mesmo engraçado. Usava um conjuntinho estampado de ursos, trancinhas no cabelo e um sorriso abobalhado. Eu gargalhei e isso chamou a atenção de Lay, que ainda procurava alguma comida no quarto.

– Que foi? – Perguntou ele confuso.

– Olha só essa foto, cara! – Mostrei e ele caiu na gargalhada.

– Isso é o Baekhyun? – Perguntou, pegando a foto de minhas mãos.

– Bem que podíamos fazer alguma coisa com essa foto aí... – Falei, enquanto colocava a caixa azul de volta no seu lugar.

– Hu­Hu... sabe o que a gente podia fazer? Fundar um clube chamado Eu odeio Byun Baekhyun.

– Cara, de onde você tirou essa ideia? – Perguntei erguendo as sobrancelhas.

– Por que?

– Porque é demais! Toca aqui! – Disse, enquanto sentia a mão de Lay bater contra a minha.

Nunca pensei que agiria como um pirralho, mas parecia que a situação exigia isso, pois eu estava travando uma guerra com a criatura mais infantil da face da Terra.

– Cara, eu vou dar um cochilo. Me acorda quando você tiver uma ideia, o que pode demorar meses – Falou Lay, deitando-se na cama e envolvendo-se com os cobertores.

Quando eu vi um dos lençóis, finalmente tive a ideia que nos tiraria dali. Dez minutos depois a corda que fizemos com os lençóis de Baek já estava bem presa e eu já podia descer por ela. Verifiquei mais uma vez se todos os nós ao longo da corda estavam firmes e joguei o lençol pela janela. Posicionei-me, passando para fora da janela, agarrado à corda improvisada.

– Lay, quando eu chegar lá em baixo, coloco a escada para você descer. – Falei enquanto deslizava lentamente pelo lençol. Meu irmão apenas me fitava entusiasmado.

Olhei para o chão, verificando a distância que ainda faltava para chegar ao solo. Foi aí que senti um tremor na corda e, quando percebi

o que era, entrei em pânico.

– Não Lay, a corda não aguenta nós dois! Vai... AAAAAAAAAAAHHHHHHHH!

Gritei, sentido meu corpo ir de encontro ao chão. A dor em minhas costas foi intensa, mas o que veio a seguir foi ainda pior! Arregalei os olhos vendo o corpo de Lay vindo em minha direção. Fiquei cerca de 30 segundos sem conseguir respirar. O impacto foi grande demais e Lay ainda estava deitado em cima de mim.

– Posso abrir os olhos? Estamos vivos? – Perguntou ele.

Reuni as forças que me sobraram e gritei em plenos pulmões:

– SAI DE CIMA DE MIM! – O Idiota riu enquanto levantava-se, coisa que eu não consegui fazer.

Sentia como se um trator tivesse passado por cima de mim. Lay me ajudou a levantar, só então minha respiração voltou ao normal.

– Deixa de ser mulherzinha Chanyeol, não foi uma queda tão grande assim, eu não senti quase nada.

O encarei sentindo minhas veias frontais latejarem.

– ÓBVIO! MEU CORPO AMORTECEU SUA QUEDA, SEU ANIMAL! – Todo meu corpo queria voar em cima de Lay e soca-lo até não me restar forças.

– Poxa Chanyeol, você tem razão. Valeuzão por isso, mano! – Disse o futuro defunto, dando um tapinha no meu ombro. Olhei em minha volta e senti falta do animal que tinha sido o motivo de tanto desastre.

– Lay, cadê o gato? – Perguntei suando.

– Que gato?

Meu olho esquerdo tremeu em fúria.

– PUTA QUE PARIUUUUU!!! – Lay tinha razão, eu ia ser o primeiro ser humano a ter um derrame do coração!

Bufei, colocando as mãos na cabeça, sabendo que quando as férias terminassem, eu precisaria de terapia. Peguei a escada no chão, coloquei ela de volta próximo a janela e subi alguns degraus.

– Lay, se você subir novamente nessa escada, considere-se um homem morto! – Falei, lhe lançando um olhar negro, o meu irmão apenas sorriu.

Dessa vez, sem Lay para atrapalhar, peguei o gato rapidamente e desci com ele pela escada, ainda sentido dores no corpo.

Baekhyun

Ouvi um barulho ao longe. Eu não queria abrir os olhos, era muito cedo para alguém levantar da cama. Tudo o que eu queria era dormir mais umas 4 ou 5 horas. Agora, além do barulho, ouvia também uma voz, uma voz bem conhecida e chatinha.

– ACORDA, BAEK, ABRE A PORTA! – Gritou Luhan.

– EU QUERO DORMIR VEADO, ME DEIXA EM PAZ! – Berrei de volta, colocando um travesseiro no rosto.

– TUDO BEM, ENTÃO VOCÊ NÃO VAI QUERER SABER QUE SUA MOTO CHEGOU!

Pulei da cama tão rápido que fiquei tonto, arfei tentando me equilibrar e abri a porta. Nem olhei para a cara do Luhan, saí correndo pela casa só de pijama xadrez e cabelos bagunçadíssimos. Quando adentrei a garagem, avistei minha moto imediatamente, mas uma outra moto ao lado dela ofuscou totalmente a minha. Fiquei deslumbrado, era uma Suzuki Hayabusa 1300 prateada. Eu praticamente babei em cima dela. Alisei a lateral, perguntando-me se Ji-Sub havia comprado para mim numa tentativa de suborno, então...

– Não rela a mão na minha moto! – A voz atrás de mim era conhecida e irritante. Chanyeol passou por mim e subiu na moto.

Tentei fingir indiferença, mas eu ainda estava hipnotizado pelo veículo– Gostou? – Perguntou o retardado.

– Não! – Menti descaradamente.

– Ah pena, porque se tivesse gostado, eu até te deixaria dar uma voltinha! – Falou Chanyeol sorrindo.

Estreitei os olhos, bufando. Ele havia percebido meu fascínio pela moto e agora zombava de mim.

– Eu não preciso. Tenho a minha! – Dei de ombros, indo em direção à minha amada moto.

O ronco do motor da Suzuki de Chanyeol me fez sobressaltar. Até parecia música para os meus ouvidos. Eu estava louco para tocar naquela moto novamente, mas nunca iria admitir isso para o Park.

– Bem, vou lá para o quarto esperar você! – Disse Chanyeol sarcástico.

– Como é?

– Você logo saberá – Respondeu ele, saindo da garagem. Fiquei intrigado, mas tentei ignorar.

Vinte e cinco minutos depois eu já havia trocado de roupa, escovado os dentes e dado um jeito no meu cabelo. Iria descer para tomar café da manhã, mas antes queria dar um beijo no meu gatinho D.O.

Olhei à minha volta e nem sinal dele. Ele não costumava sair pela janela naquele horário, era para ele estar deitado na minha cama. Vasculhei o quarto inteiro, até mesmo embaixo da cama, e nem sinal do meu D.O. Foi aí que vi um DVD no criado mudo escrito com letras vermelhas “BAEKHYUN”. Fiquei segurando o DVD mergulhado em um misto de dúvida e curiosidade. Finalmente coloquei o DVD dentro do meu laptop e logo, um vídeo começou a ser exibido.

A imagem estava fora de foco, mas podia ver que tinha alguém sentado em uma cadeira. O som que vinha do vídeo era nítido. Revirei os olhos quando percebi de quem eram as vozes.

– Lay, tem certeza que isso está gravando agora? Estou de saco cheio, já fizemos isso 6 vezes! – Reclamou Chanyeol, mas eu só podia ver parte do seu corpo.

– Agora vai dar certo! Não se mova que vou colocar a câmera no tripé. – Falou Lay, enquanto a imagem chacoalhava um pouco, provavelmente ele estava largando a câmera no tripé. Agora eu conseguia ver os dois retardados claramente. Chanyeol sentado e Lay atrás dele de braços cruzados e, por incrível que pareça, um gorro preto estava enfiado em sua cabeça com buracos mal feitos na boca e olhos. Nesse momento Chanyeol virou-se para analisar o seu irmão lezado.

– Lay, que merda é essa na sua cara?

– É para dar mais veracidade, toma, usa a sua. – Disse a anta do Lay, entregando um gorro preto para Chanyeol, que, imediatamente, o pegou.

– Seu animal, ela já sabe que somos nós! – Afirmou Chanyeol, jogando o gorro na cara do irmão. – Por favor, não atrapalhe que eu não quero passar a madrugada toda fazendo isso! – Chanyeol virou-se de frente para a câmera e pude ver ele revirando os olhos.

O que aqueles babacas estavam fazendo, afinal? Minha pergunta mental foi respondida quando Chanyeol começou a falar:

– Byun Baekhyun, estamos com seu gato... – Arregalei os olhos incrédulo.

– POSITIVO! – Disse Lay com uma voz grossa.

Fiquei totalmente paralisado, eu não podia acreditar no que havia acabado de ver.

– Se você quiser ver seu gatinho novamente, é melhor vir até o meu quarto negociar...

– POSITIVO!

– Para de falar POSITIVO, Lay! – Esbravejou Chanyeol.

– POSITIVO!

– É melhor você não contar para ninguém que sequestramos seu gato...

– POSITIVO!

–...ou nunca mais verá aquele gatinho.

– POSITIVO!

– Que foda Lay, não dá pra fazer nem a droga de um vídeo sem você estragar tudo?! – Esbravejou mais uma vez Chanyeol.

– POSITIVO!

Não aguentei, fechei o notebook com força, respirei fundo, e então...

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH. – Meu corpo tremeu violentamente, o sangue corria em minhas veias como fogo, eu queria destruir a casa inteira.

Saí do quarto, ardendo na mais pura fúria, marchei até o quarto de Chanyeol e chutei a porta. O barulho que ela fez ao bater contra a parede não pareceu assustar Chanyeol, que sorria sentado tranquilamente na cama.

– Você! – Apontei para o infeliz. – Dê adeus à vida!

– Nada de ameaças, por favor, não vai adiantar. O seu gato já está em uma loja de pets, prontinho pra ser vendido – Chanyeol me lançou seu típico sorriso de débil mental e eu queria esfaqueá-lo, e jogar álcool por cima.

– Você não fez isso! – Falei duvidando, enquanto minhas pernas tremiam levemente.

– Fiz sim! Mas você pode tê-lo novamente se aceitar um simples acordinho comigo.

– Que acordo? – Perguntei arfando pesadamente.

– Feche a porta e venha aqui, vamos negociar. – Eu bem sabia que o Park do cabelo ensebado era capaz de tal ato, e acatei, querendo acabar logo com aquele pesadelo.

Após fechar a porta, me posicionei à frente dele com as mãos na cintura, para não correr o risco de me jogar em cima dele, estrangula-lo até a morte e nunca mais saber onde meu D.O foi parar.

– Cara, você está suando! – Debochou ele e eu simplesmente ignorei. – O lance é o seguinte, o vendedor da loja ficou muito interessado no seu gatinho, ele já tem dois compradores para ele esperando um telefonema meu autorizando a venda. Tudo que você tem que...

– ESPERA AÍ! VENDER O MEU GATO? PARK, VOCÊ ESTÁ DROGADO? VOCÊ SABE QUANTO VALE AQUELE GATO PRA MIM? - Ah cara, não ia dar certo! Meu coração ia sair pela boca a qualquer momento e eu morreria literalmente de raiva. Eu deveria estar ficando de todas as cores do arco­íris nesse momento.

– Me deixe terminar, sim? Eu estava dizendo que tudo que você precisa fazer é ser meu escravo por umas duas ou três semanas. Ainda não decidi. – Chanyeol falou aquilo com tanta naturalidade, que eu me questionei se estava realmente acordado ou em um pesadelo daqueles de fazer você se borrar nas calças.

Calma, Baek. Inspira e expira, inspira e expira...

– Tudo bem, eu vou rir agora, digo que foi uma ótima piada e volto para o meu quarto com meu gato, ok? – Perguntei, já sorrindo – Além disso, ele é um vira-lata, você vai vender por quanto? 10 dólares?

– Não é piada não, Byun, eu estou falando sério, você vai ter que ser meu escravo. Além disso, aquele gato é um Allerca Hypoallergenic, vale em torno de 6.000 dólares, vale muito mais que você...

– Cadê as câmeras? Cadê a droga das câmeras? – Perguntei alterado, enquanto vasculhava o quarto. – Eu estou num daqueles programas de pegadinha, não estou? Cadê as malditas câmeras?

Chanyeol gargalhou altíssimo.

– Eu já tenho minhas primeiras ordens, mas não quero que você enfarte agora e acabe com minha diversão. Então vou pegar leve e te pedir apenas que me dê uma massagem nos pés, porque, cara, eu estou um caco. – Chanyeol disse já tirando os sapatos. Arregalei os olhos, com um misto de descrença e ódio fumegante.

– SEM CHANCE! Eu não vou tocar nesse seu pé nojento! – Fiz uma careta.

– Vai sim, e vai fazer a melhor massagem da sua vida. – Falou o escroto, deitando-se, colocando as mãos atrás da cabeça e balançando os malditos pés.

– Chanyeol, vai se danar! – Xinguei, enquanto me direcionava à porta para dar o fora daquela situação insana.

– Tudo bem, vou ligar agora para o vendedor. Eu estou mesmo precisando de dinheiro para comprar uns pneus novos para minha moto.

– Chanyeol já pegava o celular, quando eu percebi que estava totalmente ferrado.

– Espera... – Disse o mais baixo possível, mas ele ouviu e sorriu torto. – Eu aceito o acordo, mas apenas uma semana, nem duas, nem rês, apenas uma e não abuse da sua sorte Chanyeol. – Eu queria morrer no momento em que proferi aquelas palavras. Tive uma enorme vontade de chorar de raiva, mas nunca cederia a esse tipo de fraqueza, ainda mais na frente do Park Orelhas.

– Ótimo, uma semana então, mas vai ser uma semana do meu jeito. E você pode começar a me chamar de querido amo.

– NÃO MESMO! NÃO VOU CHAMAR VOCÊ ASSIM!

– Você acha que consigo grana suficiente para comprar um capacete novo também? – Perguntou ele, ajeitando o colarinho da camisa. Esfreguei as mãos no rosto, transpirando. Eu realmente queria saber como foi que morri e fui parar no inferno, cujo o capeta era Park Chanyeol.

– Anda Baekhyun, eu estou esperando!

– Tudo bem, Park Orelhas. – Falei me aproximando da cama.

– PARK ORELHAS? Tem certeza que é isso que tem que falar?

FILHO DA PUTA

– Tudo bem... querido amo. – Falei entre os dentes, querendo socar a mim mesmo.

Sentei-me na cama como quem vai para a forca. Fiz a maior cara de nojo quando minhas mãos tocaram os pés grandes de Chanyeol, ele sorria como se tivesse ganhado na loteria.

Ah meu Pai do céu, o que eu estou fazendo aqui? Socorro!

– Baekhyun, você não está massageando, está só tocando com a ponta dos dedos. Eu quero uma massagem de verdade. – Respirei fundo e apertei o pé de Chanyeol com toda a minha força, cravando as unhas.

– Aíííííí seu bruto, não faça mais isso ou eu vou vender aquele gato feio agora mesmo... – Reclamou, erguendo parte do corpo e me encarando com olhos raivosos, mas logo sua expressão voltou a ser divertida – Eu tenho certeza que você sabe fazer massagem direitinho, então capriche Byun.

Eu mordi o lábio com força, queria gritar, queria sair correndo, mas fiquei lá massageando o pé do meu inimigo.

– Hum... é isso aí pirralho, eu sabia que você conseguiria, nada mal. – Chanyeol falou em um tom de mais pura zombaria, enquanto eu continuava a lhe massagear os pés, enojado.

Lay

Saí do quarto animado, estava louco para curtir o dia. Meu Jipe havia chegado junto com os automóveis dos Byun e não via a hora de sair por aí e pegar umas Chinesinhas. Quando passei em frente ao quarto de Chanyeol, um gemido vindo de lá me chamou a atenção.

Que porcaria é essa? O Chanyeol já está batendo umazinha uma hora dessas?

Me aproximei da porta sorrindo, com certeza eu iria zoar ele, mas me surpreendi quando ouvi vozes.

– Posso parar agora, Chanyeol? Eu não quero mais fazer isso, é estranho!

Meus olhos quase soltaram para fora quando percebi que a voz era do Baekhyun. Então colei o ouvido na porta. O que aqueles dois estavam fazendo?

– Nem pense em parar, agora que está ficando gostoso, continue Baek... hum...

Coloquei as duas mãos na boca o mais rápido que pude, ou todos poderiam ouvir minha risada.

CARACA, VÉI! O CHANYEOL TÁ PEGANDO O BAEKHYUN!

Vi Sehun entrar no corredor e logo fiz sinal para ele com os braços. O cara de porta veio correndo.

– Chanyeol está gemendo! – Sussurrei, apontando para a porta ao meu lado.

Sehun revirou os olhos.

– Lay, tem gente que gosta de privacidade nessas horas... – Respondeu ele, fazendo pouco caso.

– Não é isso, ele está de promiscuidade com o Baek! – Falei, sacudindo Sehun pelos ombros. Vi o choque passar pelo rosto do meu irmão.

– Mentira! O Baekhyun?

– Não, é sério! Vem ouvir!

Nós dois colamos o ouvido na porta do quarto.

– Ahhh... hum... Baek, eu poderia ficar aqui o dia inteiro, tava mesmo precisando disso. Mais pra baixo e com mais força. Eu e Sehun nos encaramos prendendo a risada.

– Cara, se o Ji-Sub descobrir isso, vai nos expulsar daqui! – Sussurrou meu mano.

– O que estão fazendo?

Nos viramos assustados em direção à voz, só para nos deparar com o Luhan.

– Droga Luhan, fala baixo! – Falei, tapando a boca dele que me olhou assustado.

– Não exagera Lay, solta a menino. – Ordenou Sehun, e eu soltei.

– Baek e Chanyeol estão de esfrega esfrega na maior promiscuidade – Novamente sussurrei.

– Mentira! O meu Baekhyun? Deixa eu ouvir! – Sorriu o tarado do Luhan, se metendo entre mim e Sehun.

Agora já éramos três, ouvindo a sacanagem.

– Chanyeol chega, você ainda não está satisfeito? Já fiz tudo que você queria, poxa.

– Como é mesmo que você deve me chamar? Anda Baekhyun, fala, ou você sabe o que eu faço!

– Meu querido amo, eu estou cansado, não quero ficar nessa tortura.

– Só mais um pouquinho Baek, estou quase satisfeito... hum... aí que bom... acho que vou querer isso todo dia. Mais rápido!

– Que coisa mais masoquista – Disse Luhan entre risadas abafadas. – Eu sabia que aquelas brigas todas eram tesão reprimido!

Baekhyun

Se Chanyeol me provocasse mais uma vez, eu iria chuta-lo entre as pernas. O imbecil estava se divertindo enquanto me humilhava. Mas aquilo não ia ficar assim, quando eu recuperasse meu gato ele iria se arrepender de ter nascido.

Minhas mãos já estavam cansadas de apertar aquele pé branquelo e estranho, eu nunca mais ia conseguir comer nada com a mão.

ECA! Bufei pela quinquagésima vez eu acho, esperando o filho da puta me liberar daquela tortura. Ouvi sussurros e risadas abafadas, Chanyeol também percebeu e levantou-se sem falar nada. Foi em direção à porta e eu o segui curioso. Ele abriu de uma vez e, para nossa surpresa, Lay, Sehun e Luhan desabaram sobre nós em meio a gritos, e todos fomos ao chão.

– O que vocês estavam fazendo atrás da porta? – Perguntou Chanyeol altivo.

Eles gargalharam. As expressões em seus rostos me deram medo. Coisa boa não vinha dali!


Notas Finais


E então? O que estão achando?
Comentem, favoritem! Me deixem saber as opiniões!


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