História Dejaria Todo - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias MasterChef Brasil
Tags Farosella, Fogasella
Exibições 184
Palavras 2.104
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Hentai, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Só tenho a agradecer <3

Capítulo 2 - Dois


Fanfic / Fanfiction Dejaria Todo - Capítulo 2 - Dois

 

Fogaça

Eu estava pronto para gravar quando meus devaneios me invadiram de forma que eu não poderia escapar. 

Era como estar rendido espontaneamente porque eu gostava daquilo, eram pequenos filmes de exatamente cinco segundos que passavam pela minha mente, memorias de Paola mesmo que não quisesse lembrar dela. Mas como meus pensamentos ficavam com o tempo cada vez mais incontroláveis, eu só tinha que me concentrar no que exercer no programa, minha face sem mostrar os dentes, minha rigidez as vezes exagerada, mas necessária. 

Eu só queria tê-la mais uma vez e segurar bem forte para que ela jamais saísse dos meus braços de novo. Então senti uma voz familiar no fundo me chamar enquanto me encarava no espelho, vendo muito além do meu próprio reflexo.

– Acho que está mais do que na hora, certo? – Ana, como sempre.

– Vocês têm que se acostumar, eu sou o atrasado do elenco. É o meu charme, Padrão...Padrão.

– Muito engraçado, Henrique, saiba que meu sobrenome tem um significado que está além da sua compreensão, entendido? – Ela disse tentando ser seria, algo que poucos sabiam, Ana possuía expressão de seriedade para as câmeras, mas fora dela, era como uma comediante experiente.

– Não tente ser seria Ana. – Disse tentando parecer empolgado

– Eu sei porque está um tanto cabisbaixo hoje, e também sei que o nome dessa “doença”

– Ana, agora não...eu sou uma pessoa que infelizmente, tem boa memória para datas, então...

Desde que Paola havia ido embora, eu tive como apoio, Ana e Jacquin, que pareciam entender mais do que o parecido desse assunto. Porque conselhos para quem sabia aceita-los, faziam bem. Muitas vezes para mim, não. Não sabia como manuseá-lo e também não queria aprender, tentava forçar a mim mesmo de que aquilo não valia à pena sofrer.

Sofrer.

Palavra que jamais diria em voz alta. Meu ego não favorecia, eu deveria ter cuidado, mas não sequer tentava. Aguardava o telefone tocar ansiosamente, mas como eu sabia, ele jamais tocou. 

Há exatos três anos que pela porta passou a pessoa que eu gostaria de entregar a vida e desfrutar dos mais íntimos prazeres que a vida poderia oferecer, não soube, não quis e me culpava por isso. Me considero covarde por não ter arriscado o básico, me sinto nostálgico e inútil.

Desnecessário.

Mas necessário ao mesmo tempo. 

– Então?! – Ana mais uma vez.

– Eu me sinto um canalha inútil...eu não deveria colocar lembranças que não ajudam dentro de minhas memorias...

– Tem gente que ama mil coisas, você ama Paola Carosella, sempre amou.

– Eu não deveria, mas dentro de três anos já beijei tantas bocas, jamais senti algo. E eu me sentia ainda mais superficial, e eu acho que esse amor não servira de nada, pois eu não a tenho

– Então o que está esperando para ir atrás garotão? Mais três anos? – Jacquin disse me dando um belo soco nas costas, como o usual.

– Você sabe que ela está noiva de um ricaço fotografo, não é? – O respondi sério – Você mesmo me disse

– Cinco minutos para começar a gravar, meninos – Ana disse enquanto retocava a maquiagem, um tanto exagerada 

– Não tem como não lembrar... eu estou muito bem solteiro, só sinto falta de ter alguém, não estou reclamando.

– Agora mesmo ele me disse que amava aquela argentina, Erick 

– Eu não disse que não a amo, pelo contrário, estou dizendo que sim, eu amo, mas não estou infeliz solteiro...

– Ele diz isso agora, mas o amor não dá para fugir, você fique ciente disso. – Jacquin me disse encarando. 

Eu já estava cansado de saber disso. É que as vezes o orgulho não nos permite, muitas vezes o venci, travava batalhas dentro de mim para conquistar ela que uma vez foi minha. Eu sabia que da minha parte, teria alguém ao meu lado, por tempo que não contarei por ser um cara realista, pé no chão. Jamais pensei em envelhecer, tão pouco ao lado de uma pessoa. Tudo que eu queria era ter a experiência de lobotomia. Tudo isso por Paola, todos os sentimentos por ela e sempre será desta maneira, amor vem uma vez. Arrebata, avassala quando se faz selvagem e intenso. Não tinha dúvidas que o nosso era assim, eu amava demais, desejava e fazia demais. Mas droga, eu só queria vê-la mais uma vez. 

Sobre o clima de competição e rivalidade, eu me sentia como um pássaro preso insanamente necessitado de ser liberto, esse poder seria concebido por somente uma pessoa com o “poder” necessário. Estava tudo bem ao mesmo tempo não, sentia andar sobre uma corda bamba indo de encontro a um futuro incerto. 

– Cinco minutos, pra todo mundo! – Disse alto.

Ana lançou um olhar para mim que dizia: “vá com calma”, mas eu simplesmente não conseguia, descontava neles, precisava. Estava bem comigo nesse quesito, minha personalidade como chef sempre foi rigidez, manteria assim.

Enquanto provava os pratos, tentava sentir o gosto ideal e encontrar o necessário para programa, mas era como se meu paladar não funcionasse mais. Não sentia e não conseguia julgar, pedia a mim mesmo para voltar ao normal, sabia o porquê e não via motivos, me odiei um pouco mais e dei minha opinião. Ana me olhava de certa distância, Erick o mesmo, desviava o contato e tentava ser profissional. 

Quando finalmente as gravações acabaram, tocava violão no camarim e sem pedir, mais uma vez Ana Paula estava lá de braços cruzados esperando que eu dissesse “me desculpe” ou então “eu estou indo para Buenos Aires, pego o próximo voo”.

– O que ainda está fazendo aqui? – Falou como se eu tivesse feito algo absurdo a ela.

– Tocando um pouco de violão, descansando o paladar... 

– Você é sempre assim? – Ela se sentou na cadeira me encarando pelo espelho – Ah é, você é sempre assim.

– Não vou falar sobre isso, serio.

– Serio? 

– Uhum.

– Parece filme, só não espero que quando ela estiver casando, você chega bem na hora que o padre disser a famosa frase. – Ela se virou ainda na cadeira – Você não vai fazer isso, não é?!

Parecia engraçado apesar de tudo, eu não me contive e ri como se não tivesse problemas, imaginei a cena e quando em minha mente fértil, imaginei ela de véu e grinalda, com aquela sua beleza transcendental. No altar, a pessoa que deveria ser eu. Escondi o riso e voltei a tocar algumas notas no violão, e Ana continuava lá, sendo inconveniente, insistindo em algo que eu queria mas sabia que não teria sucesso.

– Porque não vamos a algum barzinho hoje? – Ela sugeriu esperançosa, até mesmo batendo palmas e de olhos bem abertos.

– Eu tenho que estudar um pouco mais, preciso de concentração.

– Você precisa sabe do que? De encontrar um novo amor!

Queria tanto dizer que sim eu precisava, mas a dor ainda estava lá, e eu estava me perdendo, deveria recomeçar e ser feliz, tentei inúmeras vezes, mas não consegui. Paola deixou saudade e eu temo para que isso aconteça de novo, me vi em um labirinto interminável, mas precisava seguir em frente, ela seguiu e então eu pensei, se conseguiu, é porque seu amor não era tão forte como o meu.

– Eu recuso o segundo convite, até porque eu não preciso, mas o primeiro posso até pensar...

– Erick também vai, será ótimo esfriar a cabeça, não é mesmo Chef?

– Eu não irei segurar vela para vocês dois...não sou esse cara

– Isso foi desnecessário, o único casal aqui foi você e a Paola

– Nos vemos de noite, Ana 

– Tá legal, já entendi. Até mais.

Isso não seria tão interessante como parecia, meus encontros intencionais jamais seguiram para o próximo passo, mais uma vez, a culpa era minha. Mas eu precisava esquecer que sentimentos existiam dentro de mim, por Paola. No meu carro, músicas que costumávamos escutar. Aquilo me irritou, retirei com pressa o dispositivo e joguei janela a fora, pensei ter dado o primeiro passo. E la estava eu no meu apartamento, sozinho. Esperando as horas passarem, os dias, a vida.

Me olhei no espelho enquanto fazia a barba e quase acertei um murro no maldito reflexo, me segurei e terminei o banho, “segui em frente” e Ana me mandava mensagens de modo desesperado confirmando a minha presença.

“Você vai vir não é?”

Bufei com a inconveniência daquela mulher, não acreditava como ela se tornou uma das pessoas que chamo com certeza de amiga, joguei o celular na cama e não respondi. Ele vibrou mais uma vez e não resisti em ver.

“Se não vier arranje outra coleguinha de armário, tatuado! ”

“Você está sozinha ou algo assim? Não me diga que Erick te deu um bolo?” – Provoquei.

Ela não respondeu como eu tanto desejava. Alguns minutos depois já estava desfrutando da torre de Chopp encarando a vista de São Paulo, bonita, mas a noite não estava agradável.

– Fogaça, essa aqui é minha colega, Fernanda, Fer, esse é o Chef Henrique Fogaça. – Erick disse me encarando para que eu fosse gentil.

A cumprimentei com um breve riso e um beijo no rosto, Ana e ele me deixaram sozinho com ela, obviamente. Tímida não se pronunciava, para ser “gentil” resolvi que deveria iniciar alguma conversação

– Você é daqui? – Perguntei ainda olhando a paisagem 

– Não, eu sou de Porto Alegre...e eu devo dizer, você é ainda mais charmoso pessoalmente Chef 

Sorri com o comentário.

– Obrigado, mas não acho...acho mais interessante falarmos de você, o que me diz?

Ela também sorriu, mas havia algo errado com a sua voz, parecia estar engasgada ou algo assim.

– Você está bem?

– Eu estou sim, porque? – Ela disse ainda rindo

– Você parece estar engasgada ou algo assim...

– Ah não, essa é só a minha risada...

Me senti rude. Ela não era feia, mas a sua risada, nem um pouco discreta tão pouco agradável.

– Me desculpe 

Ela, um tanto irritada, mas tentando não estar ao mesmo tempo, por motivos que eu sabia, balançou a cabeça negativamente tentando dizer que estava tudo bem, então eu me senti um pouco mais rude.

– Quer dançar? – Me estendeu sua mão convidativa

– Ah, eu gostaria muito, mas estou aproveitando o Chopp, parece muito bom...

Ela fechou o cenho e eu me senti culpado. Que merda, eu não sabia o que estava acontecendo, mas isso tinha que mudar.

– Estava esperando a música certa... – Tomei sua mão, e então o “barzinho” se transformou em uma balada ou algo do tipo.

Então vi Ana dançando freneticamente para Erick que virou de uma vez só uma bebida que parecia Martini, sorri com aquilo e dançava, ou melhor tentava dançar no ritmo, e ela me pareceu tão empolgada, que para não desaponta-la, fiz o “tradicional” girando pela mão no meio da pista. 

– Pega uma bebida pra mim? – Ela disse mais alto que o necessário 

– Claro...já volto 

Fui até o balcão e pedi algo fraco, olhei para Jacquin e ri com sua cara de alterado, parecia que alguém havia perdido a noite e estava se lamentando. Dei dois tapas em seu ombro e sorri para ele.

– Estragou a noite garanhão? – Não me contive

– O que?

– Eu disse – Falei um pouco mais alto – Se você estragou a noite bebendo demais, gavião...

Ele ainda não havia entendido, e de fato, havia bebido demais. Olhei para Ana e ela já havia arranjado alguém para acompanha-la na pista, lamentei pelo meu amigo que claramente a desejava, e retornei para onde a “garota” me esperava. A encarei por alguns segundos e perguntei a mim mesmo o que estava fazendo, ela era jovem demais e não era pra mim, mas aquela era só uma noite. Não havia intenções que passassem de uma companhia.

– Aqui está 

– Obrigado, Chef – Ela começou a rir ainda mais, e alto.

Fechei os olhos por dois segundos ao ouvi-la e de imediato me entediei.

– Pode me chamar de Henrique...

Ela sorriu sem gargalhar, para minha sorte e virou o drinque, de uma vez só. Segundos depois, tentava me beijar.

– Acho que você bebeu um pouco, Fernanda 

– Não bebi não – Ela disse e conseguindo o que queria, me roubou um beijo no pescoço. 

– Eu acho que você precisa ir pra casa, são....três horas já, e eu também preciso.

– Fica, Henrique!

– Eu gostaria muito, mas estou de carona, e eu te acompanho até o taxi...

Admirei minha paciência e finalmente me livrei da garota, quando procurei por Ana e Erick, encontrei somente Ana, que parecia empolgada com a troca de saliva com um cara que parecia dez anos mais nova que ela, deixei o local e me arrependi, ainda mais por saber que sabia que iria ser assim. 

A noite parecia adequada e favorável para dormir, esse não foi o meu caso. Estava amanhecendo e minha mente preocupada se concentrava na saudade do corpo e petulância da inteligência de Paola Carosella.



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