História Delusional Dope - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias The 100
Tags Clarke Griffin, Clexa, Finn Collins, Lexa
Exibições 111
Palavras 2.925
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Drogas, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - California



Lexa


 "Driving in the sun, driving down the 101. California here we come, right back where we started from." 

- California, Phantom Planet

 

O sol não apareceu pela manhã, tampouco as nuvens estavam cheias. O clima era agradável, um típico temperado mediterrâneo em início de setembro que antecedia o outono, exatamente na medida que eu amava. O que me fez ter um pouco de esperanças para este semestre. Acordar de mau humor no dia de regresso ao campus não me parecia muito motivador. Foi uma manhã feliz. Eu estava bem.

- Pelo amor de Deus, ligue assim que chegar, Lexa. 

Eu contara como a quarta vez em que minha mãe ditava tais palavras. Não era como se eu estivesse indo para o outro lado do país. Era apenas o outro lado do estado. 

- Deixei de ligar alguma vez? - Perguntei quando atirei meus braços sobre ela para envolvê-la uma última vez. Minha mãe fungou uma concordância incoerente, e depositou um beijo entre meus cachos nada controlados. - Ok, dona Julie, chega de despedidas. Hora de partir.

Seus olhos cor de mel tornaram-se verdes ao serem cobertos por uma camada finíssima de lágrimas.

Era o início do meu quarto período na Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, e ela ainda não havia acostumado-se com a minha partida. Confesso que eu mesma ainda não estava acostumada a deixá-la.

Cursar em Santa Cruz tendo tantas opções em Fresno, minha cidade natal, fora uma escolha pensada. Eu queria estar longe de casa, porém perto o suficiente para visitar quando desse vontade. Queria uma cidade nova, histórias novas, pessoas novas. Andar com os meus próprios pés, por assim dizer. Um complexo de independência adquirido ao longo de toda a minha infância e adolescência. Isso era bom, eu acho.

- Desculpa atrapalhar a despedida das garotas, mas hora de pegar a estrada. - A voz de Finn surgiu logo após o som da porta sendo aberta.

Meu amigo estava parado com os braços cruzados, ele nos olhava carregando um sorriso acolhedor de quem compreendia perfeitamente nossa recusa em terminar aquele abraço. Alguém que absolutamente acabara de passar por uma despedida bem parecida.
Finn usava seus horríveis chinelos slide, objeto que possuía meu inteiro ódio por ser usado de forma detestável por ele. Como exemplo, neste exato momento, onde estava terrivelmente em conjunto com um moletom surrado e camisa regata com a logotipo da UCSC. Finn, definitivamente, nunca poderia vestir-se por conta própria.

- Vai me fazer chegar em Santa Cruz ao seu lado vestido desse jeito?

- Se chegarmos hoje em Santa Cruz, não é? Porque pelo jeito vocês não irão se largar. - Seu tom de deboche nos fez revirar os olhos ao mesmo tempo.

- Você é irritante, Finn. - Minha mãe soltou as palavras que eu dizia todos os dias, como uma oração.
Foi a vez dele revirar os olhos. 

Finn caminhou até o meio da sala, onde encontravam-se minhas malas, e de forma habilidosa ele equilibrou uma no braço direito enquanto arrastava a outra, com o braço esquerdo envolveu minha bolsa de ombro e meu travesseiro cervical para viagem, carregando tudo para fora de casa.

Finn Collins era meu vizinho da frente, ele veio morar em Fresno quando a mãe casou-se novamente. Nos tornamos amigos em questão de dias. Hoje, quatro anos depois, moramos juntos em Santa Cruz. A ideia de nos inscrevermos nas mesmas universidades era óbvia, e não foi surpresa para nenhuma de nossas famílias quando anunciamos que mudaríamos juntos. No início vivíamos no campus, a UCSC possiu um programa extremamente interessante, denominado sistema de faculdade residencial. Basicamente, a Universidade é composta por dez pequenas faculdades. A intenção é combinar o apoio ao estudante de uma pequena faculdade com os recursos de uma grande universidade. No início de período cada  calouro escolhe uma das dez faculdades. Finn vivia na College Eight, eu optei por morar na Oakes College. 

Era bom estar um com outro, entretanto cada um em seu canto. Mas não durou por muito tempo, um ano depois estávamos saindo das residências do campus. Alugamos um pequeno apartamento e estamos nele há seis meses.

- Acho que aqui é onde nos soltamos. - Falei para minha mãe quando finalmente conseguimos sair de casa.

- Boa viagem, meu bem. E juízo nessa estrada, ouviu senhor Collins? - Mamãe gritou para Finn que terminava de organizar a bagagem em seu Qashqai branco. 

- Não se preocupe, Julie. - Ele respondeu indo até ela para abraça-la. Finn recebeu um beijo na testa, como os vários que eu vinha recebendo nos últimos vinte minutos.

Assim que entrei no carro, já pondo o cinto de segurança, a mãe de Finn e o seu padrasto surgiram na porta de sua casa para um último aceno. Meu amigo mandou um beijo estalado para a mulher incrivelmente bonita com seus cabelos vermelhos nada naturais e me acompanhou entrando no veículo.

Houve alguns "tchaus" e "vão com Deus" antes do motor ser ligado, e então nossas famílias eram apenas imagens decrescendo em um retrovisor.

- Animada para mais um semestre longe de casa? - A pergunta saiu de um Finn concentrado em pegar a saída da cidade, ao mesmo tempo em que colocava seu óculos de sol. Fiz o mesmo.

- Que minha mãe não ouça, mas volto mais animada a cada período.

Nós rimos. A superproteção de Julie era algo que me enchia o peito. Apesar de "super", não era algo que me sufocasse, era algo que dizia "estou aqui com você para o que der e vier". Nós sempre havíamos sido muito próximas, mas tudo se intensificou após o divórcio com o meu pai. Aconteceu cinco anos atrás, eu nunca quis saber o motivo exato, me bastava estar ciente de que ambos estavam infelizes com o casamento. Eu apoiei cada um nessa decisão. Foi a melhor saída para todos. Mamãe estava mais jovem, cuidando de si mesma. Papai conseguiu um emprego melhor e mudou-se para San Diego. Eu o via frequentemente, no entanto. Ele era presente, e apesar da separação, nunca nos abandonou.

- Santa Cruz parece ser o seu lugar na Terra. - Finn concluiu ao parar de rir. Ele agora olhava fixamente para a imensidão de estrada que havia a nossa frente. Eu lhe lancei um último sorriso e tombei a cabeça para o meu lado direito, com o único e óbvio objetivo de dormir todo o caminho.

E assim fiz. Acordei com Finn chamando meu nome, atordoada, percebi que já estávamos no estacionamento do nosso pequeno condomínio. Procurei rapidamente o celular para conferir as horas, e como eu esperava, era pouco mais de meio dia. A viagem fora curta por Finn não ter feito nenhuma parada.

Enquanto meu amigo descia do carro e dava a volta para pegar nossas bagagens, eu aproveitei já estar com o telefone em mãos liguei para Julie. Ela atendeu ao primeiro toque e não tive tempo de dizer sequer um alô antes de ouvir seu pequeno discurso desesperado.

- Eu espero que esteja ligando de alguma lanchonete a beira de estrada, caso contrário serei obrigada a matar seu amigo por ter dirigido feito louco. - Afastei o celular do ouvindo para sinalizar a Finn o que estava por vir para ele.

- Não podia esperar um pouquinho para ligar, Lexa? - Reclamou batendo a porta do bagageiro após ter retirado tudo de dentro.

- Eu ouvi isso! - Mamãe gritou esperando que ele também a ouvisse.

- Relaxa, dona Julie, chegamos sãos e salvos. - Resolvi intervir antes que minha mãe soltasse mais uma de suas pérolas. - Nós vamos arrumar as coisas e almoçar, depois nos falamos, tudo bem?

- Não vou esquecer isso. - Comentou em um tom muito próximo de ameaça, eu sorri ao pensar no quanto essa mulher consegue ser dramática.

- Eu sei que não. Tchau, mãe. Amo você.

- Tchau, eu te amo. Juízo, e ainda converso com Finn. - Desliguei antes que ela começasse mais uma vez a implicar com Finn, que por sinal já havia sumido com metade das malas. 

Desci do carro batendo a porta e me enchi com o que pude, basicamente resumia-se em minha bolsa de ombro, uma mala pequena e meu travesseiro, ainda deixando uma bagagem para meu amigo buscar. O condomínio possuía um daqueles elevadores antigo onde a porta era um gradeado de correr, isso me fazia sempre preferir as escadas, mas no momento não tinha escolha, teria que entrar naquele trambolho de aço.

Nós morávamos no segundo piso de um prédio com cinco, era um lugar pequeno, mas perfeito para mim e Finn, ficava próximo ao campus e mais perto ainda da praia, que era meu local de trabalho. Sou garçonete num quiosque conhecido como Polis, meu patrão, Titus, concordou em liberar minhas férias sempre que eu estivesse em recesso da universidade, sendo assim, voltaria a trabalhar concomitantemente a volta às aulas.

Cheguei ao apartamento quando Finn estava saindo para buscar o restante da bagagem e fechar o carro. Disse a ele que poderíamos ir almoçar no Polis, e prontamente o garoto concordou, havia voltado do estacionamento em questão de segundos. 

Cada um de nós migrou para o próprio quarto, que ficava porta a porta, e fomos cuidar de um banho rápido. Meu cabelo virou um emaranhado de cachos preso em um coque alto e pude finalmente sentir a água tocar minha pele. Se eu dissesse ser a melhor sensação conhecida estaria mentindo, mas chegava a algo bem próximo de ser. Relaxar músculos tensos de uma viagem enrolada numa posição não recomendável para dormir era tudo o que meu corpo pedia. Atendi, então ao seu pedido. Provavelmente demorei mais do que deveria embaixo d'água, já que o grito de Finn me fez abrir os olhos que estavam fechados para sentir melhor a água cair pesadamente em minhas costas.

- Caiu no vaso, Lexa?!

- Não! Sou alguém que toma um banho descente, não um de gato como o seu. - Respondi a medida que saía do box e agarrava a toalha para secar o corpo.

Corri até a gaveta de biquínis e procurei o mais simples possível, era branco e foi logo coberto por um curto short jeans e um blusão folgado que deixava um ombro de fora. Essa era mágica de Santa Cruz, roupas de banho eram roupas de baixo, vez ou outra você encontrava uma garota de biquíni até mesmo no campus.

- Finalmente! - Finn jogou as mãos aos céus quando apareci na pequena sala de estar, também considerada nossa sala de jantar. Ele estava no sentado/deitado no sofá, vestia algo tão praiano quanto eu, e claro, seus inseparáveis amigos de combate conhecidos como chinelos-que-eu-tanto-odiava. Eu me resumi em uma rasteirinha que já vivia ao pé da porta, a própria para andar por Santa Cruz.

- Vamos a caminhando? - Ignorei sua reclamação e lancei logo a pergunta que importava.

- Vamos, quero ver o movimento da cidade.

- Tudo bem, vamos logo, então. - Fui a primeira a sair, deixando-o para trás reclamando sobre eu sempre dar um jeito de fazer parecer que ele era quem estava atrasado.

Chegamos ao Polis cinco minutos depois, já eram quase três da tarde. Titus nos recebeu com um grande e apressado abraço, o quiosque estava cheio e ele sozinho. Falei a ele que assim que nos preparasse seu famoso caranguejo acompanhando do melhor arroz da Califórnia, eu o ajudaria com os clientes. Fui logo descordada, segundo ele estava de férias até a meia noite. Quanto a comida, chegou pouquíssimo tempo depois, o que irritou algumas pessoas que haviam feito pedidos antes de nós.

- Finn, eu queria passar na universidade para arrumar minha grade, amanhã a secretaria vai estar lotada. Vai comigo? - Fiz a minha melhor cara de cachorro abandonado para ele, que se deleitava em seu terceiro prato.

- Eu até vou, se depois de lá a gente voltar pra praia. Tenho certeza que a galera vai esbarrar por aqui no fim da tarde. 
Eu poderia ter previsto isso.

- Você não cansa, garoto? 

- Não, ué. Tô aproveitando as últimas horas de férias, alguma festa a gente acha, um luau, sei lá.

- Tá, a gente volta e eu fico um pouco na praia. - Me rendi sabendo que seria única maneira de fazê-lo caminhar comigo até o campus.

Chamei Titus para trazer a conta e após tudo pago estávamos caminhando com pés na areia e calçados em mãos. A UCSC estava localizada ao longo da costa, de maneira que seguindo o rumo certo na praia bateríamos de frente aos prédios. As salas ao lado oeste da construção eram disputadas pelos alunos por ter janelas com a melhor vista para o pacífico. Confesso que este fato influenciava minhas opções de matérias extras, o que fosse lecionado na ala oeste ganhava prioridade de escolha.

- Lexa! Finn! Seus bastardos filhos de uma puta! - Meu sorriso cresceu imensamente antes que meu cérebro pudesse enviar impulsos para que meu corpo virasse em direção a voz que nos gritava.

A garota magra que corria até nós dois estava descabelada e coberta por um minúsculo biquíni, trazia um copo na mão e uma expressão raivosa no rosto.

- Rave!

- Sem essa! Quando vocês chegaram? Por que não avisaram? 

Raven Reyes era minha antiga colega de quarto e melhor amiga. Nos conhecemos assim que pus os pés no Oakes College. A garota chamava atenção com sua língua solta para palavrão e seu jeito barulhento de viver.

- Eu te falei vinha hoje! - Girei os olhos para minha amiga e joguei-me contra seu corpo. Raven devolveu o abraço desajeitadamente e lascou um beijo inesperado em meus lábios.

- Senti sua falta, garota! - Eu a olhei assustada, mas achando graça, logo compreendi sua falta de sobriedade.

- Eu também mereço essa recepção! - Finn reclamou ao meu lado e não consegui segurar o riso.

- Também senti sua falta, cabeçudo. - E repetindo o ato anterior, Raven encostou os lábios aos de Finn.

- Está com a galera? - Ele perguntou assim que Raven afastou-se.

- Sim, a gente tá perto da Pedra. Vamos? - A Pedra era na verdade um conjunto de rochas que formava um semi círculo na areia da costa, era o local preferido da galera para fazer festas.  

- Agora!

- Ei! Nós tínhamos um acordo, Finn. - Olhei emburrada para Finn e senti o braço de Raven envolver meus ombros.

- Qual o problema dessa vez, Lex?

- Eu preciso ir ao campus arrumar minha grade. - Minha resposta saiu baixa e envergonhada por já esperar o revirar de olhos de Raven acabara de me lançar. Nós tínhamos constantes discussões quando envolvia minha vida acadêmica, ela acha que exagero nos estudos e acabo perdendo um pouco da vida. Minha opinião é que devo continuar buscando o melhor para meu futuro, eu sei que passo um pouco do limite, como no semestre que fiz todas as disciplinas extras e ainda arrumei espaço para ser monitora. 

- Você pode fazer isso amanhã, Lexa! Todos nós faremos isso amanhã.

- Exatamente! Vai estar um inferno. - Raven abriu a boca para proferir sua resposta, que eu já esperava ser uma caralhada de xingamentos, entretanto resposta alguma veio. Fomos interrompidas por um casal que brigava a poucos metros de distância. 

O cara, que reconheci por já ter estado em alguma das turmas de disciplina extra que cursei, mantinha os dedos em volta dos braços da garota. Ela eu não reconhecia. Ela eu nunca havia visto por Santa Cruz. De fato, ela não parecia pertencer ao lugar. Suas roupas escuras e pesadas para uma festa na praia se destacavam acima de tudo. 

- Acham que ela precisa de ajuda? - Finn quebrou nosso silêncio quando o garoto, que eu não lembrava o nome, avançou na desconhecida de cabelos dourados. 

Eu ia dizer que era melhor apenas sairmos dali, mas quando me dei conta Collins já estava alcançando os dois. Imediatamente, Raven e eu apertamos o passo atrás dele. Antes que qualquer um de nós três estivéssemos a altura da briga a coisa se intensificou. A garota dera um belo soco no rapaz que recusava-se a soltá-la.

Ele iria revidar. Eu fechei meu meus olhos para poupar-me da cena, mas o que meus ouvidos captaram não foi o som de uma agressão, e sim a voz do meu amigo.

- Algum problema por aqui, Bellamy? - Esse era no nome do idiota. Eu não podia acreditar que ele bateria mesmo na garota. 

- Problema nenhum, Collins. Estou apenas batendo um papo com a loirinha, não é? - Ele direcionou o olhar para a menina, que o encarava com puro ódio.

- Batendo um papo ou batendo nela? - Raven sussurrou e pedi em silêncio para que apenas eu tivesse a ouvido. E se não fui a única, graças aos céus, minha amiga fora ignorada.

- É! Fica na sua, mauricinho. - A loira respondeu, assustando-me com a rouquidão inesperada que carregava na voz.

- Só estou tentando ajudar.

- Tá atrapalhando, cai fora! Antes que você ganhe um soco também. - Maquinalmente agarrei um braço de Finn para puxá-lo dali, mas os pés do meu amigo estavam fixos na areia.

- Eu caio fora assim que você também cair. - Suas palavras foram direcionadas a Bellamy. De repente, as imagens tornaram-se rápidas e quase indistintas.

A garota não mentira, seu punho acertou em cheio o nariz de Finn e meu rosto em fúria fora a última imagem que ela teve antes de dar as costas e sair. Simplesmente sair. 
 


Notas Finais


Mais uma vez, espero que gostem da história, e me falem o que acharam. Vale no twitter também, meu arroba é cotternation. Beijos!


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