História (De)floramento - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Exibições 3
Palavras 2.580
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oie, mais um capítulo. Espero que estejam gostando
Qualquer coisa, é só falarem comigo s2
Bjus

Capítulo 8 - Terceiro anoitecer


Eu nunca realmente fui grande fã de terror... Sempre fui medroso e por mais que o material, fosse um jogo, um filme, um livro, etc, eu sempre fui covarde demais para aproveitar o conteúdo... E muitos desses conteúdos eram realmente bons. O pouco que eu usufrui dessas coisas, me davam uma ideia do que eu não deveria fazer quando a voz misteriosa do celular me ordenasse a cometer suicídio: deliberadamente ignorar as instruções dela... Eu só preciso fazer exatamente o que ela disse, mas, ao contrário. Isso deve ser simples não? Ou seja: não olhe o mapa, não vá para esse prédio e não passe pela farmácia... Ah sim, e não evite a escola. Certo, então o que eu farei e pegar minhas coisas, voltar para a escola e esconder-me num canto. Virei-me um pouco e vi as minhas coisas no chão... Caminhei até essas e recolhi-as de qualquer jeito, ignorando o mapa bem fechado entre meus dedos, já caminhando para a escada e subindo-a para a porta da escola. Foi bem quando coloquei a mão na maçaneta que o meu celular voltou a tocar... Agora... Eu não devia atende-lo, mas eu realmente não tenho nada melhor para fazer... Esse pesadelo é uma merda... Talvez se eu joga-se me num dos buracos pela escola, eu iria acordar, como da última vez... Arrumando minhas coisas outra vez, atendi sem se quer olhar quem era e apenas escutei a estática. 

-Que é?! - eu disse, mais frustrada que assustada agora – Que você quer? - não sei se era o mesmo fantasma, mas dessa vez eu já não estava me importando mais -  

-Evite a escola... - era a mesma voz de mulher da ultima ligação, querendo me dar ordens do além com seu celular fantasma - Não abra essa porta... 

-Cala sua boca! - retruquei, desligando o celular e abaixando-o. Levei minha mão na maçaneta novamente e abri a porta com tudo - 

Do outro lado da porta, eu encontrei apenas uma enorme parede de pedra. Isso... É uma piada né? De um enorme corredor escuro e sombrio pra uma parede de pedra completa. Só pode ser uma piada... É por isso que eu não gosto de pesadelos... Não importa o que você faça, você sempre vai se foder e isso é o que tem de pior em qualquer pesadelo babaca. Eu já não estava mais com medo dessa vez pra ser sincera... Estava mais com raiva eu acho... Existem fases da aceitação não é? Talvez eu já estivesse começando a aceitar estar nesse pesadelo horrível não? Quem eu quero enganar... Eu nunca vou aceitar isso... E pra piorar, eu não sei que efeito isso vai ter no mundo real. Pois eu certamente estou andando pelo quarto agora... O que me faz lembrar que, se eu estiver andando pelo quarto, tudo vai estar bem de todo modo, pois meu irmão vai estar comigo e certamente iria me acordar caso eu começasse a me mexer aleatoriamente pelo quarto... E especialmente se eu começa-se a me machucar como ocorreu da última vez. Meu celular começou a tocar... Atendi mecanicamente... Mais estática... Dessa vez eu iria esperar alguém falar, e não sei muito bem quanto tempo eu fiquei parado desse modo... Mas ninguém chamava...Eventualmente tomei a inciativa... 

-Que é? - eu murmurei, a raiva dando lugar a uma pequena indiferença - 

-Evite a escola... - a mesma voz... Fantasma piranha – Eu lhe avisei... Agora você apenas piorou tudo... Parabéns... Marry... 

-Não me chame assim... - disse baixo, contrariando todo bom senso e sentando-me de frente para a parede de pedra, dando as costas para os arredores – Que você quer? 

A voz sumiu por um tempo, mas a continuação continuava pois eu podia escutar a estática da ligação. 

-Heh... - a voz voltava – Cheque seu mapa... Passe pela farmácia... Prédio 21 apartamento 17... - ela dava uma longa pausa, mas logo voltava – Evite a escola... - e desligou - 

O que fazer? Não é como se eu tivesse muitas opções não é? Me matar? Algo me diz que por mais tentadora que seja a opção, eu não imagino que eu consiga me esfaquear e tenho medo do efeito que isso iria causar no meu sonambulismo... Isso é... Se eu realmente tiver um sonambulismo... Posso confiar em minhas teorias agora? Quer dizer... Minha teoria do sonambulismo referente ao excesso de comida não encaixou... Então será que é mero sonambulismo mesmo? Não... Não vou cair nesses delírios. Isso é a droga de um sonho, porra... E eu vou segui-lo até acordar, pois foi isso que ocorreu antes. Os machucados podem até ser sonambulismo, ou sei lá, não me importo mais... Dane-se. É a droga de um sonho, ponto... E eu nem ligo mais os momentos Deus ex machina... Eu só vou prosseguir e terminar esse sonho... É. Me erguendo, pego com cuidado o resto das minhas coisas e olho ao redor... Tem que ter algo para enfiar essas tralhas. Eu esperava um outro momento desses Deus ex machinas pra eu arrumar uma bolsa ou mochila pra colocar essas coisas, mas sem muita sorte. Talvez eu devesse parar de pensar tanto nisso que posso acabar testando minha sorte e eu não estou nem um pouco interessado em testa-la mais do que já estou testando ficando parado aqui  no meio do nada... Pois bem, abri o mapa para conferir a localização dessa maldita farmácia. Daqui de onde estou, ao que tudo indica, eu só preciso dar uns passos para a rua, virar a direita e descer umas... Duas quadras... Com isso eu devo parar numa encruzilhada e dai eu viro a direita novamente, fazendo um caminho paralelo a quadra da escola e quando eu chega-se ao final da primeira quadra dessa nova lá deveria estar a farmácia. Era basicamente um L com a base voltada para cima. Sem perder tempo eu arrumei as coisas da melhor maneira que pude e comecei essa jornada. Guiar-me no meio de névoa tão densa não era tarefa fácil. Eu pensei em usar  lanterna, mas não era luz que me faltava, mas sim uma visão clara. De todo modo, eventualmente cheguei no meio da rua em frente a escola, que iria ser meu ponto de referencia inicial. Felizmente os pesadelos muitas vezes copiam o que você vê na realidade, então era uma rua qualquer, com o piche preto logo abaixo e os desenhos em branco dividindo as mãos. A rua era bem grande devo dizer, mas não era isso que me deixou mais perplexa, salvo a cidade fantasma e mal-assombrada, mas o mapa aparentemente era de uma cidade muito maior do que esse pequeno bairro que eu iniciei esses pesadelos. Eu me pergunto se eu posso andar livremente por ai, mas acho que mesmo se eu pudesse eu iria eventualmente ficar deparando-me com monstros, provando que nem em sonhos eu devo sair do meu quarto. Voltando a checar o meu mapa muito brevemente só para garantir que estou interpretando tudo corretamente e só para ter certeza que estou no lugar que tinha planejado e felizmente tudo parece em ordem. Deixando o mapa de lado novamente, eu mantive a faca na única mão realmente livre que eu tinha. Não sei muito bem porque eu fiz isso, pois eu nunca tive uma briga de verdade, muito menos uma briga com uma faca... Mas acho que foi mais instinto com uma boa dose de bom senso do que um ação realmente calculada. Mantive aquela porcaria erguida o tempo todo, pelo menos isso era uma cidade fantasma, pois parecia uma lunática com aquilo apontando para a frente. Eu caminhei com um passo apertado até, olhando aos arredores ansioso para algo pular em mim e tentar, sei lá, comer meus olhos eu acho... Eventualmente após alguns minutos de quase-corrida eu cheguei num encruzilhada. Puxei o mapa novamente só para me garantir que era aqui mesmo... Era mesmo, e com isso, voltei a caminhar, dessa vez indo para a direita como eu havia planejado minutos antes, mas eu não andei na rua agora, fui-me até a calçada da quadra onde estaria a farmácia e guiei-me quase com as costas nas paredes das demais lojas... Eventualmente deparei-me com a farmácia, sem maiores problemas devo dizer. O local era bem aberto, todas as prateleiras eram visíveis e havia uma balança no canto, como a maioria das farmácias, se não todas. Não sei, não conheço todas as farmácias e tão pouco sai recentemente para saber a última moda entre elas. De todo modo, eu adentrei, com a faca para baixo agora... Acho que minha tensão deu uma aliviada, dentro da farmácia, as prateleiras estavam cheias de... Coisas de farmácia... É... Esse é o termo mais adequado a quantidade de remédios, suplementos, perfumes, etc... Mas então eu estava aqui, no meio da farmácia... Tá... E agora? Quando ela me disse para vir pra farmácia eu imaginei que haveria alguém ou algo me esperando aqui... Mas parece só uma farmácia abandonada e meio escura... Eu ouvi o celular tocar e rapidamente olhei o número que chamava. 

-Desconhecido... - murmurei, suspirando e atendendo a chamada. Levei o aparelho até a orelha e sentando num dos bancos que havia para os clientes que esperavam para pegar remédios - Alô? 

-Boa menina... - odeio essa mulher, seja ela quem for – Marry sempre foi uma garota obediente... 

-O que você quer de mim? - choraminguei, eu estava exausto e só queria acordar - Não tem nada aqui... Você queria que eu desse uma volta pelo quarteirão? Você é uma fantasma personnal trainer? 

-Mary, Mary... - eu juro, ela faz isso de propósito - Você é tão ingrata... Eu preocupo-me... Com você... - eu ia interrompe-la, mas ela continuou antes – Marry... Pegue... Algo para a dor... 

Eu olhei ao redor, e vi uma pequena cartela de novalgina logo a frente. Por sorte ao lado dela havia alguns analgésicos, então tomei os dois também... Como eu ia carregar isso tudo ao mesmo tempo com duas mãos, eu não sei, mas deixei sobre meu colo como todo o resto. Voltei minha atenção para a ligação que ainda ocorria... É bom que não houvesse contas de celular nos meus pesadelos, isso sim seria um pesadelo. 

-Eu peguei novalgina e alguns analgésicos... - eu disse – Serve isso? - será que eu estava fazendo compras para um fantasma que não queria sair de casa? Não parece impossível... Eu tinha de passar num apartamento depois né? - Por acaso você esta me assombrando para fazer suas compras? - eu disse de modo irônico - Você quer que eu passe na padaria depois? Quantos pães você quer? - meus comentários não deixaram de fazer-me dar um sorriso e sentir certo alívio, por mais surreal que fosse minha situação - Alô? - ela estava quieta a um bom tempo... Ela ainda estava lá? Só tinha estática... - 

-A rua... - ela retornou, rindo de leve – Olhe a rua... 

Eu olhei, já alarmado com esse aviso. Havia uma figura ali fora da farmácia. Na distancia correta para não estar completamente visível, mas também não completamente coberta pela densa névoa. Eu apenas fiquei observando aquilo, já preparando-me para sair correndo enquanto do outro lado da ligação eu apenas escutava estática e risinhos. Moveu-se... Aquela coisa começou a se mover em direção a farmácia. Eu ia erguer-me com tudo e deixar tudo de lado, sair correndo feito um insano, mas... Eu não conseguia me mexer... Pânico é algo bem comum que eu sentia nesses sonhos, mas honestamente, por dentro eu estava começando a me debater, mas o corpo não respondia. Eu sei que pesadelos são feitos para lhe foder, mas porra, isso já era ridículo. Isso são clichês de survival e eu não gosto nem de um nem de outro. Eu não pude mais mover minha cabeça, então eu estava de costas para a entrada da farmácia... Eu acho que comecei a rezar nessa hora, pedindo ajuda a seja-la quem estivesse disposto a escutar minhas súplicas... Aposto que se o Diabo estivesse ali me oferecendo ajuda para fugir em troca da minha alma eu teria aceito sem pensar duas vezes, o que é um pouco irônico, visto que nem um nem outro existem. Já fantasmas... Bem... Nos pesadelos eles existem ao menos... Eu fico até imaginando o que meu corpo no mundo real esta fazendo agora... E o quão danificado ele vai ficar. Eu comecei a escutar uns passos bem delicados bem próximos de mim, e nesse congelamento que eu sofri, a porra do telefone ficou grudada na minha orelha o tempo todo. A estática continuava igual, mas os risinhos daquela maldita poltergeist ou sei lá o que estava lá. Os passos logo cessaram, bem ao meu lado... Então eu senti algo tocar minha cabeça... Hiperventilação, ao menos minha respiração eu ainda tinha controle. Minha cabeça junto ao meu corpo foi sendo lentamente virada na direção da porta da farmácia... Quando eu virei-me para a direção de onde devia estar a figura, eu apenas vi aquela mulher... Ela era alta... Pra caramba... Se tivesse dois metros eu não estaria surpreso... Ela era branca como uma folha de papel, com um cabelo tão longo e em grande quantidade que parecia uma relva por si só, com o detalhe de que essas madeixas eram tão brancas quanto ela... Até as malditas roupas dela, que por mais bonitas e cheias de babados que fossem eram igualmente brancas. Dos pés a cabeça, essa mulher era branca como a folha de sulfite que eu uso para rabiscar algo, salvo duas coisas... Os olhos, as sobrancelhas e os cílios, que eram completamente pretos, e quando eu digo pretos, eu realmente digo pretos, não como se estivessem em falta, mas eles eram da cor preta... E o sorrisinho que ela mantinha dava para ver a boca da mesma cor... Não dava-se para distinguir dentes ou qualquer outra coisa que normalmente fica numa boca, apenas o preto que dava até uma certa sensação de profundidade. Essa porra era uma verdadeira amazona, mas assombrada e preto e branco. 

-Marry... - disse aquela coisa, e quando fez isso, o celular repetiu a fala. Tanto a mulher do telefone como a coisa que segurava minha cabeça tinham a mesma voz... É... Fantasmas não são normais... - Você sempre foi uma garota obediente né? 

Foi nessa hora que eu abri os olhos e ergui-me um pouco na cama. Eu estava coberto num suor frio, respirando como um condenado e meu peito estava doendo tanto que parecia que alguém havia me esmurrado com toda a força. Já estava de manha? Bem... O mano havia saído... Eu vou tomar um banho... Devagar eu sentei-me na borda da cama e com outro pequeno esforço coloquei-me de pé... Virando para o banheiro, eu comecei a caminhar na direção desse, olhos e mente ainda embaçados. Foi quando eu parei, no meio caminho... Com tudo clareando de uma só vez, eu finalmente reparei no banheiro... Estava muito escuro... Mas uma coisa se destacava no escuro... Uma figura alta... Estava em contraste devido ao quão branca era... Tudo bem que eu só via da cintura para baixo, mas o vestido cheio de babados e corpo quase estático que estava dentro do banheiro escuro, voltado para mim, aquilo foi o suficiente para fazer eu acordar e um instinto primordial de sair correndo já estava armado. Foi dando um passo para trás devagar que eu escutei a mesma voz daquela voz... Isso não podia ser real... 

-Marry... - disse baixo, seguido de uma risadinha igualmente baixa – Huhu... 

Isso... 100%... Não pode ser real...


Notas Finais


Como eu disse, espero que estejam gostando
Pois eu estou, huhu
Desculpem se demora as vezes de capitulo para capitulo, mas eu tenho estado meio ocupadinho.
Com sorte isso vai melhorar...
Enfim, bjs.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...