História Demônio bom e Anjo mau - Capítulo 20


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjos, Demonios
Exibições 8
Palavras 1.110
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Heterossexualidade, Tortura
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 20 - Quero ver aquela chata outra vez


Fanfic / Fanfiction Demônio bom e Anjo mau - Capítulo 20 - Quero ver aquela chata outra vez

O anjo aterrissou suavemente diante de mim, me analisando com seus belos olhos verdes.

- O híbrido? - perguntou, mas pude perceber que era retórico.

- Alexander. - apresentei-me, piscando os olhos para afastar a tontura da ressaca.

Ela me olhou, e percebi que mesmo seus olhos sendo lindos, havia uma frieza terrível neles, como se estivesse ressentida por algo que eu disse ou fiz.

- Sei seu nome. - ela falou calma, porém rude - Mas eu não tenho nenhum interesse de chamar de "protetor dos humanos" alguém que se alia a demônios.

Demorei uns dois segundos para entender, meu raciocínio estava lento. Gabriel já havia me falado certa vez que esse era o significado do meu nome. Me senti honrado, mas era como se... como se um grande fardo fosse colocado sobre as minhas costas, como se fosse minha obrigação fazer jus a esse significado.

Passei alguns longos segundos olhando para a garota na minha frente, pensei em dizer que estava fazendo aquilo para salvar alguém, mas me toquei que não devia nenhuma explicação a ela.

- Quem você pensa que é para me julgar? - perguntei com a mesma frieza.

- Quem você pensa que é para achar que é o único aqui que está sofrendo? - ela rebateu imediatamente.

Ponderei sobre aquilo. Pela cara que estava fazendo, aquela garota estava sofrendo, mas não parecia ser por mim, nós nem sequer nos conhecíamos; então ela falava de outra pessoa. Será que era...

- De quem está falando? - perguntei temendo não aguentar a resposta.

- Não se faça de desentendido! - ela falou rangendo os dentes - Sabe que é Gabriel.

Engoli em seco. Confesso que ainda não tinha parado para pensar se ele estava sofrendo. Vi o anjo em minha frente suspirar perante minha expressão de desolação e tristeza.

- Escuta, híbrido - ela me chamou dessa vez menos hostil - eu não acho que você seja mau. Acho que Gabriel jamais iria gostar tanto de alguém ruim. Mas você tem que saber... tem que saber que está cometendo um erro! Tem que saber que precisa voltar para os anjos! Que está fazendo Gabriel sofrer!

Foi o mesmo que me dar um tapa. Minha cabeça doía por causa da ressaca, eu não conseguia pensar muito bem antes de falar.

- E você tem que saber que Gabriel pode até estar mal, mas com certeza está bem melhor que eu.

Ela chegou mais perto, ficamos a uns dois palmos de distância.

- Sinto cheiro de álcool - ela falou - E saiba que está se saindo muito mal em esconder as marcas no seu pescoço. Sua noite deve ter sido horrível. - sua voz de repente voltou a ficar muito fria e cheia de sarcasmo - É, posso ver que sua dor é insuportável.

Tive vontade de apertar aquele pescocinho delicado até ele quebrar. Por que ela acha que eu estava bebendo na noite anterior? Por que minha vida está sendo uma maravilha?

- Quem é você? - perguntei - Por que acha que pode simplesmente chegar aqui me interrogando e falando de coisas que não sabe?

Seus olhos se estreitaram.

- Se você está sofrendo e está fazendo alguém que ama sofrer - ela falava quase sussurrando - então por que continua com isso?

Hesitei.

- Não preciso te responder isso.

Nos encaramos por alguns segundos. Depois ela abriu suas asas e levantou voo.

- Meu nome é Emilly - ela falou antes de ir embora - E não pense que se livrou de mim.

Bufei enquanto via ela ir embora, desejando nunca mais vê-la.

​Nem acredito que achei ela bonita.

 

Depois da estranha conversa que tive com aquela garota/anjo, fui para casa, tomei um banho gelado, vomitei umas três vezes e dormi.

 

Acordei já me sentindo bem melhor. Me espreguicei e saí da cama para comer alguma coisa, meu estômago doía de fome e minha garganta estava seca, mas eu tinha a estranha impressão de estar me esquecendo de algo importante...

Enquanto comia uma maçã sentado na mesa de madeira - sim, tinham várias cadeiras, mas eu tinha o estranho hábito de sentar na mesa quando estava sozinho -, lembrei-me de um rosto, provavelmente o rosto mais bonito que eu já tinha visto, uma garota de olhos verde esmeralda... É, acho que sonhei com uma garota assim...

E do nada, me toquei que não era sonho.

Aquela conversa tinha sido tão estranha que acabei imaginando que... Sei lá, estava tão bêbado que vi uma miragem, mas naquele momento eu me lembrei com clareza de cada detalhe confuso daquela conversa.

Passei um tempão tentando ligar os pontos.

A garota... Emilly veio até mim por um motivo desconhecido, e fez questão de dizer que minha decisão estava errada e que eu era egoísta; com certeza queria que eu me aliasse aos anjos, porém não parecia ter nenhum tipo de sentimento por mim, nem mesmo desprezo ou raiva, parecia querer ignorar minha existência, contudo não poder fazê-lo. Mas se era assim... por que queria tanto que eu desistisse dos demônios?

Lembrei-me também que várias vezes ela mencionou Gabriel, disse que ele estava mal, parecia se importar com ele. Acho que era o tipo de pessoa que com alguns (Gabriel) é carinhosa, e com outros (eu) era terrível. Provavelmente ela era amiga dele.

Mas logo me corrigi. Eu - pelo menos quando estava sóbrio - era bom em ler as expressões e os sentimentos das pessoas. Lembrei-me do modo como ela falou o nome dele; seus olhos cheios de frieza até se iluminaram... e então notei: ele era o motivo de ela não poder ignorar a minha existência.

Acho que é a namorada dele.

​E me corrigi novamente. Se eles namorassem, Emilly não ficaria tão nervosa ao falar nele. O tom dela era muito sonhador, como se aquele Gabriel para ela fosse um sonho e não uma realidade.

​Acho que ela gosta dele, mas não é recíproco.

​De repente, tive muita vontade de poder perguntar a ela algo parecido com o que ela perguntou a mim: se está sofrendo, então por que continua com isso? Por que se dá ao trabalho de vir até mim por ele se sabe que ele não te olha da forma que você quer? Por que o ama se ele não te ama?

​Joguei o miolo da maçã no lixo, sorrindo. Antes eu estava nervoso - e bêbado - demais, mas naquele momento pude pensar  melhor nos motivos e intenções de Emilly.

"Não pense que se livrou de mim" - ela havia dito. Pois bem, do jeito como eu adorava histórias sobre corações despedaçados, estava estranhamente ansioso para que ela cumprisse com sua palavra.



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