História Demônio bom e Anjo mau - Capítulo 8


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjos, Demonios
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Palavras 1.162
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Heterossexualidade, Tortura
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 8 - As lágrimas do anjo


Fanfic / Fanfiction Demônio bom e Anjo mau - Capítulo 8 - As lágrimas do anjo

O sorrido de Gabriel sumiu, ele me olhava chocado. Parei de sorrir, temendo o que ele ia dizer.

- Você pode me ajudar, não é? – perguntei, trêmulo.

Ele engoliu em seco.

- Não posso trazer quem está morto de volta à vida.

- Mas o divino pode – gaguejei – você é um dos favoritos dele. Se pedir, talvez...

Seu rosto empalideceu. Gabriel balançou a cabeça.

- Alê... – não tive forças para corrigi-lo – de onde tirou essa ideia?

Tentei não encará-lo.

- Eu... Quero compensar Tom e Lisa – confessei – Foi culpa minha Noah ter morrido.

O anjo veio até mim. Parou a meio metro de distência, parecia estar segurando as lágrimas.

- Alê...

- Alexander – corrigi com um sussurro.

Suas mãos foram para os meus ombros.

- Se quiser culpar alguém pelo que aconteceu a Noah, culpe a mim, mas nunca a si mesmo. Você era só um bebê.

Tremi, mas me sentia estranhamente bem. Gabriel era como um irmão mais velho ou, quem sabe, um pai.

- Você sente culpa? – sussurrei – Se arrepende?

Ele olhava para o chão.

- Se eu pudesse escolher, teria criado você – respondeu – mas eu não pude. Aquele casal apenas recebeu o castigo por negar a vontade do senhor.

- Mas a criança foi punida! – retruquei – E era inocente.

- Foi o destino – rebateu – Como o filho do rei egípcio Ramsés, que morreu, pois seu pai negou a vontade de Deus de libertar o povo hebreu.

Cerrei o punho. Tinha algo que eu queria dizer desde que descobri sobre Noah, e de repente, explodi:

- Que espécie de Deus é esse que pune inocentes porque quem os ama não foi de acordo com sua vontade? – gritei – E não é só: ao invés de corrigir Adão e Eva após a traição, os expulsou do Éden para que sofressem na Terra, matou milhares de egípcios, ficou observando calado a tortura e morte do filho...

- Isso não é culpa de Deus – Gabriel elevou a voz – Adão e Eva o traíram, os egípcios mataram os hebreus, e a morte de Jesus foi para a purificação da humanidade.

- E foi inútil – o encarei – os humanos continuam impuros.

Uma lágrima solitária percorreu seu rosto. Senti-me horrível, aquela era a sensação de fazer um anjo chorar.

- O que quer dizer? – ele tremia.

- Que seu Deus é tão injusto quanto o diabo.

Seus joelhos cederam, ele caiu em cima deles com as mãos apoiadas na frente do corpo, parecia que eu tinha lhe dado um tapa.

- Você fala como um demônio – sua voz era quase um sussurro. Ajoelhei-me na frente dele.

- Talvez eu seja um.

Foi a gota d’agua. Lágrimas e mais lágrimas silenciosas desceram por seu rosto. Lágrimas de medo, de decepção, de dor.

Fiquei olhando. Suas lágrimas eram cristalinas e brilhantes, elas molhavam seus longos cílios pretos e os olhos azuis, formando uma espécie de lago dessa cor. Era... Lindo.

Gabriel me encarou com seus olhos molhados. Havia pureza e perfeição neles, e por um segundo, vi o paraíso. Não era bem um lugar, era uma sensação. Era o amor pleno, a paz plena. Gabriel pertencia àquele lugar, ele era incapaz de odiar ou de pecar, diferente de mim. Minha teoria estava certa: tenho muito mais dos demônios que dos anjos.

Aquela imagem, Gabriel chorando... Eu quis morrer, quis retirar tudo que disse, mas não podia. Não podia me livrar daquela cena linda que me dava vontade de cometer suicídio. Esse era o tabu por magoar um ser celestial: remorso, uma culpa insuportável.

Ele passou a mão em minhas bochechas, e aí percebi que também estava chorando.

- Então é isso? – ele tremia levemente – Você escolhe os demônios?

Hesitei. Vi seus olhos puros, sabendo que os meus jamais seriam assim, sabendo que meu desejo de trazer um morto de volta à vida me fazia indigno do paraíso.

Assenti.

- Eu preciso – me justifiquei – não vou ter paz até que Tom e Lisa tenham de volta a felicidade que tirei deles Eu preciso trazer Noah de volta.

- Não se culpe! – Gabriel se levantou de uma vez, parecia irritado – Eu já disse que...

- Eu sei. – levantei-me – Mas se eu realmente não tenho culpa, então por que esse peso não sai dos meus ombros?

Ele ficou calado, sem resposta. Comecei a me afastar, queria ir embora, estava cansado de discutir.

- Está certo de sua escolha? – sua voz agora era fria.

Assenti devagar.

Gabriel levantou o queixo, empinando o nariz, o que lhe deu um ar metido e distante, e um olhar duro que eu sabia não ser digno de um anjo.

- Gabriel... – sussurrei – Entenda: eu preciso fazer...

- Então vá pro inferno. – ele se afastou mais ainda – Tenho certeza de que Lúcifer vai te receber bem.

Tremi sob seu olhar frio, e percebi que não havia raiva neles, e sim decepção. Endureci meu olhar. Ele mente e ainda se acha no direito de ficar decepcionado?

“Ele está te abandonando” – disse a voz em minha cabeça – “Abandone-o também”.

Virei-me para ir embora, os passos firmes e determinados.

- Adeus, Gabriel – apertei a chave em minha corrente e minhas asas apareceram. Comecei a voar.

- Adeus, Alexander.

Engoli em seco, hesitando. Ele nunca me chamava pelo nome. Continuei me afastando devagar, tentando não demonstrar meu desespero.

- Ei! – ele chamou e eu me virei – Sabe por que te dei esse nome?

Balancei a cabeça. Nunca tinha pensado nisso.

- Porque significa Protetor da Humanidade – respondeu – E eu achei que você seria assim.

Hesitei por um segundo.

- Eu sou – confirmei – eu quero proteger os humanos, por isso vou trazer Noah de volta: porque ele também é um.

Gabriel balançou a cabeça.

- Se aliar aos demônios... Fazer pactos com o Satanás... – havia nojo em sua voz – Isso não é amar humanos!

Explodi.

- E o que os anjos ou Deus sabem sobre isso? Vocês abandonam e matam. O que me leva a pensar: por que torturar Lisa e Tom com tudo isso? Por que não outro casal?

Ele suspirou.

- Porque essa foi a vontade do divino, e por outros motivos que você não aceitaria. Esqueça as razões. Assim foi feito e assim ficará.

Houve um breve silêncio.

- Certo. – concluí – Mais alguma coisa?

O anjo me encarou como quem encara um experimento que deu errado.

- Não – respondeu – mais nada.

Suas lágrimas estavam secas, e brilhavam na luz da manhã.

Assenti e lhe dei as costas, indo embora. Quando estava bem longe, toquei meu rosto, estava chorando novamente.

Apesar de amar os humanos, eu não tinha amigos entre eles. Gabriel foi meu único amigo, e o que chegou mais perto de uma família para mim.

Sequei as lágrimas, não adiantava mais. Minha decisão estava tomada, e se Gabriel não estava comigo, estava contra mim.

Lembrei a mim mesmo que ele mentiu, ignorou uma vida humana e desistiu de mim. Ele não era o anjo que eu pensei que fosse.

Mas então – pensei – Por que dói tanto deixa-lo para trás?



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