História Demônio bom e Anjo mau - Capítulo 9


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjos, Demonios
Exibições 14
Palavras 1.300
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Heterossexualidade, Tortura
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - A súplica de um povo


Fanfic / Fanfiction Demônio bom e Anjo mau - Capítulo 9 - A súplica de um povo

Após a terrível conversa com Gabriel, fui para casa. Parei de voar na entrada da Vila, não queria assustar ninguém nem atrair muita atenção.

Comecei a ouvir vozes em minha cabeça, sussurrando sobre uma criança morta, um híbrido solitário, vingança, morte...

E ficou pior ainda quando percebi que mesmo com minha forma humana, muita gente me encarava. Acelerei os passos, não gostava de pessoas me encarando como se eu fosse um bicho estranho. Mas foi inútil, as pessoas começaram a se juntar ao meu redor, a meio metro de distância. E logo era uma multidão.

Fiquei estranhamente intimidado, me lembrando da última vez que vi esse aglomerado: foi em torno de uma mulher acusada de bruxaria, ela foi apedrejada até a morte.

Fechei os olhos, esperando as pedras; mas elas não vieram. Abri um olho, espiando os rostos inexpressivos do povo. Todos estavam em silêncio, as vozes em minha cabeça também pararam.

Levei a mão à chave, poderia voar para longe...

- Qual o seu nome? – alguém lá no meio perguntou.

- Alexander – sussurrei, e me toquei que ninguém me ouviria naquele tom. Elevei a voz – Alexander!

Mais silêncio.

- Você não é o filho dos Allerona? – alguém abria caminho em minha direção.

Ele chegou na minha frente e o reconheci. Eric Dallious, um riquinho mimado e popular que estudava no mesmo colégio que eu. E foi aí que me lembrei que tinha deixado de ir ao colégio ou a qualquer lugar desde que encontrei Gabriel. Parecia uma vida atrás.

Não me julguem por ter deixado o colégio de lado, você também deixaria se estivesse na mesmo situação que eu.

Eric tinha a minha idade e altura, cabelos castanhos curtos e olhos pretos, pele morena e era musculoso. Lembrei-me que ele sempre me enchia o saco por eu ficar sempre no canto sozinho.

- Não – respondi – eles só me criaram.

Seus olhos arderam em fúria. Acho que ele estava com inveja da atenção que eu recebia. Quis socar a cara dele por isso. Se soubesse a metade do que estou passando...

- Que espécie de aberração é você?

As pessoas em volta pareciam relutantes em intervir. Acho que queriam saber a resposta. Ignorando as vozes que voltaram a me atormentar, respondi:

- Sou um híbrido de anjo e demônio – não vi motivo para esconder – e essa “aberração” salvou a Vila no último ataque.

Isso acabou com a hesitação do povo, um homem puxou Eric para trás.

- Pare com isso menino! – o homem o censurou, depois se voltou para mim – Mil perdões pelo meu filho, senhor.

Senti-me meio velho. “Senhor”?

- Tudo bem – respondi – Vocês tem mais algo pra me dizer?

Eu torcia internamente para que não, minha cabeça latejava.

Olhei em volta, esperando, e levei um susto quando todos começaram a se ajoelhar, baixando a cabeça, o pai de Eric o forçou a isso também, confesso que tive que me esforçar para esconder meu prazer com isso.

- Por favor – reconheci o dono da voz, era o prefeito – Nos proteja! Sem o seu poder nós... Morremos.

Aquilo me assustou, senti meu rosto esquentar, todos me olhavam com expectativa.

Inclinei a cabeça com timidez, as pessoas nunca reparavam em mim, era um choque vê-las ajoelhadas na minha frente.

- C-Claro – tentei esconder o nervosismo – Eu... Vou proteger todo mundo.

Arquejos de alívio invadiram o lugar, seguidos por muitos agradecimentos e um monte de perguntas. Senti-me estranho, era desconfortável e sufocante toda aquela gente falando, e mais as vozes ecoando na minha cabeça.

- Por favor, levantem-se – até eu me surpreendi com minha voz ofegante.

Falei bem baixo, mas os mais próximos ouviram e repassaram; logo estavam todos de pé, e quase os mandei ajoelhar de novo, era ainda pior daquele jeito.

Sabe, têm dois tipos de antissociais: os excluídos que querem atenção, mas não conseguem, e os que não socializam porque não querem. Estou no segundo grupo.

Algum tempo depois pensei se era uma característica pessoal ou tenho isso dos demônios. Será que eles também se sentem sufocados numa multidão?

Quis fugir, voar para longe, mas os olhares suplicantes me fizeram congelar. As vozes externas e internas bombeavam meu cérebro sem pena, e em um momento de desespero, gritei:

- Parem!

O chão tremeu - Fui eu que fiz isso? - , ouvi gritos, seguidos por silêncio. Eu não sabia se assim era melhor ou pior.

Os olhares ficaram vazios, quase desiludidos. Era pior. Pus as mãos no rosto.

- Desculpem – pedi tirando as mãos do rosto, corado – Eu... – agora eu já ofegava novamente, minha cabeça latejando – Eu... Não consigo... Respirar.

Minha visão ficou turva. Todos se afastaram ao perceber minha palidez, dando-me espaço. Inspirei, aliviado por dois segundos; pois a imagem das lágrimas de Gabriel, sua decepção, o rosto da demônio, o fogo do inferno... Estava tudo grudado em minhas pálpebras.

Tudo ficou preto, e caí, desmaiado, ainda senti mãos me carregando antes de perder totalmente a consciência.

 

Acordei atordoado, sobre uma superfície dura, lisa e fria. Abri os olhos e vi um pé enorme ao meu lado, assustei-me, me sentando, e percebi onde estava.

O pedestal da estátua do anjo era alto, quase 2m acima do chão, eu estava sentado lá, aos pés do anjo. Provavelmente as pessoas queriam me manter o mais perto possível dos serafins, e segundo as histórias, aquela estátua era o mais próximo. Fiquei agradecido pela preocupação, apesar de não estar mais exatamente do lado dos anjos.

Sentei-me pendurando as pernas, ia descer, mas aí percebi que a multidão ainda estava lá, murmurando uns para os outros, e se calaram ao me ver.

Graças a não estar mais com tanta gente em cima de mim, consegui respirar; mas eu não sabia o que dizer. As vozes pararam o que era bom, mas ainda assim... Eu tinha causado uma péssima impressão.

Suspirei, tomando coragem.

- Me desculpem – pedi, num tom que pelo menos a maioria ouvisse – Eu... Estou num dia ruim.

Silêncio.

- Mas a culpa não é de vocês – prossegui, tentando não estragar tudo de novo – Eu só... Preciso de espaço. Nunca fui rodeado dessa forma antes, isso é novo pra mim.

Dessa vez as pessoas falaram, muitas perguntas de uma vez. Temi passar mal de novo e me adiantei.

- Esperem, por favor – eles se calaram – Não entendo nada assim. Um de cada vez.

O prefeito foi o primeiro.

- Você diz ser um híbrido. Ou seja, tem uma parte demônio, mas ainda assim... É enviado dos anjos, não é?

Vacilei, eles não precisavam saber que ficaria com os demônios.

- Não exatamente – comecei – Digamos que... Eu trabalho por conta própria.

Isso era, em parte, verdade.

Seguimos o dia inteiro com perguntas e conversas, por ser uma Vila pequena, não foi difícil atender pelo menos a maioria. Comecei tímido e receoso, mas me surpreendi ao ver que logo estava rindo junto com eles, fiquei grato também, por não insistirem muito na minha vida pessoal, direcionando a maioria das perguntas ao motivo de eu estar ali, do sumiço dos anjos e muitas aparições demoníacas...

Mais tarde senti uma coisa estranha no peito, um calor que nunca sentira antes. Ou melhor, senti sim, uma vez: quando Gabriel disse que eu era sangue de seu sangue. Pensei que jamais sentiria aquilo novamente. Era muito bom.

Pude ver e sentir o coração de cada pessoa ali, cada coração que ao longo da conversa passou a me amar e se importar comigo, e que eu passei a amar também, mais do que nunca.

Isso é ser um anjo? Amar e ser amado de forma tão maravilhosa?

Um pingo de tristeza me atingiu quando pensei nisso, pois eu jamais seria um anjo; mas estava feliz por ter pelo menos isso deles.

E foi aí que percebi que independente do lado em que eu estivesse, protegeria para sempre aquelas pessoas.



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