História Defect - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Mamamoo
Personagens Hwasa, Moonbyul, Solar, Wheein
Tags Moonbyul, Moonsun, Sad, Solar, Universe
Visualizações 35
Palavras 14.621
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Romance e Novela, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


MEEEEEU DEEEEEUS GENTE Q

TERMINEI! ALELUIA!

Inclusive, desculpe DEMAIS pela demora. Eu espero que entendam tudo que aconteceu e pá, porque vou dizer, está realmente complicado. ME DESCULPEM QUALQUER ERRO, ESTÁ ENOOOOOORME.

Boa leitura, monas <3

Capítulo 4 - Onde tudo começou, terminou.


Fanfic / Fanfiction Defect - Capítulo 4 - Onde tudo começou, terminou.

< ... >

"E se um dia eu te machucar, você me perdoaria?" A morena perguntara baixinho, segurando uma das pálidas mãos da loira, que sorrira ao sentir a morena entrelaçar seus dedos aos dela.

"Eu não diria que te perdoaria, porque não sei o que talvez irá fazer. Mas não se preocupe, eu sei que sempre á uma explicação decente." Disse simplesmente, olhando para o céu que naquele dia estava limpo, em um tom azul clarinho e brilhante. A morena tinha sua cabeça sobre as coxas da menor, que estava encostada em uma árvore, ambas na grama verde. A loira, no entanto, estava sobre a sombra das folhas, digamos que sua pele, por ser extremamente pálida, era bem sensível aos raios solares, mas nada que machucasse ou algo assim. Já a morena, que também tinha uma pele clara, só que mais rosada, estava exposta ao sol, ela gostava da quentura que tais raios lhe traziam na pele, era bom e confortável, ainda mais pela paz que a loira trazia para si, uma paz que ela jamais teve.

Não posso dizer exatamente o porque daquilo, mas essa garota, Kim Yongsun, não tinha uma paz interna, não tinha sorrisos verdadeiros no rosto, não tinha alegria, não tinha esses sentimentos bons a muito tempo.

Não diga que alguém não tem problemas só porque não os vê.



(xx/xx/xxxx)
(Ás xx:xx)



Moonbyul estava feliz, havia se arrumado e já estava para sair de seu apartamento, hoje iria se encontrar com Yongsun em um pequeno bar perto do apartamento da mesma, pois é. Moon Byul checou uma última vez as janelas e portas do local, sorrindo largamente ao ver que tudo estava em seu devido lugar. Assim deixou o local, com o pensamento de que não voltaria muito cedo para tal.

Só que, ela voltaria..

A loira caminhava tranquilamente, enquanto suas mãos ocupavam os bolsos da calça jeans preta, com alguns rasgos nos joelhos. Estava assobiando algo, como algum ritmo ou música, mas no que estava focada mesmo era em seus pensamentos.

'E se.. Ela não gostar? Não pense nisso Moon Byulie! Ela pode, sei lá, jogar no lixo? Nah, ela não é do tipo que faz isso... MAS QUE DROGA!' Exclamou internamente, irritando-se consigo mesma. Parecia que seus pés estavam projetados para seguir o caminho até o bar ou para perto do apartamento da morena, que já, quando finalmente se deu conta de onde estava, se viu em frente ao prédio, e logo ali na esquina ao lado, era o tal bar. Sorriu de canto negando com a cabeça, andava pensando muito na garota, sendo assim, respirou fundo, segurando o puxador da porta e fazendo-o, adentrando o local. Ouviu o jazz clássico tomar conta de seus ouvidos, junto com o som de risadas, vozes e etc, até que uma risada em especifico lhe chamou a atenção, fazendo-a abrir um sorriso, caminhando para onde saía tal som, avistando sua garota e... Alguém que ela não via a muito tempo, e também não queria ver.

"Com licença, mas acho que errou a mesa." Disse aparentemente calma, mas por dentro estava furiosa. Ao ouvir, o garoto virou o rosto em direção a loira, com um sorriso enorme nos lábios. A mesa na qual estavam era uma que ficava ao lado do balcão, mas num cantinho afastado e pouco iluminado, era um local bom para conversar sem ninguém escutar, porém, os dois pareciam já bêbados, não tendo noção do volume de suas vozes. Os dois estavam setados num de frente para o outro, enquanto conversavam.

"Não errei, a Kim que me convidou." Afirmou, passando o braço pelo encosto do sofá de couro, gargalhando feito idiota.

"Yong, por que convidou ele?!" Perguntou ao sentar-se ao lado da morena, que fora puxada pela mesma.

"Eu conheço ele desde a faculdade, achei que seria legal te-lo conosco. E bem, pelo que vejo você já conhece ele, Moonzinha." Sua fala saíra de sua boca embolada, jundo com o halito alcoólico. Pelo conto do olho, Moonbyul pode observar copos vazios, com o gelo no fundo. Pareciam ser Mojitos.

"Sim, conheço ele e não é uma boa ideia ter ele aqui, é um pilantra. Provavelmente quer te levar para cama." Sussurrou no ouvido da morena, para que o garoto do outro lado da mesa não escutasse. A mesma apenas riu, abraçando Moon Byul pelos ombros, assim enterrando sua face no pescoço da mesma.

"Ele é um canalha, eu sei. Mas é fofo te ver com ciúmes, além de que eu posso brincar com você desse jeito... Quer ver?" Uma risada rouca foi escutada, vinda de Yongsun, que em seguida deixava um beijo na pele alva da loira, que se arrepiava e afastava gentilmente a morena de si, segurando em seus ombros. Não queria acreditar no que estava ouvindo, então apenas fechou seus olhos, abaixando sua cabeça. "O que foi? Te machuquei? Me desculpe, mas eu não sou de me envolver, sabe? Você só é uma diversão passageira e que não vale. Só um brinquedinho fofo que eu gosto de guardar." Voltou a falar, rindo novamente. As mãos da loira ficavam mais fortes nos ombros da outra, que as tirava de tal, a empurrando com agressividade  para deitar-se sobre o sofá pequeno de couro vinho. "Você parece estar com medo... Onde será que está aquela jovem de 23 anos que não tinha medo de nada? Hm, você é muito adorável... Pequena Moonzinha." Levou seus lábios rosados até o ouvido da mais nova, sussurrando roucamente, terminando com outra risada.

"Quem é você...?" Perguntou a loira baixo, sua voz falhava e estava com a boca seca. Nem Moonbyul sabia por que. Tentou sair do pequeno sofá, debatendo-se, mas era impedida pelas mãos da morena a prendendo, jogando seu peso sobre o corpo da menor, que parava de se mexer, não conseguia fugir. "Me solta!" Exclamou, tentando novamente fugir, mas desse vez, empurrando a mais velha. A mesma riu, passando suas mãos entre os corpos, segurando com bastante força os pulsos da garota, que a olhava incrédula, sem conseguir formular alguma frase.

"Quem eu sou? Hm... Nunca parei para pensar em um nome... Ah, que se foda, outra hora eu arranjo um." Moonbyul arregalara os olhos, pois nunca, NUNCA, JAMAIS ouviu sair da boca de Kim Yongsun um único palavrão, mesmo que estivesse irritada ou algo do tipo. Por tal fato, a morena aproveitou e sentou-se em cima da cintura da loira, puxando seus braços para cima, ainda segurando seus pulsos, os deixava sobre sua cabeça, tendo total liberdade. "Olha, seu incomodo saiu daqui, podemos fazer o que quiser..." Sussurrou, curvando-se e ficando cara a cara com a loira, que pelo canto do olho via o outro lado da mesa vazio, indicando assim que o rapaz havia deixado o local, e parecia que fazia um bom tempo. Moonbyul direcionou seu olhar para o rosto próximo de si, passando a observar cada traço da face da morena. Seus lábios curvados num sorriso malandro, seus olhos de uma tonalidade muito diferente do castanho brilhante que sempre habitava tais orbes, as bochechas cheias levemente corada pelo calor que ali fazia. A loira fechou os olhos, sentindo os mesmos arderem pelas lágrimas que estavam prestes a cair, então respirou fundo e simplesmente sussurrou.

"Eu sou um brinquedo, não é? Eu não sou nada pra você, apenas um saco de carinho e amor para você se sentir especial. Boa atriz, boa lábia ridícula! Tomara que você vá para o inferno..." Abriu seus olhos, sentindo toda a raiva crescer dentro de si, querendo se libertar. No entanto, ao que ouviu a risada de Yongsun, a encarou confusa, ainda com raiva.

"Palmas! É exatamente isso, parabéns! Você só serviu pra eu me aliviar, estava me sentindo sozinha e queria brincar um pouco." Ouvir aquelas palavras vindas de quem você amava, doía. Moonbyul, como dito antes, não era romântica nem nada, porém havia aprendido a ser assim com aquela mesma garota que a segundos atrás dissera que a loira era apenas um brinquedo.

'Brinquedinho e saco de carinho e amor', para ser mais exata. Sabe o que é sentir seu coração ser pisoteado pela pessoa na qual ele pertencia? Moon Byulie nesse dia, se sentia como um cadáver jogado no chão gelado e duro, sangrando até a morte, com pessoas passando por si rindo da miserável vida que tal estava perdendo. As palavras machucam muito.

"Own, eu sei que você me ama, é bom sentir isso, ser amada... Puf, quem diria que eu poderia me sentir amada de novo. Coitada de você Moonzinha. Pode sair, não quero mais nada com você, sim, estou te descartando." Saiu de cima da outra, sentando no sofá, enquanto lançava um sorriso para a menor. Moonbyul se levantou, nem precisava olhar para saber que a outra estava sorrindo, então virou-se de costas, quando iria sair de perto da mesma, gritou para que todos ali ouvissem.

"Sua vida deve ser perfeita né? Usa e descarta, abusa das pessoas, dos seus psicológicos, do corpo e dos sentimentos, pisa no coração delas com a porra do seu tênis branco limpinho. BOA ATRIZ! ESPERO QUE VOCÊ SEJA MUITO FELIZ, MINHA CARA KIM YONGSUN!" E assim, saiu lentamente pela porta, deixando o local.

O que não sabia, era que ela não fora a única a ser acertada por palavras rudes e irônicas. Depois do anuncio da loira, todos ali olharam a morena com desprezo, assim fora chutada do lugar com xingamentos imundos e a empurrões. Ela não tinha muito o que fazer, quando viu a mais nova com uma das mãos na porta, quis gritar a puros pulmões para a mesma voltar, para perdoa-la e assim a deixar explicar-se, mas não, sua voz não saía, já não podia pronunciar mais nada pois os soluços estavam entalados no fundo da garganta.

Ela não tinha culpa, não tinha. Ela só queria alguém que a entendesse e a amasse do jeito que era, também não entendia muito bem o que sentia. Essa, de todas as outras, era a primeira vez que se arrependera de fazer o que fez. Ela pedia perdão ajoelhada no meio da calçada, com pessoas passando a sua volta, umas olhavam-na com pena, outras com uma expressão de desprezo. Se tem uma coisa que Yongsun sabia sentir nas pessoas sem nem olha-las nos olhos, era o puro e rude desprezo, havia sentido isso ao longo dos anos. As pessoas sentiam isso. Ela só queria de volta os momentos de paz e tranquilidade, mas isso fora perdido no meio das memórias que ela tentava manter, o problema era que ela não podia, pois isso lhe machucaria ainda mais.

'As vozes dentro de sua cabeça começaram a se tornarem mais altas, a culpando, xingando.'


Ela só queria não ter problemas, só queria não ter uma mente defeituosa.


E foi assim que aquela noite terminou. Dois corações partidos, dois corpos sem alma indo em direção ao seu "Doce Lar", para poderem descansar. Pelo menos era isso que Moonbyul queria, já Yongsun, não.

< ... >


"Chegamos." Anunciou a baixinha, parando o carro, porém continuava dentro do mesmo. Nos havíamos descido do elevador, entrado no carro da menor e por algum motivo desconhecido, Hyejin me vendou. Não sabia onde estava, nem o que elas planejavam. Hyejin que estava no banco do carona ao lado da namorada olhou para trás, me encarando, assim lançando-me um sorriso, logo depois de tirar a venda, que não tampava muita coisa, apenas escurecia, então conseguia ver um pouco do rosto da morena por de tal.

"Onde estamos?" Perguntei curiosa. Arrastei-me sobre o banco de trás, indo até a janela, observando o exterior do carro. Arregalei meus olhos ao olhar o edifício a minha frente, voltei ao meio do banco, segurando nos da frente para me inclinar, encarando Whee In e logo depois Hyejin, que estavam com um sorriso culpado no rosto. "O QUE A GENTE TÁ FAZENDO AQUI?!" Exclamei incrédula.

"Eu disse que você enfrentaria seu maior medo hoje, Byunnie." Whee In fora a primeira a se pronunciar, segurando o volante firmemente com as duas mãos, olhando para o mesmo fixamente.

"Não é medo, EU NÃO QUERO ESTAR AQUI." Novamente, exclamei incrédula. Eu apenas não queria vê-la, ouvi-la e muito menos encara-la nos olhos.

"Eu sei que não quer, mas precisa!" Hyejin finalmente se pronunciava, colocando uma de suas mãos sobre a da menor, que estava tremendo. O sorriso malandro dera lugar a uma expressão preocupada e triste. "Não foi você que ouviu a sua própria história, você a viveu! Eu, Ahn Hye Jin e Jung Whee In, apenas ouvimos. Pode parecer insignificante essa comparação, mas ela vale, porque você não ouviu como descreveu ela, como disse que a amava e o jeito dela, não ouviu o apelo de volta no tom da sua própria voz. Nós não conhecemos ela e talvez nunca conheceremos, mas nos deixe tentar ajuda-la com isso. Você em poucos dias se tornou especial para nós e é por isso que estávamos aqui, queremos ajudar você. Nos doeu ouvir sua história, mas sei que não mais do que em você, que a viveu." Ao terminar de falar, levava sua outra mão a minha, que estava sobre meu colo. Hyejin a segurou, apertando-a gentilmente e com cuidado.

"Se isso vará vocês felizes, tudo bem." Falei, soltando um suspiro longo e cansado. Pude ver um leve traço de sorriso de formar no canto da boca de Hyejin, que soltou minha mão cuidadosamente e saiu do carro, parando em frente a entrada do edifício. Whee In olhou-me por cima do ombro, sorrindo de leve, assim virava-se novamente e saía do carro também. Apenas a segui, saindo do carro e fechando a porta, ficando entre as duas, resumindo: estávamos as três em frente a entrada do local.

"Fiquem aqui, vou ver se deixam alguém entrar a essa hora." Disse Whee In, logo se distanciava, indo até a cabine onde o porteiro ficava. Chamava-o, e quando o moço aparecia, lhe dizia algo, assim ouvi um "Tchic" ecoar pela rua, sendo o barulho do portão abrindo-se. Whee In virou para trás, nos chamando, assim íamos de encontro a ela, que falava. "Ele deixou você entrar, mas tem que sair as quatro, no máximo cinco, se não podem chamar a policia ou sei lá." Avisou-me, assim assenti, começando a caminhar em direção ao portão, passando pelo mesmo, deixando as duas lá, que provavelmente voltariam para o carro.

"Moça!" Ouvi o porteiro falar, parando de andar em direção a entrada do bloco, virando e caminhando até a porta da cabine, onde se encontrava o moço. Apenas disse para o mesmo continuar o que iria falar, assim fazendo. "Tenho que te avisar outra coisa, a Srta. Kim não está atendendo a porta de jeito nenhum essa semana, não saí faz uns dias, sempre com as janelas fechadas e nem ligação ela está atendendo, acho melhor você ligar para policia, como sou apenas o porteiro não tenho esse direito." Me surpreedi com o quanto aquele rapaz, que aparentava ser bem jovem, era boca grande. Dava para notar que aquilo não se falaria a alguém qualquer.

"Ok, se houver algum problema eu ligo, obrigada pelo aviso." O respondi, voltando a me virar e assim seguir para o bloco no qual era o apartamento.

Ao adentrar o local fui direto ao elevador, não queria enrolar e muito menos demorar muito, já era umas 1:10, por aí. Entrei no elevador assim que o mesmo abriu as portas, apertando no último andar, demorou apenas alguns minutos até chegar em tal, então as portas abriram-se, logo passei rapidamente por tais. Caminhei calmamente, enquanto olhava as portas, junto com os números em dourado, alguns em prata e até em bronze. Parei ao olhar uma porta branca, com os números em vermelho, sim, vermelho. Aquela porta era o apartamento dela, e eu não queria me aproximar dela.

Por que? Eu sei que ainda amo ela, por mais que não queria admitir, por mais que meu orgulho não queria deixar os pensamentos irracionais entrarem em confusão e assim causar uma discórdia interna dentro da minha cabeça. Eu ainda amava ela... Eu ainda sentia meu coração pulsar e pulsar só de pensar nela, imagina se a visse frente a frente comigo de novo? Depois de tanto tempo? Que para mim foi como um ano, e não um mês e umas semanas. E lá estava eu, parada em frente aquela maldita porta, com a mão levantada em forma de punho para bater na madeira, tentando chama-la de alguma forma. Minha respiração já quase não residia em meus pulmões, ela estava presa no caminho da minha garganta, prendi meus lábios e bati na porta exatas três vezes seguidas.

E nada, nenhum som, seja uma voz ou um barulho qualquer. Talvez ela estivesse fora de casa.

Não, ela não está. O porteiro havia dito que ela não esteve saindo muito, duvido que ela tenha saído depois das 22:00, ela não costuma fazer isso. Até que eu ouvi um barulho... Estranho. Parecia  ser algo como uma corda suspensa, ou de alguém dando um nó em tal, sendo assim, aproximei meu rosto da porta e coloquei minha orelha na madeira, para tentar ouvir com mais clareza. Arregalei os olhos ao imaginar o por quê daquilo, assim bati novamente na madeira branca e lisa, só que dessa vez, com bastante força, praticamente socando a porta. Encostei minha cabeça na mesma, depois de não ouvir nada novamente, torcendo para não ser o que havia pensado, até que algo sai pela fresta que havia debaixo da porta, curiosa, me agachei, vendo que tal coisa era uma folha, com algo escrito.

"Não bata desse jeito na porta dos outros." Li em voz alta, estranhando a escrita, que na verdade era uma letra qualquer impressa. Ela sabia que eu estava ali? Atrás da porta?
Outro papel foi lançado pela fresta, assim o peguei e novamente li em voz alta. "Por que está aqui?". Depois de ler, ouvi alguma coisa rolando, sendo ela uma caneta, ao que peguei, a observei e notei estar escrito 'Vire a folha', assim virei e lá estava 'Responda-me'. Mesmo estranhando, escrevi, passado a folha por debaixo da porta.

< ... >

"Você gosta do que, exatamente?" Perguntara a loira, tomando um gole do seu café.

"Coisas antigas. Clássicas diria, tipo toca discos, escrever por cartas, ah! Sempre achei romantico isso." Contou animada, pegando outro palitinho da embalagem em cima da mesa, o mordendo rapidamente, assim o engolindo. "E eu amo hip hop também." Riu, levando sua mão a outra embalagem em cima da mesa, abrindo-a e rasgando o papel que protegia os doces, pegando um e o devorando.

"É difícil alguém te contratar se só come esse treco aí." A loira rira, terminando seu café e ao ver o biquinho da outra, levava suas mãos as bochechas gordinhas e fofas da morena, as apertando. "É brincadeira nenê, não custa tentar sonhar as vezes. Eu gosto de dançar, dormir e ler de vez em quando." Respondera sorrindo, largando as bochechas da moça a sua frente.

"EU SOU UMA ÓTIMA RAPPER! E É POCKY!" Exclamou, fazendo algumas pessoas do estabelecimento as olharem. A morena apenas devolvia um sorriso envergonhado, até que tais pessoas parassem de olha-las. "Você que é chata demais, sua chata." Falou emburrada, com as bochechas coradas e com um biquinho nos lábios, de braços cruzados. Se a loira estivesse com sua câmera, iria fotografar aquele momento perfeito. Estava frio, e estar com uma companhia daquelas tomando um café bem quente em meio a risadas e sorrisos, era melhor que qualquer outra coisa. Devidamente, a loira sorrira com a ação da outra, observar é ótimo, ainda mais se tem uma paisagem tão linda a sua frente.

Aquele era com certeza, o monstrinho devorador de Pocky, que pertencia, secretamente, a loira.

< ... >



'Quem é você?' Foi o que eu havia perguntado através do papel, talvez fosse muito óbvia, mas quem quer que esteja escrevendo, não parece ser quem eu procuro. Tal pessoa demorara um pouco para me dar outra resposta. Então apenas esperei encostada na porta com a maior impaciência que eu tinha, bufando e batendo os pés. Pensei se realmente valia a pena reencontra-la, eu ficaria com tanto medo... Olhar naqueles olhos, no rosto, nos lábios...Mas eu não podia, tinha que ser forte e encara-la com a raiva que eu tenho certeza que ainda consiste em mim. Mas... Eu não consigo respirar, estou tremendo tanto e com tanta saudade, que eu poderia desculpa-la sem mais nem menos, eu não sou forte perto dela e nunca fui, quem eu quero enganar? É impossível, eu quer-

Knock Knock.

Meus pensamentos foram interrompidos com algo se chocando contra a porta, em dois leves toques, junto com o barulho de algo deslizando, tal como de uma carta sendo aberta ou algo assim, olhei para baixo e lá estava, outro papel. Todos pareciam ser de alguma agenda ou até caderno, pois havia linhas nos mesmos, de cor preta bem fraca. Era impossível saber quem estava escrevendo

'Poderia reconhecer essa respiração de qualquer lugar... A paz dentro dela é magnifica.' Li em mente. Estava ficando estranho demais, mesmo assim, peguei a caneta que havia colocado no bolso, escrevendo, passando a folha porta adentro.

'Me conhece então... Me diga, você se lembra?' Escrevi, assim mandando a folha. Aquela letra carregava algo ruim, algo que eu não sabia descrever, mas era ruim. Sempre fui boa em perceber essas coisas, na verdade até demais, por tal fato, podia sentir o peso nas palavras. Uma paciência anormal me possuiu e eu tive tal para esperar minha resposta.

'E se um dia eu te machucar, você me perdoaria?' Outro papel finalmente saiu pela fresta. Aquelas palavras... Ela ainda se lembra? Ela ainda pensa em mim? Eu... Sei que isso talvez seja muito irracional da minha parte, mas preciso vê-la.

Cérebro 0 x Coração 1.

Quando iria começar a escrever, a porta se abre vagarosamente, fazendo com que a luz do corredor chegasse a fazer um leve risco, iluminando um pouco o apartamento. Me levantei, engolindo em seco e com a respiração travada novamente, empurrei a porta, vendo o chão de madeira ser iluminado e com isso pude ver melhor o exterior do local. Adentrei-o, passando meus olhos pelo lugar, tudo estava desarrumado, junto com o cheiro doce que o ambiente tinha. Ah, aquele cheiro... Não sei como ela conseguia manter aquele cheiro delicioso no apartamento inteiro, incluindo suas coisas, roupas e principalmente sua cama. Lembro-me de ficar o dia inteiro lá com ela, brincando, assistindo filme e até comendo lá, e quando íamos dormir, eu enfiava meu rosto no travesseiro, o melhor era quando... Quando a lua estava cheia, e como ela deixava a janela aberta, a luz invadia o quarto.

Era tão lindo... Ela era tão linda.
< ... >



"Byul-ah..." Uma voz suave foi escutada no quarto, que antes silencioso, com apenas o barulho do vento. O tom de voz era doce e gentil, se igualando ao som de um violino, perfeito.

"Hm? Por que ainda está acordada?" A loira tirou seu rosto do travesseiro fofo, o deitando de lado, assim respondendo a morena, que sorriu. Já fazia um bom tempo que a loira visitara a morena, ficando por muito, muito tempo naquele apartamento. Nunca que a outra recusaria passar um dia com a sua unnie, era óbvio, e também, a morena não iria negar a vinda da loira na sua porta.

"Não consigo dormir, na verdade. Canta para mim?" Perguntou. Nunca ouviu a loira cantar e realmente não conseguia dormir, as vozes em sua cabeça sempre a perturbavam de noite. A loira corou levemente, ficando alguns minutos em silencio até se pronunciar, levando uma de suas mãos, que estava debaixo de seu próprio corpo, até a bochecha da outra, acariciando-a levemente com o polegar.

"Ok, mas saiba que eu não canto muito bem." Disse, e assim que recebeu a permissão para começar, respirou fundo e puxou a outra para um abraço, cantarolando baixinho.

"Stuck on you ne gyeote yeah (Presa a você, sim)

Baseurakgeorin soksagim hyeokkeute (Um sussurro amarrotado, curiosidade)

Maejhin hogisim tto pyeolchyeobojanha gunggeumhaejinikka (Eu estou olhando pros lados porque estou curiosa)

Tumyeonghan nega daheumyeon sigani (O tempo para quando você transparentemente me toca.) ~ " A morena sorriu, passando seus braços pela cintura da loira, a apertando contra si.

"Continua..." Sussurrou. A outra sorrira, deixando um beijo no topo da cabeça da morena, sentindo o cheiro doce que lhe atingia. Assim voltava a cantarolar.

"Neoreul mollasseossdamyeon naega eotteohge uljeokhan I gamjeongeul useoneomgilkka (O que eu faria se não te conhecesse? Eu só rio desse sentimento triste)

 

Jeongmal gippeo ireon gippeum neowa nanul su isseoseo (Eu estou tão feliz que posso dividir essa felicidade com você)

Sarajijima hangsang meomulleo naui misoga neoui somssingeol (Não vá embora, fique sempre do meu lado, Meu sorriso vem de você)~ " E com um sorriso no rosto, a garota adormeceu nos braços seguros e quentes da outra, que mesmo sem perceber, acabara de ligar os pontos, de descobrir que sentimento era aquele que permanecia em seu coração, a moça acabara de se confessar, e estava feliz com isso.


Em meio a luz da lua, ao soar do vento e a quentura dos corpos que residiam na cama macia e confortável, tais adormeceram. Nada no mundo poderia ir contra aquelas garotas, as estrelas presenciaram o amor, verdadeiro e puro. Clichê? Oh, não. Clichê é algo inevitável, alguns temem, outros agradecem. Essa história não é clichê, é a realidade, algo vivo, solido e real.

Destino não é cego, surdo ou seja lá mais o que. Ele ouve, ele vê. E não, não é culpa dele se teve um fim ruim.



< ... >



Balancei minha cabeça, tentando afastar aquelas lembranças. Não era hora de ficar pensando nisso. Quando ia entrar ainda mais no apartamento, ouço um barulho vindo da escada, aparentemente no andar de cima. Engoli em seco novamente, respirando fundo e tomando rumo as escadas, subi nas mesmas com extremo cuidado e lentamente, não eram tão grandes então foi rápido, apesar de que eu não estava indo rapidamente.
No fim do corredor, pude ver a porta daquele quarto aperta, não era muito, mas era o suficiente para alguém passar pela brecha. Caminhei, sentindo meus pés afundando na madeira, sentindo eles irem cada vez mais lentos, meus impulsos estavam tão bagunçados... Eu queria vê-la, mas tinha medo, o que fazia meus movimentos travarem e serem lerdos, quase como uma tartaruga. Respirei fundo novamente, meu coração acelerando e a medida que chegava mais perto da porta, mais ele pulsava, parecia que o som ecoava nas paredes frias do lugar, parecia que ela estava as ouvindo. Meus pés paravam em frente a porta, eles definitivamente haviam colado no chão, pois não importava quanta força eu fazia, era em vão. Eles continuavam lá, parados, fixos no chão. Mordi meu lábio inferior, fazendo tanta força em tal, que sentia o gosto metálico invadir minha boca, mas não importava, eu precisava me acalmar e parar de tremer, sendo assim, fiquei ali, em frente a porta, esperando a droga do meu coração parar de se jogar contra minha caixa torácica, mas nada, ele continuava lá, batendo e batendo, tão fortemente que eu poderia ter um infarto. Fechei meus olhos, respirei fundo e levei minha mão a porta, sentindo a textura da mesma com a ponta dos dedos, logo colocando minha palma sobre tal, a empurrando.

Aí sim que eu parei de respirar.

Ela estava lá, diferente, mas estava. Onde antes habitavam madeixas castanhas, longas e meio onduladas, agora estavam rosas, curtas e lisas, não ficou ruim, na verdade, ficou lindo. Afinal, ela fica bem de qualquer jeito mesmo.
Ela estava sentada sobre os pés de sua cama, a mesma bagunçada. Seus tão novos cabelos igualmente bagunçados, dando um ar mais infantil e ao mesmo tempo sexy a ela, seu rosto em direção ao chão e de olhos fechados, lábios entre abertos, que por tais, saiam o lufadas de ar quente, recebidos por seu nariz. Quanto a roupa que usava era uma qualquer, seu pijama costumeiro, seda rosa com linhas pretas em volta da gola, manga e outros contornos, ela estava descalça, nem parecia ligar para o frio que fazia ali, devido a janela estar totalmente aberta, na verdade, arregaçada.
Naquele momento, me esqueci brevemente o que estava fazendo, vê-la novamente me fazia voar e, com aquela visão, pela segunda vez naquela noite quis me entregar a lágrimas, deixando toda minha fraqueza exposta aos seus olhos, talvez cálidos, talvez ternos, não posso dizer exatamente qual sentimento eles podem conter, mas sei que eu ainda me perderei neles. Não estava preparada para isso, não poderia me segurar mais ainda, esses impulsos... Esses impulsos são a causa da minha tremedeira, da minha fraqueza, pois eles me fazem ir de joelhos até ela e fazer o que nunca tive coragem: Beija-la. E foi a fraqueza que me fez cair de joelhos, observando-a atentamente. Foi então que seu queixo se ergueu, sua face ficou exposta e seus olhos, no mesmo tom que o da noite na qual meu coração foi partido, mortos na cor cinza brilhante.

Sua boca se abriu, seus lábios ressecados pelo frio, tentavam formular alguma frase, mas nenhum som saía da sua boca, até que ela fechou, respirou fundo e finalmente, falou algo. "Me desculpe." Sua voz saíra rouca, quase num sussurro, mas firme. Apenas continuei a observando, e notando tal coisa, ela voltou a sussurrar. "Eu não tenho uma explicação decente, se é que veio para saber." Ela engoliu em seco, respirando fundo e cruzando os dedos, uns nos outros. Seus cotovelos estavam apoiados em seus joelhos, um pouco afastados um do outro. "Pode perguntar o por quê fiz aquilo, não sei se me entendeu." Novamente, sua voz saiu rouca, só que dessa vez mais alta. Ela parecia receosa em falar, parecia, na verdade, estar escolhendo bem as palavras que usaria.
Quem ficou em  silencio dessa vez, fui eu. Havia sentado no chão, abraçada as minhas próprias pernas, não quis abrir a boca porque eu corria o risco de sussurrar um 'Sinto sua falta'. Então fiquei em silencio, de boca fechada e olhos abertos, totalmente focados a pessoa a minha frente, que me encarava também. Passamos longos minutos assim, pude aproveitar e olhar com mais calma os traços do rosto dela, pude olha-la nos olhos sem desviar. Quando fui me pronunciar, respirei fundo, tomando ar em meus pulmões e um pouco de falas frias e grossas em mente.

"Fez o que? Praticamente me matar?" Perguntei, tentando parecer convincente. Eu tinha que ser forte...

"Porque te salvei da chuva. Naquele mesmo dia disse que você só poderia perguntar o por quê fiz aquilo quando tivesse razões para tal, e olhe só, você tem. Pergunte e irei responder sinceramente." Falou, seu olhar continuava fixo no meu, e por um momento, pude jurar ver um tom avermelhado no meio daquele cinza morto que habitava suas orbes. Sua expressão era séria, não parecia com a Yongsun que conhecia... Parecia alguém que nunca vi na vida.

"Então por que fez aquilo?" Disse desviando meu olhar do seu, não aguentava por muito tempo, me dava medo, agonia e mais impulsos incontroláveis.

"Eu estive olhando você por dias, antes daquilo. Como não saía muito, era difícil te ver, por isso sempre esperava ao lado da sua porta. Você nunca percebeu ou desconfiou, nunca. No dia em que vi você na chuva eu estava voltando da farmácia, havia comprado alguns remédios que eu precisava. Eu iria apenas passar por você, não iria olhar para trás, mas quando te vi... " Fez uma pausa na explicação. Estava surpresa, eu realmente nunca percebi... Nunca vi ou senti alguém me observando, mas ela sempre esteve o fazendo. Logo ela suspirava, fechando os olhos brevemente, logo os abria, voltando a explicar firmemente. "Quando eu te vi tremendo daquele jeito, quis ir lá, te dar meu guarda-chuva e sair correndo, não era para eu te conhecer, e eu não podia. Meu corpo agiu sozinho quando segurei sua mão e saí com você debaixo do guarda-chuva até aqui." Assim terminou, levou sua mãos aos cabelos rosas, mexendo nos mesmos, voltando a entrelaçar seus dedos. A cada palavra dela, eu ficava mais confusa, por que ela não podia me conhecer? Por que ela me observava?

"E por que ficava me seguindo? Por que não podia me conhecer?" Verbalizei meus pensamentos, a encarando. Ela demorou um pouco para me responder, parecia estar pensando ou tentando tomar coragem para falar. Mesmo depois disso, eu continuava tremendo, era difícil me controlar com ela assim, bem na minha frente.

"Porque um dia, quando eu estava em uma cafeteria, vi você passando pela janela. Não sei o que aconteceu, não sei descrever o que senti mas... Quis te observar, então paguei meu café e saí, indo atrás de você, me escondendo as vezes. Eu fiquei com tanta vergonha quando voltei para cá e percebi que passei o dia inteiro olhando alguém que nem conhecia. " Ela explicou-se, novamente direcionando seu olhar para o chão. Um suspiro cansado saíra por entre seus lábios, as olheiras debaixo de seus olhos eram bem perceptíveis. "Porque eu não posso me apegar a ninguém." Sussurrou, soltando seus dedos uns dos outros, e com a sua mão esquerda, levou ao seu rosto, o tampando.

"E por que não pode se apegar? Seja clara por favor." Falei, a encarando de forma neutra, nem séria nem fria.

"Claramente você não deve saber o que é TDI, então vou te explicar: Transtorno de Dissociativo de Identidade, mas conhecido como Transtorno de Múltiplas Personalidades.  É uma condição mental em que um único indivíduo demonstra características de duas ou mais personalidades ou identidades distintas, cada uma com sua maneira de perceber e interagir com o meio. O pressuposto é que ao menos duas personalidades podem rotineiramente tomar o controle do comportamento do indivíduo." Disse, erguendo seu rosto, me encarando fixamente nos olhos. Eu estava perdida neles, mesmo depois de um bom tempo, todos os efeitos que ela tinha sobre mim, ainda estavam lá. Logo tornou a falar. "Desde sempre estive em um orfanato. Não conheci e nem conheço meus pais. Nunca fui alguém de se enturmar muito rápido, sempre no canto isolada e sem ninguém,  eu era tão tímida... Mas um dia, isso mudou. Já nos meus seis anos, acidentalmente quebrei o braço de um dos meninos da minha turma, mesmo dizendo que não tinha feito aquilo, ninguém acreditava. Eu não lembro até hoje de ter feito aquilo, só que, esse menino, contou ao supervisor do orfanato que meus olhos estavam cinzas, como agora, no momento em que quebrei seu braço. O supervisor nem ligou para isso, mas quando essa perda de memória momentânea estava acontecendo com mais frequência, e era sempre algo relacionado a violência, ele decidiu fazer algo quanto a isso. Depois de uma semana, um médico veio lá e me examinou, ficando surpreso com as coisas que eu dizia, ele me levou a um psicologo, assim finalmente descobrindo que eu tinha TDI. Quando os funcionários do orfanato souberam disso, me chamaram de louca, falaram que eu estava tentando chamar a atenção e fazer com que todos sentissem pena de mim." Terminou com a mandíbula trincada, agarrando o cobertor e o apertando. Sua raiva era nítida e enorme. Eu estava tão surpresa que não conseguia falar nada, com isso, ela continuou. " Desde então aqueles desgraçados queriam me jogar em uma família qualquer, mas eu sempre recusava, pois todas eram horríveis. No entanto, não satisfeitos com isso, tentaram me colocar num hospício, mas não aceitavam, então obrigatoriamente teriam que ficar comigo. Nunca tive um momento de paz lá, as pestes sempre me enchendo o saco, me batendo e tudo que tinha direito, e sabe por que?" Enquanto ela explicava, havia se levantado, caminhando até a minha direção, se agachando e perguntando, olhando-me fixamente nos olhos.

"Não..." Sussurrei. Sua aproximação foi tão repentina, que quando estava a centímetros de mim, não lembrava de quando ela havia se aproximado tanto de mim. Ao soltar o ar preso, respirei e senti aquele cheiro que ela tinha... Quanto tempo que meu nariz não sentia aroma melhor. Mas ela se afastava, voltando a sentar na cama, com a expressão fria e extremamente irritada.

"Porque o que o ser humano não entende bem, ele julga. Por isso não posso me apegar a ninguém. Enfim, quando fiz 18 anos, fugi do orfanato e vim para Seul. Não foi fácil minha vinda para cá, passei uns dias na rua até achar um trabalho em um hotel, podia me hospedar lá então assim fiz." Dizia, parecendo mais calma ao decorrer de sua fala, respirou fundo, voltando a falar. "Todas as pessoas nas quais me aproximei, quando souberam que eu tinha essa mente defeituosa, se afastaram de mim, me xingaram, novamente dizendo que eu queria chamar a atenção, foi passando um tempo, as vozes aumentavam, cada vez mais e eu comecei a me ver como eles falavam... Eu fiquei tão traumatizada, não queria mais sair e andar na rua, e todas as vezes que me apegava a alguém, eu dizia palavras rudes sem pensar, apenas para magoar e assim fugir. Até que... Sua vez chegou, quando você foi embora, todos me olharam com desprezo, com ódio e raiva, eu não queria... Depois de me chutarem para fora daquele lugar eu entrei em desespero, faria qualquer coisa para você me perdoar e-e eu poder me sentir em paz de novo... Eu juro que não queria fazer aquilo, eu posso ser louca mas ainda sou um ser humano. Eu sei que todas essas coisas não são suficientes para o que fiz com você, mas eu tenho medo de que você ache o mesmo que todas as outras pessoas, eu tenho tanto medo, só quero alguém que me entenda, sa-sabe? Alguém que possa me fazer ver o lado bom das coisas e que eu possa sonhar novamente... "  Ao que ia falando, lágrimas e mais lágrimas escorriam de seus olhos, os soluços cada vez mais altos...


O que me surpreendeu foi que durante todos esses anos, ela suportou algo tão pesado dentro de si, enquanto eu, reclamava da vida boa que tinha. Me levantei, caminhando até a ponta da cama, me sentando ao lado dela, passando meu braço sobre seus ombros, logo a mesma se aproximava mais ainda, enterrando seu  rosto no meu pescoço, ainda chorando. Levei minha outra mão aos fios rosas de seus cabelos, passando meus dedos entre eles, era estranho fazer isso depois de tanto tempo, me sentia estranha naquela situação toda.

"É, deve ter sido difícil, não? Aguentar tanta coisa durante um longo e doloroso período de tempo... Enquanto uma misera vagabunda como eu vivia reclamando da tv, do preço do salgado que eu gostava. Você foi forte solzinho, alcançou muitas coisas e suportou muitas também, você merece uma paz que só se pode encontrar em um mar, sabe por que? " Perguntei, logo sentia ela negar, assim, continuava. "Porque mesmo que o mar fosse turbulento as vezes, é um dos lugares mais calmos que existe, ninguém de encontra e assim, a água não agita e não bagunça seus pensamentos, te deixa lá... Vivendo em pura paz, para sempre." Suspirei enquanto falava baixinho, olhando para o teto, sem saber exatamente o que fazer. Não dava para acreditar que ela estava aqui comigo, depois de tudo que aconteceu, eu não conseguia falar, pensar ou organizar tais pensamentos, era uma bagunça interna tão grande que me deixava tonta e mais lerda do que já era. "Não precisa responder se não quiser." sussurrei, vendo que ela não iria abrir a boca.

Ser muito pensativa as vezes é ruim.

Por isso, tentei soltar-me dela, não para ir embora ou algo assim, apenas para tirar meu sapatos, não estava muito confortável com eles, mas Yongsun havia entendido errado, assim agarrou-se em minha cintura, ainda não deixando amostra seu rosto. Ela costumava fazer isso.

"Ei, não vou sair. Apenas irei tirar meus sapatos, nem devia ter entrado com eles." A olhei, sorrindo levemente, apenas via os cabelos da moça, por isso levei uma de minhas mãos ao encontro de tais, tirando-os de seu rosto. Mesmo estando curto, seu cabelo cobria uma boa parte de sua face, que foi sendo exposta lentamente, e assim que pude a ver totalmente, levei minha mão a sua bochecha, acariciando-a com o polegar. Seus olhos vermelhos e ainda inchados devido ao choro estavam quase se fechando, pareciam cansados e tristes, mas ao mesmo tempo, felizes. Quando seus olhos fecharam-se completamente, tirei cuidadosamente minha mão de sua face, tirando juntamente seus braços da minha cintura, me levantando e caminhando em direção a porta do quarto, assim seguindo o corredor, descendo as escadas e indo a porta de entrada, que permanecia aberta. Cheguei em frente a mesma e fechei-a, tirando meus sapatos e colocando-os ali do lado da porta, voltando a fazer o caminho em direção ao quarto de Yongsun e ao passar pela porta, vejo a mesma ainda ali, aparentemente dormindo. Sorri levemente com isso, caminhei até ela e sentei novamente ao seu lado, a observando dormir.

Sua respiração leve e tranquila, seu corpo descansado na cama e seus cabelo jogados sobre o colchão, era uma imagem magnifica. Vê-la calma daquele jeito me acalmava, só de ouvir sua respiração eu estava tranquila, e por tal, acabei esquecendo do que ela mesma havia feito, onde estávamos e o mais importante, em que situação nós duas nos encontrávamos. Não ligava mais para isso e não iria ligar enquanto estivesse com ela, e era onde eu queria ficar. Deitei-me ao seu lado, observando seu rosto a poucos centímetros do meu, o pequeno fio de respiração quente e funda, seu rosto cansado e ainda sim lindo e perfeito... Se ela tinha defeitos, eles eram apenas coisas a mais, e apenas isso. Na realidade ela era forte, capaz e muito mente aberta, as pessoas que passaram por sua vida e contribuíram para seu medo devora-la, se vissem a visão que eu tinha nesse momento, iriam cair de joelhos e pedir perdão. Que idiotas... Ao invés de contemplar tal sorriso, eles ligaram para a condição mental, ninguém se define pela condição mental ou algo relacionado a isso. Ninguém é perfeito, todos somos seres humanos, vivemos, respiramos, e afins, julgar mata todo dia.

"Por que me olha tanto?" Sussurrou, sua voz saíra rouca e mais baixa que o normal, devido novamente ao choro. Sem abrir seus olhos, falara tal frase, como ela sabia que eu estava a observando?

Corei levemente ao ouvi-la, assim desviando meu olhar para baixo, sussurrando. "Eu gosto... Quer dizer, é um costume." Me embolei para falar, forçando uma tosse sem jeito. Apenas ouvi sua risada, estava baixa e aparentemente um pouco divertida. Seus olhos se abriram, estranhamente da cor castanha de sempre. Eu estava alucinando ou eles estavam cinzas? Realmente.

"Você teria coragem de me beijar?"

 

 

 Falara em alto e bom som, depois de uns longos minutos em silencio. A encarei com os olhos arregalados, enquanto a mesma apenas ria com tal, logo abrindo um sorrisinho de lado, sem mostrar os dentes, mas ainda sim fazendo suas covinhas aparecerem. Forcei outra tosse, voltando a desviar meu olhar para baixo, sentindo o fervor de minhas bochechas cada vez mais forte. Se bem que... a algumas horas atrás eu tive tal coragem, eu queria e claro, ainda quero. Provar daqueles lábios delicados e aparentemente suculentos, finos e bem desenhados... Ah Santo, como eu poderia me aguentar sobre meu desejo? Que provavelmente está quase chegando ao amor que eu sinto por essa mulher, em pensar no sabor de seus lábios acabei por morder levemente os meus, e tal ato chamou a atenção de Yongsun, novamente, apenas soltou uma risadinha.

"O que foi?" Perguntei, erguendo o rosto e olhando-a nos olhos. Os mesmos, já mais animados, chegavam a brilhar, por tal, acabei abrir um sorriso, fraco e pequeno.

"Você está nervosa, não?" Perguntou, mais parecia afirmar tal. Voltei a corar, e dessa vez, ela pode ver direito, começando a gargalhar. O som de sua risada era tão doce... Única e especial, e só dela, era a única que me faria sorrir. "Você é muito mole." Sentou-se, apoiando-se em seu cotovelo, porém, continuou com seu corpo curvado, me olhando quase por cima do ombro. A encarei seriamente, deixando a vergonha de lado.

"Não sou mole." Disse firmemente, franzindo as sobrancelhas. Ela parou sorrir na mesma hora, poderia até dar medo, se eu não a conhecesse bem. Então, abriu outro sorriso, mas... Diferente do anterior, que era inocente, tal sorriso parecia carregar algo incomum, que eu não conseguia entender. Assim, sorrateiramente, ela se aproximou, deixando seu rosto a uns três centímetros do meu, sua respiração batia e se fundia com a minha, quente e calma, nem parecia que ela estava a poucos segundos de me beijar. Meus olhos foram fazendo um caminho pelo seu rosto, passando por todo ele, até chegar nos lábios, agora tão perto dos meus, pareciam muito mais saborosos que de longe, tais provavelmente com o sabor do inferno contido, e com toda certeza existente em mim...

Eu queria e iria provar disso.

Olhei em seus olhos, abrindo um sorriso de canto. Levei uma de minhas mãos a sua bochecha, primeiramente acariciando-a apenas, mas quando tive coragem o suficiente, deslizei minha mão cuidadosamente para seu queixo, firmando meus dedos ali, a puxando para mim, assim, FINALMENTE pude sentir seus doces lábios contra os meus, mesmo em um simples selinho, significava e muito para mim, espero que para ela também. Nem parecia que eu já havia beijado milhares de mulheres ao decorrer da vida, pois minha ansiedade era tanta...
Eu juro que poderia morrer depois disso tudo, nada mais não importava, nada mesmo. Vida? Eu já não tinha, então era melhor me drogar com a minha dopamina do que incomodar mais outras pessoas que ainda se importam comigo. A única coisa que eu era capaz de fazer era continuar ali, ao lado da maior droga que já existiu no mundo.
Senti Yongsun me empurrar levemente pelos ombros, tinha me levantado e com aquele pequeno empurrão, ela me fizera deitar novamente, descansando minhas costas no colchão, assim ficando em cima de mim, mas ao meu lado, tendo apenas uma parte de seu corpo inclinado. Senti suas mãos irem ao encontro de minha bochecha, apenas passando levemente seus dedos pelo local, fazendo um leve carinho. Foi quase impossível não sorrir, e com isso, acabei por separar nossos lábios, mesmo que não quisesse.

"Eu não sou mole." Afirmei novamente, sorrindo de lado. Yongsun apenas soltou uma leve risada, deixando seu corpo sobre o meu, apoiando seu queixo em meu peito, sem força, apenas o queixando ali, enquanto me olhava, sorrindo. "O que foi?" Perguntei, colocando uma de minhas mãos em baixo da minha própria cabeça, enquanto a outra levava aos fios rosas dela, acariciando-os levemente.

"Nada. Estou apenas gravando os traços do seu rosto." Respondeu, ainda me olhando. Fechei meus olhos, respirando fundo e logo falei.

"E por que está fazendo tal?" Perguntei simples. Eu realmente estava curiosa para saber por que, já que, essa mulher é o mistério em pessoa, pude comprovar isso hoje mesmo. A madrugada passara tranquila, o vendo de vez em quando batia contra as cortinas, as fazendo flutuar levemente, junto com o aparentemente canto do vendo, passando dentre as folhas das árvores próximas, fazendo seus galhos de chorarem e assim formar um pequeno ritmo. Os sinos de vento tocando tornava aquela noite mais significativa, pois eles significavam pureza e paz de espirito, na qual eu me encontrava no momento.

"Porque não poderei ficar muito tempo aqui." Sussurrou, logo suspirou. Abri meus olhos confusa com sua frase, franzindo a testa, a encarando totalmente confusa. Como assim?

" O que? Como não pode ficar aqui por muito tempo?" Aleguei, vendo a expressão triste tomar conta de sua face. Ela soltava outro suspiro, logo voltando a falar.

"A algumas semanas atrás, meu porteiro me ligou dizendo que tinha uns oficiais na porta do prédio, que estavam perguntando sobre mim, se eu morava aqui e etc. Quando eu fugi, começaram uma busca atrás de mim, aparentemente ela havia sido encerrada a alguns anos, mas eles continuaram por debaixo dos panos, e com essa busca obsessiva, eles acharam alguém com o meu mesmo sangue, chegou a passar nos jornais locais. Eles aparentemente iriam vir me buscar hoje... Logo pela manhã." Explicou, sua expressão voltava a ser cansada, triste e quase sem alma, não gostava de vê-la assim. Por tal, segurei em seu queixo, colando nossos lábios novamente, mas dessa vez, sem muita demora, me afastava, deixando minha testa na sua. Com tais atos, havia me sentado na cama, com ela sobre meu corpo, deitada em meu colo.

"Ei, não deve ficar triste. Você tem alguém de mesmo sangue, é bom, não?" Falei, tentando anima-la, infelizmente não pareceu dar certo, pois sua expressão continuava a mesma.

"Essa tal pessoa quer me internar. Entende isso? Ela quer me colocar na droga de um hospicio, simplesmente me largar lá com pessoas que não entendem nada que se passa na droga da minha cabeça, achando que me prender numa sala vazia e escura irá funcionar em merda alguma, esse é o problema. Todos acham que eu sou uma boneca, que você pode largar em qualquer canto de estiver rasgada ou suja." Sussurrou, seu olhar ficava cada vez mais morto, a cor novamente havia mudado, o cinza morto estava lá.

"Internar você? Mas por que?!" Disse, tentando entender bem o que ela acabara de dizer. Ela olhou-me nos olhos, dizendo firmemente e seriamente, algo que era difícil de se ver.

"Para todos, eu tenho um sério problema mental, como uma aberração ou algo assim. Eu não sou nada mais que alguém confuso e que não entende os próprios pensamentos, que morre dentro da própria cabeça todo dia, que ouve vozes feitas a partir da SUA própria voz, que se vê de forma diferente e age de forma diferente dependendo da situação em que o individuo se encontra. Entendeu? Eu sou pirada da cabeça, tenho problemas e que vivo num canto escuro dentro do meu próprio consciente. Eu tenho um defeito incurável e inigualável." Sussurrou, olhando para o chão. Se quer respirava ou piscava, parecia... Totalmente sem alma. Ela havia se sentado e agarrado seus próprios braços, os deixando sobre seu peito. Levei minha mão ao seu ombro, sentindo o local gelado, mesmo que por cima da peça de roupa. A puxei e a abracei, ela continuava naquele estado, imóvel.

"Não entendo seus pensamentos, não sei como se sente ou qualquer outra coisa do tipo. E... Não quero vê-la sofrendo desse jeito. Eu, na verdade, devia estar feliz, porque você está sofrendo, mas não, eu não estou feliz ou algo assim. Não te perdoei e duvido que vá um dia, posso te amar muito, posso até deixar a raiva e a angustia de lado, mas te perdoar vai ser difícil, por isso peço que se entregue, peço que me escute só dessa vez: Ninguém realmente vai entender você, mas vai compreender, vai aconselhar e tentar te fazer melhorar, pode não confiar nas pessoas, mas elas ajudam sim. Eu estive melhor essas semanas por beber montes junto de duas garotas, nas quais são namoradas e eu já tentei dar em cima de uma delas, e se não fosse por elas, eu não estaria aqui, falando tudo isso para você, eu não estaria viva, então, me escute, se entregue, não resista e... Deixe eles te levarem, não estou dizendo para confiar, mas apenas para poder melhorar, mesmo que não acredite, as pessoas ajudam. E se um dia sair de lá... Daquele lugar... "Parei de falar, segurando todas as lágrimas acumuladas por bons dias, para assim limpar a garganta, e falar firmemente. "Quando sair do lugar no qual está, viva sua vida. Não me procure, não me ligue ou algo assim, deixe o rio fluir e se nos depararmos um dia, fingiremos que não nos conhecemos, que nunca nos vimos e que nunca nos beijamos, saímos, tomamos café e tudo isso. Esqueça." Terminei. Assim, me levantei, caminhando a passos lentos e calmos até a porta, dizendo sem olha-la nos olhos. "Espero que tenha me entendido e espero que melhore também. Adeus, Yongsun. Você precisa disso, e eu aqui irei atrapalhar." Abri a porta e passei pela mesma, sem olhar para trás, sem nenhuma expressão no rosto.

Sem memórias, sem lembretes, sem nada. Então cheguei ao andar de baixo, peguei meus sapatos e saí porta a fora, ainda caminhando a passos calmos para o elevador, apertando o botão da entrada, não demorava para o elevador chegar, assim entrava no mesmo e logo ele fechava as portas, começando a descer.
Olhei-me no espelho que havia no elevador, não vendo nada além de borrões ou algo deformado, e por mais que eu esfregasse meus olhos, aquilo não saía. Fechei meus olhos fortemente, contei até três e abri novamente, vendo meu próprio reflexo barrado negar, assim sumindo, deixando o espelho como se fosse apenas vidro. Quando iria me aproximar para ver aquilo direito, a porta abriu, assim passei pela mesma, caminhando para fora do bloco, olhando uma última vez a janela do apartamento, e com isso, segui reto para portaria, o moço abria a porta sem falar uma palavra se quer, sem pensar em cogitar algo, ele me deixou passar. Senti o concreto da calçada sobre meus pés, poderia doer, se eu ligasse para isso. Avistei o carro, indo em direção ao mesmo, lentamente pude ver as duas lá dentro, dormindo de modo tranquilo. Cheguei perto da porta do mesmo, batendo de leve no vidro, e nada, então coloquei um pouco mais de força, assim batendo novamente, finalmente tendo uma resposta. Whee In acordara, esfregando seus olhos com as duas mãos, e assim que seu olhar caíra em mim, se assustava, levando a mão a parte de dentro da porta, abrindo a porta.

"Ei, você está bem? Está pálida." Perguntou, abrindo a porta e assim rodeando seus curtos braços sobre meus ombros, respirando fundo.

"Eu sou pálida assim."  Falei normalmente, Whee In soltou uma pequena risada, mas não pareceu estar bem humorada como sempre, a risada havia sido seca e forçada.

"De qualquer jeito, dentre, está frio."  Whee In desfazia o abraço, me puxando para o banco de trás, entrei e fechei a porta, assim ela entrou no da frente e fechou a porta também, ligando o carro e acelerando. O edifício ia ficando cada vez mais longe, e com isso, a lua saía e o sol ameaçava de aparecer, deixando o céu meio alaranjado. As nuvens estavam ali, e pelo que parecia, a manhã seria de chuva novamente, como nos dias naquela semana, isso não era novo e acho que já estava me acostumando.


O sentimento foi deixado para trás com a noite, as lembranças seriam escritas em um livro e assim, queimadas, não houveria rastros para encontra-las e nada diria que eu a conhecia. Você está livre agora, coração.

 



Depois de umas semanas...



Moon Byul sentia-se mais estranha ainda, recentemente não queria sair de seu apartamento, ficava lá 100% do dia, das horas e de cada segundo. Mal se alimentava e muito menos se cuidava direito, sua saúde corria risco, as coisas que andava comendo eram apenas salgados, isso quase uma ou duas vezes por dia. Whee In e Hye Jin estavam preocupadas com a amiga, até tentavam entrar no apartamento, mas madeiras pregadas a porta não deixavam que elas passassem, enfim haviam desistido, por enquanto pelo menos.

No momento, nem a saúde física de Moon Byul estava boa. Alucinações e visões nada amistosas, dores de cabeça constantes, as tão odiadas tonturas, a agressividade e  depois de tudo, o cansaço contínuo, era estressante e totalmente desmotivador. Ela estava depressiva? Se estava não queria aceitar, não iria buscar ajuda.
Naquela manhã, na qual havia perdido ainda mais o motivo de viver, quando havia chegado em seu apartamento, nem se ligou em estar descalça e foi até o último andar, sendo ele o terraço. Caminhou até a grade de proteção, vendo os poucos carros passarem pelas ruas quase desertas e com essa visão, uma única coisa passava em sua cabeça. O sentimento de fim e o gosto morto a fizeram passar a grade, ficando em pé em cima de uma pequena e frágil lage que havia depois da cerca de metal, o mundo contribuía com seu pensamento, pois a chuva caíra sobre si, tão fina que até poderia ser confundida com uma agulha afiada e pronta para furar, e era isso que acontecia. Sua decisão estava a matando. Afinal, por que havia dito todas aquelas coisas se na verdade, queria que acontecesse o contrário? Queria que Yongsun a encontrasse e que ela lembrasse de tudo, que guardasse cada memória que haviam compartilhado, e com tudo isso, o primeiro e único beijo que conseguiria da Kim, sabia que não tinha volta e que as palavras que disse não iriam ser apagadas do momento, por isso, acabou agachando-se na lage, suas lágrimas finalmente caíram e um grito desesperado foi oculto pelos trovões fortes que começavam a explodir no céu cada vez mais escuro.

"YONGSUN"

Fora o que gritara, mas ninguém havia escutado, como dito antes, os trovões ocultaram tal. As lágrimas quentes fundiram-se com as gotas geladas da chuva, a molhando inteira. O eco da porta se abrindo foi escutado, e assim, passos e mais passos também, ecoando pelo concreto molhado, alguém corria de modo desesperado.
Moon Byul estava pronta para pular, mas antes que pudesse concluir seu plano, sentiu braços a agarrarem e a levantarem com uma força que nem tinha no momento, por isso não conseguiu se debater e se jogar de uma vez por todas daquele prédio. Tais braços a abraçaram, mas nenhum calor no mundo poderia se igualar ao dela, e embora aquela pessoa soubesse disso, estava tentando mostrar que estava ali para a loira.
E sem se importar, as lágrimas rolaram cada vez mais e então, Moon Byul agarrou o corpo contra si, deixando amostra toda sua fragilidade que fazia questão de esconder da azulada e da baixinha. Ela não era quem costumava ser, ela havia mudado de uma noite para outra e isso causava preocupação extrema das duas outras, que continuaram ali. Hye Jin abraçada ao corpo molhado e cada vez mais gelado e Whee In apenas vendo a cena, estava prestes a desabar e não queria piorar as coisas. Desde aquele momento, Moon Byul não era mais quem costumava ser, se igualava a um corpo sem alma andando por aí.


Já por outro lado, as coisas também iam de mal, á pior.


Yongsun havia ficado estática no mesmo local no qual foi deixada. Se entendia o que Moon Byul fizera? Não, assim como não entendia o que fez a garota de cabelos loiros.
Ela se sentiu como no dia em que fez a decisão mais errada de sua vida, queria gritar a puros pulmões novamente, tentar segurar a mão de sua paz e faze-la não lhe abandonar... De novo. Pessoas ajudam? Como? Xingando, julgando, culpando, sentindo pena, desprezando e afins? Ah, como queria que as pessoas realmente ajudassem, se elas não olhassem apenas para seu próprio nariz, exibindo que tem mais que os outros, ou que ganha mais dinheiro, ou que o pai é rico e satisfaz as suas vontades fúteis, ah se fosse verdade. Ela bebia montes e se sentia melhor? Como? Não á razões ou motivos para se sentir bem bebendo com pessoas que não conhece, nunca viu na vida e não confia nem para deixa-la de olhos fechados. Moon Byul era alguém estranho, mas que mesmo assim, conseguia ser o ponto de paz da de cabelos (agora) rosas e curtos. Quando a lua desapareceu do céu e deu lugar ao sol, depois de algumas horas os policiais finalmente chegaram, a porta já estava aberta então nem precisaram arromba-la, subiram as escadas e com toda a calma possível, algemaram Yongsun, que não se atreveu (era o que os policiais pensavam) a se mexer, ou se debater, numa tentativa falha de fugir, sabia que era inútil.
Na realidade, Yongsun não se rendeu, nunca abaixaria as guardas e muito menos suas armas, seu escudo sempre estaria em pé. Ela apenas seguiu o que a loira disse, por mais que realmente não confiasse, como Moon Byul havia dito, ela seguiu seu instinto, que nunca era falho. O que era falho era sua própria mente. O caminho para fora de cidade até o hospício não seria tão longo, mas ela não queria decora-lo, poderia ser traída por sua mente, a fazendo fugir alguma hora de lá e assim, ser procurada mais uma vez. Essa era a única coisa que faria, ficaria lá até melhorar, se é que um dia iria melhorar. Pensava ela, que aquilo tudo que Moon Byul dissera era como uma vingança, era como um modo de se proteger, então aceitou tudo aquilo calmamente por tal fato.

Ela pensava que era assim, havia concluído isso a pouco tempo.

‘Esqueça.’

Foi o que Moon Byul pedira, mas a droga da sua mente não queria esquecer. Imagine-se no lugar dela, esquecer os sorrisos, os abraços, as mãos dadas, até os chocolates quentes e as piadas que a loira fazia consigo, ela sentiria saudade disso, sentiria e poderia admitir a qualquer um, pois agora entendia seu coração agitado e alegre ao ver a moça caminhar ao seu encontro, brincando dizia ‘Suas bochechas parecem cada vez mais fofas e gordinhas’. Poderia sentir as mãos delicadas e gélidas da loira tocar sua leve, ouvir os sussurros a noite com o som do vento a bater na janela, a luz da lua a iluminar aquele recinto, a respiração quente e tranquila, o corpo afundado no colchão e os cabelos jogados de qualquer forma sobre o travesseiro, a franja bagunçada como sempre tampando a visão de seus olhos fundos e cansados... E de tudo isso, ela sentiria falta. De cada minuscula coisinha que a rodeava quando estava com a loira, ela sentiria falta.

Pois, finais felizes não existem. E apaixonados bobos sim, ilusões sim, falta de amor sim, e muitas outras coisas, sendo uma dessas, o coração partido. Coisas assim existem, e como eram sortudos aqueles que viveram de algum clichê, como serem melhores amigos ou que se conheceram e se apaixonaram na certa. Por que o mundo não é feito de clichês como aqueles?

Porque ele é injusto, cruel e aleatório.







Letter On.

“Olá, alguém aí?

Que idiotice minha, não é Yongsun? Você provavelmente não recebera essa carta, eu já não sou boa com letras, então acho que se receber não terá motivos para ler.
Como eu disse a você, eu não te perdoei, e isso irá demorar ainda. Só que não foi por esse motivo que a deixei sozinha, a verdade é que eu não aguentaria ver você sendo levada para onde não quer ir, para as mãos de pessoas não conhece, não confia e também não sabem nada a respeito dos seus pensamentos, das suas preocupações, do seu jeito meio (Na verdade bem) complicado, se está feliz, triste, ou algo haver com essas coisas que citei. Eu não te conheço e me arrependo muito pelo tempo ter sido tão curto, você não merece ser desprezada mais do que já foi, por isso, não quero vingança. A verdade é que... Eu te amo Yongsun, ou melhor, eu te amo para caralho Kim Yongsun. Não se assuste com o que eu for dizer aqui, esse é o meu jeito torto de viver, você não o conheceu porque sempre conseguiu ter o melhor de mim, ter algo que eu nunca tive de mim mesma, acredita? Você, mesmo sendo confusa, esclareceu minha cabeça e me fez voar, algo que eu nunca senti com todas as garotas com que passei a noite, e naquela noite, eu fui mais feliz do que em toda minha vida, aquele momento foi único e especial, espero que também tenha sentido isso, como eu senti. Você sentiu seu coração pulando contra a caixa torácica? Sentiu ele ir até sua garganta depois descer rasgando tudo, e trazendo consigo as palavras, tirando-as de sua língua? É, eu me sentia assim. Eu parecia uma bobona perto de você, qualquer coisa me encantava e qualquer fato seu era importante, até mesmo o sabor favorito daquele doce que eu nunca vou conseguir decorar, mas que eu o faria por você, para vê-la comendo daquele jeito rápido e até se igualando ao coelho, mesmo que você tenha bochechas de esquilo ou até castor...

Yongsun, eu te amo demais. Você é a confusão em corpo, mas eu poderia desfaze-la em um simples toque... Sabe como eu sei disso? Foi por você, você me mostrou o que sente através de suas ações, mesmo que tenha feito o que fez, continuou sendo a garota das bochechas fofas e gordinhas, nas quais eu sempre irei querer apertar. Você sabe... Eu sou vagabunda e muito errada, vivo sobre o dinheiro dos meus pais, mas olha só para você... Saiu da cidade que ‘morava’ para viver em paz, arrumou um trabalho cansativo e desgastante, mas mesmo assim, suportou tudo sobre suas costas... Pequena, você é forte, forte como ninguém e te garanto que consiguira lidar com tudo que te atormenta.

Quem precisa pedir desculpas agora, sou eu. Me desculpe pelas palavras mal ditas, me desculpe pelo que te fiz passar, me desculpe pela forma como tratei você, me desculpe por não ser honesta com você, me desculpe por não lhe dizer o quanto é importante para mim e o quanto eu poderia te acalentar com minhas palavras, me desculpe por não estar quando precisou, me desculpe por não dizer o quanto te amo, me desculpe por não mostrar isso, me desculpe por não te abraçar mais, me desculpe por não ser tão romântica, me desculpe por estragar sua vida, me desculpe por muitas mais coisas nas quais falhei, me desculpe por ser tão fraca ao ponto de te deixar, me desculpe por não te beijar mais vezes, me desculpe por não segurar sua mão e falar sorrindo ‘vamos caminhar?’, me desculpe por não comprar aquele café que você queria, me desculpe por TUDO que eu fiz, por tudo que deu errado por minha causa. Preciso dizer que lhe amo?


Preciso.

Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun. Eu te amo Kim Yong Sun.

Nem que eu dissesse mil vezes ou um milhão de vezes, nada se compararia a lhe dizer olhando em seus olhos, segurando suas mãos e te dizendo com todo o amor que eu sinto por você. Nada iria se igualar a isso, e é por isso que eu não acho que vale dizer que te amo tanto por uma simples carta, por letras e não sons vindos da minha boca, que foram enviados do coração, e não do cérebro.


Yongsun, se algum dia você sair do lugar que está, me encontre. Eu sei que estou indo contra minhas próprias palavras, eu sei que eu disse tudo aquilo, e não lhe escrevi. Mas me encontre, não esqueça de tudo, guarde os momentos, as memórias dentro de uma caixa velha, se quiser, fotografe-as, as guarde em seu bolso e assim , o momento foi congelado para sempre, lágrimas não escorrerão, corações não irão estar partidos e nós duas estaremos sorrindo uma para outra, me entende?
Se um dia, nós nos encontrarmos, me conheça, me fale e me dê um abraço, talvez um beijo na bochecha e diga que sentiu minha falta, me chame, acene, cite nossos momentos, e se não cita-los, irei escreve-los num livro e lê-los em voz alta quando nós duas formos nos deitar, iremos rir, sorrir e nos amar. Clichê né? Eu já havia lhe contado que odiava clichês, mas é algo inevitável, então nos o faremos do nosso jeitinho, complicado e torto. Nossos o Sol e A Lua.

Você sabe por que?

Pois nós, mesmo sendo bem opostas, combinamos bem. Inclusive, você sabia que as estrelas guiam todas as almas perdidas no mundo? E quando eu for uma dessas, elas vão apontar para você.

Lembra que eu disse que melhorei bebendo muitas com duas garotas?
Eu sei, você nunca teve o melhor das pessoas, mas elas... Ah, essas duas. Elas são as melhores companhias, pequena, sabe por que? Porque elas nos entendem, nos ouve e depois de tudo, nos abraça e assim, afaga nossos cabelos, pode ser meloso mas foi disso que eu precisava. Elas não julgam, elas ajudam e foi uma dessas que me disse o seguinte: O mundo é feito de corações partidos, de cacos. Sim, o mundo é feito de cacos de pessoas com o coração partido, mas o seu amor de verdade, te acharia pelos pedaços, recolheria cada um e colaria, formando assim o amor verdadeiro. Ele não é feito de ouro ou diamante, mas sim de remendas, dos pedaços do seu antigo amor, que era inocente e frágil demais para aguentar a pressão do mundo sobre si. Você se encaixa perfeitamente nisso, vê?

Yongsun, eu irei ama-la por muito tempo ainda, sejam anos, séculos ou até pela eternidade inexistente. Eu irei amar você, irei querer faze-la sorrir, irei querer toca-la, irei querer beija-la muitas vezes mais.

Acho que já deixei essa carta grande demais, não é?
Enfim, eu te amo Kim Yongsun, e me encontre pelos rastros que deixei, eles são seus, cada pedacinho, cada parte do meu corpo é seu, meu coração sempre será seu, e não á quem possa rouba-lo de você.
Me encontre, eu peço. Meu único, primeiro e tão lindo amor.

Ass - Moon Byul Yi."



E então, ao terminar de mandar aquela carta, prometeu a si mesma que iria tentar melhorar sua vida, estaria lutando junto de Yongsun, e por isso se sentia ao menos um pouco confiante nisso.
Voltou a sua casa e ligou imediatamente para Hye Jin, pediria para sua amiga lhe arrumar um trabalho qualquer. A morena demorou um pouco a atender, e antes que começasse seu discurso de por que’s, Moon Byul foi direta. A amiga estranhou um pouco, mas respondeu-a.

“Emprego? Bom, eu tenho uma amiga que tem uma cafeteria perto do bar onde trabalho, pode ser?” Perguntou, não deixando sua preocupação de lado.

“Certo, eu aceito.” Fora simples, logo encerrou a ligação, deixando seu celular de lado e fora para o banho, precisava de um naquele momento.

[...]


Ser atendente, não é tão ruim assim.

Eu até achava que no começo seria horrível, não era acostumada e isso era de se esperar, mas não. Foi tranquilo, nunca fiquei cansada demais ou quase morrendo, era tranquilo e calmo, mesmo com a chefe exigente que tinha. O interessante era ouvir as histórias que as pessoas tinham para contar, eu me divertia ouvindo alguém contar a história da sua vida, enquanto tomava uma xícara de café quente e delicioso, sem contar que sempre eram histórias intrigantes e emocionantes.

Uma vez, uma jovem estrangeira chegou no café, pediu um expresso americano e sentou-se em um dos bancos do balcão. Ela não falava muito, e quando abria a boca para falar, parecia morrer de vergonha pelo seu sotaque desleixado e meio travado, ela era realmente americana, mas parecia saber sobre a coreia tanto quanto alguém que mora aqui.
Sua história era a seguinte: Quando era criança, seus pais a levaram para fora do país, indo ao Canada. Eles tinham algum problema com o dinheiro, e lá, havia um parente da família que poderia abriga-los, então, rumaram para o outro lado do mundo. Son Seungwan parecia sentir falta da Coreia, mas do Canada também, era meio confuso, porém era compreensível. Quando a moça voltou para cá, ficou bem perdida pela cidade, mas conseguiu se localizar e achar um hotel, então, todas as manhãs vêm aqui tomar seu devido café. Na parte da manhã era Son Seungwan, já a tarde... era Park Sooyoung. A jovem alta e pálida era apenas uma estudante, porém conseguia me tirar boas risadas e sem perceber, ela contava como foi seu dia na faculdade, se estava difícil e coisas assim, até me chamava se unnie. Há quanto tempo não ouvia isso sair da boca de alguém... Nem da minha também, nunca mais chamei alguém daquela forma, pois para mim, a palavra entalava no fundo da garganta e me fazia quase morrer sem meu precioso ar. Hoje, Seulgi minha colega de trabalho, iria ficar com o  periodo da noite, porém, ela não havia aparecido até agora. Estava esperando uma boa desculpa vinda da menor, pois hoje eu queria descansar em casa comendo qualquer porcaria que tivesse na geladeira. Mas nada da jovem aparecer, então apenas fui atendendo as pessoas que ali passavam.

Um dia, eu iria escrever todas essas histórias num diário, assim, quando finalmente admitisse que estava sozinha e, quando tivesse vontade, adotasse uma criança, poderia contar todas essas histórias para meu suposto ‘filho’. Nunca contaria a minha, porque diferente de mim, que tinha que escutar toda vez a história da família, apenas iria faze-lo dormir com pequenos contos, não tão empolgantes ou algo assim, mas relaxantes. Se eu realmente tivesse um filho, Whee In e Hye Jin iriam querer adota-lo, pois não importa a criança, elas querem para si. E isso, eu achava incrível. Não era todo dia que você ouvia sua amiga dizer que se pudesse, adotaria todas as crianças com deficiências, assim poderia mostrar ao mundo que elas eram crianças normais, como qualquer uma, apenas tinham seu toque especial. Eu achei simplesmente linda essa pequena declaração de Whee In, mesmo que eu tenha sido criada pelos meus pais, sabia como era a vida de um órfão, eu já convivi com alguém órfão.Eu adotaria alguma criança com deficiência sim, uma criança com problemas mentais sim, era só ama-la, nada mais. Enfim, já era seis e quarenta e ninguém estava no local, acho que poderia fechar mais cedo hoje, seria o último dia na semana qual ficava aberta.


Saí de trás do balcão, com as mão atrás de mim, tentando tirar aquele nó que havia feito no avental, e quando consegui tira-lo, deixo-o em cima de uma das mesas do local, indo até a porta, segurando a plaquinha de aberto, virando-a, deixando o fechado amostra para quem passasse pelo local. Comecei a assobiar, colocando minhas mãos em meus bolsos, caminhando tranquilamente para sala dos funcionários, tirando o chapéu do estabelecimento, colocando-o no armário ali ao fundo. Sentei-me no banco que havia lá encarando o teto, pensando em tudo que havia acontecido nesses três anos.

Já não estava mais platinada, aquela cor carregava algo que me atormentava, por isso, decidi tira-la e muda-la completamente, tingindo meus fios de azul marinho, quase preto. Todos disseram que ficou lindo e isso e aquilo, mas eu me importava? Claro que não, pouco estava me importando para alguma merda mesmo. Agora, nesse exato segundo, eu estava tento uma vida normal e cotidiana, mas não me sinto feliz por isso.

Por que?

Não sei, não me deixa feliz em saber que irei para o mesmo lugar todos os dias, voltarei, ficarei no sofá fazendo nada e depois irei dormir. QUE GRANDE MERDA MOON BYUL YI.
Por que é que eu fui reclamar da minha vida?
Por que eu não fiquei quieta no meu canto, fazendo altas porcarias com a merda da minha vida?
POR QUE EU FUI TER ESSA VIDA? ME DIZ SANTO DEUS.

Ah, lembrei. Era bom sentir aquela coisa de novo... Eu sei, estou paranóica, mas eu, na verdade, sempre fui assim. Você, minha pequena, era a graça da minha vida, era o sentido dela e mesmo que isso seja grudento e clichê, não deixa de ser verdade. Se eu realmente estou reclamando da vida calma que tenho? Estou sim.

‘Muitas pessoas dariam tudo para ter uma vida igual a sua.’ Eu sei, mas estavamos falando de mim, não? Se eu quiser reclamar da minha vida , eu irei. Sendo ridícula ou não, ela é minha. É realmente uma pena quem não pode viver como estou vivendo, eu entregaria a minha vida para quem quisesse, porém não há como fazer isso. Me chame do que quiser, mas essa sou eu.


Ouvi um barulho incomum ecoar pela sala, eram batidas. Levantei-me, caminhando para fora da pequena sala e vendo de trás do balcão mesmo, que havia alguém em frente a porta do local, estava com um capuz cobrindo a cabeça, um óculos de sol nos olhos e uma daquelas mascaras para gripe, estranhei, mas logo abri e falei á moça:

“Está fechado, desculpe senhorita.” Lhe disse educadamente. Ela não mudava sua expressão (Eu também não podia ver muito de seu rosto.), apenas continuava lá, parada me encarando. Passei a observar as pequenas partes expostas da moça, tinha bochechas grandes e pelo visto, olhos pequenos. Fui observando cada traço até que reparei em algo que me chamou muito a atenção.

Ela tinha uma pequena pinta abaixo da sobrancelha direita.

Fiquei congelada com tal coisa, não poderia ser... Ou poderia? Se chance! Aquela carta não poderia ter chegado no local onde ela estava, não podia! Eu não queria parecer fraca nem uma idiota apaixonada que sente amor por alguém que não sente o mesmo. Por que destino? Por que faz essas coisas?

“Olá, Moon Byul Yi em casa? Acho que estou no lugar errado... Será que ela mora em outro corpo?” Brincou, colocando seu indicador junto de seu polegar em baixo do queixo, franzindo as sobrancelhas. Eu juro por qualquer Deus que exista nessa terra que meu coração parou, morreu. Não bombeava mais sangue para lugar nenhum, por tanto, minhas pernas fraquejaram e caíram, me fazendo bater a cabeça no chão gelado, apagando na hora.

[...]

“Sarajiji ma hangsang meomulleo (Não vá embora, sempre estarei do seu lado)


Nae simsullo neol kkaetteuryeo (Mesmo quando eu te machucar)

Hwanaego bochaedo eopseojilkka bwa  (Te fazer louca e afasta-la com o meu mau temperamento)

(Jongil jongil) jobasim naego (Todo dia) Eu sou tão cuidadosa no caso de você desparecer)

Boseokcheoreom neol akkineun (Eu sou a pessoa)

Geu saram naran geo (Que te valoriza como uma joia)Ouvia uma voz melodiosa soar por meus ouvidos, era calma e cálida, até se igualava ao som de um violino. Apertei meus olhos, assim finalmente os abrindo. Ela estava lá, estava realmente lá. Não era alucinação ou algo assim, ela estava AO VIVO E EM CORES!
Minha única reação foi abraça-la com toda força que tinha. Eu não sabia onde estava, e nem queria, ter ela ali era tão bom... Meu coração ficava tão vivo, tão alegre em só senti-la novamente, em ouvi-la cantar enquanto dormia, em... Te-la para mim uma outra vez. Não conseguia processar nada, apenas quis ficar ali, até que as lágrimas acumuladas se formaram em meus olhos, não pude aguentar prende-las mais, não conseguia conte-las. Senti seus braços me apertarem contra si, logo algo úmido escorria pela minha bochecha, junto com as minhas lágrimas.


Ela chorava tanto quanto eu.

Ela estava comigo novamente, estava me abraçando e mais e mais lágrimas saíam de seus olhos, eu não estava diferente, acho que até chorava mais que ela. Passamos um tempo daquele jeito, tinha que processar tudo, que ela havia voltado, que ela estava lá.

“Eu não tomei cuidado o suficiente para que não desaparecesse, não te valorizei como uma jóia o tempo todo, mas não sabe o quanto senti falta de ouvir sua respiração, de olhar para você e sorrir feito idiota de novo, não sei se ainda sente o mesmo, mas sendo assim ou não, eu estou aqui agora e não vou sair, então eu peço por favor, não suma porta a fora de novo.” Sussurrou com sua testa sobre a minha, seus fios estavam enormes novamente, antes a cor rosa leve que habitava tais fios, sumiu. Estavam um rosa bem escuro, parecendo até sorvete natural de morango, sem contar a raiz negra aparecendo, o cheiro era o mesmo... Como eu senti saudade dele, de no final do dia, depois de uma tarde cheia de brincadeiras, cair na cama e sentir esse cheiro na minha roupa. Meus olhos estavam fechados, apenas sentindo sua respiração contra meu rosto. Me levantei, ficando sentada no que agora eu sabia ser um sofá, me colocando ao seu lado, encarando-a com os olhos marejados.

“Me desculpe pela demora, meu bem.” Sussurrou novamente, fungando e conseguindo então abrir um sorriso. Suas tão adoráveis covinhas se fizeram nos cantos inferiores de seus lábios, vindo junto com seus olhos apertados e suas bochechas enormes. Era aquele sorriso que eu esperava ver, era aquele calor que emanava de si que eu queria sentir, sem duvidas, Yongsun era tudo que eu precisava e preciso. Então, voltei a lhe abraçar. Passando meus braços por seus ombros, a puxando para perto, podendo finalmente abraça-la sem afobação, por mais que eu estivesse segurando toda minha felicidade. Ela acomodou suas mãos em minha cintura, apertando entre seus dedos o tecido, logo sentia algo molhando meu ombro. Ela voltou a chorar. A única coisa que passava pela minha cabeça naquele momento era como ela me achou.

Será que ela leu a carta que mandei? Será que ela foi atrás de mim ou foi sem querer? Será que ela fugiu por mim? Ora, Moon Byul Yi, não fique se perguntando isso. Levei minhas mãos aos seus cabelos, acariciando os fios, as vezes, eles se embolavam entre meus dedos, assim afundando-os em tais, bagunçando-os levemente. Fiquei ali durante uma, duas horas, até que ela finalmente parasse de chorar. Eu confesso, estava segurando, pois tenho certeza que Yongsun nunca me vira chorar como antes, nem parecer tão fraca.

O que raios está dizendo Moon Byul Yi?

Você não precisa ser alguém que não é, não precisa se esconder. Ela é Kim Yongsun, a menina que quebrou e ao mesmo tempo, salvou seu coração. Tem uma mente complicada e não é por isso que ficará longe dela, é como um imã, não é? Eu sei, estou falando comigo mesma, maluquice né?

Com isso em mente, deixei minha testa sobre sua cabeça, encostando-a apenas. Fechei meus olhos e respirei fundo, a mulher que amo estava chorando em meus braços, e eu nem sabia o motivo. Ouvi um sussurro, rouco e fraco vindo de Yongsun, junto com uma risada leve.

“Melhor pararmos de chorar, você pode ficar mais branca do que já é.” Brincou. Ri junto de si entendo o que falara, assim, tirava lentamente meus braços de seus ombros, me afastando junto dela, sorrindo largamente. Levei minhas mãos ao meu rosto, secando aquela poucas porém grossas lágrimas que haviam caído, logo esticava minha mão ao rosto macio e fofo de Yongsun, puxando-a pelo seu queixo, selando nossos lábios. Senti-los era tão bom... Sem pressa, calmamente, tranquilamente e docemente, sentindo a textura de tais nos meus, o gosto e a sensação que me causava. Era como um tiro, você nem percebia, mas lhe atingia em cheio, bem no peito. Com toda certeza, seu beijo era o melhor do todos os outros que já provei. O seu tinha algo além de só um encostar de lábios, era algo bem clichê... Eu diria amor. Eu sei, é clichê, mas pense, o mundo é clichê. As histórias de amor que você provavelmente já deve ter escutado, são clichês. Tudo começou assim, pode até ser por um motivo diferente, mas sempre daria no mesmo.
Lhe digo, cada um tem sua própria história clichê, e a minha, foi essa. Não terminou por aqui, ainda teria muito mais para acontecer, teria tudo para dar errado, mas isso, só o destino nos dirá.


 

E quando seus lábios se separaram, suas bocas se abriram em um sorriso único, um sorriso apaixonado. Naquele segundo, Moon Byul Yi não teve dúvidas sobre o quê seu coração dizia, nem sobre o que sentia. Nos olhos da morena, via a verdade e o amor puro nas orbes marrons, era lindo. Depois de minutos apenas se olhando, Moon Byul Yi olhou para o lugar e percebeu ser onde tudo começou, o sofá da sala da casa de Yong Sun, e ali, aquilo terminou. Seus sentimentos podiam ser meio complicados, mas seu pequeno e forte coração estava feliz em ver novamente aquele sorrisinho único que a (agora) azulada tinha, ver seus olhos se tornarem menores do que já eram, era tão lindo... Poderia se comparar a um pequeno coelho. Yong Sun, naquele dia, já não ouvia mais as vozes lhe atormentando a noite, não ouvia sequer um sussurro, estava com sua paz preservada em si, no sorriso antes falado.
A morena, se praguejou tanto por quebrar aquele coração... Se amaldiçou por fazer o que fez, cometer aqueles atos horríveis... Mas, já não estavam no passado, o presente importava muito mais.

Então, naquela troca de olhares, elas poderão entender o amor, viver novamente. Moon Byul Yi sentia-se livre para ser quem era, Yong Sun também. Por isso, por esse pequeno porém lindo clichê, tudo se resolveu, é claro que problemas surgiriam, mas depois de tudo que passaram, das brigas, abandonos, corações partidos, lágrimas presas e pesadas... Nada seria ruim demais.
No final, Whee In tinha razão. Na verdade, a Srta. Jung tinha. Hye Jin e Whee In não ficaram de fora, conheceram Yong Sun e a apelidaram carinhosamente de Solar, o brilho caloroso que emanava de Yong Sun de igualava a raios solares, como a própria Moon Byul Yi falara.

Nada, nada mesmo, poderia romper seus corações. Eles estavam seguros, dentro de cada uma dessas quatro mulheres.

 

                Clichês e finais felizes existem, e são comuns. Basta entende-los e saber encontrar a sua própria felicidade. 


Notas Finais


Hey ~

Espero que tenham gostado, meus monas. Essa short fic inteira é bem... Profunda. Diz sobre o amor, vocês sabem, diz que ele pode vir de qualquer forma, qualquer lugar e a qualquer hora. Nunca é uma boa ou má hora. Essas coisas acontecem, isso é comum, corações são partidos todo dia e você nem percebe, sabe? Espero que você entendam que nunca, nunca mesmo, sem uma hora certa.

Bom, espero realmente que tenham gostado, pois é o último capítulo meus monas. Nos vemos nos próximos capítulos das próximas fics que virão, fiquem ansiosos, pois vem BOMBA!

Obrigada por tudo monas <3


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