História Declared Enemies - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Tao
Tags Baekyeol, Chanbaek, Comedia, Exo, Romance
Exibições 47
Palavras 7.043
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Meu Gsuis, muito obrigada pelos comentários do capítulo anterior!
Fiquem com mais um capítulo grandinho <3
HunHan shippers, esse é pra vocês haha
Boa leitura!

Capítulo 8 - A trégua


Fanfic / Fanfiction Declared Enemies - Capítulo 8 - A trégua

Chanyeol

– PAI, SOCORRO, É O LUHAN! – Gritou Kris, enquanto abanava um Luhan inconsciente no chão. O pedido de socorro de Kris trouxe Ji-Sub ao jardim em menos de um minuto. Quando ele viu a imagem de seu sobrinho no chão, cruzou os braços.

– Meu Deus, de novo? – Ji-Sub levou Luhan para o quarto mais uma vez, Sehun estava inquieto e preocupado enquanto estávamos no escritório do meu futuro padrasto, ouvindo um sermão de Su-Ji. Sehun nem sequer olhava pra Lay e isso jamais havia acontecido.

Eu entendi poucas palavras das queixas vindo de minha mãe, minha atenção estava voltada ao fato de que meu irmão mais novo, “o certinho” da família, estava apaixonado. Eu nunca vi Sehun apaixonado, aliás, eu nunca vi Sehun com garota e nem garoto algum.

– Vocês nunca brigaram antes, nem quando eram crianças, o que deu em vocês agora? – Perguntou minha mãe com expressão de
incredulidade.

Começamos a falar todos ao mesmo tempo, cada um querendo explicar sua versão dos fatos. Eu mal podia me ouvir.

– UM DE CADA VEZ! - Nos calamos, mas a última frase ecoou no escritório.
–...Cara, ainda bem que eu broxei! – Revirei os olhos. Lógico que aquilo saiu da boca de Lay. O fitei só para vê-­lo esconder o rosto envergonhado entre as mãos. Sehun bufou, temi que ele tivesse outro acesso de “leão selvagem”. Nossa mãe fechou os olhos e pôs uma mão na testa. Mesmo ela sendo uma mãe liberal de três marmanjos, com certeza a frase do
meu irmão não era o tipo de coisa que ela queria ouvir.

– Vocês já são adultos! Por favor, resolvam esse problema conversando, não me envergonhem. Eu vou ver como o Luhan está e quando eu
voltar é bom terem feito as pazes – Ordenou Su-Ji, abrindo a porta. Ficamos lá, sentados em um sofá, cabisbaixos. Quando ouvimos a porta se fechar, Sehun voou no pescoço de Lay. Tive que puxá-lo com toda a minha força, obrigando-­o a soltar o pescoço do meu irmão mais velho que já estava ficando roxo.

– Calma, Hun, me ouve, cara! – Esbravejei, já chateado.

– Sehun, eu... – Imediatamente tapei a boca do Lay. Tudo que ele falava só piorava a situação. Ainda com a mão na boca de Lay, comecei meu discurso pacificador.

– Hun, é o seguinte. O bar que fomos estava uma loucura... Luhan estava doidão, só notou que estava beijando o Lay quando os flagrei. O Lay não fazia ideia de que você estava apaixonado pelo branquinho, além disso, você sabe como ele é. Beija qualquer coisa que vê pela frente, sem ofensa! – Pela minha visão periférica, vi que Lay me lançava um olhar reprovador. Fiz ainda mais pressão com a mão para evitar que qualquer babaquice saísse daquela boca, pois Sehun estava começando a se acalmar.

Meu irmão mais novo bufou, sentou-­se e percebi que finalmente ele voltou ao normal. Parecia que seu lado leonino havia adormecido.

– Chanyeol, eu reprimi o meu sentimento por Luhan no início, mas depois de saber que ele ficou com o Lay, eu simplesmente explodi. É
como se algo tivesse sido tirado de mim... – Ele arrumou as mechas de cabelo, ajeitou o colarinho da camisa e continuou – Talvez a
chance de namorar ele tenha se perdido, porque agora ele vai me comparar com o Lay – ele apontou para o meu irmão que não podia se defender - Eu não tenho experiência nesse lance de
namoro...

Soltei Lay e me sentei ao lado de Sehun. Coloquei um braço em volta do seu pescoço, já sabendo o que deveria dizer.

– Mano, o Luhan não é nenhum puritano, já namorou outros caras, ele não vai se prender a uns beijos bobos trocados em uma noite em
que ele estava drogado. Que se dane o lance de experiência! Se você chegar junto dele com a mesma ferocidade com que quase
matou o Lay, ele gama, acredite em mim... Chanyeol vê, Chanyeol sabe! – Sorri.

Lay sentou­-se do outro lado e eu lancei um olhar do tipo “se falar, morre”. Para a minha surpresa, ele abraçou nosso irmão. Ergui a
sobrancelha quando vi Hun corresponder o abraço. Havia sido mais fácil do que imaginei convencê­-los a fazer as pazes. Em seguida,
Sehun veio me abraçar sorrindo. Eu tinha que falar, a frase estava presa na minha garganta.

– Cara, tinha como esse momento ser mais gay?

– O que você disse? – Perguntou Lay, enxugando as lágrimas na manga da camisa. Revirei os olhos, tinha sim!

– E agora caras, o que eu faço? Luhan já sabe que estou apaixonado. E se ele me der um fora? – Perguntou Sehun, visivelmente aflito.

– Eu tenho um plano, Luhan é do tipo romântico, que chora por tudo, certo? Eu sei exatamente o que vamos fazer para você ganhar a
garota! Quer dizer... Garoto – Afirmei sorrindo.

– É! Confia em nós, parceiro, algum dia já te deixamos na mão? - Perguntou Lay.

– Por favor, não responda! – Pedi, assim que Lay calou a matraca.

Baekhyun

Já fazia mais de uma hora que Luhan tinha se recuperado do choque de saber que Sehun era apaixonado por ele. Ainda assim, não
saímos do quarto, quero dizer, ele não me deixava sair do quarto. Estava totalmente obcecado com a aparência e mudou de roupa
umas mil vezes. Era um saco! Eu até fingia lhe dar atenção, mas a verdade é que só conseguia pensar em Kai e o quanto eu queria vê­-lo novamente. Suspirei alto, me jogando na cama. Se eu ouvisse Luhan perguntar mais um vez que cor de blusa ele deveria usar, com certeza eu ia fazê­-lo engolir a peça de roupa.

– O que você tem, seu rabugento? – Perguntou ele, vendo que eu estava prestes a morrer de tédio.

– Nada. – Menti.

– Quando você responde assim, eu sei que está mentindo. Conta logo tudo! – Ordenou, me chacoalhando. Ignorei, e ainda assim, ele percebeu o motivo da minha tristeza.

– Deixa eu adivinhar... – Falou ele, fingindo concentração – Seu mal humor tem um nome: Kim Jongin. E também tem um corpinho
sarado. Adivinhei?

Eu não consegui conter o sorriso quando ele pronunciou o nome do meu Kai.

– Porque não chama ele para sair?

– Ah Luhan, é mesmo? Eu vou fazer isso agora... – Peguei uma escova de cabelo, fingi discar o número e comecei a falar – Oi Kai, sou
eu o garoto débil mental, blá, blá, blá, bláaaaaghr.

– Isso seria um começo...

– Até parece que tenho o número de telefone dele... –Resmunguei, esfregando o rosto. Luhan ficou em silêncio, olhando para o teto e remexendo a boca.

– Ranger Rosa, hora de morfar! – Gritou ele, saltando da cama.
Me perguntei se meu primo tinha batido a cabeça com força, quando desmaiou no jardim.

– Não saia daqui, Baek, eu já volto.

Esperei cerca de 5 minutos e lá vinha o beijoqueira de Layzados, saltitando.

– Me dá seu celular. – Pediu ele, com a mão estendida. Achei, no mínimo, estranho aquele pedido, mas tirei o celular do bolso da calça e entreguei.
Luhan começou a cantarolar uma porcaria de música qualquer, enquanto mexia nas teclas. Sério, eu estava pra dar um tapa nele, só
para testar, quem sabe eu me sentiria melhor.

– O que você está fazendo? – Perguntei, finalmente perdendo a paciência.

– Guardando na memória do seu telefone o número do Kai, para você poder...

Não deixei a peste terminar de falar, saltei da cama em uma explosão inesperada de entusiasmo.

– Como você conseguiu? – Perguntei incrédulo.

– Simples, fui até o Chanyeol e pedi o celular dele emprestado para mandar uma mensagem de texto, alegando que o meu ficou sem
bateria. Ele nem pensou duas vezes e me entregou o aparelho. Aí foi só procurar o número do bad boy e decorar! Não agradeça, eu sei
que sou um gênio maquiavélico do amor – Disse rindo, vaidoso. Para o meu terror, comecei a ofegar, só de me imaginar ligando para Kai...

Imaginação

Peguei o celular confiante, apertei a tecla verde e a ligação foi iniciada. No segundo toque, Kai atendeu.

– Alô?

– Olá, Kai, aqui é Byun Baekhyun. Nos conhecemos noite passada, lembra? Nos divertimos bastante em um bar...

– Nem precisa terminar de falar, é lógico que eu me lembro. Na verdade, eu não consegui parar de pensar em você, preciso muito
te encontrar novamente. Tenho sonhado em te pegar em meu braços e...


– BAEK? BAEK? ACORDAAAAA PRA CUSPIR! – Gritou Luhan no meu ouvido, me tirando abruptamente do meu doce devaneio.

– O que foi, droga? – Perguntei chateado.

– Vai ficar aí sonhando acordado babando, ou vai ligar? – Perguntou, estendendo a mão com o celular. O peguei, olhei para o visor e
minhas pernas tremeram.

– Liga você. – Respondi, devolvendo­ o aparelho.

– Não mesmo! Você que tem que ligar! – Disse ele, jogando o celular.
Balancei a cabeça e empurrei o telefone para as mãos de Luhan.

– Não, não! Liga agora! – Falou, arremessando­-o de volta para mim.
Eu não tinha a menor condição de ligar para Kai. Tinha certeza que minha voz sumiria.

– Por favor, você tem que fazer isso! – Pedi, entregando o aparelho.
Luhan bufou.

– Liga, Baek!

– Não! Liga você!

– Tudo bem, eu ligo... – Decidiu ele, pegando o telefone e apertando o botão verde – Mas você fala! – Disse o descarado, colocando o
celular no viva voz. Eu podia ouvir o toque de chamada e congelei.

– Alô? – A voz masculina perguntou, e eu bem sabia que aquela linda voz pertencia ao meu Kai. Luhan abriu um sorriso de orelha a orelha, e eu ia enfartar a qualquer momento. Peguei o celular o mais rápido que pude.

– Alô? – Repetiu ele. Minhas mãos tremeram, abri a boca para falar, mas nenhum som saiu de mim. Fechei os olhos e desliguei o telefone.

– EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ DESLIGOU! – Esbravejou meu primo. Pois é. Nem eu acreditava.

– Eu não sabia o que falar, ok? Me dá um tempo, eu tenho que pensar! – Respondi, alterado.

– Não tem segredo filho, é só convidar pra sair!

– NÃO! – Gritei, querendo encerrar a conversa. Nos encaramos em silêncio. Por mais que Luhan estivesse querendo ajudar, me pressionar só estava piorando a situação. Foi aí que meu pior pesadelo se tornou realidade: o telefone tocou!

– AAAAAAAAAHHHHHHH! – Gritei ao me assustar, joguei o aparelho para Luhan, que pálido, pegou­ antes de cair no chão e começou a chacoalha-­lo no ar e a gritar.

– O QUE EU FAÇO? O QUE EU FAÇO? – Perguntou pulando.

– NÃO ATENDE! – Berrei quase tendo um AVC e também pulando. Por que? É um mistério!

– Ai, meu Deus! Ai, meu Deus... e agora? – Nervoso, ele falou.
Muito lindo da parte dele, liga para o cara e na hora que ele retorna a ligação, ele entra em pânico. Não quis nem saber, peguei o celular, coloquei na cama enquanto ainda tocava, joguei um travesseiro em cima e, só para garantir, sentei­-me no travesseiro.

– Reza, Luhan, reza para ele nunca descobrir que o número que apareceu lá é o meu, ou você vai... – Não acreditei quando Luhan me
puxou com força pelo braço, me jogando no chão. Pegou então o celular e o atendeu. Fiquei lá sentado no chão, esperando acordar do pesadelo a qualquer momento.

– Oi?

– Olá, quem fala?

– Kai, aqui é o Luhan, amigo do Chanyeol. Nos conhecemos ontem, lembra? – Falou ele, com uma naturalidade assustadora. De onde
ele tirou tanta coragem, de repente?

– Sim, lembro. Tudo bem?

– Tudo... Kai, eu liguei porque tem uma pessoa aqui que quer falar com você...

– Luhan esticou o braço para me entregar o celular.
Meu estômago embrulhou. Respirei fundo, me agarrei a toda coragem que eu tinha e peguei o telefone.

– O­o­oi? – Minha voz tremeu. Puta que pariu!

– Quem fala?

– É... hum... Baekhyun! – Fechei os olhos. É agora, Senhor, faz ele lembrar.
– Ah sim, o garoto da macarena, certo? - Foi uma facada no peito, eu pensei em gritar todos os palavrões que conhecia, e até inventar alguns, mas tudo que fiz foi esticar o braço para Luhan pegar o celular. Eu estava condenado. Ele lembrava de mim como o “garoto da macarena”. Luhan me encarou furioso, com um olhar do tipo
“agora fala, você já tá fodido”.

– Alô? Baekhyun? – Perguntou Kai, achando que a ligação havia caído.

– Kai, ah... bem... você não gostaria, não quer... – Meu Pai do Céu, que frase mais difícil de sair.

– Sim? - Não tinha jeito, eu precisava falar.

– Vamos tomar café?

O QUE? EU DISSE CAFÉ? VOCÊ TEM QUANTOS ANOS ANTA? 60?

Kai ficou em silêncio e eu já estava dando adeus ao meu juízo. Luhan aproximou­-se apreensivo, esperando, assim como eu, a resposta.

– Eerr.. ok! Amanhã, por volta das 16 horas - Eu podia ouvir o coro de ALELUIA, ALELUIA, ALEUIAAAAAAAAAA. Luhan me cutucou, tentando me manter longe dos devaneios.

– Onde nos encontramos? – Perguntei, ainda nervoso.

– No hotel onde estou hospedado, se chama Vexux. Você sabe onde fica?

– Claro! – Menti. Não fazia ideia de onde ficava, mas eu que não iria passar atestado de mal informado.

– Então é isso, tenho que desligar agora. Nos vemos amanhã.

– Ok, tchau. – Respondi, quase me derretendo. Quando desliguei o celular, quase saí flutuando pelo quarto. Luhan me ajudou a levantar.

– Baek vai ter um encontro, Baek vai ter um encontro... – Cantarolou ele, mas eu nem liguei. Estava nas nuvens.

XXX

Já passavam da meia noite e não conseguia dormir, estava ansioso demais. Queria que o horário de me encontrar com Kai chegasse
logo, eu ficava nervoso só de imaginar. Rolei na cama pela vigésima vez na esperança de dormir. Foi aí que ouvi um som anormal. Na
verdade, não era um som e sim, um berro já conhecido.

– Upside inside out She's living la Vida Loca! She'll push and pull you down. Living la Vida Loca!

– Lay, que porra de música é essa? O que foi que ensaiamos? – Reconheci a voz de Chanyeol.

– Ah, aquilo era um ensaio? Corri para a janela e lá estavam no jardim as três criaturas mais ridículas que já conheci, os irmãos Park. Eles usavam ternos pretos, Chanyeol e Lay seguravam violões e Sehun, um buquê de flores. O que aqueles retardados achavam que estavam fazendo?

– QUE PALHAÇADA É ESSA? – Gritei, irritado.

Chanyeol

– Lay, você não disse que essa era a janela do quarto do Luhan? – Perguntei, chateado.

– Era para ser…– Respondeu ele, coçando a cabeça. Por que, em nome de Deus, eu ainda dava ouvidos ao Lay? Sehun, que já estava nervoso, parecia que ia ter uma dor de barriga a qualquer momento. Ele suava, enquanto tentava arrumar o cabelo.

– E agora? – Perguntou meu irmão mais novo, trêmulo.

– Vamos chamar por ele, é o jeito! – Afirmei, não encontrando outra saída.

– LUHAAAAAN! – Berrou Lay.

– Ah meu Deus, que ridículo! Não me digam que isso era para ser uma serenata. – Zombou Baekhyun, rindo. Bufei, ignorando o pirralho. Ele não ia me tirar do sério.

– LUHAN, PELO AMOR DE DEUS, APAREÇA! – Agora, quem gritou fui eu, impaciente.

Para a nossa felicidade, Luhan apareceu em uma janela a poucos metros de distância e fomos correndo até lá. Ele estava engraçado,
com a cara toda verde de algum creme facial qualquer.

– Eca, Luhan! O que é isso verde na sua cara? – Perguntou Lay. O pobre coitado arregalou os olhos, encarou Sehun e…

– AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH! – Gritou, tapando o rosto com as mãos e saindo da janela. Eu podia ouvir as gargalhadas de Baekhyun, que ainda espiava e me perguntei como minha ideia romântica poderia dar mais errado.

– Eu desisto, isso não vai dar certo! – Falou Sehun, cabisbaixo.

– Calma, mano. Olha, pior do que já está não pode ficar. Vamos cantar o que ensaiamos só para ver o que acontece, ok? – Falei,
tentando transmitir confiança.

– Mais…

– Sem mais! – Interrompi. – É agora ou nunca!

– Chanyeol tem razão, vamos cantar. Quem sabe ele aparece... – Disse Lay animado.

– Lay, canta o que nós ensaiamos ou eu mesmo vou te espancar com esse violão. – Ameacei­, apontando o instrumento.

Baekhyun

Eu não podia perder aquela! Fui correndo para o quarto de Luhan. Abri a porta violentamente, mais parecendo um louco

– AAAAAAAAAAHHHHHHHH! – Ele gritou ao me ver. Não aguentei, quase parti em dois de tanto rir. Luhan estava com um pijama de patinhos e a cara toda verde.

– O que foi isso, Ranger Rosa? Começou a morfar? – Zombei.

Time, it needs time (Tempo, é preciso de tempo)
To win back your love again (Para reconquistar seu amor).

Eu não podia admitir mais até que eles cantavam bem, mais fiz uma careta para que Luhan não percebesse. O ruim é que cantavam a música mais brega que o mundo já viu. Still Loving You do Scorpions, nem meu pai ouvia isso.

I will be there, I will be there (Eu estarei lá, Eu estarei lá) Love, only love... (O amor, apenas o amor...)

– É para você, querido... – Afirmei, enquanto meu primo se jogava debaixo das cobertas.

– Eu quero MORRER! Sehun não pode me ver assim!

If we'd go again (Se nós percorremos novamente) All the way from the start (Todo o caminho, desde o início)

– Fica frio, eu vou te ajudar.

– Como? – Perguntou ele, colocando a cabeça para fora da coberta.
Fui até a janela e avistei os três tenores de araque. Chanyeol até parecia saber tocar a música. Já Lay só zoava sem tocar porcaria
nenhuma e Sehun, erguia as flores no ar, parecendo emocionado. Meu Pai, que cena.

I would try to change (Eu poderia tentar mudar) The things that killed our love (As coisas que mataram o nosso amor)

– PAREEEEEEEEM! – Gritei com todas as minhas forças. E eles pararam. No momento que vi o idiota do Park Orelhas abrir a boca para reclamar, continuei – Eu tenho um recado do Luhan.

De relance, olhei para meu primo. Ele pareceu aliviado, e sorriu.

– FALA LOGO! – Berrou Sehun.

– Ele disse para virem aqui! – Eu sei, sacaneei. Não deu para evitar, era palhaçada demais. Os Park saíram correndo em direção à
entrada da casa.

– BAEK, EU VOU TE MATAR! – Gritou ele, partindo em minha direção.
Saí correndo pelo quarto. Eu estava tendo uma crise de riso incontrolável. Luhan me perseguia enfurecido, mais parecia um mostro com aquela cara verde.
– EU SÓ ESTOU TENTANDO AJUDAR! – Gritei em minha defesa. Mas isso não aplacou a ira do veado do amanhecer. Infelizmente, Luhan me alcançou.
– AÍÍÍÍ! – Berrei, ao sentir ele me puxando pelos cabelos.

– DESCE O BRAÇO, LUHAN! – Gritou o imbecil do Chanyeol. Olhamos em direção à porta e lá estavam os “cantores”. Chanyeol e Lay riam, pois Luhan ainda me segurava pelos cabelos e Sehun pareceu chocado.

– Vocês não poderiam fazer isso em um ringue com lama usando só sunga? – Perguntou o Layzado. Foi aí que o meu irmão fútil apareceu do nada.

– Olha, briga e ninguém me chamou... Quanta consideração! – Reclamou Kris cruzando os braços.

Luhan se deu conta do que estava acontecendo e pulou na cama, cobrindo­-se com o edredom, totalmente envergonhado. Os Park se olharam. Acho que eles não sabiam o que deveriam fazer.

– CANTA MEU POVO! – Ordenei, ainda tentando controlar a crise de riso. E, para o pesadelo de Luhan, eles cantaram.

You should give me a chance (Você deveria me dar uma chance) This can't be the end (Isto não pode ser o fim) I'm still loving you (Eu ainda te amo) I'm still loving you (Eu ainda te amo) I'm still loving you, I need your Love (Eu ainda te amo, eu preciso do teu amor).

Sehun percebeu que aquilo não estava resultando em nada e o romantismo tinha passado no outro lado da rua. Ele parou de cantar,
mas as antas de seus irmãos não.

– Parem! – Pediu ele sério. – Luhan, eu preciso falar com você.

– Eu não posso agora, vão embora!

– Por que?

– Porque eu estou horrível, não quero que me veja assim – Respondeu ele, em um fio de voz. O suposto maconheiro aproximou­-se da cabeceira da cama e ajoelhou­-se, para ficar mais próximo do meu primo.

– Luhan, você é lindo. Não importa o que você coloque no rosto. A sua beleza vai além de um rostinho angelical. Eu me… apaixonei, pela forma como você sorri, pelo jeito que você se preocupa com todos, pelo seu bom humor, o jeitinho que fica saltitando quando está
feliz...
– Mesmo? – Perguntou ele, com a voz embargada. Sehun fez uma pausa e até mesmo eu fiquei nervoso.

– Luhan, não importa como você esteja, não importa o que aconteceu entre você e o Lay antes. Tudo o que eu quero é a chance de
mostrar meus sentimentos por você. Por favor, me dê uma chance… Luhan, quer namorar comigo?

Luhan sentou­-se, jogando a coberta para o lado, totalmente surpreso. Seus olhos estavam repletos de lágrimas, mas o sorriso em seus
lábios denunciava o que se passava dentro do seu coração.

– Eu quero. Sim, eu quero namorar com você! – Respondeu ele, finalmente se jogando nos braços do cara de porta. Eles se beijaram bem ali, na nossa frente. Por um momento, me senti em uma sala de cinema enquanto observava aquela cena extremamente romântica. Fiquei feliz pelos dois, não entendi esse súbito romantismo, eu não sou romântico, mas foi inevitável.

Fitei os dois Park ao meu lado. Eles também sorriam, Kris enxugava disfarçadamente uma lágrima e me perguntei se era puro fingimento. Chanyeol colocou uma mão no ombro de Lay e falou…

– Cara, Sehun desencalhou! Hora da dança da vitória!

Revirei os olhos, quanta infantilidade. Mas lá estavam eles dançando de forma ridícula, em uma coreografia ainda pior.

– Tem mesmo necessidade dessa babaquice? – Perguntei, cruzando os braços.

– Yeah, baby! – Responderam em coro, ainda fazendo a tal dancinha da vitória.

FALA SÉRIO!

Chanyeol

Já passavam das 01h30 da madrugada e eu não tinha saco para dormir. Pensei em chamar Lay e sair por aí para dar uma volta. Mas eu não estava muito animado e rolei na cama. Então ouvi meu celular tocar na cabeceira da cama. Atendi contra minha vontade, sem olhar o nome do chamador. Eu já podia adivinhar quem era. Lay, provavelmente querendo sair para “pegar” umas Chinesinhas. Quando ouvi a voz fiquei surpreso, era Min Ah animada, disse que estava na frente da casa e me pediu para entrar, olhei pela janela e a vi de longe, sorrindo com uma garrafa de vinho na mão e duas taças. Desci e autorizei a entrada dela.

– Estou sem sono, vamos beber um pouco? – Perguntou ela.
Me afastei para que ela pudesse entrar na casa. Min Ah estava linda, seu vestido vermelho provocante valorizava as melhores partes
de seu corpo perfeito. Ela não era o tipo de garota inocente. Min Ah quer, Min Ah pega. A garota bem sabia que eu estava a fim dela já
fazia algum tempo e, se resolveu aparecer na casa às 01h30 da madrugada com uma garrafa de vinho, ela só podia estar atrás de uma
coisa: SEXO.

Levei ela pro quarto e tranquei a porta Sentei-­me em silêncio na cama, enquanto a observava encher as taças. Ela logo me ofereceu uma e tomei tudo em um só gole.

– Nossa Chanyeol, você está com sede, hein? – Riu ela, provocando. Retribuí o sorriso, meio sem vontade. Min Ah aproximou­-se e tocou meu rosto. Agarrei-­a pela cintura e lhe joguei na cama. Para que deveríamos fazer joguinhos de sedução? Nós dois éramos adultos e queríamos apenas sexo.

Com o meu corpo em cima do dela, finalmente a beijei. Os lábios dela eram macios e carnudos, mas o beijo não foi explosivo como eu
imaginei que seria.

A garota puxou minha camiseta e cedi a sua vontade. Min Ah estava ofegando quando cravou as unhas nas minhas costas. A beijei
com fúria, porém, sem desejo. Me forcei a entrar no clima, tirando dela o vestido. Seu corpo era ainda mais bonito do que eu imaginava. Eu não estava queimando de desejo, apenas, um pouquinho empolgado. Bem, empolgado o suficiente para dar a ela o que ela queria. A questão era, eu queria? Eu quis desde o primeiro momento que a vi, mas porque eu não estava feliz agora? O que estava acontecendo comigo? Nós rolamos na cama e Min Ah ficou por cima de mim. Ela sorria e eu fingi empolgação quando ela enfiou a mão dentro da minha calça.

XXX

No dia seguinte, por volta das 14h eu estava sentado na sala, jogando no Playstation com Lay. Foi aí que minha atenção voltou-­se
para Baekhyun que ficou parado na porta de entrada como se fosse uma estátua.

– Que foi pirralho, congelou? – Provoquei. Para a minha surpresa, ele nem se moveu. Muito menos revidou a provocação. Continuou lá, de costas pra mim como se tivesse petrificado. Soltei o controle do Playstation e fiquei apenas observando­. Até que hoje ele não estava parecendo um trombadinha. Vestia apenas uma calça jeans sem rasgos e uma camisa de mangas compridas vermelha. Tinha algo acontecendo, eu podia sentir, só não sabia o que.

Baek suspirou alto, então saiu. Tentei ignorar e voltar a minha atenção para o jogo na tela, mas não consegui. Principalmente quando
ouvi o ronco do motor da Ducati de Baek. Não deu para evitar, saí correndo em direção a garagem. Quando ainda passava pelo jardim, avistei o Byun atravessar os portões do casarão. Eu estava curioso demais para ficar em casa. Então montei em minha Suzuki decidido a segui­-lo.

XXX

Já passavam das 17h e eu já estava exausto de ficar espionando. Tinha perdido a graça, eu já tinha tomado várias cervejas em um bar de frente ao hotel. Pela janela de vidro, observei por mais de três horas, Baekhyun andar de um lado para o outro na calçada do hotel. Eu nem precisei me esconder, Baek parecia não notar nada em sua volta. Eu sabia que aquele era o hotel em que Kai estava hospedado. Eu só não sabia o que o encapetado do Byun estava fazendo ali.

Baekhyun

Minhas pernas doíam, eu queria descansar, mas não conseguia me dar ao luxo de ficar sentado no saguão do hotel. Eu já havia roído
todas as minhas unhas e ainda queria poder roer mais. No início, eu achei tudo normal. Fui até a recepção e me informaram que Kai havia saído. Eu decidi esperar, afinal, ele havia marcado comigo às 15h e, ansioso, eu havia chegado às 14h. Eu sabia que agora já eram bem mais de 15h.

Podia ver que logo a noite iria cair, mas não queria olhar para o relógio. Não queria aceitar o óbvio. Parei de andar e me encostei em uma parede, exausto. Fechei meus olhos cansados e então, decidi aceitar a realidade, por mais dolorosa que fosse. Kai havia me dado um bolo. Um nó se formou na minha garganta e respirar se tornou difícil. A dor da angústia era quase física e eu queria alívio, queria amenizar a dor, mas não havia como. Era somente eu e a dor da decepção.

Meu Deus Baek, o que você ainda está fazendo aqui? Ele não virá.
Pensei em ligar para kai mais uma vez, mas sabia que era inútil, já havia feito isso várias vezes no decorrer das horas que ali passei.
Será que ele não queria atender ou não podia atender? Queria me chutar por ainda estar ali esperando, mas o que eu podia fazer? A
esperança de vê­-lo me manteve ali como um prisioneiro. Era chegado o momento de me libertar, de deixar a esperança ir embora.

Me forcei a caminhar em direção a minha moto, subi nela lentamente e coloquei o capacete. Dar a partida, no entanto, foi impossível.
Encolhi minhas mãos tentando aquecê­-las, então um Austin Martin preto estacionou em frente ao hotel. Só dei atenção porque achava
aquele modelo de carro sensacional. Para minha surpresa, Kai saiu de dentro do carro, deu a volta e subiu a calçada. Em um súbito,
saí da moto e fui em sua direção, não pensei, não falei, só me aproximei.

– Baekhyun? – Provavelmente ele não esperava me ver. Ao ouvir a voz daquele homem fascinante, me esqueci de todos os meus dilemas interiores, de todas as horas que fiquei esperando. Só queria poder estar ao seu lado. Sorri.

– Kai, você vai demorar? Eu estou com fome – A voz feminina veio de uma mulher alta, ruiva e incrivelmente linda, talvez uma
modelo. Ela saiu de dentro do carro, segurou o braço do meu Kai e me lançou um olhar de desprezo. Minhas pernas fraquejaram. Quem era ela afinal?

– Krystal, esse é o Baekhyun, irmão do Chanyeol, aquele meu amigo que lhe falei... – Disse ele apontando para mim. Eu não sabia o que fazer, não
consegui tirar os olhos dos dois e desejava com todas as forças que eles fossem apenas amigos. Então, Kai continuou – Baek, esta
é Krystal Jung, minha namorada. O chão sumiu embaixo dos meus pés, me senti em queda livre. A tal mulher me estendeu a mão sorridente, mas eu ignorei.

– Tudo bem, ele fez o mesmo comigo – Falou Kai, percebendo que eu não iria cumprimenta-­la. Meu estômago começou a embrulhar, tive vontade de chorar ali mesmo, mas as lágrimas não vieram.

– Onde está Chanyeol? – Perguntou ele sorrindo. Depois de tantas horas esperando, ouvir que ele esperava me ver com o idiota do Chanyeol foi um soco no estômago. Corri para a minha moto, dei a partida, enquanto eles ainda olhavam para mim, provavelmente me achando um estranho. Não dei importância, saí cantando pneu.

Eu queria fugir, queria correr, queria gritar, queria desaparecer.
Mas tudo que eu podia fazer era acelerar a moto até que eu não ouvisse nada além do som do vento batendo no capacete.

Chanyeol

Joguei algum dinheiro na mesa e saí correndo em direção à minha Suzuki que estava estacionada perto do bar. Baekhyun estava estranho
demais e saiu em uma velocidade fora do comum. Era melhor eu verificar se ele estava bem. Era o mínimo que eu podia fazer por
Ji-Sub.

Enquanto eu o seguia, me perguntava como eu não havia percebido que ele estava gostando do Jongin. Quer dizer, eu nem imaginava
que o Byun tinha sentimentos, ele simplesmente odiava a tudo e a todos. Porém, vê­-lo com Kai abriu meus olhos. Chegava a ser irônico que ele gostasse, justamente, do meu melhor amigo. Confesso que achei humilhante a cena na calçada, mas ele se acha tão esperto... Deveria saber que Kai não daria importância a um pirralho como ele. Depois de um tempo rodando pela cidade, Baek estacionou próximo ao rio Huangpu, um dos pontos turísticos da cidade. Ele foi em direção à ponte Lupu e eu fiquei apenas observando de longe. Mil coisas começaram a passar por minha cabeça, ideias simplesmente surgiam inexplicavelmente.

Baekhyun

Caminhei até o meio da ponte, parei e me encostei, olhando para a superfície da água abaixo de mim. O lugar era lindo e estava meio vazio, mesmo que fosse um dos pontos turísticos mais visitados, ideal para eu respirar e digerir os acontecimentos. Como eu pude ser idiota o suficiente para imaginar que Kai poderia querer algo comigo? Eu já deveria saber que ele tinha uma namorada ou mais de uma. Mas acho que eu quis enganar a mim mesmo, só para ter um pouco de esperança. O que isso significava? Que eu tinha que esquecer o único homem por quem já senti algo?

Senti uma mão no meu ombro, me virei assustado e me deparei com Park Chanyeol.

– Você está bem? – Perguntou ele, amistoso. Pisquei os olhos algumas vezes, tentando entender de onde ele saiu.

– O que está fazendo aqui?

– Eu quero te propor um acordo! – Disse, retirando a mão do meu ombro. Fiquei extremamente confuso.

– Do que você está falando, idiota?

– Foi humilhante, hein? Aquela sua ceninha na frente do hotel.

O choque percorreu meu corpo, como ele sabia o que tinha acontecido? Eu queria perguntar, mas estava surpreso demais.

– Eu segui você, vi tudo. Eu já sei que você tem uma quedinha pelo meu amigo. – Falou ele com o sorriso aberto que eu tanto odiava.

– O que? Ah... não... é... não! – Eu queria negar com todas as minhas forças, mas as palavras não estavam saindo corretamente, devido ao choque. Parecia um pesadelo.

Chanyeol, justo Chanyeol, saber dos meus sentimentos. Parecia até um castigo.

– É o seguinte, eu conheço o Kai, ele nunca vai gostar de um garoto que mais parece um trombadinha e fala um palavrão a cada 10 segundos. Aliás, acho que nenhum cara no mundo ficaria com você.

– Ei! – Falei, metendo o dedo na cara dele. – Você só pode estar com saudade de apanhar, Park! Me deixa em paz, não estou com saco pra você agora! – Eu já estava enfurecido.

– Calminha... – Disse ele, erguendo as mãos no ar. – Eu vim em paz. Quero te fazer uma proposta irrecusável.

Confesso que fiquei curioso. Cruzei os braços, fingindo indiferença, e permiti que ele continuasse.

– Vou explicar direitinho, porque você é meio lerdo. Eu posso fazer o Kai se apaixonar por você em poucas semanas. Posso fazer seu sonho adolescente bobo se tornar realidade.

– Como?

– Simples, eu transformaria você em um homem de verdade. Mas não só um homem, O HOMEM que todos desejam. Te ensinaria a se vestir, a andar, a falar, dançar, a seduzir, até mesmo respirar. Depois disso, vai chover mulher e homem na sua horta, vai ser só escolher. – Ele falou aquilo de forma tão segura que me perguntei se ele estava só curtindo com a minha cara.

– Isso é alguma piada?

– Responde pra mim, como você pretende competir com aquele mulherão com quem o Kai estava? Sério, eu quero saber... – Falou ele, cruzando os braços. Abri a boca, deveria ter saído alguma resposta, mas meu cérebro não formulou nenhuma.

– Pensa só, Baekhyun. Kai lamberia o chão que você pisa. Quando eu terminar com você, nunca mais homem nenhum vai te dar um fora,
nunca mais você vai sentir essa sensação de rejeição que eu sei que você está sentindo agora. – Chanyeol sorriu como se estivesse falando a coisa mais simples do mundo.

Infelizmente, eu imaginei. Minha imaginação me levou a um momento em que Kai me aceitaria, me amaria. Um momento em que eu
não me sentiria inferior como me senti perto da tal ruiva. Suspirei tentando colocar os pensamentos em ordem.

– Eu não preciso da sua ajuda, Luhan pode me ajudar com isso. – Respondi em um tom de rejeição, achando que eu tinha tudo sob
controle.

– Mesmo? Eu acho que não! Luhan não tem a metade da experiência que eu tenho, Luhan não conhece a mente de homens como o Kai. Além disso,
eu e Kai somos muito parecidos... Ninguém conhece ele tão bem quanto eu – Chanyeol colocou as mãos no bolso do casaco cinza,
sabendo que tinha toda a razão e eu odiava isso.

Por um momento, fiquei tentado em aceitar. Ele fez tudo parecer tão fácil. Espera, tinha alguma coisa errada nisso. Porque o Park me ajudaria?

– Posso saber o que você quer em troca? – Questionei, analisando­-o. Ele sorriu, mostrando todos os dentes. Tão pretensioso.

– Simples, você só tem que deixar minha mãe e meus irmãos em paz. Não interferir no relacionamento de nossos pais.

– NÃO! – Gritei de imediato. – Isso nunca vai acontecer, nunca! – Só a ideia de Su-Ji conseguir o que quer, casar com meu Ji-Sub, me
deixava irado.

– Que tal uma amostra grátis do que você poderá aprender comigo? Talvez isso te ajude a decidir o que é mais importante. Seu sentimento por Kai ou sua implicância boba com minha mãe.

– Que tipo de amostra? – Perguntei ardendo de curiosidade.

– Tipo... deixa eu pensar... beijo! Isso! Você beija bem?

HEIN?

– Não é da sua conta! – Respondi, tentando não demonstrar o meu desconforto com aquele assunto. Chanyeol me olhou estranho por alguns segundos.

– Espera! Ah meu Deus, você já beijou na vida, né? – Perguntou sarcástico. Paralisei. O que eu deveria responder? Beijar o pôster do Choi Siwon conta como beijo? Por fim, decidi responder.

– Sim! – Menti na cara de pau. O imbecil gargalhou.

– Sei... vou fingir que acredito!

– Eu vou embora! – Ameacei.

– Baekhyun, o beijo é uma das coisas mais importantes para se conquistar alguém. Se a garota beija mal, ou o garoto – ele me olhou, como se se corrigisse - ou simplesmente não sabe beijar, dificilmente damos uma segunda chance. O primeiro beijo é decisivo... – Eu ainda estava tentando absorver aquela informação, eu não fazia ideia de que beijar era assim tão importante – Tudo antes, durante e depois, influencia para um bom beijo. Não é só duas bocas se encontrando. É todo o clima, a respiração, o modo de mover a boca e quando mover, como usar os dentes, até os menores detalhes se tornam importantes.

Por incrível que pareça, eu estava fascinado por aquela explicação, era como se ele estivesse me falando de uma fórmula matemática
dificílima.

– Bem, acho que se eu te mostrar você vai entender melhor - Do que ele está falando? Só quando vi Chanyeol se aproximar de mim foi que eu entendi. Dei um pulo para trás, assustado.

– O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? – Esbravejei atônito. Chanyeol revirou os olhos.

– Como você é criança! Também não vai ser divertido para mim, nem um pouco – ele me lançou um olhar de desdém que me deu raiva - Considere um beijo técnico. – Disse ele, demonstrando pouca paciência.

– Eu não sou criança! – Afirmei ofendido.

– Está agindo como tal!

Parei por um segundo. Ai meu Pai do céu. Eu estava mesmo inclinado a beijar o nojento do Chanyeol? Mas eu queria beijar Kai, só não
queria beijar mal, e se o Park estivesse certo?

– Baekhyun, eu não tenho o dia todo! Além disso, vamos aproveitar que magicamente não tem ninguém passando por aqui – Falou o babaca, me pressionando.

– Ok!

EU DISSE ISSO MESMO?

– Mas, olha, se você contar isso para alguém, eu...

– Cala a boca Baekhyun, vamos terminar logo com isso. Prometo que não vai doer. – Ele riu. Eu fiquei calado, o que mais eu podia dizer? – Preste bem atenção em tudo que eu fizer, todos os detalhes são importantes.

Chanyeol aproximou­-se de mim lentamente. Eu engoli seco. QUE MERDA EU ESTAVA FAZENDO? Ele ficou a poucos centímetros de mim, eu podia sentir sua respiração uniforme. O rosto de Chanyeol nunca ficou tão próximo ao meu, era uma sensação estranha. Com seu braço esquerdo, ele enlaçou delicadamente minha cintura e meus olhos se fixaram em seus lábios entreabertos. Ele suspirou levemente e seu hálito de menta invadiu minhas narinas e boca, que à essa altura, se abriu
inesperadamente.

Com a ponta dos dedos, ele acariciou minhas costas e um súbito arrepio percorreu meu corpo. Chanyeol aproximou ainda mais seu rosto do meu, seus lábios roçaram nos meus, em um toque sutil despertando sensações em mim que jamais sentira. Sua mão direita percorreu vagarosamente meu braço até chegar a minha nuca, e seus dedos entrelaçaram­-se em meus cabelos me fazendo estremecer. Pude sentir a ponta da língua dele em meu lábio inferior. Em seguida, ele sugou levemente meu lábio, meus olhos fecharam-­se quando me entreguei a sensação. Meu coração começou a palpitar em um ritmo fora do normal.

Chanyeol gemeu baixinho contra a minha boca. Então, finalmente me beijou.

A língua dele invadiu a minha boca que, despreparada e desajeita, a sugou. Instintivamente, meus braços enlaçaram seu pescoço e
ficamos tão colados, que eu podia sentir o calor que ele exalava. O beijo que tinha iniciado suave e gentil, se tornou intenso quando ele
começou a sugar minha língua com urgência e morder levemente meus lábios. Ele me segurava com firmeza e segurança, como se eu
fosse sua propriedade. Tudo ficou meio confuso naquele momento, eu sabia que deveria prestar atenção em cada movimento, mas eu
não consegui pensar em nada. Estava entorpecido pelo calor, sabor, textura e cheiro. À essa altura, meu coração ameaçava explodir, e
meu corpo incendiar. Aos poucos, o beijo voltou a ser gentil e Chanyeol mordiscou meu lábio inferior pela última vez. Quando ele afastou
lentamente o rosto, ambos estávamos ofegantes, minhas pernas cederam e eu só não fui ao chão porque ele me segurou.

 Eu estava tão envergonhado, que não tive a coragem de encará­-lo. Mas ouvi uma risadinha vindo dele.

– Eu vou deixar você pensando um pouco sobre a minha proposta, volto em 1 hora. É bom você levar em consideração o fato de que eu não vou fazê­-la uma segunda vez. É pegar ou largar. Ou você aceita e fica com o Kai, ou passará o resto dos seus dias se perguntando o que teria acontecido se você tivesse tido a coragem para fazer a coisa certa.

Senti o Park se afastar, não o olhei. Ao invés disso, fiquei olhando para o céu, esperando minha respiração voltar ao normal.

XXX

Refleti sobre os prós e os contras por longos e intermináveis minutos. Eu não podia, simplesmente, abandonar meu plano de afastar
Su-Ji da vida de Ji-Sub. Não podia deixar que eles se casassem, seria uma estrada sem fim para um mundo do qual eu não pertencia, e nem queria viver. Pensei na minha mãe, pensei nos dias desastrosos que passei ao lado dos Park, pensei em quanto eu queria que
a minha vida voltasse ao normal, quando éramos somente eu, Ji-Sub e Kris.

Eu queria Kai, isso era fato, se o beijo com o Chanyeol
foi uma sensação surreal, imagina como seria com Jongin? Eu não queria mudar, mas eu sabia que precisava. Eu não queria fazer
joguinhos com Kai, mas sabia que necessitava lutar por ele. Minha cabeça parecia que ia explodir, eu não queria escolher, não queria decidir. Apenas queria Kai, mas o preço para tê­-lo era alto demais. Olhei para o relógio e constatei que logo, Chanyeol retornaria.

Eu precisava de ajuda. Eu precisava de um sinal. Olhei para o
céu, agora estrelado pela noite que chegara e eu nem sequer notei.

– Por favor, Deus, me ajuda, me dá um sinal. – Suspirei.
De repente meu celular vibrou no bolso da calça. Peguei o aparelho e havia uma mensagem. Era de Kai.

Desculpe por não ter ido ao encontro. Tive contra­tempos. Abraço.

Era isso. Só podia ser o sinal que eu esperava. Não ia pensar mais, estava decidido. Eu queria Kim Jongin, e ele seria meu, não
importava o preço.

Poucos minutos depois, avistei Chanyeol vindo em minha direção e fui ao seu encontro.

– Decidiu? – Perguntou ele, parecendo apreensivo.

– Eu topo! – Falei de uma vez, evitando pensar.

– Teremos uma trégua em nossa pequena guerra?

– Que seja! – Respondi, já pronto para enfrentar o que estava por vir.

– Acordo fechado! – Falou ele, sorrindo e me estendendo a mão. Apertei a mão de meu inimigo, agora, meu cúmplice, fechando um acordo que eu não fazia ideia das consequências.

– É Byun, agora eu vou ser seu professor, e... Lay vai ser meu assistente!

Arregalei os olhos.

– AH, NÃO! Não tinha alguém pior? – Reclamei. Chanyeol gargalhou.


Notas Finais


E então? O que estão achando?
Comentem, favoritem!
Até o próximo :3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...