História Deep as the Sea - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Direction
Personagens Harry Styles
Tags Camilla Cabello, Comedia, Drama, Hailee Steinfield, Harry Styles, Mermaids, Merman, One Direction, Romance, Sereia, Sereias, Sereismo, Suspense, Tritão, Tritões
Visualizações 42
Palavras 4.691
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Bishoujo, Bishounen, Comédia, Crossover, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi! Pra quem não me conhece sou o PH, sou irmão da ~AnnaWrou, e graças a ela estou aqui escrevendo essa fic! Espero que gostem dela e comentem o que acharam hehe Abraço!

Capítulo 1 - Só uma garota solta ao mar


Fanfic / Fanfiction Deep as the Sea - Capítulo 1 - Só uma garota solta ao mar

Hailee

Justo quando achava que nada podia piorar meu dia, aquele trânsito começava a apertar.

Não adiantava buzinar, meu carro estava bem no meio daquele fogo cruzado. Peguei o celular e tratei de ligar logo para Sra. Stiller.

-E aí, ele chegou? –Perguntei.

-Não, srta. Hailee, ainda não. Provavelmente por causa do trânsito. –Minha secretária respondeu.

-É, estou na mesma situação. – Respondi, esticando meu pescoço para fora do carro, vendo se alguns carros na frente haviam avançado. Negativo. – Sra. Stiller, pode por favor ligar para minha irmã e pedir para ela assumir o comando do atendimento? Acho que vou demorar bastante.

-Não se preocupe srta. Hailee, sua irmã já chegou no departamento.

-Ah, graças a Deus. OK. Peça pra ela me ligar, obrigada. – Falei, desligando.

Era o mínimo que Camy podia fazer depois de passar a semana viajando e festejando enquanto eu aturava os atrasos de entrega, as reclamações de clientes, o movimento dos produtos... É, tudo sobrava pra mim.

Esperei mais dois minutos e os carros avançaram um pouco. Meu celular tocou.

-Uau, essa foi rápida. – Falei. Nem precisei olhar qual era o número para identificar a voz de minha irmãzinha.

-Heeey! – Ela falou, com sua voz afetada e ao mesmo tempo embargada. Possivel ressaca.

-O que foi? – Respondi, secamente.

-Cê não sabe aonde a gente vai hoje à noite. Eu conheci dois caras lá de Cape Cod, que trouxeram uma...

-“A gente”? Não sei se estou muito afim de sair hoje. Você já preparou as apresentações de resultado? Como é que estão os relatórios da...

-Ai, Hailee! Pelo amor de Deus, relaxa! Tá tudo sobre controle! – Camila falou, me tranquilizando. Aposto que ela falava isso de dentro do banheiro, enquanto ajeitava o batom novo que eu lhe dera de aniversário.

-Você falou a mesma coisa depois daquela reunião com o Sr. Strauss da Strauss Ltda. Até hoje ele fala mal da gente no mercado! – Eu falei, me irritando só de lembrar da cara daquele embuste.

-Aquele velho ranzinza não tinha nenhum tipo de educação. Você apresentou todos os argumentos possíveis e ele só gritava “Eu quero as minhas cereejaas!” – Camila lembrou.

Confesso que ri de leve ao lembrar daquilo. Ainda bem que podemos lembrar disso como algo engraçado, porque na hora foi um sufoco.

Não é nada fácil ser uma das donas dos negócios da família. A nossa distribuidora operava com produtos cítricos, alimentos e também produtos de varejo. Embora pareça desgastante, é um sistema operacional bem plano e, se pegar o jeito, chega a ser relativamente “fácil” de operar, já que as coisas simplesmente vão e vem, são entregues e fim. Mas como nada na vida vem de graça, sempre temos que aguentar os clientes insatisfeitos, enfrentamos alguns problemas com larvas, ou mesmo produtos estragados. Ai a coisa fica séria.

Mas aquela reunião era com um novo cliente que queria abrir uma importante relação de venda conosco. Seria uma enorme oportunidade do nosso lucro aumentar e podermos ficar sossegadas nesse tempo de crise. Ah, se ao menos papai pudesse me garantir que tudo ficaria bem no fim...

Bom... Essa era minha vida.

Vinte e quatro anos, dona de uma pequena distribuidora de alimentos, empresária. Essas eram algumas das palavras que definiam Hailee Bahuer. A menina frígida e antiquada do ensino médio que mal sabia se vestir e vivia na sombra de sua linda e mega popular irmã mais nova, agora tinha um pequeno “império” nas mãos, um guarda roupa até aceitável (com muita ajuda da Camy, claro) e um certo tempo livre pra curtir meu tênis.

Mas não. Nada de namoros, como você deve estar imaginando.

Minha última experiência não havia sido das melhores.
Josh e eu namoramos por três anos e sete meses, até que ele “colocou um anel no meio”, como algumas amigas minhas falam. Ficamos noivos até um ano atrás e alguns meses. A mesma época em que o maldito acidente de carro teve que tirar nosso pai de mim e Camila, nos desestruturando drasticamente.

Tive que deixar a faculdade de biologia e assumir totalmente nos negócios da família, que eu tinha um certo conhecimento por dividir com papai a bancada de vez em quando. Não posso dizer que Camila não se esforçou, ela deu tudo de si para começar a entender como funcionavam os esquemas do trabalho de meu pai. Foi muito triste para ela ter que desistir de Moda para entrar no meio de um monte de frutas secas.  Mas Josh, ainda assim, não pareceu entender.
 

“Você trabalha demais!” Ele dizia. “ Eu já disse que posso ajudar!” Ele também dizia.

“Minha mulher não precisa trabalhar!” Ele infelizmente disse.

“Você ainda me ama?” Ele perguntou.

E foi aí que tudo acabou. Nenhuma dessas afirmações e questões pareciam mais importar para mim, era como se meu coração houvesse perdido a cor, perdido o calor. Agora meu ascendente Capricorniano tomou conta de mim, como dizia Camila. Minha vida era só voltada para trabalho, trabalho e trabalho. Não queria depender de homem nenhum e também não queria dar um simples vacilo, isso custaria as nossas vidas.

E era por isso que eu estava ali, naquela loucura de trânsito, no meio do viaduto da 4th Square, esperando que conseguisse chegar a tempo para ao menos cumprimentar nosso novo cliente.   

-Hailee? Você ainda tá ai? – Ouvi a voz de minha irmã no telefone.

-Ah... Sim, sim. Pois então aguenta as pontas ai. Estou já chegando. – Respondi e desliguei.

Os carros finalmente começaram a andar e disparei na frente. Quase bati no carro da frente, querendo chegar ao meu destino. Vendo que não adiantaria muito me estressar ainda mais, puxei o freio de mão, pus a marcha em ponto morto e relaxei os dois pés. Olhei pela janela e vi não muito longe, a bela baía da cidade. Aquela água azul e cintilante já fora meu lugar favorito de toda a terra. Era meu playground, onde eu ensinei Camila a coletar conchinhas e criar caminhos para os filhotes de tartarugas marinhas atingirem o mar. E foi naquele mesmo lugar, numa parte mais voltada para a costa leste, onde algo inesquecível aconteceu.

Estava tendo uma festa de praia organizada por uns amigos de meu pai. Minha mãe gritava o tempo todo com Camila, que corria pelas mesas e bandejas de garçons beliscando os petiscos de todos. Papai conversava e ria, todos estavam entretidos com algo, menos eu. Então, na minha cabeça de criança, resolvi voltar a explorar a praia e ver se achava algum molusco, pois meu objetivo naquela semana era ver um molusco de perto e conseguir puxá-lo para fora da concha –não tentem isso em casa- para anotar no meu diário de descobertas.

Cara, como eu queria ser bióloga.

Então, quando sai de perto daquele palco de madeira, desci as pequenas escadas e cheguei bem à beira da praia, fui procurando pelas conchas. Avistei então, um monte de pedras, e lá perto, ouvi alguém choramingar. Não era exatamente um choro, era como uma criança reclamando porque não conseguia pegar algo numa prateleira alta, esse tipo de choramingo.

Aproximei-me das pedras e vi o menino, aproximadamente da minha idade, com a pele bem bronzeada e cabelos castanhos claros bem grandes para um menino daquela idade. Ele estava só com uma espécie de cueca, era como um grande esparadrapo no lugar das partes intimas. Não parecia nem uma fralda, era algo... estranho.

Ele metia as mãos nas pedras e procurava algo, mas parecia inútil.

“Ei, menino!” Eu gritei. Ele me olhou de longe e pareceu surpreso com minha presença. Ficou um tempo me olhando e percebi que seus olhos eram de um verde claro quase impossível.  “O que foi? Tá procurando concha também?”

Ele fez que não com a cabeça e ficou me olhando. Meninos são esquisitos, pensei.

“Eu posso te ajudar” pensei “ Meninos são bobos, precisam de meninas pra achar as coisas. Pelo menos o Mike e o Jonas precisam sempre que eu ajude eles a procurar os outros quando a gente brinca de pic-esconde!” Falei.

O menino continuou quieto, e bateu no peito. Não entendi aquele gesto.

Ele bateu no peito e desenhou um circulo ao redor do pescoço.

“Que é? Uma corda? Fala!” Eu disse, já me irritando. Nossa, como eu era impaciente, desde muito pequena. O menino então continuou desenhando um circulo ao redor do pescoço e fez um gestou de “pegar” perto do peito. Entao, entendi.

“Um cordão? Um colar?”

Ele sorriu e fez que sim. Ele tinha dois dentes de leite, assim como eu, na época.

“Vou te ajudar! Minha mãe tem um monte de colar, eu sei reconhecer um”

Então, olhei para o chão, perto daquelas pedras lisas e procurei por algum colar. Não sabia nem como ele era, só sabia que queria ajudar aquele menino estranho. A maré começava a subir mais e mais, e nada do colar. Até que vi uma pequena concha rosada. Pensei em puxá-la para colecionar, mas assim que o fiz, puxei também outras conchas, um fio preto e algumas pequenas pérolas.

O menino soltou uma exclamação alta e alegre e pegou o colar das minhas mãos.

“Ei, eu que achei! Não vai nem me agradecer, menino chato? ”  Falei, birrenta.

Ele não conseguia parar de sorrir e de repente, na maior inocência do mundo, me deu um beijo demorado na bochecha. Senti meu rostinho de sete anos corar como nunca, era a primeira vez que um menino havia me beijado.

Depois disso só me lembro de ouvir os gritos histéricos da minha mãe, e de olhar para trás e o menino não estar mais lá.

As buzinas me despertaram de minhas lembranças. Na minha frente, os carros já haviam avançado bastante, e eu era o único obstáculo para os carros seguirem em frente. Arranquei com o carro e em menos de dez minutos, cheguei ao meu trabalho. O ritmo estava movimentado como sempre. Fui cumprimentando os empregados, respondi perguntas de outros e continuei até minha sala.

Avistei minha secretaria, a simpática Sra. Stiller em sua mesinha, com sua pilha de livros de um lado e sua agenda com minhas obrigações e suas próprias do outro. Ela me cumprimentou com o olhar, enquanto terminava uma ligação. Ela não devia ter mais que cinquenta e poucos anos, nunca quis perguntar, e se arrumava como uma bibliotecária, com aqueles óculos grandões e cabelo curtinho, muito fofa. Parecia que ela havia saído de um filme dos anos sessenta.

Ela foi muito importante para mim e para Camila, na nossa superação da perda de nossos pais e tomada do controle da empresa. Não havia sido nada fácil para nós. Com sua paciência e palavras gentis, conseguimos manter tudo em ordem. Ela finalmente desligou o telefone e me olhou com um sorriso.

-Sra. Stiller, desculpe fazê-la ficar mais tempo, mas você entende, não é? O trânsito estava...

-Calma, Srta. Hailee, não tem problema nenhum! Gostaria de saber quais as demandas da próxima semana? – Ela perguntou, sua voz me lembrando a voz fininha da Betty Boop.

-Não, obrigada. Vou só entrar em reunião para liberar todo mundo...  Aliás, o Sr. Everton já chegou? – Perguntei.

-Acabou de sair. – Sra. Stiller falou, juntando alguns livros e fechando sua agenda.

-Ah, certo... O QUÊ? Acabou de sair?! Mas...

-Sim, a reunião começou não muito depois de sua ligação.

Ah, ótimo.

-Sua irmã tomou conta de tudo, falou com ele. Entrei também, só para garantir as anotações. – Ela disse.

-Hmm... Entendi. Ótimo, obrigada. E onde está a Camila?

-Em seu escritório, senhorita! – Ela disse, rindo. E fez uma cara de repreensão – E na sua cadeira, aliás.

-Entendi. Bom, vou me ver com ela – Eu disse, rindo. – Obrigada, Sra. Stiller. Bom final de semana!

Sra Stiller se despediu e saiu com sua pilha de livros e bolsinha quadrada.

Fiquei observando-a sair e pensei.... Será que eu seria assim no futuro? Enfurnada nesse escritório, com roupas antiquadas, sem uma vida social muito ativa? Sem alguém pra me esperar em casa, e ter que esperar minha irmã chegar em casa depois da balada?

Bom, eram pensamentos para outro dia. Entrei em meu escritório e realmente, aquela magricela estava na minha cadeira, de costas para mim. Quando percebeu que era eu, ela virou lentamente, como aqueles vilões de filmes da máfia italiana.

-Estava lhe esperando srta. Bahuer. – Ela disse, com aquele sorriso infantil, rosto de boneca e cabelos pretos emoldurando-o. Só então baixei os olhos e vi o vestidinho curto e cor de rosa que ela usava, e aqueles saltos que pareciam mais um par de furadeiras.

-Pelo amor de Deus, me diz que você não atendeu o cara com esse vestido. – Falei.

-Ah, claro, eu ia trazer um vestido reserva só pra atender o cliente – Ela ironizou. – Me poupe.

-Camila, quem vai te levar a sério com um vestido desse? – Perguntei. Ela parou e me olhou, pasma.

-Você tá se ouvindo? Quer dizer que se eu uso um vestido curto eu não tenho competência pra fechar um contrato de venda com um possível cliente? – Ela perguntou.

-Não, é só que...

-E pro seu governo, ele já assinou. Tá aqui. – Ela falou. Fiquei besta.

-É sério? Uau!

-Isso. Não foi o vestido não, amor. Foi minha astúcia. – Ela disse, sacudindo o cabelo. – E também meu charme, óbvio. Já pode pedir desculpas pelo comentário altamente machista, vai!

-Ai, ta bom, você tem razão. Desculpe. Mas muito bom, maninha. Podemos relaxar nesse final de semana então. – Falei.

-Claroo!! – Ela exclamou, já se animando. – E aliás, olha isso daqui!

Ela sentou na minha mesa e me entregou dois tickets.

-Hoje à noite, vamos ver se você lembra como se dança! – Ela disse dando uma piscadinha animada. Eu soltei uma espécie de gemido sofrido e já imaginei a loucura que me esperava, ainda mais acompanhada da louca da minha irmã.

 

 

 

 

 

 

 

-Vamo, deixa de ser fresca! Toma só mais uma! – Ouvi a voz distante de Camila me falar, aos risos. Eu mal enxergava um palmo à minha frente, o que diabos aquela garota tinha colocado na minha bebida?!

Credo, eu até que queria sim curtir uma noite em paz, mas não queria acabar acordando no hospital com coma induzido! Porém, minha irmã parecia não se importar e após o incrível show do cover dos Strokes, fomos à boate favorita da Camila. Até que não era tão apertada como eu me lembrava. E tinham pessoas bonitas, bem diferente da vez em que vim busca-la no Reveillon.

Era a segunda dose que eu tomava de... O que diabos era aquilo que eu estava bebendo?

Só sei que estava mais bêbada que metade das pessoas dali. Não sei nem como me lembro desse relato. Fiquei sentada na mesa do bar, morrendo de sono. O pequeno lado sóbrio dentro da minha cabeça disse “Isso, durma. Fique quieta ai, assim não vai poder se envergonhar! ” Porém, como nada na vida é justo, senti a mão de minha irmã me puxando pelo braço.

-Ai, não, cê não vai dormir não! – Ela falou e me levou para a saída. Percebi que ainda tinha uma certa consciência, pois vi os dois caras bem bonitos nos acompanhando para dentro de uma Chevrolet novinho, 4x4. Um deles eu reconheci como amigo da Camila, ela havia saído com ele algumas vezes. O outro nunca vira na vida.

-Aon...Aonde... Que... – Tentei perguntar, mas nada saiu. Apenas senti o assento de couro e cheiro de carro novo. Ouvi as risadas de Camila e as vozes altas dos dois caras. Um deles estava sentado comigo no banco de trás. Estreitei os olhos para vê-lo e vi seu sorriso simpático e cabelo ralo, o típico bom moço que você levaria para sua mãe conhecer. Isso, claro, se eu ainda tivesse mãe e ele não fosse apenas um moleque querendo fazer sacanagem comigo.

Lembro parcamente do que ele começou a conversar comigo, só lembro que comecei a falar:

-Uau... Isso é tão oportuno. Nós somos jovens né? – Perguntei, muito, muito alta.

-É isso ai, gata. – O cara falou, botando o braço atrás dos meus ombros.

-A gente bebe, festeja, sai com caras desconhecidos... – Falei, encontrando um pouco de sobriedade em minhas palavras -...  Tudo pra tentar se encontrar. Encontrar a própria felicidade.

-Ih, lá vem o papo cabeça. – Camila falou, enquanto tirava selfies no banco do passageiro – Não liga não gente, ela é aquelas bêbadas filosóficas.

-Cala a boca. – Eu falei para ela, fazendo os dois caras rirem alto.

-Mas diz aê, gatinha, o que cê achou da noite? – Meu colega de assento perguntou.

Eu olhei lentamente para ele, me esforçando para falar. Saíram algumas palavras sem sentido, mas consegui jorrar tudo que estava dentro de mim.

-Cara, que bosta de noite... Não lembro de nada... Vim aqui arrastada... E tô aqui lutando pra falar, morta de bêbada. Quando tudo que eu queria era...

Fiquei em silêncio por um momento.

O que eu queria?

-Eu queria... Um futuro. Queria me sentir jovem de novo. Não queria ser a irmãzona chata que cuida da empresa e só vai pra festas forçada pela irmã. Queria ser alguém que um garoto se interessasse e falasse: Uau... Que mulherão da porra!

Falei, e fiz todos no carro rir. Mas não era pra rir.

-O que eu queria... Era saber o que é amor de verdade. Ter um futuro com alguém. Mas acho que não, eu vou só...

As palavras me faltavam, mas eu sabia muito bem o que queria dizer.

-...Vou só ficar trabalhando, incessantemente. Sem relaxar, sem sorrir, sem parar pra ver o pôr do sol. Observar minha irmãzinha ter uma família linda, e eu ser aquela tia solteira cheia de gatos... E rodeada de frutas podres...

Pude ver através de minha visão embaçada o olhar preocupado e triste de Camila, me olhando como se quisesse me tirar dali. Pude ver que ela se arrependera de ter me levado naquela aventura.

-Ok, ok, o papo tá ótimo, mas vamo saindo, galera! Chegamos. – O outro cara que servia como motorista falou, desligando o carro e abrindo as portas. Camila mudou completamente de expressão, voltando a ser aquela menina animada e solta do início da viagem.

Eles saíram do carro e tiraram os sapatos. Percebi que estávamos numa praia não tão distante, aliás, me parecia bem familiar. Camila exclamava coisas como “Uaaau” e “Ai, quero dar um mergulho, vem comigo! ”, e o cara motorista concordava e ria. O outro rapaz que veio do meu lado pareceu avançar no meu rosto, mas eu estava desnorteada demais para reagir. Ele iria me beijar, sem minha permissão. Minha vontade foi de dar um soco na trouxa dele, mas não precisei.

-Ei! – Camila exclamou. – Deixa ela ai, a Hailee bebeu demais. Vumbora

-Que é isso, não tem problema não. – O cara falou, pegando meu pescoço. Finalmente me mexi, empurrando seu peito com meus braços. Ele pareceu não ligar e segurou minhas mãos, avançando de novo em mim, quase me fazendo deitar no banco.

-Não... Para... – Consegui falar, enquanto ele tentava me beijar.

-Ei, não ta ouvindo ela não!? – Minha irmã ficou irritada. – Ela disse pra parar!

O cara pareceu não ouvir, e tive que realmente empurrar seu rosto com as mãos.

-Eu mandei parar, deixa ela!! Sai daqui!! – Camila gritou, fazendo o seu ficante correr para lá e observar tudo de longe.

Não lembro como que ele me deixou, só sei que me olhou torto por um bom tempo. Bom, desculpe se o fato de estar bêbada não quer dizer que sou um petisco disponível pra você.

Lembro de ter passado um tempão naquele carro, enquanto Camila brincava na areia com os dois caras, rindo e correndo, enquanto um jogava água nos outros, até que pararam para beber o resto de cerveja que restava numa garrafa.

Não sei o que me ocorreu, mas quis sair do carro. Estava bêbada, mas não estava morta. Fui numa direção distante deles, caminhando pela praia. A maré não estava tão alta, e a lua cheia brilhava majestosamente, iluminando a areia e as águas. Seria uma visão linda, se eu não estivesse tonta do álcool. Cara, eu ia me arrepender tanto disso na manhã seguinte!

Para onde eu estava caminhando? Aquela orla parecia não ter fim. Minhas pegadas na areia eram incertas e cambaleantes, como se eu dançasse em vez de caminhar. E ainda havia aquela música, que ecoava nos meus ouvidos.

Será que era eu mesma cantarolando? Não, não podia ser. Haviam outras pessoas fazendo fogueira naquela praia e cantando? Não... A voz que eu ouvia parecia muito próxima a mim. Era como se ecoasse atrás de mim, como se alguém a sussurrasse em meus ouvidos.

E que som maravilhoso... Era macia e grave, como um afago no cabelo, um carinho nas costas. Ela percorria todo o meu corpo e me fazia querer flutuar no ar.  Mas daonde vinha? Virei a cabeça para os dois lados, mas não havia ninguém ao meu lado, e Camila e os rapazes estavam bem atrás de mim, nem sequer perceberam que eu havia saído dali.

Assustei-me quando senti a água gelada molhando meus pés. Aonde diabos eu estava indo? Entrando no mar? Só sabia que queria descobrir de quem era aquela voz maravilhosa que fazia cócegas em meus ouvidos e em toda minha pele. Senti o peso das ondas do mar, mas não me importei. Apenas segui em frente.

Até que não vi mais nada, e apaguei totalmente. Senti a água entrando pelo meu nariz, bagunçando meu cabelo e me engolindo totalmente. O desespero e pavor não eram maiores, porém, do que a força que aquela música estava fazendo em mim.

O que se sucedeu naqueles instantes e depois, não me lembro.

 

 

Lembro-me, porém, daquele monte de areia na minha boca. Era macio e branco, jurava que eram meus travesseiros. Mas ao abrir os olhos senti aquele monte de grãos de areia esparramados na minha cara, meu cabelo e minhas roupas. Cuspi e bati em minha cara, só pra sentir uma imensa martelada no cérebro. Jesus, que dor de cabeça horrível! Faziam séculos que eu não sentia uma ressaca tão rápida como aquela.

Ouvi o som do mar perto de mim e percebi que aquela não era a praia aonde eu estava. Não mesmo.

Ao longe estava uma pequena ilhota, não tão longe para se chegar a nado, e algumas palmeiras e pedras perto de mim. Onde DIABOS eu estava?!

Comecei a entrar em pânico à medida que minha sobriedade ia voltando. O que tinha acontecido na noite passada? Aonde estava minha irmã? Meu Deus, ela devia estar morta de preocupação, acionando a polícia à minha procura, os jornais deviam estar fazendo matérias sobre o meu desaparecimento... Minha nossa, e a empresa? Nossa distribuidora ficaria super desprestigiada, imagina! Descobrirem que uma das donas dela desapareceu no mar depois de tomar um porre! Que desastre. Que grande desastre!

Quando me ergui para ver se havia algum sinal de civilização por ali, deparei-me com um belíssimo par de olhos verdes.

Um rapaz de longos cabelos castanho-claros, pele rosada e olhos finos e verdes me olhava de longe, detrás de um arbusto. Consegui ver também que seu peito e braços eram cobertos de tatuagens, que não consegui distinguir o que eram. Mas percebi que era o garoto mais lindo que eu já vira em toda a minha vida.

-Oi! – Exclamei. Ele com certeza ouviu, mas não mexeu um músculo, não tirou os olhos de mim. – Desculpa, pode me dizer que praia é essa?

Será que ele havia me salvado? Porque eu lembro parcamente de ter entrado no mar e não voltar mais para a superfície. Será que aquele gato estava passando na praia e havia me resgatado das ondas? Eu tinha que agradecê-lo, mas ele nem se mexia!

Ele permaneceu calado, apenas ergueu mais o tronco, mostrando o cabelo que caia nos ombros, o corpo magro e abdômen sarado... Ai, meu Deus, ele estava nu.

Meu instinto me dizia para sair correndo dali, imagina o que um esquisitão daquele podia fazer comigo? Mas ele não avançou, não se aproximou de mim, apenas permaneceu me observando, como que zelando por mim.

-Moço? – Voltei a perguntar. Ele não se mexeu.

Então resolvi avançar. Eu devia estar horrível, ensopada, suja de areia, cara amassada e bafo fedendo a álcool, mas não liguei. Precisava falar com aquele... Ser. Ao ver que eu me aproximava, ele se esquivou. Subi com dificuldade o banco de areia e alcancei o arbusto onde ele estava. Mas ele saiu correndo para a praia. Nossa, que homem era aquele?

Seu corpo esguio era branco e bronzeado ao mesmo tempo, um tom rosa pálido. Os músculos firmes nos braços e nas pernas eram tão convidativos que... Putz, sendo safada a essa hora da matina? Credo, Hailee.

Então, eu parei, apenas observando-o também, ele me examinou de cima para baixo, me olhando intensamente. Senti o rosto corar e a mão suar ao vê-lo. Era como ver uma daquelas estátuas gregas, em carne e osso na minha frente. Seu cabelo balançava levemente com a brisa da maresia, e seu cheiro salgado deslizava para mim. Ele suspirou ao olhar para mim, como se me ver ali, suja, confusa e perdida fosse um grande alivio para ele.

O garoto aproximou-se de mim lentamente e meu coração começou a bater forte. Forcei meus olhos a não olharem para baixo, fixar-me apenas em seu rosto. E que rosto...

Percebi, nesse meio tempo, que ele tinha em seu peito um colar de conchas rosadas e laranjas, muito bonito e exótico, que aliás, não me era estranho. Ao levantar os olhos, deparei-me com sua boca, se aproximando da minha. Senti um fogo percorrer meus lábios, meu coração e minhas partes baixas, me fazendo tremer. Senti sua respiração quente à minha frente. Ele parou subitamente, como se impedindo a si mesmo de fazer algo que queria muito fazer.

“Ah que se foda.” Pensei.

Agarrei aquele pescoço longo e forte e o beijei com fervor.

Nossa, que beijo. Ele se surpreendeu com minha atitude e eu também. Ele retribuiu o beijo, apertando-me contra ele e pondo uma mão em meu rosto. Quando eu me afastei, ofegante, ele sorriu e me beijou carinhosamente, fazendo minhas pernas tremerem e quase falharem.

Que homem era aquele? Onde ele esteve por toda a minha vida?

Então, antes que eu pudesse abraça-lo, ele descolou seus lábios dos meus, lançou aquele sorriso encantador e..... Pulou na água! Minha última visão foi sua bunda ( e que bunda) entrando no mar num pulo certeiro e nadando rápido para longe. Logo, minha racionalidade voltou e percebi que ele era o único ser humano presente ali além de mim, minha única esperança de encontrar um modo de sair dali.

-Ei! Volta aqui!! – Gritei desesperada.  Ele continuou nadando, vi suas fortes braçadas na água – Por favor, volta! Me diz onde é que eu tô! Tem alguma barraca de praia aqui, algum orelhão?! Eii!!

Minhas pernas então moveram-se sozinhas e corri para dentro do mar, pensando em persegui-lo, apesar de minhas aulas de natação estarem bem no passado. Mas antes que eu pudesse sequer mergulhar na água, não vi mais sinal do garoto.

Uau. Que sorte hein, Hailee? O primeiro gato que te aparece depois de tanto tempo foge de você a nado e desaparece no mar. Que beleza.

Virei de costas para a praia, me esforçando para esquecer aquele maluco e procurar um jeito de sair daquela praia distante. Chega de brincar de A Lagoa Azul, de volta pra realidade. Ainda ouvi um barulho de algo pesado caindo na água atrás de mim. Olhei novamente para o mar, mas as ondas lentas batiam lentamente, nem sinal de ninguém. Apertei o passo pela areia e entrei no caminho das palmeiras.

 

 

 

OK, pra resumir, encontrei minha irmã. Aquela praia onde eu estava não era nada mais do que uma outra extensão da praia onde havíamos ficado noite passada. No final das contas ela estava mesmo desesperada por achar que eu tinha sumido, e ironicamente, foi ela quem me deu sermão a volta todinha. Tivemos que tomar cuidado, todos nós estávamos alcoolizados, ótimos exemplos, não é mesmo?

Mas tudo deu certo.

Conseguimos voltar para nosso apartamento e consegui pregar o olho.

Assim que o fiz, sonhei com aquele lindo garoto da praia e imaginei-o resgatando-me do mar, rezando pra que pudesse encontra-lo de novo.

 


Notas Finais


Oie! Eu sou novato aqui, pessoal, espero que tenham gostado da fic, não esquentem que vai ter mais!
Até mais :D


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